Equador: 12 dias de luta popular sob forte repressão

Custo de vida é o principal motor dos protestos. Nesta quinta, 23, mais um manifestante foi morto

Povos indígenas e movimentos sociais do Equador estão há 12 dias realizando protestos, em um paro, um levante nacional iniciado em 13 de junho, convocado pela CONAIE (Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador) e outras organizações, que se confirmou como uma greve geral no país. Neste período, bloquearam estradas, realizaram grandes marchas e ocuparam sedes de governos de pelo menos três províncias do país. O epicentro dos atos ocorre na capital, Quito, onde os serviços de transporte chegaram a ser totalmente suspensos, mas também foram registradas grandes marchas em cidades importantes, como Guayaquil. Em todo o país, manifestantes enfrentam forte repressão, com decretação de estado de sítio, quatro mortos e dezenas de feridos.

A jornada teve início após quatro encontros com o novo governo do Equador, presidido pelo banqueiro Guilherme Lasso, ao longo de um ano, sem resultados. As reivindicações foram sistematizadas em 10 pontos, em um documento entregue ao governo e assinado também por organizações da cidade, operárias e de trabalhadores da saúde.

O principal motivo é a grave crise social que atinge o país, com aumento dos preços, volta da inflação, após um período de deflação, crescimento do desemprego e da miséria, explosão da violência urbana e uma nova onda migratória. Atualmente, 32,2% dos equatorianos vivem na pobreza, com quase metade na extrema pobreza. Cenário que contrasta com o aumento dos lucros das mineradoras, que ocupam 8% do território do país, e principalmente do capital financeiro, a partir das políticas de austeridade do novo governo. Apenas em maio, os 24 bancos privados do país aumentaram seus lucros em quase 70%.

A principal reivindicação diz respeito a redução dos preços dos combustíveis. O diesel subiu 90% e a gasolina, 46% em quase um ano, o que impacta no custo de vida e na cadeia de distribuição dos pequenos produtores. A mobilização nacional pede o congelamento do litro do diesel em 1,50 dólar e o da gasolina em 2,10 dólares, com subsídios para os setores vulneráveis – a moeda oficial do Equador é, desde 2000, o dólar americano.

O movimento social exige ainda: congelamento dos itens da cesta básica; Moratória da dívida pública e perdão das dívidas dos pequenos e médios agricultores e proteção para estes diante da ação grandes empresas estrangeiras, através do TLC (Tratado de Livre Comércio); Geração de empregos e garantia de direitos trabalhistas; Defesa do meio ambiente, com restrições a atividade mineradora e revogação de decretos; respeito aos direitos e autodeterminação dos povos indígenas; garantia do direito a educação e saúde, com abastecimento dos hospitais, e combate à violência e ao crime organizado, sem repressão aos movimentos sociais.

Repressão e quatro mortes

O governo do banqueiro Guilherme Lasso, eleito em maio de 2021, respondeu com repressão e provocações. No primeiro dia dos protestos, prendeu Leônidas Iza Salazar, presidente da CONAIE, que passou 24 horas detido ilegalmente, sendo 15 completamente incomunicável, e, em seguida, foi processado. Depois, demorou sete dias para responder oficialmente a pauta de reivindicações, cujos pontos já haviam sido apresentados diversas vezes. Ao invés de negociar a pauta de reivindicações, emitiu um decreto que criminaliza as manifestações, com estado de exceção em seis províncias para atuar com as forças policiais e militares. A resposta foi a radicalização das mobilizações.

Após o decreto, forças policiais chegaram a ocupar a Casa da Cultura de Quito e a Escola Politécnica, locais que historicamente servem como espaço de acolhimento para as marchas indígenas e como ponto de apoio para as mobilizações. Depois de batalhas, os espaços foram retomados. Na Casa de Cultura, as entidades estão instalando no local uma Assembleia Popular, para decisão da condução dos protestos.

Nesta quinta-feira, 23, um novo confronto se deu no local. Uma marcha pacífica que saiu do Parque del Arbolito (em frente a Casa da Cultura de Quito) até a Assembleia Nacional, foi duramente reprimida, com bombas de gás sendo lançadas do alto sobre a concentração de pessoas. Na sequência, ocorreram batalhas campais no centro da cidade.

Com a repressão, mais um manifestante foi morto. Henry Quezada Espinoza, 39, faleceu atingido no peito e na barriga, por balas de borracha e perdigones, pequenas esferas de metal, utilizados por forças de segurança para cegar manifestantes. Segundo a imprensa, outros dois manifestantes morreram. Na segunda, 20, um jovem caiu em uma encosta, de cerca de 100 metros, após forças policiais lançarem bombas de gás contra uma marcha na estrada, a caminho de Quito. No mesmo dia, outro manifestante faleceu, por conta da violência e do gás. No dia seguinte, em Puyo, capital da província de Pastaza, um jovem morreu, com o impacto de uma bomba de gás em sua cabeça, lançada a curta distância. Nesta sexta, o chefe de Polícia chamou as mortes de “danos colaterais”.

Na manhã desta sexta-feira, a região do Parque del Arbolito segue novamente com repressão aos protestos e com bombas sendo lançadas pela polícia, enquanto manifestantes realizam a primeira sessão da Assembleia Popular na Casa de Cultura. Mais do que nunca, é preciso dar máxima divulgação aos protestos e a repressão no Equador, como garantia do fim da violência policial e atendimento das reivindicações e a derrota das políticas de fome do governo Lasso.

Em uma carta divulgada no dia 22, organizações de defesa dos direitos humanos e do meio ambiente exigem o respeito ao direito de manifestação no Equador: “O tratamento que o atual governo do Equador dá aos protestos sociais em curso e a resolução do caso judicial contra Leonidas Iza enviaram uma clara mensagem aos territórios, ao país e ao mundo se o Equador é um país onde se reprimem os direitos dos povos indígenas e do movimento social ou se existe independência judicial e se respeitam seus direitos de exigir políticas mais justas e inclusivas que assegurem o bem estar se sua gente e seus territórios”. O PSOL também se pronunciou, repudiando a prisão do presidente da Conaie e a repressão.

Fonte: Esquerda Oline

Fazendeiros aliados de Bolsonaro atacam indígenas no MS deixa feridos e desaparecidos

Apib e Cimi denunciam violência de fazendeiros e jagunços contra 30 indígenas Kaiowá e Guarani, que retomaram território ancestral em Naviraí (MS), na noite desta quinta-feira

Fazendeiros e jagunços armados atacam desde a madrugada desta sexta-feira (24) cerca de 30 indígenas Kaiowá e Guarani no território ancestral denominado Kurupi/São Lucas, localizado no território Dourados-Amambai Pegua II, em Naviraí (MS). Os ataques começaram depois que os indígenas retomaram a terra, na noite de ontem. Lideranças da comunidade denunciam que há muitos feridos, inclusive mulheres e crianças e que três pessoas estão desaparecidas. Os relatos são do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Ativistas chegaram a mencionar mortes, mas a informação não foi confirmada até o fechamento desta matéria.

Segundo o g1 Mato Grosso do Sul, a polícia confirma que seis indígenas feridos por tiros foram encaminhados para o Hospital Regional de Amambai. Entre as vítimas estão dois menores de idade, um de 14 e outro de 15 anos. E que pelo menos três policiais que atenderam a ocorrência foram encaminhados para o mesmo hospital com ferimentos a bala nas pernas e pés. Os indígenas identificaram entre seus agressores fazendeiros locais e seguranças.

Segundo os relatos o objetivo do ataque é forçá-los a deixar a sede da fazenda e retornar para a beira da rodovia, no acampamento Kurupi. A comunidade indígena esta confinada próxima àquela estrada há décadas, aguardando a conclusão dos estudos que já identificaram a área como de posse tradicional dos Guarani e Kaiowá.

Cerco

Na noite passada, eles haviam avançado até uma área de pastagem, vizinha à faixa de mata que já ocupavam. E decidiram ocupar a sede de uma fazenda que se encontra dentro de seu território. Segundo o Cimi, os indígenas relatam que a retomada se justifica pelas diversas ameaças que voltaram a sofrer dos fazendeiros na região. E, ao mesmo tempo, por medo de retrocessos nas demarcações diante do atual cenário político.

De um lado, a Funai desmontada e a serviço dos ruralistas. E de outro, a retirada de pauta do julgamento do Recurso Extraordinário do Marco Temporal

Pela vulnerabilidade do local onde os indígenas se encontram, que permite o acesso tanto pela rodovia quanto pela mata próxima à fazenda, a comunidade de Kurupi teme por ataques ao longo dos próximos dias. O território é palco de um longo histórico de violência e violações, como queima deliberada de barracas de indígenas e até mesmo casos de tortura.

Fonte: Rede Brasil Atual

Cassação de Renato Freitas é a cara do ódio racista contra luta da população negra

Defesa do vereador segue batalha para anular processo, cujas irregularidades incluem até mesmo um email racista contra Renato com origem na Câmara

A maioria branca e racista da Câmara Municipal de Curitiba, em rápida e atropelada sessão especial na terça-feira (21), votou para cassar o mandato do vereador negro Renato Freitas (PT). Foram 25 votos favoráveis à cassação, apenas 7 votos contrários e uma abstenção, votação novamente confirmada na quarta-feira (22).

Os vereadores negros que integram o parlamento curitibano votaram em bloco contra a cassação, o que realçou mais ainda o aspecto racista da decisão da maioria.

A sanção de perda do mandato, confirmada na sessão desta quarta-feira, interrompe a trajetória parlamentar do ativista e militante negro Renato Freitas, uma voz que destacou nos últimos anos na defesa da população jovem, negra e periférica da cidade. O falso pretexto da quebra de decoro parlamentar, é risível para uma Câmara que já tolerou até parlamentares condenados e presos por corrupção.

O processo para cassar o mandato legítimo e representativo de Renato foi baseado na falsa narrativa de invasão da Igreja do Rosário, durante a realização de um ato antirracista de denúncia da morte do congolês Moïse Kabagambe, no mês de fevereiro — o petista foi alvo de cinco representações por quebra de decoro parlamentar.

O vereador do PT é acusado de liderar a manifestação – em frente e no interior da Igreja do Rosário –, perturbar e interromper a prática de culto religioso, realizar ato político no interior da Igreja e entrar de forma não autorizada no templo católico.

A própria Arquidiocese de Curitiba divulgou uma nota em que reconhece que não há motivo para a cassação do mandato do parlamentar curitibano.

A defesa jurídica de Renato Freitas prossegue na batalha pela anulação do conjunto do processo e enumerou várias irregularidades na condução do mesmo, inclusive o vazamento de áudio sobre uma ação articulada de pressão para obter os votos dos integrantes da comissão de ética e a divulgação de um email racista contra Renato com origem em computador da Câmara – o que chegou a ser objeto de uma precária investigação, mas que não descobriu o autor do ato criminoso.

Racismo estrutural e classista

O processo em curso, que culmina com a perda do mandato de Renato nesta quarta-feira (22), é um indicativo da resistência de setores reacionários contra o protagonismo da população negra na luta secular por seus direitos. É, sem dúvida, mais uma manifestação antidemocrática e reacionária do racismo estrutural.

A mentalidade política e ideológica da maioria branca da Câmara Municipal de Curitiba quer apagar e desconstruir a resistência secular da majoritária população negra e mestiça do Brasil, que luta e resiste para romper com os grilhões da brutal discriminação racial e classista. O mandato de Renato Freitas, obtido por expressiva votação, é um símbolo vivo dessa luta.

Nos últimos anos, a política de criminalização da pobreza, impulsionada pelo governo bolsonarista, tem um inegável corte racial e adquiriu uma dimensão de genocídio, com o avanço das atividades de milícias, somada ao habitual modus operandi, praticamente naturalizado, da violência das Polícias Militares (PMs) nos territórios de periferias –, habitados, majoritariamente, por populações negras.

O mandato de Renato Freitas tem sido também um ponto de apoio e de referência na luta contra violência do aparato policial, que atinge principalmente a juventude negra e pobre.

Portanto, é urgente a defesa do mandato de Renato! É um gesto democrático — contra a intolerância e o racismo. Renato Fica!

 Milton Alves é ativista político e social. Autor dos livros ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada contra Lula e o PT’ (2019) e ‘A Saída é pela Esquerda’ (2020).

Fonte: Brasil de Fato

Crime de responsabilidade: Bolsonaro avisou ex-ministro sobre buscas da PF

Conversa entre o ex-ministro e a filha foi encerrada de forma abrupta logo após ela dizer que estava falando de um “celular normal”

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, que foi preso pela Polícia Federal (PF) na quarta-feira (22), afirmou em uma conversa telefônica com a filha, mantida no dia 9, que havia sido alertado diretamente por Jair Bolsonaro de que poderia ser alvo de mandados de busca e apreensão.

“O presidente me ligou. Ele está com um pressentimento de que eles podem querer atingi-lo através de mim, sabe? É que eu tenho mandado versículos pra ele, né?”, disse Ribeiro para a filha, na transcrição da conversa interceptada pela PF e divulgada pela GloboNews. 

A filha então pergunta: “Ele quer que você pare de mandar mensagens?”, “Não! Não é isso… ele acha que vão fazer uma busca e apreensão… em casa… sabe… é… é muito triste. Bom! Isso pode acontecer, né? Se houver indícios, né?”, respondeu o ex-ministro. A conversa, que durou cerca de 10 minutos, foi encerrada abruptamente após a filha dizer que estava falando de um “celular normal”.

Nesta sexta-feira (24), o Ministério Público Federal solicitou que a parte dos autos do inquérito que abordam a possível interferência de Jair Bolsonaro na investigação fosse enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), em função do foro privilegiado do atual ocupante do Palácio do Planalto. 

Fonte: Brasil 247

Datafolha: Lula tem 47% e vence no primeiro turno

A pesquisa ouviu 2.556 pessoas nos dias 22 e 23 de junho em 181 cidades brasileiras. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta quinta-feira (23) pelo site do jornal “Folha de S.Paulo” revela os índices de intenção de voto para a eleição presidencial de 2022.

Foram apresentados como pré-candidatos: Lula (PT), Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT), André Janones (Avante), Simone Tebet (MDB), Luciano Bivar (União Brasil), Felipe D’Ávila (Novo), Eymael (DC), Pablo Marçal (Pros), General Santos Cruz (Podemos), Leonardo Péricles (UP), Sofia Manzano (PCB) e Vera Lúcia (PSTU).

Em relação ao levantamento anterior, Lula oscilou um ponto para menos, dentro da margem de erro. Bolsonaro oscilou um ponto para mais, também dentro da margem de erro.

Pesquisa estimulada de intenções de voto no 1º turno

  • Lula (PT): 47% (48% na pesquisa anterior)
  • Jair Bolsonaro (PL): 28% (27% na pesquisa anterior)
  • Ciro Gomes (PDT): 8% (7% na pesquisa anterior)
  • André Janones (Avante): 2% (2% na pesquisa anterior)
  • Simone Tebet (MDB): 1% (2% na pesquisa anterior)
  • Pablo Marçal (Pros): 1% (1% na pesquisa anterior)
  • Vera Lúcia (PSTU): 1% (1% na pesquisa anterior)
  • Em branco/nulo/nenhum: 7% (7% na pesquisa anterior)
  • Não sabe: 4% (4% na pesquisa anterior)
  • Felipe d’Avila (Novo), Sofia Manzano (PCB), Leonardo Péricles (UP), Eymael (DC), Luciano Bivar (UB) e General Santos Cruz (Podemos) não pontuaram.

A pesquisa ouviu 2.556 pessoas nos dias 22 e 23 de junho em 181 cidades brasileiras. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Fonte: G1

No Piauí, Lula soma 73,07% e Bolsonaro tem 15,09%

O pré-candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera isolado a pesquisa de intenção de voto estimulada no Piauí somando 73,07% nos válidos, ou seja, quando se exclui brancos/nulos e os indecisos. O cenário mostra o amplo favoritismo do petista no Estado, que historicamente tem dado vantagem aos pleiteantes do partido na eleição presidencial.

O atual presidente da República e pré-candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) aparece em segundo com 15,09%. O pré-candidato Ciro Gomes (PDT) registra 8,58% das intenções de votos válidos. André Janones (Avante) soma 0,87%. Simone Tebet (MDB) tem 0,76%. Luiz Felipe D’Ávila (Novo) conta com 0,38%.

O pré-candidato Pablo Marçal (PROS) tem 0,33% e Vera Lúcia (PSTU) registra 0,22%. Os pré-candidatos Alessandro Vieira (Cidadania), Luciano Bivar (União Brasil) e Sofia Manzano (PCB) registram, cada, 0,16%. Eymael (DC) e Leonardo Péricles (UP) somam, cada, 0,11%. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considera os votos  válidos na divulgação do resultado oficial das eleições.

Fonte: 180 Graus

Morre o cantor e compositor Paulo Diniz, aos 82 anos

O artista morreu por volta das 7h, em sua residência, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife

Morreu na manhã desta quarta-feira (22) o cantor e compositor pernambucano Paulo Diniz, aos 82 anos, conhecido pelo sucesso “Pingos de Amor“, música gravada por vários intérpretes, a exemplo de Paula Toller, do Kid Abelha.

Além de “Pingos de Amor”, Diniz também é dono dos sucessos “Quero Voltar Pra Bahia”, “Canoeiro”, “Vou-me Embora” e “Um Chope Para Distrair”. Ele teve suas músicas gravadas por nomes como Clara Nunes, Emílio Santiago e Simone. 

Desenvolveu um estilo próprio, sem se deixar influenciar por nenhuma onda em especial, apesar de aproximar nos estúdios com a turma do soul nacional.

Deixa uma coleção de canções excelentes que marcaram a história da música brasileira.

O epistemicídio da população LGBTQIA+ dentro das Universidades

Natércia Lopes – Matemática, Doutora em Ciências da Educação e Professora da UNEAL e Semed/Maceió

A universidade é um espaço de diálogo, de amadurecimento, de construção do conhecimento. Um espaço que deve garantir o acesso, permanência e bem estar da comunidade que a compõe. Contudo, percebemos que a Universidade ainda não está preparada para lidar com a diversidade. Temos estudantes que são expulsas/os de repúblicas por causa de sua orientação sexual, pessoas que desistem da universidade porque não conseguem ser aceitas pela comunidade acadêmica, projetos de pesquisa sobre sexualidade que não conseguem orientação, além da resistência em se falar sobre temas que abordem a sexualidade dentro dos espaços acadêmicos.

Por que isso acontece? Qual a dificuldade que as pessoas têm em aceitar o outro do jeito que ela/e é? A sociedade tenta englobar todas/os dentro de um binário, em que as pessoas que nascem com pênis são automaticamente homens, e que nascem com vagina são automaticamente mulheres, quando na realidade temos uma grande diversidade de gênero.

Podemos conceituar as identidades de gênero mais comuns em cisgênero (quando a pessoa se identifica com o sexo biológico que nasceu) e transgênero (quando não se identifica). Com relação à orientação sexual, podemos citar a homossexual (atração pelo mesmo gênero), heterossexual (atração pelo outro gênero), bissexual ou pansexual (atração por dois ou mais gêneros), ou assexual (pouca ou nenhuma atração sexual). Essas são algumas das ligações afetivas que envolve a sexualidade humana. Algo simples de se entender, mas que sofre constante tentativa de controle moral por quem está na Academia.

A destruição dos conhecimentos – saberes e culturas – da população LGBTQIA+ dentro das instituições de ensino refletem também uma legislação que vem excluindo a pauta sobre identidade de gênero e sexualidade dos debates. Esses retrocessos aos avanços conquistados sobre a pluralidade sexual é fruto de uma sociedade cisheteronormativa e que entende que a heterossexualidade é compulsória, ou seja, ela deve ser seguida por todas/os.

A violência que se pratica dentro dos espaços de ensino com a comunidade LGBTQIAP+ a empurra para “guetos”, dificultando a sua socialização no meio acadêmico, pois seus corpos são incômodos nas universidades, considerados anormais, e carregam o peso do preconceito.

Ao mesmo tempo, há um todo contraditório em que se organizam as relações dentro das universidades. Apesar de ser lócus de práticas de LGBTfobia, deliberadamente, a universidade é também um espaço de libertação para muitas pessoas que querem transicionar seus corpos, assumirem sua orientação sexual ou identidade de gênero.

A Teoria das Representações Sociais que eu trabalho há 11 anos, busca as bases de Emile Durkheim para explicar como se constroem as ideias da/o sujeita/o sobre o mundo e como ela/e faz para se comunicar. O paradigma de Moscovici vai em direção à explicação das mudanças e inovações sociais, ele afirmava que a representação social é mutável, é dinâmica, é um fenômeno, e não um conceito como afirmava Durkheim. Uma outra diferença era que Durkheim acreditava que os fatos sociais independem das pessoas, e são coercitivos, ou seja, a sociedade obriga o indivíduo a se adaptar às normas já criadas. Moscovici acreditava que a sociedade forma o indivíduo, assim como é formada por ele, a sociedade e o indivíduo estão em mesma posição. A convergência entre os dois teóricos reside no fato de que as pessoas tendem a agir segundo a pressão normativa, e isso talvez explique um preconceito introjetado nas pessoas sobre a sexualidade humana.

Contudo, Moscovici defende que uma representação pode ser mudada quando se compreende seu processo de construção e onde ela está ancorada. Deste modo, as universidades precisam assumir, normativamente, o papel de defensoras dos direitos humanos e diversidade, e para isso, todo corpo docente, discente, técnica/o-administrativa/o deve se envolver, além da comunidade externa. A universidade precisa encarar que é um problema curricular a ausência de conteúdos sobre sexualidade nas ementas das disciplinas obrigatórias do curso, e que não só no mês do Orgulho LGBTQIAP+ essa pauta deve ser evidenciada na academia, mas deve estar presente nos projetos pedagógicos dos cursos e essas/es estudantes devem ser acolhidas/os.

Corrupção: ex-ministro da Educação e pastor ligado a Bolsonaro são presos pela PF

Teria sido pedida propina até em ouro pela liberação de verbas públicas. Esquema envolveria também venda de Bíblias. Pastores alvos são ligados a Bolsonaro
ex-ministro da Milton Ribeiro e o pastor Gilmar Santos foram presos pela Polícia Federal em operação realizada na manhã desta quarta-feira, 22. Eles são investigados por suspeita de tráfico de influência e corrupção na liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

São cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços do ex-ministro, de Santos e também do pastor Arilton Moura. Os pastores seriam intermediários na liberação de verbas no MEC, mesmo sem exercerem qualquer cargo no governo, conforme revelou o jornal O Estado de S.Paulo. Gilmar Santos é presidente da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros de Assembleias de Deus no Brasil Cristo para Todos. Arilton é secretário da mesma entidade.

Em áudio, Ribeiro afirmou que priorizava pedidos intermediados pelos pastores, e afirma que a orientação para isso partiu do presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-ministro deixou o cargo em março, em meio às denúncias, apesar de Bolsonaro dizer que não viu “nada de mais” em áudio. Antes do pedido de demissão, Bolsonaro chegou ainda a enfatizar a confiança no ex-auxiliar agora preso: “Boto minha cara no fogo”. Após a demissão, a primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que Milton Ribeiro é honesto. “Estou orando pela vida dele. Eu confio muito nele”, disse na época.

Pela liberação de verbas, os prefeitos denunciam haver pedidos de propina até em ouro, conforme revela áudio. As suspeitas de favorecimento envolvem até a compra de Bíblias, algumas das quais com foto do ministro.

Os pastores organizavam viagens do então ministro com dirigentes do FNDE e articulavam encontros de prefeitos na casa de Ribeiro. Tinham ainda acesso ao próprio presidente Bolsonaro. Constam 45 vezes em que eles entraram no Palácio do Planalto e 127 agendas que cumpriram no MEC e no FNDE.
Fonte: O Povo

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