Maioria dos brasileiros tem visão negativa sobre Israel, mostra pesquisa

Um levantamento feito pelo instituto de pesquisa de opinião Pew Research Center (EUA) apontou que a maioria da população brasileira tem uma visão negativa sobre Israel. De acordo com o estudo, esse índice é de 58%, tendo 44% uma visão “um pouco desfavorável” e 14% uma visão “muito desfavorável” sobre o regime sionista comandado pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Os brasileiros com uma visão “um pouco favorável” representam 28% dos consultados e os que manifestaram uma visão “muito favorável” são apenas 4% – 3,5 vezes menos do que os com visão “muito desfavorável”.

Segundo os números, 32% dos brasileiros disseram ter uma visão positiva sobre Israel, quase metade daqueles que têm uma visão negativa. Para cada brasileiro “muito favorável”, há 3,5 brasileiros “muito desfavoráveis” a Israel.

Pesquisadores colheram pessoalmente as entrevistas no Brasil, entre 8 de janeiro e 26 de abril deste ano.

Dados globais

A percepção negativa sobre Israel no Brasil, majoritária como demonstrado na pesquisa, está próxima à média global, que é de 62%. Foram entrevistados 28.333 adultos em 24 países. A visão negativa sobre o país asiático prevalece em 21 dos 24 países pesquisados.

Nos Estados Unidos, 53% dos cidadãos disseram-se desfavoráveis a Israel ao serem perguntados pelos pesquisadores do Pew Research Center. Pelas estatísticas, 19% dos entrevistados têm uma visão “muito desfavorável” de Israel, maior do que os apenas 13% com uma visão “muito favorável”.

No Canadá, 33% dos entrevistados afirmaram ter uma visão “muito desfavorável” do “estado” terrorista, mesmo percentual do total de visões favoráveis. Ao todo, 60% dos canadenses se disseram desfavoráveis a Israel.

A visão negativa é maior no México (61%), onde há muito mais visões “muito desfavoráveis” (32%) do que o total de visões favoráveis (24%) – são oito pessoas “muito desfavoráveis” para cada “muito favorável” a Israel.

A Argentina teve um índice de 46% de visão negativa sobre Israel, contra 26% de visão positiva.

Europa

A Europa é o continente com o maior percentual de visões desfavoráveis a Israel: 70%, contra 22% de visão favorável. Também é o continente com o maior percentual de visão “muito desfavorável”: 38%, contra 4% de visão “muito favorável”.

Para cada europeu com uma visão muito positiva sobre Israel, há 9,5 europeus com uma visão muito negativa.

A visão “muito desfavorável” alcança 78% dos holandeses. Os com um sentimento muito negativo são 45%, mais que o dobro do total de pessoas que veem Israel de forma positiva (19%).

A Espanha é a nação europeia com o maior percentual de visão extremamente negativa (46%) e com um total de 75% de visão desfavorável ao regime sionista israelense.

Com exceção da Hungria, todos os países europeus consultados têm o dobro de cidadãos contrários a Israel em relação aos favoráveis. Apenas Hungria e Alemanha têm o percentual de cidadãos “muito desfavoráveis” não é maior do que o de pessoas apenas parcialmente “favoráveis”.

Mesmo na Hungria, a maioria é contrária a Israel: 53% a 36%, existindo quatro vezes mais húngaros “muitos desfavoráveis” do que “muito favoráveis” a Israel.

O regime de extrema-direita de Viktor Orbán, onde organizações neonazistas atuam livremente e influenciam a política e a opinião pública com o beneplácito do governo, é um aliado de Tel Aviv, sempre votando a favor de Israel nas resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Maiores repúdios

A Turquia foi o país consultado com o maior percentual de cidadãos contrários a Israel: 93% dos turcos têm uma visão “desfavorável”, com uma prevalência absoluta da visão “muito desfavorável” (84%).

Só 4% dos turcos se disseram favoráveis ao regime de morte israelense (talvez os empresários que alimentam a indústria assassina sionista por debaixo do pano). Esse é o menor índice do mundo de pessoas favoráveis a Israel.

A Indonésia é o segundo país com o maior percentual de cidadãos desfavoráveis (80%), seguida pelo Japão (79%). Este último também é o segundo país com menos apoio a Israel (13%), depois da Turquia (com Fepal).

Fonte: Brasil 247

Moraes manda investigar juiz por soltar bolsonarista

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de investigação contra o juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, da Vara de Execuções Penais de Uberlândia (MG). A decisão foi tomada após o magistrado autorizar a soltura de Antônio Cláudio Alves Ferreira, condenado a 17 anos de prisão por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Segundo Moraes, o juiz não tinha competência legal para conceder a progressão de regime.

Na decisão, Moraes apontou que, além da ausência de competência, Antônio Cláudio não havia cumprido o tempo mínimo de pena para obter o benefício. O mecânico foi solto nesta semana, após dois anos e quatro meses de detenção, e saiu do Presídio Jacy de Assis, em Uberlândia, sem qualquer monitoramento eletrônico. “A conduta do juiz deve ser apurada pela autoridade policial no âmbito deste Supremo Tribunal Federal”, escreveu o ministro.

A justificativa apresentada pelo juiz para autorizar a progressão ao regime semiaberto mencionava a indisponibilidade de tornozeleiras eletrônicas em Minas Gerais. No entanto, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) negou a informação, afirmando que o sistema de monitoramento eletrônico possui mais de 12 mil vagas contratadas, das quais cerca de 4 mil seguem disponíveis.

Quem é Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro

Natural de Minas Gerais, Lourenço Migliorini é juiz desde 2006 e atua na Vara de Execuções Penais de Uberlândia desde 2013. É especialista em Direito Civil e atualmente cursa mestrado em Direito das Relações Econômicas. Também já atuou como professor e assessor judicial, além de ter coordenado o Grupo de Monitoramento do Sistema Carcerário do TJMG.

O juiz também atua como formador na Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (ENFAM) e na Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (EJEF/MG), além de já ter participado de cursos em escolas da magistratura em diferentes estados. Ele foi membro titular da 2ª Turma Recursal de Uberlândia.

Coautor de duas publicações na área jurídica, Ribeiro adota postura reservada nas redes sociais. Seu perfil no Instagram é fechado e traz na descrição apenas: “Casado. Pai. Apaixonado por vinhos, viagens e boa comida”.

A decisão do STF de investigar o juiz reacendeu o debate sobre possíveis falhas no sistema de execução penal, principalmente em casos de grande repercussão como o dos atos de 8 de janeiro. A soltura de um condenado sem tornozeleira, contrariando a jurisprudência do Supremo, gerou críticas à condução do processo na instância local.

A reportagem do jornal O Tempo tentou contato com a Vara de Execuções Penais de Uberlândia, mas não obteve retorno. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a comarca encontra-se em recesso.

Fonte: DCM

Mapa revela avanço da privatização, militarização e desmonte das escolas públicas de SP

Ferramenta interativa lançada pelo “Salvem a Escola Pública” expõe ataques à educação estadual e municipal, com mais de 140 escolas sob risco de privatização e até 100 em processo de militarização

Foi lançado nesta terça-feira (17), na subsede da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo, o Mapeamento dos Ataques à Educação Pública de São Paulo. A ferramenta interativa revela, com dados atualizados e abrangentes, o avanço da privatização e da militarização nas escolas públicas do Estado. A iniciativa também busca fortalecer a resistência e impulsionar a mobilização de educadores, estudantes e movimentos sociais em defesa da escola pública.

O levantamento, fruto da articulação entre movimentos sociais, sindicatos da educação e pesquisadores, revela que mais de 140 escolas da rede estadual já operam sob formas de gestão privatizada. Paralelamente, entre 50 e 100 escolas estão sendo transformadas em unidades cívico-militares ou estão em processo de adesão a esse modelo.

O monitor também mostra que a Prefeitura de São Paulo ensaia a adoção de práticas semelhantes, incluindo a presença da Guarda Civil Metropolitana dentro de unidades escolares municipais sob o pretexto de “reforço da segurança”. Além disso, projetos-piloto de gestão terceirizada foram anunciados em ao menos 50 escolas municipais.

“O mapa é estratégico, não é uma ferramenta qualquer, ele vai ajudar a ver melhor, vai ajudar a julgar melhor quais são as estratégias, quais são os apoios em cada um dos territórios e certamente vai nos ajudar a agir mais e agir melhor, agir juntos, fortalecendo as entidades, criando novas articulações”, destacou um dos presentes. “Essa ferramenta interativa vai facilitar muito para a gente construir esse debate”, disse outra articuladora. 

Durante o ato, que reuniu estudantes, pais, professores, diretores de escolas e parlamentares, os participantes condenaram, enfaticamente, os retrocessos impostos à educação pública estadual e municipal, conduzidos pela extrema direita, representada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). Entre as ofensivas, destacam-se o projeto das escolas cívico-militares, as iniciativas de privatização, a intervenção na gestão escolar — como o afastamento de diretores concursados —, além da política de plataformização, do fechamento de salas de aula e dos cortes no orçamento.

“É mentira que esses diretores foram afastados por conta do Ideb. Eles foram afastados porque fazem um trabalho diferenciado nas escolas. Eles foram afastados porque nessas escolas eles fazem uma gestão democrática. “(…) Se conseguir afastar esses, que são a resistência, que fazem a diferença, será fácil afastar o restante”, alertou Márcia Jacomini, doutora em educação e professora da Unifesp.  

Segundo ela, “a escola pública está sendo capturada, na sua forma e no seu conteúdo, pela lógica do capital, pela lógica do mercado, pela lógica de uma classe dominante que quer, cada vez mais, impor a miséria à classe trabalhadora e submeter o povo, cada vez mais, à condição de subalternidade”, completa a professora, que também integra o coletivo “Escola e Democracia”.

“Aquilo que eles dizem que a esquerda, os democratas querem fazer, eles estão tentando fazer. Querem doutrinar as crianças de uma maneira que elas só enxerguem aquilo que eles querem que seja enxergado”, disse, em alusão a projetos como o “Escola sem partido”, o presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Roberto Franklin de Leão. 

Travestido de neutralidade, o projeto Escola Sem Partido — defendido pelo MBL (Movimento Brasil Livre) sob o pretexto de combater a doutrinação ideológica por parte de professores — foi considerado inconstitucional pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

“Nós defendemos uma escola que liberta, a escola do caminho de Paulo Freire”, destacou Leão. Ele denunciou a plataformização do ensino, que substitui o professor em sala, enquanto impõe cobranças desumanas aos docentes. 

“Essa escola (reivindicada pelo movimento) vai contra os princípios daquilo que está sendo defendido pelo secretário da Educação de São Paulo (Renato Feder), que foi secretário da Educação do Paraná, que criou muitos problemas, que deixou lá o herdeiro, que tá fazendo com que professores adoeçam. Outro dia morreu uma professora lá, que sofreu um infarto motivado pela pressão – que nós não temos dúvida em falar que foi isso”, denunciou. 

O mapa lançado nesta terça representa mais que um levantamento técnico. Ele revela com precisão como a retirada de recursos do orçamento da educação pública, estimada em até R\$ 10 bilhões em alguns cálculos, coincide com a entrega de serviços essenciais a empresas privadas. 

Ao mesmo tempo em que escolas enfrentam falta de merenda, estrutura precária, ausência de professores e insegurança, o governo estadual canaliza verbas para contratos de concessão e para militarização, sem garantir qualquer transparência ou controle social. Por isso, “é preciso que mais reuniões como essa ocorram em todos os bairros de São Paulo, é preciso que a população acorde”, defendeu um dos participantes. 

Ricardo Guido, diretor da Apeoesp, relembrou a greve dos professores da rede estadual em 2015, que culminou no movimento “Não fechem minha escola”, em reação à proposta de reorganização escolar do governo estadual. A mobilização ganhou força com a ocupação das escolas pelos estudantes, forçando o governo a recuar. Segundo Guido, a ação articulou diversos movimentos, algo que ele considera fundamental também no momento atual.

A deputada Sirlene Maciel, da Bancada Feminista do PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), denunciou o autoritarismo do bolsonarista Tarcísio de Freitas e criticou o plano de “reestruturação” do Centro Paula Souza e a expansão das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs). “Farsa”. O que a gente tá vivenciando aqui no estado de São Paulo é um projeto fascista da reestruturação da educação.

“Estamos vivenciando um projeto do Tarcísio, que é levar, para 5 mil escolas do Estado a escola técnica, que nós sabemos que é uma grande farsa. Por quê? Porque ele tá levando um curso técnico sem laboratório, sem professor qualificado. A parlamentar, que pediu a inclusão do Paula Souza e das Etecs no mapa, denunciou a demissão, anunciada para o próximo dia 30, demissão de mais de 300 funcionários comissionados das Fatecs e das Etecs. 

Fonte: Hora do Povo

Nikolas e bolsonarista votam para encarecer a conta de luz

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O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), conhecido por discursos agressivos nas redes sociais, votou para derrubar o veto que impedia o aumento das tarifas de energia elétrica. A decisão, que favorece distribuidoras do setor, foi tomada enquanto o parlamentar estava no Japão, conforme revelou o jornalista Reinaldo Azevedo.

Nas redes, o silêncio e o sumiço causaram estranhamento até entre seus apoiadores.

Logo após a votação, o Instagram de Nikolas foi invadido por críticas. “Parabéns, deputado, agora nossa conta de luz vai subir, graças a você!”, escreveu uma seguidora. Outro usuário, que se identificou como eleitor de direita, questionou: “Votou para aumentar a luz dos pobres?”. Mensagens também lembraram outras decisões do deputado: “Votou a favor do fundão e agora ajuda a enfiar mais aumento na conta de luz. Contra o povo, como sempre”.

Diante da reação negativa, o gabinete de Nikolas emitiu uma nota afirmando que houve “erro material no preenchimento da cédula” e que o voto teria sido computado “de forma equivocada”. A justificativa padrão, amplamente usada por parlamentares quando são pressionados, só veio depois da onda de críticas.

O veto barrado previa evitar um repasse bilionário para as distribuidoras de energia, medida que agora poderá ser diretamente cobrada dos consumidores. Com a derrubada, abre-se espaço para que custos e encargos sejam adicionados à conta de luz paga pela população — especialmente os mais pobres, que sentirão os efeitos com mais intensidade.

Reinaldo Azevedo destacou ainda outra votação de Nikolas Ferreira feita durante sua estadia no Japão. Dessa vez, o deputado apoiou um veto do presidente Lula que barrava a concessão de indenização vitalícia a vítimas do vírus zika, sob a justificativa de ausência de indicação da fonte de custeio. No entanto, após o voto alinhado ao governo, Nikolas alegou novamente que havia se enganado.

Segundo o jornalista, o veto também tratava de indenizações para vítimas de chikungunya, e o argumento usado pelo Executivo era apenas técnico: não apontava de onde sairia o dinheiro. “Ele votou pela manutenção do veto e depois disse: ‘me enganei, votei sem querer’. É que ele não estava muito atento. Esse negócio de votar à distância confunde”, ironizou Azevedo.

O colunista também apontou a falta de transparência em relação à viagem de Nikolas ao Japão. Tentativas de obter informações com a assessoria do parlamentar não tiveram retorno, o que levantou ainda mais dúvidas. “Não sei se ele está em missão oficial. A turma dele não informou. Agora, ainda que esteja, poderia ter avisado. Nas redes, não tem nada”, observou.

Fonte: DCM

PF diz que Bolsonaro e Carlos integravam organização criminosa na Abin

Conclusão consta no relatório final do caso “Abin Paralela”

A Polícia Federal (PF) concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro e o seu filho, Carlos Bolsonaro, fizeram parte uma organização criminosa para comandar a realização de ações de espionagem clandestina de opositores na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

A conclusão consta no relatório final das investigações do caso “Abin Paralela“, que foi finalizado ontem, quando a PF indiciou cerca de 30 investigados, entre eles, Carlos Bolsonaro. O sigilo do documento foi retirado hoje pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.

O ex-presidente não foi indiciado porque responde às acusações sobre o uso clandestino da Abin na ação penal da trama golpista, que tramita no STF.

Conforme conclusão dos investigadores, ficou comprovado nas investigações o uso ilegal da Abin contra quem se opusesse ao denominado núcleo político, formado pelo ex-presidente e seu filho.

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“As evidências colecionadas ao longo da presente investigação não deixam dúvidas sobre a existência de um núcleo de propagação de desinformação, responsável pela produção e desinformação direcionada contra aqueles que se opusessem de forma contrária ao intento do núcleo político”, afirmou a PF.

De acordo com as investigações, foram monitorados ilegalmente o ministro Alexandre de Moraes, os ex-deputados Jean Willys, Rodrigo Maia, Joyce Hasselmann, o ex-governador de São Paulo João Dória e os jornalistas Leandro Demori e Mônica Bergamo.

Para os investigadores, Bolsonaro era o principal beneficiado pelas ações clandestinas.

“Jair Messias Bolsonaro figura como o principal destinatários do produto das ações clandestinas e da instrumentalização da Abin”, diz o relatório.

A investigação também apontou o uso ilegal do órgão para a propagação de desinformação para desacreditar o sistema eleitoral.

“Esta estrutura utilizou-se dos recursos da agência para atender interesses particulares de ordem política, incluindo ações destinadas a influenciar o resultado das eleições presidenciais de 2022”.

Conforme a apuração, as ações clandestinas foram implementadas durante a gestão do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, que é réu na ação penal da trama golpista e também foi indiciado, por meio do uso de policiais federais e outros servidores de confiança cedidos ao órgão e com a utilização ilegal do programa de monitoramento Firstmile.

Atual cúpula

A PF também indiciou a atual cúpula da Abin, formada pelo diretor-geral, Luiz Fernando Correa, sob a acusação de tentar obstruir a investigação sobre a “Abin Paralela”. José Fernando Moraes Chuy, atual corregedor, também foi indiciado.

“Este núcleo atuou para dificultar as investigações sobre a ORCRIM da gestão anterior, por meio de estratégias conjuntas com investigados, recalcitrância na entrega de provas (logs), ações para assediar e desacreditar a ex-corregedora, omissão sobre operações ilegais e potencial manipulação de informações e procedimentos internos”, concluiu a investigação.

Próximos passos 

Após receber o relatório final da PF, o ministro Alexandre de Moraes deve enviar o documento para apreciação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Caberá à procuradoria decidir se uma nova denúncia será protocolada contra os acusados ou se o caso será apensado nas ações penais sobre a trama golpista ocorrida durante o governo de Bolsonaro. 

Defesa

Após as conclusões da PF, Carlos Bolsonaro foi às redes sociais e insinuou que o indiciamento tem motivação política.

“Alguém tinha alguma dúvida que a PF do Lula faria isso comigo? Justificativa? Creio que os senhores já sabem: eleições em 2026? Acho que não! É só coincidência!”, declarou.

Agência Brasil entrou em contato com a Abin e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestação. 

Fonte: Agência Brasil

A serviço dos especuladores, Banco Central eleva Selic a 15%

EDILSON RODRIGUES/AGENCIA SENADO

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de elevar a taxa Selic para 15% ao ano, anunciada na quarta-feira (18), provocou forte repercussão no meio político e econômico. Conforme noticiado pelo Metrópoles, trata-se da sétima alta consecutiva dos juros, que atingem agora o maior patamar desde julho de 2006.

A decisão unânime do Copom encerra um ciclo iniciado em setembro de 2024, quando a autoridade monetária interrompeu os cortes e passou a adotar uma postura mais agressiva, com sucessivos aumentos da Selic, que saiu de 10,50% para os atuais 15%. A medida tem como objetivo conter a inflação persistente, especialmente dos alimentos, que tem pressionado a política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Play Video

Juros altos, consumo em baixa – A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controle da inflação. Ao elevar os juros, espera-se reduzir o consumo e desestimular os investimentos, o que pode resultar em desaquecimento da economia e queda nos preços. No entanto, essa política tem gerado insatisfação crescente no campo político, principalmente entre os aliados do governo, que veem no aperto monetário um obstáculo ao crescimento e à geração de empregos.

A avaliação de parte do mercado é de que os juros não devem mais cair para patamares abaixo de dois dígitos ao longo do mandato de Lula e do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nomeado pelo próprio presidente. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 29 e 30 de julho.

Reações no governo e no Congresso – Apesar de ter moderado o tom das críticas nos últimos meses, o presidente Lula já indicava que o governo não esperava alívio imediato na política de juros. Quando a Selic ainda estava em 14,75%, o presidente declarou: “o que está acontecendo já estava precificado, a gente já sabia que isso ia acontecer. Então, o que nós estamos conscientes é de que a inflação está controlada, o preço dos alimentos começou a cair e eu acho que logo, logo, o Banco Central vai tomar a atitude correta de abaixar o juros”.

A nova elevação, no entanto, causou reações duras entre parlamentares da base. O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), classificou a taxa como “indecente, proibitiva e desestimula investimentos produtivos”. Ele afirmou ainda que a política atual “transforma o Brasil no paraíso dos rentistas: quem vive de juros ganha, quem trabalha perde”. E alertou: “falam muito de ajuste fiscal e da dívida pública. Mas o crescimento da dívida não vem dos programas sociais com saúde ou educação — vem do pagamento de juros”.

Já o deputado Rogério Correia (PT-MG), presidente da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, apontou que cada ponto percentual da Selic gera um custo adicional de R$ 38 bilhões ao erário: “esse dinheiro vai direto para os bancos, para o sistema financeiro e para os juros da dívida”.

BC sinaliza pausa, mas sem trégua – Em comunicado divulgado após a reunião, o Copom indicou que a tendência é interromper o ciclo de alta, mas que os juros devem permanecer elevados por um “período bastante prolongado”. A justificativa se baseia nas expectativas de inflação para 2025 e 2026, que continuam acima da meta, segundo a pesquisa Focus: 5,2% e 4,5%, respectivamente. A própria projeção do Copom para 2026, considerado o horizonte relevante da política monetária, é de 3,6%.

“Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, afirmou o Banco Central.

Fonte: Brasil 247

Quem vale mais: JHC ou a dupla Marcelo Victor/Paulo Dantas?

Na política de Alagoas, tem uma pergunta que começa a martelar e que não é nada fácil de responder. Quem tem mais peso hoje? Quem senta na mesa com mais ficha de aposta? João Henrique Caldas, o JHC, prefeito de Maceió e dono de uma votação acachapante na capital? Ou a dupla Marcelo Victor, presidente da Assembleia Legislativa, e Paulo Dantas, governador de Alagoas?

A resposta não é simples e a política, a depender do dia, do vento e da maré política, muda de direção.

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JHC, que foi alçado ao estrelato político como “novidade”, hoje carrega uma Prefeitura de Maceió robusta, uma base de opinião sólida na capital, uma mãe no Senado, Eudócia Caldas, um vice que era senador, Rodrigo Cunha, e, ainda por cima, uma emissora de TV e uma rádio local. É pouco? Claro que não, mas tem um detalhe: todo essa força é praticamente limitada à capital. E isso, na política estadual, é uma faca de dois gumes. Forte em Maceió, fraco fora dela.

Do outro lado da mesa, Marcelo Victor e Paulo Dantas fazem jogo combinado. Marcelo comanda a Assembleia Legislativa, que é simplesmente a casa onde se define quem respira e quem agoniza na política alagoana. A turma dele não é pequena, não. Só pra refrescar a memória, o MDB tem 14 dos 27 deputados estaduais. Isso mesmo: mais da metade da Assembleia na mão. E se quiserem, passam o rodo, aprovam, derrubam, fazem chover ou estiar por essas bandas.

Paulo Dantas, governador reeleito, também não é um peixe fora d’água. Herdou a estrutura montada pelos Calheiros, tem boa interlocução com Lula, vai migrar para o PSD e já deixou claro que, na sua cozinha, prato com JHC não se serve.

Aliás, esse movimento recente de Renan Calheiros, acenando para JHC, tem cheiro forte de jogo casado, mas sem garantia nenhuma de entrega, deixando Renan Filho no ministério em Brasília e isolando Arthur Lira, principal adversário – ao menos sob holofotes – de Renan Calheiros.

O senador Renan Calheiros começou a flertar abertamente com JHC. Em entrevista recente, escancarou: “busco proximidade”. É quase um “vem, neném” institucionalizado. E mais: deixou claro que, com Arthur Lira, não rola nem cafezinho. É guerra declarada, sem meia palavra.

Enquanto isso, o MDB joga praticamente parado por ser o principal centro gravitacional da política alagoana, apesar de o senador Renan Calheiros fazer uma série de falas públicas de sinalização às lideranças políticas locais, alimentando as conversas, testando cenários.

O mais curioso, porém, é que no meio desse xadrez surgiu uma ideia, digamos, inusitada: colocar Marina Cândia, primeira-dama de Maceió e esposa de JHC, como vice na chapa do MDB ao governo, tendo Isnaldo Bulhões como cabeça. É sério. A proposta foi colocada na mesa. E, claro, gerou reações das mais variadas.

Para quem acha que é pouco, lembre-se: Marina tem, sim, capital político próprio. Atua em projetos sociais na capital, goza da simpatia de setores organizados e, além disso, carrega o sobrenome Caldas, que, queiram ou não, ainda tem peso na capital alagoana.

Só que Marcelo Victor e Paulo Dantas não estão dispostos, neste momento, a embarcar nesse barco.

Por ora.

JHC tem força? Tem. Mas é força de capital. Se sair de Maceió, sua musculatura política sofre sarcopenia. Já Marcelo Victor e Paulo Dantas têm uma máquina azeitada, alinhada e capilarizada no interior inteiro. São prefeitos, vereadores, deputados estaduais e um governador que jogam no mesmo time. E isso pesa – muito.

Por outro lado, o grupo de JHC tem algo que Marcelo Victor e Paulo Dantas não têm: opinião pública da capital, mídia própria e um perfil mais leve, moderno, de comunicação direta. Enquanto o MDB e seus satélites ainda fazem política no modelo de cafezinho, gabinete e reunião fechada, JHC faz story, faz live, viraliza e pauta o noticiário local com uma habilidade que nenhum outro ator político em Alagoas tem hoje.

Então, quem vale mais?

Se o jogo for na Assembleia, Marcelo Victor e Paulo Dantas não tomam conhecimento. É atropelo. Mas se o ringue for Maceió e redes sociais, JHC sai com larga vantagem.

O problema, e isso é bom lembrar, é que eleição estadual não se vence só com voto na capital. E nem se sustenta só com tuitada ou vídeo no Instagram.

Por isso, a pergunta que abre esse texto segue em aberto.

Sendo Renan Filho o candidato a governador, problema zero com Marcelo Victor e Paulo Dantas. Se não for, nem tudo será flores. Evidente que também tudo pode ser resolver ao ponto de as divergências atuais “nunca tivessem existido”.

PF indicia Carlos Bolsonaro e Ramagem no caso da ‘Abin paralela’

A Polícia Federal indiciou o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), no inquérito que investiga o caso da “Abin paralela”.

O que aconteceu

Mais de 30 pessoas foram indiciadas pela PF, que enviou o relatório final ao STF (Supremo Tribunal Federal). As apurações apontam que o esquema teria ocorrido no governo Bolsonaro, quando Ramagem era diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

Entre os indiciados, está o atual diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa. Nomeado para o cargo no governo Lula (PT), ele é suspeito de ter autorizado uma ação hacker da agência contra autoridades do governo do Paraguai, como revelou o UOL. Ele também teria atuado para impedir o andamento do inquérito, segundo a polícia.

Outros integrantes da atual cúpula de comando da Abin também foram indiciados. Luiz Carlos Nóbrega, chefe de gabinete de Corrêa, e José Fernando Chuy, corregedor-geral do órgão, também aparecem no relatório final da PF. Além deles, constam o ex-diretor-adjunto da Abin, Alessandro Moretti, e Paulo Maurício Fortunato, que era secretário de Planejamento do órgão na gestão de Corrêa e foi afastado do cargo pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, em 2023, por suspeita de integrar o esquema de monitoramento ilegal.

Inquérito apura uso da Abin para ações ilegais de espionagem. A investigação foi aberta no primeiro ano do governo Lula, para investigar indícios de que a agência tenha sido aparelhada e usada de forma ilegal pelo ex-presidente e Ramagem e se estendeu para ações suspeitas de espionagem durante a gestão petista.

Suspeita de obstrução de justiça. A PF apura também indícios de que Corrêa, atual diretor, tenha agido para atrapalhar as investigações sobre a “Abin paralela”, assim como outros integrantes de sua gestão. Segundo investigadores, esse seria um dos motivos para a demora na conclusão desse inquérito.

Fonte: Uol

Superintendente do Trabalho cobra revogação de medida que proíbe declaração em UPAs de Maceió

Cícero Filho afirma que trabalhadores não podem ser penalizados por irregularidades e propõe alternativas administrativas à Secretaria Municipal de Saúde

A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Alagoas solicitou, nesta segunda-feira (16), a revogação imediata da medida que proíbe a emissão de “Declaração de Comparecimento” nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) administradas pela Prefeitura de Maceió. O pedido foi encaminhado ao secretário municipal de Saúde, Claydson Moura, por meio de ofício assinado pelo superintendente Cícero Filho.

A decisão da Secretaria de Saúde, que suspendeu o fornecimento das declarações com o argumento de combater irregularidades, tem gerado críticas por afetar diretamente os trabalhadores que dependem do documento para justificar ausências no emprego por motivos de saúde.

Em entrevista à reportagem, Cícero Filho declarou: “Essa situação não pode ser resolvida jogando a responsabilidade nos trabalhadores. Se há manobras irregulares, que sejam apuradas. O que não pode é o trabalhador ser prejudicado.”

No ofício, o superintendente alerta que os trabalhadores mais pobres serão os mais impactados pela medida, com risco real de demissões por falta de justificativa legal de ausência. Ele reforça que a solução deve ser administrativa e não punitiva para o usuário comum.

Entre as sugestões apresentadas estão a criação de modelos digitais de declaração para agilizar o processo, a capacitação da equipe administrativa das UPAs e a regulamentação interna sobre a emissão dos documentos.

“O objetivo é contribuir para que medidas adequadas sejam tomadas. O trabalhador de boa fé, que é a imensa maioria, não deve ser penalizado. O justo não pode pagar pelo pecador”, finalizou Cícero Filho.

Fonte: 82 Notícias

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