Judiciário é usado para atacar greve de servidores em Florianópolis

Pedido de prisão, bloqueio de contas do sindicato e cobrança de multa de R$ 100 mil/dia de dirigentes e servidores públicos em greve; ação truculenta caracteriza prática antisindical

O Sintrajufe/RS publicou nota repudiando ação truculenta e reforçando apoio à luta dos trabalhadores. Leia a nota:

Os trabalhadores e trabalhadoras da saúde, da assistência social, da educação e de outros setores da Prefeitura de Florianópolis estão, desde a quarta-feira passada, dia 9, em greve. A luta é contra as políticas de desmonte dos serviços públicos e precarização do trabalho conduzidas pelo prefeito Gean Loureiro (DEM). A greve já sofre, porém, com a perseguição por parte de Loureiro, que pediu à Justiça Estadual a prisão de lideranças da greve, vinculadas ao Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem). A luta é contra a privatização dos serviços de coleta de lixo, reajuste para servidores da saúde, cumprimento do acordo coletivo com os trabalhadores da educação e pelo chamamento dos aprovados em concurso para a assistência social, entre outras pautas.

O sindicato denuncia que, desde que assumiu a prefeitura, Gean Loureiro, que agora quer ser candidato a governador, “insiste em sua política brutal de privatização que pune o povo e os trabalhadores da cidade. Deste 2017, quando assumiu o cargo, suas investidas têm o mesmo objetivo: desvalorizar os trabalhadores e quebrar o serviço público para fazer a população acreditar que a privatizar e terceirizar são a solução”. Ainda conforme o sindicato, na saúde, faltam remédios, investimentos em estrutura e valorização dos trabalhadores e das trabalhadoras que atendem à população em meio à pandemia; na educação, o prefeito não cumpre o acordo coletivo e a lei do piso do magistério; na assistência social, a Prefeitura não chama os aprovados em concurso, deixando cargos vagos, e Cras, Creas e casas de acolhimento, mal conseguem realizar os atendimentos necessários.

O principal item de pauta da greve refere-se à Comcap, autarquia responsável pela coleta de lixo na capital de Santa Catarina. Isso porque está em marcha um desmonte da Comcap, com terceirização de serviços e precarização do trabalho de servidores e servidoras. O Sintrasem denuncia que “a categoria está em discussão de Data-base desde novembro, mas a prefeitura insiste em atacar cláusulas importantes como a garantia de emprego e a proibição das terceirizações”. Segundo o sindicato, “o acordo coletivo dos trabalhadores da Comcap, que garante direitos conquistados pela categoria ao longo de décadas, está sendo rasgado pelo prefeito” e “o maior interesse do prefeito é beneficiar a máfia do lixo”. Hoje, as terceirizadas que atuam na limpeza urbana ganham milhões para fazer um péssimo trabalho no Norte e no Continente, e também com a varrição mecânica do Centro”.

Pedido de prisão, bloqueio das contas, multa diária e ataque às contas pessoais de dirigentes e grevistas; para empregador, greve é “tumulto”

A greve foi decretada na quarta-feira e na quinta, 10, a Justiça deferiu a medida liminar solicitada pela prefeitura e declarou ilegal a greve. A Desembargadora Sonia Mara Schmitz ainda determinou que, em caso de manifestação, que aconteça a uma distância de 450 metros de imóveis públicos destinados às atividades objeto dos protestos. Caso a liminar não seja cumprida, a juíza decidiu pela aplicação de uma multa diária de R$ 100.000,00. No caso da multa, a prefeitura ainda pediu que os dirigentes da entidade e os grevistas respondessem subsidiariamente pelo pagamento, ou seja, as contas pessoais dos dirigentes e dos grevistas serviriam para pagar a multa arbitrada pelo judiciário.

Após a decisão, a Prefeitura moveu novo procedimento cível, pedindo a prisão das lideranças da greve. Na ação, também é requerido que os trabalhadores “se abstenham de tumultuar a prestação dos serviços em todas as unidades/sedes da Prefeitura Municipal de Florianópolis, de bloquear o acesso às respectivas unidades e de constranger servidores e empregados que não aderiram à paralisação”, que haja “o restabelecimento imediato e integral de todos os serviços atingidos pelo movimento paredista com o retorno dos servidores ao exercício de suas funções” e “a majoração da multa diária para R$ 500.00,00 (quinhentos mil reais) por reiteração de descumprimento de ordem judicial”. Pede, ainda, autorização para desconto dos dias não trabalhados e “instauração dos devidos processos administrativos disciplinares”. Decisão da Desembargadora Sonia Maria Schmitz, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, de 11 de fevereiro, agravou a multa diária de R$ 100.000,00 para R$ 300.000,00, além do bloqueio online de R$ 100.000,00 (cem mil reais) de eventuais ativos financeiros depositados em contas bancárias de titularidade do Sintrasem.

Sintrajufe/RS manifesta apoio aos trabalhadores e trabalhadoras e exige respeito ao direito de greve

O Sintrajufe/RS divulga abaixo moção de apoio, cujo modelo foi sugerido pelo Sintrasem, repudiando a tentativa de perseguição política e de ataque ao direito de greve e de luta dos trabalhadores e das trabalhadoras. A luta dos servidores e das servidoras de Florianópolis em defesa de seus direitos e dos serviços públicos oferecidos à população é digna e justa e merece ser tratada como tal. Nenhuma entidade ou categoria está a salvo de medidas autoritárias e antissindicais como essa.

Nós, do Sintrajufe/RS, viemos expressar todo apoio a greve dos trabalhadores da Prefeitura de Florianópolis impulsionada pelo Sintrasem, que iniciou em 9 de fevereiro de 2022, pelo cumprimento e manutenção do acordo coletivo na Comcap e Prefeitura Municipal de Florianópolis, em defesa do concurso público e chamamento dos aprovados no concurso público, fim das terceirizações, cumprimento da lei do piso do magistério, pagamento da lei do plano de carreira do quadro civil, fim da política de assédio moral e perseguição política.

O governo Gean Loureiro (DEM) não recebeu em nenhum momento a entidade sindical durante a greve e de maneira autoritária e com prática antissindical, ameaça os grevistas, inclusive com pedido de demissão e prisão da direção do sindicato.

Exigimos que se respeite o direito de greve e livre organização sindical, com abertura imediata de mesa de negociação, para que a pauta de reivindicações possa ser discutida e uma proposta que atenda a categoria seja apresentada.

Direção Executiva do Sintrajufe/RS

Demais entidades e personalidades que aderirem a campanha de moções devem enviar e-mails para:

PREFEITO GEAN LOUREIRO
E-mail:
 geanloureiro@pmf.sc.gov.br
Telefone: (48) 3251-6060

Presidente da Câmara Municipal de Florianópolis
ROBERTO KATUMI
E-mail:
 vereadorkatumi@gmail.com
Telefone: (48) 3027-5783

Secretário Casa Civil
EVERSON MENDES
E-mail: 
gabinete.smcc@pmf.sc.gov.br
Telefone: (48) 3251-6069

Secretário de Administração
RONALDO FREIRE
gabinete.sma@pmf.sc.gov.br
(48) 3251-5900

Desembargadora Sonia Maria Schmitz
E-mail: 
wgabsms@tjsc.jus.br
Telefone: 3287-3842

Enviar cópia para: sintrasem@sintrasem.org.br

Fonte: Sintrajufe/RS

Estados Unidos ameaçam guerra com a Rússia

Pablo Gomes – Jornalista e cineasta

O avanço da OTAN no leste europeu e a intensificação da crise na Ucrânia acendeu mais um alerta no mundo inteiro. Desta vez, uma ameaça de guerra na Europa que pode se estender rapidamente para outros continentes.

Nas últimas semanas, Washington tem alegado que há uma ameaça iminente de que a Rússia pode invadir a Ucrânia a qualquer momento. Embora Moscou negue a possibilidade de um ataque, Washington já enviou mais de 8 mil soldados para a região. Moscou alega que o objetivo de Washington é colocar a Ucrânia contra a Rússia, intensificando ainda mais as tensões políticas e militares entre os dois países, que desde a derrubada do presidente pró-russia Viktor Yanukovych em 2014, enfrenta conflitos na fronteira com a Rússia,  provocados por forças paramilitares ligada a grupos fascistas e neonazistas.

A mais recente crise faz parte da pressão dos EUA para que a Ucrânia entre na OTAN. Moscou tem respondido com firmeza às provocações de Washington e afirma que não irá tolerar a entrada da Ucrânia à organização. “Não somos nós que estamos movendo  em direção à OTAN, é a OTAN que está se movendo em nossa direção. Por isso, dizer que a Rússia se comporta de forma agressiva, no mínimo não corresponde à lógica do senso comum”, afirmou recentemente o presidente russo Vladimir Putin em uma coletiva de jornalistas europeus.

A Ucrânia faz parte de uma região estratégica para os russos e obviamente Moscou também tem seus interesses geopolíticos e econômicos. No entanto, não é preciso se esforçar muito para compreender que Washington e seus aliados é quem são a grande ameaça. É Washington que nos útlimos vintes anos invadiu países soberanos como o Afeganistão e o Iraque e que tem desestabilizado por duas décadas, países como a Líbia, Síria e Paquistão. Os conflitos na Ucrânia e a crise política em 2014 também foram orquestradas por Washington. Moscou tem consciência do perigo de ter tropas da OTAN estacionadas ao lado de sua fronteira.  Além disso, com a entrada da Ucrânia na OTAN, Washington pretende ter mais controle das regiões do Mar Negro, Mar Caspio e da Caucasia, isolando a Rússia e bloqueando seu acesso à regiões do Oriente Médio, Asia central e das fronteiras ocidentais da China, locais onde o país tem pontos militares estratégicos.

Embora a Rússia já tenha afirmado que não irá tolerar a entrada da Ucrânia à OTAN, Washington afirma que tal decisão é inegociável e que já prepara sanções econômicas contra Moscou. Na última semana, os EUA ameaçaram cortar o acesso russo ao sistema financeiro global SWIFT para transações em dólares, o que exclui a Rússia de boa parte da vida economica mundial.

Na última sexta-feira (11/02/2022), oficiais americanos voltaram a dizer que uma guerra entre EUA e Rússia é iminente. Enquanto isso, CNN, The New York Times e parte da grande imprensa americana tenta convencer os americanos de que uma guerra contra a Rússia é novamente parte da odisseia de Washington em favor da democracia. Ao mesmo tempo, grupos críticos de um eventual conflito entre EUA e Rússia também tem minimizado a gravidade dos fatos. O jornalista americano Glenn Greenwald chegou a retuitar um comentário no Twitter que ironiza a estratégia da Casa Branca como “excelente”. “Se a Rússia realmente invade a Ucrânia, o mundo ficará sabendo que Washington estava dizendo a verdade. Se não tem invasão, Biden emerge como o líder que fez Putin se acovardar”.

Washington tem noção que um conflito entre EUA e Rússia não ficaria apenas isolado no leste europeu. Tal guerra rapidamente se alastraria pelo continente europeu puxando França, Alemanha, Espanha, Itália, Reino Unido e demais potências para o lado da OTAN, e obrigando a entrada de aliados da Rússia, como é o caso da China, para o lado oposto. Isso sem falar do fato de que a Rússia tem armamentos nucleares, o que obrigaria Moscou a usar seu arsenal nuclear em caso de um conflito mais intenso. A devastação de um conflito nuclear causaria uma crise humanitária jamais vista na história da humanidade.

Muitos podem achar que tal cenário apocalíptico seja um exagero. No entanto, tanto o Departamento de Estado dos Estados Unidos quanto o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha já ordenaram a saída de diplomatas e cidadãos que ainda estão na Ucrânia. O mesmo alerta foi dado por embaixadas do Reino Unido, Japão, Nova Zelândia, Holanda, Coreia do Sul e Austrália, que também aconselham que cidadãos de seus países deixem o quanto antes a Ucrânia por questões de segurança. O próprio presidente dos Estados Unidos já havia declarado e pedido para que cidadãos americanos deixassem o país porque as “coisas podem sair do controle rapidamente” e acrescentou que o conflito pode se tornar numa “guerra mundial”.

O desejo de Washington por guerra é uma ação deliberada. Com a crise global do capitalismo e as tensões geopolíticas aprofundadas por essas crises, o imperialismo americano e seus aliados não tem outra opção a não ser atacar seus adversários políticos e econômicos, neste caso, a China e a Rússia.  Nos EUA, a catástrofe sanitária causada pelas medidas criminosas anti-vacina e anti-lockdown nos últimos dois anos, além da perda de trabalho e direitos, tem criado uma uma grande insatisfação da classe trabalhadora contra as adminstrações Trump e Biden. Uma guerra seria a desculpa perfeita das elites mundiais para não só lucrar com o aparato militar, mas  atacar qualquer resistência interna da classe trabalhadora aos desmandos com a pandemia do COVID-19. Uma guerra contra Rússia cria as condições perfeitas para as elites americanas implantarem um programa nacionalista que tira do foco os problemas internos criados por elas mesmas ao mesmo tempo que demoniza adversários políticos como a China, Rússia e Irã.

A classe trabalhadora no mundo inteiro (sobretudo americanos e russos) precisa se opor a qualquer tentativa da burguesia de criar uma guerra que poderá rapidamente se espalhar pelos cinco continentes. Um conflito armado entre EUA e Rússia dificilmente ficaria isolado e custaria a vida de milhões de pessoas. A tragédia da COVID-19, intensificada pela condução criminosa e incompetente da burguesia, é um exemplo claro de que líderes mundiais não pensariam duas vezes em colocar a população mundial em risco novamente, mesmo que desta vez, em vez de centena de milhares de mortos, o número de vítimas fatais ultrapasse a barreira de milhões.

Governo Bolsonaro financia desmatamento na Amazônia

BNDES empresta R$ 29 mi para desmatadores da Amazônia financiarem tratores. Fazendeiros com terras embargadas pelo Ibama obtiveram empréstimos com dinheiro público intermediados pelo banco John Deere, que pertence à maior montadora de máquinas agrícolas do mundo.

Fazendeiros flagrados pelo Ibama desmatando a Amazônia conseguiram empréstimos com dinheiro público a juros subsidiados para comprar tratores e outras máquinas agrícolas, apesar de seu histórico de reiteradas infrações ambientais. Os empréstimos foram concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e operados pelo banco John Deere, que é o braço financeiro da fabricante de máquinas que o controla – e que vendeu os equipamentos.

Ao todo, BNDES e John Deere financiaram R$ 28,6 milhões em maquinário para cinco produtores com embargos em seu nome emitidos pelo Ibama por desmatamento. Uma resolução do Banco Central do Brasil veda a concessão de crédito rural para propriedades na Amazônia sobre as quais recaem embargos, mas não impõe restrições para que os donos dessas áreas obtenham empréstimos para outras fazendas. Porém, entre os casos levantados pela reportagem, há empréstimos destinados a locais onde o produtor possui apenas uma propriedade – e embargada.

O mapeamento feito pela Repórter Brasil, com base na plataforma de dados Florestas e Finanças, mostra ainda financiamentos para produtores que deram um calote no Ibama. Ao todo, 11 fazendeiros que compraram máquinas John Deere acumulam um total de R$ 31,4 milhões em multas ambientais nunca pagas — o montante total dos empréstimos do BNDES, R$ 39,7 milhões, daria para quitar as dívidas com sobra.

“É dinheiro dos contribuintes para o agronegócio que está desmatando. Além dos juros, que são muito melhores do que qualquer outro financiamento, os produtores podem obter anistia no pagamento [dessa dívida] em casos como ataques de pragas, secas ou qualquer problema que prejudique a safra. É um risco que deveria ser assumido pelos plantadores de soja, mas acaba ficando para os cofres públicos”, critica Philip Fearnside, cientista do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia e vencedor do Nobel da Paz com a equipe do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) em 2007.

Os financiamentos investigados nesta reportagem foram feitos na modalidade indireta automática, em que o BNDES libera o crédito, mas quem realiza o contrato é outra instituição financeira. É uma forma de o banco público reduzir sua exposição a riscos e falta de pagamentos.

Em resposta aos questionamentos da reportagem, o BNDES informou que exige dos tomadores de crédito a “assinatura de declarações em que se ateste a inexistência de infrações de natureza ambiental previamente à celebração de qualquer contrato”. Também informou que a responsabilidade de verificar “o atendimento de tais exigências” é do banco parceiro, no caso da John Deere. Apesar disso, em sua página na internet, o banco admite que a aprovação do crédito é sua responsabilidade: “Passo 4: O BNDES avalia a solicitação, observa se está de acordo com as normas e, em caso positivo, autoriza o financiamento”.

A John Deere, por sua vez, frisou que “cumpre rigorosamente” as normas para concessão de crédito, “com avaliação criteriosa da área que será beneficiada com determinado produto”. As manifestações completas podem ser lidas neste link.

Repórter Brasil tentou checar a legalidade dos empréstimos a fazendeiros desmatadores concedidos pelo BNDES e operados pelo banco John Deere, mas não conseguiu. O banco público se recusa a fornecer o número do Cadastro Ambiental Rural utilizado para solicitação de financiamento e, sem ele, não é possível confirmar se a resolução do Banco Central foi ou não respeitada. “Em relação aos Cadastros Rurais (CARs), informamos que estamos impedidos de fornecê-los”, informou, via LAI, o banco.

Apesar da negativa, chamam a atenção três casos em que os financiamentos foram enviados para os mesmos municípios da Amazônia nos quais os beneficiados possuem embargos — um indicativo de que a norma pode ter sido ignorada. A Repórter Brasil já mostrou como o BNDES descumpre uma regra interna e empresta a frigoríficos flagrados comprando gado criado em áreas desmatadas ou em fazendas que usam mão de obra escrava.

Confira a reportagem completa: https://reporterbrasil.org.br/2022/02/bndes-empresta-r-29-mi-para-desmatadores-da-amazonia-financiarem-tratores/

Fonte: Repórter Brasil

Prefeito de Florianópolis quer prisão e demissão de sindicalista

Enquanto cresce a greve unificada de trabalhadores da prefeitura municipal de Florianópolis, o prefeito Gean Loureiro (DEM) pede na justiça a demissão e a prisão dos dirigentes do Sintrasem, o sindicato que representa a categoria.

A ação impetrada na justiça pelo futuro candidato a governador do estado é um ato antidemocrático que lembra os piores momentos da Ditadura Militar. Além dessa ação autoritária, Gean Loureiro se recusa a abrir uma mesa de negociação com a categoria.

Uma campanha de moções (veja modelo abaixo) começa a ser realizada em solidariedade à greve da categoria, exigindo a abertura de negociações, o atendimento às reivindicações da categoria e o respeito ao direito de greve e à livre organização sindical.

Greve esquenta

Assembleia unificada na sexta feira (11) decide continuidade da greve

Apesar das ameaças, processos e provocações, a greve dos trabalhadores de Floripa está crescendo. Na sexta feira uma assembleia unificada com trabalhadores da saúde, educação, assistência social, do quadro civil e da Comcap (empresa de limpeza urbana), reafirmou a continuidade do movimento e uma enorme manifestação percorreu as ruas da cidade, indo até à prefeitura exigir uma mesa de negociação, recusada pela prefeitura.

Tentativa de criminalização desmascarada

O sindicato ainda respondeu à tentativa da Prefeitura de criminalizar o movimento, através da acusação de que grevistas teriam danificado uma bomba de combustível. A farsa foi desmascarada em vídeo e acabou desmoralizando ainda mais o projeto de ditador que governa a cidade.

Toda solidariedade

Essa greve merece a solidariedade de cada sindicalista e de cada ativista que lute pelos direitos dos trabalhadores e pela democracia. Não só está em jogo o direito de organização dos trabalhadores, como a greve concentra reivindicações que dizem respeito a todos os trabalhadores do país. Servidores de Florianópolis estão lutando pela aplicação do piso da educação, contra as Organizações Sociais, contra a terceirização e privatização de empresas públicas, em defesa da recomposição salarial e carreira e pela preservação de acordos coletivos.

MODELO DE MOÇÃO: SOLIDARIEDADE E APOIO A GREVE DOS TRABALHADORES DA PMF E COMCAP

Ao Senhor Prefeito Gean Loureiro,
Ao Senhor Presidente da CMF
Ao Senhores Secretários,
A Excelentíssima Senhora Desembargadora,

Para:
geanloureiro@pmf.sc.gov.br; gabinete.smcc@pmf.sc.gov.br; gabinete.sma@pmf.sc.gov.br; wgabsms@tjsc.jus.br; sintrasem@sintrasem.org.br;

(—- ENTIDADE/PESSOA —-) viemos expressar todo apoio a greve dos trabalhadores da Prefeitura de Florianópolis impulsionada pelo SINTRASEM, que iniciou em 09 de fevereiro de 2022, pelo cumprimento e manutenção do acordo coletivo na Comcap e PMF, em defesa do concurso público e chamamento dos aprovados no concurso público, fim das terceirizações, cumprimento da lei do piso do magistério, pagamento da lei do plano de carreira do quadro civil, fim da política de assédio moral e perseguição politica.
O governo Gean não recebeu em nenhum momento a entidade sindical durante a greve e de maneira autoritária e com prática antissindical, ameaça os grevistas, inclusive com pedido de demissão e prisão da direção do sindicato.

Exigimos que se respeite o direito de greve e livre organização sindical, com abertura imediata de mesa de negociação, para que a pauta de reivindicações possa ser discutida e uma proposta que atenda a categoria seja apresentada.

Enviar e-mails para:

PREFEITO GEAN LOUREIRO
E-mail: geanloureiro@pmf.sc.gov.br
Telefone: (48) 3251-6060

Fonte: O Trabalho

Queda na venda de carros aumenta desemprego na indústria automobilística

Segundo o doutor em economia, Emílio Chernavsky, nos governos do PT as vendas eram maiores por uma série de medidas, entre elas, aumento sustentado da renda e à expansão do crédito, o que garantia os empregos

A queda na venda de veículos, que em janeiro foi a mais baixa desde 2005, reduz os empregos na indústria automobilística e empurra metalúrgicos para trabalhos por conta própria, precários e sem direitos. 

O cenário é bem diferente do que o Brasil viveu nos governos de Lula e Dilma Rousseff. Segundo o doutor em economia, Emílio Chernavsky, nos governos do PT as vendas eram maiores por uma série de medidas, entre elas, aumento sustentado da renda, expansão do crédito, concessão de incentivos tributários que reduziram o preço relativo dos automóveis e viabilizaram sua aquisição por parcelas da população historicamente excluídas. Tudo isso garantia a manutenção e expansão de empregos formais, com direitos garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 

Queda nas vendas

O mês de janeiro deste ano foi o pior em vendas de veículos no Brasil em 17 anos. De acordo com o balanço divulgado pela Fenabrave Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores (Fenabrave), no início de fevereiro, 126,5 mil unidades foram licenciadas no país durante o mês passado, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus, relata reportagem do jornal O Estado de S.Paulo. Desde os menos de 110 mil veículos registrados em igual mês de 2005, não se via um janeiro tão baixo.

Ainda segundo a reportagem, a queda em relação a igual período do ano passado foi de 26,1%. Já em relação a dezembro, quando o mercado deu sinais de reação com o melhor volume de 2021, o tombo foi ainda maior: 38,9%.

Menos empregos no setor

Quanto menos vende, mais a indústria automobilística demite. E o resultado dessa queda divulgada pela Fenabrave é metalúrgico virando trabalhador por conta própria, ou seja, sem direto nenhum.

Reportagem do Reconta Aí diz que aumentou o número de metalúrgicos que viraram motoristas de Uber em cidades como São Paulo, São Bernardo do Campo (no ABC Paulista) ou Taubaté, interior do estado onde tem unidades de montadoras.

O montadoras de carros e a saída de grandes empresas do Brasil, também têm contribuido para a redução dos empregos no setor.

A reportagem ouviu o doutor em economia, Emílio Chernavsky, que lamentou a situação. Segundo ele, “a indústria automobilística é formada por cadeias produtivas longas, e sua expansão possui relevante efeito indutor sobre a atividade econômica, a geração de empregos qualificados e o desenvolvimento tecnológico no País”.

Em outras palavras, o economista aponta que além dos empregos diretos gerados pela indústria, há diversos outros indiretos. Eles vão desde pequenas fábricas que produzem componentes simples – como parafusos – até os restaurantes no entorno e as escolas profissionalizantes.

Indústria automobilística e empregos qualificados: tinha, mas acabou

O economista também fez uma análise sobre a história recente da indústria no Brasil, comparando a situação do setor antes dos governos do PT e depois.

“O licenciamento de veículos no Brasil, que flutuava em torno de 1,5 milhões de unidades por ano na década de 1990, cresceu continuamente nos governos do PT, se aproximando dos 4 milhões em 2014”, e explicou porque isso aconteceu citando aumento da renda, do acesso ao crédito e os incentivos tributários no período.

Fonte: CUT

Justiça italiana condena ex-ditador do Peru à prisão perpétua

Francisco Morales Bermúdez foi condenado pelo assassinato de dois militantes ítalos-argentinos ocorrido no âmbito da Operação Condor, em 1980

A Corte de Cassação de Roma, terceira e última instância da Justiça italiana, condenou definitivamente à prisão perpétua o ex-presidente do Peru Francisco Morales Bermúdez (1975-1980) pelo assassinato de dois militantes ítalos-argentinos ocorrido no âmbito da Operação Condor

Além de Morales Bermúdez, a decisão condenou o coronel e ex-chefe da Polícia de Inteligência peruana Martín Felipe Martínez Garay, também pelo assassinato dos ativistas.

Na manhã desta quarta-feira (09/02), uma audiência julgava o recurso apresentado pelos réus. Morales Bermúdez, que tem 100 anos, é o único presidente ainda em vida dos países onde a Operação Condor atuou. 

A Condor foi uma rede de colaboração, financiada pelos Estados Unidos, que atuou nos anos 70 e 80 entre as agências de inteligência das ditaduras sul-americanas para trocas de informações e eliminação de dissidentes políticos através de operações conjuntas.

Morales Bermúdez e Martínez Garay foram condenados pelo assassinato e desaparecimento de Lorenzo Vinas e Horacio Domingo Campiglia, em 1980. Os militantes do movimento de esquerda argentino Montoneros foram sequestrados no Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, respectivamente, com a ajuda de agentes da repressão militar brasileira e posteriormente entregues à ditadura argentina. 

Na Argentina, passaram por sessões de tortura na prisão clandestina Campo de Mayo e, desde então, seguem desaparecidos. 

Os peruanos são os últimos condenados do processo que tramitou pelos tribunais romanos, condenando, em julho passado, 14 repressores à prisão perpétua, sendo 11 uruguaios e três chilenos, por crimes de lesa humanidade ligados à Operação Condor.

Em um desmembramento do caso, quatro repressores brasileiros – João Osvaldo Leivas Job, Carlos Alberto Ponzi, Marco Aurélio da Silva e Átila Rohrsetzer – também foram processados, mas o caso foi extinto por conta da morte dos militares durante o andamento do julgamento.

Fonte: Ópera Mundi

Bolsonaro amarela sobre reajuste a policiais federais

Bolsonaro amarela sobre reajuste a policiais. Ele disse nesta sexta-feira (11) que o reajuste pode ficar para o ano de 2023, isso caso haja entendimento com os demais servidores. O governo reservou cerca de R$ 1,7 bilhão do orçamento para conceder aumento a policiais federais, rodoviários federais e agentes penitenciários, embora a proposta tenha sido amplamente criticada.

O funcionalismo público criticou de forma enfática a decisão do governo em conceder aumento apenas para policiais. A maior parte dos demais servidores não recebem aumento desde o ano de 2017.

A fala do presidente pode desagradar o setor, que é base eleitoral do governo. “Se houver entendimento, por parte dos demais servidores, alguns ameaçam greve etc., a gente pretende conceder essa recomposição aos policiais federais, rodoviários federais e aos agentes penitenciários. Se não houver entendimento, a gente lamenta e deixa para o ano que vem”, disse Bolsonaro à TV Brasil.

Aumento prometido por Bolsonaro causa indignação

No ano passado, enquanto o Congresso votava o orçamento de 2022, o reajuste dos policiais chegou a ser retirado. No entanto, articulação do presidente fez com que a medida fosse revertida.

Os servidores públicos, então, ameaçam greve. Em dezembro do ano passado cerca de 300 auditores fiscais entregaram cargos de chefia em protesto.

Apesar disso, os integrantes do governo dizem que não haverá reajuste para nenhuma categoria neste ano. Ele foi aconselhado por aliados a abandonar a proposta, que poderia se tornar um “tiro no pé”.

Fonte: DCM

Freira de 80 anos é presa por desviar R$ 4 milhões de escola católica

  • Freira era diretora de escola católica e usou o dinheiro para fazer apostas e viagens de luxo. A religiosa reconheceu que seus crimes violaram seus votos de pobreza: “Sei que pequei, que infringi a lei, não tem desculpa”

Uma freira de 80 anos que desviou US$ 835 mil (mais de R$ 4,4 milhões) da verba de uma escola católica para gastar o dinheiro em apostas e turismo de luxo foi condenada na segunda-feira (7) a um ano de prisão no estado da Califórnia, nos Estados Unidos.

Mary Margaret Kreuper optou por uma vida de pobreza quando fez seus votos religiosos, há seis décadas, mas, à frente de uma escola primária católica próxima a Los Angeles, desviou o dinheiro da verba escolar para gastar em apostas na cidade de Las Vegas, detalhou um tribunal da Califórnia.

Mary também usou parte do dinheiro para financiar viagens de luxo a Lake Tahoe, na divisa entre os estados da Califórnia e Nevada. “Sei que pequei, que infringi a lei, não tem desculpa”, declarou a freira no tribunal, segundo o jornal “Los Angeles Times”.

Mary foi condenada a 12 meses e 1 dia de prisão. Ela reconheceu que seus crimes violaram seus votos, “os mandamentos, a lei e toda a confiança sagrada” depositada nela pelos donos da escola.

A freira já havia admitido a fraude e lavagem de dinheiro durante uma audiência judicial no ano passado. O tribunal tomou conhecimento de como o dinheiro que havia sido enviado à Escola Católica Saint James para obras de caridade e matrículas de alunos foi desviado para contas secretas que Mary controlava.

Quando uma auditoria contábil estava prestes a revelar o esquema, a freira pediu a funcionários da escola que destruíssem os documentos que poderiam incriminá-la, informou ao tribunal.

O “Los Angeles Times” também reportou que, quando foi confrontada pela arquidiocese local, Mary argumentou que os padres recebiam salários maiores do que as freiras, e que ela achou que merecia um aumento.

Mark Byrne, advogado de Mary, argumentou que a freira havia se viciado em jogos de azar. “Isso não é desculpa para o que ela fez. É apenas uma explicação”, assinalou ao jornal.

O juiz distrital Otis D. Wright II disse à freira que havia pensado muito em que decisão tomar, e reconheceu que a mesma havia sido uma excelente professora por muitos anos: “Mas em algum momento, você saiu completamente do rumo, e acho que você entende isso. Pelo menos, espero que sim.”

Fonte: Pragmatismo Politico

Menino de 9 anos, filho de líder camponês, é morto por pistoleiros em PE

Uma criança de nove anos foi assassinada a tiros na noite dessa quinta-feira, 10, no Engenho Roncadorzinho, município de Barreiros, Mata Sul de Pernambuco.  O pai do menino, Geovane da Silva Santos, também foi atingido com os disparos, mas sobreviveu ao atentado. Ele é uma das principais lideranças da comunidade e presidente da Associação dos/as agricultores/as familiares do local.

O crime bárbaro aconteceu por volta das 21h, quando sete homens encapuzados e fortemente armados invadiram a casa do presidente da associação e atiraram no trabalhador rural, que foi atingido de raspão no ombro. Em seguida, os homens atiraram no filho do agricultor, que se escondia debaixo da cama com a mãe.  A criança não resistiu aos disparos e morreu.  Segundo informações de agricultores e agricultoras da localidade, a casa do presidente da associação já foi alvo de outros atendados.  A família e a comunidade estão aterrorizadas e em estado de choque.

A FETAPE  e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) estão acompanhando o caso e prestando solidariedade à família e à comunidade. As organizações sociais cobram com veemência que investigações sejam imediatamente realizadas para apurar a sua eventual relação com o conflito agrário instaurado no local, sendo certo que, independente da motivação, é inadmissível e repugnante a invasão da casa de uma família e a execução cruel de uma criança.

Histórico – No Engenho Roncadorzinho, a ocupação das famílias na condição de agricultoras familiares se deu após falência das usinas onde trabalhavam ou eram credoras, mas nunca receberam as devidas indenizações. O Engenho foi propriedade da Usina Central Barreiros, atualmente uma Massa Falida sob administração do Poder Judiciário, que o arrendou.  

A comunidade existe há 40 anos e abriga cerca de 400 trabalhadores rurais posseiros, sendo 150 delas crianças.  Nos últimos anos, a comunidade vem sofrendo diversas ameaças e violências promovidas por empresas que exploram economicamente a área, com intimidações, destruição de lavouras e com contaminação das fontes de água e cacimbas do imóvel por meio da aplicação direcionada e criminosa de agrotóxico de alta toxidade, segundo a Fetape.

Os casos de violência contra a comunidade vêm sendo denunciados pela FETAPE e pela CPT há vários meses, sem que medidas efetivas sejam tomadas por parte do Estado para solucionar a tensão e a violência no local.

Fonte: Fetape

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