A regressividade da política fiscal no Brasil

Luciana Caetano

Economista e professora da FEAC/UFAL

A política fiscal é um dos principais instrumentos de redistribuição de renda, apoiada em dois pilares: arrecadação por base de incidência (ver tabela) e estrutura de gastos. Ela é progressiva quando seus mecanismos de arrecadação e gasto estão direcionados a atenuar a concentração de riqueza e renda gestada nas engrenagens do sistema de reprodução do capital. É regressiva quando o Estado coloca seu poder de regulação a serviço dos que concentram os meios de produção, facilitando a transferência do fruto do trabalho à acumulação do capital. A julgar pela dívida ativa da União, é possível constatar a generosidade do governo federal com as grandes corporações, tema já discutido aqui em edição anterior.

Tecnicamente, a estrutura tributária seria progressiva no Brasil, se os impostos que incidem sobre renda/patrimônio e transações financeiras gerassem uma receita fiscal superior à receita fiscal derivada dos impostos indiretos e salários. A tabela abaixo revela que o primeiro grupo representa apenas 38,7% da receita fiscal, ao passo que o segundo grupo, 59,3%. Para alcançar um tom razoável de progressividade, o Brasil deveria cobrar impostos sobre as grandes fortunas, elevar os impostos sobre rendas de capital e propriedades rurais, concentradas nas mãos de poucos latifundiários.

Arrecadação fiscal federal por base de incidência, a preços de dez/2020 (R$ milhões)

Fonte: Ministério da Economia, Secretaria de Arrecadação Fiscal do Brasil.

Para o governo é sempre mais simples transferir o ônus para a classe trabalhadora. Com a tabela de descontos defasada desde 2015, o Imposto de Renda alcança, a cada ano, novos contribuintes, a despeito da redução no número de pessoas empregadas no mercado de trabalho formal. Pelos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o número de trabalhadores formais de 2019 (47,6 milhões) é semelhante ao de 2012 (47,5 milhões), tendo alcançado seu nível mais alto em 2014 (49,6 milhões).

Desde 2016, sobe o número de contribuintes e cai o número de dependentes por contribuinte, assim como os descontos com saúde e educação realizados por titulares e dependentes. Para dificultar um pouco mais a vida da classe trabalhadora, o governo federal determinou a devolução do auxílio emergencial recebido em 2020 pelos dependentes, para contribuintes com rendimento anual acima de R$ 22.847,76, através de DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais). Ao fazer a entrega da declaração, automaticamente, a receita libera o DARF junto com o recibo de entrega da declaração, a partir do CPF informado do dependente beneficiário. Você não precisa informar à RF que seu dependente recebeu o auxílio. A RF tem acesso ao banco de dados do Ministério da Cidadania.

A única forma de se livrar da devolução do auxílio emergencial é excluir o dependente da declaração, comparando o valor a devolver com o valor a receber (restituição). De qualquer modo, o contribuinte perde. Com essa estratégia, o governo deve recuperar boa parte do auxílio emergencial pago em 2020 para pagar os quatro meses de 2021, que corresponde a 15% do que foi pago em 2020. No final das contas, o governo deu com uma mão e está retirando com a outra, sem a recuperação da economia nem dos postos de trabalho. O desemprego no trimestre móvel encerrado em janeiro/2021 foi maior que o encerrado em dez/2020. São 14,3 milhões de pessoas desempregadas (taxa de desemprego de 14,2% no trimestre nov-dez-jan/21)[1]  

Em 2020, 31,9 milhões de contribuintes entregaram a declaração de Imposto de Renda à Receita Federal e, em 2021, a instituição espera receber 32,6 milhões. Como explicar uma elevação de declaração em 2021 se, em 2020, o número de pessoas no mercado trabalho caiu em relação a 2019? Defasagem na tabela de Imposto de Renda. O valor de dedução por dependente é R$ 2.275 desde 2015. Se esse valor fosse reajustado pelo INPC, estaria em R$ 2.845,69. A defasagem da tabela de Imposto de Renda afeta, sobretudo, às famílias de baixa renda que passam a pagar Imposto de Renda com rendimento anual acima de R$ 28.559,70.

               É pouco provável que um beneficiário de auxílio emergencial esteja inserido em núcleo familiar de elevada renda per capita. Via de regra, são pessoas com renda média familiar muito baixa. Exigir a devolução do auxílio emergencial dessas famílias enquanto ignora a dívida ativa das grandes corporações é uma injustiça social e um acinte à sociedade brasileira. Preocupa a reforma tributária que está a caminho em um governo marcado pelo discurso de redução das obrigações da classe empresarial às custas do sacrifício dos que efetivamente produzem a riqueza desse país. Classe trabalhadora, uni-vos. Tempos mais difíceis estão por vir.


[1] Fonte: PNAD Contínua: taxa de desocupação é de 14,2% e taxa de subutilização é de 29,0% no trimestre encerrado em janeiro de 2021 | Agência de Notícias | IBGE.

Rodoviários não aceitam redução de direitos e devem parar no dia 9

Em assembleia geral realizada no dia 03, os trabalhadores rodoviários de Maceió, recusaram a proposta patronal de retirar direitos e preparam greve para a próxima semana.

Os empresários querem reduzir o valor do vale alimentação de R$ 500,00 para R$ 200,00 e acabar com o plano de saúde da categoria.

Segundo o SINTTO, sindicato da categoria “os rodoviários estão trabalhando estressados porque correm risco de contaminação por Covid-19 e os patrões ainda querem tirar os poucos direitos que temos e isso a categoria não vai aceitar”.

O SINTTRO vai organizar na próxima semana três dias de protestos e na sexta-feira dia 09, os trabalhadores irão paralisar suas atividades.

Ainda na assembleia, a categoria criticou o prefeito JHC de só favorecer os empresários com subsídios públicos e aprovação por parte de sua bancada de uma lei que permite demitir os cobradores.

Porque a morte não pode parar: ministro Kassio Nunes atende evangélicos e igrejas poderão abrir em plena pandemia

Já está em vigor a polêmica decisão do ministro do STF Kassio Nunes que permite abrir igrejas em plena pandemia

Para o jornalista Fabio Pannunzio, o ministro Kassio Nunes, do Supremo Tribunal Federal (STF), “se associou ao genocídio” do governo Jair Bolsonaro ao liberar cultos e missas em meio ao aumento de mortes da Covid-19. E o objetivo, segundo o jornalista, é enriquecer empresários da fé, como Edir Macedo e Silas Malafaia

“O ministro Nunes Marques se associa ao genocídio de Bolsonaro ao liberar os cultos para encher o rabo do Malafayas e Macedos de dinheiro e a fila da UTI de moribundos. Lembrando o velho Barão de Itararé, de onde nada se espera, daí é que não sai nada mesmo!”, escreveu o jornalista em suas redes sociais.

Já o advogado e ex-deputado federal Wadih Damous,”O Ministro Kassio Nunes, ao que parece, acha que os evangélicos estão protegidos do vírus por graça divina. Mas, ao que parece também, o vírus é ateu e mata qualquer um que não segue as recomendações da ciência. O ministro novato acaba dando a sua contribuição ao genocídio em curso”, postou o advogado Wadih Damous, em suas redes sociais.

SUS vai pagar R$ 4 mil por leito de UTI do setor privado que custava R$ 800

Projeto aprovado pelo Congresso, além de quadruplicar valor pago por um leito de UTI, dá desconto no imposto de renda de R$ 2,5 bilhões para a rede privada de hospitais. PT tentou barrar aprovação

O Senado Federal aprovou esta semana um projeto de lei, intitulado “Pró-Leitos”, que permite que os leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) cedidos pelos hospitais particulares ao Sistema Único de Saúde (SUS,) para os pacientes com Covid-19, sejam pagos pela tabela da Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS), no valor de R$ 4 mil cada um. A ANS é a agência reguladora dos planos de saúde privados.

O SUS pagava por cada leito R$ 800, mas por causa da pandemia do novo coronavírus o valor subiu para R$ 1.600 e agora, quadruplicou com a aprovação do projeto. Além do aumento no valor do leito de UTI, os empresários do setor da saúde, de quebra, ganharam um desconto de R$ 2,5 bilhões no Imposto de Renda (IR) para àqueles hospitais que cederem vagas ao SUS.

O Partido dos Trabalhadores ainda tentou barrar a aprovação do projeto. O senador Humberto Costa (PT/PE) questionou:  por que, os invés de dar o desconto no imposto de renda, o Congresso não destinava todo o valor das emendas parlamentares da saúde, de R$ 9 bilhões, para o combate à Covid?, se referindo ao fato de que dinheiro havia, mas parte dos parlamentares preferiu atender as demandas do empresariado.

Alegando que mexer no PL provocaria a volta do texto à Câmara para nova aprovação, os senadores rejeitaram a proposta de Humberto Costa. Assim, a tabela usada na contratação dos leitos será a da ANS, mais cara, e não a do SUS, além do desconto na arrecadação do imposto de renda.

“A perda do imposto de renda vai recair também para estados e municípios que recebem parte do que é arrecadado pela União. Tanto estados como municípios usam parte deste dinheiro na saúde, e sabemos que esses entes estão gastando muito mais, por causa da pandemia”, diz o economista e assessor do PT no Senado, Bruno Moretti.

O economista se preocupa com a brecha dada aos empresários na “disponibilidade” de leitos de UTI. Segundo ele, os R$ 1.600 pagos anteriormente pelo SUS eram valores de referência que estados e municípios definam se subiam ou não.

“Isto é muito grave por que além de não ter recursos no orçamento para o combate à pandemia, você ainda tem aprovado, pelo Congresso, a redução de receitas. É uma combinação terrível que só gera lucro para o setor privado”, critica Moretti.

Projeto ainda proíbe cirurgias eletivas nos hospitais públicos e privados

Antes de ir para a votação no Senado, o programa Pró-Leitos, de autoria do deputado Dr. Luizinho (PP-RJ), com apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP/AL), foi aprovado na Casa, no dia 24 de março.

O relator do Projeto de Lei  (PL 1010/2021) na Câmara, deputado Hiran Gonçalves (PP-RR), propôs que em cada estado sejam automaticamente suspensas as cirurgias eletivas nos hospitais públicos e privados sempre que os leitos atinjam a taxa de ocupação de 85%, ficando excluídos procedimentos de oncologia e cardiologia.  

Tanto o novo valor para cobrança de leito de UTI como a proibição de cirurgias  eletivas foram aprovados na Câmara e no Senado, apesar dos protestos da oposição, e segue para sanção presidencial.

*Edição: Marize Muniz 

Fonte: CUT Brasil

MST Alagoas lamenta falecimento do militante José Marcone

Marcone é mais uma vítima da Covid-19 e faleceu na manhã de hoje (03)

Em Alagoas, o MST se despede de José Marcone, assentado no Agreste do estado e militante do Setor de Produção, Cooperação e Meio Ambiente do Movimento. Marcone é mais uma vítima da Covid-19 e faleceu na manhã de hoje (03).

“É com profunda tristeza que recebemos na manhã de hoje (03) a notícia do falecimento de José Marcone, mais uma vítima da Covid-19 em Alagoas. Marcone lutava contra o vírus há semanas e não resistiu às consequências da doença, nos deixando fisicamente neste sábado”, destaca trecho da nota de despedida e solidariedade do MST Alagoas.

Confira na íntegra:

Nota de despedida e solidariedade

É com profunda tristeza que recebemos na manhã de hoje (03) a notícia do falecimento de José Marcone, mais uma vítima da Covid-19 em Alagoas. Marcone lutava contra o vírus há semanas e não resistiu às consequências da doença, nos deixando fisicamente neste sábado.

Assentado da Reforma Agrária no Agreste de Alagoas, Marcone atuava no Setor de Produção, Cooperação e Meio Ambiente do MST, onde construiu sua militância na tarefa do fortalecimento da cooperação e da produção de alimentos saudáveis na região onde era assentado.

Sempre com sorriso no rosto e com muita alegria, Marcone será sempre lembrado pela sua disposição, paciência e compromisso com a luta pela Reforma Agrária Popular.

Estendemos ainda toda a nossa solidariedade aos familiares de Marcone e de toda a militância Sem Terra de Alagoas que sofre com essa partida precoce.

Nos solidarizamos ainda com as milhares de famílias que, em Alagoas e no Brasil, choram com a morte de seus familiares em virtude da Pandemia da Covid-19, além de repudiar a irresponsabilidade que o Governo Brasileiro vem tratando a situação em nosso país.

Para que mais vidas sejam preservadas e que outras famílias não passem pela dor da despedida, faz-se urgente e necessária uma verdadeira política de enfrentamento à Pandemia no Brasil, garantindo vacina para toda a população e preservando os direitos dos brasileiros e brasileiras.

Que o sorriso de Marcone permaneça em nós!

Alagoas, 03 de abril de 2021

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST

Lutar, construir Reforma Agrária Popular!

O marketing barato de JHC

O prefeito de Maceió João Henrique Caldas (JHC) anunciou pelo Twitter no dia 02, o início da Vacina Solidária, com objetivo de arrecadar e doar alimentos não perecíveis e de higiene pessoal.

O material arrecadado será enviado para instituições de caridades e profissionais que foram afetados diretamente pela pandemia.

Mas, no dia 30 de março, o prefeito decidiu subsidiar o transporte público em Maceió com R$ 2,5 milhões por mês, dinheiro que será cortado certamente da saúde e da educação.

Ou seja, para os empresários do transporte uma negociata que irá render para eles 2, 5 milhões ao mês dos cofres públicos, aos pobres a caridade alheia.

Produtora promove curso de cinema com celular gratuito e on-line

A produtora Filmes das Piabas está realizando no período de 14 a 6 de abril, das 09 às 11 horas, um curso de cinema com celular totalmente gratuito e on-line.  

A produtora de áudio visual é voltada para o cinema periférico e foi contemplada num edital da Fundação Municipal de Ação Cultural com recursos oriundos da Lei Aldir Blanc e como contrapartida vai oferecer o curso.

O objetivo do curso, segundo seus organizadores é despertar o interesse pelo fazer cinema de forma acessível para todos. O Curso é introdutório e abordará construção de roteiro, fotografia e som e montagem no celular.

A inscrição para o curso é através de um formulário on-line (forms.gle/tjgc5e3ZFTjeQ2ME7)

e as vagas são limitadas. Para mais informações confiram o Instagram @filmesdaspiabas.

Bolsonaro aumenta o preço dos remédios e do gás de cozinha em plena pandemia

O governo Bolsonaro está aproveitando a pandemia para fazer passar a boiada. Depois do aumento dos remédios, agora é vez do gás de cozinha.

A partir do dia 01 de abril de 2021 os medicamentos ficaram mais caros. O governo autorizou um aumento de até 10% nos remédios em todo o país. A decisão já foi publicada no Diário Oficial da União.

Agora, Bolsonaro vai aumentar o preço médio de venda do gás liquefeito de petróleo (GLP) em 5% para as distribuidoras nesta sexta-feira (2). O valor passará a ser de R$ 3,21 por quilo, com um aumento médio de R$ 0,15 por quilo, valendo tanto para o uso em indústrias quanto para o uso doméstico.

Por apoiar Bolsonaro, Edir Macedo recebe 3,2 milhões da TV Brasil

Estatal TV Brasil paga R$ 3,2 milhões para exibir novela ‘Os Dez Mandamentos’, da Record

A TV Brasil, parte integrante da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), irá passar a exibir a novela “Os Dez Mandamentos”, da Record TV, em sua nova grade de programação.

Para adquirir os direitos de transmissão das duas temporadas da novela, a estatal pagou cerca de R$ 3,2 milhões para a emissora do bispo e fundador da Igreja Universal, Edir Macedo, que é próximo do presidente Jair Bolsonaro.

A informação foi publicada na coluna do jornalista Guilherme Amado na Revista Época.

CartaCapital pediu um posicionamento da EBC sobre o valor informado, mas ainda não obteve retorno. 

Fonte: DCM

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