Israel usa fome como ‘método de guerra’ na Faixa de Gaza

Alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk alerta para o fato de que o estado sionist de Israel usar a fome como um “método de guerra” na Faixa de Gaza, ao obstruir a entrada da assistência humanitária no enclave.

A fome agora está iminente no norte de Gaza devido às hostilidades atuais e ajuda humanitária limitada, e pode ocorrer a qualquer momento entre meados de março e maio, de acordo com um relatório da iniciativa Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar (IPC) da ONU, publicado nesta segunda-feira (18).

“O bloqueio de 16 anos de Israel a Gaza já teve um impacto severo sobre os direitos humanos da população civil, deixando a economia local devastada e criando uma dependência da ajuda. A extensão das restrições contínuas de Israel à entrada de ajuda em Gaza, juntamente com a maneira como continua a conduzir hostilidades, pode equivaler ao uso da fome como método de guerra, que é um crime de guerra”, disse Turk em um comunicado.

O alto comissário da ONU apelou que a fome iminente projetada no enclave fosse evitada.

“A situação de fome, inanição e fome extrema é resultado das extensas restrições de Israel a entrada e distribuição de ajuda humanitária e bens comerciais, deslocação da maioria da população, bem como a destruição de infraestruturas civis cruciais”, ressalta a nota.

No dia 7 de outubro de 2023, o movimento palestino Hamas lançou um ataque de foguetes em grande escala contra Israel a partir de Gaza e rompeu a fronteira, matando 1.100 pessoas e raptando cerca de outras 240. Israel lançou ataques retaliatórios, ordenou um bloqueio total de Gaza e iniciou uma incursão terrestre no enclave palestino com o objetivo declarado de eliminar os combatentes do Hamas e resgatar os reféns. Mais de 31.600 pessoas foram mortas até agora na Faixa de Gaza, segundo as autoridades locais.

Redação com Sputnik

Projeto gerenciado pela Ufal busca reaproveitar resíduos de demolição do Pinheiro

Com o objetivo de analisar a viabilidade do reaproveitamento dos resíduos de demolição das edificações no bairro do Pinheiro, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com o apoio da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes), está desenvolvendo o projeto Viabilidade de Aproveitamento dos Rejeitos de Demolição.

De acordo com a coordenadora do projeto, a professora e engenheira civil Karoline Moraes, a identificação de onde e como utilizar os resíduos é um ganho ambiental importante, pois evita o descarte irregular e reduz o consumo de recursos naturais, que são substituídos pelos materiais reciclados.

“Além disso, poderão ser produzidos elementos para serem utilizados em edificações, atividades de urbanização e drenagem, em camadas de pavimento, e em situações onde é necessária a remoção de poluentes, contribuindo efetivamente com algumas necessidades importantes da sociedade”, completa.

A Fundepes realiza o gerenciamento administrativo e financeiro do projeto, financiado pela Braskem, e realoca os recursos necessários para a compra dos materiais e equipamentos usados nas atividades de pesquisa. Também faz o acompanhamento dos recursos humanos envolvidos no projeto, por meio das contratações de pessoal e gerenciamento das bolsas.

O projeto está dividido em algumas sublinhas: produção de misturas cimentícias para materiais e elementos construtivos, como argamassas e concretos, para fins de urbanização, saneamento básico e moradias; uso em camadas de sub-base ou reforço do subleito, em substituição aos materiais convencionalmente utilizados, com enfoque em vias de circulação; produção e caracterização de materiais adsorventes para a remoção de poluentes emergentes. Procuram, ademais, mensurar indicadores referentes à relação da sociedade com o meio ambiente de modo a subsidiar a tomada de decisão.

No total, participam dez professores da Ufal das Unidades Acadêmicas Centro de Tecnologia (CTEC) e Instituto de Física (IF), campus Maceió, e da Unidade Acadêmica de Penedo, campus Arapiraca, e cinco servidores técnicos. Também atuam treze discentes bolsistas e outros discentes colaboradores, estudantes dos cursos de graduação em Engenharia Civil, Engenharia Ambiental e Sanitária e Engenharia Química, bem como pós-doutorandos, mestrandos e doutorandos dos programas de Pós-graduação em Engenharia Civil – PPGEC, Pós-graduação em Engenharia Química – PPGEQ e Pós-graduação em Recursos Hídricos e Saneamento – PPGRHS.

Por Assessoria de Comunicação

PF indicia Bolsonaro, Cid e mais 15 por fraude em certificados de vacinas e associação criminosa

Presidente Jair Bolsonaro na saída do Palácio do Alvorada 05/05/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino

Segundo a Polícia Federal, os investigados teriam inserido dados falsos em sistema público para emitir o certificado de vacinação para viajar aos EUA. O ex-presidente, conforme destaca a corporação, tinha ciência da fraude

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid e mais 15 pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal por fraude no certificado de vacinação contra a covid-19 e associação criminosa. De acordo com a PF, Bolsonaro e seu grupo de aliados inseriram dados falsos no Conecte SUS Cidadão – aplicativo do Ministério da Saúde – para obter vantagens ilícitas. Eles são acusados de associação criminosa e de inserção de dados falsos em sistema público de informações.

No primeiro caso, a tipificação criminal prevê pena de 1 a 3 anos de prisão. Já no segundo, os acusados podem responder por 2 a 12 anos. O tenente-coronel e o deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ) foram indiciados pelos dois crimes. Cid também foi denunciado por uso indevido de documentos falsos. Além do trio, o inquérito da investigação, parcialmente divulgado pelo g1 nesta segunda-feira (19), também indicia a esposa do ex-ajudante de ordens, assessores e militares, como ex-major do Exército Ailton Gonçalves Barros.

Confira todos os nomes:

  • Gabriela Santiago Cid, esposa da Mauro Cid;
  • Gutemberg Reis de Oliveira, deputado federal (MDB-RJ)
  • Luis Marcos dos Reis, sargento do Exército que integrava a equipe de Mauro Cid;
  • Farley Vinicius Alcântara, médico que teria emitido cartão falso de vacina para a família de Cid;
  • Eduardo Crespo Alves, militar;
  • Paulo Sérgio da Costa Ferreira
  • Ailton Gonçalves Barros, ex-major do Exército;
  • Marcelo Fernandes Holanda;
  • Camila Paulino Alves Soares, enfermeira da prefeitura de Duque de Caxias;
  • João Carlos de Sousa Brecha, então secretário de Governo de Duque de Caxias;
  • Marcelo Costa Câmara, assessor especial de Bolsonaro;
  • Max Guilherme Machado de Moura, assessor e segurança de Bolsonaro;
  • Sergio Rocha Cordeiro, assessor e segurança de Bolsonaro;
  • Cláudia Helena Acosta Rodrigues da Silva, servidora de Duque de Caxias;
  • Célia Serrano da Silva

Com o indiciamento, a processo segue agora para deliberação do Ministério Público Federal, a quem compete decidir se uma denúncia será apresentada ou se o caso será arquivado.

Entenda as investigações

A PF investiga a atuação de uma “associação criminosa constituída para a prática dos crimes de inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas SI-PNI e RNDS do Ministério da Saúde”. Os investigadores apontam que os acusados teriam realizado as inserções falsas entre novembro de 2021 e dezembro de 2022 para que os beneficiários pudessem emitir certificado de vacinação para viajar aos Estados Unidos.

Dias antes de Bolsonaro embarcar ao país, em dezembro de 2022, às vésperas de deixar o mandato, os dados falsos foram inseridos para que sua entrada fosse admitida, uma vez que os EUA exigiam o comprovante de vacinação. A PF explica que, com isso, os investigados “puderam emitir os respectivos certificados de vacinação e utilizá-los para burlarem as restrições sanitárias vigentes, impostas pelos poderes públicos (Brasil e Estados Unidos) e destinadas a impedir a propagação de doença contagiosa, no caso, a pandemia de Covid-19”, diz a PF.

Ainda segundo a Polícia Federal, o ex-presidente tinha ciência da fraude no sistema do Ministério da Saúde. De acordo com o inquérito foram forjados dados de vacinação de pelo menos sete pessoas. Além do ex-mandatário, o de sua filha Laura, na época com 12 anos, o de Mauro Cid e sua esposa e três filhas. Os registros tinham uma série de inconsistências. Eles indicam, por exemplo, que as filhas do ex-ajudantes de ordens tinham recebido a primeira dose da vacina quando sequer havia começado a campanha de imunização para crianças e adolescentes.

Inconsistências nos registros

Em janeiro, conforme reportou a RBA, a Controladoria-Geral da União (CGU) também concluiu haver fraude no cartão do ex-presidente devido a “inconsistências no registro”. No cartão nacional de vacinação havia um registro de 19 de julho de 2021, na Unidade Básica de Saúde (UBS) Parque Peruche, na zona norte da cidade de São Paulo. “No entanto, outros dois registros de imunização, que teriam se dado em Duque de Caxias (RJ), haviam sido efetuados por agentes municipais, mas cancelados antes mesmo do início das investigações pela CGU”, apontou o órgão.

  • À PF, Bolsonaro negou em depoimento que tenha orientado a falsificação do certificado. Em maio de 2023, o ex-presidente disse que “jamais se vacinou, que desconhecia toda e qualquer iniciativa para eventual falsificação, inserção, adulteração no seu cartão de vacinação bem como de sua filha”. O ex-mandatário alegou ter tido conhecimento do cartão falso de vacinação apenas no dia que foi deflagrada a operação que prendeu Cid e da qual ele também foi alvo de busca e apreensão.

O ex-ajudante apresentou, no entanto, outra versão em delação à Polícia Federal. Segundo ele, Bolsonaro ordenou fraudes em certificados de vacina. O indiciamento desta segunda é resultado de uma ação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em maio de 2023, dentro do inquérito das milícias digitais.

Fonte: Rede Brasil Atual

Médica bolsonarista é acusada de dar falso diagnóstico de câncer para lucrar com cirurgias

A médica Carolina Biscaia Carminatti, 35 anos, enfrenta 22 acusações de pacientes em Pato Branco, Paraná, por supostamente aplicar golpes com falsos diagnósticos de câncer de pele. As vítimas relatam prejuízos de até R$ 13 mil, além de cicatrizes e traumas decorrentes de procedimentos cirúrgicos desnecessários. Caso acusada, ela poderá responder por estelionato, lesões corporais e falsificação de documentos.

Os relatos das vítimas surgiram após descobrirem, posteriormente, que os diagnósticos de câncer fornecidos por Biscaia eram falsos, gerando exposição física e psicológica. O número de denúncias aumentou com a repercussão do caso, com pessoas afirmando terem perdido entre R$ 5 mil e R$ 13 mil em procedimentos cirúrgicos fraudulentos. A polícia realizou busca e apreensão no consultório da médica, recolhendo dispositivos eletrônicos e documentos para investigação.

As vítimas alegam que, sob pressão da profissional, eram coagidas a pagar os altos custos dos procedimentos imediatamente, em dinheiro ou cartão, mesmo questionando sobre a possibilidade de cobertura pelo plano de saúde. Carolina Biscaia realizava as cirurgias e pressionava os pacientes a aceitarem os tratamentos, sob a justificativa de urgência devido aos supostos diagnósticos de câncer.

Os danos físicos e psicológicos relatados pelas vítimas incluem cicatrizes permanentes e traumas emocionais. Algumas precisaram de pontos sem necessidade, enquanto outras desenvolveram grandes cicatrizes. O advogado das vítimas destaca a gravidade das consequências psicológicas, especialmente considerando o impacto emocional de receber um falso diagnóstico de câncer. O inquérito policial está em fase final, aguardando possíveis novas vítimas surgirem.

Fonte: DCM

Lula detona Bolsonaro e seu plano golpista: “covardão”

Na abertura da primeira reunião ministerial de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o plano de golpe só não se concretizou por falta de adesão de membros das Forças Armadas e porque o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “era um covardão”.

“O governo anterior, como vocês sabem, nunca se preocupou em governar esse país, nunca se preocupou com a economia, com políticas de inclusão social. Ele se preocupava em estimular o ódio entre as pessoas, mentiras – e continua do mesmo jeito. E nós hoje temos mais clareza do significado do 8 de janeiro [de 2023], porque a gente já sabe o que aconteceu no mês de dezembro”, iniciou o petista.

Lula ainda disse que o país correu sério risco de golpe: “Hoje a gente tem clareza, por depoimentos de gente que fazia parte do governo dele ou que estava no comando das Forças Armadas, de gente que foi convidada pelo presidente para fazer um golpe. Então se há três meses, quando a gente falava em golpe, parecia apenas insinuação, hoje nós temos certeza que esse país correu sério risco de ter um golpe em função das eleições de 2022”.

Em seguida, o chefe do Executivo afirmou que Bolsonaro não teve coragem de executar aquilo que planejou, ficou chorando quase um mês no Palácio do Planalto, em Brasília, e preferiu fugir para os Estados Unidos na expectativa de que algo pudesse acontecer.

“E não teve golpe não só porque algumas pessoas que estavam no comando das Forças Armadas não quiseram fazer, não aceitaram a ideia do presidente, mas também porque o presidente é um covardão. Ele não teve coragem de executar aquilo que planejou”, disparou.

“Ele ficou aqui no Palácio chorando quase um mês e preferiu fugir para os Estados Unidos em vez de fazer o que havia prometido, na expectativa de que, fora do país, o golpe pudesse acontecer. Eles financiaram pessoas na porta dos quartéis para tentar estimular a sequência do golpe.”

Fonte: DCM

Tropas de Israel invadem hospital em Gaza, causam incêndio e deixam diversas vítimas

Em mais um crime de guerra, tropas israelenses promove ataque que causou várias vítimas e provocou um incêndio intenso em um dos prédios. Local abriga centenas de civis.

Soldados israelenses invadiram o complexo do Hospital Al Shifa, em Gaza, na madrugada de segunda-feira, em uma operação que, segundo as autoridades de saúde palestinas, causou várias vítimas e provocou um incêndio intenso em um dos prédios.

Os militares israelenses disseram que os soldados conduziram uma “operação precisa” com base na informação de que o hospital estava sendo usado por líderes seniores do Hamas, e foram alvejados quando entraram no complexo.

Al Shifa, o maior hospital da Faixa de Gaza antes da guerra, é agora uma das únicas instalações de saúde que está parcialmente operacional no norte do território, e também está abrigando centenas de civis deslocados.

“De repente, começamos a ouvir sons de explosões, vários bombardeios, e logo os tanques começaram a manobrar, eles vieram da via ocidental e seguiram em direção a Al Shifa, depois os sons de tiros e explosões aumentaram”, disse à Reuters Mohammad Ali, de 32 anos, pai de dois filhos, que mora a cerca de um quilômetro do hospital, por meio de um aplicativo de bate-papo.

O Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas, disse que um incêndio começou na entrada do complexo hospitalar, causando casos de sufocamento entre mulheres e crianças que se abrigavam no hospital. Afirmou que a comunicação foi interrompida, com as pessoas presas dentro das unidades de cirurgia e emergência de um dos prédios.

“Há vítimas, incluindo mortos e feridos, e é impossível resgatar qualquer pessoa devido à intensidade do fogo e à mira de quem se aproxima das janelas”, disse o ministério.

O Hamas declarou em um comunicado que os militares israelenses cometeram um novo crime ao atacar diretamente os prédios do hospital sem se preocupar com os pacientes, a equipe médica ou os desabrigados que lá se encontravam.

Redação com Brasil 247

Juiz que comprou carros de luxo em leilão para revender é premiado com aposentadoria compulsória

Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região fixou pena de aposentadoria compulsória.

O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), sediado em Porto Alegreafastou um juiz que comprou carros de luxo em leilões da Justiça para revender o veículo posteriormente.

Atos de comércio são vedados para juízes, de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura. A decisão, tomada no dia 1º de março, determinou que o magistrado deverá cumprir a pena de aposentadoria compulsóriaEntenda mais abaixo.

A medida só será aplicada após o trânsito em julgado da ação, ou seja, quando se esgotarem as possibilidades de recurso. O juiz Guilherme da Rocha Zambrano recorreu da decisão.

g1 procurou o advogado Amir Sarti, que representa Zambrano, por telefone e e-mail, mas não recebeu retorno até a atualização mais recente desta reportagem.

Um dos leilões foi promovido pela Vara do Trabalho de Sapiranga em março de 2022. O juiz arrematou uma caminhonete Land Rover Evoque, modelo 2012/2013, por R$ 98 mil.

Segundo o TRT4, o magistrado também participou de outros leilões na mesma época, adquirindo um Audi A5 para a esposa, cedendo um Toyota Corolla para o irmão e um Nissan Frontier para a tia.

“Verifica-se que os veículos foram adquiridos pelo Magistrado para venda, sem o que a sociedade não se capitalizaria, tampouco cumpriria seu objeto social, que envolve a venda de veículos”, diz o relatório, assinado pela desembargadora Ana Luiza Heineck Kruse.

Juiz há cerca de 17 anos, Zambrano foi afastado imediatamente do cargo de maneira cautelar, sem prejuízos ao vencimento, até a efetivação da aposentadoria compulsória. Confirmada a aposentadoria, o juiz receberá vencimentos proporcionais ao tempo de serviço e contribuição.

Segundo o TRT4, um juiz trabalhista na ativa ganha R$ 37.731,80.

Julgamento

O Órgão Especial do TRT4 considerou que o juiz praticou atos de comércio e constituiu sociedade como sócio, o que é proibido.

Como os automóveis adquiridos foram listados como parte do capital social da sociedade da qual o juiz fazia parte, foi configurada a prática de atos de comércio – o que motivou a aposentadoria compulsória.

No processo, Zambrano se defendeu, dizendo que a compra do veículo ocorreu para uso pessoal e não para a sociedade da qual fazia parte.

Além disso, Zambrano foi punido com pena de censura por participar de leilões promovidos pela Justiça do Trabalho e por utilizar um certificado digital em atividades privadas.

O juiz ainda alegou que não atuava na cidade onde foi promovido o leilão e que, portanto, poderia participar dos certames da Justiça do Trabalho. No entanto, a relatora do julgamento sustentou que a autoridade dos magistrados se estende por toda a jurisdição do tribunal, não só à comarca em que um juiz trabalha.

Fonte: G1

Gilmar Mendes: “Lava Jato terminou como uma organização criminosa”

Nos 10 anos do início da operação, ministro diz que saldo foi negativo

Em seu gabinete, na cobertura do prédio anexo do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes despacha cercado de fotos com jogadores e personalidades do futebol brasileiro. Os livros jurídicos dividem espaço nas paredes com bolas, troféus, medalhas e dezenas de camisetas de times autografadas. “Pelezista” declarado, o ministro também ostenta diversos quadros com fotos tiradas ao lado do eterno Camisa 10 da seleção brasileira.

Decano do STF, com 22 anos de toga, Mendes recebeu as equipes da Agência Brasil e da TV Brasil nesse espaço depois das 20h de uma terça-feira. Ainda terminava seu jantar, na mesma mesa de reuniões usada para o trabalho, mas não se perturbou ao perceber a entrada de jornalistas e da equipe de imagem. “Tudo bem, como vai?”, cumprimentou, antes de retomar a refeição.

Pouco avesso a sorrisos, como de costume, retirou-se para uma sala anexa após o jantar para, minutos depois, retornar para a entrevista. Sentou-se calmamente na cadeira de seu gabinete, já sabedor do tema da conversa.

A história acabou por lhe dar razão, após ser criticado nos primeiros anos de Operação Lava Jato. E foi assim que discorreu sobre o tema, com a tranquilidade de quem não se perturbou diante dos mitos e heróis sem capa surgidos durante esse período. Essas mesmas figuras seriam destronadas com o passar do tempo.

início da operação completa dez anos neste domingo, dia 17 de março e, para o ministro, o balanço é “marcadamente negativo”. Em sua opinião, a única lição aprendida pelo país foi a de não combater o crime praticando outros crimes. Gilmar Mendes afirma ter sido ele a primeira voz a se levantar contra os abusos da operação, como as prisões alongadas em Curitiba e as delações inconsistentes.

O ministro estabelece uma relação contraditória entre a Lava Jato e as atividades que a operação buscava combater.

“Na verdade, a Lava Jato terminou como uma verdadeira organização criminosa, ela envolveu-se em uma série de abusos de autoridades, desvio de dinheiro, violação de uma série de princípios e tudo isso é de todo lamentável”.

Durante a operação, Gilmar Mendes foi figura central em decisões importantes para os rumos da Lava Jato. Entre elas, a que declarou a incompetência da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba e anulou as ações penais contra Luiz Inácio Lula da Silva. O magistrado também votou para considerar o ex-juiz Sergio Moro parcial em processos da operação.

Confira os principais trechos da entrevista:  

Agência Brasil: Ministro, a Operação Lava Jato completa dez anos no dia 17 de março, o senhor acha que a Lava Jato foi boa ou ruim para o Brasil? Qual é o saldo?
Gilmar Mendes: Eu acho que a Lava Jato fez um mal enorme às instituições. Bem inspirada talvez, no início, ela acabou produzindo uma série de distorções no sistema jurídico político. Por isso, o meu balanço é marcadamente negativo. Mas é claro que nós aprendemos da história, inclusive dos fatos negativos na vida dos povos, na vida das nações. Então, alguém sempre poderá dizer algo positivo. Nós aprendemos como não fazer determinadas coisas. E, nesse sentido, se pode até extrair aspectos positivos. O que a gente aprendeu? Eu diria em uma frase: não se combate o crime cometendo crimes. Na verdade, a Lava Jato terminou como uma verdadeira organização criminosa, ela envolveu-se em uma série de abusos de autoridades, desvio de dinheiro, violação de uma série de princípios e tudo isso é de todo lamentável.

Agência Brasil: Hipoteticamente: temos uma suspeita de corrupção no Brasil. Como agir corretamente, como proceder?
Mendes: A primeira coisa é não inventar a roda, é fazer aquilo que se tem que fazer, deixar que as autoridades policiais façam as investigações, que o Ministério Público faça o seu acompanhamento. Hoje, o país dispõe de uma série de instrumentos para isso. E não imaginar que nós vamos ter heróis voadores, que vamos ter pessoas que resolvem com um milagre a questão da corrupção no país. E fazer as coisas com o devido processo legal. Acho que isso é extremamente importante. Investigações espetaculares, tonitruantes, a gente tem aí aos montões e depois nós temos apenas um resto de lixo em anulações, em não há aproveitamento de provas, como acabou ocorrendo aqui na Lava Jato. Acho que o que a Lava Jato vai ensinar ao sistema jurídico processual brasileiro é como não se fazer determinadas coisas e ensinar que nós devemos ser extremamente cautelosos em relação a essas questões, aos procedimentos jurídicos, para não produzirmos situações estapafúrdias.

Agência Brasil: A punição às empresas e às pessoas foi além da conta?
Mendes: Tudo o que é excessivo e tudo que é indevido, certamente, é além da conta. Nós vamos ter que discutir isso agora. Certamente, muitos vão dizer: ‘ah, tem réus confessos que estão sendo isentados de culpa por conta de falhas processuais’, mas é assim no Estado de Direito em qualquer lugar. Então, não há nenhuma surpresa em relação a isso e vamos ter que fazer também um exame caso a caso, isso não se resolve em um juízo completo, direto. E é isso que nós estamos fazendo e temos feito, tivemos o processo do Lula e outros. Então, me parece que nós fomos de uma euforia quase alcoólica a uma depressão, e os dois estados não são bons. É importante que nós estejamos atentos para fazermos o trabalho de maneira correta e acho que é isso que nós temos que inculcar nos agentes policiais, nos agentes de Receita, nos agentes investigadores todos, do Ministério Público e os próprios juízes.

Agência Brasil: Muito antes da Vaza Jato, o senhor já dizia que o STF teria um encontro marcado com a Operação Lava Jato, o que que havia? O que o senhor ouvia nas audiências com os advogados, qual era a percepção na época?
Mendes: Já se disse que o problema do diabo não é que ele seja o diabo, né? É que ele é velho, ele é experiente. Então, a gente aprende a fazer essas leituras e colhe também experiências. A primeira coisa que eu vi, acho que foi em 2015, foram as prisões alongadas de Curitiba. E, claro, os advogados passaram a dizer que as prisões alongadas eram utilizadas como uma forma de tortura para obter delações. E delações que muitas vezes se mostraram inconsistentes. Delações que muitas vezes se transformaram em acordos de leniência, por isso os questionamentos de agora. Então, nós tivemos toda a essa situação e eu fui talvez a primeira voz a levantar contra essa situação.

E depois ganhei a convicção de que não se tratava apenas de uma irregularidade procedimental ou processual e que na verdade nós estávamos diante de um movimento político, como depois se revelou no contexto geral: [Sergio] Moro [virou] o ministro da Justiça de Bolsonaro, Deltan Dallagnol, um ativista político. E a gente também descobriu, isso é uma coisa bastante peculiar, que o volume de dinheiro com o qual eles se envolviam também os estimulou a ter suas próprias empresas ou participar disso. Aí surge a tal Fundação Dallagnol lá em Curitiba. Aqui em Brasília surge também algo semelhante com a tal Operação Greenfield. A gente descobre que esses nossos ‘combatentes da corrupção’ gostavam muito de dinheiro, o que é uma contradição nos próprios termos. O ministro Salomão [Luis Felipe Salomão, corregedor Nacional de Justiça] está encerrando um trabalho sobre essa questão e diz que há uma quantia perto de R$ 1 bilhão que não se sabe para onde foi, do dinheiro que estava depositado na vara em Curitiba. Então, isso precisa ser esclarecido.

Agência Brasil: O senhor já disse anteriormente que todo o sistema político e o governo na época da Lava Jato foram ingênuos. Como o senhor avalia o comportamento do STF nesse período?
Mendes: A Operação Lava Jato não era uma operação puramente judicial, policial ou de investigação administrativa, eles fizeram uma força-tarefa e lograram um apoio público muito grande, um apoio de mídia. E eu tenho a impressão que esse apoio de mídia teve também um efeito inibitório sobre o Supremo Tribunal Federal. Eu acompanhei os primeiros habeas corpus desde 2014, que começaram a chegar, o ministro Teori  [ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF] era o ministro relator e havia já essa força não só de Moro e de sua equipe, mas também da Procuradoria-Geral, Janot [Rodrigo Janot, então PGR]. E é capaz que o Tribunal naquele momento não tenha tido a leitura devida de todas as questões envolvidas do ponto de vista político, e isso demorou a se consolidar. Tanto é que quando eu mesmo assumo um papel de mais crítico do sistema fico também um pouco isolado e a mídia toda dizia: “essa decisão parece contrariar a Lava Jato”, como se a gente estivesse contrariando Roma ou falando mal do papa. Então, havia um domínio em relação a isso. E houve até operações que foram feitas nesse espírito, ainda que não conduzidas pela Lava Jato, por exemplo, aquela operação do Joesley [Batista, ex-presidente da JBS] vis-à-vis ao presidente da República Michel Temer em que, obviamente, o que o presidente disse foi uma coisa, o que foi divulgado foi outra. E isso foi divulgado pela Globo, portanto em uma combinação certamente do procurador-geral Janot com a direção da Globo ou setores de mando na instituição. Depois se viu que aquilo era falso.

Agência Brasil: Ministro, se a Vaza Jato não tivesse acontecido, qual teria sido desfecho da Operação Lava Jato, na sua avaliação?
Mendes: Eu tenho impressão, por exemplo, que no meu processo, que foi talvez um turning point nessa questão, que foi o processo do presidente Lula sobre a suspeição, eu até disse isso no voto: nós tínhamos uma perspectiva já de afirmação da suspeição com os elementos existentes nos autos. Acho que teríamos chegado ao mesmo resultado, mas é inegável que a Vaza Jato mostrou que o rei estava nu. Mostrou como eram feitos os pastéis e como eles eram malfeitos. Então, tudo aquilo que nós supúnhamos ou intuíamos foi confirmado.

Agência Brasil: Houve desvio, mas também houve muito prejuízo para dezenas de empresas que foram prejudicadas. Como combater a corrupção sem a derrocada da economia?
Mendes: Eu acho que esse também é um aprendizado. Naquele momento, me parece que o Brasil estava vivendo uma fase muito peculiar: o governo Dilma débil, fraco, vem o governo Temer também acusado, envolto naquelas mesmas circunstâncias. O sistema político estava no chão, e os procuradores e o próprio Moro eram como se déspotas esclarecidos, ou nem tanto, podiam fazer o que quisessem. Acho que é um modelo de difícil reaplicação hoje. Então, dificilmente todas essas circunstâncias históricas vão se consolidar para uma tal situação. Mas eu me pergunto se não é o caso de, de fato, nós mudarmos a legislação e eventualmente separarmos a empresa e pensarmos inclusive em modelos de direito comparado para eventualmente punirmos os agentes empresariais e separamos a empresa. Há empresas que empregavam 150 mil pessoas hoje empregam 14, empresas que foram destruídas. E há também todo um discurso de que isso também se fez atendendo a interesses internacionais. E nem isso a gente pode negar peremptoriamente.

Fonte: Agência Brasil

Rio registra sensação térmica recorde de 60,1ºC

Capital fluminense registrou a temperatura recorde às 10h20, enquanto São Paulo teve congestionamento rumo ao litoral

A cidade do Rio de Janeiro registrou, neste sábado (16), sensação térmica recorde de 60,1ºC. Segundo o Sistema Alerta Rio, da prefeitura carioca, o registro foi feito na Estação Meteorológica de Guaratiba, na zona oeste da capital fluminense, às 10h20.

O recorde anterior da cidade havia sido registrado na mesma estação, em 18 de novembro do ano passado (59,7ºC). A sensação térmica leva em consideração não apenas a temperatura, mas também a umidade relativa do ar.

Leia também: Onda de calor atípica e duradoura atinge o Brasil nos próximos dias

Uma associação de temperaturas elevadas e alta umidade gera aumento da sensação térmica.

A prefeitura do Rio de Janeiro recomenda que as pessoas se hidratem e evitem exposição prolongada ao sol.

São Paulo

A temperatura na cidade de São Paulo alcançou nesta sexta-feira (15) a marca de 34,3ºC, maior temperatura para um mês de março desde 2012, quando a mesma marca já havia sido atingida. O dado é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Essa marca também iguala a maior temperatura já registrada para este ano na cidade, que ocorreu nos dias 8 e 9 de janeiro.

A maior máxima média já registrada em um mês de março, de acordo com dados do CGE, ocorreu no dia 1o de março de 2012, com 35,3°C. Já a maior máxima absoluta, aquela registrada em um único local, ocorreu nos dias 9 e 10 de março de 2005, com 38,4°C em Parelheiros, zona sul da capital.

Neste sábado (16) houve lentidão nas estradas de acesso ao litoral paulista. Às 14hs havia pelo menos 12 quilômetros de congestionamento na rodovia dos Imigrantes e 14km na rodovia Anchieta, segundo a concessionária Ecovias.

Fonte: Rede Brasil Atual

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAIS LIDAS