Damares comanda aprovação de projeto que dificulta aborto legal em crianças vítimas de estupro

No Brasil, o aborto é legal em casos de estupro, risco de vida para a gestante e anencefalia fetal.

Com o plenário vazio em uma sessão remota, o Senado Federal aprovou nesta terça-feira (2) um projeto de decreto legislativo para derrubar resolução de 2024 do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) que estabelece diretrizes para o aborto legal em crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

A votação durou 1 minuto e 40 segundos. O projeto agora será promulgado pelo Congresso Nacional. A votação foi simbólica, sem que os senadores registrassem seus votos individualmente. Tampouco houve discussão ou discursos de senadores a respeito do tema. Nesta semana que antecede o feriado de Corpus Christi, o Senado adotou o regime semi-presencial.

A reportagem identificou sete senadores no plenário durante a sessão, além do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ao incluir o tema na pauta desta terça, ele disse que a matéria era polêmica e que gostaria que os senadores estivessem presentes para não parecer que ele fez a votação “de maneira açodada”. Alcolumbre disse ainda que esperou durante sete meses que os senadores se reunissem para debater o projeto e que era preciso ter um desfecho.

O projeto, relatado por Damares Alves (Republicanos-DF), foi aprovado também às pressas, mais cedo, na Comissão de Direitos Humanos, presidida pela senadora. Em novembro do ano passado, a derrubada da resolução foi aprovada na Câmara dos Deputados por 317 votos contra 111.

Após a votação, a senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL) elogiou a aprovação “para não favorecer a questão do aborto, porque é tão importante a vida, […] não podemos banalizar a questão do aborto”.

Damares, conhecida por sua militância contra o aborto, afirmou na comissão que a resolução extrapola o poder de atuação do Conanda e invade as competências do Legislativo, defendendo sua derrubada.
A proposta, vinda da Câmara, foi enviada à comissão na quinta-feira (28), e a senadora pautou a votação para a reunião seguinte, dando celeridade à tramitação.

Uma hora para pedido de vista

Representando o governo Lula (PT) e o PT, o senador Paulo Paim (PT-RS) chegou a pedir vista, o que normalmente adiaria a votação em ao menos uma semana, mas o prazo de vista concedido por Damares foi de uma hora. A senadora argumentou que a proposta tramita em regime de urgência, segundo acordaram os líderes partidários, e precisaria estar pronta para ir a votação no plenário ainda nesta terça.

A normativa do Conanda estabelece protocolos para a interrupção da gestação nos casos previstos em lei, como a orientação de que crianças e adolescentes devem ter prioridade nos serviços, “sem a imposição de barreiras sem previsão legal”. O Conanda é ligado ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.

No Brasil, o aborto é legal em casos de estupro, risco de vida para a gestante e anencefalia fetal.
A resolução organiza o fluxo entre saúde, assistência social, segurança pública, órgãos de proteção e Justiça. A norma, entretanto, virou alvo de parlamentares por agilizar o acesso à interrupção legal da gravidez quando decorrente de estupro, garantindo o direito sem atrasos ou constrangimentos.

Na comissão, Damares argumentou que o Conanda pode fazer uma nova resolução, solucionando os problemas apontados pelo Poder Legislativo, e que a derrubada do texto “não vai deixar de proteger a criança”.

“Nós temos leis rígidas no Brasil. A única coisa que estamos questionando aqui é que o Conanda ultrapassou os limites dele como conselho. O que o Conanda colocou é matéria de competência do Congresso Nacional”, disse.

Em casos de conflito entre a vontade da menor de idade e a de seus responsáveis, o Conanda aponta que é direito do adolescente ou da criança ser assistido por um defensor público em todos os atos processuais necessários, com acompanhamento contínuo.

Esse ponto foi criticado por Damares, que argumentou que a resolução dava autonomia plena a menores e suprimia o poder da família. Defensores da medida apontam que, muitas vezes, os estupradores são parentes das vítimas e, portanto, a resolução resguardaria o direito ao aborto legal nesses casos.

“[A resolução] desconsidera o papel e esvazia o poder dos pais e responsáveis da criança e do adolescente de decidir sobre seu atendimento em situação de violência sexual. […] A resolução assegura, por exemplo, ampla confidencialidade do atendimento, inclusive em relação aos pais e responsáveis. Quer dizer, os pais não serão comunicados de um possível procedimento de interrupção da gravidez e dos cuidados após a criança ter sido abusada”, disse a senadora.

Sem previsão legal

A norma prevê comunicação ao Conselho Tutelar, notificação compulsória à autoridade sanitária e
comunicação sigilosa à autoridade policial, além de notificação ao Ministério Público caso o agressor seja integrante da família.

Damares afirmou, entre outros problemas, que a resolução não estabelece um limite gestacional para o aborto, nem exige boletim de ocorrência. O Conanda argumenta, porém, que não poderia impor essas regras simplesmente porque elas já não estão previstas em lei — o Código Penal não estabelece, por exemplo, limite de semanas no caso das condicionantes de aborto legal.

Para a presidente do Conanda, Délia Martins, o “debate no Senado é conduzido por desinformação e pânico moral”. “A derrubada dessa resolução só vai favorecer a pedófilos e a agressores, que estão interessados na desorganização”, disse.

Damares também disse que o governo Lula também foi contrário ao texto do Conanda, o que seria mais um motivo para derrubá-lo.

Na ocasião, o governo federal se posicionou contra a aprovação resolução, em ação coordenada pela Casa Civil, que determinou que os conselheiros ligados à administração votassem contra o texto. A medida gerou desconforto na gestão petista e evidenciou um racha entre os movimentos sociais feministas e o Executivo.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania chegou a divulgar uma nota para explicar a oposição ao texto. Segundo o ministério, a consultoria jurídica da pasta apontou que a resolução traz definições que só poderiam ser estabelecidas por leis.

Ainda assim, na votação na Câmara, a liderança do governo orientou voto a favor da resolução, mas acabou derrotada por uma aliança entre a direita bolsonarista e deputados do centrão – PL, Novo, União Brasil, Republicanos, PSD e PP.

Fonte: ICL

Rebelião popular na Bolívia derruba ministros

Renúncias na Defesa e na Educação ocorrem em meio a protestos contra Rodrigo Paz, bloqueios em estradas e pressão social por sua saída

A crise na Bolívia se agravou com a renúncia do ministro da Defesa, Marcelo Salinas, e da ministra da Educação, Beatriz García, em meio a protestos contra Rodrigo Paz, bloqueios em estradas e pressão social por sua saída do poder. As informações são da Telesur.https://landing.mailerlite.com/webforms/landing/r9f0h9

Segundo a emissora, as duas baixas no gabinete ocorreram no 33º dia de mobilizações lideradas pela Central Operária Boliviana (COB) e por organizações camponesas em La Paz, em rejeição às políticas neoliberais implementadas pelo governo boliviano.

As renúncias foram apresentadas na terça-feira (2), após uma reunião interna de coordenação do Poder Executivo no Palácio do Governo, em La Paz. A saída simultânea dos dois ministros amplia a instabilidade política no país, que já havia registrado, em 21 de maio, a renúncia do ministro do Trabalho, Edgar Morales.

Fontes não oficiais citadas na reportagem afirmaram que Marcelo Salinas e Beatriz García deixaram seus cargos por se recusarem a assinar um decreto de estado de emergência após a promulgação da Lei 1732. O governo avalia essa medida como forma de autorizar a intervenção das Forças Armadas nos mais de 90 bloqueios de estradas registrados em oito regiões do país.

Marcelo Salinas estava à frente do Ministério da Defesa desde novembro de 2025. A pasta é considerada estratégica por sua relação direta com a supervisão das Forças Armadas e com a segurança do Estado. Com sua saída, o cargo será assumido por Ernesto Justiniano, que atuava como vice-ministro da Defesa Social e Substâncias Controladas.

De acordo com meios locais citados pela Telesur, Justiniano, apontado como o atual responsável pela política antidrogas do governo, assumiria a função por orientação da embaixada dos Estados Unidos para conduzir uma intervenção no Trópico de Cochabamba, região considerada bastião do ex-presidente Evo Morales.

A reportagem informa ainda que Justiniano foi operador político de Rodrigo Paz no departamento de Santa Cruz e viajou recentemente aos Estados Unidos em busca de apoio para ações de combate ao narcotráfico. Durante sua gestão, foi acordado o retorno da Administração para o Controle de Drogas dos Estados Unidos, a DEA, à Bolívia.

Beatriz García, por sua vez, deixou o Ministério da Educação sem detalhar publicamente os motivos de sua saída e sem anunciar quem deverá substituí-la no cargo.

A dupla renúncia ocorre em um contexto de crescente pressão social sobre o governo. Antes de Salinas e García, Edgar Morales já havia deixado o Ministério do Trabalho após sucessivas cobranças da COB e de sindicatos fabris mobilizados nas ruas.

As organizações sociais mantêm a rejeição ao diálogo com o Executivo. Enquanto isso, a paralisação de vias afeta a economia das principais cidades do oeste boliviano e provoca desabastecimento de alimentos, medicamentos e combustíveis em La Paz.

Entre as principais reivindicações dos setores mobilizados estão a renúncia de Rodrigo Paz, a libertação de dirigentes detidos, a anulação de anteprojetos de lei como a chamada Lei Antibloqueios e a rejeição às iniciativas de privatização defendidas pelo governo.

A tensão aumentou após a Assembleia Legislativa, controlada em 93% pela direita, anular a lei que limitava a declaração do estado de exceção. Essa decisão abriu caminho para que o Executivo incorporasse as Forças Armadas à repressão dos protestos sociais, diante da resistência da COB, de sindicatos, organizações populares e movimentos sociais mobilizados.

Com 33 dias de protestos, bloqueios em diferentes regiões e sucessivas baixas ministeriais, a Bolívia atravessa um dos momentos mais delicados do governo Rodrigo Paz, marcado pela pressão das ruas e pela ampliação do conflito entre o Executivo e os setores populares.

Fonte: Brasil 247

PEC assinada por Flávio Bolsonaro abre brecha para reduzir salário mínimo para R$ 1.297

Proposta que tenta barrar fim da escala 6×1 prevê pagamento restrito a horas trabalhadas, ameaçando o descanso remunerado e impondo perdas de até 29% no contracheque

A PEC de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cria uma brecha para reduzir o salário mínimo a R$ 1.297,12 na escala 5×2, caso o trabalhador seja pago apenas pelas horas efetivamente trabalhadas. A proposta, apresentada por Rogério Marinho (PL-RN), tenta reagir ao fim da escala 6×1 e ameaça o descanso semanal remunerado.

A análise ganhou tração nas redes sociais após um levantamento mostrar o impacto direto do texto no bolso de quem recebe o piso nacional. Confira a publicação:

decreto que fixou o salário mínimo de 2026 em R$ 1.621 também estabeleceu o valor da hora em R$ 7,37. Em um mês com 22 dias úteis, quem trabalha 8 horas por dia soma 176 horas. Multiplicado pelo valor oficial da hora, o total cai para R$ 1.297,12.

A diferença é de R$ 323,88 no mês. Em termos proporcionais, o trabalhador perderia praticamente 20% da renda garantida hoje pelo salário mínimo mensal.

PEC de Flávio Bolsonaro troca salário mensal por hora trabalhada

O ponto central da proposta está na criação de um regime flexível baseado em horas trabalhadas. O texto altera o artigo 7º da Constituição para permitir que o empregado escolha entre o regime comum da CLT e uma forma de contratação em que remuneração e direitos passam a ser proporcionais à carga horária efetivamente cumprida.

A medida foi apresentada por Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e articulador da ofensiva contra o fim da escala 6×1, como mostrou a Fórum.

Pela redação da PEC, a redução de jornada poderá ocorrer por acordo individual, convenção coletiva ou livre pactuação direta entre empregado e empregador. O texto também estabelece que o contrato individual poderá prevalecer sobre acordos e convenções coletivas.

A Agência Senado resumiu o efeito da proposta de forma direta: o patrão poderia pagar ao empregado somente as horas efetivamente trabalhadas. Férias, 13º salário e FGTS também seriam calculados de forma proporcional.

A brecha sobre o descanso semanal remunerado

A PEC de Flávio Bolsonaro não revoga expressamente o Descanso Semanal Remunerado. O direito segue previsto na Constituição e na legislação trabalhista.

O problema está na lógica de cálculo criada pela proposta. Ao determinar que salário e direitos serão proporcionais às horas efetivamente trabalhadas, a PEC abre uma disputa sobre a inclusão do descanso remunerado na base mensal de pagamento.

Se o repouso semanal ficar fora da conta em contratos por hora, o trabalhador pode cumprir uma jornada regular de 40 horas semanais e, ainda assim, terminar o mês com menos que o salário mínimo cheio.

Perda pode atingir férias, 13º e FGTS

A redução potencial não ficaria limitada ao contracheque mensal. A PEC prevê que férias, 13º salário, FGTS e outros direitos legais sigam a mesma proporcionalidade aplicada à carga horária efetivamente trabalhada.

Na prática, a queda no salário mensal também poderia reduzir a base de cálculo de direitos pagos ao longo do ano. O impacto, portanto, não se resume ao valor recebido no fim do mês.

Esse é o ponto que amplia o alcance da proposta. O regime é apresentado como flexibilização, mas transfere ao trabalhador o risco de uma renda menor e de direitos calculados sobre uma base reduzida.

Telemarketing poderia cair para R$ 1.149

O impacto seria ainda maior em categorias com jornadas menores. Em parte do telemarketing, trabalhadores cumprem 36 horas semanais, com 6 horas por dia em seis dias de trabalho.

Nesse cenário, um mês com 26 dias trabalhados soma 156 horas. Multiplicadas pelo valor oficial de R$ 7,37, elas resultam em R$ 1.149,72.

A diferença para o salário mínimo mensal de R$ 1.621 seria de R$ 471,28. A perda passaria de 29%.

Câmara blindou salário; PEC de Flávio cria proporcionalidade

O contraste com o texto aprovado pela Câmara é direto. A proposta que acaba com a escala 6×1 reduz a jornada para 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial.

Mais do que preservar o salário, o texto aprovado pelos deputados proíbe redução nominal, proporcional ou de qualquer outra espécie, inclusive nos pisos salariais. A PEC de Flávio Bolsonaro faz o caminho inverso ao permitir remuneração e direitos proporcionais às horas trabalhadas.

A proposta de Marinho e Flávio ganhou força depois que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, enviou o texto à Comissão de Constituição e Justiça em meio a um novo acordo político, como revelou a Fórum.

Contragolpe ao fim da escala 6×1

A PEC 12/2026 foi apresentada como reação ao avanço do fim da escala 6×1 na Câmara. Enquanto os deputados aprovaram a redução da jornada com preservação salarial, a proposta assinada por Flávio Bolsonaro cria um regime em que o pagamento pode ficar limitado às horas efetivamente trabalhadas.

Agora, o texto aguarda a designação de relator na CCJ do Senado. Se avançar, pode se tornar o principal instrumento da oposição para esvaziar o efeito da redução de jornada aprovada pela Câmara.

Fonte: Revista Fórum

Operação contra Comando Vermelho prende influenciador ‘PTK’ em Maceió

Sob orientação do CV, PTK é pré-candidato a deputado federal por AL

Uma operação policial contra a facção criminosa Comando Vermelho, que atua em Alagoas, prendeu nesta quarta-feira (3) o influenciador e pré-candidato a deputado federal pelo estado, Patrick de Almeida Silva, o “PTK”. Com ele a polícia apreendeu R$ 20 mil em espécie, dois iPhones, dois anéis de ouro e um pendrive.

De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AL), além dele, outros oito suspeitos foram presos. Eles não tiveram os nomes divulgados.

A SSP informou que a ação tem como objetivo cumprir 51 mandados judiciais, expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital, sendo 21 de prisão e 30 de busca e apreensão e medidas cautelares, contra integrantes da facção Comando Vermelho. As prisões aconteceram em MaceióMarechal Deodoro e no Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, o influenciador teria sido “escalado” pelo chefe da Comando Vermelho em Alagoas, Nem Catenga, para ser candidato a vereador por Maceió em 2024. À época, ele não teve a candidatura aprovada.

Atualmente, o influenciador se intitula pré-candidato a Deputado Federal nas redes sociais.

O delegado Igor Diego, da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), informou que a facção tem buscado apoio político para a expansão das atividades criminosas no estado.

EUA propõem tarifa de 25% ao Brasil após encontro de Trump com Flávio Bolsonaro

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre todas as importações do Brasil, em uma medida que mira comércio digital, etanol, propriedade intelectual e desmatamento ilegal. As informações são da CNN Brasil.

A proposta foi apresentada em documento divulgado no final da noite desta segunda-feira (1º), e prevê exceções para mercadorias enquadradas como sujeitas às chamadas tarifas de segurança nacional. Segundo a CNN Brasil, o governo do presidente Donald Trump ainda realizará consultas públicas e audiências antes de adotar qualquer sanção definitiva contra o Brasil.Play Video

De acordo com o USTR, políticas brasileiras relacionadas a comércio digital, determinadas tarifas e desmatamento ilegal seriam passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. A ferramenta permite ao governo norte-americano investigar e retaliar práticas comerciais consideradas injustas.

Entre os produtos que ficariam fora das tarifas punitivas, segundo o texto, estão carne bovina, café, certas frutas e nozes, especiarias, petróleo e minérios metálicos.

Em nota, o USTR afirmou que “certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; aplicação de medidas anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio”.

Audiência sobre tarifa contra o Brasil será em julho

Antes de qualquer decisão final, o governo dos Estados Unidos abrirá espaço para manifestações públicas. A audiência sobre a ação proposta pelo USTR está marcada para 6 de julho de 2026.

O prazo limite para a definição e eventual aplicação das chamadas medidas corretivas contra o Brasil é 15 de julho de 2026. Segundo a reportagem, o governo brasileiro já esperava para os próximos dias uma nova sanção dos Estados Unidos. A avaliação no Palácio do Planalto era de que poderia haver uma recomendação de punição, mas sem aplicação imediata.

O embaixador Jamieson Greer afirmou que a investigação foi aberta a pedido de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, para tratar de preocupações comerciais de Washington em relação ao Brasil.

“Iniciei esta investigação ao abrigo da Secção 301 a pedido do Presidente Trump para abordar preocupações antigas e generalizadas dos EUA relativamente a certas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o Presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas”, afirmou Greer.

Apesar do diálogo recente entre os dois governos, Greer disse que as divergências permanecem.

“Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação. Aguardo com expectativa a continuação do diálogo com o Governo brasileiro, antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a tomada de medidas corretivas”, completou.

USTR aponta práticas brasileiras como alvo de ação

No documento, o USTR sustenta que certos atos, políticas e práticas do Brasil seriam “desarrazoados ou discriminatórios” e teriam impacto negativo sobre o comércio dos Estados Unidos.

Um dos principais pontos citados é o comércio digital e os serviços de pagamento eletrônico. Segundo o órgão norte-americano, tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas para que empresas dos Estados Unidos removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de residentes em território norte-americano, em alguns casos com alcance global.

O USTR também afirma que essas ordens teriam impedido plataformas de informar os proprietários dos perfis sobre as determinações judiciais. O órgão sustenta ainda que empresas norte-americanas de mídia social foram responsabilizadas financeiramente em caso de descumprimento, com multas, restrições de acesso a ativos, contas e sistemas de pagamento no Brasil. Em pelo menos um caso, segundo o texto, um site teria sido retirado do ar por completo.

Outro ponto levantado pelo governo dos Estados Unidos envolve serviços de pagamento eletrônico. Para o USTR, o Brasil teria prejudicado de forma injusta empresas norte-americanas que atuam em serviços concorrentes, inclusive por meio de políticas que favoreceriam uma principal concorrente.

Tarifas, corrupção, patentes e etanol entram na lista

A investigação também cita tarifas preferenciais consideradas injustas pelos Estados Unidos. O USTR aponta acordos comerciais de escopo parcial do Brasil com México e Índia, que concederiam tratamento tarifário mais baixo a centenas de produtos desses países em diversos setores.

Na avaliação do órgão norte-americano, esses acordos alcançam áreas em que México e Índia são produtores avançados e competitivos em escala global.

O combate à corrupção também foi incluído na lista de questionamentos. Segundo o USTR, o Brasil não adotaria medidas suficientes para enfrentar suborno e corrupção.

Na área de propriedade intelectual, o órgão afirma que o Brasil não aplicaria de forma adequada leis penais e normas aduaneiras contra falsificação de produtos. O texto também cita demora excessiva na análise de pedidos de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico, além da ausência de medidas antipirataria consistentes e contínuas.

O acesso ao mercado de etanol é outro foco da investigação. Segundo o USTR, o Brasil interrompeu em 2017 o tratamento tarifário equilibrado que aplicava anteriormente ao etanol e, desde então, não teria oferecido tratamento recíproco às exportações norte-americanas do produto.

Desmatamento ilegal é usado como argumento comercial

O documento também menciona o desmatamento ilegal. O USTR afirma que, embora o Brasil tenha um marco legal para combater a prática, historicamente teria falhado na aplicação efetiva dessas regras.

Segundo o órgão, a persistência do desmatamento ilegal integra o conjunto de políticas e práticas consideradas passíveis de questionamento nos termos da Seção 301.

A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 é usada pelos Estados Unidos para responder a práticas estrangeiras classificadas como injustificáveis, desarrazoadas ou discriminatórias quando, na avaliação norte-americana, elas oneram ou restringem o comércio do país.

No caso brasileiro, a investigação busca avaliar se os atos, políticas e práticas citados pelo USTR se enquadram nesses critérios e se justificam a adoção de medidas corretivas até o prazo legal de 15 de julho de 2026.

Fonte: Brasil 247

Desvio milionário: entenda a relação entre Prefeitura de SP e filme de Bolsonaro

De acordo com os investigadores, contratos anteriores realizados pela Prodam apresentavam valores inferiores aos previstos no acordo firmado com o instituto. O inquérito aponta que o contrato investigado previa pagamento mensal de R$ 1,8 mil por ponto de wi-fi instalado. A apuração inclui suspeitas sobre pagamentos antecipados que poderiam alcançar R$ 26 milhões e despesas de R$ 4,7 milhões que estariam sob análise.

O Instituto Conhecer Brasil pertence a Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da produtora Go Up, responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Segundo a investigação, o instituto e a produtora funcionam oficialmente no mesmo endereço, na região da Avenida Paulista. O inquérito descreve possíveis indícios de desvio de finalidade e confusão patrimonial envolvendo as duas estruturas.

A Polícia Civil também investiga se recursos vinculados ao contrato municipal podem ter sido utilizados de forma indireta para financiar a produção de “Dark Horse”. O inquérito afirma que a produção do longa teria sido iniciada durante a vigência do contrato com a prefeitura e registra suspeitas sobre eventual utilização de recursos públicos oriundos do programa de internet para custear o projeto audiovisual.

Questionado sobre o caso, Flávio Bolsonaro afirmou: “Eu quero confiar que a polícia está fazendo um bom trabalho e que se investigue e que se chegue à conclusão, não fique criando narrativas falsas. Investiguem, vejam que não tem nada e vida que segue e, se for isso, sem problemas”.

Já o prefeito Ricardo Nunes (MDB) declarou que não identificou irregularidades na prestação do serviço e afirmou que a contratação seguiu as regras previstas no edital. “Se durante 30 dias somente essa entidade se propôs a fazer esse serviço por esse valor e estava atendendo todos os parâmetros que a gente precisava, não teria por que não contratar”, disse.

Fonte: DCM

Governo Caiado pagou R$ 209 milhões a grupo ligado ao PCC

Governo de Goiás pagou R$ 209 milhões a empresas ligadas a investigado por suspeita de atuação com o PCC

O governo de Goiás pagou R$ 209 milhões a empresas ligadas a Thiago Telles Batista de Souza, empresário investigado por suspeita de atuação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), em contratos relacionados à área da saúde durante a gestão de Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência, relata Andreza Matais, do Metrópoles.https://landing.mailerlite.com/webforms/landing/r9f0h9

Os repasses ocorreram entre 2020 e 2025 por meio do Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed), organização social contratada pelo governo goiano para administrar unidades de saúde. O instituto tinha como fornecedoras empresas vinculadas a Telles, apontado pela Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) como “beneficiário final” de um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.

De acordo com a investigação, o esquema seria abastecido por recursos provenientes do tráfico de drogas, de jogos ilegais e de golpes contra consumidores. Telles foi alvo de busca e apreensão em dezembro passado, no âmbito da Operação Falso Mercúrio. A apuração teve novos desdobramentos na quinta-feira (28), com a Operação Falsa Las Vegas.

Apelidado de “Tom Cruise”, em referência ao ator do filme “Top Gun”, Thiago Telles teria comprado grandes volumes de dinheiro em espécie de intermediários da facção criminosa em período coincidente com seus contratos públicos, conforme o inquérito e documentos citados pela reportagem. A suspeita é que a prática permitisse a circulação de valores fora do alcance do Banco Central e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Em Goiás, os recursos públicos chegavam às empresas ligadas a Telles por meio da intermediação do Imed. O governo estadual contratava a organização social, que, por sua vez, terceirizava a gestão de hospitais e unidades de saúde para outras empresas. Entre 2019 e 2025, o Imed recebeu R$ 1,4 bilhão do estado de Goiás, de acordo com registros do Portal da Transparência citados pela reportagem.

Caiado culpa falta de alerta do governo federal

Em nota, Ronaldo Caiado afirmou que autoridades federais de controle deveriam ter informado o governo de Goiás sobre eventuais vínculos de fornecedores de organizações sociais contratadas pelo estado com o narcotráfico. O pré-candidato defendeu que o alerta poderia ter sido feito pelo Coaf aos órgãos estaduais de controle.

“Se essas pessoas têm vínculo com o narcotráfico, isso deveria ter sido preventivamente informado ao governo do Estado, já que apenas o Coaf do governo federal tem acesso a dados do sistema financeiro que permitiriam a identificação e a ação preventiva”, afirmou Caiado.

O posicionamento foi dado após a reportagem apontar que Caiado esteve em evento com empresário fornecedor de seu governo com vínculos investigados com o PCC. O pré-candidato disse que caberia ao governo federal prestar informações “para apontar quem tem problema ou não”.

Secretaria de Saúde diz que fornecedores são responsabilidade das OSs

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) afirmou que os contratos firmados pela organização social se referem exclusivamente a serviços de apoio operacional e administrativo necessários ao funcionamento das unidades, como tecnologia da informação, fornecimento de insumos, suporte técnico e capacitação profissional.

“A contratação de fornecedores pelas Organizações Sociais é de responsabilidade exclusiva da entidade gestora, não dependendo de autorização prévia da Secretaria de Estado da Saúde. À SES-GO cabe fiscalizar rigorosamente a execução do contrato de gestão, o cumprimento de metas, indicadores de desempenho, qualidade da assistência prestada e a correta aplicação dos recursos públicos — atribuições exercidas permanentemente e com absoluto rigor técnico”, declarou a pasta.

A secretaria também afirmou que já encaminhou denúncias e informações a órgãos de controle e investigação em situações anteriores, contribuindo para a deflagração de operações policiais. Segundo a SES-GO, isso demonstraria “o compromisso da atual gestão com a transparência, o fortalecimento dos mecanismos de controle e a política de tolerância zero contra qualquer indício de irregularidade ou mau uso do dinheiro público”.

A pasta acrescentou que a SES-GO e a Controladoria-Geral do Estado mantêm monitoramento contínuo sobre os contratos de gestão em vigor. Desde 2023, segundo a secretaria, o governo ampliou a estrutura de fiscalização com a criação da Subsecretaria de Controle Interno e Compliance e com a atuação direta de um delegado da Polícia Civil no âmbito da pasta para apuração de suspeitas envolvendo recursos públicos.

Imed nega conhecimento de ilícitos

O Imed informou que os contratos de gestão hospitalar firmados com o estado foram precedidos de chamamento público e pautados por metas, indicadores e regras públicas verificáveis. A organização social também afirmou que suas contratações seguem processo de seleção pública previsto em regulamento aprovado pelos órgãos de controle.

“Toda contratação com terceiros obedece a processo de seleção pública, previsto em regulamento de compras aprovado pelos órgãos de controle – e se encontram disponibilizados nos portais oficiais de transparência”, declarou o instituto.

O Imed afirmou ainda não ter conhecimento de atos ilícitos eventualmente atribuídos a terceiros.

“O Imed não tem conhecimento de quaisquer atos ilícitos eventualmente atribuídos a terceiros. A relação do Imed com empresas fornecedoras de serviços médico-hospitalares,bem como com as pessoas mencionadas, sempre ocorreu estritamente no âmbito profissional”, disse a organização social.

O instituto também prestou esclarecimentos sobre a advogada Maria Caroline Lazarini Dias, citada pela reportagem. Segundo a nota, ela não seria dirigente de organização social.

“Por fim, esclarece-se que a advogada citada não é dirigente de qualquer organização social. A Caroline Dias é sócia do escritório de advocacia que atende juridicamente o Imed e, por consequência, atua nas várias unidades que o Imed administra. Em alguns casos ela aparece como Diretora Jurídica”, afirmou o Imed.

Empresas ligadas a Telles receberam mais de 10% dos repasses ao Imed

Com os recursos recebidos do governo de Goiás, o Imed contratou empresas para administrar oito hospitais e unidades de saúde no estado. Entre essas contratadas, firmas vinculadas a Thiago Telles receberam R$ 209 milhões, valor superior a 10% do total pago pelo governo goiano ao instituto.

Os dados públicos citados pela reportagem indicam que o dinheiro abasteceu empresas do investigado por suspeita de vínculo com o PCC e também uma firma em nome de Maria Caroline Lazarini, apontada pelo Imed como sócia do escritório de advocacia que atende juridicamente a organização.

Caiado fez elogios públicos ao Imed em diferentes ocasiões. Em maio de 2021, durante visita ao Hospital de Formosa (GO), a cerca de 80 quilômetros de Brasília (DF), administrado pela entidade, o então governador agradeceu à organização social pela atuação na unidade.

“Agradeço a toda a minha equipe e, principalmente, à administração do Imed, que, como organização social, veio com o objetivo de mostrar que podíamos fazer bem e atender à população”, afirmou Caiado na ocasião. No mesmo evento, Maria Caroline Lazarini disse que o governador tinha “visão de futuro”.

Thiago Telles e TL2 Soluções não prestaram esclarecimentos

O empresário Thiago Telles e a empresa TL2 Soluções não prestaram esclarecimentos. As demais empresas citadas apresentaram respostas negando irregularidades ou afirmando que atuam conforme normas legais e regulatórias.

L2D Telemedicina afirma cumprir critérios técnicos e legais

A L2D Telemedicina afirmou atuar há mais de dez anos no mercado de saúde, com soluções em telemedicina, telediagnóstico e suporte remoto para hospitais e unidades públicas e privadas no Brasil e no exterior. A empresa declarou que todos os seus contratos seguem critérios técnicos e legais.

“A empresa esclarece que todos os seus contratos seguem critérios técnicos e legais de acordo com as normas pertinentes”, afirmou a L2D.

A companhia disse que os procedimentos mencionados pela reportagem tramitam sob segredo de Justiça e que a defesa ainda não teve acesso à íntegra dos autos.

“Sem conhecer o teor integral das apurações e os documentos que as embasam, não é possível, neste momento, prestar esclarecimentos sobre fatos, datas e valores específicos”, declarou.

A L2D também negou ter praticado atos que comprometam sua atuação institucional ou sua reputação profissional.

“A L2D reforça, ainda, que não praticou atos que comprometam sua atuação institucional ou sua reputação profissional e que, portanto, nada tem a esclarecer sobre o exposto em suas perguntas. A companhia segue prestando serviços na área da saúde com foco na qualidade assistencial, inovação tecnológica e segurança no atendimento aos pacientes. Tão logo assegurado o acesso ao conteúdo dos procedimentos, a defesa se manifestará pelos meios adequados”, afirmou.

Medplus nega ato ilícito e relação com Caiado

A Medplus Serviços Médicos afirmou atuar na prestação de serviços médicos para unidades de saúde em diversas regiões do país, incluindo Goiás, e disse manter suas atividades em conformidade com as normas legais e regulatórias do setor.

A empresa declarou que seus contratos com o poder público seguem processos formais de contratação, com critérios técnicos definidos, e estão disponíveis nos portais oficiais de transparência.

“É importante salientar que a empresa não praticou nenhum ato ilícito e pauta sua atuação seguindo rigorosamente os princípios legais vigentes”, afirmou a Medplus.

A empresa também disse que sua relação com a advogada mencionada é profissional e negou qualquer relação com Caiado.

“Destacamos que a relação com a advogada mencionada é de natureza estritamente profissional. Já com o governador Ronaldo Caiado esclarecemos que não existe nenhuma relação, nem pessoal e nem comercial”, declarou.

Medic360 diz não integrar investigação

A Medic360 Serviços Médicos afirmou que não integra investigação, não é alvo de apuração por órgãos de controle e não tem conhecimento de eventual envolvimento ilícito de empresas ou pessoas citadas nos questionamentos encaminhados pela reportagem.

“A Medic360 esclarece que não integra qualquer investigação, não é alvo de apuração por órgãos de controle e não possui conhecimento sobre eventual envolvimento ilícito de empresas ou pessoas citadas no e-mail encaminhado à companhia”, disse a empresa.

A companhia também afirmou que sua atuação é pautada pela legalidade e que os contratos firmados seguem processos formais por meio de termos de referência e critérios técnicos.

“A Medic360 atua regularmente no segmento de serviços médicos e mantém suas operações alinhadas às normas legais, regulatórias e administrativas do setor, sem qualquer relação com os fatos mencionados nos questionamentos encaminhados pela reportagem”, declarou.

Polícia aponta risco institucional em contratos públicos

As investigações da Polícia Civil de São Paulo apontam que empresas ligadas a Thiago Telles, além de serem suspeitas de atuação em lavagem de dinheiro do crime organizado, mantinham contratos com órgãos públicos paulistas, incluindo prefeituras.

Em relatório citado pela reportagem, a polícia afirmou que a presença de empresas sob suspeita entre contratadas do poder público representa risco institucional.

“A presença de empresas sob forte suspeita de crimes e movimentações atípicas no rol de contratadas pelo poder público representa grave risco institucional, pois abre possibilidade concreta de que recursos estatais sejam desviados e utilizados como mecanismo de integração de capitais ilícitos”, diz o relatório.

O documento também aponta possíveis efeitos sobre a lisura dos processos licitatórios e a transparência da administração pública.

“A participação dessas empresas em processos licitatórios compromete a lisura dos certames, fragiliza a transparência da gestão pública e expõe a administração a riscos de inexecução contratual e danos ao erário”, afirma o relatório.

O caso envolve repasses públicos na área da saúde em Goiás, contratos de organizações sociais, empresas fornecedoras citadas em investigação policial e posicionamentos de autoridades, entidades e companhias que negam irregularidades ou afirmam não ter conhecimento dos fatos investigados.

Fonte: Brasil 247

Tela Brasil: MinC lança plataforma pública de streaming criada pela Ufal

O audiovisual brasileiro ganha, a partir deste sábado (30), uma nova vitrine pública de alcance nacional. Gratuita para todos os brasileiros, sem anúncios e dedicada exclusivamente às produções audiovisuais brasileiras, a Plataforma Tela Brasil será lançada pelo Governo Federal como o serviço público federal de streaming audiovisual.

A plataforma, coordenada pelo Ministério da Cultura (MinC), através da Secretaria do Audiovisual (SAv), foi desenvolvida pela Universidade Federal de Alagoas Ufal), por meio do Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (Nees), consolidando a atuação da universidade pública na criação de soluções tecnológicas voltadas à democratização do acesso à cultura.

O lançamento será no Rio de Janeiro, durante o Rio2C (Rio Creative Conference), o maior encontro de criatividade e inovação da América Latina, que reúne profissionais, empresas e criadores dos setores audiovisual, música, games, publicidade e tecnologia. A cerimônia contará com a presença do presidente Lula. O desenvolvimento da plataforma foi realizado integralmente pelo Nees/Ufal, sem participação de empresas privadas.

O projeto mobilizou cerca de 80 integrantes do núcleo, entre pesquisadores, desenvolvedores, técnicos e estudantes de graduação e pós-graduação, além de bolsistas vinculados a instituições públicas de ensino superior de diferentes regiões do País, incluindo Alagoas, Rio Grande do Norte, São Paulo, Ceará, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Formação de público

A diretora de Preservação e Difusão Audiovisual do MinC e coordenadora da plataforma Tela Brasil, Daniela Fernandes, destaca que a plataforma nasce com prioridade absoluta para o conteúdo brasileiro e para a formação de público, funcionando como instrumento complementar às salas comerciais e aos streamings privados e não como concorrente.

“A Tela Brasil foi pensada prioritariamente como uma política de formação de público para o cinema brasileiro. A gente escolhe aquilo que conhece, então disponibilizar filmes brasileiros nas diferentes janelas também fortalece o mercado”, afirma Daniela. “A plataforma será importante para a difusão gratuita do audiovisual brasileiro, reunindo produções nacionais financiadas com recursos públicos e acervos de instituições culturais federais”, destaca o coordenador do projeto no Nees e professor da Ufal, Thiago Cordeiro. “A iniciativa reforça o papel das universidades públicas na criação de soluções tecnológicas estratégicas para o fortalecimento das políticas públicas”, complementa a vice-coordenadora e professora da Ufal, Luciana Santa Rita.

Gratuidade

O acesso para a Tela Brasil será realizado por meio da conta Gov.br, identidade digital oficial do Governo Federal, com acesso livre a qualquer cidadão brasileiro. Neste primeiro momento, estará disponível apenas a versão web. Em breve, a plataforma também será acessada por meio da versão mobile.

Além do Perfil Cidadão, haverá, futuramente, o Perfil Direcionado, voltado para escolas e pontos de difusão, destinado a cineclubes e espaços de exibição não comerciais, como centros culturais, unidades socioeducativas, unidades prisionais e Pontos de Cultura. Esses espaços terão acesso a funcionalidades específicas, como curadoria pedagógica, criação de playlists e agendamento de sessões coletivas.

Catálogo 

O catálogo da Tela Brasil reunirá mais de 500 obras audiovisuais brasileiras, entre longas-metragens, curtas, médias e telefilmes, incluindo 19 produções indicadas pelo Brasil ao Oscar. O acervo é composto por obras financiadas pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e por conteúdos provenientes de instituições do Sistema MinC, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Palmares.

Diferentemente das plataformas comerciais, o serviço não possui publicidade, cobrança de assinatura nem rastreamento comportamental de dados para fins mercadológicos. O tratamento de dados segue as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), utilizando apenas as informações necessárias à operação do serviço público.

Após o lançamento, o planejamento prevê a expansão contínua do catálogo, novas parcerias institucionais e o desenvolvimento de funcionalidades adicionais, incluindo ferramentas para a Rede Exibidora, um aplicativo móvel, Smart TV e recursos para uso em contextos de baixa conectividade.

Acessibilidade

A Tela Brasil será lançada com um dos maiores conjuntos de recursos de acessibilidade audiovisual entre as plataformas públicas do país. Das mais de 500 obras disponíveis no catálogo inicial, mais de 300 já contam com audiodescrição, legendagem descritiva e tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), atendendo às exigências previstas no edital público. Além disso, toda a interface da plataforma foi desenvolvida seguindo as diretrizes internacionais WCAG 2.2 AA, consideradas referência em acessibilidade digital.

“A plataforma é totalmente acessível e a gente trabalha para que todo o conteúdo disponível esteja acessível até o final do ano”, explica Daniela. Outro diferencial destacado pela diretora foi a opção do Ministério por um modelo de licenciamento de conteúdo, em vez da incorporação automática de obras financiadas com recursos públicos: “A Tela Brasil vem como qualificadora de mercado, fortalecendo a circulação do audiovisual brasileiro e ajudando na formação de público”.

Fonte: Ufal

Ataques do estado genocida de Israel no Líbano gera temor de devastação como a de Gaza

Depois de devastar Gaza, estado genocida de Israel ameaça trucidar o povo libanês. Israel já assassinou 600 pessoas desde ces­sar-fogo, segundo Bei­rute; coti­di­ano na capi­tal é defi­nido por estado de alerta cons­tante sob a ame­aça de ata­ques, afirma mora­dora

Israel e Líbano estão sob ces­sar-fogo, em teo­ria, há mais de 40 dias. Desde o pri­meiro deles, no entanto, as for­ças isra­e­len­ses emi­tem ordens de reti­rada de mora­do­res e ata­cam comu­ni­da­des no sul do ter­ri­tó­rio liba­nês. Na quinta (28), vol­ta­ram a atin­gir Bei­rute.

O governo de Bin­ya­min Netan­yahu diz visar alvos liga­dos ao grupo extre­mista Hez­bol­lah. Che­gou a esta­be­le­cer, inclu­sive, uma “linha ama­rela” que deli­mi­ta­ria a área em que suas for­ças atu­a­riam.

Após cerca de cinco sema­nas com cons­tan­tes ata­ques, porém, o Exér­cito de Israel expan­diu sua atu­a­ção para além da marca, argu­men­tando que é pre­ciso remo­ver ame­a­ças a cida­dãos e sol­da­dos. O pre­miê anun­ciou nesta sexta (29) que suas for­ças ultra­pas­sa­ram o rio Litani, que até então tinha sido o limite.

Desde o iní­cio da tré­gua, em 17 de abril, as for­ças isra­e­len­ses mata­ram pelo menos 600 pes­soas —uma média supe­rior a 14 por dia—, ele­vando a mais de 3.200 o número de mor­tos e a 9.700 o de feri­dos a par­tir do começo do con­flito, em 1º de março, segundo o Minis­té­rio da Saúde liba­nês. Tel Aviv afir­mou que 10 de seus sol­da­dos foram mor­tos desde o iní­cio da tré­gua.

“O coti­di­ano não é mais defi­nido por uma rotina, mas por um estado de alerta cons­tante sob a ame­aça de ata­ques repen­ti­nos”, relata Mariam Shehab, mora­dora de Bei­rute. Em entre­vista à Folha, a jor­na­lista liba­nesa diz que sua rea­li­dade foi brus­ca­mente alte­rada já há três anos, com o iní­cio da guerra na Faixa de Gaza. Reforça, porém, que os últi­mos meses, com o con­flito no Irã, dete­ri­o­ra­ram a situ­a­ção.

Com pelo menos 1,2 milhão de pes­soas des­lo­ca­das —mais de 20% da popu­la­ção—, o Líbano enfrenta uma crise huma­ni­tá­ria. “Não se trata ape­nas do aumento dos pre­ços”, diz Shehab ao se refe­rir à difi­cul­dade gene­ra­li­zada no abas­te­ci­mento. “Trata-se de pes­soas que já haviam per­dido a esta­bi­li­dade e agora estão per­dendo o que res­tava dela.”

O Exér­cito de Israel afir­mou à repor­ta­gem, por meio de um porta-voz, que as for­ças não têm “a inten­ção de cau­sar dano” aos liba­ne­ses. Segundo a cor­po­ra­ção, as tro­pas emi­tem aler­tas de reti­rada exa­ta­mente por enten­de­rem que é neces­sá­rio ata­car a infra­es­tru­tura do Hez­bol­lah, não os civis.

“Não existe outro Exér­cito no mundo que aban­done com­ple­ta­mente o ele­mento sur­presa e diga ao adver­sá­rio quando, por que e quem ata­cará”, afirma.

Antes da tré­gua, o inte­lec­tual pales­tino Yezid Sayigh, radi­cado em Bei­rute, disse em entre­vista à Folha que a estra­té­gia isra­e­lense de ope­ra­ção no Líbano pare­cia con­di­zente com o pre­nún­cio de uma guerra civil.

Com a manu­ten­ção de ata­ques após o acordo, Sayigh atu­a­liza sua aná­lise e afirma que a “des­trui­ção sis­te­má­tica e metó­dica de vilas e cida­des intei­ras” na região sul liba­nesa não tem mais “qual­quer obje­tivo mili­tar”.

A ope­ra­ção, diz ele, “serve à estra­té­gia mais ampla de des­trui­ção mas­siva, que não é ape­nas física”, remove “a pos­si­bi­li­dade de vida nes­sas áreas e inti­mida as popu­la­ções de paí­ses vizi­nhos”.

“Mais do que inti­midá-las, eli­mina ou des­trói sua capa­ci­dade de pro­du­zir, recons­truir, repa­rar e de res­tau­rar suas vidas”, acres­centa. “Isso é o que vimos em Gaza, e isso é o que esta­mos vendo no sul do Líbano.”

O pes­qui­sa­dor, que é mem­bro do Cen­tro Car­ne­gie para o Ori­ente Médio, com sede em Bei­rute, aponta para­le­los entre as incur­sões. Res­salta, porém, que, no caso de Gaza e da Cis­jor­dâ­nia, “há uma ala isra­e­lense ultra­na­ci­o­na­lista e ultrar­re­li­gi­osa pode­rosa no governo que busca a expul­são com­pleta de todos os pales­ti­nos e a rei­vin­di­ca­ção da terra para assen­ta­mento judaico”.

O Exér­cito isra­e­lense, por sua vez, rechaça a ideia de que haja des­trui­ção sis­te­má­tica no Líbano. “Em vez de des­truir uma aldeia com um esqua­drão da Força Aérea —como pode­rí­a­mos ter feito—, colo­ca­mos sol­da­dos den­tro da aldeia para mano­brar e arris­car suas vidas, ape­nas para garan­tir que este­ja­mos com­ba­tendo dire­ta­mente essas ame­a­ças, não ape­nas bom­bar­de­ando tudo e var­rendo a área.”

Segundo as For­ças Arma­das, o Hez­bol­lah mili­ta­ri­zou as aldeias do sul do Líbano e, por isso, Israel des­trói suas ins­ta­la­ções. “Cada casa tinha algum tipo de liga­ção com o Hez­bol­lah. Pode­ria ser uma arma, a entrada de um túnel, ban­dei­ras, ofi­ci­nas de fabri­ca­ção para arte­fa­tos explo­si­vos impro­vi­sa­dos”, diz. A cor­po­ra­ção afirma basear a acu­sa­ção em infor­ma­ções dos seto­res de inte­li­gên­cia obti­das com mora­do­res locais.

O Exér­cito afir­mou à repor­ta­gem que não pode deta­lhar estra­té­gias sobre Gaza e que não é pos­sí­vel com­pa­rar as ope­ra­ções. De todo modo, afirma haver para­le­los. “Há uma orga­ni­za­ção ter­ro­rista em cada lado, orga­ni­za­ções que ini­ci­a­ram guerra con­tra Israel. E nosso tra­ba­lho é garan­tir que elas não façam isso nova­mente.”

Fonte: Folha de São Paulo

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