No Amazonas, os colégios militares somam mais de 120 denúncias no MPF

O Colégio Militar da Polícia Militar (CMPM) 1, unidade Petrópolis, em Manaus, está entre as nove escolas denunciadas por 80 mães por assédio moral e sexual no Amazonas. Além dele, o Colégio Militar de Manaus (CMM) enfrenta denúncias similares. São mais de 20 só do CMM.

De acordo com as mães, que temem ter suas identidades reveladas, o ensino enfrentou uma deterioração maior no período da pandemia, com aulas online. 

No Amazonas, os colégios militares somam mais de 120 denúncias no Ministério Público Federal (MPF).

DCM teve acesso a um documento inédito dessas denúncias envolvendo um coronel que foi coagido no Colégio Militar de Manaus.

De acordo com a ata de uma reunião de 21 de julho de 2021, o então diretor do colégio, Fernando Cunha de Almeida, esteve reunido com um coronel pai de dois alunos. Os dois são militares de mesma patente. O intuito da reunião era discutir a denúncia da mulher do coronel contra o CMM.

A esposa do militar encaminhou para a Procuradoria da República do Amazonas uma denúncia com irregularidades pedagógicas do colégio. Na reunião, Fernando Cunha fez o pai assinar um documento afirmando que um dos filhos não se adaptou ao ensino do Colégio Militar. O problema, além do documento que vai contra a denúncia encaminhada ao MP, é que ele apresenta irregularidades.

Ela é descrita no documento como “talvez, bipolar, com grande variações de humos (sic)”. 

Além do coronel Fernando Cunha de Almeida, também assinam a ata da reunião o sub-tenente Edinildo Albuquerque Martins e o capitão Toshio Raymundo Magalhães. 

A reunião foi irregular segundo o artigo 14 de Lei 6.880/1980, o Estatuto dos Militares. De acordo com a lei, a “hierarquia militar é a ordenação da autoridade, em níveis diferentes, dentro da estrutura das Forças Armadas”.

Um coronel, portanto, assinar o mesmo documento de outro coronel, um sub-tenente e um capitão configura quebra de hierarquia e é uma irregularidade nesse processo. 

Ação de uma das mães contra colégio prossegue

No dia 18 de julho de 2022 uma ação foi movida na 8º Vara de Justiça de Manaus contra o CMM. A autora da ação é a esposa do coronel que foi coagido a assinar o documento afirmando que ela é bipolar.

A Justiça deu prazo para o colégio apresentar suas contrarrazões na ação. O DCM entrou em contato com o Colégio Militar de Manaus (CMM), que questionou a origem do documento, mas não respondeu às perguntas da reportagem.

O coronel Fernando Cunha de Almeida não é mais diretor da CMM. O militar Alexandre Magno foi anunciado como sucessor no cargo.

“O Ministério Público é fiscal da lei. Como o Colégio Militar de Manaus tem mais de 20 denúncias, há uma quantidade considerável para se instaurar um inquérito, o que está acontecendo agora”, explica o advogado Joaquim Vital para a reportagem do DCM.

Fonte: DCM

5ª GERE é acusada de coagir estudantes

Publicamos abaixo, nota recebida pela nossa redação de estudantes de Escola Estadual Professora Izaura Antônia de Lisboa.

“Representantes de Grêmio Estudantil são coagidos em Arapiraca – AL

No dia 27 de julho, quarta-feira, o Grêmio Estudantil, Revolução EPIAL, realizou Assembleia Geral para debater com os estudantes situações de assédio, intolerância religiosa e racismo que vinha acontecendo na Escola Estadual Professora Izaura Antônia de Lisboa (EPIAL) nas últimas semanas. A assembleia encaminhou que os estudantes organizariam rodas de debates para discutir temas sobre racismo, machismo, novo ensino médio, entre outros, dentro da escola, além disso, após assembleia, os estudantes ainda realizaram oficina de cartazes denunciando as opressões que vinham acontecendo lá dentro.

No dia seguinte, na manhã de quinta-feira, 28 de julho, o Grêmio Estudantil foi intimado para reunião com a 5ª Gerência Regional do Estado de Alagoas, juntamente com gestão da escola, fechados dentro do auditório da escola. Os estudantes, maioria menor de idade, foram recebidos pelo gerente da 5ª GERE aos gritos, afirmando que o grêmio não tinha direito de chamar assembleia e que na escola, professor fala e estudante obedece calado, sem dar possibilidade que o grêmio falasse, silenciado de toda forma. Além disso, o gerente impediu que estudante menor de idade, que estava passando mal, saísse do auditório.

É irônico como a tentativa de intimidação contra os representantes do grêmio aconteceu apenas um dia após assembleia construída pela entidade para discutir com os estudantes e reivindicar da escola formas de combate ao preconceito, intolerância religiosa e seriedade na investigação dos casos de assédio. Mais uma vez, buscam censurar o direito à liberdade de expressão e de organização dos estudantes. A verdade é que a gente sabe de onde vem essas práticas.

Não podemos normalizar que gestores tentem intimidar as entidades estudantis, em uma tentativa de silenciar o movimento estudantil dentro da escola, principalmente no momento que estamos vivendo com o governo autoritário de Bolsonaro que ameaça militarizar as escolas e corta as verbas da educação para alimentar o orçamento secreto dos seus aliados.

A censura e o autoritarismo são marcas desse governo e desse sistema que não serve ao povo e à juventude. Exigimos o direito à livre organização do grêmio estudantil! Previsto em lei, é direito dos estudantes se articularem por suas reinvindicações na escola. 

A Educação que defendemos passa pela revogação das políticas de retirada de direitos, como a EC 95 do Tetos de Gastos e a reforma do Ensino Médio. É para que os estudantes possam ser ouvidos e tenham o direito ao tipo de escola querem – segura, com educação de qualidade, liberdade de expressão – que lutamos, buscando abrir uma saída para a juventude com Lula presidente para reconstruir e transformar o país a partir de uma Constituinte Soberana. 

A JRdoPT apoia os estudantes do grêmio e os demais estudantes da escola. Entendemos que não dá mais pra aguentar esse tipo de política que tenta intimidar e sufocá-los junto de suas reivindicações. Seguimos na luta pelo fim do governo Bolsonaro e exigimos o fim das opressões vividas dentro da escola.

Juventude Revolução do PT – AL

PF acusa prefeito de Rio Largo de desviar mais de R$ 15 milhões recebidos via orçamento secreto

Por Alice Maciel, da Agência Pública – O prefeito de Rio Largo, no Alagoas — aliado político do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP) —, é apontado em um esquema de desvio de dinheiro da saúde e educação. Segundo informações do inquérito da Polícia Federal ao qual a Agência Pública teve acesso, Gilberto Gonçalves, do PP, teria desviado dinheiro da Prefeitura usando empresas de fachada. O município recebeu mais de R$ 15 milhões em emendas do orçamento secreto apenas em 2021.

A investigação apontou que R$10,6 milhões em repasses feitos pela prefeitura de Rio Largo às empresas Litoral e Reauto foram sacados por funcionários das firmas na boca do caixa, entre janeiro de 2019 e fevereiro de 2022. Ao todo, foram 233 saques de valores superiores a R$10 mil, sendo que 185 foram de R$ 49 mil. Para a PF, os saques são uma tentativa de “driblar” a regra do Banco Central que prevê que todos os saques acima de R$50 mil são comunicados automaticamente ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A Litoral é uma empresa do ramo de construção. A Reauto, de peças automotivas. 

O inquérito foi instaurado em abril de 2021, após representação da procuradoria do município de Rio Largo. A PF pediu à Justiça Federal de Alagoas a quebra do sigilo bancário e fiscal, o sequestro de bens e a prisão preventiva de alguns investigados, inclusive do prefeito.

Ao longo da investigação, a Polícia Federal flagrou quatro vezes um pacote de dinheiro sendo entregue por funcionários da Litoral a seguranças pessoais de Gilberto Gonçalves, que utilizavam veículos oficiais do município. Parte dos recursos desviados são do Fundeb — o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação — e do Fundo Municipal de Saúde, de acordo com o inquérito. 

Só neste ano, Arthur Lira indicou R$ 8,9 milhões do orçamento secreto para o Fundo Municipal de Saúde de Rio Largo. 

Gonçalves está à frente da gestão da cidade desde 2017, e foi reeleito nas Eleições de 2020. Em suas redes sociais há várias fotos dele com o presidente da Câmara dos Deputados. No dia 23 de julho, por exemplo, os dois participaram de uma caravana política no município. “A parceria do deputado Arthur Lira é essencial para o sucesso dessa gestão e Rio Largo segue avançando a passos largos”, postou o prefeito no Instagram em 11 de junho.

Assim como Lira, Gonçalves foi investigado e preso na Operação Taturana, deflagrada em 2007 pela Polícia Federal, que apurou um esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa de Alagoas. Os dois eram deputados estaduais à época. Conforme reportagem da Folha de São Paulo, Gonçalves foi preso três vezes nos últimos 15 anos.  

Em 2018, foi revelado um áudio de Gonçalves para o então diretor de recursos humanos da Assembleia em que ele cobra “o dinheiro de roubo, de corrupção”: “Eu quero meu dinheiro. Eu quero meu dinheiro certo. Dinheiro de roubo, de corrupção”, afirmou no telefonema. 

A reportagem entrou em contato com o prefeito e com a assessoria de imprensa de Arthur Lira, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. 

“Organização criminosa”

A Polícia Federal concluiu no inquérito que Gilberto Gonçalves “comanda uma verdadeira organização criminosa instalada no seio da prefeitura municipal de Rio Largo, destinada a desviar recursos públicos federais repassados ao município, e também verbas municipais”. “Para isso, o município contratou duas pessoas jurídicas sem estrutura para a consecução do objeto do contrato (Reauto e Litoral), principalmente a Litoral, a qual serve, única e tão somente, para emitir notas fiscais visando lastrear os processos de pagamentos respectivos, ressaltando-se que ambas pertencem ao mesmo núcleo familiar”, acrescenta. 

Contratada para fornecer material de construção à prefeitura de Rio Largo, a Litoral Construções e Serviços recebeu R$ 4,5 milhões do município entre 2019 e fevereiro de 2022 , incluindo recursos do precatório do Fundeb e do Fundo Municipal de Saúde. Ao todo, nesse período, ela recebeu R$13,8 milhões em contratos com diversas prefeituras alagoanas, de acordo com informações do inquérito.  

Apesar da vultosa movimentação financeira, a Litoral nunca possuiu funcionários, segundo a PF, e tem como sede “uma pequena sala” no 2º andar de um hotel, “em nada compatível com a comercialização de material de construção”. Fundada em agosto de 2018 com o nome de GV Bezerra Serviços e Comércio, ela tem como sócios Gisele Veríssimo Bezerra e Adson Lima da Silva. 

Segundo as investigações, os dois moram em um imóvel simples em São Paulo e há indícios de que eles sejam “laranjas” do esquema de corrupção. 

A PF identificou que entre janeiro de 2019 e fevereiro de 2022, Adson Silva fez 81 saques na conta da empresa no valor de R$ 3,2 milhões, do total de 226 retiradas de R$ 5,2 milhões. Ele é apontado no documento como o “principal sacador”. “Referidos saques foram intensificados, e com maiores valores, a partir de novembro/19, coincidindo com o maior recebimento de valores oriundos de Rio Largo/AL”, diz o inquérito. 

Adson é filho de Ailton José da Silva, dono da Reauto Serviços e Comércios de Peças para Veículos, também investigada pela Polícia Federal. A Reauto recebeu R$ 13,48 milhões da prefeitura de Rio Largo entre março de 2018 e janeiro de 2022 —  foram 119 transferências, inclusive com recursos do Fundo Municipal da Saúde, de acordo com a investigação.  

“Apesar de existir, de fato, a Reauto apresenta uma estrutura incompatível com os valores que transitaram por suas contas, pois, entre 01/01/17 e 15/02/22 (data limite da Decisão judicial), recebeu R$ 49.038.965,19”, destaca o documento da PF. 

Da mesma forma como na Litoral, foram identificados 85 saques no valor de R$ 49 mil das contas da Reauto, no período de janeiro de 2019 a fevereiro de 2022, “reforçando os indícios de burla ao controle a ser realizado pelo COAF/BACEN”. 

A reportagem tentou falar com Adson e Ailton por telefone e WhatsApp, mas não obteve retorno. Não conseguimos contato com Gisele e nem com as empresas. 

Além dos saques, outra forma de saída dos valores das contas das duas empresas investigadas foram as transferências bancárias, estando a Litoral entre os principais beneficiários da Reauto e vice-versa.

Segundo a Polícia Federal, para ocultar a origem ilícita dos recursos desviados, o grupo utilizou-se de vários subterfúgios, exemplificados no relatório: “utilização de contas bancárias em nome de laranjas; saques de valores vultosos ‘na boca do caixa’ transportados em mochilas. A investigação também apontou a utilização de veículos oficiais, “inclusive guiados por ‘seguranças policiais’ do prefeito Gilberto Gonçalves, em rua de pouca movimentação e sem descer dos veículos; dentre outras dissimulações”.

Fonte: Brasil 247

Convenção da Federação PT, PV e PCdoB, surpreende e lança Bancada do Batom

Convocada para esta sexta-feira, 29/07, o lançamento da federação BRASIL DA ESPERANÇA em Alagoas, composta pelos partidos PT, PV e PCdoB, será realizada no Centro de convenções a partir das 14:00 horas com o objetivo de homologar as candidaturas à Câmara Federal e a Assembleia Legislativa, além de reafirmar o apoio à candidatura presidencial de Lula/Alckmim, de Paulo Dantas/Ronaldo Lessa ao governo e Renan Filho ao senado.

Em meio ao protocolo tracional de apresentação das nominatas para as chapas de deputado federal e estadual, uma candidatura chama a atenção dos convencionais, trata-se da Bancada do Batom, composta pelas feministas Michelle Godoy e Bárbara Nagman, pelo Partido dos Trabalhadores – PT.

Bárbara Nagman, 37 anos, é mulher trans, microempreededora, ativista do movimento LGBT e artista performática. Já Michelle Godoy, 36 anos, é uma mulher negra e da periferia, além de engenheira ambiental com graduação em Direito.

Segundo Michelle Godoy, “a escolha do nome da candidatura coletiva é uma homenagem às 25 mulheres que atuaram na assembléia constituinte de 1988, dando significativa contribuição para garantir os direitos das mulheres na nossa Carta Magna. Assim, inúmeras conquistas da Constituição Brasileira de 1988 podem ser atribuídas ao lobby do batom: licença maternidade de 120 dias; licença paternidade de sete dias; salário família; direito a creche e educação pré-escolar; proibição de discriminação em razão do sexo; proteção estatal à maternidade e à gestante; igualdade de direitos previdenciários e aposentadoria especial para mulheres.”, conclui a candidata petista.

Já para Bárbara Nagman, “um dos temas prioritários para a nossa candidatura coletiva será a baixa representação das mulheres nas instâncias decisórias, nas casas legislativas de todo país, ainda aquém do espaço já ocupado pelas mulheres nos demais campos da sociedade brasileira. A bancada do batom está chegando, meu bem”, declarou a ativista feminista.

Lula tem 18 pontos sobre Bolsonaro e vence no 1º turno

Nova pesquisa Datafolha, divulgada hoje mostra que o pacote de benesses eleitoreiras não impactou os eleitores.

Lula tem segue firme com 47% dos votos válidos, Bolsonaro tem 29% e Ciro 8%. Ele tem 47% contra 42% dos demais adversários.

A pesquisa ouviu 2.556 pessoas nos dias 27 e 28 de julho em 183 cidades brasileiras. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Resultado da pesquisa estimulada:

Lula: 47%
Bolsonaro: 29%
Ciro: 8%
Não sabe: 3%
Em branco/nulo/nenhum: 6%

Outros candidatos: 5%

Na pesquisa espontânea, Lula também lidera e vence no primeiro turno:

  • Lula: 38%
  • Bolsonaro: 26%
  • Ciro: 3%
  • Não sabe: 25%
  • Em branco/nulo/nenhum: 6%

Médica bolsonarista oferece atendimento gratuito em troca de votos

Candidata pelo partido de Bolsonaro, médica Letícia Costa oferece atendimento gratuito em troca de votos

Pré-candidata a deputada federal pelo PL, a médica Letícia Costa foi flagrada oferecendo tratamento gratuito em troca de votos. Letícia, que é cardiologista e possui consultório particular na cidade, conversava com eleitores no bairro Tomazinho, em São João de Meriti, município localizado na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, e oferecia atendimento médico, mas ressalta que é preciso votar nela no pleito de outubro.

Atualmente vereadora por São João de Meriti, ela tentará uma vaga no Congresso Nacional pelo mesmo partido do presidente Jair Bolsonaro. Além disso, a pré-candidata também cobra que aqueles que receberem gratuidade na consulta deverão falar com amigos e vizinhos a fim de angariar votos para sua candidatura. “Se a senhora quiser atendimento comigo, passar por mim, para eu cuidar do seu coração, a senhora tem que falar que vai votar em mim. Senão, não tem como atender. E não é só o seu. A senhora vai falar com uma amiga, uma vizinha”, disse.

Letícia também sugere que pode “arrumar um cardiologista” no posto público da cidade para quem votar nela. A prática é considerada ilegal e é vetada pela Justiça Eleitoral, mas a vereadora negou que tenha pedido votos. Ainda, ela disse que “é melhor” oferecer consulta gratuita em vez de dinheiro. “Isso aí é uma consequência, né? A gente ajuda o próximo. É uma consequência. É melhor do que oferecer R$ 100, R$ 200, como muito fazem por aí. E não é o caso”, afirmou.

Em nota, o PL disse desconhecer a prática da pré-candidata do partido e afirmou discordar da atitude da médica. Também por meio de comunicado, a Prefeitura de São João de Meriti alegou que os pacientes do posto médico da cidade são atendidos por ordem de chegada na unidade de saúde e não por indicações de terceiros.

Fonte: DCM

Bolsonaro liberou agrotóxicos que causam infertilidade, aborto, malformação fetal e câncer

Bolsonaro liberou mais de 1600 agrotóxicos em seu governo. O impacto é devastador para o meio ambiente e a saúde humana. Repostamos reportagem publicada pelo site Carta Campina.

Por Schirlei Alves -Do O Joio e o Trigo

Quando foi convidada, em 2019, a colaborar na pesquisa de um colega da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a imunologista e pesquisadora científica do Instituto Butantan Mônica Lopes Ferreira não fazia ideia das barreiras que seriam impostas à divulgação da descoberta feita em seu experimento: a de que não há “dose segura” de agrotóxicos.

Conhecida pela sua experiência em performar testes com zebrafish – espécie de peixe cujo DNA é 70% similar ao material genético do ser humano –, ela foi contatada por um pesquisador da Fiocruz para submeter embriões de peixes à exposição de dez tipos de agrotóxicos. “Quando ele me procurou, encarei, naquele momento, como sendo mais uma amostra que eu ia testar”, afirma.

Porém, o resultado não foi exatamente o esperado pelo colega. Segundo Ferreira, ele não quis dar publicidade ao achado e também não autorizou a submissão dos dados para publicação. O que aconteceu foi que a dose considerada “segura” pelos órgãos de controle, causou mortalidade nos embriões de peixes. Quando diluída até mil vezes em água, os embriões apresentaram anomalias.

As substâncias submetidas ao teste foram glifosato, malationa, abamectina, acefato, alfacipermetrina, bendiocarb, carbofurano, diazinon, etofenprox e piriproxifem. Por serem usadas em larga escala no país, o resultado do experimento causou alvoroço.

Essa história coincidiu com o momento em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estava fazendo alterações na classificação dos agrotóxicos, também em 2019. Muitos dos produtos antes considerados como “extremamente tóxicos” pela agência foram rebaixados para categorias menos rigorosas. O então diretor da Anvisa, Renato Porto, e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, chegaram a dar entrevistas contestando o experimento da imunologista.

O herbicida glifosato foi um dos agrotóxicos que teve a classificação de toxicidade reduzida pela Anvisa, embora àquela altura fosse um dos produtos classificados pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) como substância provavelmente carcinogênica para humanos; ou seja, capaz de provocar câncer. O Glifosato 480 Agripec, por exemplo, que até então era considerado pela Anvisa “extremamente tóxico” foi reclassificado para “produto improvável de causar dano”. Outra resolução, de 2020, reforçou a manutenção do uso de glifosato em agrotóxicos no país.

De acordo com o painel de monografias de agrotóxicos da Anvisa – ferramenta que permite acesso a informações atualizadas sobre os ingredientes ativos de agrotóxicos em uso no Brasil –,  a aplicação de produtos à base de glifosato é permitida em 67 culturas, entre elas arroz, feijão, batata doce e mandioca. A mesma situação ocorre com o inseticida malationa e outros produtos.

A própria Anvisa havia publicado, em 2015, ainda no governo de Dilma Rousseff, uma nota alertando sobre a classificação carcinogênica de cinco substâncias, entre elas a malationa, a diaziona e o glifosato. Na época, a agência havia se comprometido a verificar os resultados dos estudos e a fazer novas avaliações sobre o uso desses ingredientes.

A Bayer, gigante alemã responsável pela produção do Roundup, principal herbicida fabricado à base de glifosato, é alvo de uma ação movida por um casal em São Francisco, na Califórnia, que afirma ter desenvolvido câncer do sistema linfático depois de ter usado o produto por anos. A Monsanto, que criou a formulação do herbicida e o lançou mundialmente em 1974, foi condenada a pagar R$ 289 milhões ao zelador de uma escola, também na Califórnia. O homem desenvolveu câncer após entrar em contato com a substância. O veredito saiu em 2018 – ano em que a Monsanto foi comprada pela Bayer.

CENSURA É RESPONDIDA COM CIÊNCIA

Menos de um mês após divulgar o resultado do seu experimento, Mônica Lopes Ferreira recebeu um comunicado do Comitê de Ética Animal do Butantan dando conta de que ela estaria suspensa por seis meses sem direito de defesa – o que implicaria em não tocar mais os seus projetos. A justificativa foi a de que a cientista não teria submetido o experimento ao comitê, o que seria proibido.

Segundo Ferreira, porém, não havia necessidade de submissão naquele caso porque o trabalho não havia envolvido animais, mas, sim, embriões com até 96 horas após a fertilização. “Só pode ser considerado animal a partir de 120 horas após a fertilização”, explica.

A cientista conseguiu reverter a decisão do comitê por meio de uma liminar na Justiça. Mas outros fatos ocorreram na sequência, como o cancelamento de convites para determinados eventos, a perda do cargo de diretora do Laboratório Especial de Toxinologia Aplicada do Butantan e a abertura de um procedimento administrativo pelo instituto,  vinculado à secretaria estadual da Saúde de São Paulo.


Liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo reverteu decisão do Instituto Butantan à favor de pesquisadora. (Imagem: TJSP)

A pesquisadora afirma que “a única forma que conhece de se manifestar é produzindo ciência”. Por isso, decidiu fazer, com a colaboração de oito colegas do Butantan, uma revisão sistemática de dezenas de estudos publicados por cientistas e produzidos a partir de 27 instituições públicas brasileiras que revelam os impactos dos agrotóxicos na saúde humana. O trabalho, intitulado “Os impactos dos agrotóxicos na saúde humana nos últimos seis anos no Brasil” foi publicado em março deste ano no International Journal of Environmental Research and Public Health – uma revista científica de pesquisa ambiental e saúde pública, de acesso aberto e revisada por pares. O artigo se debruça sobre 51 estudos que foram publicados em revistas científicas.

“A revisão é para dizer que é possível trabalhar com agrotóxicos dentro das instituições brasileiras, não há problema nisso. Nós não podemos ser perseguidos, precisamos ter liberdade para trabalhar com temas tão importantes para o Brasil”, explica Ferreira.

A cientista e seus colegas identificaram inicialmente 4.141 artigos produzidos no Brasil. Mas alguns critérios de corte foram estabelecidos para reduzir o número de pesquisas que seriam revisadas. Um deles foi o tempo de publicação, de 2015 a 2021. “Escolhi publicações dos últimos seis anos, quando houve uma avalanche de agrotóxicos sendo liberados.”

Os artigos foram coletados das bases de dados PubMed, Scopus, Scielo e Web of Science. As buscas foram feitas por meio de palavras-chave como “pesticidas”, “humanos” e “Brasil”. No primeiro filtro, 381 artigos duplicados foram excluídos. Na sequência, dois revisores fizeram um estudo duplo-cego (quando os autores não sabem quem são os revisores) e selecionaram, de forma independente, títulos, termos de indexação e resumos para identificar artigos relevantes para possível inclusão. As discrepâncias foram resolvidas por um terceiro revisor.

Em uma segunda rodada de seleção, os artigos foram lidos de forma independente por dois revisores que usaram como critérios de inclusão pesquisas desenvolvidas no Brasil envolvendo agrotóxicos, artigos em inglês ou português e pesquisas envolvendo estudos diretos em humanos ou células humanas expostas a pesticidas, incluindo relatos de casos. Os artigos que não se enquadraram nesses critérios foram excluídos.

A partir daí, foram revisados estudos de caso e dados transversais e experimentais de relatos de intoxicação em humanos em decorrência de causas ocupacionais, ambientais e acidentais. Os estudos experimentais correspondem a 76,5% dos trabalhos revisados. Além de Ferreira, assinam a revisão Adolfo Luis Almeida Maleski, Leticia Balan Lima, Jefferson Thiago Gonçalves Bernardo, Lucas Marques Hipolito, Ana Carolina Seni-Silva, João Batista-Filho, Maria Alice Pimentel Falcão e Carla Lima.

A maior parte dos estudos selecionados pela revisão são de áreas que concentram a produção de commodities agrícolas, sendo quase metade deles do Sul (46%) e 28% do Sudeste.

Um dos apontamentos feitos pela revisão é de que os agrotóxicos não são usados apenas em culturas como a soja, o milho e o tabaco, mas estão presentes em várias outras como laranja, café, flores, banana, uva, ameixa, tomate, caqui, maçã, pêssego, morango, kiwi e vegetais.

Os agrotóxicos mais citados nos estudos foram inseticidas, herbicidas e fungicidas. Os artigos revelam mais de 20 efeitos decorrentes da exposição aos agroquímicos, indo desde reações agudas na pele e no sistema respiratório até doenças crônicas, incluindo anormalidades hematológicas (fatores de coagulação), infertilidade, abortos espontâneos, malformações fetais, doenças neurológicas e câncer. Mecanismos subjacentes a esses efeitos, como ações genotóxicas (alteração do DNA), neurotóxicas (nas terminações nervosas) e desreguladoras do sistema endócrino também foram detectados pelos cientistas brasileiros.

Além de apontar que o uso de agrotóxicos na agricultura está diretamente ligado à saúde humana, Mônica Ferreira e seus colegas esperam que os resultados dos artigos possam ajudar a “direcionar políticas de redução do uso dos produtos químicos e de proteção à saúde da população”.

Procurados através das suas assessorias de imprensa, Fiocruz, Butantan e Anvisa não responderam até o fechamento da reportagem. ( Schirlei Alves é repórter de O Joio e o Trigo.)

Fonte: Carta Campinas

Trabalhadores da educação em greve protestam na Fernandes Lima

Ao preferir ignorar a greve da categoria, JHC enterra seu discurso de que a educação é prioridade no seu mandato.

Massacrados por JHC, o Sinteal e trabalhadores e trabalhadoras da educação de Maceió realizaram uma grande caminhada em uma das principais avenidas de Maceió durante a programação de mais um dia de greve na rede municipal. O protesto que enfrentou sol e chuva é contra a proposta de 4%, a precarização das escolas, e das relações de trabalho e conta com a participação de estudantes, mães e pais da comunidade escolar.

“Exigimos valorização! JHC continua ignorando nossa luta, nos atacando com ações judiciais para impedir que denunciemos o descaso com a educação dessa gestão irresponsável. Nas ruas, estamos recebendo diariamente o apoio da população que sabe a importância de valorizar a educação”, disse Consuelo Correia, presidenta do Sinteal.

Concentrados no CEPA desde às 8h da manhã, manifestantes fizeram um corredor humano com cartazes e muito barulho, chamando atenção de todos os carros que passavam sobre a greve da educação em Maceió. “JHC!! O fim da greve só depende de você!”, gritavam as palavras de ordem.

Dos carros e pedestres, a luta recebeu apoio da população que compartilhou a indignação com o prefeito e parabenizou pela luta. Foram muita buzinas, sinais com a mão, apoios de todas as formas, engrandecendo a luta.

Após algumas horas, o protesto ocupou duas faixas da Avenida Fernandes Lima, uma das principais vias da capital, e seguiu em caminhada até a Praça dos Martírios.

Com muita criatividade, a auxiliar de sala Suelen criou uma paródia de uma música de grande sucesso atual nas redes sociais (Ameaça – Canção de MC Danny, Marcynho Sensação e Paulo Pires). A versão de luta já virou hit da greve e animou a caminhada com muita irreverência. No refrão, todos gritavam “GREVE, GREVE, GREVE, ESTAMOS EM GREVE”.

As panelas, instrumentos musicais e os apitos também marcaram presença no ato, ampliando o alcance das vozes dos educadores. “Estamos em greve e a culpa é de JHC!”, diziam os cartazes e muitas falas ao microfone.

“A categoria está na luta, cada vez mais forte e com mais apoio da população, nossa greve está com visibilidade e tudo o que esperamos é que o prefeito JHC se sensibilize e cumpra suas promessas de valorizar a educação. 4% não aceitaremos, é urgente que ele destrave esse valor e venha negociar”, finalizou Consuelo.

Redação com Sinteal

Aliados querem aprovar PEC para livrar Bolsonaro da cadeia

O objetivo da PEC, cujo conteúdo veio à tona em 2021, é evitar que ex-presidentes sejam alvos de prisão quando encerrarem seus mandatos. Uma das ideias defendidas é conceder uma espécie de cargo de senador vitalício aos ex-chefes do Executivo, garantindo a eles foro privilegiado e imunidade parlamentar até o fim da vida.

A proposta de Emenda à Constituição (PEC) já batizada de ‘PEC da impunidade’, feita para blindar ex-presidentes da República com uma espécie de imunidade parlamentar, voltou a ganhar força entre parlamentares aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL), que corre o risco de ser preso assim que perder o foro privilegiado.

De acordo com a jornalista Andréia Sadi, em seu blog, o ‘Centrão’ – grupo político que dá sustentação ao governo no Congresso – vem articulando nos últimos dias a proposta para proteger Bolsonaro de ser detido, caso ele perca a eleição. O mandatário acumula uma série de processos e investigações, na Justiça.

O objetivo da PEC, cujo conteúdo veio à tona em 2021, é evitar que ex-presidentes sejam alvos de prisão quando encerrarem seus mandatos. Uma das ideias defendidas é conceder uma espécie de cargo de senador vitalício aos ex-chefes do Executivo, garantindo a eles foro privilegiado e imunidade parlamentar até o fim da vida.

A medida não passaria de uma concessão do ‘Centrão’ para proteger o presidente e seus familiares caso Bolsonaro seja derrotado, nas urnas, pelo ex-presidente e candidato ao Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Votos válidos

Lula tem registrado vantagem contra Bolsonaro segundo pesquisas de intenção de voto de diferentes institutos. Em junho, Lula obteve 53% dos votos válidos em levantamento do Datafolha. O resultado daria vitória ainda na primeira volta da eleição presidencial, quando são necessários somar metade dos votos válidos mais um para declarar um vencedor ou vencedora.

 A mais recente pesquisa do Instituto FSB, divulgada nesta segunda-feira, também mostra que o candidato do PT venceria qualquer um dos adversários em um eventual segundo turno. O ex-presidente tem 54% dos votos contra 36% do atual.

Preocupados com esse cenário, aliados de Bolsonaro vêm articulando a PEC sob a justificativa de que a medida não beneficiaria apenas o atual chefe do Executivo. Líderes do ‘centrão’ afirmaram ao blog que há a possibilidade de costurar um acordo para aprovação da proposta.

Outro objetivo do grupo é usá-la para comprometer também bolsonaristas com uma trégua nos ataques ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Seus patrocinadores condicionam a aprovação da PEC, a dois meses da eleição, a uma espécie de “pacto” com o Judiciário.

Fonte: Correio do Brasil

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