Com aval dos EUA, Israel promove carnificina no Líbano

Bombardeios de Israel no Líbano matam 492; país vive dia mais sangrento desde a guerra de 2006

O Ministério da Saúde do Líbano disse que 492 pessoas morreram e 1.645 ficaram feridas nesta segunda-feira (23) depois de Israel lançar um ataque aéreo amplo no país. Pouco antes, as Forças de Defesa de Israel haviam alertado a população civil para que se afastasse “imediatamente” de supostas posições e depósitos de armas do grupo extremista Hezbollah.

  • Entre os mortos estão 35 crianças, 42 mulheres e também profissionais da Saúde, segundo as autoridades. Os números totais de mortos e feridos estão sendo atualizados pelo ministério da Saúde libanês ao longo do dia e ainda podem aumentar. Os bombardeios israelenses causaram pânico e geraram uma fuga em massa do Líbano.

Com os ataques, esta segunda-feira se torna o dia mais sangrento no país em mais de 18 anos, desde a guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah.

O bombardeio israelense desta segunda também é o mais amplo já conduzido no território do Líbano desde o início da troca de agressões entre Israel e o Hezbollah, há quase um ano –aliados do grupo terrorista Hamas, o grupo extremista libanês realiza bombardeios contra Israel desde o início da guerra na Faixa de Gaza.

Pela manhã, Israel atacou regiões do sul e do leste do Líbano. Mais tarde, voltou a bombardear Beirute, a capital do Líbano alvo de um grande ataque na sexta-feira (20).

Cerca de 1.300 alvos do grupo foram atacados, segundo os militares israelenses. De acordo com as Forças de Defesa de Israel (FDI), “um grande número” de integrantes do Hezbollah foram mortos no Líbano nesta segunda.

Israel afirmou que atingiu um dos comandantes do alto escalão do Hezbollah, identificado como Ali Karaki –segundo a Reuters, ele era o alvo do bombardeio israelense em Beirute. No entanto, o Hezbollah afirmou em comunicado que Karaki está bem e foi movido para um local seguro.

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, afirmou que dezenas de milhares de foguetes do Hezbollah foram destruídos nos bombardeios ao Líbano nesta segunda.

Os moradores das regiões do Líbano atacadas receberam mensagens de texto e de voz enviadas por Israel alertando sobre a iminência dos ataques.

Esse foi o primeiro alerta do tipo em quase um ano de conflito em constante escalada entre Israel e Hezbollah. O aviso foi enviado após uma intensa troca de tiros no domingo (22), quando o Hezbollah lançou cerca de 150 foguetes, mísseis e drones no norte de Israel. Os ataques foram uma retaliação ao bombardeio israelense que matou cerca de dez comandantes do grupo extremista, sendo um deles do alto escalão.

Após os bombardeios desta segunda, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou Israel de buscar uma guerra mais ampla no Oriente Médio e de colocar “armadilhas” para levar seu país a um conflito maior.

O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, denunciou um “plano de destruição” executado por Israel.

“A agressão persistente de Israel contra o Líbano é uma guerra de extermínio em todos os aspectos, um plano de destruição que pretende pulverizar os vilarejos e cidades libaneses”, afirmou Mikati em um comunicado, no qual pede à ONU e aos “países influentes” para “dissuadir a agressão”.

O ministro do Interior do Líbano disse que vai converter escolas em abrigos em Beirute, Trípoli e no sul do país para lidar com o “intenso deslocamento” de libaneses no país. As aulas em escolas e universidades foram canceladas.

Já o Ministério da Saúde ordenou que as cirurgias eletivas sejam canceladas em todos os hospitais para que as unidades de saúde tenham espaço para receber os feridos nos bombardeios.

O porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que ele está alarmado com a escalada da situação no Líbano e muito preocupado com o grande número de vítimas civis anunciado pelas autoridades libanesas.

Amplitude inédita

Os caças israelenses atacaram cidades ao longo da fronteira sul do Líbano e no Vale do Bekaa, cerca de 30 km a leste de Beirute. Na capital, há relatos de tráfego intenso de carros saindo da cidade em direção a locais que seriam mais seguros.

Segundo o porta-voz das Forças de Defesa de Israel, residências no Vale do Bekaa estão sendo usadas para alojar mísseis e drones, e os ataques visam atingi-los antes que eles sejam disparados.

A área fica entre aldeias cristãs e muçulmanas xiitas, e não havia sido atingida antes por ataques israelenses. O bombardeio revela que Israel está atacando uma área mais ampla do território libanês a partir de agora — antes, os bombardeios ocorriam exclusivamente no sul do país e no sul de Beirute, considerados bastiões do Hezbollah.

O Hezbollah afirma ter retaliado o ataque com o disparo de “dezenas” de mísseis em direção a Israel, tendo depósitos de armas da base militar de Nimra entre os principais alvos. Os militares israelenses confirmam 35 disparos, com alguns deles caindo em terra, sem vítimas.

Fumaça em vários pontos do Líbano após ataque de Israel — Foto: REUTERS/Aziz Taher

Fumaça em vários pontos do Líbano após ataque de Israel — Foto: REUTERS/Aziz Taher

Balanço de forças está mudando, diz Netanyahu

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que havia prometido mudar o balanço de forças na fronteira norte do país, e é exatamente isso o que ele está fazendo.

Ele afirmou também que os bombardeios estão destruindo “milhares” de mísseis e foguetes que estariam apontados para cidades e civis israelenses.

Haifa em alerta

Segundo as Forças de Defesa de Israel, mais de 1 milhão de civis tiveram que buscar proteção em abrigos antibombas na cidade de Haifa, no norte do país.

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, pediu para que os israelenses obedeçam às sirenes de alerta que indicam bombardeios inimigos e se refugiem em abrigos.

“À nossa frente estão dias em que o povo terá que mostrar compostura, disciplina e total obediência às diretrizes do Comando da Frente Interna. A diferença entre o sucesso e o fracasso está no fato de que os cidadãos entraram em salas protegidas e outros lugares de acordo com as instruções que demos a eles”.

No domingo, foguetes disparados pelo Hezbollah atingiram a cidade de Haifa, ao norte de Israel. Segundo o grupo, o alvo eram complexos industriais militares da empresa Rafael, que desenvolve armas e tecnologia militar.

O ataque foi confirmado pelas Forças de Defesa de Israel (FDI), que afirmaram, no entanto, que os foguetes foram disparados “em direção a áreas civis”.

Em resposta, o Exército israelense realizou bombardeios em alvos do Hezbollah no sul do Líbano.

A troca de agressões entre Israel e Hezbollah se intensificou desde as explosões de pagers e de walkie-talkies de membros do grupo extremista no Líbano na semana passada.

As duas partes vêm trocando agressões desde o início da guerra entre Israel e o Hamas em Gaza. O Hezbollah afirma que os foguetes lançados são uma retaliação contra o massacre de palestinos na Faixa de Gaza, iniciado após os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023.

Por conta dos bombardeios partindo do Líbano, moradores do norte de Israel foram evacuados de suas casas.

Na semana passada, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, afirmou que as operações no Líbano continuariam até que os israelenses removidos pudessem retornar em segurança. A fala indica um conflito prolongado, já que o Hezbollah, apoiado pelo Irã, prometeu lutar até que houvesse um cessar-fogo guerra de Gaza.

Fonte: G1

Petroleiras receberam R$ 226 bilhões em isenções desde o governo Temer

230 empresas da cadeia do petróleo obtiveram renúncias que deveriam ser temporárias, maioria são estrangeiras

Pelo menos 230 empresas ligadas à cadeia de exploração do petróleo no Brasil foram beneficiadas com R$ 226 bilhões em renúncias fiscais desde 2017, primeiro ano completo do governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). A maioria das petroleiras beneficiadas é estrangeira. Essas companhias foram agraciadas com isenções prorrogadas pelo próprio Temer um ano após assumir o posto que era de Dilma Rousseff (PT).

O valor das renúncias e o número de empresas beneficiadas por elas constam de um levantamento realizado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). O Inesc analisou dados sobre isenções vinculadas ao Repetro, programa criado em 2009 para baratear bens necessários para a exploração da recém-descoberta camada do pré-sal.

Quando o Repetro foi criado, ainda no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ideia era que ele fosse temporário. Seus benefícios venceriam em 2020.

O governo Temer, entretanto, agiu para prorrogá-lo até 2040. Editou uma medida provisória para isso, que virou lei sancionada por ele.

O Inesc conseguiu, com pedidos feitos com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), obter dados das isenções vinculadas ao Repetro de 2015 a 2023. Nesses nove anos, R$ 260 bilhões – média de R$ 28,8 bilhões ano. Essa média sobe para R$ 32,3 bilhões por ano a partir de 2017, já no governo Temer.

“Os dados revelam que as renúncias fiscais aumentaram significativamente a partir de 2017, com a renovação do Repetro até 2040 pela lei 13.586/2017. Essa lei ampliou o escopo do regime, beneficiando ainda mais as empresas do setor”, informou o Inesc, em texto da divulgação do seu levantamento.

“É um patrocínio enorme que o governo federal concede à indústria de óleo e gás, que é uma indústria que a gente sabe que tem seus dias contados, que precisa passar por um transição”, acrescentou Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc, que trabalhou no levantamento. “E o Brasil precisa desse recurso. São recursos que saem do Orçamento.”

Estrangeiros

Considerando todos os dados levantados pelo Inesc, a Petrobras é de longe a empresa que mais foi beneficiada pelas isenções. Foram R$ 117,2 bilhões, aproximadamente 45% de todo o benefício fiscal distribuído por meio do Repetro desde 2015.

A segunda empresa que mais se beneficiou foi a Modec, que aproveitou de R$ 15,3 bilhões em isenções. A Modec é uma multinacional que atua principalmente provendo plataformas marítimas usadas por petroleiras.

Segundo Cardoso, a Modec é só uma das várias estrangeiras beneficiadas por isenções no Brasil. Ela estima que 90% das companhias do Repetro são de fora do país.

Críticas

Para o economista Eric Gil Dantas, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), essas isenções não fazem sentido. Sejam elas para empresas nacionais com a Petrobras, sejam elas para estrangeiras.

Dantas acompanha o mercado do petróleo há anos. Lembrou que, entre 2021 e 2023, a Petrobras distribuiu bilhões a seus acionistas em forma de dividendos. Não precisaria, portanto, da ajuda do Estado para desenvolver suas atividades.

Dantas ressaltou também que essas isenções à indústria do petróleo não se revertem em benefícios à população, já que a cadeia do setor é baseada em preços internacionais. O petróleo produzido aqui – com ou sem incentivos do governos – é vendido por um valor definido num mercado global. A gasolina e o diesel, cujo preço depende do petróleo, não tendem a ficar mais baratos porque o governo ajudou as petroleiras.

Mahatma dos Santos, um dos diretores técnicos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), também não vê benefícios no Repetro pós-2017. Segundo ele, o programa surgiu como uma solução emergencial para trazer equipamentos ao Brasil enquanto a indústria nacional se desenvolvia.

A partir de 2017, o incentivo governamental a esse desenvolvimento parou. Para ele, assim, o Repetro serviu para beneficiar estrangeiros. “Isenções que beneficiaram sobretudo essa cadeia transnacional, reduziram a capacidade de concorrência dessa indústria nascente no Brasil e privilegiaram a indústria estrangeira, que de certa maneira, indireta e indiretamente, foi apoiadora do golpe de 2016 [contra Dilma].”

Revisão geral

Cardoso, do Inesc, espera que o governo revise as revisões do Repetro considerando as ponderações sobre o programa, mas sobretudo o cenário de mudanças climáticas.

“Esse é um passo necessário que se espera de um governo que busca exercer liderança na agenda climática global”, afirmou. “A relação do Brasil com a indústria do petróleo é marcada por uma profunda assimetria de informações e, também, pela falsa promessa de que os recursos oriundos do petróleo financiarão a transição energética. Sustentar essa expectativa é perder um tempo precioso no combate às emergências climáticas.”

Fonte: Brasil de Fato

Cientistas encontram microplásticos no cérebro humano

A análise do cérebro de 15 pessoas mortas revelou microplásticos no chamado bulbo olfatório. O resultado é fruto de uma pesquisa entre a Universidade São Paulo (USP) e a Universidade Livre de Berlim, publicada no jornal científico JAMA Network Open.

Essa área do cérebro em que as partículas estavam é a responsável por elaborar as impressões olfatórias e, por isso, os pesquisadores acreditam que substâncias tenham entrado no cérebro pela via nasal, através da inalação de microplásticos presentes no ar. O bulbo olfatório também está atrelado a outras estruturas cerebrais importantes, permitindo, por exemplo, a associação entre determinado odor e o aumento do apetite ou a evocação de uma memória.

Segundo a líder da pesquisa, Thais Mauad, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), danos nessa área prejudicam o olfato, mas ainda não há evidências se o efeito da presença de microplásticos seria capaz de levar a alguma doença olfativa ou neurológica. Apenas com novos estudos será possível determinar quais são os danos provocados por esses intrusos na região.

“O ingresso dos nanoplásticos pelas vias olfativas é preocupante, devido à capacidade de tais partículas serem internalizadas pelas células e interferirem no metabolismo celular. O risco pode ser maior em crianças, que têm o cérebro em desenvolvimento, com o potencial de causar alterações definitivas na vida adulta”, alerta a pesquisadora.

Os 15 cérebros analisados na pesquisa eram de paulistanos, com profissões diferentes e que morreram principalmente por causas ligadas ao pulmão e ao coração. A análise, feita no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas, identificou fibras e partículas de microplásticos em oito deles. O plástico mais comum encontrado foi o polipropileno, usado tipicamente em roupas, embalagens de alimentos e garrafas.

Porta de entrada

A cientista lembra que esses mesmos microplásticos já foram encontrados em diversas partes do corpo, mas é a primeira vez que descobrem que as partículas podem ultrapassar a chamada barreira hematoencefálica (BHE). “Trata-se de uma barreira entre o sangue e os tecidos encefálicos. Ela é especial para garantir mais proteção”, explica.

Como as partículas estavam no bulbo olfatório, a hipótese principal é de que tenham sido inaladas.

Mas não é só pela respiração que os microplásticos podem entrar no corpo. “Também há estudos em camundongos mostrando que há absorção até pela ingestão”, acrescenta a pesquisadora.

Uma vez inalados ou ingeridos, esses plásticos minúsculos caem na circulação e viajam pelo corpo.

A descoberta reforça que o uso exacerbado dos plásticos está, de alguma forma, mudando a natureza – nos mares, por exemplo, já se sabe que esses materiais, que demoram cerca de 500 anos para se decompor, provocam a morte de animais. Entre seres humanos, algumas consequências da exposição aos plásticos e seus aditivos incluem distúrbios endócrinos, diminuição da fertilidade e doenças cardíacas.

O estudo foi apoiado pela Plastic Soup Foundation, instituição membro do Plastic Health Council. Este grupo, composto por cientistas, líderes e ativistas, trabalha para assegurar que o Tratado Global de Plásticos da ONU aborde os impactos na saúde humana.

Fonte: Estadão

Israel expande sua carnificina para o Líbano, ataques já mataram 100 pessoas

Em nova frente de guerra, Israel expande sua carnificina para o Líbano. Ataques já assassinaram mais de 100 pessoas.

A pretexto de combater o Hezbollah, o Estado sionista de Israel desencadeou uma ampla onda de ataques aéreos, nesta segunda-feira, deixando pelo menos 100 mortos, segundo contagem libanesa, e advertiu os cidadãos a deixar as áreas onde afirma que o grupo armado estava armazenando armas.

Os mais recentes ataques ocorreram em meio a algumas das mais pesadas trocas de disparos na fronteira em quase um ano de conflito que se desenrola junto com a guerra entre Israel e o Hamas em Gaza.

“Estamos aprofundando nossos ataques no Líbano, as ações continuarão até atingirmos nosso objetivo de retornar os moradores do norte em segurança para suas casas”, disse o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, em um vídeo publicado por seu gabinete na segunda-feira.

“Estes são dias em que a população israelense terá que mostrar calma.”

Ele estava falando depois que os militares israelenses atacaram o Hezbollah, apoiado pelo Irã, no sul do Líbano, no leste do vale de Bekaa e na região norte, perto da Síria.

O Ministério da Saúde do Líbano disse que pelo menos 100 pessoas foram mortas, incluindo mulheres, crianças e médicos, e mais de 300 ficaram feridas nos ataques de Israel na segunda-feira.

O porta-voz do Exército israelense Avichay Adraee afirmou em um post no X que até agora, mais de 300 alvos do Hezbollah foram atingidos após o aviso anterior de que ataques aéreos em casas no Líbano, nas quais “o Hezbollah escondia armas”, eram iminentes.

Em resposta, o Hezbollah disse na segunda-feira que havia lançado foguetes em postos militares israelenses.

Israel também tem ameaçado os moradores do sul do Líbano, querendo obrigá-los a deixarem suas casas, como fez com os palestinos em Gaza.

Moradores tem recebidos chamadas para que abandonem suas casas imediatamente. Essas ligações chegaram até a capital libanesa, Beirute.

O ministro da informação do Líbano, Ziad Makary, afirmou que seu ministério havia recebido uma ligação semelhante ordenando a retirada do prédio, mas disse que o ministério não faria nada disso. “Esta é uma guerra psicológica”, disse Makary à Reuters.

Uma libanesa que mora na área de Manara, em Beirute, disse que a família recebeu uma ligação em seu telefone fixo.

“Então eles ficaram assustados, eu também estou assustada porque pensamos que, de alguma forma, a área em que vivemos é segura porque estamos cercados por embaixadores”, disse a pessoa.

Redação com MSN

Lula volta a criticar postura da ONU no enfrentamento a conflitos

No primeiro pronunciamento em Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde participará da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a falta de atuação da entidade global diante de crises que o mundo vem enfrentando nos últimos anos. 

“A crise na governança global requer mudanças estruturais, a pandemia, os conflitos na Europa e no Oriente Médio, a corrida armamentista e a mudança do clima escancaram as limitações das instâncias multilaterais”, afirmou.

A fala de Lula fez parte da Cúpula do Futuro, evento organizado pela ONU, que antecede a abertura da Assembleia Geral.  

Desde que assumiu o terceiro mandato, Lula apresenta uma postura crítica à capacidade de mediação da ONU em situações de emergência. Na própria assembleia das Nações Unidas do ano passado, o presidente chegou a citar “paralisia” da entidade. 

O início do atual massacre na Faixa de Gaza, em outubro do ano passado, foi um episódio-chave para um reforço da postura do presidente neste sentido. Desde então, ele vem cobrando mais atuação de organizações internacionais ao que já chamou de “genocídio” do povo palestino por parte de Israel.

No discurso deste domingo, Lula disse que “a legitimidade do Conselho de Segurança [da ONU] encolhe cada vez que ele aplica duplos padrões diante de atrocidades”, sem citar a Faixa de Gaza. 

“Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável foram o maior empreendimento diplomático dos últimos anos, e caminham para ser o nosso maior fracasso coletivo”, afirmou o presidente citando uma das principais bandeiras do evento promovido pela ONU neste domingo. 

O mandatário brasileiro também afirmou que “o Sul Global não está devidamente representando com seu atual peso político-econômico”. 

Lula teve parte de seu discurso cortado durante o pronunciamento. Durante fala, o microfone dele foi desligado, e o locutor oficial do evento agradeceu a participação de Lula, embora a imagem da transmissão seguisse mostrando Lula falando. 

Combate à fome e mudanças climáticas no centro da discussão

Lula está em Nova Iorque desde sábado (22) para participar da Assembleia Geral da ONU, que acontece na terça-feira (24).  Como já é tradição, o Brasil fará o discurso de abertura. A participação de Lula é aguarda para falar, principalmente, a respeito do combate a fome e mudanças climáticas. 

O Brasil vive uma seca histórica que tem impactado diretamente famílias da região do Médio Solimões, no Amazonas, por exemplo, que estão isoladas por conta da baixa dos rios impossibilitar o transporte. 

Além disso, especialistas afirmam que a condição climática está relacionada diretamente com o número de focos de calor que tomaram conta do país nas últimas semanas.   De janeiro a agosto de 2024, os incêndios no Brasil já atingiram 11,39 milhões de hectares do território do país, segundo dados do Monitor do Fogo Mapbiomas. Basicamente metade da área, 49%, foi consumida pelo fogo apenas no mês de agosto. 

Líderes mundiais reunidos

A abertura da Cúpula do Futuro contou também com discursos do secretário-geral da ONU, António Guterres, e do presidente da Assembleia Geral, Philemon Yang. 

O evento reúne líderes mundiais para debater formas de enfrentar as crises de segurança emergentes, acelerar o cumprimento dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), e abordar as ameaças e oportunidades das tecnologias digitais. 

O debate geral deste ano tem como tema “Sem deixar ninguém para trás: agindo juntos para o avanço da paz, do desenvolvimento sustentável e da dignidade humana para as gerações presentes e futuras”. 

Fonte: Brasil de Fato

Praia de Florianópolis é a mais poluída do país

A praia do Pântano do Sul, de Florianópolis (SC), apresentou os maiores níveis de contaminação do país, de acordo com o estudo da ONG Sea Shepherd Brasil, em parceria com o Instituto Oceanográfico da USP.

O que aconteceu
O estudo “Expedição Ondas Limpas na Estrada”, maior já realizado sobre o perfil dos resíduos marinhos no Brasil, foi publicado nesta quinta-feira (19) e constatou a presença do plástico ao longo de todo o litoral do país. A expedição percorreu 201 municípios brasileiros ao longo de 16 meses.

Os resultados mostraram que 100% das praias do Brasil contêm resíduos plásticos, e microplásticos foram encontrados em 97% delas. As cidades da Baixada Santista (SP) estão entre as cidades mais poluídas. Em São Vicente foram encontrados 10 resíduos por metro quadrado nas praias. Em Mongaguá, foram descobertos 83 fragmentos de microplástico por metro quadrado. Entre os macrorresiduos, o maior volume foi de bitucas de cigarro.

Esses dados estão disponíveis em uma plataforma interativa digital, possibilitando que as pessoas possam explorar as praias, cidades e estados mais e menos poluídos, classificados por tipo de resíduo, facilitando a análise e visualização dos dados.

Além do raio-x da costa brasileira, a equipe produziu um relatório, com diagnósticos e propostas de soluções, que já está disponível, e o lançamento de um artigo científico mais detalhado está previsto. O grupo ainda realizou ações como 306 limpezas científicas e 172 mutirões de limpeza.

Fonte: Uol

A CADEIRA VOADORA

Flávio Show – Funcionário dos Correios

Maceió, 21 de Setembro de 2024

Nunca na história desse país saudamos tanto uma cadeira, o sonho de sentar na cadeira da Prefeitura de São Paulo deu lugar a uma sentada de cadeira de um candidato idoso em um que foi condenado pela justiça por enganar idosos, seria cômico se não fosse trágico, na verdade, verdade mesmo, foi muito cômico e o Coach goiano que ensina dar soco em tubarão, que demonstra como é enfrentar uma onça e ainda ajuda um piloto a pousar um helicóptero com defeito nas bielas, mesmo assim com todos esses predicados uma cadeira na mão de um sexagenário foi mais rápida, contudo nunca é demais lembrar que violência não leva a lugar nenhum, até o dia do debate na TV Cultura que abriu sua garagem para uma ambulância buscar e levar o corpo do moribundo para o hospital, daí em diante o que vimos foram “ibagens” de um teatro ao estilo da fakeada, tudo num nível hard, porém não adiantou e o tiro, digo, a cadeira saiu pela culatra e todos riram do supermam, comedor de pequi sucumbindo para um idoso, obeso, safenado, mas, sem dúvida, com a destreza de um tubarão e a rapidez de onça em uma caçada. Resta -me dizer; obrigado Seu Datena!

A comunidade LGBT+ tá muito bem representada e uma cadeira na Câmara dos Deputados tem seu assento garantido pela Deputada Erika “whitney” Hilton que bateu a real sobre o comportamento da “desinfluencer” Jojô Todynho que gravou um vídeo afirmando que era uma mulher preta de direita, pra surpresa de zero pessoas. A Deputada Erika deixou claro que a “desinfluencer” usou a comunidade arco íris como trampolim pra angariar likes e seguidores, não foi uma cadeirada do Datena, claro, mas serviu como um recado para a esquerda parar de cultuar qualquer pessoa que vista ou levante uma bandeira da comunidade sem ao menos ter um passado de referência na luta contra as desigualdades e os preconceitos. Nas palavras da própria parlamentar a “desinfluencer” saiu do “que tiro foi esse, viado para vamos se aliar em quem quer dar tiro em viado”. Taí pra quem tinha alguma dúvida em saber qual o número que a Jojô apertou em 2022 e achocolatado lá em casa só Nescau.

Nunca uma cadeira foi tão perseguida e o Deputado Glauber tem que “matar” um leão por dia pra ter garantido o voto de milhares de pessoas que o elegeram. Essa semana a polícia do bolsonarista Cláudio Castro prendeu o parlamentar que estava junto com os alunos acampados na UERJ contra o corte de bolsas, jogando mais gasolina no seu processo de cassação. Glauber não se curvará aos desmandos de Artur Lira com sua trupe e se sua cadeira for deposta, ficará confirmado todo o conluio da extrema direita para enfraquecer a esquerda no Congresso. Se o Datena estivesse no lugar do Glauber, Artur Lira já teria levado boas cadeiradas dentro do parlamento.
Glauber Fica!

Pra finalizar, a briga entre a cadeira do Ministro Alexandre de Morais e a cápsula voadora do Elon Musk ainda não acabou. Essa semana o X ( Twitter ) deu um drible no Xandão e reativou a plataforma, mas não foi muito longe e mais uma multa foi aplicada ao fogueteiro. O lado positivo desse confronto é mostrar para o mundo, que mesmo um bilionário que senta em cadeiras de ouro, jamais poderá impor seus delirios capitalistas diante de uma cadeira genuinamente brasileira feita com madeira de lei, ou seja, madeira de dar em doido, gringo ou não!

Reflexões* Flávio Show 2024 , ano 04 – Edição 198

Precatórios do Fundef serão pagos no dia 30 de setembro

Tema tem despertado dúvidas entre trabalhadores da educação desde que foi anunciado e sancionado pelo governo Paulo Dantas

Com o anúncio do Governo do Estado de que será pago um rateio dos precatórios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) aos trabalhadores da educação, e principalmente depois da publicação de uma lista no Diário Oficial do Estado com possíveis beneficiários e o anúncio de que o dinheiro deve estar na conta até o final de setembro, milhares de pessoas tem buscado informações e detalhes para entender. Do que se trata? Quem tem direito? Quanto cada um vai receber? Quando acontece o pagamento? E os herdeiros de quem já morreu? São muitas questões que pairam, e algumas delas ainda sem resposta.

Esta semana, a Tribuna Independente confirmou a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), que o pagamento referente aos precatórios do Fundef será realizado no final deste mês de setembro.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), uma das primeiras confusões é causada pelo próprio nome dado ao recurso.

“Como estamos chamando de precatórios do Fundef, muitas pessoas acreditam que é um dinheiro de processo judicial movido contra do Governo do Estado, que gerou o direito aos trabalhadores da educação, mas não é o caso. Na verdade, foi um processo que o Governo Estadual venceu contra a União, e que gerou precatórios. O valor que chega ao estado será pago em forma de rateio. Lutamos e garantimos a vinculação, e em seguida a subvinculação dos recursos que serão pagos na forma de abono como previsto na legislação vigente”, disse Izael Ribeiro, presidente do Sinteal.

Essa é uma causa que vários estados e municípios do Norte e Nordeste do país receberam, ou vão receber, relacionada a um erro de repasse no valor do Fundef, que aconteceu no período de 1998 a 2006. Por conta disso, a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) e os sindicatos, no caso de Alagoas o Sinteal, reivindicaram que 60% de todo recurso que chegava para a educação pertencia aos professores (pela própria lei), e por isso deveria ser repassado.

Sendo assim, o Sinteal tem negociado (em muitos casos judicialmente) para que as prefeituras façam o pagamento. Muitas receberam, outras não. O Estado de Alagoas recebeu a primeira parte do recurso em março deste ano, e desde então há um esforço para pagar. “Está demorando porque é preciso fazer o levantamento de todas as informações de quem tem direito a receber, também tiveram entraves do governo do Estado, mas que agora já avançaram, então está seguindo o trâmite burocrático”.

De acordo com a lei 9.632, sancionada pelo governador Paulo Dantas (MDB), em 2 de setembro, os recursos serão distribuídos, sob a forma de abono, aos profissionais do magistério da rede pública estadual de ensino em efetivo exercício na educação básica estadual durante o período compreendido entre janeiro de 1998 a dezembro de 2006. Isso inclui não apenas os efetivos, mas também os que trabalharam como contratados temporários, também conhecidos à época como monitores.

Desde o dia da sanção, o governador demonstrou claro interesse em viabilizar o pagamento o mais rápido possível. Ele tentou definir uma data, cobrou as secretarias durante a cerimônia, inclusive com transmissão ao vivo, mas faltavam alguns ajustes e não foi possível dar um prazo exato. Mas o presidente do Sinteal, que está compondo o Grupo de Trabalho (GT) dos precatórios instalado pelo governo disse que estão trabalhando para pagar até o final de setembro deste ano.

“É o que os órgãos de governo definiram, e nós esperamos que seja cumprido”. A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) confirma a informação. “Sim, a expectativa é que os pagamentos sejam efetuados ainda nesse mês de setembro”.

Funcionários de escolas estaduais serão pagos com os juros

De acordo com a lei relacionada ao Fundef, o recurso é exclusivo para pagamento de professor, portanto não estão incluídos os funcionários de escola na lista de beneficiados. Como eles também foram prejudicados, o Sinteal propôs uma alternativa.

“O valor que está parado na conta ao longo desses meses está rendendo juros, fizemos uma assembleia e a maioria concordou com a proposta de que todo o valor do rendimento dos juros deve ser rateado entre os funcionários de escola [de acordo com os mesmos critérios de período dos professores]. O governo não colocou o Projeto de Lei que foi à Assembleia Legislativa, mas conseguimos apoio do deputado Ronaldo Medeiros (PT) para aprovar uma emenda e eles vão receber”.

Presidente do Sinteal, Izael Ribeiro intermediou reuniões entre o funcionalismo público e governo (Foto: Edilson Omena)

Até o momento ainda não foi publicada nem uma lista preliminar dos funcionários que vão receber. Não se sabe exatamente quais os cargos incluídos, porque há uma diferença de entendimento entre o Sinteal e o Governo.

A Secretaria de Estado da Educação reforça que a gestão está trabalhando neste sentido. “Seduc e Seplag [Secretaria de Estado do Planejamento] também seguem empenhados no sentido de disponibilizar, o quanto antes, a relação de servidores das áreas administrativas que serão contemplados com o juro do precatório. Vale destacar, em tempo, a contribuição do Grupo de Trabalho – que também conta com a participação do Sinteal nas discussões – instituído pelo Governo de Alagoas para conferir ainda mais transparência ao processo”.

Fonte: Tribuna Hoje

Globo, Estadão e Folha festejam alta dos juros, o segunda mais alto do mundo

Copom quer frear o “efeito Lula” na economia se embasando nas projeções de 171 financistas ouvidos semanalmente pelo BC no boletim Focus. Mesmo número que no Código Penal define o crime de estelionato

A desculpa esfarrapada do Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central (BC) para aumentar a taxa Selic em 0,25% foi comemorada pelo mercado e pela mídia liberal em editoriais e artigos de colunistas, que usam a “coesão” em torno da decisão para atacar Lula.

A elevação da Selic para 10,75% colocou o Brasil no segundo lugar do ranking mundial de juros reais entre 40 países, segundo o site MoneYou, especializado no tema. 

Com a subida dos juros, o Brasil passa a ter uma taxa real de 7,33%. O país ficou atrás apenas da Rússia, de Vladimir Putin, que está em guerra desde fevereiro de 2022 e paga 9,05% de juros reais – descontada a inflação – aos especuladores.

Em editorial no jornal O Globo, a família Marinho comemorou a decisão e o “recado nítido de coesão ao mercado”. “Contribui para afastar incertezas a respeito da próxima gestão no BC, que começa em 2025”, diz, sobre a desconfiança que havia dos financistas na indicação de Gabriel Galípolo para assumir o posto de Roberto Campos Neto na presidência do “autônomo” BC, sequestrado pelos agentes do sistema financeiro.

Em nota, o Copom – que é presidido por Galípolo – usa dados dos agentes do mercado para justificar o aumento a partir das “expectativas de inflação para 2024 e 2025 apuradas pela pesquisa Focus”, que “encontram-se em torno de 4,4% e 4,0%”.

“Considerando a evolução do processo de desinflação, os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 10,75% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, diz a nota, sinalizando um novo ciclo de alta, que deve elevar a Selic para no mínimo 11% até o final do ano, segundo desejos dos “analistas econômicos”.

Por incrível que pareça, o Copom justifica os “riscos de inflação” detectados pelo mercado justamente nos dados da economia real, que tem crescido e gerado emprego acima das expectativas reveladas no “Focus”.

“Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho tem apresentado dinamismo maior do que o esperado, o que levou a uma reavaliação do hiato para o campo positivo”, diz o BC, resgatando um argumento que não era usado desde 2015.

Ou seja, o Copom e o mercado querem frear o efeito Lula na economia. No mundo real, longe da Faria Lima, o governo baixou a taxa de desemprego a 6,8% – a menor da série histórica medida pela PNAD Contínua, do IBGE, iniciada em 2012.

Vale lembrar que, no domingo anterior, também em editorial, O Globo mentiu descaradamente para tentar minimizar o efeito Lula na economia e creditou a queda no desemprego à “reforma trabalhista feita pelo governo Michel Temer”. Para isso, espancou dados do IBGE que mostram justamente o contrário – veja aqui.

No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) fechou em 1,4%, meio ponto acima da expectativa do mercado de 0,9%. A perspectiva, é que o crescimento da economia chegue a 3,2% em 2024. Em situações normais, o índice é o maior desde 2011, quando o PIB bateu 3,97% no primeiro ano do governo Dilma Rousseff (PT) – em 2021, sob Jair Bolsonaro (PL) a economia cresceu 4,6% devido à retração provocada pela pandemia no ano anterior, quando caiu 3,88%.

Já a inflação, principal argumento usado pelo Copom para aumentar a taxa de juros e manter “o firme compromisso com a meta” – que é de 4,5% no ano -, foi negativa, em -0,02% em agosto. No ano, o IPCA acumula alta de 2,85% e, nos últimos 12 meses, de 4,24%. Ou seja, tudo indica que a alta de preços estará dentro da meta.

Cooptação de Galípolo e pressão sobre Lula

Após a divulgação do novo ciclo de alta da Selic, a mídia neoliberal, alinhada ao mercado, soltou fogos, especialmente pela sinalização de que Galípolo, que assume a presidência do BC em fevereiro, já teria se juntado à horda de banqueiros e da Faria Lima, que lucram com o estelionato em torno da taxa de juros e do dólar.

No editorial, O Globo cita elementos corrosivos da alta da taxa de juros – “ao tornar o crédito mais caro, inibe o consumo e o investimento” -, mas mesmo assim celebra “a subida gradual de agora” e “o mais provável é um novo ciclo de alta”, que beneficia diretamente os megaespeculadores em sua ação lucrativa e criminosa com os títulos da dívida pública.

“O fato de os diretores do BC terem votado de forma unânime é um sinal de que compartilham essa opinião. E o momento para essa demonstração de sabedoria e unidade não poderia ter sido mais propício. Em janeiro, haverá troca de guarda na presidência do BC. Sai Roberto Campos Neto, alvo contínuo de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e entra Gabriel Galípolo, ex-secretário executivo do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e atual diretor de Política Monetária. A promoção de Galípolo, ainda dependente de confirmação do Senado, coincidirá com a chegada de mais diretores indicados por Lula. Tal cenário chegou a levantar dúvidas pertinentes sobre a atuação do Copom a partir de 2025. Seguiria a rotina de decisões técnicas ou abriria as portas para opiniões heterodoxas, como as que vigoraram durante o governo Dilma Rousseff? O anúncio desta quarta-feira ajuda a dissipar as dúvidas e sugere que a gestão Galípolo deverá seguir os mesmos parâmetros da atual”, celebra a família Marinho, que opera empresas offshore que especulam com a economia brasileira, como revelou o Pandora Papers.

Cortes na saúde, educação e contração do emprego

Porta-voz da Faria Lima, William Waack aproveitou a deixa para dar o recado a Lula em nome do “mercado”.

“A oportunidade de fazer algum ajuste nas contas via cortes foi perdida logo no começo do mandato, quando Lula deixou claro que nem queria ouvir falar disso. Apostou na expansão do gasto público como motor do crescimento e impulso do consumo”, diz o “analista”, que considera “gastos” o investimento em educação e “investimento” o pagamento de juros ao sistema financeiro.

Ao atacar o presidente por “bufar por conta de juros altos” – como classificou as críticas ao BC -, Waack criticou Lula por não fazer a aliança com a Faria Lima logo no início do mandato e “perdeu talvez a única chance de mobilizar forças políticas que o ajudassem de fato a se contrapor aos poderes ampliados do Legislativo frente ao Executivo. Acabou formando uma aliança com o STF”.

Na Folha, coube ao “colonista” – como dizia o saudoso Paulo Henrique Amorim -, Vinicius Torres Freire traduzir o recado do Banco Central, propondo  “bons remendos no arcabouço fiscal”.

Os remendos são mais do mesmo: corte de investimentos nas ações essenciais para a população mais pobre. “Um plano de contenção do aumento de gastos em Previdência, saúde e educação, para 2026 e além, teria algum feito imediato”, diz.

Segundo o “colonista”, o arrocho nos investimentos em saúde e educação e nos salários dos aposentados “facilitaria muito a vida de Gabriel Galípolo, futuro presidente do BC”.

“Aliás, é o plano que está na cabeça de todo o mundo na direção do BC, inclusive dos nomeados por Lula”, emenda, celebrando a cooptação pela Faria Lima dos novos membros do BC, indicados por Lula.

Por fim, o colonista da Folha tem uma ataque de realidade e mostra quais seriam os reais objetivos do aumento da Selic.

“O país cresce mais do que quase todo o mundo esperava. A inflação está fora da meta [NR.: uma mentira descarada], mas algo contida, estável e, para padrões brasileiros, baixa. Mas as taxas de juros (atenção para o plural) estão em níveis teratológicos. Vão levar a dívida do governo a níveis assustadores, dado, de resto, que não haverá superávit primário nas contas públicas tão cedo. Isso não vai prestar”, diz.

Para Paulo Kliass, doutor em economia e membro da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental do governo federal, a decisão do Copom é “crônica da profecia autorrealizada”, ao se referir às expectativas do mercado no boletim Focus, que embasam as decisões do Copom.

“A diretoria do Banco Central se reúne a cada 45 dias e toma uma decisão a respeito da taxa de juros, a Selic. Da última reunião para agora começou uma grande pressão do sistema financeiro, donos de bancos, jornalistas a soldo da banca privada nos grandes meios de comunicação dizendo: não, agora acabou, não dá mais para continuar nesses 10,5% – como se fosse muito baixa -, temos que aumentar. Só que sem argumento efetivo”, disse Kliass ao Fórum Café.

“Isso é um crime de lesa-pátria”, sentencia o economista sobre a cooptação da diretoria do Banco Central pelos 171 agentes do sistema financeiro ouvidos semanalmente no boletim Focus.

O mesmo número que no Código Penal Brasileiro define o estelionato, crime que consiste, basicamente, na prática de golpes, nos quais o criminoso engana a vítima para obter algum tipo de vantagem, na maioria da vezes em dinheiro.

Por Plinio Teodoro

Fonte: Revista Fórum

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