Chuvas desvastaram lavouras de arroz e hortaliças do MST no RS

Das 290 famílias que vivem nos seis assentamentos alagados, apenas 38 conseguiram voltar aos seus lotes

As lavouras que dão ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) o título de maior produtor de arroz orgânico da América Latina submergiram com as enchentes que assolam o Rio Grande do Sul (RS) desde 27 de abril. Somando as áreas dedicadas ao cultivo de arroz orgânico, em transição agroecológica e convencional, o movimento viu 2358 hectares serem tomados pela água.    

Os seis assentamentos atingidos nas cidades de Nova Santa Rita, Guaíba, Taquari e Eldorado do Sul eram também a morada de 870 pessoas, ou 290 famílias. Destas, apenas 38 conseguiram voltar para seus lotes, nos assentamentos Santa Rita de Cássia e 19 de Setembro. 

“As águas estão começando a baixar num nível lento. E os trabalhadores estão voltando aos poucos. Mas os dados são alarmantes ainda”, atesta Maurício Roman, da coordenação nacional do MST do RS.  

As 252 famílias que seguem desalojadas são dos assentamentos Integração Gaúcha (IRGA), Colônia Nonoaiense (IPZ), Sino e Tempo Novo e estão espalhadas entre abrigos e outras comunidades do MST. Não sabem quando vão voltar. Na realidade, nem se voltarão.  

Em nota, o movimento pondera que “apesar de haver um percentual de famílias que retornaram já para seus locais de origem, há outras famílias que não querem mais retornar, assumindo a realidade enquanto refugiados climáticos, cientes da recorrência das enchentes na região”.

De setembro de 2023 para cá, foram três as inundações na região. Não à toa, em março deste ano a tradicional Festa da Colheita do Arroz Agroecológico foi cancelada, dando lugar a um ciclo de debates sobre os impactos da emergência climática na agroecologia.  

A colheita, que não foi realizada na janela agrícola de costume, aconteceria agora. Foi atropelada pelo que já é considerada a maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul.  

O Assentamento Filhos de Sepé em Viamão (RS), que no ano passado sediou a vigésima edição da festa com a inauguração de uma fábrica de bioinsumos, agora é palco da distribuição de alimentos aos atingidos das chuvas.  

Na cozinha solidária recém montada, estão sendo produzidas 1.500 marmitas por dia. Parte delas está indo para as famílias do Assentamento Padre Josino, que apesar de não terem tido suas casas alagadas, estão ilhadas.  

Prejuízo de R$ 17 milhões com perda do arroz 

Duas semanas após o início das enchentes, ao ser questionado sobre a situação da sede da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), o coordenador comercial Nelson Krupinski comentou que as notícias que tinha era de um amigo que tinha conseguido passar na frente de jet ski. A água batia no segundo andar. 

A sede da Cootap, bem como os assentamentos IPZ e IRGA, este último onde estão instalações da produção de arroz do MST, ficaram submersos pelas águas do Guaíba e do rio Jacuí. Estão em Eldorado do Sul, uma das cidades mais afetadas pela tragédia. Nesta sexta-feira (17), a prefeitura anunciou que três a cada quatro moradores da cidade estão desalojados.  

“Nossa extensão de cultivo de arroz é de aproximadamente três mil hectares. Tudo o que não conseguimos colher ficou debaixo d’água”, conta Salete Carollo, da direção estadual do MST no RS. “E ainda corremos o risco de perder o que está nos silos do arroz, por conta da falta de energia”, completa.  

O movimento calcula que o prejuízo do arroz perdido, somado ao que foi gasto como adiantamento em insumos para os produtores, é de R$ 17,6 milhões.  

Quatro metros de água sobre as hortaliças 

Das 200 famílias assentadas do MST dedicadas à produção de hortaliças e frutas na região metropolitana da capital gaúcha, 170 perderam tudo. A destruição da lavoura nesta área de 250 hectares representa, nos cálculos do movimento, cerca de R$ 35 milhões. 

“Todas as nossas hortas ficaram submersas a quatro, seis metros de água. O prejuízo é enorme. É incalculável, porque além de financeiro, tem a relação com nossos clientes das feiras. Nós abastecemos 42 feiras agroecológicas em Porto Alegre”, conta Salete.

Além disso, 95 bovinos morreram e cinco agroindústrias do MST – dedicadas a ovos caipira, panifícios e alimentos diversos da reforma agrária – foram inteiramente devastadas. 

A perda de animais, pastagens, galpões e leite não entregue é estimada em R$ 2,9 milhões. A Cootap informa, ainda, que havia antecipado R$ 8,5 milhões para fomentar agricultores e produtores de leite. Parte deste recurso veio de empréstimos bancários. 

Um cálculo preliminar somando os prejuízos do MST ligados à cadeia produtiva de arroz, hortaliças, frutas, pecuária e avicultura chega ao montante de R$ 64 milhões. 

Lançada na internet, uma campanha de doações às famílias do MST atingidas pelas enchentes atingiu, até o momento, cerca de R$ 267 mil. Saiba aqui como contribuir.  

Ações do governo focadas em crédito 

Questionado sobre medidas do governo federal para apoiar os agricultores familiares, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) elencou três. A primeira é a prorrogação de dívidas com bancos: instituições financeiras estão autorizadas a prorrogar em 105 dias as parcelas de crédito rural.  

A segunda é a liberação de crédito emergencial para agricultores familiares. O governo vai aportar R$ 600 bilhões para subvenção econômica no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). 

Por último, acesso a mercados. “O governo federal libera a comercialização interestadual de produtos de origem animal do Rio Grande do Sul. A medida beneficia muitas agroindústrias familiares, principalmente produtoras de queijos e outros produtos derivados do leite”, afirmou o MDA em nota.

“Outras medidas estão sendo construídas em diálogo constante com demais ministérios e movimentos sociais e devem ser anunciadas nas próximas semanas”, informou a pasta ao Brasil de Fato.  

Ao listar as perdas “com a catástrofe”, Salete Carollo diz que, “o principal de tudo” são as casas. “Nós não temos mais a moradia. A maioria das famílias em Eldorado do Sul, da agrovila, não tem mais como retornar às casas. Ficaram 6, 8 metros debaixo d’água. O telhado apenas que aparecia”, descreve. “É uma reconstrução desde o início”, resume.

Fonte: Brasil de Fato

Em mais um ataque genocida, Israel assassina 35 pessoas, sendo 7 crianças e 9 mulheres

Aviões e tanques israelenses atacaram áreas em toda a Faixa de Gaza, disseram moradores, enquanto o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, se reunia com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, informa a Reuters.

Esperava-se que Sullivan pressionasse para que Israel atacasse os militantes do Hamas de forma direcionada, e não com um ataque em grande escala à cidade de Rafah, no sul de Gaza, disse a Casa Branca antes das discussões

Centenas de milhares de palestinos fugiram da área que era um dos poucos locais de refúgio que ainda restavam.

De acordo com a CNN, o ataque matou 35 pessoas, incluindo sete crianças e nove mulheres, de acordo com o hospital Al-Aqsa Martyrs. O hospital disse que o número de mortos no ataque no campo de Nuseirat aumentou constantemente à medida que mais corpos foram trazidos. Muitas das vítimas morreram na destruição de um conjunto de casas na área. Um vídeo mostrou equipes de defesa civil puxando corpos dos escombros, mas sem equipamento pesado para mover as partes maiores dos destroços.

“Em toda a Faixa de Gaza não há segurança”, disse Majid Omran, que disse à Reuters que sua família fugiu de Rafah e acabou de retornar ao que restou de sua casa na cidade de Khan Younis, no sul, de onde fugiram há quase cinco meses.
“Pegamos nossos filhos, netos e filhas e viemos morar acima dos escombros de nossa casa. Porque não há lugar para nos refugiarmos aqui”, disse Omran à Reuters dentro da propriedade destruída enquanto uma mulher cozinhava no fogo.

As forças israelenses também avançaram mais profundamente nas estreitas vielas de Jabalia, no norte de Gaza, durante a noite e domingo, retornando a uma área que disseram ter limpado no início do conflito, disseram moradores.

Fonte: Brasil 247

Licitação do Exército para internet na Amazônia tem exigências que só Starlink, de Musk, atende

Especialista diz que não faz sentido estabelecer regra que elimine a concorrência sem demonstrar, no edital da licitação, os motivos claros

O Comando Militar da Amazônia, do Exército, abriu uma licitação de R$ 5,1 milhões para aquisição de internet via satélite com exigências que somente a Starlink, empresa de Elon Musk, consegue atender no Brasil.

O edital divulgado pela Força define uma série de parâmetros que eliminam a concorrência e direcionam a contratação, segundo especialistas, empresários e integrantes da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) ouvidos pela Folha.

Os documentos do Exército definem que só seriam aceitas propostas de internet via satélite de baixa órbita com velocidade mínima de 80 megabits de download, 20 megabits de upload e latência (velocidade de envio de pacotes de dados) não superior a 100 milissegundos.

Apesar de sete empresas operarem satélites de baixa órbita no Brasil, somente a Starlink atende a todos os critérios na região amazônica –enquanto outras operadoras conseguem atingir a velocidade, mas não a latência definida no edital.

É o caso da Hughes Telecomunicações do Brasil, que opera no país a constelação de satélites de baixa órbita OneWeb.

A empresa questionou o Exército se seria possível apresentar proposta de serviço de internet que atingisse a velocidade exigida, mas tivesse latência um pouco maior.

“Prezando para maior abertura da concorrência, não atrelando somente a soluções de um único provedor de tecnologia LEO (baixa órbita da terra, em inglês), e valorizando a economicidade do certame, entendemos que soluções de baixa órbita que atendam as especificações de velocidade e franquia, [mas atinjam] latência máxima de até 280 milissegundos […] podem ser consideradas neste certame”, questionou a Hughes no processo.

O Exército negou a solicitação de abertura da licitação.

“Para o dia a dia de uma empresa ou de um órgão público, a diferença da latência de 100 [milissegundos] para 200 faz pouca ou nenhuma diferença”, disse Fabro Steibel, diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade. “Faz muita diferença se você é um gamer ou opera na Bolsa de Valores”.

Ele avalia que não faz sentido definir uma latência máxima que elimine a concorrência sem demonstrar, no edital da licitação, os motivos claros que justifiquem os parâmetros estabelecidos.

“O que me parece é que as exigências estão desrespeitando as regras de proporcionalidade. O quanto você pede tem que ser proporcional ao tanto que você precisa. O Estado precisa justificar por que está restringindo a concorrência”, completou.

Exército se explica

Em nota, o Exército disse que os parâmetros foram definidos após realizar pesquisas de mercado e verificar as suas necessidades operacionais. Serão 104 pontos de instalação de antenas, sendo 64 em lugares fixos e 40 para uso itinerante.

“O uso da tecnologia de comunicação por meio de satélites de baixa órbita tem se mostrado capaz de atender aos requisitos de conectividade das aplicações militares, em particular, na região amazônica e na faixa de fronteira, tais como aplicações de vídeo para acompanhamento de operações em lugares remotos, telefonia IP, videoconferência, acesso a sistemas corporativos administrativos e operacionais”, afirmou a Força.

Ao todo, 13 empresas apresentaram propostas na licitação aberta pelo Comando Militar da Amazônia. Somente três delas são revendedoras autorizadas pela Starlink –uma delas, a Pulsar Brasil, apresentou o menor preço.

As outras dez são micro e pequenas empresas que dizem vender soluções de internet, mas não têm permissão da Starlink para comercializar seus produtos –licença que custa milhões de reais.

“Eu trabalho com Starlink desde o início. Não é autorizado, mas a gente dá um jeito”, disse Cesar Roberto Silva, dono da GMAES Telecom. Sem explicar como consegue fornecer internet da empresa americana, Cesar disse que participou da licitação só para acompanhar a concorrência.

Sócio da empresa Marques Tecnologia, que também participou do pregão, Rogério Claudionor Marques afirmou que o edital só poderia ser atendido por empresas que vendessem antenas da Starlink.

“Do jeito que eles amarraram [o edital], não tem como. Nem as empresas que são detentoras de satélites no Brasil. Naquelas especificações, se não mudar, eu só vejo Starlink”, disse.

Questionado se a empresa dele tem autorização para vender as antenas da Starlink e como forneceria o serviço ao Exército, o empresário afirmou que não poderia responder.

Em nota, a Anatel disse que empresas autorizadas pela agência para atuarem como prestadoras de serviço de banda larga precisam fechar “contrato de provimento de capacidade com a Exploradora de Satélites autorizada no Brasil”.

A Starlink é um projeto de desenvolvimento de satélites da empresa SpaceX. O dono, Elon Musk, se aproximou do Brasil durante o governo Jair Bolsonaro (PL) e tem enfrentado o STF (Supremo Tribunal Federal) contra a regulação e derrubada de perfis em redes sociais.

A empresa de Musk consegue ter o melhor desempenho de velocidade e latência de internet entre as concorrentes por unir uma constelação com grande quantidade de satélites e operá-la em baixa órbita.

São mais de 5.000 satélites da gigante americana orbitando a cerca de 550 km de distância da Terra. A concorrente OneWeb tem cerca de 700 satélites em operação a 1.200 km de altitude, distância que reduz a velocidade de transmissão de dados.

“De fato, o [serviço] da Starlink, no Brasil, tem bastante qualidade. Pode ser que com uma quantidade maior de ativação isso possa reduzir um pouco, mas hoje ela tem maior qualidade de upload e download”, disse Rodolfo Avelino, professor de engenharia do Insper e representante do Comitê Gestor da Internet.

Para ele, mesmo com a qualidade do serviço da Starlink, não há razões para limitar editais de compras públicas –especialmente os ligados à Defesa Nacional.

“Questões de Estado, como nesse edital, deveriam fomentar mais empreendimentos brasileiros e não criar uma situação em que vai ser beneficiada uma empresa de fora e que os recursos não ficarão no nosso território”, afirma.
Fabro Steibel ressalta que, em assuntos militares, usar serviços de telecomunicação estrangeiros é desaconselhado.

“Há um risco nesse negócio. Quando você coloca internet em determinado local, você dá informação para o operador do sistema. Ele vai ver onde está a presença militar, onde está a fragata da Marinha que usa Starlink, quando determinado local está desassistido. Esse tipo de serviço não foi desenhado para ser seguro”, completa.

Fonte: ICL

Inmet alerta para chuvas e riscos de alagamentos e deslizamentos em Maceió e mais 36 cidades de AL

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, neste sábado 18, um alerta laranja de perigo para um acumulado de chuva que deve atingir Maceió e mais 36 municípios de Alagoas. O alerta é válido até o final da manhã deste domingo, 19.  De acordo com o Inmet, a previsão é de que chova de 30mm a 100mm durante esse período. O Inmet chama atenção para os riscos de alagamentos, deslizamentos de encostas e transbordamentos de rios nas cidades onde o relevo é propício para esses eventos.

  • Na noite dessa sexta, 17, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) divulgou um aviso meteorológico  para acumulados de chuva que podem ultrapassar o volume de 60 milímetros. De acordo com o órgão, o aviso é válido principalmente para as regiões da Zona da Mata e Litoral — incluindo a região metropolitana de Maceió, que registrou chuvas contínuas na madrugada deste sábado (18). 

Veja abaixo os municípios listados no alerta:

1. Atalaia
2. Barra de Santo Antônio
3. Barra de São Miguel
4. Boca da Mata
5. Campestre
6. Campo Alegre
7. Colônia Leopoldina
8. Coqueiro Seco
9. Coruripe
10. Feliz Deserto
11. Flexeiras
12. Jacuípe
13. Japaratinga
14. Jequiá da Praia
15. Joaquim Gomes
16. Jundiá
17. Maceió
18. Maragogi
19. Marechal Deodoro
20. Matriz de Camaragibe
21. Messias
22. Murici
23. Novo Lino
24. Paripueira
25. Passo de Camaragibe
26. Penedo
27. Piaçabuçu
28. Pilar
29. Porto Calvo
30. Porto de Pedras
31. Rio Largo
32. Roteiro
33. Santa Luzia do Norte
34. São Luís do Quitunde
35. São Miguel dos Campos
36. São Miguel dos Milagres
37. Satuba

Fonte: TNH1

Regina Duarte acumula advertências por postar fake news sobre governo Lula

Regina Duarte, 77, foi advertida pelo Instagram por compartilhar fake news em relação às enchentes que atingem o Rio Grande do Sul.

Em seu perfil na plataforma, a atriz postou vídeo enganoso sobre a atuação do presidente Lula (PT). Regina Duarte acusou erroneamente o governo federal de rejeitar doações enviadas por Portugal para os gaúchos. A informação foi desmentida por agência de checagem e pelo próprio governo.

Atriz acumula advertências por fake news
Diversas publicações feitas por Regina Duarte já foram marcadas como enganosas pelo Instagram. A plataforma, inclusive, já colocou um alerta para quem tenta seguir o perfil da atriz pelas reiteradas “informações falsas” replicadas por ela.

Lula é o alvo principal das fake news de Regina. Antipetista e apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a artista foi advertida por postar conteúdo enganoso para contestar a vitória de Lula nas eleições de 2022 — o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) chegou a rebater a atriz.

Duarte também replicou a mesma informação falsa que mobilizou os golpistas a depredarem Brasília em 8/1 e teve outro post sobre o mesmo tema em seu perfil no Instagram marcado como falso.

A artista compartilhou fake news sobre Nando Reis. Ela replicou vídeo deturpado com falsas vaias ao cantor durante apresentação no Rock in Rio, em 2022.

Em seu perfil, ela já duvidou que o povo yanomami tenha enfrentado dificuldades durante a gestão Bolsonaro. Além das informações falsas, Regina também publicou ataques a minorias sociais como transexuais e não binários ou a população negra. A disseminação de discursos de ódio é proibida pelas regras do Instagram.

Fonte: Uol

Estimativa aponta mais de 1,4 milhão de vítimas de escravidão moderna em países de língua portuguesa

Representantes de Sistemas de Justiça de diferentes nações debateram desafios para enfrentamento do problema no TST

Por 388 anos, a economia do Brasil foi ligada ao trabalho escravo. Trazidas da África, milhões de pessoas desembarcaram em solo brasileiro para serem submetidas ao trabalho forçado. Em 13 de maio de 1888, foi assinada a Lei Áurea, que aboliu formalmente a escravidão. Em 2024, Portugal, pela primeira vez, reconheceu a culpa pela escravização de povos africanos no período colonial. 

Apesar disso, esse longo e triste episódio de uma história compartilhada por diversos países ainda não teve fim – seja pelas consequências sociais e culturais que reverberam na atualidade, seja pela persistência da submissão de seres humanos ao trabalho forçado – no Brasil e no mundo.  

Esta reportagem aborda como o tema vem sendo tratado em países de língua portuguesa. O conteúdo integra a série especial “Trabalho Decente e Justiça em Países de Língua Portuguesa”, produzida a partir dos debates entre representantes dos sistemas de Justiça de sete nações durante a “1ª Oficina Internacional: Diálogo e Cooperação Sul-Sul de Países da CPLP sobre Justiça do Trabalho”. O evento ocorreu em março deste ano, no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, e contou com representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

Brasil está em 11º no ranking mundial, em números absolutos 

Estima-se que 49,6 milhões de pessoas no planeta estejam submetidas à escravidão moderna – uma a cada 150. A prática é definida como situações de exploração às quais a pessoa não consegue se negar ou das quais não consegue sair em razão de ameaças, violência e coerção. Os números são do Global Slavery Index de 2023, elaborado pela Walk Free, grupo internacional de direitos humanos focado na erradicação do problema.  

O Brasil ocupa o 11º lugar no ranking mundial dos países com maior número absoluto de vítimas, com um total estimado de 1,05 milhão de pessoas. Quando considerados os países de língua portuguesa analisados pela Walk Free, o Brasil é o terceiro com a maior incidência de casos (número de vítimas a cada 1.000 pessoas). Juntos, esses países somam mais de 1,4 milhão de vítimas.

Tabela de prevalência da escravidão moderna em países de língua portuguesa - pessoas a cada mil habitantes: Angola 4,1 (total 136 mil), Brasil 5 (total 1,05 milhão), Moçambique 3 (total 93 mil), Guiné-Bissau 4,5 (total 9 mil), Portugal 3,8 (total 39 mil), Timor-Leste 6,1 (total 8 mil) e Guiné Equatorial 7,8 (total 11 mil)

Dados do Relatório Lucros e pobreza: aspectos econômicos do trabalho forçado, divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em março de 2024, revelam que o trabalho escravo tem gerado lucros de US$ 236 milhões por ano na economia privada.

Exploração amplia disparidades socioeconômicas

O trabalho análogo à escravidão é uma manifestação extrema da desigualdade e da injustiça social que perpetua e amplia as disparidades socioeconômicas ao explorar as pessoas mais vulneráveis e marginalizadas, independentemente de raça, idade, cor ou gênero. Ele as priva de sua dignidade e autonomia, negando-lhes o direito básico de escolher onde e como trabalhar. 

Muitos se sujeitam a essa situação pela falta de oportunidades e se calam por medo de, ao denunciarem, colocarem sua integridade física e emocional em risco. 

Angola e o desafio da denúncia

Pedro Joaquim Ngola, procurador-geral adjunto de Angola, reconhece que um dos grandes desafios no país é fazer com que os trabalhadores denunciem. “Eles  são silenciados pelo medo de  uma retaliação ou pela perda do emprego”, explica. “Outro desafio é o reforço nos  mecanismos de fiscalização pelas entidades públicas”.

Como instrumento eficaz para combater e dar visibilidade ao problema, Pedro Ngola lembra o resgate de uma jovem, em Luanda, fruto de denúncia nas redes sociais. Confira:

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Guiné-Bissau e o combate ao tráfico de pessoas

Aimadú Sauane, juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça de Guiné-Bissau, relata que, em seu país, a Lei 12/2011 visa prevenir e combater o tráfico de pessoas, em particular mulheres e crianças. A norma impõe sanções penais de três a 15 anos de prisão para quem “recrutar, fornecer, transportar, acolher uma pessoa para fins de prostituição, trabalho forçado, escravidão, servidão involuntária ou por dívida”. Segundo ele, essa evolução legal está pautada na dignificação do homem e na consequente luta contra o trabalho forçado. “Apesar dos esforços empreendidos, este ainda é um grande problema mundial e  a solução também tem  que ser global”, assinala.

Homens de baixa escolaridade são principais vítimas no Brasil

Dados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas mostram que, entre 1995 e 2023, 631.035 pessoas foram resgatadas de condições de trabalho análogas à escravidão no Brasil. Somente em 2023, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 3.190 trabalhadores nessa situação, o maior número dos últimos 14 anos. 

Historicamente, homens jovens, com baixa escolaridade ou analfabetos são as principais vítimas, conforme o Balanço de 2020 da Atuação da Inspeção do Trabalho no Brasil, da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Escravização de mulheres e trabalho doméstico

Enfrentar a invisibilidade de mulheres sujeitas ao trabalho análogo à escravidão em ambientes domésticos é um dos desafios no Brasil. Segundo Luciana Conforti, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), é preciso falar sobre o tema cada vez mais, pois as políticas públicas ainda não são estruturadas com base em questões de gênero e raça. Isso, a seu ver, torna ainda mais obscuros os contornos da escravização feminina, que, reforçada por uma questão cultural,   muitas vezes começa na infância. 

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Entre 2017 e 2022, 54 pessoas foram resgatadas dessa situação, de acordo com o MTE. Em abril, a pasta atualizou o cadastro de empregadores que submetem trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “Lista Suja”. Dos 248 novos registros, 43 se referem ao ambiente doméstico.  

Pena para o crime é de reclusão de dois a oito anos

O artigo 149 do Código Penal define os elementos que caracterizam a redução de um ser humano à condição análoga à de escravo: a submissão a trabalhos forçados, a jornadas exaustivas ou a condições degradantes de trabalho e restrição, por qualquer meio, de sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou seu preposto. A pena para o crime é de reclusão de dois a oito anos e multa, além da pena correspondente à violência. 

A Convenção 29 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), proposta em 1930 e ratificada pelo Brasil, define como forçado o trabalho em que a pessoa não pode decidir livremente se aceita a atividade. O país, contudo, ainda não ratificou o Protocolo de 2014 à Convenção 29, que proíbe todas as formas de escravidão e atua em três níveis: prevenção, proteção e reabilitação das vítimas.

Atuação da Justiça do Trabalho 

De acordo com o juiz do trabalho Otávio Bruno Ferreira, do TRT da 8ª Região (AP/PA), apesar de o país contar com uma legislação avançada, esse ainda é um problema de grande violação dos direitos humanos. Por isso, no ano passado, a Justiça do Trabalho lançou o Programa de Enfrentamento ao Trabalho Escravo, ao Tráfico de Pessoas e de Proteção ao Trabalho do Migrante, que tem por objetivo desenvolver ações permanentes para a erradicação desse cenário. 

O juiz explica que o programa, entre outras ações, deverá elaborar um protocolo que oriente a atuação da magistratura do trabalho em casos que envolvam trabalho análogo ao escravo. “Isso contribuirá para um julgamento justo, com uma escuta qualificada e acolhedora”, afirma. “É preciso levar em consideração que não é um processo que apenas envolve o pagamento de verbas rescisórias, mas também a grave violação dos direitos humanos”.

Desde junho de 2020, a primeira instância da Justiça do Trabalho julgou mais de 25,5 mil processos sobre o tema, segundo o Monitor de Trabalho Decente da Justiça do Trabalho

Como denunciar

Caso você vivencie ou tome conhecimento de alguma situação que caracterize o trabalho análogo à escravidão, não hesite em denunciar.  As denúncias podem ser feitas de forma on-line com garantia de sigilo. Veja onde denunciar:

Fonte: TST

INSUBSTITUÍVEIS

Flávio Show – Funcionário dos Correios

Maceió, 19 de Maio de 2024

Para o amigo do “Amigão”, o My friend, a resenha semanal será em outro plano, muito bem acompanhado pelos monstros da rádio.

“Olho no lance!” A tragédia no Rio Grande do Sul fez milhares de vítimas que estão desabrigadas, desalojadas ou sem vida, além disso essa catástrofe criou os maiores salva-vidas, fanfarrões que procuram likes e fama nas redes, Pablo Marçal, Nego Di, Michele Dias, Regina Duarte, entre outros.

Entre os ” Arquibaldos e Geraldinos” existe uma diferença muito grande sobre a atuação do Governo Lula na tragédia, enquanto Lula tá dando um “chocolate” nos problemas causados pela chuva, parte da torcida finge não ver e parece que assiste tudo de dentro do fosso. E aí, “o que foi que só você viu?”

Passadas três semanas em que o Rio Grande do Sul está submerso, a Direitinha Golpista, enfim descobriu a tragédia. Vimos essa semana Eduardo Bolsonaro e o Caluxo passeando de jet ski com direito à filmagens em 4k e postagens de “ajuda” nas redes sem ao menos molhar o dedo mínimo ou um fio de cabelo. Esse teatro aquático serve apenas “Para explodir ponte de safena” daqueles que estão ajudando realmente.
“Olha o Bambu”

Eduardo Leite “Desandou a maionese”, tá perdido diante das enchentes, tem feito pouco e dito muita bobagem, dentre elas, pedir que o volume de doações está atrapalhando o comércio local, mas qual comércio Governador? Junto com essa fala indecente, a jornaleira da Globonews Eliane Catanhede estava ao vivo dizendo que sabia como os gaúchos estavam se sentido ao perderem suas casas pela chuva, pois ela teve uma experiência semelhante, suas jóias foram roubadas em sua casa
Oi? Para tudo ” O que eu vou dizer lá em casa?”

“Pelas barbas do profeta”, digo pelas barbas do Barba. O Rio Grande do Sul tem assistido um trabalho irretocável de assistência do Governo Lula durante a situação dramática vivida pelos irmãos gaúchos. Lula não leva apenas doações, apenas investimos, apenas auxílios, ele leva o que tem de sobra, solidariedade e muito amor e Lula só vai ficar “Feliz igual pinto no lixo” quando todos os atingidos tenham suas casas de volta, tenham suas vidas de volta à normalidade.
Espero que em 2026 quando perguntados, os gaúchos digam sem titubear quem reconstruiu o estado e eles respondam:”Foi,foi, foi ele, o craque da camisa número 13″

Essa Reflexão homenageia os mestres Arivaldo Maia, Apolinho, Silvio Luiz e Antero Greco

Reflexões* Flávio Show 2024 , ano 04 – Edição 180

A África do Sul apresenta em Haia provas da violação da Convenção de Genocídio por Israel

O Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) está realizando audiências esta semana sobre o processo aberto pela África do Sul, acusando Israel de genocídio em sua guerra em Gaza e buscando uma interrupção emergencial de sua ofensiva em Rafah.

A África do Sul pediu hoje ao Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) que exija que Israel cesse sua invasão terrestre da cidade de Rafah, no extremo sul de Gaza, onde vivem mais de 1,4 milhão de palestinos deslocados.

O professor Vaughan Lowe, representando a África do Sul, enfatizou que as ações de Israel em Rafah fazem parte de um esforço conjunto para destruir totalmente Gaza.

Ele também observou que, embora Rafah tenha motivado a apelação da África do Sul à Corte, todos os palestinos, como um grupo étnico e racial nacional, precisam de proteção contra um possível genocídio por meio de medidas ordenadas pela Corte.

Em resposta às afirmações de Israel de que está minimizando as baixas civis e negando os relatos de fome em Gaza, Lowe acrescentou: “Este é o último passo na destruição de Gaza e de seu povo palestino. Não há nenhum argumento confiável de que essa catástrofe não seja real”.

Além disso, o professor John Dugard lembrou a Corte de sua determinação anterior em janeiro, alertando sobre uma terrível crise humanitária em Gaza que agora apresenta riscos ainda maiores.

Ele disse: “É difícil imaginar que a situação possa piorar. Mas, infelizmente, piorou”.

Dugard destacou os avisos dos líderes globais de que um ataque a Rafah forçaria mais palestinos deslocados “para partes ainda menos hospitaleiras de Gaza, sem comida, água, abrigo e hospitais adequados, o que teria consequências desastrosas. Israel não deu atenção a esse aviso”, disse ele.

Além disso, Adila Hassim, uma advogada da delegação, falou sobre o que ela descreveu como “conduta genocida” em Gaza.

Ela compartilhou que “durante a semana passada, enquanto nossos olhos e nossa atenção estavam voltados para os atos horríveis que ocorriam em Gaza, os tanques israelenses entraram novamente no norte de Gaza, uma área que Israel informou ter liberado há muitos meses”.

“Em 11 de maio”, disse ela, “Israel ordenou ordens de evacuação de 22 bairros em Jabalya, no norte de Gaza, e pelo menos 100.000 pessoas no norte foram forçadas a fugir de suas casas devastadas. No mesmo dia das ordens de evacuação, Israel iniciou o ataque implacável ao norte de Gaza, matando famílias palestinas em suas casas.”

Hassim enfatizou ainda a paralisação deliberada da infraestrutura médica de Gaza, uma catástrofe humanitária orquestrada por Israel por meio de uma estratégia “coordenada” de ataques repetidos e bloqueio da entrada de alimentos e ajuda no enclave, impedindo que os doentes crônicos e feridos busquem assistência médica fora dele.

Como resultado da ofensiva militar de Israel, 1,7 milhão de civis – mais de 75% da população de Gaza – foram deslocados à força, e os civis enfrentam níveis catastróficos de fome e privação devido à restrição de Israel ao acesso a itens essenciais básicos.

Israel deve apresentar sua resposta amanhã, o último dia da audiência preliminar. O governo israelense rejeitou a acusação e reiterou seu compromisso com a lei internacional, classificando o caso da África do Sul como “totalmente infundado” e “moralmente repugnante”.

Gilad Erdan, embaixador de Israel nas Nações Unidas, declarou na quarta-feira à Rádio do Exército Israelense que o curto prazo para as audiências da Corte significava que não havia tempo suficiente para uma preparação jurídica adequada.

Embora as decisões do TIJ sejam obrigatórias e definitivas, a Corte não tem como aplicá-las. Uma decisão contra um país é vista como um dano à sua posição internacional e como o estabelecimento de um precedente legal.

Fonte: Monitor do Oriente

Moraes derruba resolução do CFM que dificulta o direito ao aborto legal

Para o ministro, Conselho passou por cima da lei e da Constituição ao impedir o procedimento da “assistolia fetal” na interrupção da gravidez acima de 22 semanas, impedindo assim abortos permitidos por lei

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta sexta-feira (17) a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que, na prática, dificulta o acesso ao aborto legal. Trata-se da proibição da “assistolia fetal” na interrupção da gravidez acima de 22 semanas.

Recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para casos de aborto legal acima de 22 semanas, o procedimento consiste em uma injeção que induz a parada do batimento do coração do feto antes de ser retirado do útero da mulher.

Moraes atendeu pedido do Psol, que recorreu ao Supremo argumentando que ao proibir o procedimento a partir das 22 semanas, a norma impõe barreiras que não estão previstas na lei e nem na Constituição. A regra também violaria direitos como o da saúde, livre exercício da profissão e a dignidade da pessoa humana. A decisão tem validade até que o plenário da Corte analise a legalidade da norma estabelecida pelo CFM. O tema começará a ser julgado no plenário virtual a partir de 31 de maio.

Em sua decisão, o ministro considerou haver indícios de que a edição da resolução foi além dos limites da legislação. “Verifico, portanto, a existência de indícios de abuso do poder regulamentar por parte do Conselho Federal de Medicina ao expedir a Resolução 2.378/2024, por meio da qual fixou condicionante aparentemente ultra legem para a realização do procedimento de assistolia fetal na hipótese de aborto decorrente de gravidez resultante de estupro”, considerou.

CFM distante de padrões científicos, diz Moraes em decisão

Ainda segundo a decisão, ao limitar o procedimento médico, “o Conselho Federal de Medicina aparentemente se distancia de standards científicos compartilhados pela comunidade internacional, e, considerada a normativa nacional aplicável à espécie, transborda do poder regulamentar inerente ao seu próprio regime autárquico, impondo tanto ao profissional de medicina, quanto à gestante vítima de um estupro, uma restrição de direitos não prevista em lei, capaz de criar embaraços concretos e significativamente preocupantes para a saúde das mulheres”, completou.

Moraes também determinou que o Conselho preste informações à Corte em 10 dias e que a Procuradoria-Geral da República e a Advocacia-Geral da União se manifestem sobre o caso em 5 dias.

A resolução do CFM havia sido suspensa em abril na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, a pedido do Ministério Público Federal (MPF) e da Sociedade Brasileira de Bioetica (SBB) e o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes). Dias depois, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região derrubou a decisão, restabelecendo a aplicação da norma.

Fonte: Rede Brasil Atual

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