Vacinação não avança por fake news e religião, diz pesquisa

Enquanto capitais brasileiras aplicam dose de reforço contra a Covid-19, ainda há cidades que só conseguiram completar o esquema vacinal de cerca de 20% de sua população. Um dos motivos é a desinformação, o difícil acesso a regiões isoladas e a influência de líderes religiosos, que fazem campanha contra a vacinação.

De acordo com o levantamento do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocrz (Icict/Fiocruz), de 8 de dezembro, os bolsões de não vacinados, se concentram nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e no norte de Minas Gerais e sul da Bahia. Com informações do Globo.

Incentivando a vacinação

No município de São Félix do Xingu (PA), Rapahel Antônio Souza, o secretário da saúde ampliou o horário de funcionamento dos postos. Levou carro de vacinas aos bairros da cidade (com cerca de 91 mil habitantes). Também sorteou celulares para os jovens se vacinarem. Até ofereceram prêmio para as equipes de saúde que conseguiram imunizar mais pessoas.

Porém, nada disso funcionou. Souza acredita que as pessoas não estão se vacinando. Ele diz que existem muitas fake news sobre efeitos colaterais: “A população não acredita na imunidade da vacinação. Há muita fake news sobre os efeitos colaterais. Todas as ações foram tomadas, não tem o que fazer”.

Também ocorreu isso a quase 500 quilômetros de São Felix do Xingû. Desta vez, foi em Santa Maria das Barreiras (PA), onde 3 mil pessoas, de uma população de 23 mil, se recusam a tomar a vacina, de acordo com o secretário da Saúde, Vanderley Oliveira.

“Ouvimos da população que ainda é um experimento, que pessoas estão morrendo. E até que quem toma vacina vai para o inferno”, conta ele, acrescentando que o passaporte da vacina foi a única ação exitosa.

Fonte: DCM

Governo Bolsonaro quer barrar reajuste salarial de professores

A CNTE pretende se mobilizar judicialmente para garantir o cumprimento da Lei do Piso do Magistério

Depois de voltar atrás e suspender o aumento salarial que seria concedido apenas a policias, o governo de Jair Bolsonaro (PL) agora busca impedir o reajuste salarial de professores previsto na Lei do Piso do Magistério, que já teve constitucionalidade confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo informações do jornalista Paulo Saldaña, da Folha de S. Paulo, o governo Bolsonaro se mobiliza para barrar o teto. Em nota publicada no dia 14, o MEC disse entender que o novo Fundeb teria retirado a validade da lei e pediu revogação parcial da legislaçãoO Ministério da Economia, de Paulo Guedes, estaria pressionando por essa revisão.

De acordo com os critérios estabelecidos na Lei do Piso do magistério, o reajuste salarial dos professores seria de 33% em 2022. Em 2021 não houve reajuste.

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) já se prepara para judicializar a questão com o objetivo de fazer cumprir a lei. No dia 15, a entidade publicou nota dizendo que irá lutar por isso.

“A CNTE mantém o entendimento de plena vigência da Lei 11.738 e lutará pela aplicação do reajuste de 33,23% ao piso do magistério, em todos os entes da federação, seguindo a determinação da ADI 4848, STF. É mais que sabido que uma lei votada, sancionada e vigente não pode ser revogada ou alterada pela administração pública. O princípio da legalidade insculpido na Constituição Federal também não autoriza o Poder Executivo a interpretar normas legais a seu bel prazer. Claramente, o MEC extrapolou competências exclusivas do Congresso Nacional e do Poder Judiciário. Isso porque o parlamento não concluiu a votação do PL 3.776/08, que pretende alterar o reajuste do piso para o INPC, tampouco a justiça foi acionada para se posicionar a respeito da vigência da Lei 11.738”, disse.

“Diante de mais esta tentativa de golpe contra a lei do piso do magistério, a CNTE tomará as medidas pertinentes para reverter a orientação inconsistente e ilegal do MEC e para cobrar a aplicação imediata do reajuste do piso das professoras e dos professores em todos os estados e municípios do país”, apontou a entidade.

Em entrevista à Rádio Tropical FM, de Recife, o presidente da CNTE, Heleno Araújo, explicou que o Fundeb manteve as regras que já estavam previstas na Lei do Piso. “O piso salarial do magistério público foi mantido na Emenda Constitucional 108, o que é do FUNDEB permanente, e os critérios que definem o custo aluno do financiamento da educação básica também foi mantido tanto é que o cálculo foi feito e há indicação aí paro os anos do ensino fundamental urbano que é a referência desse curso aluno foi calculada 33,23%”, disse.

Fonte: Revista Forum

Evasão escolar cresce 171% na pandemia

O Brasil atingiu patamar recorde de evasão escolar entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos durante a pandemia. Segundo um estudo da Todos Pela Educação e dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua, a evasão escolar no Brasil é a maior desde os últimos seis anos. Aproximadamente 244 mil crianças e adolescentes estavam fora da escola no segundo trimestre de 2021.

O número representa um crescimento de 171% na evasão em relação aos números de 2019. O estudo também aponta uma queda no número de matriculados no ensino fundamental e médio, que chega a 96,2% das crianças e adolescentes. O menor desde 2012. Em 2019, os matriculados chegavam a 98%.

O responsável por esse crime é o governo Bolsonaro! Com o aumento do desemprego, do preço dos alimentos e da pobreza no país, cada vez mais crianças e adolescentes abandonam os estudos em busca de trabalho informal. Uma pesquisa da Unicef aponta um crescimento intenso do trabalho infantil durante a pandemia no Brasil. Os adolescentes são os que mais trocam a escola pelo trabalho. Para cuidar dos irmãos pequenos ou complementar a renda da casa, os adolescentes procuram fazer uma renda extra em funções precarizadas como entregadores de aplicativo, venda em sinais de trânsito, ajudante na construção civil, catadores etc.

Sobreviver ou estudar, o drama de milhões de jovens
O fechamento das escolas e a falta de condições de acesso ao ensino comprometem o futuro de uma geração. A falta de equipamentos, local adequado para estudar, professores, bolsas e auxílios, merenda e transporte, faz com que os jovens sejam empurrados para fora da escola. Outro estudo divulgado pelo Observatório da Alimentação Escolar (OAE) mostrou que apenas 14% dos estudantes das escolas públicas receberam cestas ou cartões-alimentação, durante a pandemia, através do PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar. 23% dos estudantes não receberam nenhum tipo de assistência alimentar.

O governo Bolsonaro nega educação para a juventude e renda para as famílias. Em meio ao desemprego e à inflação, o governo anuncia o fim do bolsa família, aprofundando ainda mais a crise do povo e obrigando adolescentes a escolher entre os estudos ou a sobrevivência. A piora das condições de vida e o descaso do governo genocida com a educação comprometem o futuro de milhões que, quando não deixaram os estudos, mal conseguiram estudar. Há muito para recuperar e essa luta passa por seguir o combate para colocar abaixo o governo genocida! A exigência aos governantes de reivindicações como bolsas, merendas e outras pautas concretas para retomada digna das aulas presenciais é uma questão necessária.

Fonte: O Trabalho

Partidos querem CPI para investigar Sergio Moro

Neste sábado (22), o líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes, afirmou que o partido avalia pedir uma CPI para investigar o trabalho de Sergio Moro para a consultoria Alvarez & Marsal.

Integrantes do Centrão também consideram apoiar uma investigação sobre. O negócio está na mira do TCU, que na sexta-feira (21) retirou o sigilo dos documentos do processo. Com informações do Metrópoles.

A consultoria recebeu 78% de seus honorários de empresas que foram alvo da Lava Jato, operação que Moro comandava quando era juiz. Dos R$ 83,5 milhões auferidos pela Alvarez em processos de recuperação judicial e falência, R$ 65,1 milhões vieram de firmas investigadas na operação.

Moro nega tudo

Moro nega qualquer irregularidade e afirma que nunca prestou serviços para empresas envolvidas na Lava Jato. O ex-juiz alega que atuou na área de disputas e investigações da Alvarez, um braço distinto da consultoria.

“Acabei de ligar para o deputado Paulo Teixeira, secretário-geral do PT. Ele falou que vai pedir uma CPI. Vou me reunir com ele e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, para avaliar a situação”, afirmou o líder do PT na Câmara.

A decisão sobre o eventual compartilhamento será do ministro Bruno Dantas, relator do processo. Caso o pleito seja negado, seguiu Reginaldo Lopes, a chance de coletar assinaturas para uma CPI aumenta. “Se as informações não forem compartilhadas, o caso vai requerer um instrumento da democracia brasileira que é o poder de investigação do Parlamento. Com certeza o Parlamento terá de trabalhar imediatamente pela CPI”.

Fonte: DCM

Atentado terrorista na sede da CUT Colômbia mata uma e fere 9 pessoas


“Explosão visa induzir a propostas de força e não de diálogo, que estão avançando no conjunto da sociedade colombiana e reduzindo espaço para a extrema-direita“, afirmou Francisco Maltés, presidente da Central

A explosão de um carro-bomba em um edifício sede de entidades populares na cidade de Saravena, em Arauca, na Colômbia, deixou pelo menos uma pessoa morta e outras nove feridas nesta quarta-feira (19). No local funcionava uma escola de Direitos Humanos bastante criticada pelo governo do presidente Iván Duque. Os terroristas fugiram ao serem flagrados disparando contra os que estavam no local. 

“É importante frisar que este atentado terrorista, contra a sede da Central Unitária de Trabalhadores (CUT) e dos movimentos sociais, ocorreu apenas um dia após o partido do governo ter pedido a cassação da personalidade jurídica da Federação Colombiana de Trabalhadores da Educação (Fecode), e em meio a uma campanha violentíssima de ameaças e perseguições contra lideranças populares”, denunciou o presidente da Central, Francisco Maltés. 

Também coordenador do Comitê Nacional de Paralisação (CNP), Maltés assinalou que são inaceitáveis tão sangrentos atropelos, cujo único objetivo é asfixiar o processo democrático e impor um regime ditatorial. Ele recordou de ter arrancado recentemente várias conquistas, como uma política de ganho real para o salário mínimo, utilizando pressão e negociação como duas faces de uma mesma moeda.

Fonte: CUT São Paulo

Advogado de Bolsonaro libera madeira apreendida pela PF

Frederick Wassef defende MDP Transportes, suspeita de desmatamento ilegal. Ex-superintendente da PF denunciou interferência do ex-ministro do Meio Ambiente no caso.

O desembargador Ney Bello, do Tribunal Federal Regional da 1ª Região (TRF-1), atendeu ao pedido do advogado da família do presidente Jair Bolsonaro (PL), Frederick Wassef, e concedeu uma liminar que libera parte da madeira apreendida em dezembro de 2020, na Operação Handroanthus, da Polícia Federal (PF), suspeita de ter origem em desmatamento ilegal. À época, o então superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, acusou o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de interferir no caso e obstruir a investigação. A decisão é liminar, e foi revelada primeiramente pelo jornal “Folha de S.Paulo”, informa O Globo.

Wassef representa a empresa MDP Transportes, uma das envolvidas na operação, e que foi beneficiada pela decisão de Ney Bello. O magistrado já havia autorizado a devolução de madeiras apreendidas para seis outras empresas, que não são representadas pelo advogado de Bolsonaro, em outubro.

O desembargador maranhense é um dos nomes cotados para uma das duas vagas abertas no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). A escolha cabe ao presidente Jair Bolsonaro, a partir de lista elaborada pelos atuais ministros do tribunal, e deve ser tomada em fevereiro. Segundo a decisão do magistrado, os documentos apresentados pela MDP demonstram que a origem florestal do material apreendido “está devidamente comprovada”.

A decisão de Ney Bello também liberou caminhões, balsas, documentos e outros bens móveis da MDP que foram apreendidos. Segundo a “Folha de S.Paulo”, a empresa recorreu ao TRF-1 depois que a juíza Mara Elisa Andrade, da Justiça Federal no Amazonas, negou o pedido em primeira instância por entender que as restrições deviam ser mantidas já que a investigação está em curso.

Fonte: O Antropofagista

Procuradores fazem a farra com o dinheiro público. Dallagnol recebeu R$ 207 mil de verba extra

Procuradores receberam salários acima de R$ 400 mil em dezembro após atos publicados por Aras

Enquanto o povo sofre com o desemprego em alta, perda de poder de compra e muitos vão parar na fila do osso, os procuradores federais numa verdadeira afronta ao povo brasileiro, fazem a farra com o dinheiro público.

Após atos publicados pelo procurador-geral da República Augusto Aras, 18 procuradores do Ministério Público Federal receberam pagamentos adicionais em seus contracheques de dezembro que inflaram seus salários a cifras superiores a R$ 400 mil brutos.

A informação foi revelada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmada pelo GLOBO. Segundo dados da folha de pagamento do Ministério Público Federal em dezembro, além dos 18 procuradores com salários superiores a R$ 400 mil, outros 53 receberam acima de R$ 300 mil brutos, 158 receberam mais que R$ 200 mil brutos e 491 ganharam acima de R$ 100 mil brutos. O MPF tem 1.145 procuradores ativos.

Segundo os dados da folha de pagamento de dezembro obtidos pelo GLOBO, o procurador Mário Lúcio de Avelar, da Procuradoria da República de Goiás, foi quem recebeu o maior pagamento, no valor de R$ 471 mil brutos. Procurado, ele afirmou que não iria comentar.

Esses pagamentos em altos valores aos procuradores se deveram, em parte, a dois editais divulgados por Aras liberando aos procuradores a solicitação de licença-prêmio, um benefício dado aos servidores a cada cinco anos computados no serviço público, que pode ser gozado como três meses de licença ou pagamento. A Procuradoria-Geral da República (PGR) autorizou o pagamento de quem tinha valores atrasados de licença-prêmio para receber, o que resultou nos altos valores.

Também engordaram os contracheques o adiantamento do abono de férias relativo a 2022 e o pagamento atrasado de um adicional chamado de Parcela Autônoma de Equivalência, criado para equiparar os salários de procuradores com os de magistrados.

Mesmo fora do MPF, Deltan Dallagnol recebeu R$ 207 mil de verba extra

Parceiros de Dallagnol na Lava Jato, como Diogo Castor e Januário Paludo, também tiveram contracheque bem gordo em dezembro. MPF diz que pagamento foi legal

Mesmo depois de se demitir, Deltan Dallagnol teve rendimentos brutos extras de R$ 207 mil do Ministério Público Federal em dezembro.

Ele não foi o único da Lava Jato contemplado com um contracheque bem mais gordo no último mês de 2021. 

O notório Januário Paludo teve acréscimo de R$ 306 mil brutos em seu salário. Isabel Cristina Groba Vieira, que exigiu que Lula a chamasse de doutora em um dos depoimentos do ex-presidente a Moro, teve vencimentos brutos acrescidos de R$ 174 mi.

Redação com O Globo e Brasil 247

O Brasil perde Elza Soares: a mulher do milênio e do fim do mundo

Elza Soares, uma das figuras mais extravagantes, talentosas e de estilo único na música popular brasileira, em 1969, aceitou o desafio de interpretar um samba-enredo num desfile de Carnaval,  quando mulheres não faziam isso.

No gogó, sem perder o ritmo, Elza Soares conduziu os integrantes do Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro à vitória, dando à escola o seu quarto título no carnaval carioca. Era o final dos anos 1960, tempo de Ditadura Militar, e ela cantou e encantou passistas, público e jurados interpretando Bahia de Todos os Deusesde Bala e Manoel Rosa, tornando-se  a primeira mulher e negra a interpretar um samba-enredo em um desfile de escolas de samba.

O Salgueiro foi a oitava escola a desfilar na avenida Rio Branco.  Elza lembra: “Em 1969, não tinha horário pros desfiles. Desfilamos ao meio-dia, debaixo de sol forte. Eu estava sozinha e não sabia que cantaria tantas vezes, mas dei conta“.

Apesar de campeã na estreia,  sua participação não ficou registrada em disco naquela época. Isso porque os sambas eram gravados  só depois do desfile e a interpretação coube a Noel Rosa. .

Elza Soares  quebrou a tradição em uma das mais tradicionais escolas de samba da cidade do Rio de Janeiro. Mas seu feito não ficou gravado em disco – naquela época, os sambas eram gravados depois do desfile e a interpretação coube a Noel Rosa. “Bahia, os meus olhos estão brilhando,Meu coração palpitando,De tanta felicidade.

Texto aborda trajetória de Elza Soares, cantora faleceu aos 91 anos e deixa grande legado

A líder

Quem cantava samba-enredo na avenida era chamado “puxador de samba“… Agora,  os antigos “puxadores de sa mba” querem ser reconhecidos como intérpretes.

Tudo bem. Mas deve-se registrar uma das principais obrigações de quem assume esta responsabilidade  que o mundo do samba,  ainda, acha ser dos homens.. Mais que um cantor,  o “puxador de samba”, o intérprete,  tem a obrigação de manter elevado o moral da escola. É dele – ou dela – que partem os gritos de guerra na concentração, antes do desfile. E ele –  ou ela –  quem tem a responsabilidade de contagiar todos os integrantes, de aquecer a escola, lembrar as tradições. Ele  – ou ela – exerce papel de liderança., é quem sai na frente, quem  guia a escola.

Elza, entretanto, estava só começando. Seu pioneirismo a conectou à cultura das escolas de samba. A sambista-jazzista se infiltrou.

Salve a Mocidade 

Mocidade Independente de Padre Miguel – este o nome da escola onde mais Elza soltou sua voz rouca e potente. Padre Miguel é o lugar onde ela nasceu e viveu, primeiro na Vila Vintém, depois na favela Água Santa, como diz, “uma favelinha dos operários”, sem água nem banheiro. Na Mocidade, ela gravou um compacto com o samba Rio Zé Pereira, que ajudou a defender na avenida, numa fase em que a escola começava a se modernizar.

Depois, por quatro anos, com Ney Vianna, Elza entoou os sambas-enredoFesta do Divino, O Mundo Fantástico do Uirapurú e Mãe Menininha do Gantois.

Operação casada

Em 1977, Elza afastou-se da Mocidade e, dois anos depois, se apresentou no carnaval de Niterói, cantando Afoxé, pela Acadêmicos do Cubango.https://bcdf4705beaaabf93e69236761627cce.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Oito anos depois, em 1985, reaparece na avenida, convidada pela União da Ilha do Governador, e defende o sambaUm Enredo, Um Herói, Uma Canção,  grava o disco oficial das escolas de samba, mas não aparece no dia do desfile.

Em 2000, finalmente, ela  defende um samba-enredo pela Acadêmicos do Cubango, canta Por Uma Independência de Fato, e assume um carro de som na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro – estreia no sambódromo.

Além do carnaval

A carreira de Elza Soares começa em um show de calouros. Antes de  cantar, no entanto, ela tinha que se apresentar. Um desafio e tanto, que acabou provocando o seguinte diálogo entre ela e Ary Barroso, que comandava o programa de auditório ao vivo na Rádio Tupi:

Vendo seu jeito humilde, Ary Barroso perguntou:

De que planeta você veio?

Elza respondeu:

“Vim do mesmo planeta que o senhor.”

Ary: “E posso saber de que planeta eu sou?”

Elza: “Do Planeta Fome”.

Depois desta declaração, ela pegou o microfone e mostrou todo seu potencial para quem, antes, ria dela.

Sua história é uma riqueza, mas longe de ser um conto de fadas. Reconhecida como Rainha do Samba, Elza experimentou emoções fortes ao longo de seus 90 anos de vida.  Da miséria à riqueza, do assédio ao descaso da mídia, da paixão ao abandono. Ganhou fama, sucesso e dinheiro, elogios, títulos. Vida e morte. 

Cantora do Milênio

Ela gravou discos memoráveis na Odeon, entre 1959 e 1974. Seu primeiro sucesso foi uma recriação do samba Se Acaso Você Chegasse, de Lupicínio Rodrigues, na qual introduziu scat similar ao do jazzista Louis Armstrong – aquela  técnica de canto  que consiste em cantar vocalizando, inclusive com palavras sem sentido e sílabas.

Inúmeras de suas músicas foram para o topo das listas de sucesso no Brasil ao longo de sua carreira. Entre eles, Cadeira Vazia (1961), Só Danço Samba (1963), Mulata Assanhada (1965) e Aquarela Brasileira (1974).

No auge da carreira, nos anos 60, gravou e fez muito sucesso com discos clássicos como O máximo em Samba (1967), Elza Soares & Wilson das Neves (1968), Elza, Miltinho e Samba, uma série de três álbuns com Miltinho, e, Sangue, Suor e Raça (1972), que dividiu com o então estreante Roberto Ribeiro.

Dona de uma voz rouca e rítmica, aliada aos seus scats, deu forma inteiramente nova aos dois estilos de samba que se conhecia quando ela surgiu: o samba de raiz e a bossa nova, que chegou a ser chamada de  Bossa Negra, título de seu segundo disco.https://bcdf4705beaaabf93e69236761627cce.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

No fim da década de 1950, fez uma turnê de um ano pela Argentina, junto com Mercedes Batista. No Chile, representando o Brasil na Copa do Mundo da Fifa de 1962, seu estilo exagerado fascinou o público.

Alguns de seus álbuns foram relançados em versões remasterizadas de CD: de 1961 – A Bossa Negra (contendo seu maior sucesso no ano, Boato) – e de 1972, com uma grandiosa banda, Elza Pede Passagem, um clássico e representante do som samba-soul do início dos anos 1970.

Descrita como mistura explosiva de Tina Turner e Celia Cruz, Elza Soares conquistou o título de “cantora do milênio” pela BBC de Londres, durante o projeto The Millennium Concerts, da rádio inglesa, criado para comemorar a chegada do ano 2000.

Ícone

Elza da Conceição Soares nasceu carioca em  23 de junho de 1930. Filha do operário e violonista Gomes Soares e da lavadeira Rosária Maria Gomes. Ainda pequena mudou-se para Água Santa, onde se criou, soltando pipa, rodando pião, levando latas d’água na cabeça, brincando e brigando com os meninos na rua.

Aos doze anos, por ordem de seu pai, casou com Lourdes Antônio Soares, conhecido como Alaúrdes. Teve seu primeiro filho, João Carlos, aos 13. Ficou viúva aos 21, com cinco filhos para criar, quatro meninos e uma menina. Se tornou sensação internacional aos 30.

Aos 32 anos conheceu o craque de futebol Mané Garrincha, que já era casado. E sofreu preconceito por esse relacionamento. Foi ameaçada de morte, teve a casa alvejada por ovos e tomates.

A sociedade a xingava de “vadia”, os amigos do marido de “bruxa”, por ela proibi-lo de beber – Garrincha era alcoolista. Eles ficaram juntos por 16 anos, de 1968 a 1982, e tiveram um filho, Manoel Francisco dos Santos Filho, apelidado de Garrinchinha.

Elza Soares pariu seis filhos e viu três morrerem, inclusive Garrinchinha, aos 9 anos, em acidente de carro, em 1986. Do mesmo modo, em 1969, Elza viu partir sua mãe. Garrincha havia bebido e estava ao volante.

Elza Soares, mais que um ícone como artista, é um ícone como pessoa, exemplo de superação.

Diva

Nos anos 1980, ficou sem emprego. Ensaiou uma volta quando Caetano Veloso a convidou para gravar Língua, em seu LP Velô, em 1984. Depois, em 1985, o roqueiro Lobão e o mesmo Caetano patrocinaram um disco coroando sua volta.

carreira de Elza foi retomada ao ser convidada para participar do CD Casa de Samba, em 1996, quando voltou a aparecer mais constantemente na mídia. Gravou novo álbum solo após nove anos, Trajetória , em 1997, e conquistou o Prêmio Sharp de Melhor Cantora de Samba.

Em 2004, Elza lançou o álbum Vivo Feliz, um mix de samba e bossa com música eletrônica. Em 2007, o álbum Beba-me, com músicas que marcaram sua carreira.  Aos 50 anos de carreira, em 2008, teve sua vida e obra pesquisada pela cineasta e jornalista Elizabete Martins Campos para o longa-metragemMy Name is Now, Elza Soares, lançado em 2014.

Dez anos mais tarde, outro marco: a estreia do  show A Voz e a Máquina, baseado em música eletrônica, acompanhada no palco apenas pelos DJs Ricardo Muralha, Bruno Queiroz e Guilherme Marques. Nesse mesmo ano, fez uma série de espetáculos  Elza Canta e Chora Lupicínio Rodrigues, em comemoração ao centenário do cantor e compositor gaúcho.

Aos 78 anos, ela surpreendeu fãs e não fãs, já acostumados a ouvir sua voz entre os batuques do samba de raiz e da bossa tradicional, ao lançar o álbum de samba eletrônico A Mulher do Fim do Mundocom músicas inéditas e contemporâneas.

A Mulher do Fim do Mundo foi aclamado pela crítica como um dos melhores discos dos últimos anos da MPB e rendeu a Elza o prêmio de Melhor Álbum na categoria Pop/rock/reggae/hip-hop/funk, bem como a indicação de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira e o prêmio de Melhor Música em Língua Portuguesa no 17º Latin Grammy Awards.

Elza interpretou o Hino Nacional Brasileiro á  capella na Cerimônia de Abertura dos Jogos Panemericanos Rio 2007 e, em 2016, se apresentou na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, com O Canto de Ossanha, clássico de Baden Powell e Vinicius de Moraes.

A música de Elza Soares inspira três gerações. Ela inspira. É um clássico, uma deusa,  consciente do racismo nosso de cada dia, não se deixar abater. É porta-voz de bandeiras políticas musicais, diva de uma nova cena contemporânea e trabalhou muito para conquistar este lugar.

Por Tania Regina Pinto.

Fonte: DCM

Avança no Chile projeto popular de renacionalização do cobre e bens estratégicos

Projeto encaminhado por sindicatos obteve mais assinaturas que o necessário e segue para a convenção que escreve a nova Constituição do país

A campanha pela renacionalização do cobre e dos bens públicos estratégicos no Chile já colhe os resultados da mobilização. Nas primeiras semanas deste mês, o projeto de iniciativa popular de Norma Constitucional 15.150 já conseguiu mais do que as assinaturas necessárias para a tramitação na comissão de meio ambiente, direitos da natureza, bens naturais comuns e modelo econômico da Convenção Constitucional que está escrevendo a nova Constituição chilena.

Pela proposta, a nova Constituição garantirá a renacionalização do cobre e dos bens públicos estratégicos, permitindo a recuperação do domínio público efetivo e reservando ao Estado a exclusividade de sua gestão em casos como o da grande mineração de cobre e de outros minerais, água e outros recursos desta natureza.

Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Cobre, que apresentou o projeto de iniciativa popular, a renacionalização permitirá o estabelecimento de uma política de mineração sustentável, em harmonia com a natureza, e um novo modelo de desenvolvimento econômico.

Pinochet privatizou cobre do Chile

O cobre foi privatizado durante o governo do ditador general Augusto Pinochet (1973-1990). Até então, a Corporação Nacional do Cobre (Codelco) controlava 100% da produção do minério. Com a desnacionalização, as grandes mineradoras estrangeiras controlam mais de 70%.

“Nós estamos convencidos que a desnacionalização do cobre é altamente prejudicial para o nosso país, apesar de toda a propaganda feita pelo Conselho Mineiro, pelos economistas de direita, pelos neoliberais. Somos economistas da Universidade do Chile, mas economistas críticos, que analisamos a economia a partir da defesa dos recursos naturais e dos trabalhadores”, disse o economista Orlando Caputo ao jornalista Leonardo Wexell Severo.

Caputo representou o governo socialista de Salvador Allende (1970-1973) no comitê executivo de Corporação Nacional do Cobre (Codelco), e foi gerente da estatal responsável pelas empresas nacionalizadas. Segundo ele, a nacionalização do cobre foi algo muito exitoso, reconhecido pelos economistas e historiadores como a principal transformação econômica, social e política do Chile no século 20. “Depois veio a desnacionalização do cobre que, para nós, constitui um assalto ao país nos séculos 20 e 21”, disse.

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