Chegamos em Junho e as festas juninas ja estão a todo vapor no Brasil, tem milho, canjica, fogueira, muito forró e quadrilha. Por falar em quadrilha o nosso Brasil Varonil ta dando um show, um verdadeiro anarriê contra nossa soberania. Depois da ida do Flavio Bolsonaro aos EUA onde veio na bagagem a classificação do CV e do PCC como terroristas e que abre as portas para as forças americanas invadirem nossas terras, o Senador resolveu classificar o PIX como a mais nova força terrorista para os EUA e tambem como moeda de troca, onde o Brasil só perde. Seu irmão Eduardo Bolsonaro chegou a cogitar a substituição da ferramenta brasileira por um mecanismo usado nas terras do Tio Sam, conhecido como Zeele. Os bolsonaros resolveram fazer Zeele da gringa ao invés de fazer o L , digo! O Pix do Brasil.
A campanha eleitoral ja começou e qualquer deslize pode custar caro e isso tem acontecido com frequência na campanha do Flavio Bolsonaro. Vale lembrar que até hoje ele não conseguiu explicar e nem trazer documentos que comprovassem os gastos com o filme “Dark Pangaré” que conta a “magnífica” historia do seu Jair . Outro que saiu de cena foi o Deputado Mário Frias, o mutante mais uma vez usou dos seus poderes para dar aquela sumida cinematográfica e se exilar nos EUA, até hoje pelo menos. Os EUA viraram refúgio para para os parlamentares bolsonaristas e o Paraguai é o primo pobre para os eleitores desses parlamentares. Eduardo Bolsonaro continua tambem exilado por conta própria por lá, numa missão árdua, tentar gastar todo dinheiro que recebeu que ninguem sabe de onde veio e quem doou. Uma vida dificil numa mansão no Texas, vivendo quase na extrema pobreza , dependendo da bolsa Vorcaro pra sobreviver, pedindo ajuda aos seus seguidores por meio do Zeele, não mesmo, nessa hora ele usa o Pix, pois sabe que o sistema brasileiro é incomparável ao americano. Por essas e outras Lula tem subido nas pesquisas, mas a dança ta só começando e mais dois encontros da familicia com o Trump, Lula leva no 1° turno!
Por falar em Trump, essa semana ele divulgou que o Brasil sofrerá um novo tarifaço, notícia que fez o candidato da extrema direita aqui no Brasil correr pra dizer que não era o pai da criança. As redes não perdoaram e o “Tariflavio” colou nele. Basta lembrarmos que após o primeiro tarifaço, os bolsonaros gravaram diversos videos comemorando a medida do Laranjão. Nesse novo tarifaço nem precisa de DNA, pois ja ta claro quem é o pai, a mãe, os tios e até os padrinhos.
E Ciro Gomes que disse que os seus bolsonaristas são honrados. Oi?
O jornal The New York Times denunciou que o Exército de Israel usou bombas de fósforo branco contra a população do Líbano, o que voltou a colocar em discussão os riscos humanitários das armas incendiárias, capazes de provocar queimaduras graves em civis e destruição em áreas atingidas.
O fósforo branco é uma munição empregada em operações militares com diferentes finalidades estratégicas. Esse tipo de armamento pode ser usado para criar cortinas de fumaça, dificultar a identificação de movimentações de tropas, iluminar áreas de combate ou incendiar estruturas consideradas alvos militares.
Apesar de seu uso em contextos de guerra, o fósforo branco representa alto risco para populações civis quando empregado em áreas habitadas. O material pode causar queimaduras profundas e ampliar os danos em regiões onde há presença de moradores, infraestrutura urbana e serviços essenciais.
Histórico das bombas incendiárias
O uso de armas incendiárias em larga escala remonta à Primeira Guerra Mundial, período em que a aviação militar passou a desempenhar papel decisivo nos conflitos. Em 31 de maio de 1915, um dirigível alemão Zeppelin realizou um ataque aéreo contra Londres com bombas incendiárias, episódio apontado como um marco no emprego desse tipo de armamento.
Durante a Segunda Guerra Mundial, obuses de fósforo branco foram utilizados amplamente pelo Exército dos Estados Unidos. Naquele contexto, o uso foi direcionado contra tropas blindadas alemãs, em meio à expansão das operações militares no continente europeu.
Acusações em conflitos recentes
O emprego de armas incendiárias também marcou conflitos posteriores. Na Guerra do Vietnã, os Estados Unidos utilizaram bombas de napalm, enquanto a França recorreu a armamentos semelhantes durante a Guerra da Indochina, entre 1946 e 1954, feitos à base de combustível gelatinoso.
A partir dos anos 2000, diversos países passaram a ser acusados de usar fósforo branco em áreas de conflito. Em 2004, militares dos Estados Unidos teriam utilizado a munição em Fallujah, no Iraque, mesmo com a presença de civis na cidade, apontada como base de retaguarda de grupos terroristas.
Em 2009, Israel foi acusado de empregar fósforo branco contra palestinos em Gaza. Em 2014, a Rússia acusou a Ucrânia de utilizar esse tipo de munição na guerra do Donbass, no leste ucraniano. Quatro anos depois, em 2018, o Exército russo foi acusado de lançar fósforo branco contra a Síria.
As acusações também se estenderam à região de Nagorno Karabakh. Em 2020, Armênia e Azerbaijão trocaram denúncias sobre bombardeios contra áreas civis durante a disputa pelo território, reforçando o histórico de controvérsias envolvendo armas incendiárias em zonas de guerra.
Como o fósforo branco age no corpo das vítimas
Ao entrar em contato com o oxigênio, o fósforo branco entra em combustão e produz calor intenso, fumaça tóxica e partículas capazes de aderir à pele. Nas vítimas, o efeito pode combinar queimaduras térmicas e químicas, com lesões profundas, extremamente dolorosas e de difícil cicatrização, segundo a Organização Mundial da Saúde.
O risco é agravado porque fragmentos do material podem permanecer nos tecidos e voltar a queimar quando expostos novamente ao ar. A OMS aponta que as áreas atingidas podem apresentar necrose e queimaduras de espessura total, enquanto a exposição severa pode provocar efeitos sistêmicos retardados, incluindo danos ao fígado e aos rins, colapso cardiovascular, coma e morte.
Além das lesões na pele, a fumaça gerada pelo fósforo branco pode afetar as vias respiratórias. Autoridades de saúde pública dos Estados Unidos registram que a inalação pode causar irritação no nariz e na garganta, tosse e falta de ar, enquanto exposições substanciais podem atingir órgãos vitais, como coração, fígado e rins.
Em áreas povoadas, esses efeitos ampliam o potencial de dano contra civis, especialmente quando a munição se espalha pelo ar antes de atingir o solo. A Human Rights Watch afirma que o uso de fósforo branco em Gaza e no Líbano coloca populações civis sob risco de ferimentos graves e duradouros.
Crime de guerra
O uso de fósforo branco não é proibido em todas as situações pelo direito internacional, mas pode configurar crime de guerra quando atinge civis, bens civis ou áreas povoadas de forma indiscriminada. A munição é regulada como arma incendiária pelo Protocolo III da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, adotada em 10 de outubro de 1980 e em vigor desde 2 de dezembro de 1983.
O Protocolo III proíbe, em qualquer circunstância, transformar civis, a população civil ou bens civis em alvo de ataque com armas incendiárias. O texto também veta ataques aéreos com armas incendiárias contra objetivos militares localizados dentro de concentrações de civis, como cidades, vilas, campos de refugiados ou grupos de deslocados.
Na prática, isso significa que o crime não decorre apenas da existência do fósforo branco, mas da maneira como ele é usado. Quando lançado sobre áreas habitadas, o armamento pode violar princípios básicos do direito internacional humanitário, como distinção entre combatentes e civis, proporcionalidade e precaução nos ataques. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirma que as restrições do Protocolo III existem justamente para proteger civis e bens civis dos efeitos das armas incendiárias.
Há, porém, uma brecha jurídica relevante. Organizações de direitos humanos apontam que o Protocolo III deixa de fora certas munições de uso múltiplo, como projéteis de fósforo branco empregados principalmente para produzir fumaça, marcar alvos ou iluminar o campo de batalha, ainda que possam causar incêndios e queimaduras graves. A Human Rights Watch defende que essa lacuna enfraquece a proteção de civis e pede regras mais rígidas sobre armas incendiárias.
No caso de Israel, a discussão jurídica é ainda mais complexa porque o país é parte da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, mas não é parte do Protocolo III, segundo registros citados por entidades internacionais. Ainda assim, especialistas e organizações de direitos humanos sustentam que ataques indiscriminados contra civis podem violar normas gerais do direito internacional humanitário, independentemente da adesão formal ao protocolo específico sobre armas incendiárias.
Desde os anos 1980, portanto, o direito internacional passou a impor limites específicos ao uso de armas incendiárias. O marco jurídico é o Protocolo III, de 1980, em vigor desde 1983. A partir desse período, ataques com esse tipo de armamento contra civis ou em concentrações de civis passaram a ser enquadrados como violações graves das leis de guerra, podendo configurar crime de guerra conforme as circunstâncias concretas de cada caso.
Presidente chega ao topo do IDP após desgaste de Flávio Bolsonaro com áudios ligados a Daniel Vorcaro
A divulgação de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, alterou o cenário digital entre presidenciáveis monitorados pela Datrix e levou o presidente Lula (PT) ao primeiro lugar do Índice Datrix de Presidenciáveis, o IDP, segundo a Exame.
Pela primeira vez desde dezembro de 2025, Flávio Bolsonaro perdeu a liderança do levantamento, que mede a performance digital de possíveis candidatos ao Palácio do Planalto. Lula encerrou maio com 24,45 pontos, enquanto o senador caiu para 21,78 pontos, no que a Datrix classificou como a maior queda absoluta registrada desde o início do monitoramento.
O levantamento também apontou retração no desempenho de Romeu Zema (Novo) e Renan Santos, do Missão. Ronaldo Caiado (PSD), por sua vez, foi o nome que apresentou a menor oscilação entre os políticos acompanhados.
Segundo João Paulo Castro, cofundador e CEO da Datrix, a mudança na primeira posição não decorreu de uma forte alta de Lula, mas do desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro após a crise. “Ninguém melhorou. O Lula ficou parado. O Lula teve um comportamento muito semelhante ao dos últimos meses. O Flávio e o Zema é que achataram”, afirmou ele à Exame.
O IDP avalia mensalmente o desempenho digital de possíveis candidatos à Presidência a partir de quatro eixos: redes próprias, repercussão e menções feitas por apoiadores, imprensa, influenciadores e lideranças políticas, tonalidade das citações e interesse de busca dos usuários em plataformas digitais. O monitoramento acompanha os presidenciáveis há cerca de 18 meses.
Flávio Bolsonaro liderava o ranking desde dezembro, mas viu sua posição se deteriorar após a publicação, em 13 de maio, de áudios divulgados pelo Intercept Brasil. O material envolvia recursos milionários destinados ao filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com a Datrix, o episódio provocou uma mudança no chamado “mar aberto”, indicador que mede a percepção sobre o político fora de seus canais controlados. A pontuação de Flávio passou de positiva para negativa ao longo do mês, enquanto o volume de menções quase dobrou.
“O caso alterou o comportamento das redes sobre o Flávio Bolsonaro. Pela primeira vez, aquilo que ele herdou do legado digital do pai se reverteu. Houve uma quantidade muito grande de pessoas falando sobre ele, mas de forma negativa”, disse Castro.
Apesar de ter recuperado parte do desempenho no fim de maio, após agenda nos Estados Unidos e encontro com Donald Trump, Flávio Bolsonaro não conseguiu compensar as perdas acumuladas no mês. A pontuação diária voltou a subir nos últimos dias do período, mas o senador terminou abaixo de Lula pela primeira vez desde sua entrada no monitoramento.
A crise também atingiu outros nomes do campo da direita. Romeu Zema, que havia ganhado destaque em abril após embates com o Supremo Tribunal Federal (STF), registrou a maior queda percentual do ranking. O recuo foi de 42%, de 21,13 para 12,19 pontos.
Para Castro, Zema foi impactado por ter sido o primeiro nome do campo conservador a criticar publicamente Flávio Bolsonaro. “Quando ele atacou o rival, acabou recebendo muitos ataques da própria base bolsonarista”, afirmou.
Renan Santos também sentiu os efeitos da crise. Embora tenha ampliado sua visibilidade durante o episódio, o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) viu piorar a qualidade das interações. O volume de menções cresceu, mas o engajamento de sua própria base diminuiu.
“O Renan conseguiu aparecer mais quando criticou o Flávio, mas parte da base não acompanhou esse movimento. Ele ganhou exposição, mas perdeu qualidade de engajamento”, disse o CEO da Datrix.
Entre os nomes analisados, Ronaldo Caiado foi o mais estável. O governador de Goiás encerrou maio com 11,63 pontos e teve a menor variação do grupo. Na avaliação de Castro, a postura mais cautelosa diante da crise ajudou a preservar seu capital digital, embora o desafio de ampliar alcance e volume de menções permaneça.
No caso de Lula, a Datrix avalia que a liderança foi favorecida por um contexto externo mais positivo. A melhora da aprovação do governo em pesquisas, o encontro com Trump na Casa Branca e anúncios de programas federais contribuíram para tornar o ambiente digital mais favorável ao presidente.
Ainda assim, Castro afirma que o desempenho de Lula permaneceu próximo ao observado nos meses anteriores. “O Lula fez um gol jogando parado. Se você está ganhando sem gerar desgaste, escolha com mais cuidado os temas em que vai entrar”, declarou.
Para os próximos meses, o CEO da Datrix projeta uma nova etapa na disputa digital. Depois de maio ter sido marcado pelo caso Vorcaro, os possíveis candidatos deverão definir como tratar novos temas sem abrir espaço para ataques de adversários.
Um dos focos do governo é associar Flávio Bolsonaro à possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Após a visita do senador a Washington, a gestão Trump anunciou que pode aplicar tarifas de 25% ao Brasil, acusou o país de trabalho forçado e ameaçou outra tarifa de 12,5%.
Na leitura de Castro, Lula entra nesse cenário em posição mais confortável, com indicadores favoráveis e maior margem para escolher as pautas em que pretende atuar. O possível tarifaço aparece como um dos principais testes da disputa digital.
“Ele pode arriscar menos. As tendências estão mais claras para ele do que para os demais candidatos”, disse o especialista.
O pesquisador avalia que o presidente tenta transformar a discussão sobre tarifas em um tema politicamente desfavorável para Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a reação da base bolsonarista ao episódio será decisiva para indicar se a recuperação observada no fim de maio terá continuidade ou se o caso Vorcaro seguirá afetando a reputação digital do senador.
Para os demais nomes da direita, o desafio segue concentrado em encontrar pautas capazes de ampliar alcance e engajamento sem provocar rejeição dentro do próprio eleitorado conservador. Segundo Castro, esse equilíbrio será determinante para definir quem conseguirá aproveitar a reorganização do ambiente digital nos próximos meses.
O governo Trump desferiu ataques ao Brasil que mostram com qual “química” ele trabalha. Em 28 de maio classificou o PCC e o CV como grupos terroristas. A medida serve para os EUA, pela sua lei, imiscuir-se em assuntos internos de outro país.
EEsta semana, anunciou taxações de 25% e depois mais 12,5% aos produtos brasileiros. As medidas vem da investigação comercial do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, em inglês), iniciada em julho de 2025, depois que Trump foi obrigado pela justiça a recuar de parte do tarifaço geral de 50%.
Todos os leitores sabem que os ataques de Trump se dão num ano eleitoral, após a visita de Bolsonaro Jr., mesmo se ele jure que não tem nada a ver.
O relatório do USTR, travestido de análise técnica, é uma aberração. Fiquemos em três pontos:
Balança comercial: retoma a cantilena de que no comércio entre os dois países, os EUA estão em desvantagem. Quando na verdade o Brasil é que é deficitário há 15 anos, uma manipulação fraudulenta.
Pix: o USTR classifica o Pix de prática “injusta e discriminatória”. Injusta para quem? Para o povo estadunidense, não! Para os brasileiros que aderiram amplamente ao Pix, não! Sem disfarce, explica que a prática é injusta por causa da gratuidade, e o destaque no sistema nos aplicativos bancários impõe ônus e prejuízos às gigantes americanas de meios de pagamento, como Visa, Mastercard e PayPal.
Trabalho escravo, trabalho forçado: o USTR posa de preocupado com o trabalho escravo e o trabalho forçado. Um setor denunciado por trabalho escravo foi a pecuária. Mas atenção, a carne bovina ficou fora da taxação!
Dois dias depois, o USTR propõe uma tarifa extra de 12,5% aos países que não teriam adotado medidas suficientes para impedir produtos ligados ao trabalho forçado ou reforçar mecanismos de fiscalização. Ora, o USTR devia investigar a exploração do trabalho forçado dos presos nos EUA e a submissão de imigrantes ao trabalho em condições análogas à escravidão.
Primeiro, a hipocrisia. Segundo, quem deve resolver os problemas do Brasil é o Brasil
Reciprocidade neles!
O governo brasileiro estima uma queda de 21% das exportações para os EUA. Para os trabalhadores isso não pode significar desemprego, cabe proteção do governo.
Lula desmascarou as inverdades do relatório da USTR. Nota do governo brasileiro diz: “O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional”.
Aprovada em 2025 pelo Congresso, a lei já regulamentada pelo governo, é um instrumento de defesa comercial que autoriza o Brasil a aplicar contramedidas unilaterais. Como tarifas adicionais de importação, restringir o comércio e suspender concessões comerciais ou de investimentos.
O recado do FMI: parem de gastar com bobagens!
Em outra frente, mas do mesmo lado barricada, um relatório do FMI desta 2ª feira recomenda que para o Brasil melhorar sua “credibilidade fiscal”, é preciso “reformas para enfrentar a rigidez das despesas” (Valor 2/06). Leia-se os pisos constitucionais com saúde e educação.
Guerras e pressão para cortar os serviços público; ingerência contra a soberania; perseguição aos imigrantes nos EUA: são pratos do único cardápio que o imperialismo tem a oferecer. Em 1916 Lenin escreveu que a fase imperialista do capitalismo era a reação em toda linha. Mais de um século depois, este é menu oferecido pelos poderosos do mundo. Mas os trabalhadores não se mostram dispostos a engoli-lo.
No primeiro turno, no último domingo, o candidato da extrema-direita Abelardo De la Espriella obteve 43,73% dos votos e o candidato da esquerda Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Petro, ficou em segundo lugar com 40,91%. Mas houve uma abstenção ainda alta de 42,78%, portanto, é possível uma virada no segundo turno em 21 de junho.
O presidente Trump apoiou a eleição Abelardo. Há denúncias de fraude na apuração da empresa contratada Thomas Greg & Sons.
Após o pleito, a burguesia reposicionou-se. A candidata Paloma Valência da direita tradicional que implodiu com menos de 7% dos votos, em terceiro lugar, anunciou apoio a De la Espriella, assim como o Partido Conservador.
Nas pesquisas havia um clima de favoritismo, em parte assumido no entorno de Cepeda. Mas houve uma ofensiva da extrema-direita que utilizou robôs nas redes sociais, medo e desinformação, além da pressão dos paramilitares que, na Colômbia, dominam certos territórios.
Petro foi eleito com uma proposta de “Paz Total” com os guerrilheiros das FARC e ELN negociados por Cepeda (o ELN não assinou), mas nos últimos meses houve um recrudescimento da violência explorado pela direita.
Abelardo defende a construção de mega-presídios no modelo de Bukele em El Salvador e o fim da “Paz Total”. Quer reduzir impostos para empresários e uma flexibilização trabalhista.
Cepeda defendeu o legado de Petro que inclui uma reforma agrária parcial e o aumento do salário mínimo, mas que não resolveu o problema na saúde privada. A melhor opção de Cepeda é aprofundar a mobilização em todo o país com um programa de medidas concretas que atraia os abstencionistas, numa campanha dirigida aos setores populares.
Alguns materiais de segundo turno de Cepeda vão na boa direção, como o cartaz pela estabilidade do trabalho, seguridade e saúde universal. Na Colômbia a precarização do trabalho é maior do que no Brasil e a insegurança na vida sindical muito maior.
É verdade que Petro chamou mobilizações de massa em defesa de medidas travadas no Congresso onde é minoria. Mas se, por isso, algumas vezes levantou a bandeira da Assembleia Constituinte, não foi consequente.
A “guerra aos cartéis” começou há quase 40 anos na Colômbia. Há pelo menos sete bases militares de “cooperação temporária” dos EUA que não foram questionadas. Mais que simbólicas, são como um porta-aviões em solo sul-americano.
Como se vê, há questões de fundo a serem ainda debatidas. Mas em todos os casos será melhor com Cepeda no governo.
A vitória de De la Espriella seria um ponto para o “Escudo das Américas” de Trump (Colômbia, Brasil e México não haviam sido “convidados”).
Há expectativa na América Latina sobre o resultado eleitoral, se espera que Cepeda se desembarace do curso dos governos progressistas vitimados por suas contradições (Chile e Bolívia, por exemplo). Em todos os casos, as forças independentes dos trabalhadores têm lições a tirar para avançar na luta pela emancipação.
O DCM obteve uma circular, distribuída pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, que orienta escolas da rede pública a desenvolver atividades pró-sionismo utilizando materiais produzidos pela ONG StandWithUs Brasil, que se apresenta como uma “organização educacional de combate ao antissemitismo” e é presidida por André Lajst, figura obrigatória da mídia na cobertura do genocídio em Gaza.
A iniciativa é do governo Tarcísio de Freitas, aliado da família Bolsonaro e um dos governadores brasileiros que mais se aproximaram de Israel nos últimos anos. Tarcísio esteve com o premiê Benjamin Netanyahu em 2024 e, no ano seguinte, enviou seu principal auxiliar, o secretário da Casa Civil, Arthur Lima, a uma missão oficial no país.
Chamado de “Circuito Educacional”, o material foi encaminhado oficialmente às unidades escolares por meio de ofício da Secretaria da Educação e integra atividades pedagógicas voltadas a professores e estudantes do ensino médio com o tema “Antissemitismo: Passado, Presente e Futuro”.
De acordo com a cartilha, a ideia é “estabelecer diálogo com professores das diferentes áreas do conhecimento e com o trio gestor, buscando integrar o Circuito ao cotidiano escolar”. O ofício disponibiliza seis conjuntos de apresentações em PowerPoint, organizados por semana, destinados aos encontros com os alunos, que são orientados a produzir textos e um minidocumentário sobre o tema.
“É claro que nós somos contra toda forma de xenofobia ou racismo, é claro que não somos antissemitas, mas isso é uma tentativa de lavar a imagem do Estado de Israel e da violência do sionismo através do governo paulista”, diz o educador Daniel Cara, cientista político e professor da Faculdade de Educação da USP.
Não aparecem nas apresentações referências à invasão dos territórios palestinos, à expansão dos assentamentos israelenses, às violações de direitos humanos feitas por organismos internacionais ou às interpretações palestinas sobre a origem e a continuidade do conflito.
Embora apresentada como uma ação de combate ao antissemitismo e uma defesa de dois estados, a documentação mostra que os conteúdos são propaganda sionista, com interpretações específicas sobre o país, baseadas em autores identificados com o sionismo contemporâneo.
O vínculo com a StandWithUs fica explícito no material adotado, que exibe o logotipo da entidade e sua mensagem institucional: “Nós acreditamos que a educação é o caminho para a paz”. O autor usado como principal referência, o israelense-americano Yossi Halevi, parece pensar diferente. Em entrevista ao Estadão, ele declarou: “Não é hora de falar de paz, precisamos defender o Estado de Israel”.
O livro de Halevi “Cartas ao meu vizinho palestino” é a base do projeto. Ele foi soldado em uma unidade das Forças de Defesa de Israel que patrulhava a Faixa de Gaza na Primeira Intifada, entre 1987 e 1993.
“A fim de permitir que o outro lado obtenha certa medida de justiça, cada lado deve impor a si mesmo alguma medida de injustiça”, escreve o ex-soldado em seu livro, ao defender o que chama de “justiça distributiva”. A partir da perspectiva sionista, a injustiça deixa de ser algo a ser corrigido e passa a ser apresentada como condição para alcançar a própria justiça.
O DCM conversou sobre o projeto com uma professora de Osasco (SP), que preferiu se manter anônima por razões de segurança. “Esse projeto vem via sala de leitura, ou seja, ele vai estar com profissionais provavelmente da área de Letras, que não são gabaritados para fazer um contraponto”, alerta.
“Vai haver, sob a perspectiva do Estado de São Paulo, a criação de uma narrativa oficial, com argumentos quase científicos, de que o que está acontecendo é correto, chancelando essa ação de terror, de morte e de guerra que estamos vendo na Palestina e no Líbano. Assim, é criada uma narrativa única dentro de uma escola, como se fosse a versão oficial dos fatos”.
Há um farto palavrório sobre a Guerra dos Seis Dias, entre 5 e 10 de junho de 1967, quando Israel ocupou Jerusalém Oriental, a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e as Colinas de Golã. O conflito terminou com uma vitória rápida e decisiva das forças israelenses sobre os exércitos árabes liderados principalmente pelo Egito de Gamal Abdel Nasser.
“A existência do Estado de Israel estava por um fio”, declarou o então primeiro-ministro Levi Eshkol. Segundo essa narrativa, a ofensiva teria impedido uma tentativa árabe de destruir Israel e evitado o que autoridades classificaram como um possível “segundo Holocausto”.
Essa interpretação, porém, passou a ser contestada por integrantes do próprio establishment militar israelense. Um dos críticos mais conhecidos foi o general Matituahu Peled, que integrou o Estado-Maior durante a guerra. Em março de 1972, ele afirmou que a ideia de que Israel enfrentava uma ameaça de genocídio em junho de 1967 havia sido construída posteriormente.
O conteúdo parece confundir antissemitismo com sionismo, o que demonstra um vínculo com o projeto da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que propôs interpretar o antissemitismo como uma forma de racismo para censurar quem faz críticas a Israel.
No Brasil, o Conselho Nacional de Direitos Humanos criticou a adoção da definição. Em nota técnica, o órgão afirmou que ela é “inconstitucional” e que “introduz conceitos distorcidos de antissemitismo para perseguir e condenar quem se manifesta contrário às políticas do Estado de Israel”.
Em outro trecho, os alunos são convidados a refletir sobre a “disputa territorial” entre israelenses e palestinos a partir da frase: “Por que estamos discutindo sobre quem é o dono da terra quando no final a terra será proprietária de nós dois?”.
O material propõe ainda uma discussão sobre o que chama de “cerne do conflito israelo-palestino”, identificado como “o muro entre nós”, e questiona os estudantes sobre o significado da “barreira” construída por Israel e as razões de sua existência.
A empresária Karina Ferreira da Gama, sócia do deputado federal Mário Frias (PL-SP) e produtora do filme “Dark Horse”, recebeu R$ 2,5 milhões da Prefeitura de São Paulo para a realização de um evento literário gospel de três dias em que contratou – com o dinheiro público – a esposa do pastor Silas Malafaia, Elizete Malafaia, para palestrar durante uma hora sobre “Empoderamento Feminino e Família”. O cachê pago foi de R$ 50 mil.
Além da esposa do pastor bolsonarista, também foi contratada, entre outros pastores, apresentadores e escritores evangélicos (veja mais abaixo), a pastora Ana Paula Valadão, irmã de André Valadão, dono da Igreja da Lagoinha de Belo Horizonte e guru espiritual de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do extinto Banco Master. Por uma palestra de uma hora sobre “desenvolvimento pessoal”, o povo paulistano pagou R$ 50mil a Ana Paula Valadão.
A contratação do evento se deu em 14 de agosto de 2018, e sua relização aconteceu de 27 a 30 de setembro do mesmo ano, no auditório Elis Regina, no complexo do Pavilhão do Anhembi, na zona norte da capital paulista.
Trecho de contrato de R$ 2,5 milhões assinado pela atual chefe de gabinete no governo Tarcísio e pela dona da produtora que fez o filme de Jair Bolsonaro (crédito: Prefeitura de São Paulo)Trecho de contrato de R$ 2,5 milhões assinado pela atual chefe de gabinete no governo Tarcísio e pela dona da produtora que fez o filme de Jair Bolsonaro (crédito: Prefeitura de São Paulo)
1 – Elizete Malafaia, esposa de Silas Malafaia: R$ 50 mil
A pastora Elizete Malafaia, junto com seu marido, Silas, e Michelle Bolsonaro (crédito: reprodução)
Elizete Malafaia foi contratada por R$ 50 mil para ministrar uma palestra de uma hora sobre “empoderamento feminino e família”. Na justificativa de Karina da Gama para a contrataçãoi consta que Elizete é “psicóloga, bacharel em teologia, terapeuta de família, conferencista e coordenadora do Grupo de Terapeutas Cristãos. Ela é autora de diversos livros e mensagens em DVD com temas voltados para a mulher no contexto pessoal, profissional, familiar e espiritual.”
Trecho de documento assinado por Karina da Gama para justificar a contratação de uma palestra de uma hora de Elizete Malafaia por R$ 50 mil (crédito: Prefeitura de São Paulo)
2 – Ana Paula Valadão, irmã de André Valadão, da Igreja da Lagoinha: R$ 50 mil
A pastora Ana Paula Valdão, irmã de André Valadão, dono da Igreja da Lagoinha e guru de Daniel Vorcaro (crédito: reprodução)
Karina da Gama justificou sua contratação por R$ 50 mil para uma palestra de uma hora sobre “empoderamento feminino e família” dizendo que “Sônia Hernandes é empresária, escritora, apresentadora de televisão, compositora e primeira Bispa do Brasil.”
4 – Paulo Vieira, coach antipetista e consultor de Ricardo Nunes (MDB): R$ 50 mil
Ricardo Nunes e o coach Paulo Vieira (crédito: montagem/DCM)
Reportagem exclusiva do DCM mostra mamata bolsonarista com dinheiro público
A empresária Karina Ferreira da Gama, sócia do deputado federal Mário Frias (PL-SP) e produtora do filme “Dark Horse”, assinou contratos e recebeu verbas públicas de, pelo menos, 51 municípios e estados espalhados pelas cinco regiões do país.
Os valores vão de mais de R$ 100 milhões a dezenas de milhares de reais, e os contratos foram firmados com entes públicos como o Estado de São Paulo, o Distrito Federal, os municípios de Babaçulândia (TO), Cascavel (PR), Macapá (AP) e Redenção do Gurguéia (PI).
Já no Distrito Federal, durante a gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), Karina da Gama firmou um contrato com a Secretaria de Educação em 22 de dezembro de 2023, por R$ 4 milhões, para um projeto que teria duração de um ano. Posteriormente, foi assinado um aditivo, como pode se ver no documento abaixo, ou clicando aqui.
Trecho do Diário Oficial do DF que traz aditivo contratual elevando para R$ 5 milhões o valor pago a ONG de Karina da Gama (crédito: DODF)
O projeto previa capacitação de professores, uso de impressoras 3D, kits de eletrônica, plataformas digitais, ferramentas de monitoramento pedagógico e laboratórios móveis chamados de “Smart Labs”. O plano de trabalho também menciona uso de ferramentas como Google Analytics, Tableau, Google Forms, Zoom, Microsoft Teams e sistemas digitais de monitoramento.
Já com o município de São Paulo, foram pelo menos sete contratos e aditivos, para a realização de três eventos literários gospel (um por ano de 2023 a 2025) e para a instalação de antenas de wi-fi em bairros da periferia. Ao todo, a administração Ricardo Nunes entregou mais de R$ 108 milhões à produtora do filme de Jair Bolsonaro, tornando o povo paulistano o maior financiador dos negócios de Karina, ultrapassando inclusive o banqueiro Daniel Vorcaro, que contribuiu com R$ 60 milhões.
Um desses contratos é o “TERMO DE FOMENTO Nº 03/SMIT/2023“, assinado no dia 17 de outubro de 2023 por Karina Ferreira da Gama e sua ONG e pela Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 500 mil.
Trecho de contrato de R$ 500 mil entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG de Karina da Gama
O que o site do ex-presidiário Luiz Estevão não conta é o que a própria Karina da Gama assume e enumera nas páginas 10 e 11 do contrato: a sua ONG ICB recebeu verbas públicas de 49 prefeituras espalhadas pelo Brasil, além do Estado de São Paulo e do Distrito Federal, e isso apenas entre os anos de 2017 e 2022.
Entre os contratos firmados e serviços “prestados” estão:
– Elaboração e desenvolvimento da metodologia de laboratórios de robótica em escolas do ensino público municipal nas cidades de Barra do Santa Rosa (PB), Macapá (AP), Engenheiro Coelho (SP) e Buíque (PE).
– Execução de programa de diagnóstico e capacitação para o terceiro setor chamado “Frente a Criança e ao Adolescente”, do governo do Estado de São Paulo.
– Projeto social de Fórmula Truck/Fórmula Truck Kids, contratado tanto pela prefeitura de Cascavel (PR) como pelo governo do Distrito Federal.
Veja a lista completa de projetos com 51 entes públicos que contrataram a produtora do filme “Dark Horse”, conforme listados pela própria Karina da Gama, em documento público da Prefeitura de São Paulo, reproduzido abaixo.
Karina da Gama lista todas as cidades e estados que entregaram verbas públicas à sua ONG até o ano de 2022 (crédito: ICB)Karina da Gama lista todas as cidades e estados que entregaram verbas públicas à sua ONG até o ano de 2022 (crédito: ICB)
Curiosamente, o site do ICB esconde quase todos esses projetos e contratos, exibindo apenas sete. Por que será?
É o empresário que mais aparece na lista do trabalho escravo
Na atualização mais recente do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo, uma carvoaria é o nome que aparece mais vezes. A Mata Fria, de Grajaú, no sudeste do Maranhão, consta cinco vezes na relação, mas essa é apenas uma parte da complexa relação de negócios do empresário Sirlei Martins Amaral, conhecido como Ferinha.
O mapeamento do Brasil de Fato mostra que empresas do Ferinha acumulam dívidas trabalhistas que beiram os R$ 19 milhões e multas ambientais que ultrapassam R$ 51 milhões, e algumas delas aparecem ao menos dez vezes na atual versão da Lista Suja.
Operações conduzidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgataram ao menos 16 trabalhadores em condições análogas à escravidão das propriedades de Ferinha e no sistema do ministério constam ao menos 508 autos de infração às leis trabalhistas.
O Brasil de Fato investigou os artifícios utilizados por Ferinha para operar uma máquina com ao menos 12 CNPJs, representantes laranjas e fornecimento de carvão para a Viena Siderúrgica S/A, empresa de Açailândia (MA), que figura entre as maiores produtoras de ferro-gusa do país e tem receita líquida anual superior a R$ 1 bilhão.
“A produção de carvão vegetal já vem, ao longo da série histórica, desde 1995, com mais de 4 mil trabalhadores resgatados. Está entre as atividades com mais resgates no país”, afirma Luciano Aragão, procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) no Maranhão e coordenador nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas.
Para Aragão, o carvão vegetal também deve ser lido dentro da lógica de expansão do agronegócio sobre o Cerrado. “Esse carvão está associado à expansão da fronteira agrícola sobre o Cerrado maranhense para o plantio da soja”, diz.
No chão das fazendas, as violações atribuídas a Ferinha incluem manter pessoas trabalhando por mais de um mês sem folga, trabalhadores que não podem dormir e o desmatamento ilegal de floresta nativa para alimentar as carvoarias.
O carbonizador não dorme
O trabalho nas carvoarias ligadas a Sirlei Martins Amaral era organizado em ciclos longos, de 30 a 45 dias, nos quais os trabalhadores permaneciam nas fazendas até a chamada “baixada”, período curto de folga em que recebiam o pagamento e podiam voltar para casa. Até lá, segundo fiscalizações do MTE, a rotina avançava sobre domingos, feriados, noites e madrugadas.
A função mais marcada por esse desgaste é a do carbonizador, responsável por acompanhar a queima da madeira nos fornos. “O carbonizador é responsável por um processo que tem que ser monitorado por 24 horas”, afirma o auditor-fiscal do trabalho Ivano Rodrigues Sampaio, que participou de fiscalizações em carvoarias ligadas a Ferinha no Maranhão.
Na prática, segundo ele, a estrutura encontrada pelas equipes não permitia descanso regular. “Tinha que ter no mínimo quatro carbonizadores para fazer turnos de 12 por 36 [horas], mas lá só tinha um carbonizador em cada UPC”, afirma, em referência às unidades de produção de carvão. Esses trabalhadores eram responsáveis por monitorar baterias que podiam reunir dezenas de fornos, em rondas sucessivas ao longo do dia e da noite.
“O carbonizador não dorme para controlar a qualidade do carvão”, afirmam Mariana de la Fuente, secretária-executiva do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán (CDVDH/CB), organização que atua na região e ajuda a organizar as denúncias de violações dos direitos dos trabalhadores. Segundo ela, o trabalho precisa ser constante para impedir que a produção seja perdida e, ao mesmo tempo, cumprir padrões de qualidade exigidos pela cadeia compradora.
Luciano Aragão, procurador do MPT, descreve a privação de sono como um dos elementos centrais dos resgates em carvoarias. “O carbonizador tem que ficar atento o tempo todo, visitando os fornos de hora em hora. Esses trabalhadores ficavam 15 a 20 dias numa sequência sem dormir, sendo responsáveis pela queima”, descreve.
Além dos carbonizadores, as operações de fiscalização resgataram as cozinheiras dos empreendimentos de Ferinha. No caso da Fazenda Mirador, Lindalva de Araújo Rocha, pessoa com deficiência auditiva, era a única responsável pela cozinha e pela higienização do espaço usado por dezenas de trabalhadores. Sua jornada de trabalho se estendia das 4h às 19h, com um intervalo após o almoço.
“Resgatamos cozinheiras por jornada exaustiva porque havia uma única mulher para fazer café, almoço e janta para 50 ou 60 trabalhadores, além de lavar louça e limpar o alojamento e os banheiros”, afirma Aragão.
As condições encontradas nas carvoarias revelam uma mudança na forma como o trabalho escravo aparece nas fiscalizações. Nem sempre o alojamento é o primeiro sinal da violação. “Hoje o trabalho escravo está maquiado. Você chega e vê uma hospedagem, tem ar-condicionado, internet, sim, mas são os trabalhadores que pagam e estão numa jornada de 45 dias sem folga, com mais de 18 horas diárias”, afirma Fuente.
Segundo medições realizadas pelo MPT em carvoarias do grupo, os trabalhadores também estavam submetidos a respirar fumaça e fuligem muito acima dos índices saudáveis. Os níveis de material particulado fino atingiram 999,9 microgramas por metro cúbico, valor 66 vezes acima do limite diário de 15 microgramas por metro cúbico recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Um grupo, vários CNPJs
A estrutura operada por Sirlei Martins Amaral não se resume a uma carvoaria. Segundo investigações da Polícia Federal (PF), relatórios trabalhistas e apurações do Ministério Público do Trabalho (MPT), empresas formalmente separadas atuavam como partes de uma mesma engrenagem produtiva. Em representação enviada à Justiça Federal para pedir a prisão de Ferinha, a PF foi direta ao afirmar que, embora aparecesse como 12 pessoas jurídicas distintas, “trata-se de uma empresa só”.
Isso é possível conferir nas relações societárias, no compartilhamento de trabalhadores, na concentração administrativa em Grajaú (MA) e no destino da produção. “Todo mundo falava: ‘A carvoaria aqui é do Sirlei’. Quem é o patrão? ‘É o Sirlei’. Quem vende o carvão? ‘É o Sirlei’”, relata Ivano Rodrigues Sampaio.
Para o auditor, a pulverização empresarial funcionava como forma de diluir responsabilidades. “Em uma carvoaria, tinha empregado de oito empresas diferentes. Ele poderia ter uma empresa para transportar e outra para refeição, mas ele tinha o carbonizador de uma e o forneiro de outra para pulverizar a responsabilidade.”
Segundo os documentos analisados pela reportagem, diferentes empresas funcionavam a partir de um mesmo endereço em Grajaú (MA), e gerentes vinculados à Mata Fria administravam trabalhadores de outras unidades produtoras. Em alguns resgates, mesmo quando a carvoaria estava formalmente registrada em outro nome, o pagamento de verbas rescisórias saiu de uma conta bancária da Mata Fria.
Mariana de la Fuente afirma que a criação de CNPJs em nome de terceiros faz parte do modo de operação atribuído a Ferinha. “Ele estimula chefes de grupos de trabalhadores a abrirem CNPJs novos em seus nomes para que fiquem no controle dele”, dizem.
É o caso de Itamar Ribeiro da Costa, um ex-funcionário de Amaral. De acordo com dados da Receita Federal, Costa passou a constar, a partir de 31 de julho de 2024, como único sócio da Mata Fria, empresa que colocou Ferinha cinco vezes na Lista Suja do Trabalho Escravo. Durante uma fiscalização ocorrida em 2025 em uma das carvoarias da Mata Fria, a encarregada pelo local afirmou que Ferinha era o verdadeiro dono do negócio e que havia conhecido Costa em outra fazenda, onde atuava como carbonizador.
De acordo com apuração do Brasil de Fato, nesse período, a Mata Fria e ao menos outras duas empresas de Amaral passaram para o nome de Costa. No final de 2025, todas voltaram a pertencer juridicamente a Ferinha.
Prisão e volta às mesmas condutas
Em 2022, a Polícia Federal pediu a prisão preventiva de Sirlei Martins Amaral e a suspensão das atividades de empresas ligadas a ele no âmbito da Operação Sem Descanso. O pedido apontava reiteração das práticas de submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão, mesmo após fiscalizações e autuações anteriores.
Ferinha foi preso preventivamente em 10 de novembro de 2022. No dia 22 do mesmo mês, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) substituiu a prisão preventiva pela domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados e fiança de R$ 100 mil.
Em 2 de março de 2023, o juiz federal Cláudio Cezar Cavalcantes revogou a prisão domiciliar e a monitoração eletrônica. A decisão manteve, no entanto, a obrigação de acompanhar os atos processuais, manter endereço atualizado e não manter contato com os demais indiciados da Operação Sem Descanso, salvo familiares também investigados.
Nos autos, a PF aponta que a rede atribuída a Ferinha se apoiava em uma estrutura familiar, na qual parentes próximos apareciam como sócios, administradores ou representantes formais de empresas do grupo.
No período a partir de 2023, empresas ligadas a Amaral receberam 240 autos de infração do Ministério do Trabalho e Emprego, segundo levantamento do Brasil de Fato.
O carvão do desmatamento
A produção de carvão vegetal nas unidades ligadas a Sirlei Martins Amaral ainda aparece associada ao avanço sobre áreas de vegetação nativa. A lógica descrita por fiscais e procuradores é simples: a carvoaria transforma em produto comercial a madeira retirada de áreas que serão abertas para outras atividades econômicas, especialmente soja e pecuária.
Principalmente a partir dos anos 2000, o Maranhão passa a figurar como uma das frentes mais intensas de conversão de vegetação nativa para o agronegócio. Dados do MapBiomas mostram que 7,1 milhões de hectares foram desmatados até 2024. No mesmo período, a soja, que praticamente inexistia no estado, passou a ser plantada em 1,3 milhão de hectares. A pastagem para criação de gado mais que dobrou no período, alcançando uma área de 9,5 milhões de hectares em 2023.
Linha de frente do chamado Matopiba, o estado ocupa o primeiro lugar no ranking dos estados que mais desmatam no Brasil há três anos consecutivos, desde 2023. Este é o cenário em que o negócio da carvoaria figura. “Os custos do desmatamento de área nativa, em vez de serem suportados pelo proprietário, são custeados pela própria atividade econômica da carvoaria que limpa a área para a soja”, afirma Luciano Aragão.
Nos documentos de fiscalização analisados pelo Brasil de Fato, há contratos para supressão vegetal em áreas extensas, como os 990 hectares na Fazenda Brejo do Meio e os 1.851 hectares na Fazenda Ferreira e Godoy. Para o MPT, esse modelo ajuda a explicar por que a carvoaria segue sendo economicamente viável mesmo em contextos de forte irregularidade trabalhista e ambiental: a madeira retirada da terra vira carvão, e o carvão alimenta a siderurgia.
A tentativa de dar aparência legal à extração também aparece nos relatos de fiscalização. “As carvoarias exibiam licenças para exploração de ‘floresta plantada’, como de eucalipto, mas, quando chegávamos no local, eram todas florestas nativas”, diz Aragão.
O auditor-fiscal Ivano Rodrigues Sampaio aponta ainda um mecanismo de circulação do carvão que dificulta o rastreamento da origem do produto. “O carvão sai da carvoaria clandestina e chega na siderúrgica com nota fiscal de outra. Lava o carvão e empurra para a siderúrgica”, explica.
Por trás dos mais de R$ 50 milhões devidos em autos de infração aplicados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), há autuações por vender carvão sem origem legal com documentos falsos, lançar transações fictícias no sistema de controle e até exploração de carvoaria dentro de terra indígena. Este último ocorreu em 2007, dentro da TI Porquinhos dos Canela-Apãnjekra — a mais desmatada do Brasil nos últimos anos.
As primeiras infrações ambientais no nome de Amaral são de 1999 e 2001, por transporte ilegal de carvão vegetal.
O elo bilionário da cadeia
O carvão produzido nas carvoarias ligadas a Sirlei Martins Amaral alimenta a indústria de ferro-gusa. Segundo documentos de fiscalização, depoimentos colhidos pela Polícia Federal e relatos de auditores, a maior parte da produção abastecia a Viena Siderúrgica S/A.
A relação, segundo os documentos analisados, não era apenas de compra. Depoimentos registrados na investigação apontam que funcionários da Viena visitavam as unidades produtivas mensalmente, verificavam estoque de carvão, condições de alojamento, uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), folhas de ponto, organização e limpeza. A PF também registrou relatos de que toda a produção era vendida à siderúrgica.
Para Luciano Aragão, esse tipo de relação impõe responsabilidade às empresas compradoras. “As siderúrgicas se beneficiam do baixo custo do insumo e exercem controle. Algumas financiavam a montagem de fornos e realizavam fiscalizações técnicas constantes nas carvoarias do grupo”, afirma.
O auditor-fiscal Ivano Rodrigues Sampaio descreve a relação entre carvoarias e siderúrgicas como uma cadeia marcada por dependência econômica. “Os donos de carvoaria reclamam que não têm poder de negociação com a siderúrgica. A empresa diz: ‘Eu pago tanto’. O preço do carvão é ditado de cima para baixo e eles dizem que não cobre os custos”, afirma.
Essa posição econômica, segundo os entrevistados, ajuda a explicar por que a simples consulta à Lista Suja não é suficiente para interromper violações. “Simplesmente deixar de comprar de quem está na lista não previne violações. Isso acaba fomentando a mudança de fornecedores ou a criação de laranjas para comercializar aquele carvão”, afirma Aragão.
Mariana de la Fuente, do CDVDH/CB, diz que a Viena buscou apresentar uma imagem de regularização, mas seguiu vinculada a carvão produzido em cadeias denunciadas por trabalho escravo. “A Viena fez uma ‘lavadinha de cara’. Eles fazem parte do pacto das empresas contra o trabalho escravo, mas continuam comprando carvão que vem dele”, afirmam.
Segundo ela, o carvão produzido no Maranhão alimenta uma cadeia de exportação que leva ferro-gusa a mercados internacionais. “Toda a produção é para exportação aos Estados Unidos, Ásia e Europa. O produto é altamente vinculado ao trabalho escravo, ao desmatamento vegetal e ainda tem todos os impactos na saúde da população com a poluição”, afirma.
Outro lado
Procurado, Sirlei Martins Amaral, o Ferinha, não respondeu às tentativas de contato da reportagem. Caso o faça, o texto será atualizado. A Viena Siderúrgica enviou uma nota ao Brasil de Fato, que está divulgada na íntegra abaixo:
“Esclarecemos que toda a relação comercial de compra e venda de produtos advindos do fornecedor eram provenientes de unidades (carvoarias) e de empresas devidamente licenciadas e autorizadas pelos órgãos públicos competentes, incluindo a licença municipal de uso e ocupação de solo da atividade industrial na respectiva unidade de produção e licença ambiental respectiva, cujo sócio era o Sr. Sirlei Martins Amaral, desconhecendo a Viena o rol de outras empresas e/ou unidades produtivas que seriam de propriedade do referido senhor, uma vez que a relação comercial ocorrida era em relação a determinada e específica unidade produtiva, sempre pagando o preço de mercado, com Notas Fiscais emitidas a partir desse local contratado, em função de seu licenciamento e não com todas unidades do mesmo, estando as demais livres para comercializar com quem quer que seja.
É de conhecimento, que o mesmo comercializava o seu produto com outras empresas adquirentes, inclusive para outros estados da federação, não havendo nenhum vínculo de fidelidade, ingerência e sequer conhecimento em relação as outras empresas do seu relacionamento. Justifica-se, ainda, que, quando a empresa tomou conhecimento das fiscalizações e de seus teores, somente após cópia fornecida pelo MPT, a mesma descredenciou imediatamente a relação comercial existente advinda da sociedade do Sr. Sirlei M. Amaral, independentemente de quais unidades ou empresas envolvidas na fiscalização, anteriormente às datas de inclusões de empresas do mesmo no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores em condições análogas a de escravo, haja vista ainda que, a teor dos relatórios acessados, implícita e objetivamente houve a permissão das referidas empresas e unidades fiscalizadas, a continuarem produzindo e vendendo os seus produtos, não tendo ocorrido, em nenhum momento, nenhum impedimento da continuidade ou determinação de paralização/embargo das atividades por parte das autoridades públicas que se fizeram presentes ao local. Mesmo assim, o fornecedor foi descredenciado.
Como medidas de controles, a Viena realiza auditorias nas unidades com as quais tem vínculo contratual com as empresas, para apurar o cumprimento do contrato entre as partes e da legislação vigente, assumida pelas mesmas, cuja obrigação prevista na legislação é do empregador da referida unidade, que se compromete ao cumprimento das normas trabalhistas, ambientais e da legislação vigente, na forma de cláusula contratual estabelecida. Assim, a mesma nunca faz ingerência nas relações empregatícias existentes, cuja limitação legal, não lhe permite tudo conhecer, principalmente quando recebe da empresa, formalmente e não se limitando, o compromisso do cumprimento da jornada laboral e da não exposição de seus trabalhadores a condições análogas a de escravo.
Como um dos elementos de “due diligence”, efetuado pela empresa, é feita a verificação e acompanhamento da inserção do nome de empresas no Cadastro de Empregadores do Ministério do Trabalho, conhecida como “Lista Suja”, que tenham submetido trabalhadores às condições análogas a de escravo.“