O governo Trump desferiu ataques ao Brasil que mostram com qual “química” ele trabalha. Em 28 de maio classificou o PCC e o CV como grupos terroristas. A medida serve para os EUA, pela sua lei, imiscuir-se em assuntos internos de outro país.

EEsta semana, anunciou taxações de 25% e depois mais 12,5% aos produtos brasileiros. As medidas vem da investigação comercial do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, em inglês), iniciada em julho de 2025, depois que Trump foi obrigado pela justiça a recuar de parte do tarifaço geral de 50%.

Todos os leitores sabem que os ataques de Trump se dão num ano eleitoral, após a visita de Bolsonaro Jr., mesmo se ele jure que não tem nada a ver.

O relatório do USTR, travestido de análise técnica, é uma aberração. Fiquemos em três pontos:

Balança comercial: retoma a cantilena de que no comércio entre os dois países, os EUA estão em desvantagem. Quando na verdade o Brasil é que é deficitário há 15 anos, uma manipulação fraudulenta.

Pix: o USTR classifica o Pix de prática “injusta e discriminatória”. Injusta para quem? Para o povo estadunidense, não! Para os brasileiros que aderiram amplamente ao Pix, não! Sem disfarce, explica que a prática é injusta por causa da gratuidade, e o destaque no sistema nos aplicativos bancários impõe ônus e prejuízos às gigantes americanas de meios de pagamento, como Visa, Mastercard e PayPal.

Trabalho escravo, trabalho forçado: o USTR posa de preocupado com o trabalho escravo e o trabalho forçado. Um setor denunciado por trabalho escravo foi a pecuária. Mas atenção, a carne bovina ficou fora da taxação!

Dois dias depois, o USTR propõe uma tarifa extra de 12,5% aos países que não teriam adotado medidas suficientes para impedir produtos ligados ao trabalho forçado ou reforçar mecanismos de fiscalização. Ora, o USTR devia investigar a exploração do trabalho forçado dos presos nos EUA e a submissão de imigrantes ao trabalho em condições análogas à escravidão.

Primeiro, a hipocrisia. Segundo, quem deve resolver os problemas do Brasil é o Brasil

Reciprocidade neles!

O governo brasileiro estima uma queda de 21% das exportações para os EUA. Para os trabalhadores isso não pode significar desemprego, cabe proteção do governo.

Lula desmascarou as inverdades do relatório da USTR. Nota do governo brasileiro diz: “O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional”.

Aprovada em 2025 pelo Congresso, a lei já regulamentada pelo governo, é um instrumento de defesa comercial que autoriza o Brasil a aplicar contramedidas unilaterais. Como tarifas adicionais de importação, restringir o comércio e suspender concessões comerciais ou de investimentos.

O recado do FMI: parem de gastar com bobagens!

Em outra frente, mas do mesmo lado barricada, um relatório do FMI desta 2ª feira recomenda que para o Brasil melhorar sua “credibilidade fiscal”, é preciso “reformas para enfrentar a rigidez das despesas” (Valor 2/06). Leia-se os pisos constitucionais com saúde e educação.

Guerras e pressão para cortar os serviços público; ingerência contra a soberania; perseguição aos imigrantes nos EUA: são pratos do único cardápio que o imperialismo tem a oferecer. Em 1916 Lenin escreveu que a fase imperialista do capitalismo era a reação em toda linha. Mais de um século depois, este é menu oferecido pelos poderosos do mundo. Mas os trabalhadores não se mostram dispostos a engoli-lo.

Fonte: Petista.org.br

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