Anizio Amorim

Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) vive um momento crítico, resultado de escolhas desastrosas e da falta de zelo da gestão municipal anterior. A recente perda de R$ 117 milhões, aplicados nos chamados “ativos podres” do Banco Master — instituição que sofreu liquidação extrajudicial após a prisão do seu dono, Daniel Vorcaro — não é apenas um “imprevisto político“, mas sim um golpe profundo nas contas públicas e nos atuais e futuros aposentados e pensionistas da Prefeitura da capital.

Para entender a gravidade da situação, basta olhar para a atual realidade financeira do Iprev: o que é arrecadado mensalmente com as contribuições dos servidores e da parte patronal (da Prefeitura) não é suficiente para pagar as aposentadorias e pensões. A conta não fecha. As despesas com os aposentados e pensionistas superam o que entra de contribuição regular, obrigando o município a realizar aportes mensais de cerca de R$ 16 milhões, apenas para cobrir esse rombo e garantir os pagamentos do mês.

Com contribuições insuficientes e a Prefeitura apenas “apagando incêndio” com aportes, a única forma de o fundo previdenciário crescer e se sustentar, no longo prazo, é através dos rendimentos de seus investimentos. É aí que o cenário fica ainda mais preocupante. Em fevereiro deste ano, por exemplo, a receita dos investimentos rendeu míseros 0,8%*. Isso é praticamente igual à inflação do mês (IPCA). Significa que não houve ganho real; o dinheiro investido apenas manteve o poder de compra, sem gerar riqueza ou segurança para o fundo.

Se esse rendimento já era baixo, perder R$ 117 milhões ganha contornos de tragédia. Os milhões benevolentementes entregues ao Banco Master equivalem a um ano da receita dos investimentos do Iprev. Se descontarmos a inflação e considerarmos apenas o ganho real, equivalem a cerca de uma década de rentabilidade. É revoltante para o servidor saber que esse seu dinheiro foi simplesmente jogado no lixo.

gestão temerária dos recursos do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió ficou evidente. Enquanto os servidores ativos continuam contribuindo e os aposentados dependem do benefício para sobreviver, a administração do município resolveu arriscar o patrimônio dessa instituição em um banco envolvido em fraudes financeiras.

Não somente os servidores segurados foram prejudicados, os cidadãos contribuintes de Maceió também pagarão a conta dessa irresponsabilidade. Eles ainda não sabem, mas os recursos públicos destinados a cobrir o rombo previdenciário crescerão expressivamente, deixando de serem investidos em saúde, educação e infraestrutura.

Exige-se, urgentemente, que a Polícia Federal prossiga com as investigações das denúncias de irregularidades na autorização do investimento, com possível falsificação e fraude na decisão do aporte, para assim atender aos servidores, que vivem as incertezas sobre o futuro do fundo de previdência.

Se houve crime, que os culpados sejam punidos exemplarmente. A gestão do dinheiro dos servidores e dos recursos públicos deve ser tratada seriamente.

*Fonte: Sistema Cadprev do MPS (dados de fevereiro/2026).

Fonte: Contexto Alagoas

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