McDonald’s enfrenta primeiro fracasso de vendas em quatro anos após boicote por apoio a Israel

Maior impacto foi provocado por fraco crescimento de vendas no Oriente Médio, após franquia israelense anunciar doações diárias de lanches a soldados que atuam em Gaza

A rede multinacional norte-americana de fast food McDonald’s informou nesta segunda-feira (05/02) que registrou seu primeiro fracasso trimestral em vendas em quase quatro anos.

Segundo o informe que baseou o anúncio, o principal resultado por esse resultado foi o baixo índice observado por suas filiais na Ásia, especialmente na região do Oriente Médio.

Após o 7 de outubro, quando Israel intensificou as operações militares na Faixa de Gaza em resposta à ofensiva lançada naquele mesmo dia pelo Hamas, a empresa passou a manifestar abertamente seu apoio às medidas tomadas pelo governo de extrema-direita de Benjamin Netanyahu.

Em consequência, consumidores da gigante do setor alimentício, especialmente no Oriente Médio, passaram a boicotar a empresa por seu apoio a Israel.

Lanches grátis a soldados 

No primeiro estágio da guerra, a filial McDonald’s Israel anunciou que forneceria refeições gratuitas aos soldados e aos hospitais das Forças Armadas de Israel (IDF, por sua sigla em inglês). A promessa feita pelo dono da franquia em Tel Aviv, Omri Padan, consistia na doação diária de quatro mil lanches para os militares, profissionais de saúde e moradores das regiões afetadas pela ação do Hamas.

A informação foi divulgada por meio de um story (publicação que expira em 24 horas) na conta oficial do Instagram da franquia israelense, em outubro de 2023. Na ocasião, o McDonald’s Israel explicou que havia reservado cinco unidades da empresa que serviriam exclusivamente as forças de segurança. 

“O McDonald’s doou e continua doando dezenas de milhares de refeições para unidades das IDF, polícia, hospitais, moradores na fronteira de Gaza e todas as forças de resgate. Continuamos doando milhares de refeições diariamente para nossas forças em todo o país. Além de um desconto de 50% para soldados e forças de segurança que vierem às nossas unidades”, informava a postagem.

Por outro lado, as franquias do McDonald’s na Arábia Saudita, Omã, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Turquia emitiram comunicados se desassociando e enfatizando que a decisão tomada por Israel foi “individual”.

Em janeiro, o presidente do McDonald’s, Chris Kempczinski, alertou que a “desinformação” sobre a marca, principalmente no Oriente Médio, estava prejudicando as vendas.

“Vários mercados no Oriente Médio e alguns fora da região estão experimentando um impacto comercial significativo devido à guerra e à desinformação que está afetando marcas como o McDonald’s”, escreveu Kempczinski em seu Linkedin, classificando a situação de “desanimadora” e o boicote como “infundado”.

Os prejuízos anunciados nesta segunda-feira se concentram no quarto e último trimestre de 2023, entre outubro e dezembro, período que coincide com o início das operações militares israelenses no território palestino. Ainda que em dois meses as vendas globais tenham aumentado 3,4%, o resultado foi abaixo da alta esperada de 4,7%, de acordo com os números divulgados por analistas da FactSet, uma empresa norte-americana de dados financeiros e software.

Em comparação ao mesmo período do ano anterior, as vendas do McDonald’s nas franquias internacionais revelaram um tímido aumento de 0,7%, muito distante das estimativas de crescimento de 5,5%, de acordo com as especulações da LSEG (London Stock Exchange Group), um tradicional provedor de dados do mercado financeiro de Londres. 

Ainda segundo o jornal Valor, a taxa de 0,7% é bem menor do que o crescimento de 4,3% obtido pela rede nos Estados Unidos e de 4,4% em outras filiais do mundo.

Fonte: Ópera Mundi

Lira abre o ano legislativo avançando sobre orçamento

Arthur Lira avança sobre orçamento público e alimenta ameaça sobre previdência de servidores

Em dez anos, a fatia do orçamento da União decidido pelo parlamento quintuplicou. Segundo levantamento feito pelo jornal O Globo e publicado na edição desta terça, 6, em 2014 a fatia era de R$ 4,65 bilhões; em 2024, saltou para mais de R$ 20 bi. Nessa segunda-feira, 5, ao discursar na abertura do ano legislativo, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) abriu um novo capítulo e subiu o tom na disputa pela ampliação do controle do orçamento pelo parlamento. Lira não somente busca regar sua base de deputados em ano eleitoral, mas emplacar a agenda política rejeitada nas últimas eleições presidenciais, podendo gerar uma onda de “reformas da Previdência” em milhares de municípios brasileiros.

Em outras palavras: “orçamento também é meu e de meu séquito”

“O Orçamento da União pertence a todos e todas e não apenas ao Executivo. Se assim fosse, a Constituição não determinaria a necessária participação do poder Legislativo em sua confecção e final aprovação”, disse Lira. Ele se refere às discussões em relação às emendas parlamentares. O governo Lula (PT) vetou, na Lei de Diretrizes Orçamentárias e no Orçamento de 2024, trechos que ampliariam os valores dessas emendas e acelerariam o pagamento pelo Executivo. Isso desagradou Lira, que, muito mais do que a realização de pequenas obras com os valores das emendas, tem interesses políticos nesses recursos. O chefe do Executivo cortou R$ 5,6 bilhões dos R$ 16 bilhões em emendas de comissão. O volume total de emendas corresponde a R$ 53 bi.

A afirmação de Lira sobre a “propriedade” do orçamento retoma elementos do “semipresidencialismo” defendido por ele em 2021; na ocasião, em rede social; afirmou: “Podemos, sim, discutir o semipresidencialismo, que só valeria para as eleições de 2026, como qualquer outra ideia que diminua a instabilidade crônica que o Brasil vive há muito tempo”, continuou o presidente da Câmara. “Esse é o nosso trabalho, essa é a nossa obrigação.” Essa estabilidade, à época, era uma das justificativas para não dar andamento a uma centena de pedidos de afastamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Lira também não aceita “retrocessos”

Além do orçamento, em seu discurso na abertura do ano legislativo Lira voltou a afirmar que a reforma administrativa é uma das suas prioridades para 2024. E insistiu na tese de que é preciso “evitar retrocessos”. O que ele chama de “retrocessos” seriam as revogações de medidas aprovadas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e que, elas sim, representaram graves atrasos na construção de direitos para a maioria da população. É o caso das reformas trabalhista e previdenciária, por exemplo. Lira se comprometeu também com a regulamentação da Reforma Tributária, pauta prioritária para o Planalto.

Ameaça à previdência dos servidores municipais virou efeito colateral na disputa de Lira

Em outubro do ano passado, o Congresso aprovou projeto de lei prorrogando a desoneração da folha de pagamento de empresas de 17 setores por mais quatro anos. No mesmo texto, foi incluída a redução, de 20% para 8%, da alíquota da contribuição previdenciária sobre a folha dos municípios com população de até 142.632 habitantes. A medida chegou a ser vetada por Lula, mas o veto foi derrubado no Congresso.

Na prática, o corte da alíquota das prefeituras deve estimular o fim dos regimes próprios municipais. E, como consequência, sobrecarregar o INSS. Conforme matéria do jornal Folha de S. Paulo publicada nesta segunda-feira, 5, isso tem gerado preocupação no governo. A própria reportagem aponta ainda um outro problema, além da sobrecarga do INSS: “No caso de um funcionário que trabalhou a vida inteira para a prefeitura e nunca contribuiu para o INSS, a migração de regime o jogaria na regra definitiva para aposentadoria aprovada na reforma da Previdência —isto é, idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, sem direito à transição”, explica o texto. Um prejuízo grave tanto para o regime geral quanto para os trabalhadores e trabalhadoras desses municípios, portanto.

Fonte: Sintrajufe/RS

Pastor é preso por estuprar sobrinha de 11 anos

Um pastor de igreja, de 39 anos, foi preso, em Peruíbe, no litoral de São Paulo, por estuprar a sobrinha, de 11, em troca de deixá-la jogar videogame. Conforme apurado pelo g1, nesta terça-feira (6), o crime aconteceu em Cajamar (SP) e foi descoberto pela professora da menina, que a ouviu conversar sobre pedofilia com colegas. A docente chamou a criança e ouviu que ela era estuprada desde os 8 anos.

O homem era procurado pela Justiça há dois anos, desde que o crime foi registrado. Uma equipe de investigadores da Polícia Civil de Peruíbe foi informada de que o foragido estava próximo a um cemitério no Jardim Itatins, onde foi capturado.

A prisão foi realizada por agentes do DP Sede e da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do município na última segunda-feira (5). Ele foi conduzido à delegacia e, na sequência, conduzido à penitenciária.

Entenda o crime

À polícia, a mãe da menina disse que foi chamada na escola pela diretora após uma professora ter escutado a vítima conversando com colegas sobre abuso sexual e pedofilia.

A docente chamou a criança para conversar e ela confessou que era estuprada pelo tio — cunhado da mãe — desde os oito anos. A professora a encaminhou a diretora para quem a menina também relatou o ocorrido.

O homem dizia para a menor que só jogaria videogame se fizesse sexo com ele. A polícia requisitou exame sexológico da vítima.

O caso foi registrado em 6 de maio de 2022 na Delegacia de Polícia de Cajamar como estupro de vulnerável. O pedido da prisão preventiva foi expedido em 16 de agosto do mesmo ano.

Fonte: G1

STF forma maioria para condenar mais 29 por atos golpistas

Em sessão virtual nesta segunda-feira (5), o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para condenar mais 29 pessoas por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro, que tentaram derrubar os três Poderes da República. Com isso, o número de condenados pelo 8/1 chega a 59. A sessão virtual será concluída nesta segunda-feira, e ainda há a possibilidade mudança de votos.

Os réus deste julgamento fazem parte do grupo que invadiu o Palácio do Planalto e o Senado Federal, portando armas e bandeiras antidemocráticas. Eles foram denunciados por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e deterioração de patrimônio tombado.

As penas propostas variam de 11 a 17 anos de prisão, mas ainda serão definidas antes do final do julgamento porque há divergência entre os ministros. O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, propôs as penas mais altas, seguido pelos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Os ministros Cristiano Zanin e Edson Fachin votaram pela condenação, mas sugeriram penas mais baixas.

O julgamento, que começou em dezembro, foi realizado em plenário virtual, uma modalidade que permite aos ministros votarem a distância, sem a necessidade de sessões presenciais.

No total, 1.354 investigados respondem por participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, que estão respondendo a ações penais no STF.

Fonte: Orla Notícias

Vigilantes protestam contra demissões na Secretaria Estadual de Saúde

O Sindicato dos Vigilantes de Alagoas realizou, nesta terça-feira (6), uma mobilização em frente à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) contra as demissões dos vigilantes que atuam no Hospital Geral do Estado (HGE), Hospital de Emergência do Agreste (HE), em Arapiraca, e de todos os vigilantes da Saúde que já foram prejudicados na gestão do governador Paulo Dantas: o Paulo Sem Coração!

Desde o início do governo Paulo Dantas, mais de 800 vigilantes já foram demitidos ou sofrem ameaça de demissão, sendo substituídos por pessoas sem nenhuma qualificação. Além dos vigilantes, essa ação irresponsável tem prejudicado os profissionais da Saúde e os pacientes que precisam desse serviço, que agora estão totalmente vulneráveis à ação criminosa.

“O sindicato não vai deixar de cumprir o seu papel e de cobrar providências imediatas do secretário de Saúde, de cobrar que o governador Paulo Dantas reverta essa situação dos trabalhadores vigilantes. Aqui não tem ideologia política, aqui tem um povo trabalhador, e se você mexe com o vigilante, mexe com o sindicato”, declarou o presidente José Cícero Ferreira.

Fonte: Ascom/Sindicato dos Vigilantes de Alagoas

Unidades de saúde estão desfalcadas de vigilância, diz sindicato

De hospitais – na capital e demais cidades – a unidades de pronto-atendimento tiveram redução de pessoal nesse serviço

As unidades da rede estadual de saúde estão desfalcadas de pessoal de vigilância.

A situação atinge de hospitais da capital e outras cidades às UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) administradas pelo Estado, assim como postos de atendimentos a exemplo do Ambulatório Noélia Lessa (antigo mini pronto-socorro).

“É [uma situação] preocupante porque o fluxo de pessoas em qualquer unidade que preste atendimento médico é grande”, adverte Mônica Lopes, secretária-geral e presidente eleita do Sindicato dos Vigilantes.

Em comunicado distribuído esta semana, a entidade que representa os trabalhadores do setor diz que, no ano passado, 197 vigilantes foram dispensados das funções “e para agravar, os 80 que ainda estavam dando cobertura em alguns locais também receberam aviso prévio da empresa terceirizada, a Tigre Vigilância”.

A estrutura de vigilância patrimonial da rede estadual de saúde é prestada de modo terceirizado: o poder público estadual contrata as empresas, que colocam seu pessoal para trabalhar nas unidades.

O Estado repassa os valores do contrato e as empresas se encarregam de pagar os salários dos profissionais.

Ao longo do ano passado, de outras empresas que também prestam o serviço, o sindicato denunciou atrasos no pagamento de salários e décimo-terceiro.

Segundo a dirigente sindical, já foram desfalcados de pessoal desse serviço o Hospital Metropolitano, o Hospital da Mulher, Hospital da Criança, HGE e as UPAs administradas pelo Estado.

Em outras cidades alagoanas, a situação atinge, segundo ela, o HE (Hospital de Emergência), em Arapiraca; o Hospital do Alto Sertão (em Delmiro Gouveia), o Hospital da Mata (União dos Palmares) e Hospital do Norte (em Porto Calvo).

“Quando dispensam os profissionais responsáveis pelo controle de quem entra e sai, circula nas dependências internas, bem como na área externa do prédio, o acesso de indivíduos mal-intencionados fica facilitado”, adverte a sindicalista, acrescentando que, para denunciar a situação, o sindicato convocou ato público para a próxima terça-feira (06), em frente à Sesau.

Monica Lopes diz ainda que o serviço executado pelos profissionais vigilantes está sendo improvisado por pessoal de apoio das unidades e até por maqueiros.

“Outro agravante: essas vagas ociosas tendem a ser preenchidas de forma eleitoreira, por pessoas desabilitadas para desempenhar as atividades”, diz, acrescentando que procurou o Sindicato dos Médicos para fazer a advertência e que representantes da categoria tentaram audiência com o secretário de Saúde, Gustavo Pontes, mas, não conseguiram ser recebidos.

“Nós fomos preparados, fizemos curso e temos todos os certificados negativos exigidos para atestar nossa boa conduta – não é qualquer um que pode ocupar o cargo”, adverte.

A reportagem procurou ouvir a Secretaria de Saúde e aguarda retorno.

Fonte: Qr-Sabr

Brasil usa mais agrotóxicos que Estados Unidos e China juntos

Agência da ONU indica que Brasil aplica mais de 720 mil toneladas de veneno contra pestes em lavouras

O Brasil já usa mais agrotóxicos em suas lavouras do que a China e os Estados Unidos juntos. Isso é o que mostra um levantamento da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês).

Os dados divulgados pela FAO são referentes a 2021. Naquele ano, segundo a agência, foram aplicadas 719,5 mil toneladas de venenos contra pestes em lavouras nacionais. No mesmo ano, a China, que tem quase sete vezes mais habitantes que o Brasil, aplicou 244 mil toneladas. Já os EUA aplicaram 457 mil toneladas. Juntos, eles uasaram 701 mil toneladas.

De acordo com os dados da FAO, o Brasil é o país que mais usa agrotóxicos no mundo. É seguido justamente pelos EUA. A Indonésia, que usou 283 mil toneladas de veneno em suas lavouras – menos da metade do Brasil –, vem em terceiro lugar.


Dados da FAO mostram os países líderes em uso de agrotóxicos em lavouras no mundo / Reprodução/elaboração Gerson Teixeira (Abra)

O Brasil usa 10,9 kg de agrotóxicos para cada hectare de lavoura (10 mil m2). Já os EUA usam 2,85 kg/ha; a China, 1,9 kg/ha.

Em 2021, foram usados no Brasil 3,31 kg de agrotóxicos por pessoa. Nos EUA, foram 1,36 kg per capita; e na China, 0,17 kg per capita.

Modelo do agronegócio

Para Gerson Teixeira, engenheiro agrônomo e diretor da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), dados como esse mostram como a agricultura nacional tem se tornado dependente dos agrotóxicos devido a escolhas de métodos de produção.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Teixeira explicou que o Brasil, décadas atrás, optou por um modelo de produção agropecuária voltado à exportação, principalmente de soja. Isso tornou o país o segundo maior exportador de produtos agrícolas do mundo, segundo a FAO, atrás só dos EUA.

Acontece que lavouras de soja são altamente dependentes do uso de fertilizantes e agrotóxicos, ressaltou Teixeira. Isso aumentou o consumo desse tipo de veneno no Brasil.

Em 1990, segundo a FAO, o Brasil consumia 51,1 mil toneladas de agrotóxicos por ano. Em 31 anos, essa quantidade aumentou 1.300%.

“A agricultura brasileira pensava que a soja transgênica reduziria a necessidade do veneno e dos fertilizantes”, afirmou Teixeira. “Na verdade, aumentou a dependência dos dois.”

Dados do Banco Mundial tabulados por Teixeira apontam que o Brasil também já é o segundo maior consumidor de fertilizantes do mundo quando considerados a quantidade de quilos aplicados por hectares de lavouras, ficando atrás da China.

Do total de fertilizantes utilizados na agricultura nacional, 87% é importado, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Segundo a FAO, o Brasil é o maior importador de fertilizantes do mundo. Consome 18% das importações mundiais. Os EUA consomem 13% e a China, 5%.


Dados do Banco Mundial indicam quais países mais usam fertilizantes por área de lavoura / Reprodução/elaboração Gerson Teixeira (Abra)

O Brasil também é líder nas importações de agrotóxicos. Foram 283 mil toneladas importadas durante o ano de 2022, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).


Dados do Ibama mostram aumento da importação de agrotóxicos pelo Brasil desde 2008 / Reprodução/elaboração Gerson Teixeira (Abra)

Riscos à saúde

Por conta do uso crescente de agrotóxicos no país, a cada dois dias, uma pessoa morre por intoxicação por uso desse tipo de veneno no Brasil. Uma a cada cinco vítimas é criança ou adolescentes de até 19 anos. Esse dado consta num relatório publicado em 2022 pela rede ambientalista europeia Friends of the Earth Europe.

De acordo com a entidade, empresas agroquímicas europeias como a Bayer e a Basf trabalham conjuntamente com o agronegócio brasileiro para disseminar o uso de veneno no Brasil, desconsiderando os malefícios causados por eles à população.

Larissa Bombardi, professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), escreveu em seu livro Agrotóxicos e Colonialismo Químico (editora Elefante) que a Europa concentra um terço da produção de agrotóxicos no mundo. Autoridades europeias, porém, já proibiram o uso de 269 tipos de defensivos por conta dos danos causados por eles à saúde. Em países como Brasil, os banimentos não chegam a 30.

Entre os 10 mais vendidos por aqui, cinco são proibidos na União Europeia, ressaltou Bombardi. “Enquanto a área plantada no país cresceu 29% de 2010 a 2019, o uso de agrotóxicos cresceu 78%”, disse ela, em palestra feita em Curitiba, no ano passado.

“Essa forma de agricultura faz mal à população e ao planeta”, disse ela. “Só a reforma agrária com foco na agroecologia oferece uma solução.”

Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) participa da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida e tem várias ações em parceria com a sociedade civil organizada e movimentos sociais para alertar para o perigo dos agrotóxicos e para buscar aumentar o controle e reduzir seu uso.

Fonte: Brasil de Fato

Israel já deixou mais de 100 mil mortos, feridos e desaparecidos em Gaza

A Organização Mundial da Saúde, OMS, aponta que o conflito em Gaza já deixou mais de 100 mil vítimas, entre mortos, feridos e desaparecidos. Os dados citados pelo representante da agência da ONU no Território Palestino Ocupado, Richard Peeperkorn, com base na coleta de informação do Ministério da Saúde palestino.

Segundo as estimativas, 60% das mais de 27 mil mortes relatadas pelas autoridades de saúde do enclave são de mulheres e crianças, com mais de 66 mil feridos necessitando de cuidados médicos, que continua com acesso limitado.

Panela de pressão do desespero

Nesta sexta-feira, o porta-voz do Escritório de Assuntos Humanitários da ONU, Jens Laerke, destacou a persistente fuga de milhares de residentes de Gaza diante dos combates em Khan Younis, buscando abrigo na já superlotada cidade de Rafah, no sul do país.

Ele descreveu a área como uma “panela de pressão do desespero” e temores sobre o que pode acontecer. Além disso, Laerke sublinhou que, mesmo uma semana após a decisão da Corte Internacional de Justiça, não houve melhora na situação.

A OMS destacou sua tarefa “extremamente desafiadora” de reabastecer os hospitais e centros médicos em todo o enclave e afirmou que das 15 missões planejadas para o norte em janeiro, apenas três foram realizadas, quatro foram impedidas por rotas intransitáveis, uma foi adiada e oito foram negadas.

A agência também estima que 8 mil palestinos precisam ser levados para hospitais fora do país para atendimentos urgentes. Peeperkorn apontou sua frustração com o fato de que apenas uma pequena fração dos necessitados, cerca de 1,2 mil pacientes, tenha sido encaminhada por Rafah até o momento.

Situação das crianças

O Fundo da ONU para Infância, Unicef, alertou que pelo menos 17 mil crianças em Gaza estão desacompanhadas. O chefe de comunicação da agência no Estado da Palestina, Jonathan Crickx, afirmou que “cada uma delas é uma história de perda e tristeza de partir o coração”.

Falando de Jerusalém para jornalistas em Genebra, o representante do Unicef descreveu o encontro com jovens em Gaza no início desta semana. Segundo ele, devido à falta de alimentos, água e abrigo, os familiares mais distantes muitas vezes não conseguem cuidar das crianças que perderam os pais pois também estão em uma situação extremamente vulnerável.

Jonathan Crickx avalia que a saúde mental das crianças palestinas foi gravemente afetada, adicionando que muitas apresentam altos de ansiedade, perda de apetite, não conseguem dormir e tem explosões emocionais ou pânico toda vez que ouvem os bombardeios.

O Unicef agora estima que quase todas as crianças de Gaza, mais de 1 milhão, precisam de serviços de saúde mental e apoio psicossocial. A única maneira de oferecer esse apoio é com um cessar-fogo.

Crickx enfatizou que as crianças não têm nada a ver com o conflito, mas estão sofrendo como nenhuma deveria sofrer. Ele destacou que “nenhuma criança, seja qual for a religião, a nacionalidade, o idioma, a raça, deveria ser exposta ao nível de violência visto em 7 de outubro, ou ao nível de violência que testemunhamos desde então.”

Fonte: Monitor do Oriente

Justiça anula reajuste de 54% a prefeito e cancela aumento de vereadores

O juiz Diogo de Freitas, da 1ª Vara da Comarca de Amambai, anulou lei que concedeu reajuste de 54% para o prefeito Edinaldo Luiz de Melo Bandeira, o Dr Bandeira (PSDB), e de 23,07% para o vice Rodrigo Selhorst. O magistrado também cancelou o aumento no salário dos vereadores da Câmara Municipal de Amambai. Todos os políticos também deverão ressarcir os cofres públicos, com juros e correção monetária.

As decisões, publicadas na sexta-feira (2), são em processos movidos pelo advogado Daniel Ribas Cunha. O profissional já liderou diversas ações para derrubar aumentos salariais irregulares em prefeituras e Casas de Leis de Mato Grosso do Sul.

No caso do prefeito de Amambai e vice, a decisão anula a Lei Municipal 2.770/2021. O chefe do Poder Executivo tem salário de R$ 26.500 (antes era R$ 17.143), enquanto o vice recebe R$ 10.600 (total anterior era de R$ 8.771). Para a Justiça, houve reajuste durante a mesma legislatura, prática que é proibida.

“No caso dos autos, restou incontroverso que a Lei n.º 2.770/2021 fixou o reajuste de subsídios do Prefeito e do Vice-Prefeito de Amambai/MS para o início do ano de 2022, ou seja, no decorrer do mesmo curso legislativo, de modo que violou os princípios da anterioridade da legislatura e da moralidade, bem como o disposto no art. 29, VI, da Constituição Federal, dada aplicação extensiva aplicada ao referido dispositivo legal”.

Os novos salários foram pagos de janeiro a agosto de 2022, quando decisão do TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) mandou suspender o aumento.

A outra decisão anula as leis 2.536/2017 (que fixou o salário dos vereadores de Amambai em R$ 6.314,53) e 2.588/2018 (salário de R$ 6.529,22).

“No caso dos autos, restou incontroverso que a Lei n.º 2.536/2017 fixou reajuste de 5,02% do subsídio dos Vereadores a partir de março de 2017, ou seja, no decorrer do mesmo curso legislativo (2017-2020). Não obstante, houve o sancionamento, no ano seguinte, da Lei Municipal n.° 2.588/2018, a qual fixou novo reajuste aos Vereadores amambaienses, agora no percentual de 3,4%. Assim sendo, ante expressa previsão legal, tem-se que ambas as Leis Municiais violaram os princípios da Anterioridade da Legislatura e da Moralidade, previstos, respectivamente, no art. 29, VI, e art. 37, caput, ambos da Constituição Federal”.

“Assim, resta incontroverso que houve dano ao erário, porquanto os valores recebidos de março de 2017 até fevereiro de 2018, bem como de março de 2017 até a intimação da demandada Câmara Municipal de Amambai/MS da decisão interlocutória que concedeu a liminar para suspender os pagamentos (28/11/2018 –fl. 52), são indevidos, ante flagrante inconstitucionalidade das Leis n.° 2.536/2017 e 2.588/2018, de modo que os demandados devem realizar o ressarcimento dos valores indevidamente obtidos”.

O juiz ainda determinou que os políticos paguem honorários de R$ 6 mil (R$ 3 mil em cada ação popular) para o advogado Daniel Cunha. A decisão considerou o grau de zelo do profissional, a natureza e importância da causa, o trabalho realizado e o tempo exigido.

O Ministério Público Estadual deflagrou, em novembro de 2023 , a Operação Laços Ocultos contra dois vereadores, inclusive o líder do prefeito, Valter de Brito (PSDB), e quatro secretários municipais da gestão de Edinaldo Bandeira, por corrupção, peculato, fraude em licitações e organização criminosa. O grupo foi contemplado com R$ 78 milhões em contratos.

Fonte: O Jacaré

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