Agro é Fogo: dossiê desvenda relações entre governo, agronegócio e desmatamento

Documento mostra como o avanço de atividades exploratórias vem sendo endossado pelo poder público e destruindo biomas

Nesta quarta-feira, dia 14 de abril, às 18 horas (horário de Brasília), será disponibilizado ao público, no endereço https://agroefogo.org.br/,  o Dossiê Agro é Fogo: grilagem, desmatamento e incêndios na Amazônia, Cerrado e Pantanal, uma produção que conta com o envolvimento de representantes de movimentos, organizações e pastorais sociais que compõem a Articulação Agro é Fogo.

A plataforma agrega análises e denúncias sobre as múltiplas dimensões da devastação ambiental e dos conflitos por terra que se dão no rastro do uso criminoso do fogo pela cadeia do agronegócio, evidenciando a relação intrínseca entre a questão ambiental, agrária e fundiária no Brasil.

Essa plataforma agrega análises e denúncias sobre as múltiplas dimensões da devastação ambiental e dos conflitos por terra que se dão no rastro do uso criminoso do fogo pela cadeia do agronegócio, evidenciando a relação intrínseca entre a questão ambiental e a questão agrária e fundiária no Brasil.

Defender a reforma agrária e os direitos territoriais dos povos e comunidades da Amazônia, Cerrado e Pantanal é não somente um imperativo ético, mas também ecológico.

Bolsonaro fundou “República da Morte” durante pandemia, diz OAB

Comissão criada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para avaliar as ações do governo federal à frente da pandemia de Covid-19 concluiu que o presidente Jair Bolsonaro cometeu crimes de responsabilidade e contra a humanidade ao fundar uma “República da Morte” no país. Segundo o colegiado, Bolsonaro agiu deliberadamente contra medidas de proteção ao coronavírus e se omitiu em diversas situações que poderiam reduzir o número de óbitos causados pela doença.

O relatório de 24 páginas é dividido em análises sobre possíveis sanções a Bolsonaro no plano nacional (processo de impeachment e denúncias criminais) e internacional (denúncia ao Tribunal Penal Internacional). O relatório da comissão será levado para discussão no plenário do Conselho Federal da OAB, que reúne representantes das seccionais estaduais da entidade e o seu presidente, Felipe Santa Cruz. Com base no parecer, a Ordem poderá apresentar um pedido de impeachment contra Bolsonaro. Até o momento, a OAB não elaborou nenhum pedido de afastamento do presidente.

A comissão foi presidida pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto e contou com a participação dos juristas Miguel Reale Jr., Carlos Roberto Siqueira Castro, Cléa Carpi, Nabor Bulhões, Antonio Carlos de Almeida Castro, Geraldo Prado, Marta Saad, José Carlos Porciúncula e Alexandre Freire.

Fonte: Gazeta do Povo

Chuva interdita trânsito na Ladeira de Fernão Velho

Decisão considera novos alertas e danos causados pelas chuvas que atingiram Maceió essa semana

A Defesa Civil de Maceió interditou completamente a Ladeira de Fernão Velho por tempo indeterminado. A decisão, tomada no começo da tarde desta quarta-feira (14), levou em consideração os danos causados à via por conta das chuvas do último final de semana, além de dos dois avisos de chuva recebidos pelo órgão que preveem chuvas moderadas para amanhã.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Abelardo Nobre, mesmo com a intervenção da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra) iniciada ontem, o local apresenta risco para o tráfego de pessoas e veículos devido aos índices de chuvas acumuladas.

Com a interdição da via os veículos particulares e ônibus de transporte coletivo deverão utilizar as vias de acesso ao Rio Novo, pelo trecho da BR-316 que liga os municípios de Maceió e Satuba.

Fonte: Tribuna Hoje

Metroviários de SP param no dia 20 por vacinas e lockdown para conter Covid-19

Paralisação, aprovada por mais de 66% da categoria, é por vacina contra a Covid-19 para todos os metroviários e trabalhadores do setor de transporte público, além de  medidas de prevenção como o lockdown

Os metroviários de São Paulo decidiram realizar uma “greve sanitária” na próxima terça-feira, dia 20. Na pauta de reivindicações estão dois itens fundamentais para conter a transmissão do novo coronavírus: a definição de um cronograma de vacinação contra a Covid-19, doença provocada pelo novo vírus, para todos os metroviários e trabalhadores do setor de transporte público, e medidas de prevenção contra a doença que o Sindicato dos Metroviários sugeriu em um Plano de Emergência apresentado ao Governo do Estado de São Paulo e que foram ignoradas.

A paralisação foi aprovada em assembleia virtual encerrada na quarta-feira, 6 de abril de 2021. Segundo o sindicato, de 1023 votantes, 661 (64,3%) votaram a favor da greve.

O Sindicato pede lockdown, com o fechamento das atividades, para conter o vírus e, no dia 16 de abril, os funcionários do Metrô de SP vão trabalhar de preto em sinal de luto pelas vítimas da Covid-19.

Só na semana passada, entre 4 e 10 de abril, o estado de São Paulo registrou 5.657 óbitos, o maior número desde o início da pandemia. No outro mês com mais vítimas em uma semana, em meados de julho do ano passado, foram registradas 1.945 mortes, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, compilados pelo consórcio de imprensa. Neste domingo, foram registradas 510 vidas perdidas por complicações da Covid-19 no estado – o número é extremamente alto para um domingo, dia em que as equipes das secretarias e laboratórios trabalham em esquema de plantão, com menos trabalhadores.

A decisão de realizar uma greve sanitária foi tomada por metroviários de todas as linhas, inclusive funcionários da ViaMobilidade e ViaQuatro. Há um forte clima de indignação com o avanço da pandemia e a falta de políticas eficientes para contê-la, diz nota publicada no site do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.

“A principal reivindicação é a vacinação urgente para os metroviários e todos os trabalhadores do transporte público. Também há a reivindicação de que governos implementem o lockdown, o auxílio emergencial e as diretrizes descritas no Plano de Emergência apresentado pelo Sindicato”, diz trecho da nota.

Fonte: CUT Brasil

Professor Kleber Bezerra explica o caráter reacionário das escolas militares

Para entender um pouco mais da polêmica envolvendo a proposta de implantação das escolas militares pela Semed em Maceió, entrevistamos o professor Kleber Bezerra, que leciona na Escola Municipal Professor Antídio Vieira e na Universidade Estadual de Alagoas. O professor Kleber Bezerra foi um dos criadores da gestão democrática nas escolas de Maceió, durante o mandato do prefeito Ronaldo Lessa (1993-1996) e da secretária de educação Maria José Viana.

1- Professor, por que os professores da Escola Municipal Professor Antídio Vieira rejeitam a proposta de implantação das Escolas Cívico-Militares do governo federal proposta pela Secretaria Municipal de Eduação?

Resposta – Os professores rejeitam a implantação das Escolas Cívico-Militares  pela forma como essa decisão foi tomada, sem discussão com a comunidade, de cima para baixo. E rejeitam também pelo conteúdo, pois tal projeto, de perfil ultraconservador, faz parte das estratégias negacionistas, obscurantistas e reacionárias no contexto da guerra cultural tão presente em nosso tempo.

2- Por que a escola militar é incompativel com o projeto político pedagógico da Semed?

Resposta – A escola militar é um golpe contra a escola pública, portanto, é uma estratégia nos marcos da autocracia burguesa e na conjuntura da ascensão fascista para moldar  a formação  dos filhos dos trabalhadores às exigências do grande capital.  Que exige,  em pleno processo  de reestruturação, um currículo que destile conformismo, adaptabilidade, empatia e um conjunto de competências socioemocionais que devem ser a base para a formação de um sujeito despossuído de tudo, inclusive de sua consciência de classe. Além de intensificar  os instrumentos de controle sobre o trabalho escolar, descaracterizando assim a função social e política de escola, como também, retira a autonomia dos professores que com muito protagonismo educam para a vida nossos alunos.

O programa das escolas cívico-militares, fere o princípio da gestão democrática,  implantado  há anos nesta rede municipal de educação, fruto das lutas históricas e honradas de abnegados trabalhadores e trabalhadoras da educação, na qual tive a honra de ajudar a construir.

3- Diante da posição do prefeito JHC de implantação das escolas militares, como está a mobilização para reverter essa situação?

Resposta – O que defendemos com empenho é a gestão democrática, uma escola inclusiva e alegre, laica e com liberdade de ensinar e aprender. Contrapomos-nos tanto às agendas educacionais ultraliberais centradas na competitividade, quanto aos ultraconservadores e reacionários.

Assim, estamos nos mobilizando no âmbito da escola e seu entorno, reunindo com frequência nosso conselho escolar, nossos educadores, grupo de pais, buscando também o necessário apoio do Conselho Municipal de Educação (COMED) e nosso sindicato (SINTEAL), angariando forças para barramos essa ofensiva ameaçadora. Não esquecendo aqui a liderança e apoio da nossa coordenadora pedagógica Josefa Amancio (Lúcia), que tem desde o início nos apoiado. Também iremos participar de um seminário de 28 a 30/04, com diversas entidades para construirmos iniciativas e lutas comuns. Quero aqui reafirmar nossa defesa da escola pública, democrática, laica e com liberdade de ensinar e aprender. Uma educação enquanto um campo de humanização, um campo de produção de sentidos e afetos, produtora de direitos humanos para todos e todas.

Protesto em Mineápolis contra a morte de jovem negro

Daunte Wright, 20 anos, foi morto no domingo (11/04) a 16 km do local em que ocorreu a morte de George Floyd

Mineápolis viveu uma segunda noite de protestos nesta terça-feira (13/04), apesar do início do toque de recolher na cidade norte-americana, agitada pela morte supostamente acidental de um jovem negro por uma policial, em meio ao julgamento do ex-policial acusado pela morte de George Floyd, que mantém os Estados Unidos sob suspense. Daunte Wright foi morto por uma agente da polícia no domingo (11/04).  

O presidente norte-americano, Joe Biden, pronunciou-se mais cedo sobre o ocorrido no fim de semana, dizendo que manifestações pacíficas são compreensíveis, mas que não há “absolutamente nenhuma justificativa” para violências.  

Após os protestos da noite de domingo, o prefeito de Mineápolis, Jacob Frey, decretou toque de recolher, que entrou em vigor às 19h desta segunda-feira (12/04) também na vizinha Saint Paul e nos três condados da região metropolitana, incluindo Hennepin, onde ocorreu o incidente. 

Morte “acidental” 

Wright, 20 anos, foi morto a tiros por “acidente” enquanto dirigia no domingo pelo Brooklyn Center, um subúrbio de Mineápolis, segundo a polícia. Os agentes haviam ordenado que o motorista do veículo parasse por uma infração de trânsito. Quando descobriram que ele tinha um mandado de prisão pendente, tentaram prendê-lo. 

O jovem desobedeceu a ordem de deixar o carro e seguiu no automóvel. A policial Kim Potter gritou “taser” (pistola elétrica de imobilização) e atirou. A policial acusada tem carreira de 26 anos e foi suspensa.  

O comandante da polícia local, Tim Gannon, disse que o caso foi “acidental” e que a policial envolvida não queria atirar, mas confundiu sua arma de fogo com a taser. “Foi um tiro acidental que resultou na trágica morte” de Wright. 

Ao toque de recolher se soma a mobilização de mil soldados da Guarda Nacional, para evitar novos tumultos. Ignorando a ordem da prefeitura, dezenas de manifestantes continuaram agitando cartazes e cantando palavras de ordem sob a chuva, em frente à delegacia de Brooklyn Center City. 

“Não consigo respirar”    

Essa nova morte de um cidadão negro pelas mãos da polícia reacendeu o trauma de uma cidade que sofreu várias noites de incidentes após a morte de George Floyd, em 25 de maio de 2020. Na noite de domingo, a polícia disparou gás lacrimogêneo para dispersar uma multidão que se reunia em frente à delegacia do Brooklyn Center. 

Após os incidentes, a defesa do ex-agente acusado pela morte de Floyd, Derek Chauvin, pediu ao juiz que conduz o processo que isolasse o júri, preocupado que as manifestações pudessem influenciar sua decisão. Mas tanto a promotoria quanto o juiz se recusaram a fazê-lo. “Vamos isolá-los na segunda-feira, quando antecipamos as alegações finais”, informou o magistrado. 

Chauvin enfrenta acusações de homicídio culposo e doloso em segundo grau por seu papel na morte de Floyd, após imobilizá-lo colocando o joelho sob seu pescoço quando ele havia sido preso por supostamente ter feito um pagamento com uma nota falsa 

Vários vídeos mostram Chauvin pressionando o pescoço de Floyd por mais de nove minutos enquanto ele repetidamente lhe diz que não consegue respirar. As imagens desencadearam uma onda de protestos contra o racismo e a brutalidade policial nos Estados Unidos e no mundo.

A promotoria busca provar que a morte de Floyd foi causada por asfixia por parte da ação de Chauvin durante a prisão, e, para isso, convocou vários médicos a depor. Já a defesa argumenta que o óbito está relacionado ao fentanil encontrado em seu sangue, que se soma a fatores de saúde. 

O cardiologista Jonathan Rich testemunhou que a morte ocorreu devido aos baixos níveis de oxigênio induzidos pela “asfixia posicional” a que foi submetido. “Não vejo nenhuma evidência de que uma overdose de fentanil tenha causado a morte de Floyd”, ressaltou Rich. 

A poderosa organização de direitos civis ACLU afirmou que a morte de Wright foi uma das 260 causadas pela polícia até agora em 2021. “O que precisa acontecer para que a polícia pare de matar pessoas de cor?”, perguntou em um comunicado Ben Crup, o advogado da família Floyd, que também representará os parentes de Wright.

Fonte: Opera Mundi

Movimento negro exige respeito: praça Dandara fica!

Diversas organizações do movimento negro vem a público exigir que nossa história e nossas vidas sejam respeitadas.

Durante o mês de Março, a Câmara de Vereadores de Maceió aprovou vários absurdos contra nossa população, e sobretudo contra o povo negro da capital alagoana.

Dentre as tantas aberrações contra a vida e o bem estar de nossa população, aprovaram a substituição do nome da Praça Dandara por Praça Rosa Mística.

Desde já reiteramos que não somos contra a existência da Praça Rosa Mística. Mas exigimos respeito com os nossos símbolos. Existem diversos lugares para construção de novas praças. Não se faz necessário “apagar” o nosso espaço de resistência.

Nesse sentido, exigimos que o conjunto de representantes da nossa cidade reveja sua decisão e respeite nossa memória.

Praça Dandara Fica.

#PraçaDandaraFica#RespeitemNossaHistória#AlagoasÉPalmares#ZumbiDosPalmares#HistóriaDeAlagoas#Ancestralidade#PovoNegroResiste#Maceió#Alagoas#MovimentoNegro#Nordeste

Texto: Sandra Sena

TJ condena tio de Michelle Bolsonaro e 6 PMs por organização criminosa

Segundo os investigadores, os acusados foram responsáveis pelo surgimento de dezenas de loteamentos ilegais no Sol Nascente

A Justiça do Distrito Federal condenou sete policiais militares a 10 anos de prisão por organização criminosa. Os militares foram presos em maio de 2019 no âmbito da Operação Horus, ação deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que desarticulou o grupo envolvido em grilagem de terras. Um dos condenados é tio da primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro.

Acusado de participar de uma milícia responsável pelo esquema, o primeiro-sargento João Batista Firmo Ferreira é irmão de Maria Aparecida Firmo Ferreira, mãe de Michelle.

As investigações também tiveram apoio do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Indícios apontavam que os policiais militares eram milicianos e atuavam para beneficiar esquema ilegal de parcelamento de terras no Sol Nascente.

O pedido de prisão preventiva de João Batista foi expedido pela Auditoria Militar do Distrito Federal. À época, o MPDFT e a PCDF também cumpriram 15 mandados de busca por meio da primeira fase da Operação Horus, que é acompanhada pela Corregedoria da PM.

Fonte: Metrópoles

País vive caos social com auxílio emergencial menor e a alta dos alimentos

Economista alerta que auxílio emergencial menor impacta negativamente na vida de quase 70% de quem recebe o Bolsa Família. Benefício é mais utilizado na compra de alimentos e produtos emergenciais

A informalidade, o desemprego e o desalento não param de crescer, desde o golpe de 2016, que destituiu injustamente a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). Com o golpista Michel Temer (MDB) no poder, a situação econômica e social do país começou a piorar, com o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) e a pandemia, se agravou ainda mais, e as previsões para o próximo período são ainda tenebrosas.  

Economistas alertam que o país pode viver um caos social com o valor do auxílio emergencial menor e o aumento dos alimentos, sem uma política de transferência de renda justa.

A nova rodada do benefício, que começou a ser paga na semana passada. Serão quatro parcelas nos valores vão de R$ 150 (pessoas sozinhas) e R$ 250 (demais famílias) até R$ 375 (mães solo).  O maior valor do benefício de 2021 é um pouco mais da metade do auxílio emergencial disponibilizado para a população em 2020 – R$ 600 e de R$ 1.200 para mulheres chefes de família -, o que impacta no quadro social e o econômico do país.

O fato do valor do programa de transferência de renda, ao invés de ser reajustado, diminuir, vai na contramão das medidas fundamentais para melhorar a situação do país, ressalta o pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Francisco Menezes.

“Se nada for feito, vai aumentar o número de brasileiros e brasileiras passando fome e o país viverá um caos social nunca visto na história”, afirma o economista.

“Além disso, a economia também vai ficar pior porque programas de transferência de renda justos são altamente impulsionadores do crescimento econômico”, completa.

Além do valor menor, o benefício de 2021 também terá menor impacto na sociedade porque 22,6 milhões de pessoas, que foram contempladas em 2020 não serão neste ano. Só receberão o benefício, famílias com renda total de até três salários mínimos por mês (R$ 3.300), desde que cada pessoa da casa não tenha renda acima de meio salário mínimo equivalente a R$ 550 reais. Não serão abertos novos cadastros.

Auxílio emergencial de R$ 600 diminuiu o número de pobres, em 2020

A diferença de valores é preocupante, por que os valores antigos do auxílio emergencial aprovados pelo Congresso Nacional, pagos entre fevereiro e agosto de 2020, aumentou a renda per capita de quem mais precisava. Tanto que a proporção de pobres com renda per capital inferior a R$ 246, caiu pela metade. De 10,97% para 4,52%, disse o economista Marcelo Neri, da FGV Social, em reportagem publicada no UOL.

Ainda em 2020, quando Bolsonaro reduziu o valor do auxílio emergencial para R$ 300 para ampliar o pagamento de setembro a dezembro, a economia desacelerou, e a vulnerabilidade social recrudesceu. O total de pobres saltou de 9,5 milhões em agosto do ano passado  para 27,2 milhões em fevereiro deste ano.

Auxílio e Bolsa Família: valor menor, desigualdade maior

Durante a vigência do auxílio no ano passado, os beneficiários do Bolsa Família, que recebem em média R$ 186, passaram a receber o valor maior, a bolsa ou o auxílio. Mas em 2021 quase 70% desta população vai ter uma renda menor na comparação com 2020, segundo estudo da Tendências Consultoria Integrada.

Francisco Menezes reforça que um programa de transferência de renda é fundamental no combate à fome por que as famílias beneficiadas gastam o valor recebido, em sua grande parte, em alimentos e produtos básicos. Segundo ele, a necessidade de reajuste é muito grande e deveria ser calculado sobre os R$ 600, e de acordo com a inflação.

“Nos governos Lula e Dilma o Bolsa Família teve alguns reajustes importantes, e já defendíamos alteração na Lei para que o reajuste acontecesse anualmente”, diz.

Números da insegurança alimentar

O inquérito da Rede Penssan revelou que mais da metade dos lares (55,2%) conviviam com algum nível de insegurança alimentar nos três últimos meses de 2020, contra 36,7% dois anos antes.

Além disso, no período pesquisado havia 116,8 milhões de brasileiros sem acesso pleno e permanente a alimentos e entre eles, 19,1 milhões passavam fome. Enquanto a fortuna dos mais ricos aumentou em 31%.

“Estamos com muita preocupação para estes próximos quatro meses, com o auxílio com valores absolutamente incapazes de fazer frente a estas necessidade de gasto em produtos básicos como alimentação, habitação e transporte. A gente vai viver uma     situação bastante aguda e dramática, a desigualdade vai ficar ainda maior”, alerta o economista, que foi presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), quando Lula era presidente da República.

Em 2020, o benefício atendeu 68 milhões de pessoas e foi responsável pelo recuo do PIB brasileiro para 4,1% em 2020, e não 9,1% como previsto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). 

“Em estimativa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV Social), a cada R$1 investido no Bolsa Família é transformado R$ 1,7 porque a transferência de renda movimenta a economia. Além de resolver um problema social, um auxílio emergencial digno contribui para melhorar a economia em tempos de Covid-19”, ressalta Francisco Menezes.

Benefício e o combate a Covid-19

Além disso, aponta o economista, os recordes de mortes e casos de Covid-19 no país apontam a necessidade das pessoas ficarem em casa com subsídio do Estado. Sem a ajuda, o isolamento social fica impossível.

“É dever do Estado propiciar condições para que as pessoas mais vulneráveis fiquem em casa para não serem contaminadas, porque quem está sem alimentação vai ter que sair para sobreviver. O que vemos é que a condução que está sendo dada a esta política, em termos de transferência de renda, induz a não praticar o isolamento. Não podemos afirmar que é uma trama construída para prejudicar o isolamento, mas vai na contramão do reconhecimento da necessidade desta sustentação nas condições que estamos”, afirma o economista.

Entenda como surgiu o auxílio emergencial

Na origem do projeto de transferência de renda, chamado de auxílio emergencial, o presidente Jair Bolsonaro ofereceu benefício de apenas R$ 200, e com pressão e mobilização da oposição o valor chegou a R$ 600,  por cinco meses, período em que durou o estado de calamidade decretado pelo governo federal, por causa da pandemia.

O novo auxílio foi possível após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 186/2019 (PEC Emergencial) , no começo de março, na Câmara dos Deputados. O governo praticamente chantageou o Congresso ao submeter o envio de uma nova rodada de auxílio emergencial condicionada à aprovação da PEC Emergencial.

Com a aprovação da PEC, o governo abriu em suas contas espaço para destinar R$ 44 bilhões para pagamento para um contingente bem menor de pessoas: 30 milhões. No ano passado, o governo gastou em torno de R$ 300 bilhões com um auxílio para cerca de 68 milhões de pessoas.

Fonte: Rede Brasil Atual

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