Escândalo do Pix chega ao MPF e Bolsonaro pode ser preso por estelionato

Deputada Luciene Cavalcante entra com representação para que ex-presidente seja investigado por receber doações para supostamente pagar multas e, em vez, disso aplicar montante milionário em investimentos

A deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP) protocolou junto ao Ministério Público Federal (MPF), nesta terça-feira (1), uma representação para que Jair Bolsonaro seja investigado pelo crime de estelionato, cuja pena prevista é de 1 a 5 anos de prisão, além de multa. 

O objeto da ação é o fato do ex-presidente ter feito uma campanha de arrecadação de recursos financeiros, pedindo dinheiro aos seus apoiadores, para supostamente pagar multas impostas a ele por descumprimento de regras sanitárias à época da pandemia do coronavírus e, em vez de utilizar o dinheiro para quitar as dívidas em questão, teria aplicado o montante arrecadado em investimentos

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) divulgado na última semana aponta que, somente entre janeiro e o início de julho deste ano, o ex-presidente recebeu R$ 17,2 milhões via Pix.  As transações, segundo o Coaf, podem estar ligadas à “vaquinha” feita por Bolsonaro com o suposto objetivo de angariar recursos para pagar multas.

Em junho, o ex-presidente divulgou seu CPF, que é o número de seu Pix, para que apoiadores fizessem as transferências. A campanha foi propagada pelo ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, e outros apoiadores. 

Naquele mês, a Justiça de São Paulo havia determinado o bloqueio de R$ 87,4 mil das contas de Bolsonaro pelo não pagamento de multas por infringir regras sanitárias à época da pandemia do coronavírus. Até o momento, entretanto, o ex-presidente não pagou as multas em questão e, segundo o Coaf, ele utilizou os R$ 17,2 milhões arrecadados para fazer aplicações em renda fixa.

Estelionato e lavagem de dinheiro

Além de não ter quitado as multas, Bolsonaro ainda fez chacota com as doações recebidas via Pix que chegam a mais de R$ 17 milhões. Em evento do PL Mulher em Santa Catarina no último final de semana, o ex-presidente disse que o dinheiro arrecadado deu para “pagar as contas” e ainda sobrou para que ele e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comam “pastel” e tomem “caldo de cana”.

Para a deputada Luciene Cavalcanti, a conduta de Bolsonaro pode configurar o crime de estelionato, que consiste, segundo o Código Penal, em “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”. 

A parlamentar solicita, ainda, que o MPF investigue a origem das doações de alto valor feitas a Bolsonaro via Pix para evitar a utilização do mecanismo para o cometimento de crimes como lavagem de dinheiro

“Mister se faz, igualmente, a investigação da origem das doações dado o alto valor arrecadado, visto o risco de ocorrer, por meio de Pix, a dissimulação de origem criminosa dos valores”, pontua. 

Fonte: Revista Fórum

Mulher que matou os filhos por crenças religiosas é condenada à prisão perpétua

aMãe que matou os filhos nos EUA dizia que a humanidade precisava se “preparar para a segunda vinda de Jesus Cristo” Ela foi condenada a três sentenças consecutivas de prisão perpétua, sem direito a liberdade condicional

Uma mãe foi sentenciada à prisão perpétua nesta segunda-feira (31) por assassinar dois de seus filhos e conspirar para matar a ex-esposa de seu marido. Em maio, Lori Vallow foi declarada culpada de assassinar Tylee Ryan, sua filha de 16 anos, e Joshua “JJ” Vallow, seu filho adotivo de 7.

“Você está condenada a servir a pena máxima possível sob a custódia do Conselho Estadual de Correção […] prisão perpétua sem direito à liberdade condicional”, disse o juiz Steven W. Boyce nesta segunda em um tribunal de Idaho, no noroeste dos Estados Unidos.

Vallow afirmava ser uma deusa cuja missão era preparar a humanidade para a segunda vinda de Jesus Cristo, e acreditava que podia se comunicar com os anjos.

Os promotores afirmaram que ela usou suas crenças religiosas para justificar os assassinatos, tratados na série documental da Netflix “Os Crimes da Nossa Mãe”, lançada no ano passado. Também sustentaram que os crimes estiveram mobilizados por motivos financeiros.

Seu quinto esposo, Chad Daybell – autor de vários romances apocalípticos que publicou por conta própria – aguarda julgamento em separado, que incluirá também o assassinato de sua primeira esposa, Tammy. Ele respondeu a todas as acusações declarando-se não culpado.

O caso atraiu atenção nacional em 2019, depois que os filhos de Vallow desapareceram. O casal jamais notificou as autoridades sobre o desaparecimento dos filhos. Seus corpos foram encontrados em junho de 2020 em uma propriedade de Daybell, em Idaho.

A investigação também revelou que muitas pessoas associadas ao entorno de Vallow e de seu novo marido haviam morrido em tempos recentes.

Em 2018, o terceiro marido da mulher tinha morrido por uma aparente crise cardíaca. Em 2019, seu quarto esposo foi baleado pelo irmão de Vallow, que alegou legítima defesa. Este último também morreu pouco depois, ao ser encontrado inconsciente em sua residência.

Em outubro de 2019, a ex-esposa de Daybell, Tammy, morreu aparentemente de causas naturais. Vallow e Daybell se mudaram para o Havaí poucas semanas depois e se casaram.

Nesta segunda, o juiz Boyce determinou três sentenças consecutivas de prisão perpétua devido à gravidade dos crimes cometidos por Vallow. “Em Idaho, prisão perpétua é isso, prisão pelo resto da vida sem liberdade condicional”, disse.

Mas, “dado que há três homicídios separados com três vítimas que ocorreram em três momentos diferentes, pagar as penas de forma simultânea não serviria aos interesses da Justiça”, disse. “Você precisa responder de forma separada por cada um destes três homicídios”, sentenciou.

Fonte: Pragmatismo Político

STF proíbe tese de legítima defesa da honra em casos de feminicídio

Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta terça-feira (1°), proibir o uso da tese de legítima defesa da honra para justificar a absolvição de condenados por feminicídio.

Com a decisão do Supremo, advogados de réus não poderão usar o argumento para pedir absolvição pelo Tribunal do Júri. Além disso, os resultados de julgamentos que se basearam na tese poderão ser anulados.

A Corte julgou uma ação protocolada pelo PDT em 2021 para impedir a absolvição de homens acusados de homicídio contra mulheres com base no argumento de que o crime teria sido cometido por razões emocionais, como uma traição conjugal.

maioria de votos contra a tese foi formada na sessão de 30 de junho, antes do recesso do mês de julho na Corte. Na ocasião, os ministros Dias Toffoli, André Mendonça, Nunes Marques, Edson Fachin, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes se manifestaram contra a tese.

Na sessão de hoje, as ministras Cármen Lúcia e Rosa Weber proferiram os dois últimos votos sobre a questão.

Cármen Lúcia disse que o Supremo está retirando do ordenamento jurídico uma tese que aceita a morte de mulheres sem qualquer punição. “Nós estamos falando de dignidade humana, de uma sociedade que ainda é machista, sexista, misógina e mata mulheres apenas porque elas querem ser o que elas são, mulheres, donas de suas vidas”, afirmou.

A presidente do Supremo, Rosa Weber, lembrou ainda que leis brasileiras já tutelaram a castidade feminina e os bens da mulher, como o Código Civil de 1916.

“Pela legislação civil, as mulheres perdiam a capacidade civil plena ao casarem, cabendo ao marido administrar tanto os bens do casal como os particulares da esposa. Somente mediante autorização do marido, as mulheres poderiam exercer a atividade profissional”, disse a ministra.

Histórico

Ao longo da história, a legislação brasileira previu normas que chancelaram a violência contra a mulher.

Entre 1605 e 1830, foi permitido ao homem que tivesse sua “honra lesada” por adultério agir com violência contra a mulher. Nos anos seguintes, entre 1830 e 1890, normas penais da época deixaram de permitir o assassinato, mas mantiveram o adultério como crime.

Somente no Código Penal de 1940, a absolvição de acusados que cometeram crime sob a influência de emoção ou paixão deixou de existir. Contudo, a tese continua a ser usada pela defesa de acusados para defender a inocência.

Fonte: Agência Brasil

MPF dá 48h para IBAMA, IMA e SPU explicarem o que ocorreu na praia de Garça Torta

O Ministério Público Federal (MPF) deu prazo de 48 horas para que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) apresentem todas as informações referentes às intervenções ambientais num trecho da praia da Garça Torta, em Maceió.  Na mesma ação, definida nesta terça-feira, 1º, o MPF também determinou a imediata suspensão das obras de aterramento e desvio da desembocadura do Riacho Garça Torta, que vinham sendo efetuadas por um condomínio localizado naquele bairro.

A decisão está na Notícia de Fato nº 1.11.000.000953/2023-33, e foi tomada em decorrência de representações feitas pela Associação dos Moradores do Loteamento Gurguri e pelo Coletivo Ambiental Litoral Norte, que denunciaram as obras realizadas pelo condomínio. Este, estaria aterrando a boca do riacho e desviando sua desembocadura para outra área, próxima à barraca do Ravi.

A ação de aterramento, segundo moradores, estaria sendo feita com autorização do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), por meio de processo online. Essa informação teria sido repassada por um morador do próprio condomínio, que teria apresentado o documento. Entretanto, não há placa de licenciamento no local.

A Associação dos Moradores do Loteamento Gurguri afirma que a área afetada é considerada terreno de marinha.

A Recomendação do MPF estabelece um prazo de 24 horas para que as intervenções ambientais sejam suspensas até que os órgãos de Meio Ambiente se pronunciem sobre o caso.

Os moradores afetados pela agressão ambiental alegam ainda que, além dos graves danos ambientais, “não houve audiência ou consulta pública antes da autorização da atividade, que há 10 dias passa o trator sob área de desova de tartarugas marinhas, mudando o curso do riacho e deixando consequências desconhecidas pela população, que clama por informação”.

Ofícios e prazos

Ao IMA/AL foram requisitados uma cópia completa do processo administrativo e do parecer técnico que embasou a respectiva Autorização Ambiental, e ainda esclarecer se a concessão da autorização para a atividade de Retificação da Foz do Riacho da Garça foi precedida de manifestação do Ibama. O prazo para essa resposta é de 48 horas.

No mesmo prazo de 48 horas, o Ibama deve informar sobre os fatos, esclarecer se o local da atividade é considerado terreno de marinha e área de preservação permanente, e confirmar se autorizou a obra de aterramento da boca do Riacho Garça Torta e o desvio de sua desembocadura. Além disso, o órgão deve fornecer informações sobre os impactos ambientais causados no manguezal e na biodiversidade local devido a essas atividades.

A SPU também tem um prazo de 48 horas para informar se foi consultada ou concedeu autorização para a intervenção ambiental no Riacho Garça Torta.

Por fim, o condomínio tem 24 horas para apresentar informações detalhadas sobre a intervenção que está sendo realizada no Riacho Garça Torta, incluindo a indicação de se contratou uma empresa para realizar a atividade. Além disso, o condomínio deve fornecer uma cópia completa de todos os estudos ambientais e autorizações que subsidiaram o desenvolvimento da obra, bem como o cronograma detalhado da obra/atividade.

Com Assessoria PGR

Fonte: 082 Notícias

O Professor é o Inimigo: livro revela como educadores(as) foram transformados em ameaça à sociedade

Projeto político conservador explora pânico moral para ocultar um cenário onde prevalecem o desmonte do Estado e a desproteção social

Acusações fantasiosas de doutrinação e ideologia de gênero, notícias falsas como o kit gay, a “mamadeira de piroca” e o banheiro unissex, e projetos inquisitórios como o Escola sem Partido têm um alvo em comum: os(as) professores(as).  

Tal como o personagem Dr. Stockmann, médico da peça teatral Um Inimigo do Povo, os(as) professores(as) brasileiros(as) têm sido transformados(as) ameaças à sociedade, numa manobra para ocultar um cenário social e político onde prevalecem o desmonte do Estado, a desproteção social e a insegurança da população.

Henrik Ibsen (1828-1906), dramaturgo norueguês, escreveu o drama realista mostrando como a população de uma pequena cidade transforma a imagem do médico local de cidadão honrado em inimigo do povo, por denunciar publicamente a contaminação da água da cidade. Mais de um século depois, a ficção de Ibsen se torna realidade no Brasil, só que com os(as) educadores(as). 

Dr. Stockmann é perseguido por alertar para problemas que a sociedade prefere não enxergar. Professores(as) são vítimas de ataques e campanhas de difamação apenas por fazerem o trabalho de ensinar, como mostra o e-book O Professor é o Inimigo, das professoras Pâmella Passos e Amanda Mendonça, integrantes do Grupo de Pesquisa em Tecnologia, Educação & Cultura do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ).

O livro, de 2021, voltou a ser assunto nas redes sociais nas últimas semanas ao mostrar como uma suposta ameaça de destruição da família e da ordem moral hegemônica é utilizada para maquiar uma escalada conservadora na sociedade: “sentimentos como o medo, o temor de uma possível mudança nas estruturas sociais conhecidas pela maioria da população, vêm sendo produzidos e acionados como parte do projeto de poder em curso no país”.

Parte significativa deste projeto consiste na construção de um inimigo. Neste contexto é criada a figura do “professor doutrinador”. 

Escola sem Partido 

As pesquisadoras fazem um histórico desse processo e chegam ao Movimento Escola sem Partido. Segundo elas, a onda conservadora se formou e se fortaleceu em três momentos. 

O primeiro foi em 2007, quando o jornalista Ali Kamel publicou no jornal O Globo duras críticas à coleção de livros didáticos “Nova História Crítica”, de Mario Schmidt. O segundo, em 2011, na distribuição dos kit anti-homofobia pelo Ministério da Educação. O terceiro foi em 2014, durante a crise política e de polarização da sociedade em torno das campanhas presidenciais.

“Acreditamos ser relevante assinalar que os embates em torno do Plano Nacional de Educação, aprovado também em 2014, se inserem neste quadro de episódios que contribuíram para alavancar a expressividade social e política do Escola sem Partido”, diz o livro.

Comparando a relação entre professor e aluno com a de um sequestro, o Movimento Escola sem Partido passou a convocar as famílias a salvar seus filhos de uma fantasiosa violência intelectual. 

Nesse projeto conservador, o poder da família se sobrepõe ao direito do estudante de obter elementos para produzir de forma autônoma sua visão de mundo. O “professor doutrinador” é aquele que aborda temas e conteúdos que contradizem a vontade e a crença das famílias.

Os(as) professores(as) atingidos(as) apontam o uso da internet e das redes sociais como a principal fagulha para a perseguição. O “linchamento virtual” é um dos maiores temores deles. 

Autocensura pedagógica 

“O clima persecutório e de denuncismo sobre os docentes é cada vez mais relatado por estes, que vêm sendo impedidos, por vezes de forma velada, de abordar certas temáticas em sala de aula, tendo suas vidas expostas em jornais, redes socais e sofrendo até mesmo processos judiciais por doutrinação ideológica”, registra o livro.

O ambiente hostil pode levar à autocensura pedagógica, alertam as autoras. “Entendemos como autocensura pedagógica o movimento pelo qual professores deixam de trabalhar determinados temas, ainda que estejam previstos no currículo de sua disciplina, buscando evitar acusações de doutrinação e/ou exposição, em especial nas redes sociais”, explica o livro.

As autoras listam uma série de ataques a professores(as) noticiados na imprensa e os relacionam a discursos de autoridades públicas estimulando a perseguição. “Em nossa hipótese, os discursos proferidos por figuras públicas ocupantes de cargos no Executivo e no Legislativo vêm sendo acompanhados por um crescimento de episódios abertos de perseguição a docentes em todo o país”, afirmam.

Família

Nesse projeto conservador, a família é usada como dispositivo de controle, naturalizada numa única concepção heteronormativa. Essa “família funcional” atua na sustentação do capitalismo e da precarização trazida pelo desmonte neoliberal, com a retirada de garantias sociais e a diminuição de políticas públicas. 

“Para que isso ocorra, ela não pode ser justa ou democrática, mas, sim, operar na desigualdade de gênero, reforçando a esfera privada e do lar como um espaço feminino mantendo a múltipla jornada de trabalho das mulheres”, detalha o livro.

Desdemocracia

As autoras recorrem ao conceito de “desdemocracia” para caracterizar a situação em que o professor crítico e democrático é produzido como inimigo: “Neste contexto, assistimos à demonização de professores e professoras que, ao praticarem uma educação democrática, são críticos à desdemocracia em curso”.

“Acusados de doutrinadores, professoras e professores têm sobrevivido num cenário brasileiro no qual há uma construção política com manipulação de afeto. Famílias são incitadas a odiar e atacar os profissionais da educação, pois estes estariam ameaçando a segurança de seus valores e direitos. Enquanto isso, os direitos básicos, como acesso à saúde, educação e moradia estão ruindo junto com a democracia brasileira”, explicam as autoras.

Fonte: APP Sindicato

De volta aos livros: Suécia recua na digitalização de escolas após resultado desastroso

Autoridades concluíram que digitalização da sala de aula pode transformar a próxima geração de estudantes suecos em analfabetos funcionais

Uma decisão recente do Ministério da Educação da Suécia reforça os riscos à aprendizagem trazidos pela política de digitalização da sala de aula adotada pela gestão Ratinho Jr. Enquanto na rede estadual do Paraná só aumenta a pressão pelo uso de plataformas, o país sueco suspendeu um plano ambicioso de digitalização do ensino.

“Estamos em risco de criar uma geração de analfabetos funcionais”, advertiu a ministra da Educação, Lotta Edholm, após ver a nota do país despencar no Estudo Internacional de Progresso em Leitura (PIRLS), exame internacional que avalia o desempenho em leitura dos(as) estudantes.

Segundo matéria publicada no jornal francês, Le Monde, a gestora concluiu que o mau desempenho é consequência da forma acrítica como o país introduziu recursos digitais nas escolas. A exemplo do que Ratinho Jr. está fazendo com as escolas paranaenses, nos últimos 15 anos a Suécia substituiu os livros didáticos por computadores, tablets, aplicativos e plataformas tecnológicas.

Na Suécia, as consequências negativas desse experimento foram observadas em toda a comunidade escolar. Alunos(as) perderam o hábito da leitura, professores(as) ficaram sem acesso a livros e as mães, pais e responsáveis não conseguem ajudar seus(as) filhos(as).

Evidências

Para reverter a situação, além de barrar a estratégia de digitalização, Lotha lançou um programa de reintrodução dos livros para recuperar a capacidade de leitura dos(as) estudantes. Os livros têm “vantagens que nenhum tablet pode substituir”, argumenta.

O plano prevê o investimento de 150 milhões de euros até 2025. “O relatório do PIRLS é um sinal de que temos uma crise de leitura nas escolas suecas. No futuro, o governo quer ver mais livros didáticos e menos tempo de tela nas escolas”, diz a ministra.

Segundo as informações, a decisão de Lotha para abandonar o programa ambicioso de digitalização foi embasada em evidências científicas apresentadas por mais de 60 especialistas. “Todas as pesquisas sobre o cérebro em crianças mostram que elas não se beneficiam do ensino com base em telas”, afirma.

Alerta da Unesco

Embora a gestão Ratinho Jr. use o discurso de “foco no aluno” para justificar a quantidade expressiva de ferramentas digitais impostas a professores(as) e estudantes, a decisão da Suécia não é a única apontando que essa política só beneficia as empresas de tecnologia.

Em relatório recente divulgado pela Unesco, com o título “Tecnologia na educação: uma ferramenta a serviço de quem?”, a agência também alerta sobre os impactos negativos da introdução de tecnologias na educação, sem qualquer diálogo ou reflexão crítica.

O documento é mais um que põe em xeque o modelo educacional adotado pelo governo do Paraná e destaca que a tecnologia sozinha não garante bons resultados. No Peru, por exemplo, mais de um milhão de laptops foram distribuídos sem qualquer impacto na aprendizagem.

Manifesto da APP

APP defende que o uso das tecnologias não seja uma obrigação, mas adotado de forma complementar a uma educação baseada em interação humana. No manifesto “Educação humanizadora em tempos de tecnologias digitais”, publicado neste mês, o Sindicato critica a centralidade nas plataformas no lugar do ensino-aprendizagem, a violação da privacidade da comunidade escolar, a exclusão de estudantes, a mercantilização da educação e a falta de autonomia de educadores(as) para trabalharem os conteúdos.

“As novas tecnologias podem ser usadas como ferramentas de apoio ao trabalho pedagógico, mas a escola não pode girar em torno delas”, relata Margleyse dos Santos, secretária executiva Educacional da APP. Para a dirigente, é preciso resgatar a gestão democrática e a autonomia dos(as) educadores(as) em sala de aula e frear esse modelo adotado pela gestão estadual, marcado por imposição, vigilância, controle e falta de evidências de resultados positivos para a aprendizagem.

Fonte: APP sindicato

Professores fazem ato por piso salarial e valorização profissional

Os professores da rede estadual de Alagoas, realizaram hoje de manhã, 27/07, uma manifestação para cobrar do governador Paulo Dantas (MDB), a implantação do piso salarial e valorização salarial.

A manifestação que começou no CEPA – Centro Educacional de Pesquisas Aplicadas, percorreu um longo trecho da avenida Fernandes Lima e terminou na porta do palácio do governador.

A categoria que também paralisou as atividades cobra a “valorização devida e a implantação, para toda a categoria da educação, dos 14,95% de reajuste como definido pelo piso nacional”, segundo o presidente do Sinteal, Izael Ribeiro.

Com participação de interior e capital, profissionais da educação ativos e aposentados, demonstraram insatisfação com as condições de trabalho e falta de valorização salarial.

Extermínio: quase 800 indígenas foram assassinados durante governo Bolsonaro

Documento do Conselho Indigenista Missionário quer Comissão da Verdade para investigar mortes e conflitos armados

Ao sair para buscar lenha numa fazenda vizinha à reserva de Taquaperi, no Mato Grosso do Sul, um jovem indígena Guarani-Kaiowá de 18 anos foi morto por cinco disparos de arma de fogo. No Amazonas, a cacique do povo Kulina denunciou o assassinato de ao menos sete indígenas das aldeias da região, entre eles o de um adolescente de 15 anos, decapitado. Em Roraima, a tentativa de assassinato de um grupo de cinco indígenas Xirixana por garimpeiros resultou na morte de uma liderança. Para fugir dos disparos, as vítimas se jogaram no rio Uraricoera. Todos os crimes ocorreram em 2022. Ao todo, quase 800 indígenas foram assassinados entre 2019 e 2022.

Os três estados citados acima — Mato Grosso do Sul, Amazonas e Roraima — são os mais letais para indígenas no Brasil, conforme o relatório anual do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), divulgado nesta quarta-feira (26) ao qual a Agência Pública teve acesso. Os dados do período de 2019 a 2022, sob o governo de Jair Bolsonaro (PL), são da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e das secretarias estaduais de saúde.

Nos estados de Roraima e Amazonas, onde está a Terra Indígena Yanomami (TIY), houve 208 e 163 assassinatos de indígenas no período, respectivamente. Em terceiro lugar no ranking de mortes violentas contra indígenas aparece o Mato Grosso do Sul, com 146 casos. Juntas, as três unidades federativas foram responsáveis por 65% dos assassinatos no período. Em todo o país, foram registrados 795 homicídios nos quatro anos.

As mortes por assassinato não são a única causa de extermínio indígena. Invasão de terras, negligência ou negativa de assistência médica, redução de verba pública para órgãos de proteção, racismo, ameaças e violência física e sexual são causas apontadas para o extermínio de indígenas. Outro ponto levantado pelo relatório é a falta de políticas públicas contra o suicídio.

O documento também pontua a necessidade de criação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade (CNIV), a exemplo da comissão instalada para investigar crimes da ditadura civil-militar brasileira.

Governo negligencia fome, doenças e mortes evitáveis

O governo Bolsonaro não demarcou nenhum centímetro de Terra Indígena no Brasil, como prometido antes da posse. Sua política indigenista é considerada “genocida” e promotora da “naturalização da morte indígena”. O governo Bolsonaro foi o primeiro desde a redemocratização a não homologar nenhuma TI, o que, para o CIMI, contribuiu para a desassistência à saúde e à morte indígena.

O relatório indica que, sem a demarcação de suas áreas, há grupos que não possuem terras ou águas suficientes para produzir os próprios alimentos. Eles ficam assim dependentes de políticas de assistência social.

O cerco, segundo o relatório, ocorreu dos dois lados sob o governo Bolsonaro. De um lado, não houve andamento dos estudos de Grupos Técnicos (GTs) da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), nem daqueles criados por determinação judicial, para que qualquer território indígena reivindicado fosse reconhecido no Brasil. De outro, o governo federal interrompeu o fornecimento de cestas básicas entre agosto e dezembro de 2022, antes e depois do período eleitoral, entre outras desassistências.

Segundo o documento, ao menos 800 indígenas das etnias Avá-Guarani, do oeste do Paraná, e Mbya Guarani, do Rio Grande Sul, vivenciaram situações de fome, principalmente entre crianças. Segundo o CIMI, os “espaços diminutos” em que vivem impedem qualquer forma de sobrevivência pela terra.

Em Dourados (MS), houve registros de indígenas se alimentando de lixo para comer. O relatório traz o depoimento da liderança indígena Erileide Domingos, da aldeia Guyraroka, que denunciou o caso à Organização das Nações Unidas em agosto de 2022. “A fome é resultado da desorientação do Estado brasileiro. É muita falta de piedade com o outro, de olhar os pobres, sem condições, sem emprego, sem possibilidade de plantar, não conseguimos produzir nada, não conseguimos ser ninguém”, relata Erileide no documento.

Omissão na saúde matou mais de três mil crianças indígenas, diz relatório
A omissão na área da saúde é outro ponto que levou à morte centenas de indígenas em todo o país.

Mais de 3.550 crianças de até 4 anos de idade morreram entre 2019 e 2022 em territórios indígenas. Os estados de Roraima e Amazonas carregam a maior quantidade de casos, desta vez seguidos pelo Mato Grosso.

Uma em cada três mortes infantis registradas pela Sesai eram evitáveis, conforme análise de dados do CIMI a partir da Nota Técnica do Ministério da Saúde. Falta de acompanhamento da gestação, casos de gripe e pneumonia, desnutrição, diarreias e doenças infecciosas tratáveis estão entre os motivos que evitaram que 1.504 crianças pudessem chegar à fase adulta.

Para o CIMI, a desassistência médica é fator diretamente ligado à política indigenista empregada pelo governo federal nos últimos quatro anos. O caso de maior repercussão foi a falta de acesso às políticas públicas de saúde por parte dos indígenas Yanomami, denunciado pela Pública em diversas reportagens. O Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami e Ye’kwana (Dsei-YY) registrou, só em 2022, 134 mortes de crianças entre 0 a 4 anos.

Na TI Yanomami, a invasão do garimpo estrangula serviços públicos indigenistas, entre eles os de saúde, denuncia a Hutukara Associação Yanomami (HAY) no relatório. “A captura da estrutura de saúde por garimpeiros gerou uma situação de desassistência generalizada no território”, afirma o documento sobre os postos de saúde que fecharam no território pela sensação de insegurança com a presença da atividade ilegal e armada.

Governo atrasou vacina e não reforçou políticas para prevenir o suicídio

Entre os adultos, a maior quantidade de mortes foi no Mato Grosso, com 136 casos. Entre as causas estão o atraso da chegada da vacina aos territórios, estadias em más condições quando grupos de indígenas se dirigem aos centros urbanos em busca de serviços, infecções gastrointestinais causadas por poluição da água, consumo de agrotóxicos pela água, entre outros.

Se crianças e adultos indígenas morrem por desassistência médica, a omissão estatal entre os jovens indígenas ocorre pela falta de outra política pública: a de prevenção ao suicídio. Novamente, estados já citados em outras estatísticas negativas lideram a causa da morte por suicídio entre indígenas. A cada cinco registros no quadriênio 2019-2022, dois ocorreram no estado do Amazonas e um no Mato Grosso do Sul. Ao todo, 535 indígenas tiraram a própria vida no período. Destes, 35% eram jovens menores de 19 anos.

Destruição de bens indígenas

O Conselho das Aldeias Wajãpi-Apina denunciou, em fevereiro de 2022, a poluição dos rios pela invasão garimpeira na Terra Indígena (TI) Waiãpi, no Amapá: “Fotos e vídeos de várias aldeias mostram as águas com muita lama e como dependemos dos rios para beber água e tomar banho, isto gerou muita preocupação para os nossos chefes e famílias.”

O registro afirma que os garimpeiros provocam danos aos bens naturais essenciais que afetam o modo de vida indígena no entorno e dentro da TI.

Mais ao oeste, outro caso de invasão ao maior patrimônio indígena, a floresta. A autorização para abrir um ramal dentro da TI Jaminawá/Iguarapé Preto, ligando dois municípios, partiu do Instituto de Meio Ambiente do Acre. Por se tratar de Terra Indígena, o licenciamento ambiental da obra deveria passar pelo órgão federal competente, o Ibama, e não pelos órgãos estaduais.

A lista de danos aos territórios, demarcados ou não, é grande. Construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), criação de gado, arrendamento de terras, uso de agrotóxicos, construção de presídios estaduais e federais, desmatamento de área sagrada, contaminação das águas e animais por mercúrio, loteamento e outras formas de invasão e destruição ao patrimônio indígena ocupam algumas páginas do relatório.

As maiores estatísticas ocorreram com casos de desmatamento, registrados em 74 TIs, segundo dados do Prodes. Em seguida, aparece a extração ilegal de madeira, areia, castanha e outros recursos naturais, com 65 ocorrências. Já as atividades ilegais de garimpo e mineração, assim como a de caça e pesca ilegais, atingiram, cada uma, ao menos 45 TIs, segundo o relatório. Uma TI pode constar em um, dois ou mais tipos de ocorrência.

De acordo com o CIMI, os danos ao patrimônio indígena têm como consequência o aumento de conflitos por direitos territoriais. O assassinato do jovem Guarani-Kaiowá com cinco disparos de arma de fogo que abre esta reportagem foi seguido de conflitos por território.

O documento relembra que o crime incitou ações de retomada indígena, como são chamadas as manifestações e acampamentos para reivindicar uma área ancestral. Conforme documenta o CIMI, as manifestações no município de Coronel Sapucaia (MS) foram “reprimidas com violentas e ilegais operações policiais e emboscadas contra lideranças, que deixaram mortos e feridos”.

Sinal “verde” para violar direitos

Nomeado em julho de 2019 para presidir a Funai e exonerado só no penúltimo dia do governo Bolsonaro, em 29 de dezembro de 2022, o delegado da Polícia Federal Marcelo Xavier defendeu um ex-coordenador regional da fundação em Mato Grosso do Sul, preso por operação da PF pelo envolvimento no esquema de arrendamento de Terras Indígenas e cobrança de propina para aluguel de pastos. O ex-presidente da Funai disse, em ligação interceptada pela PF, que estava tentando intervir nas investigações que incriminavam o ex-servidor.

“As ações e discursos do governo federal e da Funai, sob a presidência de Marcelo Xavier, serviram como sinalizações que criaram nos invasores a expectativa de que suas posses ilegais dentro de terras indígenas seriam legalizadas em breve”, destaca o CIMI sobre as tentativas de Xavier, via normativas da Funai, de legalizar o garimpo e a extração de madeira em TIs.

O governo agiu em diversas frentes contra os direitos indígenas, aponta o CIMI. Na pasta da Justiça sob Bolsonaro, o então ministro Sérgio Moro definiu, com base da tese do marco temporal, uma relação de áreas indígenas que poderiam ser demarcadas. Proposta pela bancada ruralista, a tese retiraria amplamente os direitos indígenas, afirmam os povos originários e especialistas.

Fonte: Pragmatismo Político

Lula deve ficar afastado da Presidência por quase um mês após cirurgia

Geraldo Alckmin será o presidente interino após Lula passar por uma cirurgia para tratar a artrose no quadril, em outubro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ficar afastado da Presidência da República por quase um mês após passar por cirurgia para tratar a artrose no quadril. De acordo com o petista, o procedimento deve ser realizado em outubro e vai resolver o problema das constantes dores que ele sente na região. 

Nesta quarta-feira (26/7), Lula passou por um procedimento eletivo minimamente invasivo que deve aliviar as dores crônicas. Até quinta-feira (27/7), ele vai despachar no Palácio da Alvorada, diferentemente de quando realizar o procedimento cirúrgico, quando o seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), assume a Presidência interinamente.

De acordo com o ortopedista Victor Byrro, especialista em cirurgia do quadril, artroscopia e traumatologia do esporte, o procedimento cirúrgico vai resolver o problema do presidente, que já toma injeções diárias e faz fisioterapia. “A artroplastia de quadril é uma cirurgia definitiva, ou seja, a região onde ele tem dor será retirada. Essa dor do pré-operatório não vai existir mais”, disse.

A artrose que acomete Lula ocorre quando há um desgaste nas cartilagens que revestem a cabeça do fêmur e o acetábulo, uma parte da bacia que se liga ao fêmur. Esse problema é normalmente relacionado à idade ou ao esforço. Já aos 77 anos, o presidente tem mantido uma intensa agenda de viagens nacionais e internacionais, lançando programas e reforçando a política externa.

Byrro explica que a cirurgia consiste em cortar o fêmur no colo femoral, um pouco antes da região da cabeça, encaixando uma prótese ali e outra na bacia. “É basicamente colocar um quadril mecânico no local”, detalha o médico ortopedista.

Já a reabilitação da cirurgia seria bem precoce. “Ele pisa no primeiro dia, já passa a usar o andador no primeiro dia. Cerca de três semanas a um mês após a cirurgia esse andador é retirado e a pessoa anda normalmente. O começo da fisioterapia é imediato”, completa Byrro.

Fonte: Estado de Minas

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