Guru de Michelle, pastor é acusado de abafar golpe contra fiéis

Guru religioso da primeira-dama Michelle Bolsonaro, o pastor Josué Valandro Jr. é acusado de abafar um golpe financeiro aplicado por um ex-líder da congregação evangélica que ele dirige, a Igreja Batista Atitude.

Duas fiéis da igreja evangélica dizem ter sido vítimas do golpe. Os episódios ocorreram em 2017, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, e resultaram em processos contra o suposto golpista, o também pastor Oséias Oliveira de Abreu, e contra a igreja.

As vítimas afirmam ter transferido quase R$ 1 milhão para uma conta nos Estados Unidos em nome de uma empresa do pastor Oséias. Segundo elas, ele havia prometido um retorno financeiro com o investimento no exterior, mas o dinheiro desapareceu.

Oséias era líder de uma célula da igreja que era frequentada pelas duas mulheres no Rio e atuava como supervisor da congregação comandada por Josué Valandro.

O caso virou um problema para o guru de Michelle Bolsonaro porque as vítimas dizem, inclusive nos autos do processo, que o procuraram para denunciar o golpe e pedir ajuda, mas ele nada fez.https://d-20874767273015033037.ampproject.net/2207181727000/frame.html

À coluna, as duas mulheres relataram que Josué Valandro simplesmente ignorou a queixa e agiu para abafar a história, com o intuito de preservar a imagem da igreja.

A economista Alessandra Costa de Azevedo, que transferiu R$ 200 mil para uma conta do pastor em Miami, afirma que o pastor Josué Valandro retornou as tentativas de contato feitas por ela somente após processar Oséias de Abreu e a igreja.

“Ele me ligou. Achei que ele tinha se arrependido, que iria me ajudar, estender a mão, mas não. Pediu para que não envolvesse o nome dele nem o nome da igreja em processo nenhum”, disse ela.

A outra vítima, a dona de casa Sigrid Engersen de Souza, incluiu o próprio Josué Valandro entre os alvos do processo que moveu para tentar reaver os R$ 726 mil reais que perdeu.

Na ação, ela anexou mensagens trocadas por WhatsApp com o guru de Michelle. “Se arrependa enquanto é tempo! A igreja nada tem a ver com isso e vc sabe! Faz de quem te apoiou a vida inteira teus inimigos? Acha que Deus vai abençoar isso?”, escreveu o pastor Valandro à fiel.

Sigrid afirma ter entendido a mensagem como uma tentativa de provocar “temor” e, assim, impedir que o caso fosse levado adiante. “Quando o pastor Josué descobriu (o processo contra a igreja), além de ter me amaldiçoado, ele começou a denegrir a minha imagem na igreja e excluiu a minha conta na plataforma da igreja”, diz.

Em abril deste ano, o pastor Josué Valandro admitiu à Justiça que Oséias de Abreu era líder e supervisor da igreja e declarou ter tomado conhecimento dos processos a que ele responde, mas ressalvou que a congregação não tem nenhuma relação com o sumiço do dinheiro das fiéis.

Valandro fundou a Igreja Batista Atitude no início dos anos 2000. Hoje, a denominação tem 17 filiais, incluindo uma nos Estados Unidos e outra no Canadá.

A igreja ficou mais conhecida após passar a ser frequentada por Michelle Bolsonaro. A primeira-dama atuava como intérprete de libras nos cultos. Na campanha de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro subiu no palco ao lado do pastor Valandro, que orou para que ele vencesse o pleito.

Após a eleição, o pastor passou a frequentar o Palácio da Alvorada, a residência oficial da Presidência. No fim de 2021, ele foi condecorado por Bolsonaro com a Ordem do Rio Branco, uma das principais honrarias concedidas pelo governo.

Em maio deste ano, o pastor comandou um culto ao lado de Michelle na Câmara dos Deputados. Depois, participou com ela de uma excursão a Jerusalém, em Israel.

À coluna, o pastor Valandro afirmou por meio de seu advogado que “não comenta” processos em andamento e que já se defendeu na ação. O pastor Oséias de Abreu não foi localizado.

Em 2017, logo após receber as transferências de dinheiro das fiéis, o pastor Oséias chegou a ser preso por estelionato, mas em razão de denúncias feitas por outras vítimas. Em sua casa, em um condomínio de mansões na Barra da Tijuca, a polícia encontrou jóias e pedras preciosas.

Fonte: Metrópoles

Cortes deixam 17 universidades federais com risco de parar em 2022

UFRJ, por exemplo, afirma que tem verba para pagar servidores só até novembro

Um levantamento do GLOBO aponta que 17  instituições federais de ensino superior têm risco de interromper suas atividades até o fim do ano por falta de dinheiro para pagar contas básicas, como água e luz. Entre elas, estão as universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ), da Bahia (UFBA), do Pará (UFPA) e de Juiz de Fora (UFJF).

As universidades federais tiveram, em 2022, mais de R$ 400 milhões cortados em recursos discricionários. Diferente dos gastos obrigatórios (que pagam os salários, por exemplo), estes podem ser remanejados para outras áreas. No entanto, pagam aspectos fundamentais para o funcionamento das instituições, como as contas de água, luz, limpeza, segurança e manutenção predial, além de bolsas, auxílio estudantil, equipamentos e insumos.

A UFRJ só consegue pagar as contas até setembro. “A expectativa é de que as empresas ainda prestem serviço no mês de outubro. Mas se nada acontecer em termos de recomposição orçamentária, em novembro e dezembro podemos ter que suspender contratos e interromper as atividades em toda universidade”, informou a instituição.
A Universidade Federal de Santa Catarina projetou as despesas da universidade até o final do ano. Após os bloqueios, “estaria com o seu funcionamento comprometido até meados do mês de novembro”, informou a instituição.

Prejuízos

“Não há mais o que cortar, o que reduzir de despesas”, informou a UFPA. “Já foram realizados todos os ajustes internos possíveis”, afirmou a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará , que trabalha em 2022 com o segundo menor orçamento de sua história.

A Universidade Federal de Alfenas vai precisar diminuir o número de bolsas acadêmicas, a compra de insumos para aulas práticas, obras em andamento e a quantidade de atendidos pela assistência estudantil. Estudantes mais pobres poderão perder auxílios fundamentais para continuarem seus estudos. Mesmo assim, a instituição pode não conseguir chegar ao fim do ano com todos os seus serviços abertos.

A Universidade Federal de Lavras precisou demitir quase 150 funcionários terceirizados. Eles correspondiam a 25% dos que atuavam na limpeza, manutenção e segurança.

Sem dinheiro para combustível, a Universidade Federal da Grande Dourados informa que corre risco de não conseguir ofertar aulas a comunidades indígenas e camponeses que estudam na modalidade de alternância e precisam se deslocar de suas localidades. A Universidade Federal de Sergipe proibiu o uso de ar-condicionado em todo o câmpus. A Universidade de Brasília cortou até em livros. A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro estuda diminuir o uso de recursos do portal de internet.

A situação dos prédios universitários também é prejudicada com os cortes, que atingem os orçamentos de manutenção. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) ainda sofre com estragos de uma tempestade que atingiu Maceió em maio. Mas não há dinheiro para o conserto de telhados, infiltrações, paredes mofadas e salas interditadas.

A Universidade Federal para a Integração Latino-Americana (Unila), que está em fase de implantação, não vai conseguir conseguir avançar com as construções e licitações planejadas e continuará pagando aluguel.

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre ganhou um prédio novo da União. Mas o imóvel só poderá ser usado após reformas, que não poderão ser feitas por conta da falta de dinheiro disponível.

Outra consequência dos cortes serão dívidas milionárias para 2023. A Universidade Federal do Rio Grande fechará o ano com um débito de R$ 9,6 milhões. A dívida da Ufal deve chegar a R$ 20 milhões. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) afirmou que, pela essencialidade do serviço, “essas instituições não podem considerar a interrupção de atividades como possibilidade”. No entanto, afirmou que “após repetidos cortes orçamentários as universidades não têm como honrar com os compromissos assumidos para seu funcionamento”. Para piorar, o cenário que está sendo debatido no Congresso não é nada animador.

“Fomos informados, por meio do Fórum de Pró-Reitores de Administração e Finanças e Planejamento, que haverá novo corte de 12% para o projeto de lei orçamentário de 2023. Dessa forma, não há universidade pública federal que consiga sobreviver”, afirmou Dyomar Toledo Lopes, Pró-Reitor Pró Tempore de Administração e Finanças da Universidade Federal de Jataí, em Goiás.
O levantamento de O GLOBO procurou todas as 63 universidades federais do país, durante um mês. Destas, 54 responderam aos questionamentos.

Rotina de apertos

As universidades federais têm sido alvo constante dos contingenciamentos e cortes do governo Bolsonaro. O orçamento discricionário, que já foi R$ 12 bilhões em 2011, caiu até 2021, quando chegou a R$ 4,4 bilhões. Neste momento, todas as universidades estavam apenas no sistema remoto. Por isso, as despesas também diminuíram. Em 2022, porém, a volta presencial não garantiu uma recomposição adequada, apesar do crescimento para R$ 5,1 bilhões. Ao contrário do que prevê a projeto de lei orçamentária para o ano que vem, os reitores afirmam que o orçamento precisa subir, pelo menos a níveis de 2019, quando as instituições tiveram R$ 5,7 bilhões para gastos discricionários.

Em nota, o MEC não respondeu sobre os cortes já realizados, mas afirmou que os novos bloqueios previstos pelo Ministério da Economia não vão acarretar em impactos financeiros nas instituições federais de ensino.

Fonte: IG

Mamata: empresa de Nelson Piquet recebe aditivo de R$ 6,6 milhões do governo Bolsonaro

O ex-piloto de Fórmula 1, o bolsonarista, Nelson Piquet, receberá através da empresa que preside, a Autotrac Comércio e Comunicações, um aditivo de R$ 6,6 milhões por um contrato assinado em 2019, sem licitação, com o Ministério da Agricultura do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

O valor inicial do contrato foi de R$ 3,5 milhões. Em dezembro de 2020, o governo concedeu à empresa de Piquet um termo aditivo que, hoje, faz com que o montante chegue a exatos R$ 6.683.791,80.

E os valores podem aumentar ainda mais: há previsão no contrato para aditivos até 2026.

Empresa deve impostos

O contrato da Autotrac foi firmado com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para fornecimento de equipamentos necessários à manutenção do sistema de comunicação de dados e controle das estações meteorológicas.

A despeito das bondades que têm recebido do governo, a Autotrac ainda deve atualmente à União R$ 6,3 mil em impostos.

Nelson Piquet foi procurado pela coluna de Guilherme Amado, mas não quis se manifestar sobre o assunto.

Fonte: Revista Fórum

Categoria rejeita proposta e greve da educação continua em Maceió

Em assembleia realizada na sede do Sinteal na manhã desta segunda-feira (1), trabalhadoras/es da educação da rede pública municipal de Maceió definiram pela continuidade da greve da categoria. A última proposta apresentada pela gestão foi de 8% para todas/os as/os profissionais da educação, ou seja, tanto para o magistério quanto para todas/os servidoras/es da educação, a correção do salário base de todas/os que recebem abaixo do salário mínimo e a instalação de uma mesa permanente de negociação para encaminhar os demais itens da pauta de reivindicações.

“Cada avanço dessa proposta é resultado de muita luta dessa categoria. Primeiro era zero por cento. Percorremos um longo caminho chegando a três por cento, depois quatro por cento, e, agora, oito por cento. A gestão já entendeu a nossa força, e que contamos com o apoio da sociedade. E estamos no enfrentamento por valorização da educação pública”, disse a presidenta do Sinteal, Consuelo Correia.

A greve, que já entra em sua 4ª semana, já é considerada histórica, por sua dimensão, adesão e participação massiva da categoria, união entre magistério e funcionários de escola, e presença de pais, mães e estudantes apoiando todas as atividades.

Com uma agenda intensa de protestos, o Sinteal tem levado educadores e educadoras às ruas para dialogar com a população sobre a realidade que a Prefeitura de Maceió não mostra.

Com data base em janeiro, a maioria da plenária manifestou indignação com a proposta sem o retroativo. Reconhecendo que o avanço é mérito da luta feita junto com o Sinteal até aqui, foi marcada nova assembleia para a próxima 4ª feira (03/08), às 14hs, para definir nova agenda de mobilização.

Decisão Judicial

“A decisão sobre o encerramento ou a continuidade de um movimento como esse pertence à categoria. A assembleia é soberana e foi ela que decidiu que não vai aceitar. Vamos continuar fazendo o nosso papel, construindo a luta em defesa da educação pública”, finalizou Consuelo.

Fonte: Sinteal

“Ninguém gosta de você aqui, mas eu posso te proteger”: narrativas criadas por chefes assediadores

Natércia Lopes – Matemática, Doutora em Ciências da Educação e Professora da UNEAL e Semed/Maceió

Enquanto mulheres, vivemos, cotidianamente, situações desumanas, humilhantes e degradantes dentro do ambiente de trabalho. Uma situação cruel, mas que muitos “chefes” abusivos utilizam é isolar a mulher no ambiente de trabalho, tornar o clima insustentável e culpá-la pela situação que ele mesmo criou.

“Ninguém gosta de você aqui!”. Já ouviu isso? É uma das estratégias usadas pelos chefes tóxicos para fazer com que a mulher acredite que ela é incapaz, “mal amada” e indesejável no trabalho. Você iria trabalhar num lugar que o próprio chefe diz que você é odiada?

Essa situação de ter um chefe que nos humilha, que nos tira o ânimo, aos poucos vai tirando, também, a nossa vontade de trabalhar, prejudicando a produtividade.

Muitas vezes o “chefe” se autointitula como o melhor chefe do mundo e possui até pessoas subordinadas a ele que vão repetir o mesmo discurso, porém, na verdade, tal sujeito é um grande manipulador. Se você se revoltar contra a situação criada por ele, ele logo vai dizer que gosta de você e que são os outros que não gostam e que ele está tentando administrar a situação. Esse jogo protagonizado pelos “chefes” tóxicos são comportamentos semelhantes aos dos gaslighters, que praticam violência psicológica utilizando mentiras e distorções. Esse assédio pode desencadear em nós, mulheres, ansiedade, depressão e baixa autoestima. É uma prática cruel que afeta nossa saúde mental.

Mas, por que alguns chefes fazem isso? Ao criar uma situação em que nós, mulheres, nos vemos obrigadas a trabalhar em um ambiente insustentável com boicotes orquestrados pelo chefe, que sentimos insegurança no ambiente de trabalho, medo de se relacionar com os colegas, isolamento social por parte de todos que temem que a aproximação conosco cause perseguição a eles também, o “chefe assediador” nos desestabiliza emocionalmente, nos deixa nas mãos dele e nos usa isso em benefício próprio. Esse benefício pode ser forçar a deixarmos a empresa, prejudicar nosso rendimento de modo que nos sintamos incapazes de desempenharmos nossa função e até nos cobrar favores sexuais para que ele “nos proteja” das pessoas que não gostam de nós. No discurso do “chefe assediador” ele nunca é culpado; ele é o nosso protetor e os outros que nos odeiam. Só que é ele o responsável por nos manchar em todos os espaços, falar que é impossível trabalhar conosco, que nosso temperamento é de uma louca, tudo isso para enfraquecer nossa imagem perante as pessoas, de modo que ninguém mais queira nos ouvir. Ele busca nos controlar transitando entre as personalidades ora do chefe amigo, ora do chefe assediador.

Essa forma de assédio objetiva neutralizar a vítima e enganar a todos que passam a vê-lo como uma pessoa acessível, que acolhe todo mundo, até mesmo quem é “odiada por todos”. Essa narrativa esconde a personalidade perversa dos chefes assediadores.

Tal comportamento é típico de um sistema patriarcal em que as mulheres que não admitem viver sem refletir e questionar, que não se curvam às ordens corruptas e que não aceitam os desmandos do chefe, vivenciam. Essas mulheres são estigmatizadas como tumultuadoras, briguentas, nervosinhas, teimosas e que sempre arrumam confusão.

São indignantes esses rótulos que carregamos por sermos assertivas e termos opinião própria. Por lutarmos pelos nossos direitos de nos posicionarmos, somos assediadas, maltratadas e violentadas.

Há 44 anos, Chico Buarque cantava sobre Geni, uma prostituta que a sociedade hipócrita recriminava, mas, quando precisaram dela, rapidamente mudaram o discurso para satisfazer seus anseios e quando alcançaram o que pretendiam voltaram a atacar Geni:

Joga pedra na Geni!

Joga bosta na Geni!

Ela é feita pra apanhar!

Ela é boa de cuspir!

Ela dá pra qualquer um!

Maldita Geni!

É bem esse o comportamento do “chefe assediador”: nos humilha, faz com que acreditemos que os problemas são causados por nós, nos difama, estigmatiza-nos de louca, faz todos acreditarem que não prestamos, para retirar a credibilidade das nossas palavras e minar nosso convívio na empresa. Mas, quando esse chefe precisa nos manipular para conseguir o que quer, ele diz que gosta de nós, e que pode nos proteger se cedermos aos caprichos dele.

“Está difícil para as mulheres”, ontem e hoje, assim como a nossa resistência permanece cotidianamente.

No Amazonas, os colégios militares somam mais de 120 denúncias no MPF

O Colégio Militar da Polícia Militar (CMPM) 1, unidade Petrópolis, em Manaus, está entre as nove escolas denunciadas por 80 mães por assédio moral e sexual no Amazonas. Além dele, o Colégio Militar de Manaus (CMM) enfrenta denúncias similares. São mais de 20 só do CMM.

De acordo com as mães, que temem ter suas identidades reveladas, o ensino enfrentou uma deterioração maior no período da pandemia, com aulas online. 

No Amazonas, os colégios militares somam mais de 120 denúncias no Ministério Público Federal (MPF).

DCM teve acesso a um documento inédito dessas denúncias envolvendo um coronel que foi coagido no Colégio Militar de Manaus.

De acordo com a ata de uma reunião de 21 de julho de 2021, o então diretor do colégio, Fernando Cunha de Almeida, esteve reunido com um coronel pai de dois alunos. Os dois são militares de mesma patente. O intuito da reunião era discutir a denúncia da mulher do coronel contra o CMM.

A esposa do militar encaminhou para a Procuradoria da República do Amazonas uma denúncia com irregularidades pedagógicas do colégio. Na reunião, Fernando Cunha fez o pai assinar um documento afirmando que um dos filhos não se adaptou ao ensino do Colégio Militar. O problema, além do documento que vai contra a denúncia encaminhada ao MP, é que ele apresenta irregularidades.

Ela é descrita no documento como “talvez, bipolar, com grande variações de humos (sic)”. 

Além do coronel Fernando Cunha de Almeida, também assinam a ata da reunião o sub-tenente Edinildo Albuquerque Martins e o capitão Toshio Raymundo Magalhães. 

A reunião foi irregular segundo o artigo 14 de Lei 6.880/1980, o Estatuto dos Militares. De acordo com a lei, a “hierarquia militar é a ordenação da autoridade, em níveis diferentes, dentro da estrutura das Forças Armadas”.

Um coronel, portanto, assinar o mesmo documento de outro coronel, um sub-tenente e um capitão configura quebra de hierarquia e é uma irregularidade nesse processo. 

Ação de uma das mães contra colégio prossegue

No dia 18 de julho de 2022 uma ação foi movida na 8º Vara de Justiça de Manaus contra o CMM. A autora da ação é a esposa do coronel que foi coagido a assinar o documento afirmando que ela é bipolar.

A Justiça deu prazo para o colégio apresentar suas contrarrazões na ação. O DCM entrou em contato com o Colégio Militar de Manaus (CMM), que questionou a origem do documento, mas não respondeu às perguntas da reportagem.

O coronel Fernando Cunha de Almeida não é mais diretor da CMM. O militar Alexandre Magno foi anunciado como sucessor no cargo.

“O Ministério Público é fiscal da lei. Como o Colégio Militar de Manaus tem mais de 20 denúncias, há uma quantidade considerável para se instaurar um inquérito, o que está acontecendo agora”, explica o advogado Joaquim Vital para a reportagem do DCM.

Fonte: DCM

5ª GERE é acusada de coagir estudantes

Publicamos abaixo, nota recebida pela nossa redação de estudantes de Escola Estadual Professora Izaura Antônia de Lisboa.

“Representantes de Grêmio Estudantil são coagidos em Arapiraca – AL

No dia 27 de julho, quarta-feira, o Grêmio Estudantil, Revolução EPIAL, realizou Assembleia Geral para debater com os estudantes situações de assédio, intolerância religiosa e racismo que vinha acontecendo na Escola Estadual Professora Izaura Antônia de Lisboa (EPIAL) nas últimas semanas. A assembleia encaminhou que os estudantes organizariam rodas de debates para discutir temas sobre racismo, machismo, novo ensino médio, entre outros, dentro da escola, além disso, após assembleia, os estudantes ainda realizaram oficina de cartazes denunciando as opressões que vinham acontecendo lá dentro.

No dia seguinte, na manhã de quinta-feira, 28 de julho, o Grêmio Estudantil foi intimado para reunião com a 5ª Gerência Regional do Estado de Alagoas, juntamente com gestão da escola, fechados dentro do auditório da escola. Os estudantes, maioria menor de idade, foram recebidos pelo gerente da 5ª GERE aos gritos, afirmando que o grêmio não tinha direito de chamar assembleia e que na escola, professor fala e estudante obedece calado, sem dar possibilidade que o grêmio falasse, silenciado de toda forma. Além disso, o gerente impediu que estudante menor de idade, que estava passando mal, saísse do auditório.

É irônico como a tentativa de intimidação contra os representantes do grêmio aconteceu apenas um dia após assembleia construída pela entidade para discutir com os estudantes e reivindicar da escola formas de combate ao preconceito, intolerância religiosa e seriedade na investigação dos casos de assédio. Mais uma vez, buscam censurar o direito à liberdade de expressão e de organização dos estudantes. A verdade é que a gente sabe de onde vem essas práticas.

Não podemos normalizar que gestores tentem intimidar as entidades estudantis, em uma tentativa de silenciar o movimento estudantil dentro da escola, principalmente no momento que estamos vivendo com o governo autoritário de Bolsonaro que ameaça militarizar as escolas e corta as verbas da educação para alimentar o orçamento secreto dos seus aliados.

A censura e o autoritarismo são marcas desse governo e desse sistema que não serve ao povo e à juventude. Exigimos o direito à livre organização do grêmio estudantil! Previsto em lei, é direito dos estudantes se articularem por suas reinvindicações na escola. 

A Educação que defendemos passa pela revogação das políticas de retirada de direitos, como a EC 95 do Tetos de Gastos e a reforma do Ensino Médio. É para que os estudantes possam ser ouvidos e tenham o direito ao tipo de escola querem – segura, com educação de qualidade, liberdade de expressão – que lutamos, buscando abrir uma saída para a juventude com Lula presidente para reconstruir e transformar o país a partir de uma Constituinte Soberana. 

A JRdoPT apoia os estudantes do grêmio e os demais estudantes da escola. Entendemos que não dá mais pra aguentar esse tipo de política que tenta intimidar e sufocá-los junto de suas reivindicações. Seguimos na luta pelo fim do governo Bolsonaro e exigimos o fim das opressões vividas dentro da escola.

Juventude Revolução do PT – AL

PF acusa prefeito de Rio Largo de desviar mais de R$ 15 milhões recebidos via orçamento secreto

Por Alice Maciel, da Agência Pública – O prefeito de Rio Largo, no Alagoas — aliado político do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP) —, é apontado em um esquema de desvio de dinheiro da saúde e educação. Segundo informações do inquérito da Polícia Federal ao qual a Agência Pública teve acesso, Gilberto Gonçalves, do PP, teria desviado dinheiro da Prefeitura usando empresas de fachada. O município recebeu mais de R$ 15 milhões em emendas do orçamento secreto apenas em 2021.

A investigação apontou que R$10,6 milhões em repasses feitos pela prefeitura de Rio Largo às empresas Litoral e Reauto foram sacados por funcionários das firmas na boca do caixa, entre janeiro de 2019 e fevereiro de 2022. Ao todo, foram 233 saques de valores superiores a R$10 mil, sendo que 185 foram de R$ 49 mil. Para a PF, os saques são uma tentativa de “driblar” a regra do Banco Central que prevê que todos os saques acima de R$50 mil são comunicados automaticamente ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A Litoral é uma empresa do ramo de construção. A Reauto, de peças automotivas. 

O inquérito foi instaurado em abril de 2021, após representação da procuradoria do município de Rio Largo. A PF pediu à Justiça Federal de Alagoas a quebra do sigilo bancário e fiscal, o sequestro de bens e a prisão preventiva de alguns investigados, inclusive do prefeito.

Ao longo da investigação, a Polícia Federal flagrou quatro vezes um pacote de dinheiro sendo entregue por funcionários da Litoral a seguranças pessoais de Gilberto Gonçalves, que utilizavam veículos oficiais do município. Parte dos recursos desviados são do Fundeb — o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação — e do Fundo Municipal de Saúde, de acordo com o inquérito. 

Só neste ano, Arthur Lira indicou R$ 8,9 milhões do orçamento secreto para o Fundo Municipal de Saúde de Rio Largo. 

Gonçalves está à frente da gestão da cidade desde 2017, e foi reeleito nas Eleições de 2020. Em suas redes sociais há várias fotos dele com o presidente da Câmara dos Deputados. No dia 23 de julho, por exemplo, os dois participaram de uma caravana política no município. “A parceria do deputado Arthur Lira é essencial para o sucesso dessa gestão e Rio Largo segue avançando a passos largos”, postou o prefeito no Instagram em 11 de junho.

Assim como Lira, Gonçalves foi investigado e preso na Operação Taturana, deflagrada em 2007 pela Polícia Federal, que apurou um esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa de Alagoas. Os dois eram deputados estaduais à época. Conforme reportagem da Folha de São Paulo, Gonçalves foi preso três vezes nos últimos 15 anos.  

Em 2018, foi revelado um áudio de Gonçalves para o então diretor de recursos humanos da Assembleia em que ele cobra “o dinheiro de roubo, de corrupção”: “Eu quero meu dinheiro. Eu quero meu dinheiro certo. Dinheiro de roubo, de corrupção”, afirmou no telefonema. 

A reportagem entrou em contato com o prefeito e com a assessoria de imprensa de Arthur Lira, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. 

“Organização criminosa”

A Polícia Federal concluiu no inquérito que Gilberto Gonçalves “comanda uma verdadeira organização criminosa instalada no seio da prefeitura municipal de Rio Largo, destinada a desviar recursos públicos federais repassados ao município, e também verbas municipais”. “Para isso, o município contratou duas pessoas jurídicas sem estrutura para a consecução do objeto do contrato (Reauto e Litoral), principalmente a Litoral, a qual serve, única e tão somente, para emitir notas fiscais visando lastrear os processos de pagamentos respectivos, ressaltando-se que ambas pertencem ao mesmo núcleo familiar”, acrescenta. 

Contratada para fornecer material de construção à prefeitura de Rio Largo, a Litoral Construções e Serviços recebeu R$ 4,5 milhões do município entre 2019 e fevereiro de 2022 , incluindo recursos do precatório do Fundeb e do Fundo Municipal de Saúde. Ao todo, nesse período, ela recebeu R$13,8 milhões em contratos com diversas prefeituras alagoanas, de acordo com informações do inquérito.  

Apesar da vultosa movimentação financeira, a Litoral nunca possuiu funcionários, segundo a PF, e tem como sede “uma pequena sala” no 2º andar de um hotel, “em nada compatível com a comercialização de material de construção”. Fundada em agosto de 2018 com o nome de GV Bezerra Serviços e Comércio, ela tem como sócios Gisele Veríssimo Bezerra e Adson Lima da Silva. 

Segundo as investigações, os dois moram em um imóvel simples em São Paulo e há indícios de que eles sejam “laranjas” do esquema de corrupção. 

A PF identificou que entre janeiro de 2019 e fevereiro de 2022, Adson Silva fez 81 saques na conta da empresa no valor de R$ 3,2 milhões, do total de 226 retiradas de R$ 5,2 milhões. Ele é apontado no documento como o “principal sacador”. “Referidos saques foram intensificados, e com maiores valores, a partir de novembro/19, coincidindo com o maior recebimento de valores oriundos de Rio Largo/AL”, diz o inquérito. 

Adson é filho de Ailton José da Silva, dono da Reauto Serviços e Comércios de Peças para Veículos, também investigada pela Polícia Federal. A Reauto recebeu R$ 13,48 milhões da prefeitura de Rio Largo entre março de 2018 e janeiro de 2022 —  foram 119 transferências, inclusive com recursos do Fundo Municipal da Saúde, de acordo com a investigação.  

“Apesar de existir, de fato, a Reauto apresenta uma estrutura incompatível com os valores que transitaram por suas contas, pois, entre 01/01/17 e 15/02/22 (data limite da Decisão judicial), recebeu R$ 49.038.965,19”, destaca o documento da PF. 

Da mesma forma como na Litoral, foram identificados 85 saques no valor de R$ 49 mil das contas da Reauto, no período de janeiro de 2019 a fevereiro de 2022, “reforçando os indícios de burla ao controle a ser realizado pelo COAF/BACEN”. 

A reportagem tentou falar com Adson e Ailton por telefone e WhatsApp, mas não obteve retorno. Não conseguimos contato com Gisele e nem com as empresas. 

Além dos saques, outra forma de saída dos valores das contas das duas empresas investigadas foram as transferências bancárias, estando a Litoral entre os principais beneficiários da Reauto e vice-versa.

Segundo a Polícia Federal, para ocultar a origem ilícita dos recursos desviados, o grupo utilizou-se de vários subterfúgios, exemplificados no relatório: “utilização de contas bancárias em nome de laranjas; saques de valores vultosos ‘na boca do caixa’ transportados em mochilas. A investigação também apontou a utilização de veículos oficiais, “inclusive guiados por ‘seguranças policiais’ do prefeito Gilberto Gonçalves, em rua de pouca movimentação e sem descer dos veículos; dentre outras dissimulações”.

Fonte: Brasil 247

Convenção da Federação PT, PV e PCdoB, surpreende e lança Bancada do Batom

Convocada para esta sexta-feira, 29/07, o lançamento da federação BRASIL DA ESPERANÇA em Alagoas, composta pelos partidos PT, PV e PCdoB, será realizada no Centro de convenções a partir das 14:00 horas com o objetivo de homologar as candidaturas à Câmara Federal e a Assembleia Legislativa, além de reafirmar o apoio à candidatura presidencial de Lula/Alckmim, de Paulo Dantas/Ronaldo Lessa ao governo e Renan Filho ao senado.

Em meio ao protocolo tracional de apresentação das nominatas para as chapas de deputado federal e estadual, uma candidatura chama a atenção dos convencionais, trata-se da Bancada do Batom, composta pelas feministas Michelle Godoy e Bárbara Nagman, pelo Partido dos Trabalhadores – PT.

Bárbara Nagman, 37 anos, é mulher trans, microempreededora, ativista do movimento LGBT e artista performática. Já Michelle Godoy, 36 anos, é uma mulher negra e da periferia, além de engenheira ambiental com graduação em Direito.

Segundo Michelle Godoy, “a escolha do nome da candidatura coletiva é uma homenagem às 25 mulheres que atuaram na assembléia constituinte de 1988, dando significativa contribuição para garantir os direitos das mulheres na nossa Carta Magna. Assim, inúmeras conquistas da Constituição Brasileira de 1988 podem ser atribuídas ao lobby do batom: licença maternidade de 120 dias; licença paternidade de sete dias; salário família; direito a creche e educação pré-escolar; proibição de discriminação em razão do sexo; proteção estatal à maternidade e à gestante; igualdade de direitos previdenciários e aposentadoria especial para mulheres.”, conclui a candidata petista.

Já para Bárbara Nagman, “um dos temas prioritários para a nossa candidatura coletiva será a baixa representação das mulheres nas instâncias decisórias, nas casas legislativas de todo país, ainda aquém do espaço já ocupado pelas mulheres nos demais campos da sociedade brasileira. A bancada do batom está chegando, meu bem”, declarou a ativista feminista.

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