Ato em Maceió celebra Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino

Manifestação ocorreu no centro da Capital e foi organizada pelo Comitê Alagoano de Solidariedade ao Povo Palestino, que reúne dezenas de entidades

O Comitê Alagoano de Solidariedade ao Povo Palestino, promoveu, nesta quarta-feira (29), em Maceió, um ato unitário em defesa do povo palestino. Dezenas de entidades, incluindo centrais, sindicatos, partidos, movimentos sociais e estudantis, participaram da manifestação. O ato público fez parte do Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino, instituído pela ONU para lembrar o aniversário da Resolução 181, da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 29 de novembro de 1947, que aprovou, sem consulta aos habitantes locais, o Plano de Partição da Palestina.

Após a concentração inicial do ato, na praça dos Martírios, os participantes distribuíram panfletos nos pontos de ônibus da rua do Comércio e abriram uma enorme bandeira da Palestina. O Ato terminou em frente ao antigo Produban, onde os representantes das entidades fizeram uso da palavra para denunciar a política de apartheid de Israel, exigir cessar-fogo imediato e o fim do genocídio contra o povo palestino.

Denúncias de irregularidades faz Justiça suspender eleição do Sindsaúde

Justiça acatou pedido de associados e suspendeu o processo eleitoral do Sindicato dos Servidores da Secretaria da Saúde de Maceió por irregularidades

A eleição prevista para hoje, 29/11, foi interrompida depois que a juíza Bianca Tenório acatou o pedido de liminar impetrado pela oposição, que tinha sido impedida de participar do pleito.

Ainda segundo a oposição, a manobra eleitoral da atual diretoria ocorreu porque a categoria está revoltada com a condução do sindicato e o grupo dirigente temia ser derrotado nas urnas.

Com a decisão da magistrada, o processo fica judicializado, o que abre caminho para a inscrição da chapa de oposição e a realização de um processo democrático e transparente, onde a categoria possa decidir livremente.

Em dia de greve histórica em SP, ato reúne milhares de pessoas contra privatizações

Multidão protestou junto à Alesp, enquanto deputados discutiam o plano de concessão da Sabesp à iniciativa privada

No dia em que diferentes categorias realizaram uma greve histórica na região metropolitana de São Paulo, milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra os projetos de privatização de serviços públicos por parte do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O ato desta terça-feira (28) junto à sede da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) reuniu representantes de sindicatos, movimentos populares e muitos cidadãos que se opõem à sanha privatista do governador bolsonarista. Ao mesmo tempo, deputados debatiam a proposta de privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que pode ser a primeira vítima dos planos de entrega dos bens públicos.

“Nós vamos denunciar esses deputados que votarem a favor da privatização em prejuízo do povo paulista. Nós vamos continuar lutando e denunciando, porque onde privatizou, a tarifa aumentou, como no Rio de Janeiro. Se compararmos as tarifas do Rio de Janeiro com São Paulo, na Sabesp, é uma disparidade absurda”, destacou Renê Vicente, trabalhador da Sabesp e diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema).

Além dos funcionários e funcionárias da companhia de saneamento, a greve desta terça reuniu os trabalhadores do Metrô de São Paulo e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), empresas também ameaçadas de privatização; além dos profissionais da educação pública, em meio a ameaça de cortes bilionários no orçamento do setor.

Clarisvaldo Pereira é profissional de saúde e atua no distrito de Anhanguera, na zona norte de São Paulo. Ele foi até à Alesp protestar contra as condições da escola Basica Escola Estadual Professora Zoraide de Campos Helu, que fica às margens da rodovia Anhanguera e foi o colégio da rede pública estadual da capital com o pior resultado em 2017 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador de qualidade da educação primária no país.

Pereira disse que, diante das condições precárias da escola, preferiu não matricular os filhos na instituição, mas nem por isso desistiu de buscar por melhorias para a comunidade onde vive. “Eu resolvi lutar. A gente espera que venhamos a ser atendidos, e essa escola passe da pior escola do estado, se não for para a melhor, que fique entre as melhores. A pior escola a gente não quer mais. A população não quer mais”, disse ao Brasil de Fato.

presidenta do Sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo, Camila Lisboa, afirmou que as categorias estão mobilizadas por motivos muito maiores que as ameaças aos postos de trabalho, e lembrou que há muito mais em jogo.

“O que motivou os trabalhadores a fazer a greve foi também a defesa de seus empregos, mas não apenas isso. A defesa dos serviços públicos de qualidade também é parte da motivação dessa greve. Os processos de privatização que aconteceram, tanto no transporte sobre trilhos, quanto na água e saneamento básico, mostram que os serviços pioraram e a tarifa aumentou”, resumiu.

Os trabalhadores do sistema metroferroviário de transportes reivindicam ainda a reintegração de oito funcionários demitidos devido à greve do último 3 de outubro. Um deles é Altino de Melo Prazeres Junior, que foi presidente do sindicato da categoria e segue na luta.

“Ele está fazendo isso [demitir trabalhadores] para intimidar a população, intimidar os trabalhadores, porque estão resistindo à privatização. E nós vamos continuar lutando. Foi o que nós fizemos hoje e vamos continuar fazendo para evitar que essas importantes empresas públicas, que têm vários problemas, reconhecemos isso, que elas não sirvam para enriquecer um punhado de bilionários e depois aumentar a tarifa e piorar os serviços”, destacou.

A vereadora da capital paulista Luana Alves (PSOL), que participou do ato na Alesp, passou o dia junto aos trabalhadores mobilizados, tendo visitado piquetes junto às sedes da Sabesp. Para ela, o dia de luta mostra força da classe trabalhadora no estado mais rico do país. 

“Hoje é um dia de resistência popular, mostra também como há organização popular nas bases. Trabalhadores do Metrô, da CPTM, professores, funcionários da Sabesp… O movimento popular está disposto a também fazer o enfrentamento”, concluiu.

Fonte: Brasil de Fato

Petrobras ‘reestatiza’ refinaria no Ceará

Depois de adiar duas vezes a entrega de uma refinaria no Ceará, vendida por US$ 34 milhões (R$ 167,3 milhões) no ano passado, a Petrobras decidiu rescindir o contrato. A estatal anunciou a “reestatização” da Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor) na segunda-feira 27 com o argumento de que algumas condições precedentes para transferência do ativo não foram concluídas.

A transferência para o grupo cearense Grepar da Lubnor estava prevista inicialmente para ocorrer em 1º de agosto. A data foi alterada para 1º de setembro e, em seguida, para 1º de outubro. Por contrato, o ativo precisava ser transferido até 25 de novembro, ou o negócio seria desfeito, e o primeiro pagamento feito pela Grepar, devolvido. A empresa promete cobrar indenização pelos prejuízos.

Desde que assumiu em janeiro, o atual governo demonstrou repetidamente desinteresse na venda de ativos públicos. No dia 2 de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), logo após assumir o cargo, determinou a revogação dos processos de privatização de oito empresas, indicadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Lubnor é a menor unidade de refino da lista de oito refinarias da estatal colocadas à venda pelo governo Bolsonaro, mas estratégica por ser uma das maiores fabricantes de asfalto do País e fornecedora para todo o Nordeste. Em junho, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda da Lubnor para a Grepar. Depois disso, a empresa pagou a primeira parcela, depositando 10% dos US$ 34 milhões acordados pela compra.

A empresa cearense também investiu previamente cerca de US$ 10 milhões, incluindo quatro anos de estudos de negócios, consultoria e preparação para operar a refinaria. Ela também planejou, a partir de setembro, a contratação de 50 trabalhadores e estima que o investimento total na operação atingiria US$ 100 milhões.

O impasse para a entrega da refinaria aconteceu devido a questões fundiárias, as quais a Petrobras alega estarem atrasando a conclusão do negócio. A Lubnor está localizada em terreno com partes em posse da União e da Prefeitura de Fortaleza. A maior parte foi dada em outorga gratuita à estatal pela Secretaria de Patrimônio da União. Já algumas ruas, que compreendem cerca de 15% do terreno, são da capital cearense. Em dezembro, ainda com a Petrobras sob comando da gestão anterior, a estatal ofereceu proposta pela compra das áreas da prefeitura, que a considerou baixa.

Os valores se aproximaram nos meses seguintes, mas a gestão do prefeito Sarto Nogueira (PDT) alegou que a venda dos seus terrenos só seria feita após a aprovação do negócio pelo Cade.

A Grepar se dispôs a fazer a compra por conta própria, mas não conseguiu avançar na proposta.

INDENIZAÇÃO. A empresa disse que foi “surpreendida” pela decisão da Petrobras de fazer a rescisão “sem fundamento contratual”. Segundo a Grepar, o alegado impedimento do negócio em face das condições fundiárias “não procede”. “Tais condições fundiárias estão vinculadas às condições precedentes que a Grepar validamente renunciou há meses e a Petrobras não poderia suscitar como fundamento de rescisão do contrato”, diz.

Ainda conforme a Grepar, a Petrobras “deixou inequivocamente de implementar condição precedente obrigatória para a qual não existia óbice de implementação”, exceto a inação da própria estatal. “Nesta circunstância, o Direito e o próprio contrato impedem que a parte que esteja inadimplente pudesse pedir a rescisão do contrato”, destaca.

A empresa diz que irá “adotar as medidas jurídicas para resguardar os seus direitos de ser indenizada pelas perdas e danos”.

Reportagens mostraram irregularidades no RN

Uma série de reportagens publicadas em agosto pelo AGORA RN apontou irregularidades na compra do chamado Polo Potiguar pela 3R Petroleum. A empresa adquiriu da Petrobras a refinaria Clara Camarão, em Guamaré, e campos de petróleo.

Segundo as reportagens, os ativos foram vendidos por menos da metade do preço que valiam. Além disso, a 3R Petroleum estava impedida por lei de participar da negociação por não ter honrado lances em negociações anteriores junto à Petrobras.

Outra suspeita é que a 3R Petroleum só foi buscar crédito no mercado após fechar negócio, assim como qualificação técnica de “operador A” junto à ANP. Por fim, houve irregularidades, segundo a apuração, na compra casada da refinaria junto com os polos.

Fonte: Agora RN

Sindicato denuncia atraso nos salários dos vigilantes que trabalham na Ufal

O Sindicato dos Vigilantes de Alagoas visitou, nesta terça-feira (28), a Universidade Federal de Alagoas – UFAL, onde os vigilantes da empresa Albuquerque e Bruschi estão sendo prejudicados com o atraso no pagamento dos Tíquetes Alimentação e dos Salários.

Esse descaso tem prejudicado não só os trabalhadores de Maceió, mas também do campus Arapiraca e de toda a rede federal.

Na ocasião, o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Alagoas anunciou que o sindicato já encaminhou uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho e que se o pagamento não for realizado até o dia 30 de novembro, os vigilantes da UFAL irão paralisar as atividades nesses postos de serviço.

Ferreira também cobrou do reitor da UFAL, Josealdo Tonholo, que tome providências com essa empresa, que não paga os tíquetes alimentação e salários e não dá satisfação aos trabalhadores.

“É uma irresponsabilidade da empresa Albuquerque e Bruschi com os trabalhadores vigilantes que prestam serviço à UFAL”, pontuou o presidente.

Redação com Ascom

Famílias sem terra se mobilizam contra ameaça de despejo

Famílias dos movimentos pela Terra Terra, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Frente Nacional de Luta (FNL), Movimento de Libertação dos Sem Terra, (MLST), Movimento de Luta pela Terra (MLT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), Movimento Terra Livre (TL), fecham BR – 104 “União dos Palmares” nesse início de manhã de terça-feira, 28 de novembro de 2023.

Essa mobilização é uma das formas que essas famílias clamam para que o acordo feito no ano de 2016 entre o estado de Alagoas, Tribunal de Justiça, Grupo massa falida e os movimentos sociais.

Pois nos últimos meses vem acontecendo ameaças de despejos em todo complexo “Laginha e Guaxuma”, sendo que os movimentos sociais cumpriram a parte no acordo saindo da usina urubu até mesmo antes do prazo.

Partes dessas famílias estão acampadas na região desde do ano de 2011, na esperança de uma moradia digna e terra para plantar e tirar seu sustento.

Hoje é mas um dia em que pedimos respostas do Governo do Estado e Federal.

Fonte: Ascom/Movimentos de Luta pela Terra em Alagoas

Lula indica Flávio Dino para o STF

Formado em Direito pela UFMA, Flávio Dino foi juiz Federal e governador do Estado do Maranhão.

Na tarde desta segunda-feira, 27, o presidente Lula indicou o ministro da Justiça Flávio Dino para a vaga de ministro do STF, decorrente da aposentadoria de Rosa Weber.

Agora, o nome de Dino será submetido à sabatina no Senado. 

Flávio Dino tem 55 anos e é formado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (Turma de 1990). 

Natural de São Luís/MA, nasceu em 30 de abril de 1968, filho dos advogados Rita Maria e Sálvio Dino. 

Aos 18 anos, em 1986, foi aprovado para o curso de Direito na UFMA onde exerceu o cargo de coordenador do Diretório Central dos Estudantes. Em 1989, foi um dos coordenadores da ala juvenil da campanha de Lula à presidência do Brasil.

Formou-se bacharel em Direito em 1991 pela UFMA. Em 2001, graduou-se mestre em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito do Recife da Universidade Federal de Pernambuco. 

No ano de 1994, foi aprovado em primeiro lugar em concurso para o cargo de juiz Federal, função que exerceu no Maranhão por 12 anos. De 2000 a 2002, presidiu a Ajufe. Posteriormente foi secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça. 

Em 2006, aos 38 anos, pediu exoneração do cargo de juiz Federal para ingressar na vida política, filiando-se ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). 

Foi deputado Federal pelo Maranhão, exercendo seu mandato de 2007 a 2011. 

É o atual ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil e senador pelo Estado do Maranhão, do qual foi governador entre 2015 e 2022. É também professor de Direito Constitucional da Universidade Federal do Maranhão.

Logo no início de seu mandato como ministro da Justiça, Flávio Dino enfrentou o terrível 8 de janeiro, quando o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o STF foram invadidos e vandalizados.

Posteriormente, em entrevista para o Migalhas, Dino afirmou que os eventos difíceis do 8 de janeiro valorizaram a democracia.

Fonte: Migalhas

Empresa condenada por trabalho escravo recebe R$ 32 milhões do prefeito JHC

Vortex Engenharia pertence a amigo do pai de JHC, ex-deputado João Caldas

Condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho do Pará (TRT/PA) a pagar uma multa de R$ 5 milhões por escravizar 180 trabalhadores em suas fazendas em Piçarra, no sul do estado, em 2006, a empresa Lima Araújo Agropecuária, que mudou o nome para Vortex Engenharia, ganhou um prêmio polpudo da Prefeitura de Maceió.

A empresa que pertence a Jeferson Lima Araújo, amigo do ex-deputado federal João Caldas, pai do prefeito de Maceió, JHC, será indenizada pelo Município em cerca de R$ 30 milhões. A soma é referente à desapropriação de dois terrenos no bairro do Antares. Por eles, passará a nova pista que ligará as avenidas Durval de Góes Monteiro e Menino Marcelo.

De acordo com a tabela que consta no acordo de adesão entre a Prefeitura de Maceió e a Braskem, que prevê a realização de obras socioambientais após a indenização paga pela mineradora, o valor é quase R$ 10 milhões mais alto do que o previsto para desapropriação de áreas desse tipo.

Outro acordo que beneficia a empresa do amigo de João Caldas é uma proposta de permuta, que trocaria duas avenidas já existentes por cerca de 10 terrenos, também pertencentes à Lima Araújo.

Um fato curioso é que o engenheiro Pedro Vieira, ex-prefeito de Maceió, ligado profissionalmente ao grupo Lima Araújo, ocupava o cargo de secretário de Desenvolvimento Territorial na cota de João Caldas. Ele foi exonerado na última quarta-feira (18).

Com a repercussão do caso, o professor, arquiteto e urbanista Dilson Ferreira fez duras críticas ao prefeito e aos vereadores da capital, que “esqueceram” o dever de fiscalizar as ações do Executivo. “Parabéns, vereadores. É preciso os defensores orgânicos do prefeito entenderem as leis: há regramento jurídico federal. Lei 10.257, de 10 de julho de 2001, que regulamenta a ‘política urbana’ da atual Constituição brasileira. Seus princípios básicos são o planejamento participativo e a função social da propriedade”. lembrou.

O professor fez menção a outro dispositivo legal que, segundo ele, estaria sendo descumprido pelo Município de Maceió. “O Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança (EIV) constitui instrumento de planejamento, controle urbano e subsídio à decisão do Poder Público para aprovação de projeto, emissão de autorização ou licença para implantação, construção, ampliação ou funcionamento de empreendimentos e atividades públicos ou privados”, disse.

Projeto é cheio de irregularidades

Dilson Ferreira destacou ainda resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) nº. 01/86, que exige Estudo de Impacto Ambiental (EIA) se o projeto urbanístico ocupar área maior que 100ha (ou 1.000.000 mil m²). “Não sabemos nada do projeto. Só um projeto de desapropriação e só. Onde estão os demais estudos da licitação?”, questionou.

Por último, o professor cobrou a participação popular em projeto deste porte. “Digo mais, todo projeto precisa ser transparente a população desde sua elaboração. Isso é lei. (…) A população só quer que façam o trâmite da forma certa. Afinal, é um projeto importante para toda Maceió e todos queremos mobilidade, só que com humanidade e transparência”, concluiu.

Fonte: 082 Notícias

Falta de auditores fiscais dificulta combate ao trabalho escravo

O cadastro de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, a chamada “lista suja do trabalho escravo” do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), somou 472 empresas inscritas até mês.

De janeiro até o último dia 21, os auditores fiscais do trabalho resgataram 2.847 pessoas exploradas em condição análoga à escravidão no Brasil. Além desses trabalhadores, os auditores encontraram até o mês de outubro 2.064 crianças e adolescentes em trabalho infantil, proibido por lei (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Os números do aproveitamento abusivo da mão de obra no país foram repassados à Agência Brasil na última sexta-feira (24) pelo MTE. De acordo com as fontes ouvidas pela reportagem, é provável que esses dados, ainda que superlativos, subestimem a exploração ilegal da força de trabalho no Brasil. Segundo as fontes, o quadro de auditores fiscais do trabalho está defasado há anos.

“Se nós tivéssemos o número pleno de auditores fiscais do trabalho, mais operações possivelmente teriam sido realizadas e mais criminosos infratores teriam sido incluídos na lista daqueles que cometem a prática e o crime de trabalho escravo e de submissão ao trabalhador a condições degradantes”, afirma o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Bob Everson Carvalho Machado.

“Hoje nós temos na ativa 1.917 auditores, de um quadro possível de 3.644”, diz Machado. “É uma situação gravíssima que, obviamente, impacta em todas as áreas de atuação da inspeção do trabalho.”

Conforme Machado, a carência tem efeitos negativos em várias atribuições do MTE. “Impacta, por exemplo, na fiscalização do trabalho escravo. Impacta na fiscalização do cumprimento da legislação trabalhista. Impacta na busca por ambientes de seguros de trabalho, não combatendo assim os acidentes no local de trabalho. Impacta no combate às piores formas de trabalho infantil. Impacta na fiscalização do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), na inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho e também na inserção de aprendizes.”

Denúncias não apuradas

A carência de auditores fiscais do MTE é lamentada por procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT). “Em 2023, já foram mais de 3,5 mil denúncias que chegaram aos órgãos públicos sobre trabalho em condições análogas à escravidão. O atual quadro de auditores torna quase impossível, ou inviabiliza que todas as denúncias sejam fiscalizadas”, reclama o coordenador nacional de Combate ao Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico no MPT, Luciano Aragão Santos.

Aragão assinala que o “prejuízo imediato é dos trabalhadores”, inclusive quando têm direito a benefícios previstos em lei. “O governo concede o seguro-desemprego especial, em três parcelas, para trabalhadores e trabalhadoras resgatados. Mas, para essa liberação, é necessário que o auditor fiscal esteja presente na força-tarefa [que flagra a exploração]. A alternativa, quando eles não estão presentes, é o MPT ajuizar uma ação para liberação judicial de seguro-desemprego. Mas, obviamente, é um processo mais moroso do que a liberação administrativa feita pelo auditor no próprio momento da fiscalização”, explica.

Segundo Aragão, a ausência de auditores nas forças-tarefas pode deixar impunes os empregadores que cometem crimes. “Quando o auditor fiscal não participa, o empregador acaba ficando imune e se livrando de uma série de autos de infração, e uma série de multas administrativas que incidem.”

Novecentas vagas 

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) anunciou que 900 vagas para auditores fiscais do trabalho serão ofertadas em concurso público no primeiro trimestre de 2024. Essa será a carreira com mais vagas no Concurso Nacional Unificado – 13,55% das 6.640 vagas. Como noticiado pela Agência Brasili o edital deve ser publicado em 20 de dezembro.

Na opinião de Aragão, a reposição de 900 auditores “não é suficiente para ter um quadro ideal de fiscais de trabalho.” O presidente do Sinait concorda e calcula que seria necessário contratar um total de 1.727 novos auditores. “Nós temos a expectativa de que, no prazo de validade do concurso, possam ser chamados os excedentes, aqueles aprovados pelo certame e que estão fora do número inicial de vagas”, diz Bob Machado.

A natureza das atividades dos auditores fiscais do trabalho é bem capilarizada nos diversos setores econômicos e em todo território nacional – no meio rural e no meio urbano, em pequenas cidades e em metrópoles. Assim, a distribuição dos futuros concursados é um ponto crítico. “O mundo do trabalho está nos rincões espalhados do Brasil”, pondera Machado, alertando que a má distribuição dos concursados pode inviabilizar o trabalho dos auditores. “Não é possível imaginar que um único auditor conseguiria dar conta de toda a profusão de hospitais, comércios e indústrias de São Paulo”, exemplifica.

De acordo com o secretário de Inspeção do Trabalho do MTE, Luiz Felipe Brandão, a distribuição dos concursados por estado ainda não foi estabelecida. Um grupo de técnicos do ministério está mapeando as áreas com maior deficiência de auditores fiscais e onde se encontram situações mais críticas.

Ele admite que o concurso “não vai repor totalmente” o número de auditores necessários, mas ressalta que o recrutamento pelo certame “é o primeiro passo para caminhar nesse sentido.”

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, o salário inicial de um auditor fiscal do trabalho é de R$ 21 mil.

Fonte: Agência Brasil

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAIS LIDAS