Alimentos ultraprocessados estão ligados a 32 doenças, aponta estudo

Um estudo publicado na revista científica “The BMJ”, na quarta-feira, 28, aponta que alimentos ultraprocessados, como refeições prontas, salgadinhos, biscoitos e refrigerantes, estão relacionados a um risco de aumento do agravamento de 32 doenças.

A publicação, chamada de “guarda-chuva”, contém o trabalho feito por pesquisadores dos Estados Unidos, Austrália, França e Irlanda. Ao todo, os cientistas acompanharam quase 10 milhões de pessoas. De maneira sólida, a pesquisa mostra que a ingestão de alimentos ultraprocessados está relacionada a um risco aumentado de 50% de morte em doenças cardiovasculares, 53% de transtornos mentais comuns e 48% de ansiedade prevalente.

Os dados também mostram um risco de 12% maior de diabetes tipo 2 a cada 10% de aumento de ultraprocessados na dieta. Evidências mais fracas, mas ainda consideradas altamente sugestivas, indicaram uma chance 20% maior de morte por qualquer causa, 55% de obesidade, 41% de problemas de sono, 40% de chiado no peito e 20% de depressão.

A pesquisa ainda apresentou outros estudos que apontam uma associação com asma, pior saúde gastrointestinal, alguns tipos de câncer e fatores de risco cardiometabólicos, como níveis elevados de gordura no sangue e baixos níveis de colesterol “bom”.

Um outro trabalho, também publicado na “The BMJ”, mas de pesquisadores espanhóis, mostra uma ligação entre comer mais de quatro porções de alimentos ultraprocessados por dia e um risco de aumento de 62% na mortalidade por todas as causas.

Veja os 32 problemas de saúde ligados aos ultraprocessados:

  • Mortalidade por todas as causas;
  • Mortalidade por câncer;
  • Mortalidade por doenças cardiovasculares;
  • Mortalidade por problemas cardíacos;
  • Câncer de mama;
  • Câncer (geral);
  • Tumores do sistema nervoso central;
  • Leucemia linfocítica crônica;
  • Câncer colorretal;
  • Câncer pancreático;
  • Câncer de próstata;
  • Desfechos adversos relacionados ao sono;
  • Ansiedade;
  • Transtornos mentais comuns;
  • Depressão;
  • Asma;
  • Chiado no peito;
  • Desfechos de doenças cardiovasculares combinados;
  • Morbidade de doenças cardiovasculares;
  • Hipertensão;
  • Hipertriacilgliceridemia;
  • Colesterol HDL baixo;
  • Doença de Crohn;
  • Colite ulcerativa;
  • Obesidade abdominal;
  • Hiperglicemia;
  • Síndrome metabólica;
  • Doença hepática gordurosa não alcoólica;
  • Obesidade;
  • Excesso de peso;
  • Sobrepeso;
  • Diabetes tipo 2

O que fazer para diminuir

O estudo ainda traz um edital sobre “Razões para evitar alimentos ultraprocessados”, no qual aponta a importância de políticas públicas para diminuir o consumo.

No texto, os pesquisadores destacam que os produtos podem ser danosos a “maioria, se não todos, os sistemas do corpo humano”.

No tocante a diminuição do consumo, os cientistas afirmam que ainda “há muito a ser feito”, mas defendem a restrição de publicidade dos produtos, proibição nacional da venda dentro ou perto de escolas e hospitais e medidas fiscais, como incentivo a alimentos in natura e minimamente processados.

Outro ponto seria a alteração na rotulagem, para incluir uma clara identificação de que se trata de um alimento ultraprocessado.

Fonte: Isto É

Justiça manda leiloar sede da Igreja do apóstolo Valdemiro para quitar dívidas

Essa é uma das maiores derrotas judiciais da igreja, que enfrenta diversos processos de inadimplência

A Justiça de São Paulo decidiu que a sede da Igreja Mundial do Poder de Deus, do empresário da fé Valdemiro Santiago, irá a leilão no dia 24 de abril para pagar uma dívida de aluguel de R$ 37.451,94.

De acordo com apuração do UOL, essa é uma das maiores derrotas judiciais da igreja, que enfrenta diversos processos de inadimplência, incluindo uma greve de funcionários que não receberam seus devidos pagamentos. A decisão ocorreu no dia 26 de fevereiro e foi assinada pelo juiz Edson Lopes Filho. O magistrado afirma no documento que será realizada uma “alienação judicial eletrônica”, pois é uma “solução mais rápida” para o “pagamento de credores”.

Fonte: Brasil 247

Em decisão polêmica, Exército deixa o controle de venda de munições no Brasil na mão de fabricante de armas

TCU questiona sistema que deveria ser administrado pelo Exército, mas é gerido por grupo que controla a fabricante Taurus

O TCU (Tribunal de Contas da União) apontou fragilidades e potencial conflito de interesses no sistema de controle de venda de munições no Brasil, administrado por uma companhia privada que atua no setor, a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos).

A conclusão consta em um relatório que apontou falhas na fiscalização da venda de armas pelo Exército.

A área técnica da Corte descobriu que por volta de 5.200 condenados pela Justiça conseguiram registro de CAC (caçador, atirador e colecionador) junto ao Exército entre 2019 e 2022, entre outros problemas

No caso das munições, o controle é feito pelo Sicovem (Sistema de Controle de Venda e Estoque de Munições), administrado pela CBC. A empresa é privada e detém, na prática, o monopólio da fabricação do produto no Brasil.

O TCU aponta que não há um “documento de natureza contratual ou regulamentar que estabeleça os direitos e obrigações da empresa ou do Comando do Exército/União” na gestão do Sicovem, o que representa um risco.

Uma portaria do Ministério da Defesa, de 2006, deu 180 dias para o Exército implementar o Sicovem, mas quem acabou fazendo isso foi a CBC. Contrariando essa portaria, a CBC também nunca permitiu que a PF (Polícia Federal) tivesse acesso ao sistema, segundo o TCU.

Além de produzir munições, a CBC também é controladora da Taurus, maior empresa fabricante de armas no Brasil.

O relatório aponta que “a empresa age de acordo com seus interesses comerciais e pode vir a cometer irregularidades”, dando como exemplo um caso em que a CBC infringiu uma regra do governo federal, produzindo lotes com mais de 10 mil munições, o que não é permitido.

Devido a esse episódio, em 2018, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou a adoção de um sistema próprio do Exército para registro de fabricação e venda de munições, o que não foi atendido.

Fonte: Uol

Lula vai criar 100 novos campi de Institutos Federais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, nesta terça-feira (12), o plano de expansão da rede federal de ensino técnico, com a criação de 100 novos campi de institutos federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) pelo país. A iniciativa alcançará todas as unidades da federação e vai gerar 140 mil novas vagas, a maioria em cursos técnicos integrados ao ensino médio.

A expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica foi anunciada por Lula em dezembro de 2023, durante sua participação na Conferência Nacional de Juventude. Os institutos federais são instituições especializadas na educação profissional e tecnológica, oferecendo também educação básica e superior. Os cursos são gratuitos.

O objetivo do governo é aumentar a oferta de vagas na educação profissional e tecnológica e criar oportunidades para jovens e adultos, especialmente os mais vulneráveis.

“É com base no investimento na educação que a gente pode ter a certeza de que esse país vai chegar a ser um país de primeiro mundo, um país desenvolvido, um país de uma sociedade composta pela grande maioria de gente de classe média. Porque nós não fizemos opção para ser pobre. Aliás, ninguém gosta de ser pobre, ninguém gosta de se vestir mal, ninguém gosta de comer mal, ninguém gosta de morar mal, ou seja, todos nós nascemos para ter acesso a tudo aquilo que a gente produz”, disse Lula, durante a cerimônia no Palácio do Planalto.

“Então, quando a gente fala em investimento em educação é porque uma profissão dá a um homem e a uma mulher um estado de cidadania que sem educação a gente não conquista”, acrescentou o presidente, destacando ainda a importância da formação profissional para as mulheres, especialmente aquelas que vivem em contexto de violência doméstica.

“A coisa mais importante na educação é que, a mulher tendo uma profissão, ela vai ter um espaço de disputar trabalho no mercado, fora de casa. Porque a mulher não nasceu só para fazer trabalho doméstico, a mulher nasceu para fazer o que ela quiser fazer e trabalhar fora de casa é uma oportunidade”, disse Lula. “Quando a mulher tem uma profissão, quando ela tem um salário e pode custear a vida dela, ela não vai viver com nenhum homem que não goste dela, ela não vai viver por necessidade, por dependência”, ressaltou o presidente.

Brasília, 12/03/2024 (DF) - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado do ministro da Educação Camilo Santana e do vice-presidente, Geraldo Alckmin, durante solenidade de anúncio de 100 novos Institutos Federais Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Presidente Lula, acompanhado do ministro da Educação, Camilo Santana, e do vice-presidente Geraldo Alckmin, durante solenidade de anúncio de 100 novos campi de institutos federais – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Serão investidos R$ 3,9 bilhões em obras nos institutos federais, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Desse total, R$ 2,5 bilhões são para instalação de novos campi e R$ 1,4 bilhão para melhorias em unidades já existentes, como a construção de refeitórios, ginásios, bibliotecas, salas de aula e aquisição de equipamentos.

O ministro da Educação, Camilo Santana, explicou os critérios de escolha dos municípios que serão atendidos com os novos campi. “Primeiro, olhar para os vazios demográficos, olhar a proporção de matrícula de ensino técnico ofertado também em cada estado e olhar o número de institutos por população em cada estado”, disse.

Rede federal

O Nordeste é a região que receberá o maior número de novos IFs: serão 38 campi nos nove estados. O Sudeste aparece na sequência com 27 novos campi, seguido da Região Sul, com 13; do Norte, com 12; e do Centro-Oeste, com dez. Entre os estados, São Paulo é o mais beneficiado, com 12 novos campi. Minas Gerais e Bahia terão oito unidades, cada. Na sequência, aparecem Pernambuco, Ceará e Rio de Janeiro, com seis, cada, e Paraná, Rio Grande do Sul e Pará, cada um com cinco.

Os institutos federais têm como obrigatoriedade legal garantir um mínimo de 50% de suas vagas para a oferta de cursos técnicos de nível médio, prioritariamente na forma integrada, ou seja, junto ao ensino médio. Mas, segundo Camilo Santana, está sendo pactuado com os reitores que as novas unidades tenham 80% das matrículas de ensino técnico profissionalizante.

“Nós não queremos perder nenhum jovem no ensino médio brasileiro. A escola é a porta para o futuro melhor, a educação transforma vidas, a educação é o grande caminho para transformar uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais humana, mais fraterna. E é isso que nós precisamos”, ressaltou o ministro.

De acordo com o governo, até 2002, o Brasil tinha 140 escolas técnicas. Em 2008, em seu segundo mandato, Lula sancionou a Lei nº 11.892/2008, que institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e criou 38 institutos federais.

A Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica é formada pelos IFs, por dois centros federais de Educação Tecnológica (Cefets), escolas técnicas vinculadas às universidades federais, pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná e pelo Colégio Pedro II. Cada uma destas instituições é composta por campi que atuam como unidades descentralizadas de ensino, dessa forma, o ensino dos IFs chega a mais locais.

Atualmente, a rede possui 682 unidades e mais de 1,5 milhão de matrículas. Com os novos 100 campi, passará a contar com 782 unidades, sendo 702 campi de IFs.

Confira lista completa dos 100 novos campi:

Unidade da FederaçãoNovos campiMunicípios
REGIÃO NORDESTE
Bahia 8Santo Estevão, Ribeira do Pombal, Itabuna, Macaúbas, Poções, Salvador, Ruy Barbosa e Remanso
Pernambuco 6Goiana, Santa Cruz do Capibaribe, Recife, Araripina, Águas Belas e Bezerros
Ceará  6Fortaleza (2), Cascavel, Mauriti, Campos Sales e Lavras de Mangabeira
Maranhão 4  Chapadinha, Colinas, Balsas e Amarante do Maranhão
Paraíba 3Mamanguape, Sapé e Queimadas
Rio Grande do Norte 3Touros, São Miguel e Umarizal
Piauí 3Barras, Esperantina e Altos
Alagoas 3 Girau do Ponciano, Mata Grande e Maceió
Sergipe 2Japaratuba e Aracaju
REGIÃO SUL 
Paraná 5Maringá, Araucária, Cianorte, Cambé e Toledo
Rio Grande do Sul 5Caçapava do Sul, São Luiz Gonzaga, São Leopoldo, Porto Alegre e Gramado
Santa Catarina 3Tijucas, Campos Novos e Mafra
REGIÃO SUDESTE
São Paulo 12São Paulo (Jardim Ângela e Cidade Tiradentes), Osasco, Santos, Diadema, Ribeirão Preto, Sumaré, Franco da Rocha, Cotia, Carapicuíba, São Vicente e Mauá
Minas Gerais 8João Monlevade, Itajubá, Sete Lagoas, Caratinga, São João Nepomuceno, Belo Horizonte, Minas Novas e Bom Despacho
Rio de Janeiro 6Rio de Janeiro (Cidade de Deus e Complexo do Alemão), Magé, Belford Roxo, Teresópolis e São Gonçalo
Espírito Santo 1Muniz Freire
REGIÃO NORTE
Pará 5Barcarena, Redenção, Tailândia, Alenquer e Viseu
Amazonas 2Santo Antônio do Içá e Manicoré
Rondônia 1Butiritis
Tocantins 1Tocantinópolis
Acre 1Feijó
Amapá 1Tartarugalzinho
Roraima 1 Rorainópolis
REGIÃO CENTRO-OESTE
Goiás 3Cavalcante, Porangatu e Quirinópolis
Mato Grosso 3 Água Boa, Colniza e Canarana
Distrito Federal 2 Sol Nascente e Sobradinho
Mato Grosso do Sul 2 Paranaíba e Amambaí

Fonte: Agência Brasil

Gilmar Mendes fala em ameaça de “narcomilícias evangélicas” no Rio de Janeiro

Ministro do STF e também o magistrado Luís Roberto Barroso se debruçam sobre a questão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou que, durante uma reunião recente presidida pelo também magistrado Luís Roberto Barroso, foi relatada a existência do que classificou como “narcomilícia evangélica” atuante no Rio de Janeiro. 

“Recentemente, o ministro Luís Roberto Barroso presidiu uma reunião extremamente técnica sobre essa questão, e um dos oradores falou de algo que é raro ouvir: uma narcomilícia evangélica, aparentemente no Rio de Janeiro, onde já se tem um acordo entre narcotraficantes e milicianos pertencentes ou integrados a uma rede evangélica. É algo muito sofisticado”, disse Mendes em entrevista à GloboNews

Recentemente, uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 6,7 bilhões em atividades de lavagem de dinheiro foi alvo da Operação Mamon, que executou mandados em cinco estados do Brasil. De acordo com informações do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), os suspeitos utilizavam empresas fictícias, uma igreja e uma estação de rádio evangélica para conduzir as operações de lavagem de dinheiro.

Fonte: Brasil 247

Estado genocida de Israel prende 7.530 palestinos em territórios ocupados

As operações de detenção concentraram-se nas cidades de Ramallah, Qalqilya, Belém, Hebron, Salfit e Jerusalém.

O número total de palestinianos detidos pelas forças israelitas aumentou para 7.530 nos territórios ocupados desde Outubro passado. 

Segundo a Autoridade de Prisioneiros e Ex-Prisioneiros e o Clube dos Prisioneiros Palestinos, pelo menos 25 pessoas foram detidas nas últimas 24 horas , incluindo ex-prisioneiros.

As operações de busca e captura tiveram lugar nas províncias de Ramallah, Qalqilya, Belém, Hebron, Salfit e Jerusalém e foram acompanhadas de abusos e ataques violentos, bem como de ameaças aos detidos e às suas famílias. 

Também relataram atos de destruição e demolição de propriedades e infraestruturas.

Por outro lado, mais de 9.100 presos enfrentaram a política de privação do exercício dos seus rituais religiosos durante o mês sagrado do Ramadã.

Segundo o relatório fornecido pelas instituições palestinas, 240 mulheres e quase 500 crianças foram presas.

Fonte: Al Mayadeen

Pastor evangélico é preso por estuprar menino de 11 anos e abusos contra outras crianças

Um pastor evangélico de de 58 anos foi preso nesta quinta-feira (7) em Araguaína, norte do estado, suspeito de estuprar um menino de 11 anos. A família da criança frequentava a mesma igreja em que o suspeito atuava, na cidade de Alto Parnaíba, no Maranhão.

De acordo com a Polícia Civil o pastor é de Araguaína, mas estava morando na cidade maranhense e usava a autoridade que tinha como pastor para cometer o crime. Diversos abusos aconteceram em novembro de 2023, contra a criança, apurou a polícia.

Quando os estupros foram descobertos na cidade, o homem teria voltado para o Tocantins, para se esconder. Após ação conjunta com a polícia do Maranhão, que incluiu troca de informações, as autoridades descobriram que ele estava em uma casa do setor Entroncamento. Neste local foi cumprido um mandado de prisão temporária durante a tarde.

Para o delegado Charles Arruda, responsável pela prisão, o pastor também é suspeito de abusar sexualmente de crianças em Araguaína, situação que está sendo investigada.

Se os estupros forem comprovados, ele poderá ser condenado a uma pena que vai variar de oito a 15 anos de prisão, destacou o delegado.

Depois dos procedimentos na 5ª Central de Atendimento da Polícia Civil, o pastor foi levado para a Unidade Penal Regional. Ele está à disposição do Poder Judiciário da Comarca de Balsas (MA).

Fonte: G1

Artistas que criticam o governo genocida de Israel são perseguidos e censurados

“É um massacre de pensamentos”, disse o artista chinês Ai Weiwei após ter quatro exposições canceladas por tuitar sobre o apoio dos EUA às políticas de Netanyahu

“Modernismo é agora proibido”, titulava o New York Times em sua edição de 25 de julho de 1937. Não foram só livros que foram queimados pelos nazistas; obras de arte também. Em março de 1939, mais de 1000 pinturas e esculturas e quase 4 mil aquarelas, desenhos e gravuras foram queimados na sede do Corpo de Bombeiros de Berlim. Os nazistas consideravam a arte moderna como “arte degenerada”.

Corta para fevereiro de 2024. Novamente, o New York Times“Universidade de Indiana cancela retrospectiva de artista palestina”. O “crime” de Samia Halaby, de 87 anos, além do fato de ser palestina, foi criticar os assassinatos de seus conterrâneos pelo governo genocida de Benjamin Netanyahu. Seria a primeira retrospectiva nos EUA de Halaby, considerada uma das maiores artistas palestinas vivas.

O “crime” de Samia Halaby, de 87 anos, além do fato de ser palestina, foi criticar os assassinatos de seus conterrâneos pelo governo genocida de Benjamin Netanyahu. Uma retrospectiva sua na Universidade de Indiana foi cancelada

Suas pinturas abstratas já estavam no local quando ela recebeu um telefonema do diretor do Centro de Arte Eskenazy, onde aconteceria a exposição, avisando do cancelamento. Ele informou a ela que os funcionários do museu tinham feito queixas sobre os post dela sobre a chacina, onde ela comparava o bombardeio israelense a um genocídio e chamava Gaza de “campo de concentração”. Em seguida, o diretor do museu enviou a ela uma carta com dois parágrafos cancelando oficialmente a mostra: “Escrevo para notificá-la formalmente de que o Museu de Arte Eskenazi não sediará a exposição planejada de seu trabalho”.https://d-37800398141691931173.ampproject.net/2402231941000/frame.html

Na verdade, o cancelamento da exposição ocorreu após o deputado republicano Jim Banks enviar uma carta à universidade dizendo que a instituição poderia perder financiamento federal se “antissemitismo” fosse permitido no campus. Após o cancelamento, uma exposição de Halaby organizada em protesto ficou lotada. Ela manifestou sua decepção com a Universidade, onde fez o mestrado. “Eu achava que tinha encontrado um pouco do que eu poderia chamar de lar em Indiana, mas isso se mostrou totalmente falso.”

Embora os defensores do governo genocida de Netanyahu não aceitem a comparação, ela é inevitável: assim como no nazismo, artistas que se posicionam contra o massacre israelense em Gaza estão sendo perseguidos, intimidados e censurados. Em Berlim, na Alemanha, país que naturalmente carrega um enorme sentimento de culpa em relação ao Holocausto, após o ataque do Hamas foi aprovada uma norma impedindo artistas de criticar Israel ou não receberiam fundos públicos.

A cláusula estabelecia o que seria “antissemitismo” a partir das regras da IHRA (Aliança Internacional pela Memória do Holocausto), entre elas “estabelecer paralelos entre políticas atuais de Israel com o que fizeram os nazistas”. A norma foi alvo de boicotes e críticas públicas dos artistas alemães, que a denunciaram como “uma política macarthista“. Após um manifesto com milhares de assinaturas, o governo voltou atrás e extinguiu a regra.

“A ‘cultura da memória’ alemã pós-reunificação (Erinnerungskultur) –campanha estatal para abordar o genocídio dos judeus na Alemanha– atua como um dogma repressivo, revigorando a opressão contra a qual a ‘lembrança’ real deveria trabalhar”, criticou o movimento Strike Germany, que promoveu os protestos.

Em Berlim, após o ataque do Hamas foi aprovada uma norma impedindo artistas de criticar Israel ou não receberiam fundos públicos. A cláusula estabelecia que seria “antissemitismo”, por exemplo, “estabelecer paralelos entre políticas atuais de Israel com o que fizeram os nazistas”. Após protestos de artistas, foi extinta

“Em vez de levarem em conta as suas próprias políticas racistas e cada vez mais neofascistas, a mídia e os políticos alemães apressam-se em culpar as populações árabes e muçulmanas na Alemanha pelo chamado ‘antissemitismo importado’. A Alemanha não é o único país, mas nenhum outro Estado fez de uma aliança incondicional com Israel a sua Staatsräson (razão de Estado) e um pré-requisito para a participação na vida pública e cultural. O Estado alemão não pode continuar a consolidar ainda mais o autoritarismo contra as vozes que se opõem ao racismo, ao colonialismo e ao genocídio.”

Em novembro de 2023, o chinês Ai Weiwei teve quatro exposições canceladas em Londres, Paris, Nova York e Berlim apenas porque o artista, que vive no exílio desde 2015, fez críticas duras a Israel em seu perfil na rede social X, ex-twitter. “O sentimento de culpa em torno da perseguição ao povo judeu foi, por vezes, transferido para neutralizar o mundo árabe”, escreveu Weiwei no tweet que causou o cancelamento e acabou excluído por ele.

“Financeiramente, culturalmente e em termos de influência midiática, a comunidade judaica tem tido uma presença significativa nos EUA. O pacote anual de ajuda de 3 bilhões de dólares a Israel tem sido, durante décadas, considerado um dos investimentos mais vultosos que os EUA já fizeram. Esta parceria é frequentemente descrita como um destino compartilhado.”

Após o cancelamento, o artista comparou a censura imposta por Israel e seus aliados aos que criticam o massacre promovido pelo governo Netanyahu em Gaza à China de Mao Tsé-Tung. “Eu cresci durante uma forte censura política”, disse em fevereiro Ai, que chegou a ser preso em Beijing, em 2011. “Mas eu estou me dando conta que hoje no Ocidente vocês estão fazendo a mesma coisa.”

Ao criticar a suspensão de dois professores da New York University também por terem feitos comentários críticos a Netanyahu, Weiwei disse: “Isto é realmente como uma revolução cultural, que é tentar destruir qualquer um que tenha atitudes diferentes, até mesmo uma opinião. Eu acho uma pena que isso esteja acontecendo no Ocidente, em universidades, na mídia, em qualquer parte. Você não pode dizer a verdade”.

Em entrevista à revista britânica The Spectator, falou em “massacre de pensamentos”: “Na sociedade ocidental, existe agora um sentimento palpável de medo, onde os indivíduos se sentem impedidos de expressar os seus verdadeiros pensamentos, temendo potenciais consequências. Percebo isto não apenas como um ataque à liberdade de expressão, mas como um massacre de pensamentos. Aqueles que sofrem são indivíduos com pensamento independente, e aqueles que prevalecem são forças que empurram a civilização humana para trás.”

Em uma carta divulgada em dezembro pelo grupo Artistas pela Palestina no Reino Unido, mais de 1000 criadores, artistas e curadores acusaram instituições culturais de “reprimir, silenciar e estigmatizar vozes e perspectivas palestinas” desde o ataque terrorista feito pelo grupo Hamas. Os signatários acusam as instituições de “perseguir e ameaçar artistas que expressam solidariedade aos palestinos, assim como cancelar performances, exibições, palestras, exposições e lançamentos literários”.

Além de citar o episódio de Weiwei, o grupo denunciou o cancelamento de dois festivais de cinema palestino e da exposição da artista judia alemã Candice Breitz pelo Saarlandmuseum em Saarbrucken após a artista fazer um post criticando o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e seu governo pelo “grotesco e desumano bombardeio de Gaza”, ao mesmo tempo que manifestava sua “profunda empatia pelos civis israelenses brutalmente violados e mortos”.

No final de fevereiro, milhares de artistas, curadores e diretores de museus fizeram uma petição para que Israel seja excluída da Bienal de Veneza e acusaram os organizadores de dar espaço a um estado genocida que promove um apartheid. A ANGA (Aliança de Arte não-Genocida, na sigla em inglês) lembrou que dois anos atrás a Bienal, uma das mais importantes do mundo, baniu qualquer artista ligado ao governo russo após a invasão da Ucrânia, mas não está fazendo nada contra a matança que Israel promove em Gaza.

“A Bienal tem se mantido em silêncio a respeito das atrocidades de Israel contra os palestinos. Nós estamos horrorizados com este duplo padrão”, declarou a ANGA em um abaixo-assinado firmado por 22 mil artistas até agora. O ministro da Cultura da Itália, governada pela extrema direita, negou o pedido. E se fosse a Palestina quem matasse de bomba e de fome mais de 30 mil seres humanos?  

Fonte: Revista Fórum

Confea acusa Braskem de negligência no monitoramento e manutenção das minas

Relatório inédito do grupo de trabalho sobre abalos sísmicos em Maceió revela que a mineradora desligava as bombas que pressurizavam as cavernas para economizar energia

Um relatório do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), até então inédito, embora tenha sido concluído em novembro de 2019, revela – com um espantoso atraso de mais de quatro anos – que a Braskem foi negligente e irresponsável no monitoramento das 35 minas de sal-gema que a empresa explorava desde a década de 70.

O documento começou a ser fundamentado logo após os abalos sísmicos de março de 2018. Produzido pelo Grupo de Trabalho criado pelo Confea e coordenado pelo geólogo Waldir Duarte da Costa Filho, tendo como coordenador adjunto o engenheiro Zerisson de Oliveira Neto, o relatório acusa a Braskem de abandonar as minas inativas e de desligar as bombas que pressurizavam as cavernas para economizar energia, quando a companhia elétrica adotava a bandeira vermelha, aumentando o valor do consumo.

A denúncia consta na conclusão do relatório, registrada desse jeito: “Pelo exposto, o Grupo de Trabalho conclui, pelos dados ora existentes, que houve desleixo por parte da empresa mineradora, tendo em vista o abandono dos poços/minas inativos (as), inclusive desligando as bombas que pressurizavam as cavernas, em horários de bandeira vermelha da companhia elétrica, com vistas a economizar, porém, causando despressurização, propiciando a fluência salina”.

Com isso, “há fortes indícios de que as deformações provocadas pela fluência do sal nos poços inativos sejam responsáveis pela subsidência superficiais e suas consequências (faturamento e rachaduras superficiais). Tais consequências, citadas no item anterior, são agravadas, evidentemente, pelas condições de ocupação do bairro, falta de saneamento, fossas e pluviometria”.

O relatório concluiu que “apesar dos fortes indícios à luz dos dados atuais, não se pode afirmar categoricamente que as subsidências superficiais (ainda em andamento) e suas consequências, são resultados dos deslocamentos e eventuais rupturas das cavidades resultantes da extração de sal”.
Para um diagnóstico conclusivo, os integrantes do Grupo de Trabalho do Confea recomentaram que se faz necessário os estudos da Braskem e da CPRM, bem como as informações exigidas pela ANM à Braskem, conforme as seguintes recomendações:

“Monitoramento das perfurações dos poços/minas por acelerômetro para verificar se esta atividade influi nos eventos ocorridos na área; instalação de uma rede de geofones em subsuperfície para identificação, mapeamento e monitoramento dos microssismos em tempo real; monitoramento topográfico por DGPS abrangente na área afetada pela atividade de mineração; perfil estratigráfico e estrutural de cada poço; mapeamento detalhado da estratigrafia estrutural sob o bairro, por métodos diretos, com especial atenção para a caracterização das falhas existentes e com análise tridimensional de seções estratigráficas; e efetuar novas medidas de sonar em todos os poços, em face de elevado abatimento de teto em 14 poços”.

“Além dessas exigências, especial atenção deverá ser dada para dirimir dúvidas a respeito do conglomerado da Formação Poção, pois a mineradora alega ser uma camada muito resistente que age como um escudo, protegendo as camadas superiores das eventuais subsidências provocadas pelo deslocamento das cavidades. Na literatura, entretanto, a composição do conglomerado, grãos angulares e matriz arenítica, não se coaduna com a resistência defendida pela mineradora”, acrescentou o relatório.

SILÊNCIO CRIMINOSO

O Confea deixou claro ainda que, enquanto o trabalho do grupo não fosse disponibilizado, “não se poderia apontar responsabilidades técnicas”. Apesar dessa preocupação, o relatório não foi divulgado e não estava disponível no site oficial do Confea.

A reportagem da Tribuna Independente só teve acesso a ele por meio de um morador de Bebedouro, vítima da mineração, que conseguiu o documento, depois de muita insistência e com base na Lei de Acesso à Informação.

Segundo esse morador, que pediu sigilo porque ainda se encontra em litígio com a Braskem quanto à indenização da sua casa, o Confea e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (CREA/AL) teriam engavetado o relatório, “de forma criminosa”, porque o documento denunciava o descaso da Braskem no monitoramento das 35 minas de sal-gema, em Maceió.

O silêncio obsequioso dos dirigentes do Confea e do CREA/AL também foi denunciado pela coordenação do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB), que recebeu o relatório desse morador de Bebedouro, na semana passada, e fez questão de encaminhá-lo à imprensa para que “esse escândalo” viesse à tona.

Por incrível que pareça nem a presidente do CREA/AL, Rosa Tenório, conhecia o relatório do Confea. Ela alegou que assumiu o Conselho depois da pandemia da Convi-19 e quando o relatório foi concluído, em novembro de 2019, quem presidia o CREA/AL era o engenheiro Fernando Dacal.

VISITA AO PINHEIRO

No site do Confea constava apenas em arquivo uma reportagem sobre a movimentação do Grupo de Trabalho em Maceió, participando de reuniões no auditório do CREA/AL e visitando o bairro do Pinheiro, para verificar as rachaduras provocadas pela mineração da Braskem.

Representantes da Defesa Civil Municipal também participaram das discussões com conselheiros do Confea, especialistas e o então presidente Fernando Dacal, em junho de 2019, em Maceió.
O Grupo de Trabalho do Confea tinha na sua composição dois engenheiros da diretoria do CREA/AL: Zerisson de Oliveira Neto (titular) e Oswaldo de Araújo Costa Filho (suplente). Eles também se calaram, não deram divulgação ao relatório do qual participaram da elaboração.

O GT foi instituído pela Decisão Plenária nº PL-0234/2019, logo após a repercussão dos abalos sísmicos registrados em março de 2018. Os tremores provocaram rachaduras em imóveis e ruas do Pinheiro e dos bairros vizinhos: Bebedouro, Mutange, Bom Parto e Farol.
As consequências da mineração predatória praticada pela Braskem resultaram no afundamento do solo na região, motivando as ações da Defesa Civil Municipal para evacuar residências e interditar logradouros dessas comunidades.

Até então, a mineradora se negava a assumir a culpa pelo desastre, só depois dos estudos feitos pelos geólogos do Serviço Geográfico Brasileiro, comprovando as causas das rachaduras e do afundamento do solo, foi que a petroquímica reconheceu o crime que vinha praticando. A situação só não foi agravada porque a Justiça, com base no relatório da CPRM, determinou o fim das atividades de mineração em Maceió e a desativação das 35 minas de sal-gema.

GT DO CONFEA

Antes que as atividades de mineração da Braskem fossem desativadas, o GT do Confea esteve em Maceió, para verificar e debater o problema com os conselheiros do CREA/AL e representantes da Defesa Civil.

Nas reuniões, o GT contou com a presença de representantes do Serviço Geológico Brasileiro – CPRM (geólogo Thales Sampaio e equipe), da Universidade Federal de Alagoas (geóloga Rochana Lima), da Defesa Civil Municipal (Dinário Lemos), do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Meteorologista Humberto Barbosa), do Instituto de Meio Ambiente de Alagoas (Jean Paul) e da Braskem (Engenheira Química Isabel Kenny) – empresa responsável pela mineração de sal-gema na região, os quais apresentaram as informações que possuem a respeito do caso, além do material produzido em face das investigações geológicas/geotécnicas realizadas até o momento.

Além dessas reuniões, os membros do GT realizaram visita técnica na região e obtiveram mais dados técnicos. A visita contou com a participação do então presidente Fernando Dacal, da equipe de fiscalização do CREA-AL, representante da UFAL e engenheiros civis contratados pela Braskem para realizar os serviços de drenagem e pavimentação das áreas atingidas pelos abalos.

Com base nessas reuniões e visitas, além dos estudos realizados, o GT concluiu o relatório, deixando claro a irresponsabilidade da Braskem na operação e no monitoramento das minas. Ou seja, desde novembro 2019, um ano e 8 meses depois dos abalos sísmicos, o Confea sabia que pelo menos cinco bairros da cidade estavam afundando, junto com a Lagoa Mundaú, por causa a retirada de sal-gema pela multinacional Braskem, mas não divulgou o relatório do GT sobre os crimes da mineradora.

OUTRO LADO

Petroquímica não desmente denúncia, mas diz que sempre respeitou parâmetros técnicos

Questionada sobre a denúncia de negligência e irresponsabilidade no monitoramento das 35 minas, a Braskem se defendeu, por meio da sua assessoria de comunicação, com este posicionamento, que publicamos na íntegra:

“A extração de sal-gema em Maceió sempre respeitou os parâmetros técnicos aplicáveis à atividade, foi acompanhada interna e externamente utilizando a melhor técnica disponível no momento, fiscalizada pelos órgãos públicos competentes e com todas as licenças necessárias para sua operação. Todas as informações sobre as cavidades, cuja extração foi definitivamente encerrada em 2019, constam do processo minerário e são públicas”.

Fonte: Alagoas Inform

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