Em campanha: libertação do Dr. Abu Safiya!

Sequestrado e preso em 27 de dezembro de 2024, pelas tropas israelenses, durante um ataque ao hospital Kamal Adwan, no norte da faixa de Gaza o dr Abu Safiya, pediatra e diretor do hospital, segue preso, sem julgamento, em prisão israelense, onde a tortura é generalizada.

A campanha por sua libertação que se desenvolve em diversos países do mundo, inclusive no Brasil, cresce a cada dia.

Seu filho, Elyas, postou recentemente nas redes a seguinte mensagem:

“Sou Elyas, filho do Dr. Hossam Abu Safiya, que está preso em prisões israelenses há mais de quatro meses.
Gostaria de expressar meus sinceros agradecimentos e profunda gratidão a todos aqueles que contribuíram e apoiaram o caso do meu pai, bem como à equipe médica detida nas prisões israelenses.
Agradeço também a todos os envolvidos no mundo todo, especialmente às organizações médicas e de saúde, aos médicos e enfermeiros, assim como a todos os sindicatos, organizações humanitárias e organizações de direitos humanos na França e no mundo todo.
Você não hesitou em estar ao nosso lado nos momentos mais difíceis, especialmente durante o genocídio em Gaza.
Esperamos que essas iniciativas e campanhas humanitárias se multipliquem.”

Sim! Vamos multiplicar! E apelamos a todos que se somem a nossa voz: fim do genocídio em Gaza, liberdade para o Dr. Abu Safiya!

Carta ao Comitê do Prêmio Nobel da Paz

Por iniciativa dos Médicos por Gaza, do Fórum de Direitos (Holanda) e da Voz Judaica pela Paz (EUA) uma carta enviada ao Comitê Norueguês do Prêmio Nobel da Paz, diz:

“Escrevemos para expressar nosso firme apoio à concessão do Prêmio Nobel da Paz ao Dr. Hussam Abu Safiya, pediatra palestino e diretor do Hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza. O Dr. Abu Safiya apoiou seus pacientes durante a violência desencadeada por Israel. Dr. Abu Safiya exemplifica o espírito de paz e humanidade. Apesar de suportar a tragédia pessoal de perder seu filho de 15 anos e de enfrentar prisão e interrogatório em diversas ocasiões, ele permaneceu comprometido em servir às crianças de Gaza – mesmo quando seu hospital foi fortemente bombardeado e ele próprio ficou ferido (…). Mais de 1.200 profissionais de saúde foram mortos desde a escalada da violência, segundo relatórios das Nações Unidas – um ataque sem precedentes ao setor médico. Apesar dos ataques sistemáticos a instalações e profissionais médicos, da negação de acesso humanitário e do sofrimento em massa de civis, o Dr. Abu Safiya e seus colegas continuaram seu trabalho de salvar vidas nas condições mais extremas”.

O Diálogo e Ação Petista, com diversas entidades, dirigentes do PT, sindicalistas e artistas, está em campanha: liberdade para o Dr Abu Safiya.

Fonte: Petista

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Em Roma, Lula pede fim da ‘violência que Israel comete contra a Faixa de Gaza’ 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Roma para acompanhar o funeral do papa Francisco, disse esperar que os líderes globais consigam avançar nas negociações para o encerramento da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e para um fim da “violência que Israel comete contra a Faixa de Gaza”.

Lula falou com a imprensa após o funeral do papa Francisco, na manhã deste sábado (26). Outros chefes de Estado viajaram para a capital italiana para a cerimônia, como Javier Milei, presidente da Argentina, país onde nasceu o papa, e Donald Trump.

“O Brasil continua teimando que a solução é a gente fazer com que os dois se sentem na mesa de negociações e encontrem uma solução, não só para Ucrânia e para a Rússia, mas também para a violência que Israel comete contra a Faixa de Gaza”, disse Lula.

Na manhã desta sábado, Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tiveram uma conversa, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

“Eu não sei o que eles conversaram, eu não posso intuir a conversa. Eu acho que o que é importante é que se converse para encontrar uma saída para essa guerra, porque essa guerra está ficando sem explicação. Ou seja, ninguém consegue explicar, e ninguém quer falar em paz”, disse Lula.

Lula afirmou ainda que volta ao Brasil com a sensação de dever cumprido: “Então, eu volto para o Brasil certo que nós cumprimos os nossos deveres, como cristãos, religiosos e políticos de vir no enterro de uma pessoa admirável como o papa Francisco”, disse, na pista do aeroporto de Roma, pouco antes do embarque.

Fonte: O Antropofagista

Bolsonarista chora ao receber pena de 7 anos de cadeia nos EUA

George Santos deu golpe até em seus eleitores com problemas cognitivos

George Anthony Devolder Santos deu golpes variados ao longo de sua vida. Filho de imigrantes brasileiros, gay assumido, ele conseguiu um “milagre” em 2022 ao derrotar um democrata na disputa por um distrito eleitoral em Long Island, estado de Nova York.

Trumpista e bolsonarista assumido, parecia uma promessa de renovação navegando na oposição a Joe Biden — onda que eventualmente levou Trump de volta à Casa Branca.

Nesta sexta-feira, 25, no entanto, Santos chorou ao receber a sentença de 7 anos e 3 meses de cadeia da juíza Joanna Seybert.

Ninguém consegue dizer se foram lágrimas verdadeiras, uma vez que a própria juíza constatou: “Você se elegeu com suas palavras, a maioria das quais eram mentiras”.

Castelo de cartas

Pouco depois de assumir o cargo em Washington, o castelo de cartas construído por George Santos começou a ruir, depois de reportagens do New York Times e de outros órgãos de mídia.

Alvo de investigação da promotoria de Nova York e do próprio Congresso, ele entrou para a História ao se tornar o sexto deputado expulso do Capitólio pelos colegas.

Além da pena de 7 anos e três meses, Santos terá de devolver U$ 578.752,94 aos cofres públicos.

A lista de acusações formais a ele é extensa, de acordo com a promotoria: 

Santos apresentou relatórios fraudulentos à comissão de valores mobiliários, desviou fundos de doadores de campanha, roubou identidades, cobrou cartões de crédito sem autorização, obteve seguro-desemprego por meio de fraude e mentiu em relatórios à Câmara dos Representantes dos EUA.

Do Holocausto à tragédia do clube noturno

As mentiras políticas que o levaram à eleição deixaram claro tratar-se de um mitômano, mentiroso compulsivo: o bolsonarista tentou costurar sua história pessoal ao Holocausto, à tragédia do 11 de Setembro e ao ataque ao clube noturno gay de Orlando em que foram mortas 49 pessoas.

Santos também disse que tinha sido a estrela do time de vôlei universitário da faculdade e que se dedicou tanto ao esporte que havia colocado próteses nos dois joelhos. Tudo história da carochinha, assim como os empregos que ele teria tido na Goldman Sachs e no Citigroup — formas que ele encontrou de se “vender” como um infalível ator do mercado financeiro.

John Durham, o promotor que chefiou as investigações, resumiu:

Hoje, George Santos foi finalmente responsabilizado pela montanha de mentiras, roubos e fraudes que perpetrou. Para o réu, era o dia do julgamento, e para suas muitas vítimas, incluindo doadores de campanha, partidos políticos, agências governamentais, órgãos eleitorais, seus próprios familiares e seus eleitores, é o dia da justiça.

Santos foi eleito na segunda tentativa de chegar ao Congresso, com 145.824 votos.

Toda sorte de golpe

A fraude eleitoral de Santos começou durante a campanha de 2022, quando ele e sua tesoureira Nancy Marks falsificaram informações junto à Comissão Eleitoral Federal (FEC) com o objetivo de qualificar a campanha a receber fundos partidários. 

Santos simulou empréstimos de 11 familiares à sua campanha com o objetivo de atingir a meta de doações de 250 mil dólares de terceiros em um trimestre. O Partido Republicano se baseia em relatórios do FEC para garantir a viabilidade financeira de seus candidatos. Santos também mentiu que havia emprestado 500 mil dólares à própria campanha, quando tinha depositados em suas contas bancárias apenas U$ 8 mil.

Entre julho de 2020 e outubro de 2022, George Santos roubou informações pessoais de seus doadores genuínos de campanha, através das quais fez transferências de cartões de crédito, inclusive para uso pessoal. De acordo com a acusação, ele:

procurou vítimas que sabia serem idosos sofrendo de comprometimento ou declínio cognitivo

Na campanha de 2022, o candidato montou um esquema de doações que em tese seriam utilizadas para propaganda eleitoral. Dois doadores transferiram U$ 25 mil cada, mas George Santos desviou o dinheiro para gastos pessoais.

Durante a pandemia de covid, embora formalmente funcionário de uma empresa de investimentos baseada na Flórida, George Santos recebeu ilegalmente U$ 24 mil em seguro-desemprego.

O candidato também mentiu oficialmente e por escrito em sua declaração de bens: que recebeu U$ 750 mil em salários de sua própria empresa, a Devolder Organization LLC; que tinha recebido mais de U$ 1 milhão em dividendos da Devolder; que tinha mais de U$ 100 mil em sua conta bancária pessoal; que tinha mais de U$ 1 milhão em poupança. Era tudo mentira.

Apesar de todas estas acusações, duas semanas antes de ser cassado pelos próprios colegas na Câmara, George Santos recebeu uma comitiva de bolsonaristas em seu gabinete, liderada por Eduardo Bolsonaro.

A comitiva foi até Washington denunciar “perseguição” ao bolsonarismo no Brasil, a mesma estratégia adotada por Santos antes de se declarar culpado.

Fonte: Revista Fórum

ADEUS FRANCISCO

Flávio Show – É funcionário dos Correios

Maceió, 27 Abril de 2025

O caçador de marajás virou a caça e 33 anos depois a Justica brasileira conseguiu descolorir e enjaular o ex Presidente da República Fernando Collor de Melo. Collor que havia sido eleito Presidente do Brasil em 1989 numa tabelinha bem sucedida com a TV Plim Plim, conseguiu uma proeza confiscar a poupança dos brasileiros, levando à falência milhares de CNPJs e cancelando outros milhares de CPFs. Essa medida foi a mais cruel num governo que durou apenas 2 anos, levando o povo às ruas vestidos de verde e amarelo em prol do seu impeachment, colorido esse que voltaria em 2018, mas com propósitos totalmente adversos aos movimentos da década de 90.
Boa parte dos “caras pintadas” dessa época sofreu uma metamorfose e hoje esses brasileirinhos são conhecidos como “cristãos patriotas e cidadãos de bem”, ou seja, viraram os caras de pau revestidos com muito óleo de peroba.
Pelo menos o presídio Balldomero em Maceió tá colorido de verdade!

Depois de 3 anos, outro ex Presidente tá no corredor que dá acesso as celas prisionais do nosso imenso Brasil Varonil. Diferente do Collor, Jair conseguiu terminar seu mandato e não mexeu na poupança de ninguém, mas confiscou na mão grande a aposentadoria dos trabalhadores tupiniquins e de quebra cancelou 700 mil CPFs à base de cloroquina e ivermectina. Muitas semelhanças entre os dois, confiscou e matou, mas pra ficar perfeito esse enredo o Inelegível precisa do seu passaporte para a prisão e uma heroína da Justiça deu um empurrãozinho ao entrar numa sala cenográfica que copiava perfeitamente uma UTI de hospital, a Oficial de Justiça passou 11 minutos ouvindo as lamentações de um péssimo ator moribundo em seu leito de morte, mas não adiantou tanto mimimi e a missão foi cumprida, agora é questão de tempo para os dois EXs dividirem um quadrado 4×4 com uma beliche, uma pia e vaso no chão para pensarem por anos sobre as cag…, maldades que fizeram.

Essa semana, infelizmente, o mundo produziu mais um EX, porém esse não confiscou e muito menos matou ninguém, ao contrário, ele fez o que seus antecessores nunca fizeram, abriu a portas e abraçou aqueles que mais precisavam, refugiados, moradores de rua, pessoas da comunidade LGBT.
O Papa Francisco conseguiu em 12 anos de papado mostrar o verdadeiro sentido e missão da igreja na terra plana, Francisco realmente quebrou muros na Igreja Católica, outrora inquebráveis, construiu pontes quilométricas levando o amor onde a razão sem nenhuma razão produzia cenas de carnificina ao vivo pelas telinhas dos celulares em guerras pelo mundo. Francisco não pregou a teoria da prosperidade, não pregou a ideologia de gênero, não pregou o dízimo como moeda de troca por um terreno no céu, nada disso, a única palavra que ele pregava, era a mesma que Cristo ensinou nos seus 33 anos vida, humildade, amor, partilha e salvação.

Francisco coloriu o Vaticano e com certeza indignou muitos “cristãos” brasileiros que só enxergam duas cores, a verde e amarela.
“Ouremos”

Reflexões* Flávio Show 2025 , ano 05 – Edição 227

MST ocupa fazenda improdutiva no agreste de Alagoas

Na manhã deste sábado (26), cerca de 300 trabalhadores rurais ocuparam uma fazenda no município de Arapiraca, próximo à Vila Bananeira, reivindicando a destinação da área para a produção de alimentos na região.

As famílias montam acampamento desde as primeiras horas da manhã, mesmo sob ameaça de homens armados no local que tentam intimidar a ação do Movimento.

Ainda como parte das primeiras ações coletivas na ocupação, os Sem Terra realizaram um momento simbólico de plantio de mudas de árvores em homenagem ao legado do Papa Francisco à luta dos camponeses e camponesas em todo o mundo, sob o chamado “Nenhum Camponês sem terra”. Além da homenagem ao Papa, o plantio reafirma o projeto do MST para o estado e para a região: produzir comida e defender os bens da natureza!

A ocupação integra a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária que em 2025 demarca a luta dos Sem Terra com o lema “Ocupar para o Brasil alimentar” e que já realizou diversas ações desde o início de abril.

Fotos: Anidayê Angelo

Fonte: Comunicação MST Alagoas

Fraude no INSS: ONG do agro faturou com aposentadoria de indígenas

Acusada pela PF de descontar aposentadorias indevidamente, Conafer é presidida por empresário que enriqueceu tentando liderar indígenas.

Uma das organizações envolvidas na fraude do INSS, esquema bilionário que descontou dinheiro indevidamente de aposentados no Brasil, é uma ONG que atua com indígenas – mas é presidida por um proeminente pecuarista ligado ao centrão. 

O empresário mineiro Carlos Roberto Ferreira Lopes é dono de uma empresa de melhoramento genético de gado e uma holding nos EUA, e tem na família também uma empresa de mineração. 

Mas a organização que preside, a Conafer, Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares do Brasil, foi fundada em 2011 com a pretensão de representar agricultores familiares sem “ideologias políticas”.

Hoje, essa entidade está presente em terras indígenas de todas as regiões do país, bancando atividades sociais e movimentos locais. A Conafer é um dos alvos da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União em abril e que levou ao afastamento do diretor do Instituto Nacional de Seguridade Social, o INSS, Alessandro Stefanutto. 

A entidade e outras dez organizações investigadas eram parceiras do INSS com a justificativa de ajudar mais pessoas a acessar benefícios previdenciários. 

Com os convênios, podiam descontar valores diretamente dos benefícios de aposentados e pensionistas — muitas vezes sem autorização — sob pretexto de oferecer serviços como assistência jurídica e odontológica. O esquema começou em 2016, cresceu após uma normativa de 2022 e gerou R$ 6,3 bilhões em descontos sobre 6 milhões de beneficiários. 

Além do presidente do INSS, outros quatro servidores do Instituto foram afastados, além de um policial federal. Diante da investigação, o INSS suspendeu temporariamente os acordos com essas entidades e a autorização de novos descontos.

Em nota, o INSS informou que aposentados e pensionistas que tiveram desconto indevido terão o dinheiro devolvido na próxima folha de pagamento. “Esses descontos vinham ocorrendo em governos anteriores. Na atual gestão, ações imediatas foram tomadas”, afirmou o órgão.

‘O modo operante deles é oferecer caminhonete locada e salário para as lideranças’.

A Conafer vem se expandindo nos territórios indígenas pelo menos desde 2018. Diferentemente de setores mais tradicionais do agro, a Conafer demonstra alinhamento com pautas dos povos indígenas, como na defesa do fim do marco temporal para assegurar a demarcação de terras dos povos originários. Mas, de acordo com líderes indígenas ouvidos pelo Intercept Brasil, o livre acesso da Conafer a comunidades é movido pelo poder financeiro.

“O modo operante deles é oferecer caminhonete locada e salário para as lideranças”, me disse um cacique do povo Pataxó, na Bahia, na condição de anonimato por temer represálias. 

As ações da Conafer em terras indígenas vão de entregas de cestas básicas a organização de campeonatos de futebol, passando pelo patrocínio de assembleias. Nas redes sociais, a entidade coleciona vídeos de indígenas declarando apoio à Conafer.

Em paralelo às alianças com lideranças indígenas, Carlos Lopes viu seus negócios pessoais prosperarem. Ele administra sua empresa de melhoramento genético de gado, a Concepto Vet, e seu filho toca uma empresa de mineração e agropecuária em Minas Gerais, a Lagoa Alta.

Nos últimos anos, Lopes ainda fundou uma holding nos Estados Unidos chamada Farmlands (terras agrícolas, na tradução livre) e a Jaguar, uma empresa de produtos artesanais indígenas, que tem uma unidade no Aeroporto Internacional de Brasília desde 2024 – e que já planeja expandir para os aeroportos de Madrid e Lisboa. 

Milhões de descontos no INSS – e milhares de reclamações por isso

A Conafer tem aval do próprio governo federal para fazer ações dentro dos territórios de promoção de aposentadorias, como uma espécie de assessoria para os indígenas conseguirem o benefício. 

Em 2022, por exemplo, a Conafer ajudou a organizar um mutirão com uma Unidade Móvel Flutuante da Previdência Social para comunidades indígenas na região de Barcelos, no Amazonas. 

Pelo menos parte do dinheiro da entidade vem dos descontos de aposentadorias dos associados. Para se ter uma noção, só em 2023 a Conafer recebeu R$ 202,3 milhões a partir de valores descontados de aposentadorias do INSS, segundo relatório do Tribunal de Contas da União, o TCU. 

O relatório chama a atenção para o importante aumento de associados em poucos anos, passando de 231 mil em 2021 para 641 mil em dois anos. Cada associado representa um desconto e um ganho a mais na conta da organização.

O INSS realiza acordos de cooperação técnica com entidades da sociedade civil desde 2014 com o objetivo de aumentar o acesso a benefícios previdenciários. A Conafer tem um acordo firmado com o órgão desde 2021, no governo Bolsonaro. A parceria começou a ser negociada em 2017, no governo Michel Temer, do MDB, e segue ativa no governo Lula.

O acordo permite o desconto direto na aposentadoria de associados da entidade, desde que autorizado pelo aposentado. Mas não é isso que vem acontecendo, de acordo com as investigações da Polícia Federal e processos judiciais consultados pelo Intercept.

A Conafer é a organização que mais recebe reclamações por descontos sem autorização, segundo auditoria-geral do INSS do ano passado.

O levantamento do TCU mostra ainda que, em apenas um ano, foram registradas 3.726 reclamações contra a Conafer no site Reclame Aqui, sendo que a maioria (67,9%) é por cobrança indevida. A PF investiga a possibilidade de falsificação de documentos de filiação e autorização.

A relação entre o governo federal e a Conafer não se limita ao INSS. Em dezembro de 2024, o Ministério das Comunicações, então chefiado pelo ministro Juscelino Filho, do União Brasil, fechou um acordo de cooperação com a Conafer para realizar cursos profissionalizantes com trabalhadores da agricultura – o que, na visão da Conafer, inclui os indígenas. 

Só no ano passado, a Conafer conseguiu 31 reuniões oficiais com representantes do governo federal, a maioria com os ministérios da Agricultura e das Comunicações. Também no final do ano passado, a Conafer assinou um protocolo de intenções com o Incra chamado “Aliança Pelo Campos”.

Entidades não reconhecem Lopes como liderança indígena

Carlos Roberto Ferreira Lopes se diz filho e neto de indígenas. Em eventos, costuma usar cocar e adereços indígenas. Embora não tenha nenhuma relação com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, a APIB, o empresário, segundo indígenas, costuma usar as alianças da Conafer com lideranças para ele mesmo se colocar como uma.

“Todo apoio à Conafer fica condicionado ao compromisso de divulgação da Conafer e de associação a ela”, explicou ao Intercept um indigenista que vive com o povo Kaingang, no Rio Grande do Sul, onde a organização também está presente – seu nome não será divulgado porque ele teme represálias.

O presidente da Conafer chegou a ser convocado como representante dos indígenas para participar de uma audiência no Senado sobre a concessão da Rodovia BR-163 no Pará. Lopes ainda participou de outra reunião na Funai, fazendo reivindicações em nome dos indígenas. 

Na cerimônia em que Lopes recebeu o título de cidadania sergipana na Assembleia Legislativa de Sergipe, o deputado estadual Luiz Fonseca, do PP, disse que o presidente da Conafer é “reconhecido como liderança indígena de Xingu, Yanomami e Pindorama”. 

A Conafer defende uma visão mais ampla do pequeno agricultor, incluindo indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Dessa maneira, a organização tem uma possibilidade maior de associados. Apesar do nome de “confederação”, a entidade não é ligada a sindicatos, a CUT ou à Contag.

Um dos principais aliados do presidente da Conafer, a quem ele chama de “amigo e orientador”, é o senador Chico Rodrigues, do PSB de Roraima. 

O parlamentar já foi flagrado com dinheiro na cueca em uma operação da PF e defendeu o garimpo em terras indígenas. Além disso, teve um avião de sua propriedade flagrado circulando em garimpo ilegal em terra Yanomami, em 2018. 

Nada disso foi empecilho para, no ano passado, Rodrigues e Lopes lançarem juntos uma frente parlamentar mista em defesa do empreendedorismo rural.

Lopes defende uma autonomia dos indígenas em explorar seu próprio território, sem explicitar claramente em quais modalidades. Em sua fala no lançamento da frente parlamentar, ele associa seu programa de melhoramento genético com o empreendedorismo rural e cita os indígenas como um público-alvo.

“Fizemos o maior programa de melhoramento genético do mundo, acontecendo simultaneamente em 4.500 municípios. Hoje, com mais de 37 mil bezerros nascidos, com mais de 92 mil vacas prenhas confirmadas. Esses animais irão empreender essas propriedades. Empreender é criativizar e realizar. Hoje temos povos indígenas que têm a total capacidade de se assumir e se representar economicamente no mundo”, declarou.

Em fevereiro deste ano, uma ex-funcionária da Conafer, Maria Cícera Salustriano Caeteano, da aldeia Xukuru do Ororuba, lançou a Embaixada dos Povos Indígenas, em Brasília. 

A entidade se coloca como uma organização de defesa dos indígenas em contraponto à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, a APIB, que tem como uma de suas fundadoras a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara. 

Na ocasião do lançamento da Embaixada, a APIB divulgou uma nota informando não ter relação com a nova organização: “Não temos nenhum vínculo com a mesma, nem de seus reais propósitos”.

O Intercept entrou em contato com a Conafer e com o senador Chico Rodrigues, mas não houve um retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

Fonte: Intercept Brasil

ONU diz que Israel bloqueia entrada de alimentos no campo de extermínio de Gaza

Mais de 400.000 pessoas que dependem de refeições fornecidas pela ONU serão afetadas, alerta o PAM.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) diz que seus estoques de alimentos em Gaza estão completamente esgotados, já que o bloqueio da ajuda por Israel continua pela oitava semana.

Em um comunicado na sexta-feira, o PAM confirmou que “entregou seus últimos estoques de alimentos restantes” em Gaza para as cozinhas locais, que prevê que ficarão totalmente sem alimentos “nos próximos dias”.

Mais de 400.000 pessoas em Gaza dependem da ajuda do PAM, deixando-as com poucos recursos se essa tábua de salvação falhar, disse o representante da organização na Palestina, Antoine Renard, à Al Jazeera.

“Nós [ONGs locais] estamos todos acabando”, disse ele. “Estamos sendo esgotados.”

Desde 2 de março, Israel bloqueou totalmente a entrada de todos os suprimentos de ajuda, incluindo alimentos, remédios e combustível, desafiando uma ordem do Tribunal Mundial de 2024 para facilitar a entrada de assistência humanitária.

Os alimentos estocados durante um cessar-fogo de quase dois meses no início deste ano se esgotaram em grande parte, enquanto os preços dos poucos alimentos que restam no mercado aberto subiram 1.400%, de acordo com o PMA.

Reportando da Cidade de Gaza, Hani Mahmoud, da Al Jazeera, disse que a fome e a desnutrição são generalizadas.

“As pessoas estão com fome. Eles já estão racionando suprimentos”, disse ele. “Não são apenas as organizações, são também as famílias que ficam sem suprimentos.”

É “difícil imaginar” como centenas de milhares de famílias que dependiam de refeições diárias fornecidas pelo PAM “vão sobreviver”, acrescentou.

O Escritório de Mídia do Governo de Gaza alertou que a diminuição do suprimento de alimentos pode levar “milhares de famílias palestinas” à fome.

Ele relatou que 52 pessoas, incluindo 50 crianças, já morreram devido à fome e desnutrição, enquanto mais de um milhão de crianças passam fome todos os dias.

‘Intolerável’

Apesar da crise humanitária, Israel não mostrou sinais de reverter o bloqueio. Na semana passada, o ministro da Defesa, Israel Katz, disse que Israel continuaria bloqueando a ajuda, descrevendo-a como uma tática para “pressionar” o Hamas.

Os militares de Israel acusaram repetidamente o Hamas de explorar a ajuda – uma alegação que o grupo nega – e argumentam que devem manter todos os suprimentos fora para evitar que os combatentes os recebam.

No entanto, mesmo alguns dos aliados mais próximos de Israel condenaram publicamente a estratégia. Na quarta-feira, Alemanha, França e Reino Unido chamaram coletivamente a ação de “intolerável” e alertaram que ela está aumentando o risco de “fome, doenças epidêmicas e morte”.

Ataques israelenses matam dezenas

À medida que a crise alimentar se aprofundava, os ataques israelenses continuaram em todo o enclave devastado pela guerra. Pelo menos 78 pessoas foram mortas nas últimas 24 horas, disse o Escritório de Mídia do Governo de Gaza na sexta-feira. Isso incluiu 15 vítimas de ataques aéreos em casas em Khan Younis e uma mulher morta por um ataque de quadricóptero perto do campo de refugiados de Jabalia, de acordo com relatos da mídia local.

Enquanto isso, os esforços continuaram para reviver as negociações de cessar-fogo paralisadas no Cairo, onde uma delegação do Hamas deve se reunir com autoridades egípcias no sábado.

O oficial do Hamas, Taher al-Nunu, disse à AFP que a delegação do grupo no Cairo seria chefiada por Khalil al-Hayya. Ele reiterou que as armas do Hamas “não estão em negociação”.

Até agora, o esforço de trégua está em um impasse, com o Hamas insistindo em um cessar-fogo permanente e Israel oferecendo apenas tréguas temporárias e exigindo que o Hamas se desarme.

Mas os mediadores começaram a trabalhar em uma proposta que incluiria uma trégua de cinco a sete anos após a libertação de todos os cativos em Gaza e o fim dos combates, informou a Reuters, citando várias fontes informadas.

Desde que o cessar-fogo entrou em colapso em 18 de março, os ataques israelenses mataram mais de 1.900 palestinos, muitos deles civis, de acordo com autoridades de saúde em Gaza, e centenas de milhares foram deslocados quando Israel tomou o que chama de zona tampão.

Pelo menos 51.439 pessoas foram mortas e 117.416 feridas na guerra de Israel em Gaza desde que começou em outubro de 2023, de acordo com autoridades palestinas.

Fonte: Al Jazeera

Estudo detecta agrotóxicos em fórmulas infantis vendidas no Brasil

Os pesquisadores identificaram resíduos de pesticidas, micotoxinas e até medicamentos veterinários em produtos consumidos por crianças

Dois estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificaram a presença de substâncias potencialmente tóxicas em fórmulas infantis comercializadas no Brasil. As análises revelaram resíduos de agrotóxicos — incluindo compostos proibidos no país, como carbofurano e metamidofós — além de micotoxinas e fármacos veterinários.

Os resultados foram publicados em maio de 2024 e março de 2025, respectivamente, nos periódicos Journal of Chromatography A e Journal of Food Composition and Analysis.

A descoberta destaca a preocupação com a qualidade desses produtos, especialmente considerando o crescimento explosivo do seu consumo nos últimos anos. Segundo estudo publicado na revista Globalization and Health, o mercado de fórmulas infantis no Brasil cresceu 750% entre 2006 e 2020, saltando de R$ 278 milhões para R$ 2,3 bilhões.

“Mesmo quando os níveis estão abaixo dos limites considerados seguros, a presença dessas substâncias preocupa porque o organismo dos bebês ainda não tem capacidade de metabolizá-las e eliminá-las adequadamente”, afirma Marcella Vitória Galindo, autora da pesquisa de doutorado, em comunicado.

Agrotóxicos e micotoxinas

Na primeira etapa do estudo, os pesquisadores analisaram 30 amostras de fórmulas infantis disponíveis no mercado nacional. A investigação se baseou em uma lista com 23 contaminantes em potencial —19 agrotóxicos e quatro micotoxinas — selecionados com base em dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Foram encontrados resíduos de fenitrotiona, clorpirifós e bifentrina, todos abaixo dos limites estabelecidos pela União Europeia — referência adotada no estudo devido à ausência de uma legislação específica no Brasil. Ainda assim, os pesquisadores destacam que a simples presença dessas substâncias já representa um risco potencial.

O caso mais preocupante envolveu o carbofurano, agrotóxico proibido no país desde 2017, detectado em 10% das amostras. A hipótese dos pesquisadores é que a contaminação tenha ocorrido por bioacumulação, quando o composto, mesmo sem uso recente, permanece por anos no ambiente e acaba chegando aos alimentos.

“Mesmo não sendo mais utilizado, o composto pode ainda permanecer no ambiente por muitos anos e contaminar os alimentos”, explicou a professora Helena Teixeira Godoy, orientadora da pesquisa.

Além disso, a triagem apontou a presença de 32 compostos não previstos inicialmente, incluindo hormônios e medicamentos veterinários, possivelmente introduzidos durante a produção das matérias-primas, como leite de vaca e de cabra.

Compostos em concentração acima do permitido

Na segunda fase, os pesquisadores ampliaram a triagem para um banco de dados com 278 substâncias, entre agrotóxicos e derivados. Os resultados foram ainda mais preocupantes: seis compostos foram encontrados em 86,6% das amostras.

Entre eles, estavam a ftalimida, a cis-1,2,3,6-tetra-hidroftalimida, o pyridaben, o bupirimate, o piperonil butóxido e o metamidofós — este último também proibido no Brasil desde 2012. As três primeiras substâncias apareceram em níveis superiores ao permitido pela União Europeia.

Segundo os pesquisadores, os resíduos podem ter sido introduzidos em diferentes etapas, desde a origem das matérias-primas até o processamento industrial e o contato com materiais das embalagens.

Falta de regulação no Brasil

Um dos principais problemas identificados pelos pesquisadores é a ausência de uma regulamentação nacional específica para fórmulas infantis no que diz respeito a contaminantes como pesticidas e fármacos. Por isso, os estudos se basearam em parâmetros internacionais para avaliar os riscos.

“Não adianta existirem normas se não for possível sabermos se os produtos atendem ou não a elas”, afirmou Godoy.

De acordo com a pesquisadora, o objetivo do trabalho não é desestimular o uso das fórmulas, mas contribuir para que esses produtos atendam a padrões mais rigorosos de qualidade. “O processamento é importante e, desde que feito dentro das normas estabelecidas, garante um alimento de qualidade”, reforçou.

Os produtos analisados foram coletados em 2023, e os lotes testados não estão mais disponíveis no mercado. Por razões éticas, os nomes das marcas envolvidas não foram divulgados.

Fonte: Metrópoles

Estudantes e professores da Uncisal fazem protesto no Centro de Maceió para cobrar nomeações

Estudantes e professores da Uncisal (Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas) realizam, na manhã desta quinta-feira (24), um protesto para cobrar as nomeações dos docentes de dedicação exclusiva do ciclo de 2023, assim como as progressões (de 20h para 40h) e a convocação dos aprovados no último processo seletivo para os cursos da instituição.

A manifestação, que ocorre Palácio dos Martírios, no Centro de Maceió, conta com o apoio e participação do Sinmed (Sindicato dos Médicos de Alagoas), que ressaltou a necessidade de urgência na tomada de decisão do governo. “Faz algum tempo que alunos e docentes tentam viabilizar essas demandas, mas esgotadas todas as tentativas, não houve sucesso, daí o protesto”, disse a presidente do Sinmed, Sílvia Melo.

O protesto deixou apenas uma via liberada, causando congestionamento em parte do Centro da cidade. 

TNH1 entrou em contato com o Governo de Alagoas, por meio da assessoria de comunicação, e aguarda retorno.

Fonte: TNH1

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