Lula tem mais que o dobro de votos de Bolsonaro em Alagoas

Uma pesquisa do Instituto Ibrape em parceria com o Cada Minuto divulgada nesta terça-feira (07), mostrou que se as eleições para Presidente fossem hoje, o pré-candidato Lula voltaria a ser presidente do Brasil. Segundo a pesquisa, em Alagoas, Lula tem o dobro dos votos de Bolsonaro.

A pesquisa foi realizada no período do dia 19 até o 22 de novembro, e ouviu duas mil pessoas. O intervalo de confiança estimado é de 95% e a margem de erro é de 3,0 pontos percentuais para mais ou para menos.

De acordo com a pesquisa, 52% dos eleitores responderam que votariam em Lula; 25% em Jair Bolsonaro e 5% em Ciro Gomes. O pré-candidato Sérgio Moro apareceu com 2% dos votos.

Fonte: Cada Minuto

Demissões de eletricistas da companhia de energia podem provocar apagões no RS

Cerca de mil eletricistas devem deixar a CEEE após privatização da empresa pelo governador Eduardo Leite (PSDB)

Os gaúchos precisam se preparar para uma ameaça que vai chegar com o verão: os apagões. “Existe uma possibilidade de 90% (de quedas de energia). Se tivermos aquele calorão esperado e pessoal sem treinamento adequado, vários municípios correm um sério risco.”

Quem avisa é a presidente do Sindicato dos Eletricitários do Rio Grande do Sul (Senergisul), Ana Maria Spadari. O gatilho dos blecautes previstos seria o abandono da companhia por quase mil funcionários, entre eles muitos eletricistas, técnicos e pessoal da área operacional, que vão sair até o fim do ano.

Seria consequência das decisões tomadas pelo Grupo Equatorial Energia, que comprou a antiga CEEE-Distribuidora no leilão de privatização realizado no simbólico dia 31 de março deste ano.

Controlada pelo bilionário Jorge Paulo Lemann, segundo homem mais rico do país com um patrimônio estimado em R$ 94 bilhões, segundo o Top Ten da revista Forbes, a empresa possui largo currículo de apagões no Norte do país, entre os quais um de quatro dias em Teresina, no Piauí, e também no Pará e em Alagoas.

Terceirizados e sem experiência

Aqui, 998 funcionários, muitos com larga experiência da antiga CEEE-D, vendida por apenas R$ 100 mil pelo governo Eduardo Leite (PSDB), vão abandonar a empresa dentro de poucas semanas. Eles aceitaram o Plano de Demissões Voluntárias proposto pela Equatorial.

Ana Maria observa que, no lugar dos quase mil servidores treinados que vão deixar a companhia, entrará pessoal terceirizado e sem experiência.

“Não se forma um eletricista em menos de cinco anos”, diz ela. “É uma área que requer treinamento e conhecimento. Vou dar o exemplo de uma regional que existia, a de Bagé. O conhecimento (dos eletricistas) é tão grande, que eles já sabiam até os atalhos para chegarem nas grandes propriedades e tinham a ideia exata do que tinha acontecido em função de vendaval, chuva ou qualquer outro evento.”

Evasão massiva em Porto Alegre e Pelotas

Em lugar dos profissionais tarimbados, Ana Maria explica que os novos donos estão contratando empresas terceirizadas, com pessoal oscilando entre 18 e 25 anos que não é oriundo do setor e “sem qualquer prática”.

“Imagine entregar uma ordem de serviço para um rapaz desses se deslocar ao Interior sem ter a mínima noção de onde poderá estar o problema. Então (calcule) o tempo que isso vai levar, a qualidade do serviço que vai ser prestado. Sabemos que, em vários municípios, isso está causando revolta da população”, repara.

Em nota, o Sindicato dos Engenheiros (Senge-RS) demonstra que também está apreensivo. Depois de citar o reajuste das tarifas, acentua que “o próximo impacto a ser sentido pela população será a redução da qualidade técnica”. Para o Senge, um reflexo da diminuição “de 52% do quadro funcional e da terceirização em massa”.

Risco maior nas praias

A debandada de quadros atingiu especialmente Porto Alegre, Pelotas e Bagé. Há temor em relação ao Litoral Norte – região para onde se deslocam mais de um milhão de pessoas durante as festas de fim de ano e as férias.

“Vamos pegar Palmares, Mostardas, todo o Litoral com a sobrecarga que tem no verão. Pelo que se sabe, a empresa está trabalhando com mão de obra terceirizada”, acentua a presidente do Senergisul. “Nos preocupa muito o risco a que estão submetidos esses mais de 500 terceirizados, jovens sem nenhuma qualificação para o trabalho… Risco no setor elétrico sempre existiu, mas em percentual muito baixo pelo conhecimento e toda a vivência no setor.”

“Anota aí: vai morrer gente”

Ela recomenda à população para ficar atenta. “Prestem atenção porque é gravíssima a situação que o Rio Grande do Sul deverá passar a partir de janeiro, quando acabam os seis meses de estabilidade dos trabalhadores da ex-CEEE-D.”

“Anota aí o que vou falar: vai morrer gente na rede.” Quem alerta é alguém com atuação em chefias e duas décadas de casa. Será tratado aqui apenas como “Heitor”, nome fictício para proteger a identidade do técnico que teme represálias.

“Estão contratando qualquer coisa nas terceirizadas e quem opera não conhece mais a rede. A concessionária de energia não vende laranjas. Imagina um circuito eletrônico de uma televisão. Pois é, a rede da CEEE é como isso. Só que gigante” …

Heitor continua: “Imagina agora que muita coisa não está escrita. Precisa ser passada através de treinamentos para os mais novos. Isso não aconteceu. Logo, problemas simples como manobras para reduzir áreas atingidas, localização de defeitos na rede e sua solução tornaram-se muito mais difíceis e tendo, como consequência, um tempo de atendimento infinitamente maior”.

“Rede do centro da capital ficou sem ninguém”

Heitor prossegue descrevendo um panorama inquietante. “A equipe de manutenção de linhas de 14 pessoas, que atendia Pelotas e Rio Grande (Sul), mas também de Camaquã (Centro-sul do estado) até Chuí e Dom Pedrito (Extremo–sul, na fronteira com o Uruguai) toda se demitiu”, conta. “E ninguém que ficou sequer conhece o que eles dominavam.”

O quadro se reproduz em Bagé, também na região da Campanha. De 14 técnicos, das diversas áreas, todos saíram. “Inclusive plantão, que resolve as maiores encrencas”, agrega. E continua: “na Telecom, que cuida das fibras óticas, responsável pelas transmissões dos sistemas corporativos, dos seis caras de Pelotas, cinco se demitiram”.

Na Capital foi pior: “dos 21 técnicos, 20 saíram”. No seu relato, quase toda a seção que cuida dos sistemas de informática pediu as contas. E tem mais: “Todos os funcionários que cuidam a rede subterrânea de Porto Alegre se demitiram”.

A rede atende da Rodoviária à Usina do Gasômetro, abarcando grupos hospitalares, a Assembleia Legislativa, o Palácio Piratini, sede do governo estadual, o Comando Militar do Sul, todos os prédios em que funciona o Poder Judiciário, em suma o coração da Capital. “Ficou sem ninguém que saiba lidar com a tecnologia e seus defeitos”, anuncia.

PDV teve grande adesão

Aconteceu um êxodo dos operadores do sistema, especialmente os mais experientes.  “Já houve reflexo nesse pequeno vento que deu no final de semana, deixando pessoal até 50 horas sem energia. Imagina num temporal”, provoca.

Na sua interpretação, a Equatorial pensou o PDV para o serviço administrativo que, em tese, deveria topar a oferta em maior número, mas o que houve foi “uma adesão massiva dos eletricistas e dos técnicos”. Mesmo assim, porém, os gestores “fizeram pouco caso, não trancaram ninguém”.

Para Heitor, “saiu o pessoal que se dedicava, que conhecia e tinha preparação. Ficaram os que não entenderam que serão descartados, embora entre eles haja muitos bons colegas”.

Ana Maria suspeita que os planos da Equatorial envolvam um enxugamento ainda mais radical, com a troca de profissionais da empresa por prestadoras de serviço. Dos três mil funcionários da ex-CEEE só acabariam restando cerca de 300. Estes treinariam os terceirizados durante dois anos e, após esse período, iriam para a rua também.

Quando faltou luz, a mídia ocultou a Equatorial

As acusações dos trabalhadores contra a companhia de Lemann vão além. Afirmam que a Equatorial enviou para o Nordeste duas subestações, uma que atendia Porto Alegre e outra a Pelotas. Ambas tinham a função de sustentar a rede em caso de panes, evitando cortes de muitas horas. 

Queixam-se de que a firma, por exemplo, descumpre decisões da Justiça. “Não tem o menor respeito sequer pelo Judiciário. Ganhamos o julgamento do acordo coletivo aqui no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em março, por 8×0, e pasmem, até hoje a Equatorial não cumpriu a decisão”, ressalta Ana Maria. 

“Recorreu a Brasília pedindo o efeito suspensivo, perdeu o efeito suspensivo, e simplesmente não tomou nenhuma atitude”, protesta. Ela diz que, em 80 anos de atuação do Sindicato dos Eletricitários no estado, nunca se viu coisa dessa natureza. “A sensação que passa é que o poder econômico é maior do que tudo. Estamos falando de um bilionário, do Lemann, um homem poderoso”, reage. “Talvez por este fato se ache o dono do mundo e acima da lei”, presume.

Também há reclamações sobre o não pagamento de auxílio-saúde e de vale-refeição e, ainda, sobre a permanência em uso do nome “CEEE”, deixando-se a marca “Equatorial” nas sombras. “O mais triste é que a grande imprensa, que fez um estardalhaço na venda da empresa, dizendo que fora um negócio fantástico, quando faltou energia ficou o tempo inteiro falando única e exclusivamente em CEEE…”

O quadro que se vislumbra é tão complicado que, para alguns que se afastaram, a Equatorial os chamará no primeiro temporal mais sério. Heitor não acredita. “Não entenderam que atendimento ao cliente deixou de ser prioridade? Que somente o custo fixo está sendo considerado?”, indaga.

Construída ao longo de 78 anos, vendida em 10 minutos

Fundada há 78 anos, a CEEE-D foi vendida em 10 minutos. Era mais um pedaço da estatal que faltava passar adiante após a privatização desencadeada durante o governo Antonio Britto (MDB) em 1997.

O negócio ocorreu após o governador tucano, com o apoio de sua bancada, derrubar a determinação constitucional de consultar os gaúchos através de plebiscito para aprovar a alienação. A entrega era uma exigência do governo Bolsonaro para permitir a adesão do estado ao regime de recuperação fiscal.

A CEEE-D atendia 1,6 milhão de clientes em 72 municípios da Região Metropolitana, Litoral e Campanha gaúchos. O grupo Equatorial é uma holding criada em 1999 para pegar carona na era das privatizações aberta pelo governo FHC.

Além de Lemann, seus acionistas são a Squadra Investimentos, Opportunity, fundado pelo banqueiro Daniel Dantas, e os gestores de investimentos Black Rock, dos Estados Unidos, e Verde, além de um fundo de pensão canadense.

Leite classificou a venda como “uma data histórica para o Rio Grande do Sul”.

 OBS.: O Brasil de Fato RS solicitou manifestação do grupo Equatorial sobre o caso envolvendo sua operadora no Rio Grande do Sul. Até o momento da publicação da matéria não recebemos nenhuma resposta da empresa. Caso venha, será acrescentada ao texto. 

Fonte: CUT Brasil

Trabalhadores da indústria de Cádis, na Espanha, estão em greve contra intransigência patronal

Desde 16 de Novembro que os trabalhadores da indústria da província de Cádis estão em greve, por tempo indeterminado, ao apelo unitário dos seus sindicatos e em defesa do seu Acordo colectivo. As suas reivindicações são claras e simples: aumentos salariais em função da inflação (que, actualmente, é de 5,4%), manutenção de todos os direitos e de todos os postos de trabalho. O Patronato – que beneficiou, durante ano e meio, de todo o tipo de ajudas do Governo – recusa-se a cumprir o mínimo, e oferece um mísero aumento salarial de 1%.

Esta greve provincial está a ter o apoio de toda a população trabalhadora, e no dia 23 de Novembro foi convocada uma greve estudantil para apoiar os grevistas. Estão a ser convocadas manifestações de apoio em diferentes províncias e os sindicatos estão a receber mensagens de solidariedade de todo o país.

Cádis não é um caso isolado. No passado dia 17 de Outubro, os trabalhadores metalúrgicos das fábricas de alumínio de Vestas e de Alcoa, na região de A Mariña, entraram em greve contra a ameaça do seu encerramento; e, em Alicante, os trabalhadores da indústria também estão em greve, há 5 dias, em defesa do seu Acordo colectivo de Trabalho. É evidente que as reivindicações destes trabalhadores são comuns a todos os trabalhadores da indústria do país, que também enfrentam a ameaça de encerramentos em massa com a desculpa da “economia verde”.

Uma situação que põe sobre a mesa uma questão que muitos colocam: porque é que as Confederações, cujos sindicatos metalúrgicos provinciais estão a convocar as greves, não organizam uma mobilização conjunta? A bola está no campo dos dirigentes sindicais que se agarram ao diálogo social – do qual só podem resultar mais ataques – e têm medo de molestar o “Governo progressista”.

De facto, ao mesmo tempo que os trabalhadores da indústria, muitos sectores estão a organizar e a preparar mobilizações, tais como agricultores e os criadores de gado, que são sufocados pelas grandes empresas da distribuição e que anunciam mobilizações para exigir preços justos para os seus produtos.

As ruas estão em tumulto

Foi assim que um conhecido jornalista caracterizou a situação no quotidiano La Vanguardia, a 19 de Novembro… declarando: “Sectores inteiros estão em rebelião e o Governo não está a fazer nada para satisfazer as suas reivindicações. Mas não hesita em enviar centenas de polícias de choque com tanques contra os trabalhadores de Cádis.”

O Governo – preocupado com a necessidade, ditada pelo capital e por Bruxelas, de fazer passar novas contra-reformas, antes do final do ano (sobre pensões de aposentação, trabalho, segurança dos cidadãos, a “lei Castells” contra a universidade pública) – está desesperadamente à procura de maiorias para o conseguir.

Mas estas maiorias parlamentares, se forem alcançadas, não correspondem à maioria social do país.

E ainda mais quando, ao tentarem mexer na Lei da Memória Democrática – vislumbrando a possibilidade de processar os crimes franquistas – os representantes das instituições herdadas do Regime de Franco gritaram, em uníssono, contra tocar em algo que foi decidido na “Transição” e nos Pactos de Moncloa: amnistiar a ditadura.

É a “tempestade perfeita”. À revolta social e ao colapso económico, junta-se a crise da Monarquia corrupta – que não pode branquear as suas origens e, sobretudo, o facto de ser o garante da opressão contra os povos e da exploração contra os trabalhadores.

É por isso que a mobilização de Cádis e as outras greves têm um significado profundo: o de uma classe que se rebela e clama pela organização de uma mobilização unida.

É dever de cada militante e trabalhador consciente participar no amplo movimento de apoio e solidariedade que está em curso.

Editorial do periódico Información Obrera (Informação Operária) – Tribuna livre da luta de classes em Espanha – nº 364, de 25 de Novembro de 2021.

Fonte: Pous4

Luciano Barbosa declara guerra aos professores, mas categoria continua mobilizada

A luta por valorização dos/as trabalhadores/as em educação de Arapiraca se tornou uma verdadeira guerra. Contra a postura antidemocrática da Prefeitura Municipal, o Sinteal organizou uma paralisação de três dias finalizada na última sexta-feira (03/12). Unida e assumindo o compromisso com a qualidade da educação, a categoria movimentou a cidade pedindo avanço nas negociações.

Foram dias de mobilização com acampamento de manifestantes na rua e finalizados com uma grande caminhada até as sedes do Ministério Público Estadual e do Ministério Público Federal, onde foram entregues um ofício.

“Em campanha, o Luciano Barbosa dialogava conosco, dizia que a educação era a menina dos olhos dele. Agora, depois de eleito, não recebe e nem justifica nada. Trata a nossa categoria com descaso e humilhação”, recordou Paulo dos Santos, presidente do Sinteal Arapiraca.

A paralisação foi uma decisão da categoria tomada na assembleia do último dia 25 de novembro, como resposta a mais uma audiência cancelada pelo prefeito Luciano Barbosa com o Sinteal e lideranças da base, marcada para o dia anterior (24/11), e sem explicações sobre o motivo do cancelamento. Uma comissão de diretores/as do Sinteal e de trabalhadores/as da educação passou a tarde inteira na prefeitura, e não foi recebida pelo prefeito. Uma outra reunião agendada com o prefeito – também sugerida pela Câmara de Vereadores -, para ocorrer no dia 10/11, também foi desmarcada pelo gestor municipal.

A pauta de reivindicações é a revisão da carreira com recomposição da tabela salarial. “Não estamos pedindo um aumento, e, sim, uma atualização dos valores que estão defasados de acordo com a lei nacional do piso. É nosso direito, mas ele nem sequer dialoga”, completa Paulo.

Ao invés do diálogo, a gestão municipal decidiu perseguir educadores e educadoras. A Secretaria de Educação já enviou solicitação às escolas para que sejam entregues todos os nomes de quem aderiu à paralisação com o intuito de desconto salarial.

“Isso só aumenta a nossa indignação. Vamos continuar a luta em defesa dos nossos direitos e esperamos que a gestão se sensibilize e decida cumprir suas promessas para garantir à população uma educação de qualidade, com profissionais valorizados”.

Fonte: Sinteal

General Heleno comanda a destruição de áreas preservadas na Amazônia

Ministro do Gabinete de Segurança Institucional de Bolsonaro permitiu busca do ouro em região na fronteira

O general Augusto Heleno, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência, autorizou o avanço de sete projetos de exploração de ouro numa região praticamente virgem da Amazônia, algo que não acontecia nos últimos dez anos.

A atitude foi tomada no âmbito do Conselho de Defesa Nacional, do qual o general é secretário-executivo. O órgão aconselha a Presidência da República em temas de Defesa.

Reportagem da Folha de S. Paulo indica que o general autorizou em 2021, com base em projetos encaminhados pela ANM (Agência Nacional de Mineração), sete projetos de pesquisa de ouro na região de São Gabriel da Cachoeira (AM). O lugar é conhecido como Cabeça do Cachorro e está no extremo noroeste do Amazonas, na fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela.

Na região vivem 23 etnias indígenas . São Gabriel da Cachoeira é a cidade mais indígena do Brasil. A Cabeça do Cachorro é uma das áreas mais preservadas da Amazônia e uma das últimas fronteiras sem atividades que resultam em desmatamento elevado.

Fonte: Brasil 247

Bolsonaristas querem legalizar trabalho infantil

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n°18/2011 que legaliza o trabalho de menores de idade está para ser votada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Se aprovada, ela alteraria o artigo 7º da Constituição de forma a permitir que jovens desde os 14 anos sejam contratados para trabalhar sob regime de tempo parcial.

Uma das maiores defensoras da proposta na Câmara, Bia Kicis, deputada do PSL-DF, é bolsonarista de carteirinha. Ela alega, mentirosamente, que os jovens hoje são proibidos de trabalhar. Na verdade, o Estatuo da Criança e do Adolescente (ECA) já autoriza o trabalho de jovens de 14 e 15 anos, na condição de aprendizes. Pior do que isso, nos fatos, o trabalho infantil é uma realidade no país.

Brasil já tem mais de 1,7 milhão no trabalho infantil
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1,7 milhão de jovens já estava em trabalho infantil em 2019. São crianças de 5 anos de idade até adolescentes de 17 que trabalhavam fora do sistema do “contrato de aprendizagem”. Ou seja, trabalhavam em condições totalmente ilegais. Isso representa quase o dobro de jovens que trabalham como aprendizes, 877,9 mil em janeiro de 2021.

Aos jovens, menores salários e piores trabalhos
Dados do Sistema Único de Saúde mostram que entre 2007 e 2020 foram registrados 29 mil acidentes graves de trabalho com pessoas de 5 a 17 anos de idade. Desses 46 morreram enquanto trabalhavam. No total foram 51,4 mil casos registrados. 56% do total casos graves, taxa muito superior à média que é de 29,6%. O que mostra que os jovens estão sendo submetidos aos trabalhos mais perigosos.

Além disso, a eles se paga menos. Jovens de 18 a 24 anos ganhavam metade do salário médio. E quem trabalha com 14 a 17 anos ganha, em média, R$ 580,00 por mês. Menos que um quarto da média!

Trabalho noturno, perigoso e insalubre
Pela sua situação social os jovens que necessitam trabalhar, muitas vezes se dispõe a fazer os trabalhos mais perigosos e a ganhar menos. Daí, a sanha dos bolsonaristas e empresários em legalizar o trabalho infantil.

Não satisfeitos em reduzir a idade de trabalho para 14 anos, eles buscam ir além no retrocesso. O relator da PEC 18/2011, deputado Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), emitiu um parecer favorável à aprovação dessa lei e “apensou”, ou seja, juntou no mesmo processo, outras seis que versavam sobre o trabalho infantil. Uma delas, a PEC nº 274/2013, do deputado Edinho Bez (PMDB/SC) acaba com a idade mínima para o trabalho como “aprendiz”. Se aprovada, qualquer um – mesmo uma criança de 5 anos – poderia legalmente trabalhar 30 horas por semana com a única condição que seus pais autorizem o empresário a explorá-lo dessa forma.

Outra, a PEC nº 77/2015, do deputado Ricardo Izar (PSD/SP), tornaria legal que os menores de idade fizessem o trabalho noturno, perigoso e insalubre. Tá aí, sem disfarce, o destino que o bolsonarismo deseja para juventude brasileira.

Cristiano Junta

Fonte: O Trabalho

Nova pesquisa aponta Lula com 42%, Bolsonaro com 19% e Moro com apenas 5%

Ex-presidente vence em primeiro turno, segundo levantamento divulgado pela revista Veja

“O ex-presidente Lula continua dando um baile nos outros postulantes à presidência da República para as eleições de 2022. Uma nova pesquisa mostra que não é só de goleada que vive o ex-presidente petista contra seus adversários, como bem resumiu a coluna. Os novos números deixam claro, na verdade, que, caso as eleições de 2022 fossem hoje, Lula venceria no primeiro turno, o que ele mesmo não conseguiu – nem em 2002, nem em 2006”, escreve o jornalista Matheus Leitão, na revista Veja.

“Pela pesquisa, Lula tem 42% das intenções de voto, contra 19% de Jair Bolsonaro. Sergio Moro e Ciro Gomes, principais nomes da terceira via hoje, aparecem na terceira posição (risos) com 5% das intenções de voto. Dois detalhes importantes da pesquisa são a consolidação de Lula acima dos 40% e a consolidação do presidente Jair Bolsonaro abaixo dos 20%”, aponta ainda o jornalista.

Confrontos entre civis por causa da extração de lítio na Sérvia

Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado em diversas cidades da Sérvia contra um projeto de extração de lítio que dizem ser apoiado pelo governo inclusive para a expropriação de terras a favor da empresa promotora, a Rio Tinto.

Os protestos duraram cerca de duas horas e manifestaram-se sobretudo em bloqueios de estradas e autoestradas, provocando engarrafamentos e levando à ocorrência de confrontos entre ativistas e pessoas afetadas pelos bloqueios.

A imprensa local fala em pelo menos um ferido após confrontos que envolveram arremesso de pedras em Novi Sad, cidade localizada cerca de 110 quilómetros a noroeste de Belgrado.

Os manifestantes acusam o presidente da Sérvia, Aleksandar Vučić, e o atual governo de terem alterado recentemente duas leis para alegadamente beneficiar a Rio Tinto.

A empresa tem em mãos praticamente desde 2006 um projeto para a extração de lítio que poderá implicar um investimento de 2,1 mil milhões de euros na Sérvia.

Este foi o segundo protesto a nível nacional organizado por grupos ecologistas com o apoio de diversos partidos da oposição.

Os manifestantes exigem a retirada das novas leis, sobretudo aquela que dizem facilitar as expropriações de terras a favor da Rio Tinto.

Há uma semana, os manifestantes entraram em confronto com a policia e numa das cidades foram mesmo atacados por homens mascarados e armados com bastões e martelos.

Desta vez, houve menos incidentes, mas ainda assim os já referidos confrontos entre manifestantes e pessoas por causa dos bloqueios de estradas, que as autoridades dizem ter sido ilegais.

Um dos organizadores do protesto, Aleksandar Jovanović, diz que “tudo o que aconteceu é contra a lei, sobretudo o que as autoridades estão a fazer”, sublinha.

“O bloqueio das autoestradas é tão ilegal quanto a lei da expropriações ou a da apreensão de propriedades privadas. Ninguém seria maluco o suficiente para bloquear autoestradas se houvesse uma lei. Tudo isto foi causado por uma absoluta ilegalidade cometida pelo governo”, defende o ativista.

Dobrica Veselinović marcou presença no protesto em representação da oposição política e explicou que “era importante estar junto dos cidadãos neste momento de afirmação contra tudo o que está a acontecer na Sérvia”.

“Os motivos deste protesto são a insatisfação pela forma como a Sérvia se está a desenvolver e como o Partido Progressista Sérvio se está a comportar e a governar”, referiu Veselinović.

O correspondente da Euronews em Belgado, Stefan Goranović, esteve num dos mais importantes acessos rodoviários do país e conta-nos que “os manifestantes ameaçam voltar todos os fins de semana até que as respetivas exigências sejam atendidas”.

Fonte: Euronews

Bolsonaro corta 98% do orçamento do programa Casa Verde e Amarela

Em um ano, presidente encolheu o orçamento do programa habitacional de R$ 1,5 bilhão em agosto de 2020, quando foi criado, para R$ 27 milhões em 2021

O governo encolheu o orçamento do programa habitacional Casa Verde e Amarela de R$ 1,5 bilhão em agosto de 2020, quando foi criado, para R$ 27 milhões em 2021. A média de investimentos com programas habitacionais, especialmente o Minha Casa Minha Vida (MCMV), de 2009 a 2018, foi de R$ 11,3 bilhões ao ano. Para critérios de comparação, em 2021, o gasto do Casa Verde e Amarela não atingiu 10% destes valores até outubro.

Os dados são do o estudo Impactos Econômicos do corte do programa Casa Verde Amarela em 2021, realizado pelo Dieese em parceria com a Fundação Friedrich Ebert Stiftung Brasil, o sindicato global ICM – Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira, além da Fetraconspar (trabalhadores na construção e mobiliário do Paraná) e da Contricom (confederação nacional do setor). Clique aqui para acessar a íntegra do relatório.

Utilizando matrizes insumo-produto, atualizadas para o ano de 2018 (último disponível), os pesquisadores constataram que o país, ao deixar de investir no segmento da construção R$ 11,3 bilhões, deixou também de criar 365.040 ocupações e de arrecadar R$ 2,8 bilhões em impostos, e impediu o crescimento do valor adicionado da economia brasileira em R$ 16,2 bilhões. Como se fosse pouco, ainda impediu o crescimento da massa salarial em R$ 5,7 bilhões de salários e R$ 1,2 bilhão de arrecadação da Previdência Social e do FGTS.

Haveria também a dinamização de outros setores, como fornecedores, comércio, serviços financeiros, de consultoria, entre outros. Efeitos não desprezíveis para uma economia em evidente deterioração, desde antes da pandemia e por ela exacerbada.

Redução déficit habitacional

O estudo mostra também que, além da queda dos investimentos públicos em infraestrutura, desde 2020 há redução drástica nos recursos para programas habitacionais com foco na redução do déficit habitacional brasileiro, que era de 5,9 milhões de domicílios em 2019. Ou seja, 8% do total. O cenário de crise econômica não permite visualizar uma redução deste quadro sem programas públicos direcionados.

Segundo o estudo, o impacto deste corte de 98% repercute negativamente na criação de emprego direto e indireto, na geração de renda, na arrecadação fiscal, no efeito multiplicador em outros setores, e claro, no combate ao déficit habitacional que já ultrapassa os 5,9 milhões de imóveis nopaís.

Em números gerais, a diminuição do investimento no setor da construção deixou deabrir 365.040 postos de trabalho, de arrecadar R$2,8 bilhões e de injetar R$ 16,2 bilhões na economia brasileira. Além de impedir o crescimento da massa salarial em R$ 5,7 bilhões.

O programa Casa Verde Amarela, lançado em 2020, encerrou completamente os subsídios para a Faixa 1, o que atingiu a população de menor renda familiar e a mais representativa dentro do déficit habitacional. Além disso, frente à média histórica de recursos destinada ao programa, o gasto de apenas R$ 1 bilhão, sendo apenas R$ 27 milhões para a antiga ‹Faixa 1› do MCMV, praticamente encerra o esforço de reduzir o déficit habitacional da população mais pobre.

Conjuntura econômica

Conforme os pesquisadores, a conjuntura econômica extremamente difícil do Brasil, na qual não existe qualquer estratégia de desenvolvimento para o pós-pandemia, dois problemas se colocam para o tema: a perda de oportunidade de execução de políticas anticíclicas por parte do governo no setor da construção, que geraria postos de trabalho de forma rápida, com importantes encadeamentos setoriais e que atuaria sobre questões estratégicas para o país (infraestrutura e habitação).

E o crescente empobrecimento da população brasileira, que certamente impactará negativamente nos indicadores de déficit habitacional e na ausência de adequabilidade de moradias, o que por sua vez exigirá investimentos posteriores ainda maiores para a resolução do problema.

Empobrecimento

Dados sobre o déficit habitacional apontam que, em 2019 (último ano disponível até a publicação deste estudo), ele era de 5,877 milhões, 8% do total dos domicílios permanentes no Brasil. Mesmo com políticas como o Minha Casa Minha Vida, que tinham como prioridade a diminuição deste déficit, sua redução de 2016 a 2019 foi de certa forma discreta, o que mostra o desafio de atuar sobre uma questão com este relevo frente a um cenário de empobrecimento da população e de cortes fiscais.

E se for considerada a inadequação de aspectos externos à moradia, como infraestrutura urbana, entre outros, o problema seria muito maior e atingiria quase 25 milhões. A demanda para o setor é muito grande, e os recursos são cada vez mais escassos.

Fonte: Rede Brasil Atual

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