Portaria do Exército que permite que cada PM possa ter 5 fuzis favorece o crime organizado

Para especialista, quem gostou da portaria foi o crime organizado que tem policiais na folha de pagamento

Ao contrário da linha adotada pelo governo Lula, de reduzir a quantidade de armas em circulação, o Exército emitiu autorização para que policiais, bombeiros militares, servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência possam ter até cinco fuzis para uso pessoal. Ao todo, cada um desses servidores poderá possuir até seis armas de fogo.

O País tem cerca de 406,3 mil policiais militares e 55 mil bombeiros militares na ativa, segundo os dados mais recentes. A nova regra para armas de uso restrito para uso próprio de policiais é mais permissiva até mesmo que as normas que vigoraram antes e durante o governo de Jair Bolsonaro.

Até agora, os militares estaduais podiam comprar duas armas de uso restrito para ter em casa. Com a nova diretriz, que começa a vigorar a partir de 1º de fevereiro, poderão ter até cinco.

Especialistas ouvidos pelo ICL Notícias criticaram duramente a decisão do Exército. Coronel da reserva da PM de São Paulo, ex-secretário nacional de Segurança Pública e membro do Conselho da Escola de Segurança Multidimensional da USP, José Vicente da Silva Filho classificou a medida como uma “aberração” que acontece “nas barbas do Lula”.

“Quem gostou foram as facções e milícias que têm policiais na folha de pagamentos”, observa José Vicente. “Para quê um policial precisa de tanta arma? E bombeiro?Aliás não tem dinheiro para comprá-las. Cinco pistolas restritas (entre $7 e $10 mil cada) custam um ano de salário de um soldado da PM ou quatro meses de um tenente. Se comprar todas as munições (600 cada arma), seriam 3 mil a $7 a $10 cada; mais uns $25 mil (seis salários). Em que galáxia habita essas autoridades (porque na via láctea não cabe)?”

O especialista cita um dos principais riscosque essa decisão do Exército representa para a população. “Policiais corruptos ‘vazarem’ essas armas a criminosos que as financiaram. Além dos riscos normais de quem tem muitas armas: perdas, furtos, roubos acidentes domésticos, etc”, relaciona ele. “Entrei na PM há 61 anos, não consigo imaginar porquê alguém precisa ter tanta arma. Pode até gostar, mas precisar não precisa”

Sobre o que levou o Exército a tomar essa medida, José Vicente não sabe explicar: “Minha imaginação tem limites elásticos mas não consegue alcançar os motivos”.

Antropólogo, consultor de Polícia e Segurança Pública, professor, ex-Chefe do Estado Maior Geral da PM do Rio,.Robson Rodrigues é outro que faz sérias objeções à liberalidade com que o Exército tratou o tema.

É uma contradição entre o que o Ministério da Justiça falava, na voz do Flávio Dino, e o que o Exército faz agora. O ministro disse que ia reduzir o número de armas em circulação e liberar de forma controlada apenas para o Exército ou para a Polícia Federal”, destaca Rodrigues.

Além dessa contradição no dscurso político, o especialista acredita que a decisão não se sustenta pelo ponto de vista técnico.

“Essa arma é muito específica, feita para ser usada em determinadas situações de alto risco. Não é indicada para uso urbano, e sim para proteção de uma guarnição, de uma equipe tática, em situações altamente sensíveis. Um fuzil já é uma arma muito acima da média para uso pessoal. Cinco fuzis, então…”, critica.

Rodrigues ressalta que vários policiais têm problemas patrimoniais e levanta a hipótese de que esse armamento restrito possa ser vendido em momento de dificuldade, assim como alguém endividado vende um carro. “Um fuzil tem um preço alto no mercado. Inclusive no mercado paralelo. Vamos tratar daqueles que agem com maldade e já compram o armamento com essa intenção (de repassar ao mercado negro). A corregedoria não tem braços suficientes para controlar. Já tem problemas em demasia que não consegue resolver, e aí teremos mais esse”.

Além do tráfico e da milícia, que expandiram o mercado paralelo de armas, o antropólogo e ex-policial cita as empresas de segurança.

O Exército também autorizou que os policiais comprem até 600 munições por arma a cada ano. A autorização é semelhante às definidas pelo Exército para os homens da própria corporação, que também podem comprar seis armas, sendo cinco de uso restrito.

Gerente de projetos do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, especialista em regulamentos sobre o armamento civil, analisou a decisão em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

“Há claramente um afrouxamento, com aumento de número de armas restritas de duas para cinco e um critério de joules (medida de energia) que parece ter sido feito sob medida para contemplar o fuzil brasileiro mais vendido na era Bolsonaro”, afirmou Langeani.

A medida foi bastante criticada nas redes sociais, com muitos internautas lembrando que esse afrouxamento pode ajudar a aumentar os arsenais tanto do tráfico quanto da milícia. Outros especulam sobre o risco de que essa medida facilita a tentativa de um eventual golpe de Estado, como a que ocorreu em 8 de janeiro.

Procurado pelo Estadão e pelo jornal Correio Braziliense, o Ministério da Defesa não deu explicações sobre o assunto.

Fonte: ICL

Entidades denunciam acordo de R$ 1,7 bi entre JHC e Braskem

As organizações denunciam que o acordo, além de inconstitucional, beneficia a Braskem e prejudica as vítimas da mineração

Por Heloisa Villela

Cinco organizações da sociedade civil entraram com uma representação no Ministério Público Federal questionando a legalidade do acordo que a Prefeitura de Maceió fechou com a Braskem. Elas também pedem que os bens da Prefeitura, relativos ao acordo, sejam congelados. Em julho do ano passado, o governo municipal celebrou um acordo de R$ 1,7 bilhão que o Greenpeace, o Observatório do Clima, a Alana, a Associação Alternativa Terrazul e a Arayara consideram ultrajante, ilegal e inconstitucional.

Quando a terra tremeu em Maceió, em 2018, a população foi pega de surpresa e mais de 60 mil moradores de 5 bairros da cidade tiveram que deixar as suas casas nos meses seguintes. Muitas já tinham paredes e chão rachados. A Braskem explorava o sal-gema no subsolo da cidade, sob as casas. A mineração tornou o solo instável e colocou em risco a vida dos moradores. No fim do ano passado, uma das mais de 30 minas que existem no subsolo da cidade cedeu. Outras podem seguir o mesmo caminho.

O acordo assinado pela Prefeitura dá quitação completa à Braskem e ainda transfere todo o terreno e os imóveis da área afetada, hoje vazia, para o controle da empresa. Nauê Bernardo Pinheiro de Azevedo, advogado do Observatório do Clima e um dos autores da representação, disse ao ICL Notícias que o acordo é inconstitucional porque “vai contra o direito de propriedade, as pessoas foram forçosamente removidas do local onde fizeram suas vidas e o acordo não consultou essas pessoas”. Além disso, ele destacou que o terreno pode se tornar viável no futuro, dando à Braskem um retorno financeiro. “Ela passa a ter a propriedade de uma parcela muito expressiva do município”, afirmou.

No documento de 14 páginas, as organizações destacam que o acordo considera que a Braskem já pagou o que deve à sociedade, e não poderá mais ser processada por danos morais ou ambientais. A representação também informa o Ministério Público que a prefeitura se comprometeu a colocar todo o dinheiro do acordo em um Fundo de Amparo aos Moradores afetados pelo desastre da Braskem. Mas até hoje, o fundo não tem 1 centavo e a Prefeitura anunciou a compra de um hospital com parte da verba.

Dois meses após fechar o acordo com a Braskem, o prefeito de Maceió, João Henrique Holanda Caldas, anunciou a compra do Hospital do Coração. Um investimento municipal de R$ 266 milhões de reais que, segundo avaliações de empresas especializadas, está muito acima do valor de mercado. O preço de um hospital está em torno de R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões por leito. Por essa métrica, o hospital do Coração, em Maceió, com 77 leitos, deveria custar entre R$ 115,5 milhões e R$ 154 milhões. Mas foi comprado por R$ 226 milhões.

Por isso, os advogados das 5 organizações pedem o congelamento do dinheiro que a prefeitura já recebeu, e ainda vai receber, da mineradora até que o acordo seja analisado e discutido, com a participação das famílias afetadas, e a legalidade do entendimento esteja estabelecida. Outro destaque da representação diz respeito à Procuradoria Geral do Município. O acordo estabelece uma remuneração de RS$ 17 milhões para os procuradores que a representação qualifica de imoral, apesar de garantida por lei. E explica:

“Veja, a quantia multimilionária foi destinada ao pagamento de “honorários advocatícios” para advogados públicos que já receberam remuneração da administração pública para defender os interesses do município e foi “retirada” do montante total do acordo. Em outras palavras, retiraram-se R$ 17 milhões de reais da população que perdeu suas casas e teve que mudar completamente sua vida para engrossar o Fundo dos procuradores municipais”.

Há 5 anos, a população afetada pelo desastre da Braskem briga para ser ouvida e ressarcida, sem sucesso. Não encontrou amparo nas autoridades do executivo, do legislativo ou do judiciário. A nova representação junto ao Ministério Público Federal repete as críticas que as organizações dos moradores já apresentaram em mais de uma oportunidade. Mas o envolvimento de organizações nacionais é mais uma pressão para a justiça agir em prol dos que mais sofreram com a atividade da mineração em Maceió.

Fonte: ICL

NÃO FOI APENAS UMA ELEIÇÃO

Flávio Show – Funcionario dos Correio

Maceió, 28 de Janeiro de 2024

O Lula não venceu apenas a 3° eleição da sua vida pra presidência do Brasil, ele conseguiu impedir que a maior quadrilha hospedada dentro do Palácio do Planalto pudesse instalar outra Ditadura no país, que duraria, tranquilamente, mais de 21 anos. Se o Barba não tivesse colocado as barbas de molho, na verdade, tirado as barbas do molho, o Brasil teria afundado numa política civico-militar de perseguição contra todos aqueles que não se curvassem diante da bandeira da idolatria cristã repleta de falsos moralistas fardados nas cores verde oliva.

Nessa semana que passou a Polícia Federal nos presenteou com o maior caso de espionagem já visto e temos conhecimento no Brasil. Uma arapongagem de fazer inveja aos gringos do caso de Watergate, ressalvados alguns aspectos, claro!
Bolsonaro usou a ABIN para monitorar todos aqueles que eram vistos como uma ameaça ao seu projeto de instalação de um novo regime, muito parecido com a Ditadura, mas,com certeza, muito mais cruel e mais longo.

O garganta profunda de Watergate era o Mark Felt, já o língua solta tupiniquim atendia pelo nome de Ramagem, braço direito do ex Presidente. Ramagem junto com Bolsonaro espionou milhares de brasileiros, parlamentares, Ministros, empresários, pessoas comuns, brasileiros que de alguma forma poderiam atrapalhar seu projeto messiânico do mal.
Bolsonaro criou um Big Brother da Globo só pra si ou foi uma Fazenda da Record cheia de bichos pra adestrar? Ele foi o líder por 4 anos seguidos, tendo todo poder pra colocar seus adversários no paredão e elimina-los facilmente. Paredão? Entenda como quiser! Todas as câmeras, imagens, áudios passavam pelo seu crivo e junto com o GSI do General Heleno, detinham o maior acervo de informações conseguidas de forma ilegal. Cabe ao atual Governo investigar todos os arquivos encontrados e punir no rigor da lei todos aqueles que fizeram do Palácio do Planalto um QG com o mais fétido caldo de chorume da história presidencial.

Lula não apenas venceu apenas uma eleição! Lula assegurou a todos, aquele que é o mais sagrado dos direitos, sua intimidade, sua inviolabilidade. Lula impediu que o ex governo apontasse quem poderia viver ou morrer.
Chamamos de arapongagem, mas o que aconteceu no Brasil foi a feitura de uma lista de Oskar Schindler às avessas.
Chegou a hora de grampear(algemar) Bolsonaro, Heleno, Ramagem e toda a trupe golpista envolvida nesse episódio.

Lula não venceu apenas uma eleição, Lula para nosso bem, trouxe à luz toda falcatrua e desgrampeou os cidadãos de bem, cristãos e de familia.
Sorria patriota, você sendo filmado!
Lula não venceu apenas uma eleição…

Reflexões Flávio Show 2024 , ano 04 – Edição 164

Polícia procura pastor pelo desvio de mais de R$ 1,1 milhão em medicamentos

Os medicamentos de alto custo eram furtados de Campinas (SP) e enviados para um casal em Vitória (ES)

A Polícia Civil procura pelo pastor evangélico Michael Carvalho, acusado de arquitetar o desvio de mais de R$ 1,1 milhão em medicamentos de alto custo de uma farmácia judicial de Campinas (SP), para vender ilegalmente para uma Organização Não Governamental (ONG) em Vitória (ES), comandando por uma funcionária pública comissionada na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (ALES) e assessora de um deputado estadual.

A falta dos medicamentos, que são proibidos para venda no Brasil, colocou em risco a saúde de pessoas que conseguiram na Justiça o acesso a eles.

Como funcionava o esquema? 

A investigação aponta que os medicamentos eram furtados pelo servidor público José Carlos dos Santos, de 61, que trabalhava na farmácia de alto custo do Departamento Regional de Saúde VII de Campinas. A esposa dele, Maria do Socorro Pereira, de 60 anos, era a responsável por repassar os remédios ao genro, o pastor evangélico Michael Carvalho, e à filha, Gabriela Carvalho, de 35 anos, responsáveis pela venda dos itens. 

Veja conversas entre pastor e sogra
Conversa entre Michael e a sogra, Maria do Socorro (Reprodução/Polícia Civil)

A princípio, Michael Carvalho vendia os medicamentos de alto custo ilegalmente por sites de vendas, mas o esquema ficou mais elaborado e ele começou a vender os remédios para uma ONG em Vitória (ES). Então, os malotes eram enviados indevidamente armazenados – em caixas de isopor – via transporte aéreo. Foram identificadas 12 encomendas enviadas pelos investigados à Vitória (ES). Imagens mostram o pastor e a esposa despanchando os medicamentos: 

https://youtube.com/watch?v=skHO6sTU-m0%3Fautoplay%3D1%26mute%3D1

A última encomenda foi interceptada pela Polícia Civil no dia 8 de janeiro, em um aeroporto de Vitória (ES). Entre os medicamentos recuperados está um remédio contra leucemia, que pode custar de R$ 40 mil a R$ 60 mil por caixa. 

Como a investigação começou? 

O Departamento Regional de Saúde VII de Campinas (SP) notou o sumiço de 79 caixas do medicamento Pembrolizumabe 25 mg/ml, usado principalmente no tratamento contra o câncer, no dia 27 de dezembro. No local de armazenamento existem duas câmeras de segurança, porém, uma delas estava desligada e a outra desfocada. Não havia sinais de arrombamento no local. 

No dia 4 de janeiro a Polícia Civil iniciou as investigações para descobrir o paradeiro dos medicamentos, que custam cerca de R$ 14.401,35. No total, o crime gerou um prejuízo de R$ 1.137.706,65.

Na manhã seguinte, a Polícia Civil prendeu três suspeitos de estarem envolvidos no esquema de desvios dos medicamentos: o servidor público José Carlos dos Santos, a esposa dele, Maria do Socorro e a enteada dele, Michele Carvalho. O genro do servidor, o pastor evangélico Michael Carvalho, foi procurado pela Justiça, mas permanece foragido. 

Os suspeitos respondem por receptação qualificada, participação em organização criminosa e crime contra saúde pública. Com eles foram apreendidos celulares, máquinas de cartões, caixas e isopor e medicamentos.

O caso foi registrado como furto na 1ª Delegacia Seccional de Campinas. 

Quem comprava os medicamentos? 

Gleidson Lopes Soares e Julianna Ritter (Reprodução/Rede social)

Os medicamentos eram comprados por um casal, Gleidson Lopes Soares e Julianna Ritter. Eles dirigem uma ONG de apoio a pessoas com dificuldade de locomoção na cidade de Serra, no Espírito Santo.

Ainda, ela é funcionária pública comissionada da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (ALES) e assessora do deputado estadual Delegado Danilo Bahiense. Por meio de nota, o deputado afirma que exonerou a servidora.

A Polícia Civil ainda investiga o fim dado aos medicamentos comprados pelo casal.

Falhas na segurança da farmácia judicial de Campinas 

O Departamento Regional de Saúde de Campinas (SP) afirma que realizou a revisão dos protocolos de segurança e do fluxo de servidores com acesso a determinadas áreas do prédio, intensificação na identificação de funcionários e pacientes, reforço no acesso para entrada e saída de veículos, sendo adotadas, inclusive, medidas de monitoramento de vagas rotativas no entorno da unidade. Ainda, garante que haverá reforço no sistema de monitoramento por câmeras. 

O servidor público José Carlos dos Santos, acusado de furtar os medicamentos, o teve o recebimento do salário suspenso como medida administrativa, mas, ainda não foi exonerado do cargo. “O DRS, que está colaborando com as investigações, aguarda a conclusão do caso para que as circunstâncias sejam esclarecidas e para que novas medidas sejam adotadas”, completa a nota.

Fonte: Band

Lula assina decreto que define “Bolsa Poupança” de R$ 9,2 mil para alunos do Ensino Médio

Programa federal visa reduzir o índice de evasão escolar, que chega a 16%; incentivo será concedido a estudantes de baixa renda, entenda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto, nesta sexta-feira (26), que regulamenta o programa “Pé-de-Meia: A Poupança do Ensino Médio”, uma iniciativa federal de poupança para manter alunos de baixa renda no Ensino Médiosancionada no ano passado.

“Queremos envolver numa cumplicidade educadora a sociedade brasileira”, declarou Lula no evento “Brasil Unido pela Educação”, voltado para a apresentação de um balanço da educação brasileira pelo ministro da Educação, Camilo Santana.

Segundo estimativas do governo, o programa deve atingir até 2,5 milhões de estudantes, sendo 2,4 milhões do Ensino Médio e 170 mil do Educação de Jovens e Adultos (EJA), na faixa etária entre 19 e 24 anos. 

O custo anual do incentivo é estimado em R$ 7,1 bilhões, em um total de R$ 21,3 bilhões até o final de 2026, já previstos nas legislações orçamentárias definidas em 2023 para o Ministério da Educação.

Camilo Santana anunciou que o governo federal deve pagar R$ 9,2 mil para alunos do Ensino Médio matriculados na rede pública e pertencentes à família inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com renda per capita de até R$ 218.

“Garantir o auxílio financeiro para que esses jovens permaneçam na escola e não tenha que optar por um prato de comida ou estudar”, afirmou o ministro.

Como vai funcionar

Na matrícula de cada ano letivo, os estudantes receberão R$ 200, em parcela única. Além disso, outros R$ 200 serão pagos mensalmente, por nove meses ao ano, além de R$ 1 mil após a conclusão de cada ano letivo. Na prática, após cada ano, o aluno receberá um total de R$ 3 mil.

Os alunos do 3º ano do Ensino Médio também receberão R$ 200 pela participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os R$ 9,2 mil acumulados só poderão ser resgatados ao final dos três anos de Ensino Médio.

Os pagamentos devem ter início em março, mas o governo aponta que ainda há detalhes burocráticos a serem definidos. Para receber os valores, o estudante deve seguir uma série de critérios:

  • Matrícula no início de cada ano letivo;
  • Frequência mínima de 80% do total de horas letivas ao final de cada ano;
  • Conclusão de cada ano letivo com aprovação;
  • Participação nos exames do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e exames de avaliação dos estados para o Ensino Médio; e 
  • Participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no último ano letivo do ensino médio.

Fonte: Revista Fórum

Investigação da PF sobre Abin coloca bolsonarismo, Congresso e STF em crise

A PF mira o uso pela Abin do software espião FirstMile, de fabricação israelense, e apura se a agência produziu relatórios sobre ministros do STF e opositores de Bolsonaro

A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (25) mandados de busca e apreensão numa investigação sobre o suposto uso político da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) contra adversários políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O principal alvo da operação é o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin e pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro. A PF chegou a pedir a suspensão do mandato do parlamentar, mas a medida não teve a concordância da PGR e foi negada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

As suspeitas que vieram à tona na operação de hoje causaram reação política em Brasília, com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, falando em “um dos maiores escândalos da história” e a “ponta de um novelo que envolveu dezenas de milhares de pessoas”.

Em outra mão, o caso deve causar ainda mais tensão na relação de parte do Congresso com o Supremo, já que foi a segunda operação em pouco mais de uma semana com buscas dentro da sede do Legislativo. Bolsonaristas tentam articular medidas para rever os poderes do STF na volta do recesso, em fevereiro, e dizem que há perseguição política.

Em outra mão, o caso deve causar ainda mais tensão na relação de parte do Congresso com o Supremo, já que foi a segunda operação em pouco mais de uma semana com buscas dentro da sede do Legislativo. Bolsonaristas tentam articular medidas para rever os poderes do STF na volta do recesso, em fevereiro, e dizem que há perseguição política.

No documento em que autorizou buscas e apreensão, Moraes afirma ainda ter havido monitoramento ilegal da promotora responsável pela apuração do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

“Ficou patente a instrumentalização da Abin para monitoramento da promotora de Justiça do Rio de Janeiro e coordenadora da força-tarefa sobre os homicídios qualificados perpetrados em desfavor da vereadora Marielle Franco e o motorista que lhe acompanhava”, escreveu Moraes.

A operação, batizada de Vigilância Aproximada, investiga uma “organização criminosa que se instalou na Abin com o intuito de monitorar ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas, utilizando-se de ferramentas de geolocalização de dispositivos móveis sem a devida autorização judicial”.

O programa investigado pela PF tem capacidade de obter informações de georreferenciamento de celulares. Segundo pessoas com conhecimento da ferramenta, não permite acesso a conteúdos de ligação ou de trocas de mensagem.

“Esses eventos dão a conhecer a existência do que a representação [policial] denomina de uma Abin paralela, utilizada para colher dados sensíveis sobre autoridades e agentes políticos relevantes”, escreveu o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

De acordo com a PF, a “Abin Paralela” criada na gestão Ramagem tentou atrelar Moraes e o também ministro do STF Gilmar Mendes à facção criminosa PCC.

Para a corporação, as informações sobre a tentativa de ligar os ministros ao PCC foram encontradas em documentos apreendidos na Abin.

“O arquivo Prévia Nini.docx mostra a distorção, para fins políticos, da providência, indicando a pretensão última de relacionar a advogada Nicole Fabre e os Ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital ? PCC, alimentando a difusão de fake news contra os magistrados da Suprema Corte”, disse a PGR sobre os documentos achados pela PF.

A PF afirma que a Abin sob Ramagem também se valeu do software FirstMile para monitorar o então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e a ex-deputada Joice Hasselmann.

O monitoramento investigado na operação, diz a PF, foi feito pelo agente federal Felipe Arlota, um dos alvos que foi afastado do cargo por decisão de Moraes. O policial é próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho de Bolsonaro.

Os policiais também investigam suposto uso da agência para favorecer Flávio e Jair Renan.

No caso do filho mais novo de Bolsonaro, a Abin teria atuado para ajudá-lo, já que ele era alvo de investigação pela PF sobre as relações com empresas que mantinham e tinham interesse em contratos com o governo federal.

Agentes da Abin tentaram atrapalhar a investigação e coletar informações com o objetivo evitar “riscos à imagem” de Bolsonaro.

Um policial federal lotado na Abin chegou a seguir um dos alvos da investigação, que, desconfiado, acionou a Polícia Militar.

O policial foi ouvido pela PF e confirmou que trabalhava diretamente com Ramagem e que recebeu a missão de levantar informações sobre o caso investigado.

Flávio, por sua vez, teria sido beneficiado com a atuação da Abin para levantar informações contra auditores da Receita Federal.

O filho de Bolsonaro à época era investigado no caso da rachadinha da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e tentou apontar irregularidades na Receita como forma de anular a apuração.

Após uma reunião das advogadas de Flávio com Bolsonaro, agentes da Abin teriam produzido relatórios sobre com o senador deveria atuar para se livrar das investigações.

No documento, encaminhado para a defesa de Flávio Bolsonaro por mensagem de aplicativo, eram apontados caminhos a serem seguido pelo senador para desmontar as acusações que pesavam contra ele.

Um policial federal lotado na Abin chegou a seguir um dos alvos da investigação, que, desconfiado, acionou a Polícia Militar.

O policial foi ouvido pela PF e confirmou que trabalhava diretamente com Ramagem e que recebeu a missão de levantar informações sobre o caso investigado.

Flávio, por sua vez, teria sido beneficiado com a atuação da Abin para levantar informações contra auditores da Receita Federal.

O filho de Bolsonaro à época era investigado no caso da rachadinha da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e tentou apontar irregularidades na Receita como forma de anular a apuração.

Após uma reunião das advogadas de Flávio com Bolsonaro, agentes da Abin teriam produzido relatórios sobre com o senador deveria atuar para se livrar das investigações.

No documento, encaminhado para a defesa de Flávio Bolsonaro por mensagem de aplicativo, eram apontados caminhos a serem seguido pelo senador para desmontar as acusações que pesavam contra ele.

Ao todo, sete policiais federais foram alvo da ação e foram afastados dos cargos públicos.

Além de Ramagem, ao menos dois agentes da PF, Marcelo Araújo Bormevet e Felipe Arlotta Freitas, são alvo das medidas desta quinta. O delegado federal Carlos Afonso Gonçalves, ex- chefe do CIN, também foi afastado do cargo.

O ex-diretor da Abin teria sido corrompido por dois oficiais da Abin que ameaçaram divulgar o uso do software espião após a agência cogitar demiti-los em um processo administrativo interno por participação em uma fraude licitatória do Exército.

Em entrevista para a GloboNews, Ramagem negou todas as acusações e disse que há uma “salada de narrativas”, sem conjunto de provas, e que nunca utilizou, teve acesso ou sequer teve as senhas do FirstMile.

“Nunca tivemos a utilização, execução, gestão ou senha desses sistemas”, disse, se referindo a ele e sua equipe direta.

Sobre a possibilidade de uso irregular da ferramenta de espionagem, afirmou: “Se o policial usa a arma equivocadamente, não é culpa do diretor-geral. Se a Receita [Federal] tem um novo sistema e utiliza errado, não é culpa do diretor-geral da Receita”.

Fonte: Estado de Minas

Operação Yanomami: Forças Armadas sabotam trabalho do governo Lula

Ordem contida no decreto de janeiro de 2023 não foi nem está sendo seguida; são pelo menos cinco os momentos em que os militares falharam

Culpar o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai pela atual situação na Terra Indígena Yanomami revela, no mínimo, uma enorme incompreensão sobre o funcionamento da operação de socorro aos indígenas e de retirada dos invasores garimpeiros tal qual foi desenhada pelo decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 30 de janeiro de 2023. 

Os órgãos comandados por Sônia Guajajara, do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), e por Joênia Wapichana, presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), não têm helicópteros, aviões, barcos, armas de fogo, servidores públicos em número suficiente e recursos orçamentários necessários para cumprir a tarefa. Elas também não têm poder de mando sobre as Forças Armadas, a Polícia Federal e a Força Nacional. Estes foram os três setores responsáveis pelo fornecimento de todo o apoio necessário, incluindo a segurança física, às ações das equipes do Ministério da Saúde, do Ibama e da Funai dentro do território indígena.

Hoje inúmeros pontos na terra Yanomami continuam tomados por garimpeiros com o suporte de invasores fortemente armados. Esse é o ponto central do atual cenário. Sem terem segurança, as equipes de saúde não conseguem ocupar o terreno para que possam providenciar o atendimento à saúde nesses pontos críticos.

O ministro da Defesa se chama José Múcio, um ex-deputado integrante do Centrão que em 2022 chamou Bolsonaro de “um democrata”. O ministro da Justiça se chama Flávio Dino, que vai deixar o cargo para se tornar ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ultimamente eles têm sido cobrados em público sobre o que está acontecendo na terra Yanomami? Eu não vejo isso acontecer. A propósito do primeiro ano do 8 de Janeiro de 2023, eles deram inúmeras entrevistas à imprensa, mas a palavra Yanomami desapareceu das suas declarações.

Infelizmente, para o povo Yanomami, o 8 de Janeiro nunca acabou. Nos dois casos, a extrema direita mais raivosa e bélica participou, incentivou ou organizou as invasões. Ambos contaram com a complacência das forças de segurança.

Há mais de três décadas funcionam dois pelotões especiais de fronteira do Exército dentro da terra Yanomami. Ao longo dos quatro anos do governo Bolsonaro, porém, o Comando Militar da Amazônia assistiu à invasão do seu próprio território. Garimpos funcionaram a poucos quilômetros das instalações militares. Poucas ações pontuais, sem a capacidade de eliminar a infraestrutura milionária do garimpo, só serviram para maquiar o silêncio dos comandantes militares da região. Inúmeras denúncias das lideranças Yanomami caíram no vazio.

O resultado foi catastrófico. Os números relativos ao governo Bolsonaro são “precários, incongruentes, subnotificados e parciais”, mas sabe-se agora que pelo menos 692 crianças Yanomami com até 9 anos de idade morreram de 2019 a 2022. 

Semanas após ter tomado posse, Lula ordenou uma operação de retirada dos garimpeiros e o Ministério da Saúde declarou emergência sanitária na terra indígena. De lá para cá, a desnutrição continuou vitimando os Yanomami, embora em menor número. Há hoje uma presença muito mais expressiva das equipes de saúde dentro do território. Os alertas de novos garimpos desabaram. O governo calcula que mais de 80% dos garimpeiros deixaram o território. Apesar desses avanços, porém, persistem bolsões de garimpo e outros pontos estão sendo abertos com a chegada de novos invasores. Aviões clandestinos cruzam livremente os céus da terra Yanomami. Persiste a fome, que matou 29 Yanomami de janeiro a novembro do ano passado. A malária continua em níveis insuportáveis.

Ao longo de 2023, os leitores da AgênciaPública foram informados, em reportagens e textos das nossas newsletters, sobre o papel das Forças Armadas na Operação Yanomami. Reticente, frágil, limitado, reativo, ambíguo. Os indígenas pediram ajuda, mas a mão do Exército não foi forte nem o braço foi amigo. Conforme resumiu à Globonews a liderança Yanomami Junior Hekurari, que durante o governo Bolsonaro denunciou a invasão garimpeira por meio de mais de 60 ofícios, “o Exército não deu a mão para a população Yanomami”. 

Os problemas começaram ainda nos primeiros dias da operação, quando a ordem de bloqueio do espaço aéreo, a cargo da Aeronáutica, foi dada e postergada pelo menos duas vezes, gerando confusão e passando a mensagem de que não era pra valer. Com o tempo, viu-se que o bloqueio nunca foi plenamente eficaz. A Aeronáutica não conseguiu eliminar os voos clandestinos que abastecem os garimpos clandestinos.

O diretor de Amazônia da Polícia Federal, Humberto Freire, havia dito em entrevista à Pública que um controle “efetivo” – muita atenção para o efetivo – do espaço aéreo era fundamental para o sucesso da operação de retirada dos garimpeiros. A quem cabe o controle? Às Forças Armadas. Tudo era sabido, tudo foi avisado. 

Helicópteros e equipes do Ibama foram alvejados a tiros por garimpeiros. Yanomami morreram pelas mãos de garimpeiros, invasores também foram mortos. Nos bastidores, os militares apresentaram mil argumentos, incluindo supostos limites no decreto presidencial de janeiro de 2023 – questiúnculas burocráticas no contexto de uma emergência humanitária.

O que importa é que os militares se revelaram incapazes de instituir a paz dentro do território. Que vergonha para a nona maior economia do mundo ter Forças Armadas que não conseguem lidar com o quê, 2 ou 3 mil garimpeiros? Se os militares brasileiros não são páreo para esse pequeno contingente humano, imagina numa invasão estrangeira. Adeus, Brasil. 

Logo surgiram na Pública as primeiras evidências de que os militares rebarbaram inúmeros pedidos da Funai e do MPI no tema do socorro direto à desnutrição. Recusaram-se a corrigir 46 pistas de pouso dentro da terra indígena, sob o argumento de que não era assunto da alçada militar. Essas pistas ajudariam na logística da distribuição de alimentos e no transporte das equipes médicas. 

Demandados a ajudar na distribuição de 5.300 cestas básicas por meio fluvial para aldeias Yanomami no lado do Amazonas, os militares passaram quase três meses de enrolação até cobrar da Funai um valor de R$ 1,6 milhão por bimestre para fazer esse trabalho. De nada adiantou a presidente do órgão indígena ressaltar, em ofício à Defesa, “o grave quadro de fome e insegurança alimentar enfrentado por essas populações indígenas nos estados de Roraima e Amazonas”.

Vale lembrar que o Orçamento da União para a área de Defesa aprovado para 2023 foi de R$ 124,4 bilhões (78,2% são gastos com pessoal).

A mesma reportagem da Pública revelou que deveriam ter sido distribuídas, até junho passado, cerca de 50 mil cestas básicas na terra Yanomami. O Ministério da Defesa, porém, admitiu a entrega de 23 mil cestas, ou seja, menos de 50% do plano original.

Na semana passada, a Pública revelou um outro ofício ainda mais estarrecedor enviado ao Ministério da Defesa pelo “número dois” do MPI, o advogado indígena Terena Luiz Eloy. Ele informou que, até novembro, cerca de 40 mil cestas básicas estavam paradas à espera da distribuição aos Yanomami. Comida havia, mas não chegava à boca das crianças.

Por fim, a Pública agora revela também que as Forças Armadas decidiram fechar unilateralmente um posto de suprimento de combustíveis em uma das áreas mais visadas pelo garimpo, a de Palimiú. Em nota, a Defesa disse que o apoio logístico “empregado pelas Forças Armadas se deu de forma emergencial”. O verbo está no passado. Mas a emergência acabou? Claro que não.

São pelo menos cinco os momentos em que os militares falharam: a) deficiente controle do espaço aéreo; b) não distribuição das cestas nas aldeias do lado do Amazonas; c) não correção das pistas de pouso; d) nenhuma reação ao fato de equipes do Ibama e indígenas terem sido alvejados a tiros; e) fechamento do posto de suprimento e declaração de que seu papel na operação acabou.

Lá no começo da Operação Yanomami, em fevereiro de 2023, José Múcio disse que havia uma preocupação de não “prejudicar inocentes” e que há garimpeiros que “trabalham pelo seu sustento”. Mas traficantes de crack podem dizer que “trabalham para seu sustento”. Assaltantes de banco também podem dizer que “trabalham para seu sustento”. A lógica de Múcio é que alguns crimes – exatamente, que coincidência, os crimes que atingem os povos indígenas e a Amazônia – podem ser mais tolerados do que outros. Só no ano passado, enquanto Múcio estava preocupado com os garimpeiros inocentes, morreram de desnutrição 29 Yanomami.

Não há descrição melhor para definir o que aconteceu ao longo de 2023 que não seja uma sabotagem de militares contra a autoridade presidencial de Lula. A ordem contida no decreto de janeiro de 2023 não foi nem está sendo seguida. Em 7 de fevereiro de 2023, esta newsletter foi inaugurada exatamente com o tema Yanomami. Intitulada “Operação Yanomami é termômetro do respeito dos militares à autoridade de Lula”, escrevi que as Forças Armadas teriam a oportunidade de “mostrar sua verdadeira cara e expor em atos se apreciam, se condenam ou se toleram o genocídio Yanomami”. A infeliz resposta chegou.

Rubens Valente | Agência Pública

Corte Internacional aceita denúncia contra Israel por genocídio em Gaza

Juízes ordenam que governo Netanyahu tome medidas para ‘prevenir um genocídio’ contra os palestinos, mas não falam em um cessar-fogo

A Corte Internacional de Justiça (CIJ) decidiu que há elementos suficientes para se julgar o Estado de Israel por possível crime de genocídio contra os palestinos residentes na Faixa de Gaza. A posição do organismo ligado à Organização das Nações Unidas (ONU) foi anunciada nesta sexta-feira (26/01).

Através da leitura de um documento por parte da presidente do tribunal, a magistrada norte-americana Joan Donoghue, a CIJ definiu que “alguns atos parecem se enquadrar na convenção sobre genocídio”, o que justifica o prosseguimento do caso. Porém, não há prazo para uma decisão sobre o mérito da denúncia.

No entanto, a decisão não abordou as questões principais do caso, e não significa uma postura favorável à tese da África do Sul, país que realizou a denúncia contra Tel Aviv, mas significa que a Corte considera que os elementos apresentados pela parte acusadora são passíveis de dar seguimento ao processo e reconhecem a própria CIJ como instância que possui jurisdição para apreciar o caso.

A ação sul-africana, apoiada pelo Brasil, pede que a CIJ declare que Israel violou a Convenção para Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio durante o conflito contra o grupo palestino Hamas na Faixa de Gaza, uma guerra que já matou mais de 26 mil pessoas, incluindo crianças, em quase quatro meses, segundo as autoridades do enclave.

O pedido também incluía um cessar-fogo imediato no enclave, algo que a CIJ não se pronunciou sobre.

Em seu pronunciamento, Donoghue disse que a CIJ está ciente do tamanho da “tragédia humana” em Gaza e manifestou preocupação com a contínua perda de vidas no território.

Com isso, o tribunal ordenou que Israel “tome todas as medidas para evitar quaisquer atos de genocídio” no enclave palestino e puna as pessoas que incitarem esse tipo de crime.

Além disso, o Estado governado pelo primeiro-ministro Benjamin Netayahu terá de adotar ações “imediatas e eficazes” para permitir o fornecimento de assistência humanitária em Gaza e preservar eventuais provas de genocídio contra palestinos. Por outro lado, a Corte pediu a libertação “imediata e incondicional” de todos os reféns israelenses.  

O caso contra Israel

A África do Sul apresentou na CIJ uma denúncia contra o Estado de Israel, acusado de violar a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio, ao perpetrar um massacre contra os palestinos residentes na Faixa de Gaza que pode ser qualificado como genocídio.

A denúncia sul-africana contra Israel conta com o respaldo de dezenas de nações do mundo, incluindo todos os 22 membros da Liga Árabe (entre eles a Palestina). Entre os países da América Latina, a iniciativa é apoiada pelo Brasil, e também por Bolívia, Colômbia, Cuba e Venezuela.

Fonte: Ópera Mundi

Argentina em greve: multidão toma as ruas de Buenos Aires

Acompanhe como foram os protestos em toda a Argentina contra medidas econômicas e trabalhistas do governo de Milei em paralisação histórica

Nesta quarta-feira (24/1), a Argentina está nas ruas em meio à primeira paralisação geral desde que Javier Milei assumiu a presidência, em dezembro do ano passado. Convocado pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical do país, e com o apoio da Confederação de Trabalhadores Argentinos (CTA), o lema do ato é “O país não está à venda”.

O objetivo é protestar contra a medida provisória do novo governo que faz modificações na economia e nas leis trabalhistas — chamada de “Decretaço”.

Lei Omnibus, projeto que prevê superpoderes a Milei e a privatização de empresas estatais, também é alvo da paralisação. A greve teve início a partir das 12h (mesmo horário de Brasília) e vai durar 12 horas. Acompanhe, em ordem cronológica, como foi a maior paralisação, até o momento, do novo governo.

Terça-feira (23/1), à noite — A greve começa com o cancelamento de centenas de voos.

Quarta-feira (24/1), às 9h30 — O movimento se espalha entre os trabalhadores gerais pela manhã, mas também entre os pilotos e controladores técnicos, resultando no cancelamento de vários voos de diferentes companhias aéreas.

Às 10h — Trabalhadores começam a se organizar e vão em direção ao Congresso de Buenos Aires. As assembleias de bairros de Flores, Parque Chacabuco, Caballito e estudantes de filosofia e letras da UBA se preparam para a greve geral.

Às 10h50 — No Porto de Buenos Aires, terminais Río de la Plata e 4 APM Terminal, entram em paralisação total das 12h à 0h, assim como toda a federação portuária e da indústria naval.

Às 11h55 — Trabalhadores da Universidade Nacional de Avellaneda, deputados da zona sul e estudantes autoorganizados da Universidade de Lomas de Zamora chegam à estação ferroviária de Constitución para marchar até a Praça Constitución. “Não ao DNU”, “Não à repressão”, “Não à Lei Omnibus” e “Plano de Luta já” são algumaas exigências gritadas pelos manifestantes.

Às 12h — Ações de solidariedade ao protesto argentino ocorre em vários lugares do mundo, como em Barcelona, na Espanha, e em Berlim, na Alemanha.

Às 12h01 — A greve começa oficialmente na Praça do Congresso. Organizações operárias e manifestantes começam se reunir nas proximidades da praça.

Às 12h35 — Trabalhadores do hospital público Garrahan, em Buenos Aires, se organizam para iniciar a greve e marchar nas ruas da cidade.

Às 13h20 — O Ministério da Segurança implementa o protocolo contra manifestações. Uma força-tarefa da Polícia Federal, em conjunto com a Gendarmeria (espécie de Polícia Civil), se posiciona em frente ao Congresso, onde milhares de trabalhadores estavam concentrados durante a manifestação. No entanto, a população já tinha bloqueado completamente as avenidas Rivadavia e Entre Ríos. Ação faz parte da lei aprovada pelo governo contra os “piquetis”, método de protesto característico argentino, onde manifestantes bloqueam as avenidas principais.

Às 14h15 — Inicia o evento da CGT, com discurso de Pablo Moyano, secretário adjunto do Sindicato dos Caminhoneiros e membro de uma família conhecida no meio sindical argentino. Ele pede aos legisladores que rejeitem a Lei de Bases, medida que estabelece privatizações de 41 empresas públicas e mudanças nas leis eleitoral e penal do país, e que está na Câmara dos Deputados. Além disso, exige que “não traiam os trabalhadores” e a “doutrina do peronismo”, que é “defender os trabalhadores, os que têm menos e os aposentados”.

Às 14h45 — Encerramento do evento, mas durante a tarde haverá paralisação no transporte.

Fonte: Metrópoles

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