As irregularidades abaixo são baseadas em denúncias formais de sindicatos, fiscalizações de conselhos de classe, investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, e reportagens jornalísticas com fontes identificadas. Algumas estão em apuração pelos órgãos competentes.

1. Superlotação crônica na Ala Vermelha (Trauma) — acima de 150% da capacidade

Durante vistoria do SINDPREV/AL em janeiro de 2026, o setor de Trauma, que deveria funcionar com 10 leitos, estava abrigando entre 20 e 30 pacientes a mais, numa superlotação de mais de 150%. Profissionais exaustos atendiam casos graves misturados com pacientes de ortopedia eletiva, aguardando regulação por dias. 

2. Pacientes em macas e cadeiras nos corredores — uso de “leito virtual”

A prática do “leito virtual” consiste em registrar pacientes no sistema como internados sem que haja cama física disponível, com pessoas acomodadas em cadeiras de ferro, macas de ambulância retidas ou colchões ou macas no chão dos corredores, distorcendo as métricas oficiais de ocupação.

3.Falhas na rede elétrica: 

Relatórios apontaram a inexistência ou inadequação de projetos para o sistema elétrico, sobrecarregando a rede e comprometendo o funcionamento de equipamentos.

Manutenção de geradores: Vistorias identificaram que parte dos geradores de energia do hospital estava inoperante, mantendo o sistema operando no limite.

Deficiência na refrigeração: Problemas persistentes nos sistemas de ar-condicionado impactam alas críticas, como a Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), gerando condições insalubres.

Instalações físicas inadequadas: Vistorias técnicas apontaram corredores com pisos irregulares e setores amontoados com equipamentos quebrados.

Infraestrutura precária de conservação: 

Elevador que dá acesso ao segundo andar quebrado há meses, dificultando transporte de pacientes, reposição de água nos andares, transporte de alimentos para os pacientes internos etc

Goteiras na entrada do hospital com odor fétido, em frente ao refeitório, no setor da secretaria hospitalar, no segundo andar  etc há meses

Risco biológico no HGE de Maceió – Sala de Banho CTQ

“A diretora do SINDPREV-AL, Olga Chagas esteve reunida na  quarta-feira (17 de dezembro de 2025) com o Diretor Médico do Hospital Geral do Estado Miquéias Damasceno Júnior e o Coordenador de Assistência hospitalar Elton Fagner para apresentar um documento oficial da entidade contendo uma série de denúncias quanto às condições precárias de trabalho enfrentadas atualmente pelos servidores/as do Hospital. Esta não é a primeira vez que o Sindicato procura a direção do HGE e também a SESAU para apresentar demandas urgentes para o bom andamento do trabalho desempenhado de pelos trabalhadores e trabalhadoras da Saúde, em especial os/as Técnicos de Enfermagem.

Para se ter uma ideia, há um grande fluxo de pacientes na Ala Vermelha/Trauma e Ortopedia, onde em algumas situações, apenas quatro trabalhadores de saúde atendem entre 25 e 40 pacientes, o que é praticamente impossível, desumano, ultrapassando o dimensionamento legal, causando um estresse em alto nível.”

Encaminhamentos

“O Diretor Médico Miquéias Damasceno se comprometeu em repassar todas as demandas para o Diretor Geral para que sejam dados os devidos encaminhamentos. Ele se comprometeu ainda de rever o fluxo dos pacientes para a ALA Azul e distribuir nos leitos de retaguarda que forem disponibilizados.

Com relação ao problema das medicações, o Diretor informou que vai ser garantido o abastecimento, onde haverá kits disponíveis, para evitar que os trabalhadores e trabalhadoras se desloquem a todo instante para pegar estes medicamentos.

Um ponto importante é a reabertura da saída de emergência da Ala Vermelha, pois há relatos de risco a integridade física dos trabalhadores e trabalhadoras, exatamente por não terem como sair do local de forma segura. Uma vez que tem sido recorrentes as agressões praticadas aos trabalhadores.”

4. Racionamento formal de soro fisiológico no período natalino de 2025

Um comunicado interno assinado pela coordenadora de Assistência Farmacêutica do HGE formalizou limites diários para o uso de soro fisiológico entre 24 de dezembro de 2025 e 5 de janeiro de 2026, solicitando que profissionais priorizassem a substituição de medicamentos intravenosos por vias orais em razão de restrição de estoque. 

5. Falta de insumos básicos — seringas e medicações para queimados e cirurgia plástica

Funcionário do hospital relatou, com pedido de anonimato, a falta de insumos básicos para atendimento de pacientes queimados e procedimentos plásticos, incluindo seringas e determinadas medicações, com profissionais sendo orientados a substituir medicamentos venosos por orais mesmo em situações clinicamente sensíveis. 

6. Escassez crítica de insumos — familiares obrigados a comprar materiais básicos

Em março e julho de 2025, o SINDPREV e o Sindicato dos Médicos denunciaram formalmente a escassez crítica de insumos, chegando ao ponto em que familiares de pacientes precisavam comprar materiais básicos para garantir o tratamento.

7. Medicamentos vencidos encontrados em fiscalização

Fiscalização do COFEN flagrou medicamentos vencidos no HGE, além de alimentos guardados em geladeiras que deveriam ser usadas exclusivamente para conservação de medicamentos, o que representa risco de contaminação cruzada.

8. Desperdício sistêmico de soro — frascos de 1 litro para procedimentos de 100 ml

O SINDPREV denunciou que a farmácia liberava bolsas de 1 litro de soro para procedimentos que exigiam apenas 100 ml, resultando em descarte de insumos públicos por ausência de frascos em tamanhos adequados. 

9. Assédio moral institucionalizado — ameaças de mudança de escala e represálias

Servidores de diversas alas do HGE denunciaram estar sendo assediados por coordenações em represália a discordâncias, com ameaças de alteração de escalas e, em um dos casos, uma coordenadora chegou a fornecer seu contato pessoal a pacientes para que monitorassem a conduta de funcionários. 

10. Aparelhamento político — substituição de servidores concursados por indicados

Funcionário interno denunciou insatisfação com mudanças administrativas no setor de farmácia, incluindo a retirada de servidores concursados de cargos de chefia, substituídos por pessoas ligadas a indicações políticas da Secretaria de Estado da Saúde (SESAU). 

11. Funcionários “fantasmas” — presença registrada e saída imediata do hospital

Denúncias apontam que alguns funcionários, apesar de constarem na escala, burlavam o sistema de ponto eletrônico, marcando presença apenas visualmente e retornando para casa ou outros locais de trabalho, com possível conivência da gestão, o que configura potencial improbidade administrativa. 

12. Técnicos de enfermagem exercendo funções de enfermeiros — desvio de função ilegal

A fiscalização do COFEN constatou que técnicos e auxiliares de enfermagem estavam exercendo funções que seriam exclusivas de enfermeiros, em razão da insuficiência de profissionais habilitados no quadro, o que representa exercício irregular da profissão. 

13. Dimensionamento inadequado — 4 técnicos para 25 a 40 pacientes simultâneos

A Ala Vermelha (Trauma) registrou situações em que apenas quatro trabalhadores eram responsáveis pelo atendimento de 25 a 40 pacientes ao mesmo tempo, conforme denúncia formal do SINDPREV entregue à direção do HGE em 15 de dezembro de 2025. 

14. Trabalhadores contratados sem direito a férias e remuneração em licença médica

O SINDPREV-AL denunciou o tratamento imposto aos trabalhadores contratados pela Superintendência de Gestão de Valorização de Pessoas da SESAU, que eram obrigados a trabalhar doentes, sem direitos básicos garantidos como férias e remuneração durante licenças médicas. 

15. Ambulâncias sem ar-condicionado, com vazamento de gás e sem higienização

Em reunião com a direção do HGE em dezembro de 2025, o SINDPREV denunciou que ambulâncias do hospital operavam sem ar-condicionado, com vazamento de gás e sem higienização adequada, com condutores relatando chegarem exaustos e expostos a sangue e sujeira. Há também relatos de ambulâncias quebrando durante o transporte de pacientes por falta de manutenção. 

16. Infraestrutura degradada — mofo, infiltrações, buraco no teto tampado com papelão

Relatórios de fiscalização revelaram a existência de um buraco no teto de uma enfermaria tampado com papelão, setor que havia alagado anteriormente, enquanto o governo estadual divulgava investimentos milionários em novas unidades hospitalares. 

17. Centro Cirúrgico com expurgo inoperante — secreções descartadas em vasos sanitários comuns

O SINDPREV denunciou situação grave de risco sanitário no Centro Cirúrgico do HGE: com o expurgo inoperante, secreções estavam sendo descartadas em vasos sanitários comuns e materiais contaminados circulavam por corredores, elevando o risco de infecção hospitalar. 

18. Descarte irregular de materiais perfurocortantes no CME

O SINDPREV e o Sindicato dos Médicos denunciaram formalmente o descarte irregular de materiais perfurocortantes na Central de Material e Esterilização (CME), além da falta de fluxo na farmácia hospitalar, colocando em risco tanto servidores quanto usuários do hospital. 

19. COOPNEURO suspendeu atendimentos por 5 meses de atraso nos repasses da SESAU

A COOPNEURO, cooperativa responsável pelos serviços de Neurologia e Neurocirurgia no HGE, anunciou paralisação total das atividades a partir de outubro de 2025 após cinco meses consecutivos sem receber pagamentos da SESAU — de maio a setembro de 2025 —, deixando o hospital sem cobertura neurológica. 

20. Rombo de R$ 120 milhões na SESAU investigado pela Polícia Federal — impacto direto no HGE

A Polícia Federal revelou um rombo de R$ 120 milhões na SESAU, expondo esquema de corrupção com desvio de recursos e lavagem de dinheiro. O SINDPREV apontou que esses recursos, destinados à ampliação de leitos, compra de equipamentos e contratação de profissionais, foram subtraídos, agravando diretamente o colapso assistencial no HGE. 

Durante visita ao HGE, realizada pelo SINDPREV/AL, na quarta-feira (07/01/26), foi constatado a superlotação extrema do setor, marcada pela alta demanda de pacientes em estado grave, misturados com pacientes da ortopedia de procedimentos eletivos, aguardando atendimento por horas, aguardando dias para serem encaminhados, além de profissionais exaustos trabalhando no limite, o que evidencia um sistema que opera em permanente estado de caos.

Fonte: AR NEWS

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