Bolsonaro confisca recursos dos institutos e universidades federais para alimentar corrupção do Centrão

O governo de Jair Bolsonaro (PL) deu mais um golpe contra a educação no Brasil e confirmou sua intenção de inviabilizar o funcionamento dos institutos e universidades federais. Decreto federal formaliza verdadeiro confisco no âmbito de todo o Ministério da Educação (MEC) no valor de R 2.399 bilhões.

Esse total foi dividido em R$ 1.340 bilhão, anunciado entre julho e agosto, e R$ 1.059 bilhão agora. O bloqueio, segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), impacta, inclusive, nos recursos frutos de emendas parlamentares. Na prática, toda emenda que ainda não tenha sido empenhada, será retirada do limite.

A Andifes e a União Nacional dos Estudantes (UNE) protestaram contra a medida que fortalece o desmanche na educação do país.

Leia a íntegra da nota divulgada pela diretoria executiva da Andifes:

Considerando a já preocupante situação financeira vivenciada pelas universidades federais, agravada pela edição de novo Decreto, a Diretoria da Andifes está convocando uma reunião extraordinária de seu conselho pleno, para o dia de amanhã, 06/10, às 10h, em modalidade remota, para discutir o contexto e debater as ações e providências.

Na última sexta-feira, dia 30/10, às vésperas do primeiro turno das eleições, o Governo Federal publicou uma norma (o Decreto 11.216, que altera o Decreto nº 10.961, de 11/02/2022, que se refere à execução do orçamento deste ano em curso) sacramentando novo contingenciamento no orçamento do Ministério da Educação. Dessa vez, no percentual de 5,8%, resultando em uma redução na possibilidade de empenhar despesas das universidades no importe de R$ 328,5 milhões. Este valor, se somado ao montante que já havia sido bloqueado ao longo do ano, perfaz um total de R$ 763 milhões em valores que foram retirados das universidades federais do orçamento que havia sido aprovado para este ano.

Na tarde de ontem, fomos chamados pelo Secretário da Educação Superior, Wagner Vilas Boas de Souza, para reunião, juntamente com o secretário adjunto da SESu, Eduardo Salgado, e, na manhã dessa quarta-feira, a diretoria executiva da Andifes e sua secretaria executiva ouviram o seguinte detalhamento deste contingenciamento:

– Que na data de ontem (04/10) o MEC foi comunicado pelo Ministério da Economia destas “limitações de empenho” e que imediatamente tomou a iniciativa de marcar esta reunião com a Andifes;

– Que o decreto formaliza o contingenciamento no âmbito de todo o MEC de R$ 2.399 bilhões (R$ 1.340 bilhão anunciado entre julho e agosto e R$ 1.059 bilhão agora). Esse bloqueio impacta, inclusive, nos recursos frutos de emendas parlamentares – RP9. Na prática, toda emenda que ainda não tenha sido empenhada, será retirada do limite;

– Por uma análise preliminar deste novo Decreto, este contingenciamento afetou praticamente todos os ministérios, mas o mais afetado foi o Ministério da Educação, que arcou com quase metade da limitação das despesas;

– Diferentemente do que ocorreu por ocasião do outro bloqueio ocorrido em agosto, quando os cortes no MEC foram assimilados em uma ação orçamentária específica do FNDE, desta vez as limitações foram distribuídas em todas as unidades do MEC (incluindo universidades federais, institutos federais, Capes), que sofreram o mesmo corte linear de 5,8%;

– Conforme consta no Anexo II do decreto, no dia 1º de dezembro deste ano, os valores serão descontingenciados e os limites de empenho serão retomados. Mas não há garantia de que não possa haver uma nova normatização que mude este quadro.

A diretoria da Andifes, que já buscava reverter os bloqueios anteriores para o restabelecimento do orçamento aprovado para 2022, sem os quais o funcionamento das universidades já estava comprometido, aduziu que este novo contingenciamento coloca em risco todo o sistema das universidades. Falou ainda da surpresa com esse critério de limitações de empenhos no mês de outubro, quase ao final do exercício, que afetará despesas já comprometidas, e que, em muitos casos, deverão ser revertidas, com gravíssimas consequências e desdobramentos jurídicos para as universidades federais. Que essa limitação estabelecida pelo Decreto, que praticamente esgota as possibilidades de pagamentos a partir de agora, é insustentável. Pediu-se, por fim, que, dada a gravíssima situação, fosse considerada a hipótese de o MEC absorver essa restrição de gastos das universidades com outras rubricas da pasta, tal como ocorreu no bloqueio anterior.

Lamentamos, por fim, a edição deste Decreto que estabelece limitação de empenhos quase ao final do exercício financeiro, mais uma vez inviabilizando qualquer forma de planejamento institucional, quando se apregoa que a economia nacional estaria em plena recuperação. E lamentamos também que seja a área da educação, mais uma vez, a mais afetada pelos cortes ocorridos.

Fonte: Revista Fórum

Fetag realiza Feira da Agricultura Familiar

Quer alimentos fresquinhos? Quer produtos DIRETO da roça? Vem para a FEIRA da AGRICULTURA FAMILIAR da FETAG/AL!!

Nesta sexta (07) e sábado (08) acontece a 34a edição de FEIRA da AGRICULTURA FAMILIAR da FETAG/AL no Centro Social da FETAG/AL, que fica por traz do Hotel Escuna na Avenida João Davino, no bairro de Jatiúca.

A feira proporciona aos moradores do bairro de Jatiúca e adjacências a compra de alimentos saudáveis vindos direto da roça para as mãos do consumidor. Produtos trazidos pelos agricultores e agricultoras familiares como a banana, o alface, o inhame, a graviola, o coco, a macaxeira, a batata doce e a laranja são oferecidos à população a preço justo.

Além dos produtos tradicionais presentes na feira trazidos da roça DIRETO para o consumidor da Jatiúca e bairros vizinhos, a feira também proporciona aos clientes, bolachas e biscoitos caseiros e o tradicional pastel com caldo de cana.

FETAG/AL EM DEFESA DA AGRICULTURA FAMILIAR DE ALAGOAS!!!

SERVIÇO:

  • O quê? FEIRA DA AGRICULTURA FAMILIAR (34ª Edição)
  • Onde? Centro Social da FETAG/AL – R. Prof. Dilermando Reis, no 330, Jatiúca – Maceió – AL.
    (por trás do Hotel Escuna, na Av. João Davino, Jatiúca)
  • Quando? Dias 07 e 08/10/22 (sexta e sábado)
  • Horários de funcionamento:
    • Dia 07/10 (sexta) – de 06:00 às 22:00
    • Dia 08/10 (sábado) – de 06:00 às 14:00
  • Contatos: (82) 99621-8652 – Leonardo Correia (Vice-presidente)/ 98884-8813 – Rilda Alves (Sec. Pol. sociais)

Ipec: Lula tem 55% dos votos válidos contra 45% de Bolsonaro

Nos votos totais, o ex-presidente teve quase 10 pontos percentuais a mais que Jair Bolsonaro

A pesquisa Ipec, divulgada nesta quarta-feira (5), mostrou o candidato a presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 55% dos votos válidos, contra 45% de Jair Bolsonaro (PL). 

Nos votos totais, Lula teve 51% e Jair Bolsonaro, 43%. Brancos e nulos somaram 4% e não souberam responder, 2%.

Foram entrevistados 2.000 eleitores, entre 3 e 5 de outubro. A margem de erro foi de de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com índice de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-02736/2022.

Fonte: Brasil 247

Gerente de posto de combustíveis de Maribondo será processada por fake news contra as urnas eletrônicas

Elisane Lopes, gerente do posto São Braz de Maribondo, gravou vídeo onde acusa sem provas, o PT de roubar as eleições no Nordeste.

Segundo os advogados do Partido dos Trabalhadores, a gerente do posto será processada por acusar sem provas o PT de fraudar as eleições, e o Partido também solicitará a inclusão da gerente, no processo das fakes news que tramita no Supremo Tribunal Federal.

Para os advogados do PT, o vídeo gravado por Elisane Lopes é gravíssimo e visa difamar o partido e colocar em suspeita o processo eleitoral brasileiro e que todas as medidas já estão sendo tomadas para que a gerente responda pelos crimes cometidos.

A redação ligou diversas vezes para o posto São Braz, mas, ninguém atendeu o telefone.

Lula tem votação recorde no 1° turno

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve o melhor desempenho da história de um candidato em primeiro turno: recebeu mais de 57 milhões de votos no domingo (2). O petista e o presidente Jair Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno das eleições deste ano no dia 30 de outubro.

Lula é o vencedor do 1º turno das eleições presidenciais de 2022. Depois de ser impedido de participar das eleições de 2018, com uma condenação absurda e uma prisão de 580 dias, Lula ressurge como o depositário das esperanças populares: atendimento das reivindicações mais urgentes, reconstrução e transformação do país.

Faltou pouco mais de 1% dos votos válidos para que a eleição fosse decidida de vez já neste dia 2. Mas é possível e necessário garantir a vitória, nessas quatro semanas de campanha, e evitar que Bolsonaro, seus generais e comparsas continuem a obra de destruição da Nação.

A militância do PT e demais partidos populares certamente entrarão em campo.

O PT obteve vitória dos candidatos a governador(a) no Ceará (Elmano de Freitas), Piauí (Rafael Fonteles) e Rio Grande do Norte (Fátima Bezerra, reeleita), bem como a eleição de muitos deputados federais e estaduais Brasil afora.

Em 4 estados, o PT vai disputar o 2º turno para governador. É voto 13 em Haddad (São Paulo), Décio Lima (Santa Catarina), Jerônimo (Bahia) e Rogério Carvalho (Sergipe).

Redação com Petista

Polícia causa a morte de 174 pessoas em jogo de futebol na Indonésia

Pelo menos 174 pessoas, entre eles crianças, morreram na Indonésia após confrontos no final do jogo Arema FC-Persebaya Surabaya.

A maioria das vítimas morreu durante uma debandada causada pelos distúrbios, avançou a agência indonésia DPA.

Centenas de pessoas correram para uma porta de saída numa tentativa de escapar não só à violência, mas também ao gás lacrimogéneo. Algumas morreram de asfixia durante o caos enquanto outras foram esmagados até à morte.

A população está revoltada com a ação da polícia, que diante do tumulto usou gás lacrimogeneo, o que provocou diversas mortes por asfixia.

Os distúrbios aconteceram no estádio Kanjuruhan, no final de uma partida da primeira divisão do futebol da Indonésia entre o Arema FC e o Persebaya Surabaya.

Os protestos começaram após a derrota do Arema FC por 2-3, com os apoiantes da equipa da casa a entrarem no campo, levando a confrontos com os adeptos rivais. Foi a primeira vez em mais de 20 anos que o Arema FC perdeu no dérbi regional com o Persebaya Surabaya, um clube também da ilha de Java.

A federação indonésia de futebol (PSSI) afirmou num comunicado que “lamenta as ações dos adeptos” e que o incidente “mancha o futebol indonésio”. A PSSI formou uma equipa de investigação, que já se deslocou para a cidade de Malang e prometeu cooperar com a investigação policial do caso. A federação anunciou ainda a suspensão da primeira divisão por uma semana e proibiu o Arema FC de receber jogos em casa durante o resto da temporada.

O Governo indonésio lamentou o incidente e prometeu também investigar as circunstâncias. “Vamos examinar minuciosamente a organização da partida e o número de adeptos”, declarou o ministro do Desporto e Juventude indonésio Zainudin Amali ao canal de televisão Kompas.

O treinador português Eduardo Almeida orientou, até ao início de setembro, o Arema FC, quarto classificado do último campeonato indonésio, que contava no plantel com o português Sérgio Silva e o guineense Abel Camará.

Fonte: Redação com O Jogo

Trabalhadores da educação fazem paralisação de 72 horas em Arapiraca

Trabalhadoras/es da rede pública municipal de Educação de Arapiraca, convocadas/os e organizadas/os pelo Núcleo Regional Sinteal/Agreste, iniciaram, nesta 4ª feira (28), três dias de paralisação total das atividades em protesto contra a política de desvalorização praticada pela gestão do prefeito Luciano Barbosa (MDB) contra a categoria.

Com carro-de-som, carregando faixas e cartazes, gritando palavras-de-ordem e com muita disposição de luta, as/os manifestantes, ao lado de diretoras/es do núcleo regional, se concentraram, às 09hs, na Praça Luiz Pereira Lima, com o objetivo de denunciar a política antieducação da prefeitura e da Semed, e também dialogar com a população arapiraquense.

Depois de vários pronunciamentos em defesa da valorização profissional e denunciando a defasagem salarial enfrentada pela categoria (em cerca de 30,75%), as/os trabalhadoras/es saíram em caminhada de luta pelas principais ruas do centro de Arapiraca, reivindicando da Prefeitura de Arapiraca uma complementação salarial justa, de acordo com aquilo que os recursos do FUNDEB possibilitam.

Reajuste

Segundo o presidente do Núcleo Regional Sinteal/Arapiraca, Paulo Henrique Costa, “o prefeito sinalizou com cinco por cento de complementação salarial, reajuste absurdo tendo em vista o montante de recursos [do FUNDEB] que a educação em Arapiraca ainda vai receber até o final do ano, mais de cento e quarenta milhões de reais, exclusivamente para pagamento de salários”. Segundo ele, Sinteal e trabalhadoras/es da educação reivindicam um reajuste porcentual que chegue a R$ 2.403,33 (atual valor do Piso Nacional da

A paralisação de luta por valorização e respeito recomeça amanhã “para continuar denunciando esta política de desvalorização da prefeitura, dialogar e agradecer o apoio da população e exigir a urgente recomposição salarial para todos os trabalhadores e trabalhadoras da educação em Arapiraca”, disse Costa, acompanhado pelos diretores Carlos Jorge, Célio Sampaio, Elvis Gomes e a diretora Josy Pereira.

Nesta quinta-feira (29) e também na sexta-feira (30), a luta continua e, como disse uma trabalhadora da educação, “ninguém solta a mão de ninguém, porque precisamos nos respeitar e fazer com que nos respeitem!”.

Fonte: Sinteal

Moradores dos Flexais fazem protesto contra a Braskem

Moradores exigem realocação e foram até a Prefeitura de Maceió cobrar providências contra o descaso da Braskem

Moradores da região dos Flexais, no bairro de Bebedouro, ocuparam ontem (27/09) a sede da Prefeitura de Maceió, no bairro do Jaraguá. Os manifestantes pedem a realocação dos imóveis para outra localidade, devido aos problemas causados pela mineração na região pela Braskem.

A mobilização contou com cerca de 60 moradores afetados nos Flexais de Cima e de Baixo, que representam as 3.500 pessoas que ainda moram no bairro sem receber indenização ou realocação. Os moradores afirmam estar ilhados e a espera de uma reunião com o prefeito da capital.

Para Antonio Domingos dos Santos, morador do bairro e líder do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB), esse é apenas um começo, a luta ainda continua. Os moradores reivindicam danos psicológicos, desvalorização dos imóveis, segurança, transporte, água. “O que me entristece, é que todo mundo sabe da nossa luta, da nossa angústia e pelo que estamos protestando já faz 3 anos. Eles querem nos dar R$ 25 mil pelos nossos imóveis e que continuemos aqui. Queremos realocação e uma indenização justa” criticou a decisão.

As áreas dos Flexais foram classificadas como área de monitoramento, por isso, fazem parte do Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação, criado pela Braskem para assistir família que foram obrigadas a deixar suas residências.

Segundo Maurício Sarmento, um dos líderes do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) e morador da região, nenhum líder municipal ouviu as queixas dos moradores. “Somente quando ocupamos o prédio é que concordaram em receber a nossa comissão, o prefeito se comprometeu em nos receber para uma reunião no dia 6 de outubro na sede da prefeitura, no Jaraguá” disse.

A comissão, formada por 6 moradores dos Flexais, foi recebida por Júnior Leão, Secretário de Governo da Prefeitura.

Os moradores dos bairros do Pinheiro, Bom Parto, Mutange, Bebedouro e Farol foram realocados depois que mais de 14 mil imóveis foram condenados, devido ao afundamento de solo causado pela extração de Sal-gema durante décadas nesses locais.

ILHAMENTO SOCIAL

O Ilhamento acontece em decorrência da saída de grande parte dos equipamentos públicos e estabelecimentos comerciais da região, que acaba comprometendo a vida social de quem vive nas localidades.

Fonte: Tribuna Hoje

Ninguém aprende com fome

No governo Bolsonaro, baixo valor da merenda escolar provoca fome nas escolas

Numa escola técnica da Vila Leopoldina em São Paulo (SP) estudantes se manifestavam com cartazes denunciando a ameaça do corte da alimentação escolar em julho. No mês de agosto o presidente Jair Bolsonaro vetou o reajuste das verbas para alimentação escolar e não previu no projeto de lei orçamentária de 2023 a recomposição dos valores para o próximo ano.

Segundo reportagem do jornal Estado de São Paulo (16/9) o “valor diário enviado a estados e municípios para cada aluno é definido conforme a etapa e a modalidade de ensino. É de R$ 1,07 na creche; R$ 0,53 na pré-escola e R$ 0,36 para o fundamental e o médio”. Apenas entre maio de 2021 e maio de 2022 a inflação dos alimentos da cesta básica foi de 26,75%.

O jornal O Trabalho foi ouvir trabalhadores da educação em diversas partes do país sobre os impactos do congelamento da alimentação escolar pelo governo.

Chegam na escola com fome
“As filas estão maiores. Alguns alunos já passaram mal por terem ido à escola sem comer. Precisamos oferecer algum alimento para aqueles que não conseguem esperar o horário da merenda. As frutas que são ofertadas por unidade, nem sempre acompanham a quantidade de alunos. Tivemos que reduzir a quantidade de carne nos preparos”, relata uma merendeira, servidora da rede municipal de Maceió (AL). Ela também explica que “são apenas eu e mais uma merendeira para cerca de 400 alunos. A demanda é grande e não fazem concurso público para contratação de novos merendeiros.”

Não é muito diferente da situação no sul do país. Como relata o professor Luiz Henrique, dirigente do sindicato dos professores (Cpers) que leciona na rede estadual gaúcha em Portão (RS), região metropolitana de Porto Alegre. “O governo estadual aumentou alguns centavos o valor para a merenda por aluno. Mas isso não é o suficiente para atender a demanda. Com a crise econômica há alunos nas escolas pedindo o que sobra, a banana, a bolacha para levar para casa. Trabalho numa escola de Ensino Médio e faltam recursos humanos para produzir a alimentação. Aí ficam dando apenas bolacha e achocolatado né? Um problema enorme. Os alunos do noturno chegam direto do trabalho, alguns trabalhando longe de casa e pedem: ‘senhor eu não comi nada, eu preciso comer alguma coisa’”.

Diversidade alimentar prejudicada
Numa escola municipal de Guarulhos (SP), segunda maior cidade do estado o relato de uma coordenadora pedagógica mostra que a alimentação ainda chega, mas seu valor nutricional não é mais o mesmo. “Não houve ainda falta de merenda, mas uma queda na diversidade de frutas e nos lanches”.

Na Vila Maria, bairro da cidade de São Paulo (SP) com muitas comunidades pobres e ocupações o drama é destacado por uma professora da rede municipal: “onde leciono os alunos não podem repetir a merenda e há uma contagem do número de alunos para o controle da alimentação. Eles ficam famintos. O serviço de alimentação assim como o de limpeza é terceirizado e precário. Os alunos só podem repetir o almoço, mas os pratos já vêm montados sem opção de escolha dos alimentos”. Ela registra uma cena que está acontecendo em diversas partes do país: “já houve casos de desmaio em virtude da fome”.

Numa escola estadual do Butantã um professor nos conta que “antes da pandemia eram servidas 80 a 90 refeições. Agora são servidas 160 refeições por turno de aula. 8 refeições servidas por minuto de intervalo.”. Ele conta que os alunos fogem da aula do intervalo para entrar na fila e poderem comer com mais calma. A escola solicitou para Secretaria da Educação ampliação do tempo de intervalo para alimentação em 10 minutos, mas a proposta foi indeferida. Ele denuncia: “cobram nossa coordenação pedagógica de resultados nos índices das avaliações institucionais, mas alunos estão famintos e são obrigados a engolir a comida em poucos minutos”.

Suco com bolacha
Em Fortaleza (CE) uma professora de uma escola estadual de tempo integral nos explica: “A verba de certa forma diminuiu, mas o número de alunos também, houve maior evasão escolar. Podemos ver uma piora na qualidade dos alimentos, a falta de alguns itens diferenciados que tornam a alimentação mais balanceada”. E observa para nossa reportagem “quanto aos funcionários não houve diminuição, porém não se pode fazer contratação, caso haja baixa por motivo de doenças ou outros o funcionamento deve ocorrer com os que existem.” Ainda em Fortaleza, uma professora da rede municipal nos conta “Desde 2013 que há certa escassez na merenda, no que diz respeito a quantidades de alimento no prato. Até 2012, tínhamos em Fortaleza um governo do PT. Sentimos uma brusca redução na quantidade dos alimentos ofertados desde que o PDT de Ciro se instalou no governo. Há uma redução da proteína substituída por suco e bolacha, que tem se repetido muito. As crianças rejeitam o suco com bolacha”.

Congelamento atinge agricultura familiar
“A alimentação escolar é fundamental. O corte de verbas afeta a nutrição dos alunos e afeta o aprendizado. Com a crise econômica as crianças vão com fome para escola e precisam de uma nutrição adequada, pois estão em fase de crescimento e desenvolvimento do aprendizado. O número de famílias que está em insegurança nutricional tem aumentado. É na escola que as crianças e jovens estão tendo, muitas vezes, a principal refeição. Essa alimentação precisa ser saudável”. É o que explica a nutricionista Sheila Costa, dirigente do Sindicato dos Servidores Municipais de SP (Sindsep). Ela também demonstra outro impacto “com a falta de recursos, isso impacta a agricultura familiar. Hoje no programa nacional de alimentação escolar, 30% dos alimentos devem vir da agricultura familiar. Com o congelamento das verbas, essas famílias também são prejudicadas. E com isso ganham terreno os alimentos ultra processados, que são a origem de diferentes doenças crônicas”.

Alexandre Linares

Fonte: O Trabalho

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