‘O Garoto’, o extraordinário filme de Chaplin faz 100 anos

Considerações sobre o filme centenário de Charles Chaplin. A década de 1920 foi definitiva para mostrar o potencial artístico desta mídia nascida das fábricas

Esta será uma década para comemorar muitos centenários queridos ao cinema, pretexto para rever filmes que assistimos mesmo sem precisar de pretexto, mas os achamos para fazer das novas visitas aos clássicos uma obrigação. Ano passado, foi a vez de (O Gabinete do Dr.) Caligari, de Robert Wiene, ano que vem será a vez de Nosferatu, de Friedrich Wilhelm Murnau. Encurralado entre estas duas sinfonias do horror, neste 2021, celebramos o centenário de O Garoto, de Charles Chaplin, “um filme com um sorriso – e talvez uma lágrima” (o talvez é puramente retórico, porque a lágrima é certa).

A década de 1920 foi definitiva para mostrar o potencial artístico desta mídia nascida das fábricas. Apesar disso, se havia alguém no universo cinematográfico que já lograva dos louros da glória do reconhecimento de seu gênio artístico, esse alguém era Charles Chaplin.

Para um acadêmico como eu, os traços constituindo a genialidade de Chaplin já se encontravam por todos os cantos na literatura teórica e crítica anterior a O Garoto. Ainda assim, é interessante encontrar em The Photoplay um professor de psicologia da universidade de Harvard – portanto, um intelectual bem reconhecido entre seus pares – dando seus primeiros passos pelo cinema e já em 1915 – ou seja, no segundo ano de Chaplin como artista de cinema – reconhecer o diferencial e a superioridade deste criador de filmes. Como bem apontará André Bazin décadas depois de Munsterberg – autor de The Photoplay –, sem o ter lido, este é o período no cinema de Chaplin das grandes gags, mas de um Carlitos ainda pouco desenvolvido em sua psicologia.

Artigo completo em: https://www.redebrasilatual.com.br/cultura/2021/06/o-garoto-de-chaplin-com-um-sorriso-e-uma-lagrima-faz-100-anos/

Assista aqui:

PM de Alagoas exonera subcomandante bolsonarista que ataca opositores nas redes sociais

Tenente-coronel Marcos Vanderlei foi exonerado do cargo de subcomandante do Comando de Policiamento da Capital

O tenente-coronel Marcos Vanderlei, da Polícia Militar de Alagoas, foi exonerado do cargo de subcomandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC) após publicar nas suas redes sociais uma foto em que aparece abraçado com Jair Bolsonaro. A foto foi feita no dia 13 de maio, quando Bolsonaro cumpriu agenda no Estado. A informação é do jornal O Globo.

Nas redes sociais, o tenente-coronel afirmou que sua saída do cargo teria acontecido em função do apoio dado por ele a Jair Bolsonaro e das críticas que faz ao governador Renan Filho (MDB-AL), e a seu pai, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid-19.

“Segundo o Comandante Geral da Polícia Militar de Alagoas a determinação (para a exoneração) partiu do Palácio dos Palmares (sede do governo estadual) com o pretexto que minhas publicações nas redes sociais são contrárias ao governo e ao senador Renan Calheiros, além de ser favorável do Presidente Bolsonaro e sua gestão”, postou.

Marcos Vanderlei costuma utilizar as redes sociais para defender e apoiar Bolsonaro e atacar seus opositores. Ele já fez ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O militar também fez postagens criticando as vacinas contra a Covid-19, com destaque para a CoronaVac.

Fonte: Brasil 247

Pastor prometia salvação e abusava de fiéis

Quase meio milhão de seguidores: pastor ‘popstar’ convidada fiéis para fazer orações em ambientes reservados e cometia os abusos, sempre prometendo “salvação”. O líder evangélico dizia que “entidades só sairiam do corpo com aquela prática”

O pastor Alexander Ribeiro, de 38 anos, foi preso na última terça-feira (8) acusado de abuso sexual por mulheres que frequentavam os seus cultos em Belo Horizonte (MG), na Igreja Presbiteriana Portas Abertas. Até o momento, quatro vítimas denunciaram o crime. Ele foi preso quando saía da igreja.

De acordo com a delegada Cristiane Angelini, da Delegacia Especializada em Combate a Violência Sexual, o pastor escolhia seus alvos entre mulheres que passavam por momentos de dificuldade e repetia a forma de cometer os abusos.

A primeira denúncia foi feita em 2018, de forma anônima, por uma vítima de 27 anos. Após o início das investigações, mais três mulheres, com idades entre 27 e 39 anos, também procuraram a delegacia para registrarem ocorrência. Por meio de denúncia anônima, outras vítimas narraram abusos que teriam sido cometidos pelo pastor.

O pastor convidava as vítimas para realizar orações em um ambiente reservado e, nesse local, orientava para que elas reproduzissem alguns atos de cunho sexual. Segundo as mulheres, ele pedia para que elas colocassem na boca o dedo polegar dele, simulando sexo oral e alegava que “entidades só sairiam do corpo com aquela prática”. O pastor as abraçava pelas costas, com força, e as vítimas podiam sentir o órgão genital do homem.

Confrontado por uma das vítimas, o pastor a ameaçou e afirmou ter influência e amigos perigosos. Ele tem mais de 490 mil seguidores em uma rede social, “é considerado um religioso de referência e respeitado no círculo religioso. Todavia, o pastor usa de sua influência, credibilidade e fama para conseguir satisfazer sua lascívia de modo obscuro e fraudulento”, afirma a delegada.

O pastor Alexander Ribeiro foi encaminhado ao sistema prisional. De acordo com a delegada, ele pode responder por crime de violação sexual mediante fraude, que tem pena de dois a seis anos de prisão.

Fonte: Pragmatismo Político

O trabalho infantil aumentou e atinge 160 milhões em todo o mundo

O trabalho infantil aumentou, pela primeira vez, em 20 anos e atinge 160 milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo.

Um aumento de 8,4 milhões crianças entre 2016 e 2020, segundo o relatório “Trabalho Infantil: Estimativas globais de 2020, tendências e o caminho a seguir”, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), divulgado nas vésperas do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, que se assinala este sábado.

Estima-se “que a pandemia tenha colocado 108 milhões de pessoas, e as suas famílias, na pobreza laboral”, diz o diretor-geral da OIT. Guy Ryder alerta que existe o perigo de estas pessoas recorrerem “ao trabalho infantil quase como estratégia de sobrevivência. A menos que se atue no sentido de travar isso, poderemos assistir a um novo aumento de cerca de 9 milhões de crianças vítimas de trabalho infantil, até ao final de 2022 “.

Segundo o relatório:

  • O setor agrícola é responsável por 70% das crianças e dos adolescentes em situação de trabalho infantil (112 milhões), seguido por 20% no setor de serviços (31,4 milhões) e 10% na indústria (16,5 milhões).
  • Quase 28% das crianças de 5 a 11 anos e 35% dos meninos e meninas de 12 a 14 anos em situação de trabalho infantil estão fora da escola.
  • O trabalho infantil é mais prevalente entre meninos do que meninas em todas as idades. Quando as tarefas domésticas realizadas por pelo menos 21 horas por semana são levadas em consideração, a diferença de género no trabalho infantil diminui.
  • A prevalência de trabalho infantil nas áreas rurais (14%) é quase três vezes maior do que nas áreas urbanas (5%).
  • Crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil correm risco de danos físicos, mentais e sociais. O trabalho infantil compromete a educação, restringindo seus direitos e limitando suas oportunidades futuras, e leva a círculos viciosos intergeracionais de pobreza e trabalho infantil.

Em janeiro, a FAO, a agência das Nações Unidas para a área da alimentação e agricultura, prometeu intensificar as ações para erradicar o trabalho infantil no setor.

Na Ásia, o Camboja é um dos países onde o trabalho infantil está a crescer, em especial na indústria pesqueira.

Fonte: Euronews

Depois de muita pressão, Prefeitura de Maceió negocia com servidores

Ocorreu nesta sexta-feira 11, uma reunião entre lideranças sindicais e representantes da Prefeitura de Maceió. Representando o prefeito JHC (PSB), estiveram a secretária de Gestão Rayane Tenorio e o secretário de Governo Franscisco Salles.

As lideranças cobraram as pendências dos servidores municipais, entre elas, a recomposição salarial que não acontece desde 2017. Segundo as lideranças sindicais a proposta feita pela prefeitura não contempla os servidores, pois o que foi apresentado pelos representantes da Prefeitura não atinge o conjunto dos servidores, como explica o vice-presidente do Sindsaúde, Alesandro Fernandes: a proposta de pagar a progressão de mérito, só atinge parte dos servidores ativos e não atinge os servidores aposentados”.

O presidente do Sindguarda, Carlos Pisca, também rechaçou a proposta: “é impossível discutirmos essa proposta, pois todos os servidores perderam poder aquisitivo ao longo desses últimos 6 anos, então precisamos trabalhar para recompor essa perda para todos os servidores”.

As entidades sindicais irão se reunir na próxima segunda feira, 14/06, para discutir novos encaminhamentos e avaliar os números apresentados pela gestão para uma nova rodada de negociação que acontecerá dia 23/06.

Fonte: A Voz da Saúde

Bolsonaro vai aumentar o gás de cozinha em 5,9% a partir de segunda-feira

O governo Bolsonaro, através da Petrobras, elevará em 5,9% o preço médio do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o chamado gás de cozinha, para R$ 3,40 o quilo, a partir de segunda-feira (14), afirmou a companhia nesta sexta-feira (11). O preço do botijão no país chegava a R$ 104,76 no início de junho.

O reajuste para as distribuidoras, indicou a petroleira, segue o equilíbrio com o mercado internacional e acompanha as variações do valor dos produtos e da taxa de câmbio, para cima e para baixo.

“O alinhamento dos preços ao mercado internacional é fundamental para garantir que o mercado brasileiro siga sendo suprido sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras”, frisou a companhia, que obedece ao pragmatismo da política econômica de Paulo Guedes.

Fonte: Reuters

Quem é Pedro Castillo, que aguarda confirmação oficial como novo presidente do Peru

Castillo aguarda contabilização de 0,7% dos votos e promete realizar uma reforma constitucional no país

Após cinco dias de apuração, o candidato Pedro Castillo (Peru Livre) tem uma vantagem de cerca de 60 mil votos em relação à Keiko Fujimori (Força Popular), com 100% das atas processadas e 99,776% das contabilizadas, o que aponta uma tendência irreversível para a vitória da esquerda na disputa presidencial.  

Desde que começou a se confirmar sua derrota, Keiko Fujimori passou a denunciar uma suposta fraude, sem apresentar provas, e pediu a revisão de 500 mil votos. O voto no Peru é impresso o que explica a demora para os resultados oficiais, no entanto a apuração estava prevista para finalizar na última quarta-feira.

Em redes sociais, grupos de extrema-direita passaram a difundir mensagens pedindo uma intervenção militar para impedir a “ameaça comunista” , representada pelo postulante do partido Peru Livre. 

Nas ruas, movimentos camponeses e organizações sociais convocam o povo peruano a defender o resultado final.

Este processo eleitoral representaria o fim de uma crise política que envolveu os últimos quatro presidentes do país em denúncias de corrupção. Desde o fim do regime de Alberto Fujimori (1990-2000), pai de Keiko, o Peru não elege um representante vindo das camadas populares, o que pode explicar o temor da direita.

Pedro Castillo estava entre os últimos colocados nas pesquisas de opinião durante o primeiro turno e acabou surpreendendo como primeiro colocado, com 2,7 milhões de votos. “A mudança e a luta apenas começam”, afirmou depois dos resultados do dia 11 de abril, e tinha razão.

O “profe”, como ficou conhecido durante a campanha eleitoral, tem 51 anos e é natural de Cajamarca, zona rural peruana. De origem humilde, é o terceiro de nove irmãos, que tinham que caminhar cerca de duas horas para frequentar a Escola Rural de Anguía, província de Chota.

Mais tarde, estudou no Instituto Superior Pedagógico Octavio Matta Contreras e na Universidade César Vallejo, onde obteve mestrado em psicologia educativa.

É professor da educação básica e se destacou durante a greve nacional da educação de 2017, quando os docentes reivindicavam melhores salários e a reforma do plano de carreira. 

Durante a paralisação que durou 50 dias, Castillo liderou uma facção dissidente do tradicional Sindicato Único de Trabalhadores da Educação do Peru (Sutep) e foi acusado pela direita de ter ligações com o Movimento pela Anistia e Direitos Fundamentais (Movadef), o braço político do grupo armado Sendero Luminoso, algo que ele sempre negou.

Mesmo com forte propaganda contrária, o “profe” teve vitória expressiva nas zonas rurais e nas periferias do país, obtendo cerca de 70% dos votos. Castillo perdeu em 8 dos 25 estados do país: Ica (52% Keiko e 47% Castillo), La Libertad (59% / 40%), Lambayeque (58% / 41%), Lima (64% / 35%), Loreto (52% / 47%), Piuera (60% / 39%), Tumbes (65% / 34%) e Ucayali (51% / 48%).

Além do passado grevista, durante sua vida política, disputou a prefeitura de Anguía, em 2005, e transitou por dois partidos até chegar à secretaria geral da sua atual legenda. 

“Não mais pobres num país rico”

Com clara orientação marxista, Castillo tem como bandeira principal a defesa de uma reforma constitucional, que motivou protestos massivos em novembro de 2020 no país. A atual carta magna foi promulgada em 1993, durante o regime de Alberto Fujimori (1990-2000), pai da sua rival na disputa no segundo turno.

Além disso, o novo presidente peruano defende uma lei de regulação da mídia e aumento do orçamento da educação de 3,5% para 10% do Produto Interno Bruto (PIB), este último para investir em infraestrutura, melhores salários aos professores e em um programa que convocaria 50 mil profissionais para erradicar o analfabetismo no país.

Também defende uma reforma judicial, com a eleição popular dos magistrados que compõem o Tribunal Constitucional peruano.

Sua equipe de governo com 15 nomes foi apresentada no dia 18 de maio, com vários profissionais de currículo técnico. Entre eles, o ex-procurador anticorrupção Avelino Guillén, conhecido por promover um processo contra Alberto Fujimori, o físico nuclear Modesto Montoya e a socióloga Anahí Durand. 

“Não estamos designando ministros”, advertiu Castillo, ao comentar que não iria repetir a velha prática de dividir cargos de acordo com as alianças eleitorais. Em maio, divulgou uma prévia do seu plano de governo, mas promete apresentá-lo nos primeiros 100 dias de gestão.

Polêmicas dentro da esquerda

Castillo não foi consenso entre as organizações de esquerda no primeiro turno por ser um nome pouco conhecido nacionalmente e por suas posições conservadoras em relação à agenda de gênero. 

::O que defendem Pedro Castillo e seu partido::

Em mais de uma ocasião, se manifestou contra pautas como casamento igualitário entre pessoas do mesmo sexo. Sobre a legalização do aborto no Peru, que atualmente é permitido somente em casos de risco à vida da gestante ou do feto, disse que, embora não concorde com uma ampliação das possibilidades legais, encaminharia o assunto para uma eventual Assembleia Constituinte decidir.

Michele de Mello

Fonte: Brasil de Fato

Brasileiros foram tratados como ‘animais’ com tese de ‘imunização de rebanho’, diz médico da Fiocruz na CPI

“Rebanho se aplica a animais, e fomos tratados dessa forma. Infelizmente, o governo brasileiro se manteve na posição de produzir imunidade de rebanho ao invés de adotar as medidas reconhecidas pela ciência para enfrentar essa crise”, disse à CPI da Covid Claudio Maierovitch

Segundo o médico, tanto a tese da imunização de rebanho quanto o Plano Nacional de Imunização foram linhas seguidas que não levaram a um combate expressivo do vírus no Brasil.

Nesta sexta-feira (11), em seu depoimento à CPI da Covid, o médico sanitarista Claudio Maierovitch, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), criticou a tese da imunidade de rebanho adotada pelo governo e a coordenação do Plano Nacional de Imunização, segundo o G1.

Para Maierovitch o termo “imunidade de rebanho” se aplica a animais, e considera que foi justamente dessa forma que a população brasileira foi tratada diante da pandemia da COVID-19.

“[…] Rebanho se aplica a animais, e fomos tratados dessa forma. Acredito que a população brasileira tem sido tratada dessa forma ao se tentar produzir imunidade de rebanho às custas de vidas humanas. Infelizmente, o governo brasileiro se manteve na posição de produzir imunidade de rebanho, com esta conotação toda para nossa população, ao invés de adotar as medidas reconhecidas pela ciência para enfrentar essa crise”, disse o médico citado pela mídia.

De acordo com a teoria da imunidade de rebanho, o país superaria a pandemia por meio de um alto número de infectados, o que, em tese, deixaria grande parcela da população imunizada. Porém, segundo especialistas, essa estratégia não funciona para o enfrentamento do vírus. Muitas pessoas morreriam no processo e, além disso, quem já teve a doença poderia ser reinfectado.

“[…] Morreriam, provavelmente, os mais frágeis, desonerando a previdência, desonerando os serviços de saúde”, explicou Maierovitch.

O médico também caracterizou o Plano Nacional de Imunização como um plano pífio, o qual, em sua concepção, pecou por não ter tido uma definição de critérios homogêneos para o país.

“O plano de imunização que tivemos é um plano pífio. É um plano que não entra nos detalhes necessários para um plano de imunização que deve existir no país.”

Maierovitch salientou que o fato de a condução do plano ter ficado pautado na coordenação de cada estado ou município, em um primeiro momento, pode ter parecido algo democrático, mas que na verdade, só ajudou a criar desigualdades.

“Não tivemos, por exemplo, critérios homogêneos definidos pelo Brasil inteiro, de forma que ficou a cargo de cada estado, cada município definir os seus próprios critérios, o que pode parecer democrático, um sistema descentralizado, mas frente a uma epidemia dessa natureza e com a escassez de recursos que temos isso deixa de ser democrático para induzir iniquidades”, completou.

Fonte: Brasil 247

Pagu: revolucionária na arte, na política e na vida

Há 111 anos, em 9 de junho de 1910, nascia Patrícia Galvão, mulher que gravou uma obra artística, crítica e militante através de 4 décadas, entre os anos de 1920 e sua morte, em 1962, de intensa presença na arena pública.

Escritora de vanguarda, crítica de arte e literatura de pena implacável, militante comunista, que, rompida com o partido stalinista, se aproxima dos trotskistas (pagando por isso nas prisões de Vargas, tanto apanhando dos esbirros do Estado quanto dos membros do PCB), seguiu vida afora sem nunca abandonar suas convicções socialistas.

Patrícia, que se eternizou como Pagu, um apelido nascido de um poema de Raul Bopp onde a chamava assim por pensar que seu nome era Patrícia Goulart, surge na vida literária no final dos anos de 1920 como colaboradora da segunda e mais radical fase da Revista de Antropofagia, animada por Oswald de Andrade. Já neste momento, sua obra poética se destacava pela radicalização do modernismo literário, uma forma de fidelidade à atitude artística inaugurada pela Semana de 22 e que, pouco a pouco, foi abandonada pelos seus principais representantes, que foram se acomodando esteticamente às formas artísticas mais comportadas.

A colaboração artística e teórica com Oswald se converte por um breve período em um casamento. A união dos dois coincide com a aproximação e filiação do casal ao Partido Comunista Brasileiro. Neste período, Oswald e Pagu editam um jornal de agitação política e artística chamado O Homem do Povo (1931), onde Pagu escrevia uma página intitulada A Mulher do Povo. Oswald e Pagu tentam conciliar em O Homem do Povo sua liberdade criativa e a militância política no PCB. O jornal durou apenas 8 edições, sendo fechado depois de escaramuças com estudantes de Direito ligados à reação e com a polícia. O PCB fingiu que não era com ele.

Oswald de Andrade logo se enfastia da militância e se retira da cena política após o episódio, mas Pagu se engaja a fundo, sendo figura presente nas lutas proletárias, em especial entre os estivadores de Santos. Sua ruptura com o PCB se precipitará quando, numa manifestação, ainda em 1931, em defesa da vida de Sacco e Vanzetti, Pagu enfrenta a Polícia a Cavalo para recolher o corpo do estivador negro Herculano de Souza, morto no confronto. O PCB não se solidarizará e não a reconhecerá como militante, afirmando ser Pagu “uma agitadora individual, sensacionalista e inexperiente”. O fato a levou à prisão, fazendo dela a primeira mulher presa política na história do Brasil.

Pagu não foi membro da Oposição de Esquerda, mas se aproximou dos trotskistas, a partir de seu afastamento do PCB (Pagu, contudo, só se desfiliará do partido oficialmente em 1945). O resultado literário de sua experiência militante será o romance Parque Industrial, escrito em 1932 e publicado sob o pseudônimo de Mara Lobo, em 1933, chamado por ela mesma de “romance proletário”. Parque Industrial é um exercício ousado de renovação temática e formal do romance brasileiro, aparentado do experimentalismo de Oswald de Andrade em Memórias Sentimentais de João Miramar e em Serafim Ponte Grande, mas muito mais mergulhado na temática política. Distinto do chamado romance social, para o qual a abordagem da temática política e social implicava um recuo na inovação formal, Parque Industrial combina a denúncia social com a recriação da linguagem e da narrativa tradicionais. Passado na região do Brás, então coração operário da cidade de São Paulo, o romance “detém-se no comportamento do proletariado urbano feminino. Criticando a sociedade burguesa, de um ângulo socialista, é levada a ferroar a aristocracia paulista, ferindo velhos círculos sociais frequentados pelo modernismo de 22. Concentrando-se nas mulheres operárias (…), satiriza o feminismo burguês”, nos diz Augusto de Campos.

Parque Industrial foi vítima do silêncio da crítica, inclusive de figuras do modernismo, considerado escandaloso, por não se furtar a explicitar a violência, inclusive sexual, contra a mulher operária. Geraldo Galvão Ferraz, filho de Pagu e igualmente crítico literário, observa que o livro “deve ter desagradado também aos comunistas, em estado de policiamento moralizante”.

Como resultado da rebelião militar encaminhada pela Aliança Nacional Libertadora, frente política animada pelo PCB, e esmagada por Vargas, Pagu, como centenas de militantes foi novamente presa, desta vez por 5 anos. Libertada, incursionou pelo extremo oriente. Curiosamente, nesta viagem, entrevistou Sigmund Freud, presente no mesmo navio que a levava à China. Depois se exilou na Europa, onde amargou uma crise depressiva, mas não se afastou da luta contra o nazi-fascismo, se filiando ao PC Francês, sob o codinome de Leone, mas se ligando a artistas que com ele tinham rompido mais ou menos pelos mesmos motivos pelos quais ela se afastou do PCB: André Breton, Benjamin Péret. Acabou presa pelo Governo Laval e ameaçada de ser deportada ou para a Itália ou para a Alemanha, destino do qual acabou sendo salva pela interferência da diplomacia brasileira.

De volta ao Brasil, retoma a atividade literária e desenvolve intensa militância crítica, tanto na imprensa independente, como no caso de sua colaboração no jornal Vanguarda Socialista, ao lado de Mário Pedrosa e Geraldo Ferraz, como na grande imprensa.

Pagu perseverará na luta por uma arte e uma literatura independentes, denunciando tanto a tentativa da burguesia de institucionalizar o fazer artístico quanto o chamado “realismo socialista” com que o stalinismo pretendia regulamentar a arte.

Na sua atividade crítica se enfrenta com o conservadorismo literário, ao qual se converteu boa parte dos rebeldes de 22, e com o autoritarismo burocrático que caracterizava a linha cultural do stalinismo. Colocará em circulação no meio nacional nomes decisivos da vanguarda literária nacional e internacional, como Stéphane Mallarmé, Paul Valéry, James Joyce (foi a primeira tradutora no Brasil de fragmentos do Ulysses), e será uma das principais representantes, mesmo que quase espontaneamente, das ideias contidas no Manifesto por Uma Arte Independente e Revolucionária, de Breton e Trotsky.

Pagu desapareceu em 1962, em plena atividade como artista e como crítica. Augusto de Campos resumiu a importância de sua figura em nossa história política e cultural de uma forma que segue atual neste seu 111º aniversário: “Mas nada de homenagens póstumas. Deixemos isso para os literatti ávidos de comemorações acadêmicas. O que conta é a homenagem viva. A que reconhece as implicações políticas, estéticas e culturais de uma vida militante. Porque Pagu foi revolucionária na arte, na política e na prática da vida”.

Eudes Baima

Para saber mais:
-CAMPOS, Augusto (Org.). Pagu: vida-obra. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
-GALVÃO, Patrícia (como Mara Lobo). Parque Industrial. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 2006.
-Filme: Eternamente Pagu, de Norma Bengell (1988).

Fonte: O Trabalho

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