O homem não nasceu para estar só

Natércia Lopes – Professora da Uneal e da Semed Maceió

A individualidade do homem é revelada em suas ações, que também desvelam seus “interesses específicos, objetivos e mundanos”, assim afirmava Arendt sobre a condição humana. Estes traços se originam através da vida ativa e vida contemplativa, termos utilizados para definir o fazer num mundo próprio, circundante e compartilhado (ARENDT, 2016, p. 226).

A vida ativa ou vita activa diz respeito às nossas orientações para o mundo, ao que fazemos e como vivemos em nossas relações na coletividade. O discurso voltado para a ação torna-se a essência da vida adulta, é a atitude de estar presente reivindicando direitos, contestando, buscando mudar a realidade vivenciada.

Dentro do conceito de vida ativa engloba-se o labor, o trabalho e a ação. O labor é a atividade indispensável que assegura a existência, a necessidade do homem de se manter vivo. O trabalho pressupõe a mundanidade, o desejo artificial de produção para estabilizar a vida, o consumo e o consumismo; e, a ação remete a vida política de diálogo e conexão entre seus pares, a pluralidade, a condição humana única em que cada ser se insere no mundo e introduz algo novo.

Arendt coloca que todas as criaturas têm começo e fim, mas o ser humano é o único que tem consciência disso, e que cabe a ele escolher encontrar a imortalidade por meio da atividade prática, ou buscar a eternidade pela via contemplativa. Essa vida contemplativa ou a contemplação se dá na solidão, no afastamento da correria para refletir sobre sua vida, no isolamento da confusão diária. É neste momento que há pensamento nos outros, que há conexão. Para Arendt nunca abandonamos as relações pessoais, mesmo no maior afastamento das pessoas. Quando estamos no exercício do pensamento, ou da vida contemplativa, nunca estamos sós, ao contrário, estamos na plenitude existencial, numa convivência consigo mesmo, e na atividade reflexiva e crítica de como você é percebido pelos outros. No momento que se pensa, afasta-se da realidade do mundo para refletir se o que se faz, condiz com o que se fala. Evocam-se nestes instantes de solidão ou contemplação, os valores éticos e morais.  

Seguindo estes conceitos, Arendt faz distinção entre Sócrates e Eichman, enquanto o primeiro permitia-se em solidão estar conectado com outras pessoas através de um pensamento ativo e em plena atividade com os outros, sem desvincular a racionalidade da ação, Eichman é o oposto, é a ausência de pensamento, a corporificação do mal, um desajustado, desvinculado, que não se coloca no lugar dos outros. Trazendo estes conceitos para nosso cenário atual, buscamos refletir sobre a existência da vida contemplativa na contemporaneidade. Se o autoconhecimento vem da contemplação, quem está disposto a ficar só? A solidão machuca a autoestima, faz-nos sentir menos queridos, mais problemáticos, escanteados, desagradáveis, então… Como dizia o poeta, “mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão”… Em contrapartida, como as relações sociais adquirem forma hoje? De que vale estar com alguém que é incapaz de pensar sobre suas ações?

De modo contraditório, o trabalho que torna o ser humano consumista e egoísta, o distancia da escuta a si mesmo porque para ouvir-se é preciso silenciar os desejos carnais. Consequentemente, a ausência da vida contemplativa e a instituição da banalidade do mal presentes em Eichman, tornam-se características comuns em nossa sociedade líquida. A violência presente nas relações pessoais impedem a convivência de forma digna. Até para pensar criticamente se é saudável estar numa relação deste tipo, é preciso um momento de solidão que vai instrumentalizar o homem a contemplar suas ações da vida ativa, e vai desenvolver sua consciência.

O ato de ouvir os pensamentos é uma faculdade que só se consegue através de estudo idiossincrático, não obstante, o que temos presenciado é uma incapacidade do ser humano de parar e pensar. Assim, uma vida ativa irrefletida, desnuda o desprezo pela vida humana, e acaba por revelar um homem que tanto lutou para estar em séquito, numa solidão acompanhada, sem perceber que essa companhia foi condicionada de forma voluntária à sua existência.

A fatídica constatação de que todos os caminhos têm preço, e é um preço bem mais alto a pagar quando se dissocia a ação do pensamento. Porém, o ato de pensar é a mais solitária das atividades, e… o homem não nasceu para estar só.

ARENDT, Hannah. A condição humana. 12. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2016.

A mamata de Bolsonaro: gastou 1,9 milhão em um mês com cartão corporativo

Chegado a uma rachadinha, Bolsonaro faz do cargo de presidente uma mamata permanente, gastou R$ 1,9 milhão em um único mês, segundo dados do Portal da Transparência

Levantamento do Yahoo! mostrou que Jair Bolsonaro bateu o recorde mensal de gastos mensais com o cartão corporativo. Em fevereiro do ano passado, foram gastos R$ 1,9 milhão em um único mês, segundo dados do Portal da Transparência. Em 2020, Bolsonaro gastou R$ 20,04 milhões.

Segundo reportagem de Ana Paula Ramos, do Yahoo!, “as despesas de 2021 se aproximam com as de 2020”. 

“De janeiro a julho do ano passado, a Presidência gastou R$ 10,31 milhões com cartões corporativos. Nesse mesmo período de 2021, os gastos já somam R$ 10,1 milhões”, destacou.

De acordo com Bolsonaro, o motivo do aumento nos gastos corporativos da Presidência foi devido aos aviões enviados à China para repatriação de brasileiros que estavam isolados em Wuhan, em razão do surto da Covid-19.

“A imprensa criticando o cartão corporativo, mas são tão mau caráter que não fala que pagou parte dos três aviões da FAB que foi para China”, criticou.

Servidores realizam protesto contra a reforma administrativa em Arapiraca

As centrais sindicais, sindicatos, movimentos sociais, Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo realizam a Caravana a Arapiraca na manhã desta segunda-feira (27).

A Caravana Popular – AL é em defesa dos serviço públicos e faz parte da luta contra a reforma administrativa, PEC 32, que acaba com os serviços públicos e retira os direitos dos servidores públicos.

As entidades reforçam o dia de mobilzacao nacional em 2 de outubro pelo Fora Bolsonaro, em defesa dos serviços públicos, contra as privatizações e o arquivamento por completo da reforma administrativa (PEC 32).

No protesto desta segunda, os manifestantes entregam panfletos, mostrando os deputados federais alagoanos que se posicionam contra os trabalhadores e a população, apoiando a reforma administrativa e o fim dos serviços públicos.

Mais de 2,3 milhões de brasileiros ainda não conseguiram ter acesso ao Bolsa Família

Do total de brasileiros na fila, 36% estão no Nordeste; Governo ainda tirou do programa 48.116 beneficiários da região

Mais de 2,3 milhões de brasileiros que estão no Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal ainda não conseguiram ter acesso ao Bolsa Família.

Esse é o resultado do último levantamento sobre a fila de espera para o programa, realizado pela Câmara Temática da Assistência Social do Consórcio Nordeste, com registros até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada hoje (26) pela coluna Painel, da Folha de São Paulo.

Do total de brasileiros na fila, 844.372 pessoas estão no Nordeste, 247.885 no Norte, 834.564 no Sudeste, 138.503 no Centro-Oeste e 205.941 no Sul.

“Veja que só no Nordeste são 844.372 famílias, não se trata de um número: são milhões de pessoas passando fome. Estamos falando de 2.271.265 famílias no Brasil nesta situação de encaminhar o pedido, ter o direito e não serem atendidas. É o país sonegando o pão de cada dia para mães e suas famílias”, declarou o presidente do Consórcio, o governador do Piauí Wellington Dias (PT-PI)

Para além da falta de vontade política em acatar os pedidos, o Governo Federal ainda cortou o benefício de milhares de beneficiários.

Entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2021, o Consórcio Nordeste constatou que a gestão de Bolsonaro tirou do programa 48.116 beneficiários apenas na região Nordeste. No Norte, foram 13.014 pessoas.

No início do ano, Dias chegou a enviar um ofício ao Ministério da Cidadania cobrando explicações pelos cortes, segundo ele feitos de forma desigual dentro das cinco regiões.

A fome e o novo Bolsa Família

No mês passado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apresentou ao Congresso Nacional a MP 1061, que cria os programas “Auxílio Brasil” e “Alimenta Brasil”.

O intuito é substituir, respectivamente, o Bolsa Família e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

A promessa do governo, sustentada pelos discursos populistas de Bolsonaro, é que o “Auxílio Brasil” tenha investimentos maiores que o Bolsa Família.

No texto apresentado, porém, não há qualquer informação sobre quantas famílias serão atendidas, quais os valores e como o programa será financiado. Hoje, o Bolsa Família alcança em torno de 14 milhões de brasileiros.

Caso o número de famílias acessando o principal programa social do Brasil diminua, a tendência é um agravamento ainda maior da situação da fome. É o que apontou Tereza Campello, ex-ministra do Desenvolvimento Social no governo Dilma, em entrevista recente ao Brasil de Fato.

Em 2014, ainda no governo Dilma Rousseff (PT), o Brasil chegou ao menor patamar de pessoas abaixo da linha da pobreza (4,5% da população), marca que retirou o Brasil dos índices que o colocavam no “Mapa da Fome” das Nações Unidas (ONU).

Atualmente, em meio à crise agravada pela pandemia da covid-19, quase 60% da população sofre com insegurança alimentar.

Fonte: Brasil 247

O *desinformante: um canal para combater a desinformação

Site criado há dez dias abre espaço para reunir pessoas interessadas nesse debate crucial para a democracia

No Brasil e no mundo a desinformação move montanhas. As mudanças na “arquitetura da informação”, principalmente de 2010 para cá, deram grande espaço às redes sociais. E, assim, reorganizaram o debate público a partir dessa tração de “conteúdos por afinidade”. É o que explica um dos fundadores do site *desinformante, o pesquisador e consultor em políticas de comunicação e cultura, João Brant. No ar desde o dia 16 de setembro, o espaço surgiu da constatação da gravidade do problemas da desinformação nos dias de hoje. “Mas que a gente não estava conseguindo olhar no atacado”, afirma Brant. Ou seja, “no geral, a gente está olhando no varejo, no amontoado de fake news”. Desse modo, como ele observa, a discussão sobre “saídas possíveis” vinha também um pouco tímida, comparada ao tamanho do problema.

Então, depois de quatro meses de “incubação”, nasceu o *desinformante: “um lugar de informações confiáveis sobre desinformação. Analisamos seu impacto na sociedade e discutimos as formas de combatê-la”, como se definem.

O objetivo é envolver pessoas não necessariamente especialistas, mas que estejam preocupadas com o tema. “A gente não vai sair do lugar, nesse debate sobre desinformação, sem envolver os grupos que fazem luta por justiça social, seja no campo socioambiental, na luta contra o racismo, direitos humanos. É essa turma que pode dar testemunhos diários do efeito da desinformação nas suas lutas”, avalia Brant.

Conteúdo afetivo

Nesta entrevista à RBA, o jornalista faz uma análise de como se chegou a esse estado de coisas, em que a desinformação tem espaço tão relevante, a ponto de ser, no Brasil e no mundo, um modus operandi de governos e autoridades públicas. “Na prática, se você privilegia informações mais chamativas, se os conteúdos que mais circulam são aqueles que mexem, que mobilizam afetos das pessoas, é muito provável que a desinformação ganhe espaço. E isso aconteceu no mundo inteiro.”

O site tem conteúdo fundamental para entender o papel da desinformação, por exemplo, na questão do marco temporal. Como resposta a uma mentira constantemente divulgada pelo governo e por ruralistas na tentativa de aprovar esse projeto que pode acabar por facilitar a grilagem de terras indígenas, o *desinformante traz informação. “Estudo publicado em 2019 por 14 pesquisadores brasileiros e estrangeiros na revista científica Land Use Policy (Política de Uso do Solo) mostra que 97.456 grandes propriedades rurais ocupam 1,8 milhão de km2, que correspondem a 21,5% do território nacional. As Terras Indígenas abrangem cerca de 13% do território (1,1 milhão de km2) e abrigam 572 mil pessoas, segundo o Censo de 2010 do IBGE. Comparativamente, cada grande proprietário rural é dono em média de 18,7 km2, enquanto cada indígena é de 1,9 km2.” 

Confira algumas notícias que você pode encontrar no *desinformante

Por que a ideia de criar o *desinformante?

A ideia surgiu de uma constatação de que a desinformação é um problema muito grande. Mas que a gente não estava conseguindo olhar para ela no atacado. Em geral a gente está olhando no varejo, no amontoado de fake news. E principalmente que a discussão sobre ‘saídas possíveis’ vinha também um pouco tímida se você considerar o tamanho do problema que está posto. Então, minha sensação é que a gente precisava de um espaço para criar um ambiente comum de debate sobre o diagnóstico e sobre saídas possíveis para conseguir avançar no debate sobre desinformação no Brasil.

E conseguir envolver pessoas que não sejam especialistas. A ideia é envolver pessoas comuns, eu diria, pessoas que se preocupam com o tema. Ou seja, militantes de outros áreas, pessoas com formação universitária ou que tenham algum tipo de preocupação com essa questão da democracia e da desinformação, mas que não sabem… é difícil tatear o problema todo. Elas conseguem olhar a questão partir das fake news isoladas, da necessidade de checar etc.

E, finalmente, da necessidade de envolver grupos afetados pela desinformação, o que é fundamental. A gente não vai sair do lugar nesse debate sobre desinformação sem envolver os grupos que fazem luta por justiça social, seja no campo socioambiental, na luta contra o racismo, direitos humanos. É essa turma que pode dar testemunhos diários do efeito da desinformação nas suas lutas.

Todos sujeitos a fake news

Como levar “informação confiável sobre desinformação” para quem não está interessado em se informar, em se dar ao trabalho de ler textos longos ou complexos, ou não consegue compreender o que lê?

Uma coisa é a dificuldade de receber conteúdo traduzido. Isso para nós vai ser um exercício, a gente não vai acertar de cara. Vamos entender como é a posição das pessoas, o pré-conhecimento das pessoas sobre o tema e o quão simplificado precisa ser o conteúdo. Nós não esperamos atingir as pessoas, eu diria, que não tenham essa preocupação ou não partam de algumas preocupações comuns de defesa da democracia, de perceber que a desinformação é um problema. Não temos essa pretensão. Nossa ideia é atingir a camada que não é nem de especialistas, nem completamente alheia ao assunto.

Afeto e tração

A dificuldade em compreender texto pode estar por trás da facilidade como se espalham as fake news?

Eu acho que precisamos perceber que todos nós estamos sujeitos a espalhar fake news, porque a questão da desinformação tem muito a ver com a mudança na arquitetura do ambiente informacional que a gente tem. Antes, a seleção de notícias era feita pelos jornalistas com um certo viés de algum nível de objetividade. A gente sabe que objetividade, neutralidade, nunca foram uma realidade total, mas isso se buscava como uma referência normativa.

Nesse momento, toda a tração do conteúdo, ou seja, o que faz o conteúdo se mover e chegar mais longe, tem a ver com afetos positivos e negativos das pessoas. Porque se eu dependo de quanto meus amigos curtiram determinado conteúdo para que ele seja visível pra mim, ou do quanto os amigos repassaram isso no WhatsApp para que ele chegue no meu WhatsApp, na prática eu dependo de que as pessoas que estejam naquele limite, entre passar ou não passar aquele conteúdo, decidam passar.

E isso se dá pela maneira como esse conteúdo te toca inconscientemente. A dimensão consciente é relevante, mas a dimensão inconsciente é mais. E aí entram afetos negativos, como rancor, raiva, medo. E entram afetos positivos, como humor, orgulho, empolgação. Eu diria que uma parte grande do debate que não toca as pessoas nem no afeto positivo, nem no negativo, que era boa parte do jornalismo anteriormente, fica sem tração. Sem ter quem empurre e reverbere esse conteúdo. E acho que esse é um dos problemas chave pra gente entender porque todos nós estamos de alguma forma sujeitos a repassar informações e notícias que talvez não sejam as mais relevantes do ponto de vista jornalístico, mas nos tocam no sentido pessoal.

Outra arquitetura

Isso é um fenômeno internacional, certo? Por que diferentes povos, com diferentes formações do ponto de vista educacional, vivem esse mesmo problema?

Acho que exatamente porque todos os povos viveram simultaneamente uma mudança na arquitetura da informação. De 2010 para cá, as redes sociais ganharam muito espaço, reorganizaram o debate público a partir dessa tração de conteúdos por afinidade. E essa questão, que tanto pega os algoritmos quanto algumas redes que não têm algoritmos, como o WhatsApp, a gente tem simplesmente a natureza humana guiando a difusão desses conteúdos. E em todos eles foi-se gerando um incentivo à desinformação.

Na prática, se você privilegia informações mais chamativas, se os conteúdos que mais circulam são aqueles que mexem, que mobilizam afetos das pessoas, é muito provável que a desinformação ganhe espaço. E isso aconteceu no mundo inteiro.

Você acha que essa questão afetiva explica o sucesso do jornalismo sensacionalista em que a notícia não é exatamente relevante, mas chocante?

Acho que nesse ponto tem um desejo de se mover pela emoção mesmo, pelo sensacionalismo. Mas não acho que seja a mesma coisa, não é desinformação. É um problema de outra ordem que existe faz tempo, o jornalismo marrom inglês, isso no mundo inteiro existe. O problema é que o ambiente informacional mudou e aí você tem essa dinâmica de circulação da informação que passou a privilegiar outros valores. Essa dimensão de uma notícia mais popularesca e superficial sempre foi uma questão e vai continuar sendo. Mas isso e desinformação são problemas diferentes, que se sobrepõem – mas são diferentes.

Saídas possíveis

Existe alguma maneira de fazer frente a isso? Como comunicar informação relevante e afetiva? Essa fórmula existe?

Acho que esse modelo de arquitetura das redes sociais, cuja circulação de informações está vinculada à mobilização de afetos, é muito difícil de ser revertida, mantida essa arquitetura. Mas acho que há sim. Não só mexer na arquitetura, pois há outros caminhos que podem mitigar esse problema. A gente lista nove saídas possíveis que passam um pouco por essa avaliação. E não é fórmula. A arquitetura do ambiente informacional define o modus circulandi, vamos dizer assim, da informação. E, no fundo, a arquitetura induz a comportamentos. Isso pra mim tem uma dimensão muito clara. Tem outras visões e a gente não vai cravar uma visão no *desinformante. O que a gente quer discutir é a questão do diagnóstico e das saídas possíveis.

Quantas pessoas fazem parte do *desinformante?

A equipe tem eu na coordenação-geral, e a Nina Santos, da Bahia, pesquisadora da Universidade de Paris, na coordenação acadêmica. Tem três profissionais de comunicação, as jornalistas, Ana d’Angelo, a Liz Nóbrega, do Rio Grande do Norte, e da Espanha o jornalista Mathias Felipe. E tem uma assistente das estratégias de comunicação, a Paula Campos.


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Professores denunciam a péssima qualidade do kit da Semed

A Prefeitura Municipal de Maceió tem divulgado que garantiu as condições sanitárias para o retorno seguro na rede escolar, mas, a realidade não é bem assim.

Professores tem reclamado da péssima qualidade do kit distribuído pela Secretária de Educação (Semed). Para os docentes, a máscara é de péssima qualidade e o elástico se arrebenta facilmente. Já o álcool gel não foi distribuído para os professores, enfim, a falta de cuidados e de assistência sanitária para garantir a volta às aulas tem sido duramente criticada pela comunidade escolar.

Um professor que não quis se identificar disse que é “uma falta de respeito com os profissionais da educação esse kit vergonha distribuído pela Prefeitura e que todos estarão expostos ao perigo de contaminação por coronavírus”.

Ainda segundo os professores, a categoria exige respeito e comunicará ao Sinteal para reforçar a fiscalização e acompanhamento, como também o Ministério Público do Trabalho.

Justiça proíbe projetos como “Escola Sem Partido” de tramitar em Curitiba

Decisão do Tribunal de Justiça do Paraná determinou como inconstitucionais e ilegais os projetos de lei que proíbem discussão de gênero e sexualidade

A discussão sobre gênero e sexualidade como o “Escola Sem Partido” está proibida em Curitiba. O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ/PR) determinou que projetos de lei que tratem do tema não podem tramitar na Câmara Municipal.

A decisão é fruto de uma ação ajuizada pelos mandatos dos vereadores Professora Josete (PT) e Goura (PDT), Marcos Vieira (PDT) e Professor Euler (PSD), junto ao Sindicato dos Servidores do Magistério de Curitiba (Sismmac).

No acórdão, divulgado na segunda-feira, 20, o Tribunal reafirma a inconstitucionalidade e a ilegalidade de propostas como o Escola Sem Partido, observando que Supremo Tribunal Federal (STF) já havia reconhecido “que a liberdade de ensinar e o pluralismo de ideias são princípios e diretrizes do sistema educacional nacional”.

A vereadora professora Josete Silva celebra a vitória e ressalta que o combate a qualquer prática que remeta à ditadura militar é necessário.

“Vencemos a Lei da Mordaça. Devemos combater fortemente essa prática absurda e que remete à ditadura. Viva a diversidade!

Para Teresa Leitão, representante do Setorial Nacional de Educação do Partido dos Trabalhadores (PT), a decisão judicial representa uma grande vitória para a educação.

“No ano do centenário de Paulo Freire, não podemos deixar prosperar propostas que tiram da escola o seu papel de formar para a cidadania”.

Conservadorismo

secretária Nacional LGBT do PT, Janaína Oliveira, destaca a tentativa de movimentos políticos incluírem nas escolas brasileiras uma agenda que prega o conservadorismo e o preconceito.

“Há por parte de certos partidos políticos a tentativa clara de fazer da escola sem partido um movimento político que visa avançar uma agenda conservadora para a educação, apresentando projetos que buscam associar uma falsa narrativa à ideia de proteger as crianças e adolescente da chamada “ideologia de gênero”, explica.

Janaína comenta ainda sobre a censura em relação à diversidade e enfatiza a decisão do STF sobre a inconstitucionalidade de projetos conservadores como o “Escola Sem Partido”.

Na verdade, se trata de uma censura à diversidade no ambiente escolar, buscando também promover o silenciamento dos profissionais de educação na tentativa de proibir o debate sobre gênero e sexualidade, ferindo a liberdade de ensino e aprendizagem que já estão estabelecidas na Constituição e na LDB”.

Fonte: PT.ORG.BR

Walmart: revoltada trabalhadora pega alto-falante da loja e pede demissão

A revolta foi contra o salário baixo, o excesso de jornada e, segundo a trabalhadora, porque todos ali são “maltratados pela administração e pelos clientes todos os dias”

Uma trabalhadora norte-americana de uma unidade do Walmart, no estado da  Louisiana, revoltada com o excesso de trabalho e salário baixo, pegou o alto-falante da loja e pediu demissão.

“Trabalho no Walmart há quase cinco anos e posso dizer que todo mundo aqui trabalha com excesso de trabalho e é mal pago. A política de atendimento é otimista. Somos maltratados pela administração e pelos clientes todos os dias. Sempre que temos um problema com isso, somos informados de que somos substituíveis”, disse Beth McGrath. 

Esta empresa trata seus associados idosos como merda. F***-se a gerência e f***-se este trabalho”. 

A cena da demissão foi gravada e publicada no perfil do Facebook de Beth McGrath, em 14 de setembro, e já tem mais de 345 mil visualizações e 10 mil compartilhamentos.

No dia seguinte, Beth publicou outro vídeo em sua rede social aconselhando as pessoas que passam pela mesma condição de precarização no emprego e não terem medo. “Não tenha medo de falar o que te incomoda, mesmo que isso acabe com você”, orientou.

Fonte: CUT Brasil

Oposição decide participar das eleições na Venezuala

O governo de Nicolás Maduro e a oposição seguem negociação neste início de setembro, depois da rodada realizada na Cidade do México em agosto, mediada pelo governo da Noruega. Foi adotado um memorando de entendimento que estabelece: direitos políticos para todos, garantías eleitorais, cronograma eleitoral e observadores; levantamento das sanções, restauração de direitos a ativos; respeito ao Estado Constitucional de Direito, convivência política e social, renúncia à violência; proteção da economia nacional e da seguridade social; garantías de verificação do que foi acordado.

Em 31 de agosto, a oposição agrupada na Plataforma Unitária, aonde estão os principais partidos e organizações da oposição, incluído o setor ligado a Guaidó, comunicou que participará nas eleições regionais e municipais em 21 de novembro, com o registro da Mesa da Unidade Democrática (MUD), como resultado dos acordos feitos no México.

Os acordos e negociações não são apenas eleitorais, mas também acomodações para a abertura econômica que o governo avança, com a qual a oposição está de acordo. Também tratam de temas políticos, incluindo os acordos com os EUA. O imperialismo pretende retomar o seu papel hegemônico, agora com Biden, que declarou estar disposto a revisar as sanções à Venezuela.

Reunião da CAIT
Em 23 de agosto reuniu-se a Coordenação Nacional Autônoma e independente de trabalhadores (CAIT) para avaliar a nova situação.

Concluímos que, de alguma forma, a negociação e os diálogos no México constituem uma derrota do golpismo e da operação Guaidó. E também dos EUA, que sofre quebras em todas as frentes de sua política externa, para além das explosões sociais na América Latina. A burguesia venezuelana e suas organizações foram obrigadas a reconhecer o governo Maduro que o povo elegeu.

A base dessa derrota do plano original do imperialismo está na resistência do povo trabalhador. Um triunfo parcial que custou muito, pois o ataque à nação arrasou nossa economia. Um quadro de crise econômica e social potencializado pela crescente corrupção estatal e pelos terríveis efeitos da pandemia da Covid-19.

Derrotamos a direita apátrida, agora vamos ter que reconstruir o país. Sobre que base se dará essa reconstrução? É o que estamos discutindo na CAIT.

Alberto Salcedo, de Maracaibo

Fonte: O Trabalho

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