Brasil e dezenas de outros países deixam genocida israelense falando sozinho na ONU

Nunca na história da organização houve tamanha repulsa a um representante de estado, conhecido hoje, mundialmente, pelo genocídio criminoso e covarde praticado contra os palestinos

A delegação do Brasil abandonou o plenário da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na tarde desta quinta-feira (24). O mesmo gesto de repulsa ao ditador israelense, conhecido em todo mundo pelo genocídio praticado contra o povo palestino, aconteceu na edição do evento no ano passado.

O ditador foi vaiado por muitos dos presentes e a debandada do espaço foi massiva, feita também por diversas outras delegações. O presidente da sessão, Khalilur Rahman, teve de pedir mais de uma vez ordem no espaço. E Netanyahu apelou dizendo que “se outros covardes morais ainda estivessem presentes, poderiam se retirar”, no que foi atendido.

Não há, na história da ONU, registro de tamanha rejeição por parte de inúmeras nações ao mesmo tempo a um representante de um determinado país. Netanyahu conseguiu a façanha de unificar quase todo mundo contra ele, ficando ali, em plenário, apenas os poucos países cujos governos são submissos a Donald Trump, o atual inquilino da Casa Branca, que insiste em dar respaldo e ser conivente com a política criminosa e covarde praticada pelo ditador israelense.

Durante seu discurso nas Nações Unidas na terça (22), quando abriu os debates, o presidente Lula mencionou nominalmente Netanyahu e o acusou de praticar genocídio em Gaza.

“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, disse Lula, que retornou ao Brasil naquele dia.

A delegação do Brasil no momento do discurso de Netanyahu era composta por funcionários da missão do Brasil na ONU; o chanceler Mauro Vieira, que segue em agenda em Nova York, não estava no momento. Ele participava, justamente, de um evento em apoio à agência da ONU para refugiados palestinos, a UNRWA.

O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, também não estava presente, pois participava do mesmo evento que Vieira, que fora organizado por Brasil, Jordânia e Espanha. O português, que está prestes a deixar o cargo, já chegou a ser declarado persona non grata por Israel, devido a suas críticas às agressões promovidas por Netanyahu em Gaza. Lula também recebeu a mesma designação, o que não deixa de ser uma honraria, tratando-se do ditador israelense.

Durante sua participação no evento, Vieira criticou as ações de Tel Aviv. Disse que “há quase três anos, Israel vem conduzindo uma campanha orquestrada contra as operações, instalações e funcionários da UNRWA por meio de ataques militares ilegais, legislação ilícita, desinformação, difamação e perseguição jurídica”.

Referia-se, especificamente, ao fato de as autoridades israelenses terem demolido a sede principal da agência para refugiados palestinos em Jerusalém Oriental em janeiro passado e, mais recentemente, em agosto, terem invadido e confiscado o maior centro de formação profissional da organização, em Qalandiya, na Cisjordânia.

Há um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional contra Netanyahu por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Como não são signatários do Estatuto de Roma, base jurídica do TPI, os EUA não se veem obrigados a cumprir a ordem em sua jurisdição.

O prefeito de Nova York, o muçulmano Zohran Mamdani, chegou a dizer, há alguns meses, que prenderia Netanyahu caso ele pisasse em Nova York se tivesse autoridade para isso. Na sede da ONU, cidade com alta concentração de judeus, verificaram-se vários protestos contra a presença de Netanyahu no evento mundial.

Mas a polícia de Trump, solidária a Netanyahu, prendeu cerca de cem manifestantes, entre os quais as atrizes Hannah Einbinder (de “Hacks”) e a ganhadora do Oscar Susan Sarandon. Durante a tarde, a concentração foi no Bryant Park, a seis quadras da sede da ONU.

Netanyahu, incomodado, atacou Mamdani em seu discurso, dizendo que ele apoia o Hamas e terroristas, no que o prefeito de Nova York retrucou à altura, afirmando que Netanyahu “repete mentiras” para “encobrir o genocídio de palestinos”.

Coincidentemente, Netanyahu discursou na ONU no mesmo dia do discurso do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Funcionários da própria organização estavam tensos com esse fato, prevendo confusões. Abbas participou por videochamada, dado que a ditadura de Trump negou-lhe conceder um visto para que viajasse a Nova York.

Fonte: Hora do Povo

Em comício com milhares de apoiadores em Maceió, Lula promete acabar com as bets

Uma multidão ocupou a Praça Marechal Deodoro, no Centro de Maceió, na noite do dia 24/09, para acompanhar o comício do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nos discursos, Lula destacou realizações de seus mandatos e defendeu investimentos em educação, tecnologia e saúde. O presidente também criticou a expansão das apostas esportivas digitais, afirmando: “Eu vou acabar com as bets antes de as bets acabarem com o Brasil”. Em outro momento, fez referência ao adversário JHC (PSDB), comparando-o ao ex-presidente Fernando Collor e declarando: “Raposa não toma conta de galinheiro”.

O presidente Lula dividiu o palanque com o governador Paulo Dantas, o senador Renan Calheiros, o candidato ao Senado Dr. José Wanderley e o candidato a governador Renan Filho. A mobilização foi apresentada como demonstração de força eleitoral e reforço da aliança entre os governos federal e estadual.

A primeira dama Janja também discursou. Ela destacou o papel das mulheres nessa eleição e falou sobre a situação das mulheres pescadoras e marisqueiras de Alagoas.

Os apoiadores do presidente Lula começaram a chegar na praça por volta das 15h, foram delegações de diversos bairros de Maceió e de muitas cidades do interior do Estado. Com faixas e cartazer de apoio ao presidente, eles também pediram o fim da escala 6×1 e a realização de uma reforma política radical.

Redação com Tribuna Hoje

Juíza proíbe Luciano Hang de fazer manifestação político-eleitoral na Havan

Decisão atendeu a um pedido do MPT, que denunciou Hang e a loja Havan por assédio eleitoral

A juíza Glenda Maria Coelho, do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-18), determinou que o empresário Luciano Hang se abstenha de realizar manifestação político-eleitoral em ambientes de trabalho ligados à Havan. A decisão, publicada nesta quarta-feira (23/9), atendeu a um pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT), que processou Hang e a Havan por assédio eleitoral.

Segundo a liminar, Hang não pode “proferir, gravar ou fazer divulgar, em estabelecimento, evento, solenidade, reunião, treinamento ou canal institucional da Havan, ou perante pessoas que lhe prestem serviços reunidas em razão do vínculo, manifestação de conteúdo político-eleitoral, aí compreendida a que associe proposição legislativa em tramitação, candidatura ou partido ao voto, ao emprego, à remuneração ou ao poder de compra de quem trabalha”. A juíza fixou uma multa de R$ 50 mil por evento ou publicação que descumpram a decisão.

A magistrada ainda determinou que todas as pessoas que prestam serviços à Havan sejam avisadas, em cinco dias, da decisão.

Além disso, a magistrada afirmou que, no dia de votação, a loja deverá liberar todas as pessoas escaladas para trabalhar, empregadas ou terceirizadas, “pelo tempo necessário ao deslocamento, à fila e ao voto, nunca inferior a 4 horas contínuas dentro do horário de votação, sem prejuízo remuneratório, sem compensação e sem registro desabonador, vedada a designação de escala que discrimine em razão de manifestação política”.

Fonte: Metróples

Haddad quer rever privatização da Sabesp, da CPTM e pedágios: “Interesse do usuário na frente”

Nesta segunda-feira (21), ocorreu uma sabatina, em que deveria ser um debate, organizado pela TV Record, onde o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), esteve sozinho no estúdio. O atual governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), faltou ao evento, deixando o púlpito com seu nome vazio no palco do programa.

Em função do descumprimento do compromisso por Tarcísio, a emissora transformou o espaço para a conversa com Haddad. Para Haddad, no entanto, o não comparecimento reflete uma manobra deliberada para fugir do confronto de propostas. “Em uma eleição com apenas dois candidatos com pontuação elevada, essa decisão é ruim para a democracia porque sonega ao eleitor a oportunidade de comparar”, declarou o candidato do PT.

Durante a entrevista, Haddad afirmou que pretende rever contratos envolvendo a privatização da Sabesp, das linhas da CPTM e a implantação do pedágio eletrônico nas rodovias, chamado Free Flow. 

Ao falar sobre a revisão dos contratos, Haddad afirmou que pretende analisar, nos primeiros seis meses de um eventual governo, os acordos firmados pela atual administração. Segundo ele, a medida seria necessária para recuperar as contas do Estado e melhorar a prestação de serviços públicos. “Eu pretendo rever todos os contratos assinados pelo Tarcísio, assim como eu fiz quando eu fui ministro da Fazenda [durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva]”, afirmou.

O primeiro caso mencionado por Haddad foi o da privatização da Sabesp. O candidato afirmou que não pretende inicialmente reestatizar a companhia, mas disse que iria renegociar os termos do contrato e cobrar o cumprimento das obrigações previstas. Ele afirmou que havia alertado, em 2022, que a privatização poderia elevar a conta de água e que, desde então, o serviço teria piorado.

“Eu vou rever o contrato primeiro e se ela não cumprir, eu vou judicializar e eventualmente retomar a empresa para o controle público”, afirmou. Haddad disse que uma eventual reestatização dependeria do descumprimento das obrigações e de medidas judiciais, para evitar a necessidade de indenizar a empresa. Ele também citou reclamações registradas no Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) e problemas de abastecimento como justificativas para a revisão.

Na sequência, Haddad criticou a concessão e a expansão do sistema de transporte sobre trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Ele afirmou que não pretende privatizar novas linhas do metrô nem aquelas que ainda permanecem sob controle público e disse que as concessões existentes apresentam mais falhas para os usuários.

“Antes de pensar em vender, porque agora só se fala em vender tudo para a iniciativa privada, a gente tem que colocar o interesse do usuário na frente do interesse do setor privado”, afirmou. Haddad defendeu cláusulas mais rigorosas nos contratos e disse que pretende interromper novas privatizações e cobrar das empresas o cumprimento das obrigações assumidas.

O candidato também incluiu os contratos relacionados ao Free Flow (sistema de cobrança eletrônico, sem praças físicas, cabines ou cancelas) entre os que pretende revisar. Segundo Haddad, o modelo foi implantado de maneira inadequada pelo governo Tarcísio em algumas estradas porque manteve praças de pedágio existentes ao mesmo tempo em que adicionou a cobrança automática. “Eu acho que o Tarcísio errou no planejamento de instalação do Free Flow”, afirmou. Para Haddad, o sistema deveria substituir as praças de pedágio, e não se sobrepor a elas.

Ao defender a revisão dos contratos, Haddad afirmou ainda que pretende recuperar recursos para recompor as contas estaduais e ampliar investimentos em áreas como saúde, educação e segurança. Segundo ele, o Estado teria passado de mais de R$ 20 bilhões em caixa para R$ 5 bilhões em caixa livre durante a gestão Tarcísio. “Eu vou ter que recuperar o caixa do Estado para promover a valorização do serviço público”, disse.

Até aqui, a corrida eleitoral paulista contou com apenas um debate com a presença de ambos os adversários, realizado no dia 9 de agosto, na Band, marcado por forte repercussão e troca de acusações.

A equipe de campanha de Tarcísio justificou a ausência alegando que a prioridade neste momento é “conciliar as agendas de candidato com a de governador” e afirmou, em nota enviada à Record, que os temas essenciais “têm sido debatidos diariamente ao longo da campanha”.

Fonte: Hora do Povo

Flávio Bolsonaro viajou para os EUA no avião do criminoso Daniel Vorcaro

Uma viagem realizada por Flávio Bolsonaro (PL) entre os Estados Unidos e o Brasil, em janeiro de 2025, foi feita em uma aeronave cuja estrutura societária incluía uma empresa que tinha o ex-banqueiro Daniel Vorcaro entre seus sócios. A informação foi publicada em matéria do jornalista Breno Pires, na revista piauí, nesta quarta-feira (23).

O voo ocorreu em 19 de janeiro de 2025, quando Flávio retornou da Flórida para Brasília, na véspera da posse de Donald Trump. Segundo a piauí, estavam no avião a mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal. A aeronave era um Legacy 650, de prefixo PP-NLR, o mesmo jato do qual o ministro Alexandre de Moraes, do STF, foi registrado desembarcando meses depois, em agosto.

A viagem já havia sido revelada pelo jornal O Globo, que encontrou o registro do deslocamento entre Fort Lauderdale e Brasília durante uma investigação relacionada a fraudes no INSS. Na ocasião, segundo o jornal, Flávio estava acompanhado do advogado e empresário Willer Tomaz, também investigado no caso, e o grupo utilizou uma aeronave administrada pela empresa Prime You.

A piauí chegou à identificação do avião ao cruzar informações de tráfego aéreo, registros de pousos e decolagens e dados do Registro Aeronáutico Brasileiro. A propriedade formal da aeronave estava registrada em nome da Fraction 024, empresa dividida em três participações iguais. Uma das cotas pertencia a Tomaz; outra, ao empresário Laércio Cosentino, fundador da TOTVS. A terceira havia sido adquirida pela Prime You no final de 2024.

Segundo dados citados pela revista, Vorcaro foi sócio da Prime You entre 2021 e setembro de 2025. Em nota, Tomaz confirmou que possuía um terço da empresa proprietária do jato e afirmou que a Prime You era responsável pela administração e pela organização dos voos. Ele disse ter descoberto apenas em abril deste ano que Vorcaro também havia adquirido uma participação e, depois disso, rompeu o contrato e iniciou uma disputa judicial com a empresa.

A viagem ocorreu justamente em um período de negociações envolvendo o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Vorcaro teria destinado pelo menos R$ 65 milhões à produção, e Flávio é investigado no STF em um inquérito relacionado ao longa. O calendário previa um primeiro repasse de US$ 2 milhões em 20 de janeiro, um dia após o voo. Na mesma data, Flávio cobrou de um intermediário uma resposta rápida do departamento jurídico do investidor. O pagamento, contudo, só foi realizado em 13 de fevereiro.

O nome de Moraes entrou no episódio meses depois. Após a divulgação de imagens do ministro desembarcando do mesmo avião, Flávio fez críticas ao magistrado nas redes sociais: “Moraes é o principal responsável por Lula voltar à cena do crime”. Nesta quarta-feira, a campanha do senador também solicitou a André Mendonça que Lula seja investigado por suposta atuação em benefício de Vorcaro. A Presidência nega que o presidente tenha recebido presentes ou enviado recados ao ex-banqueiro.

Tomaz declarou à piauí que costumava disponibilizar assentos livres do avião a amigos que viajavam para os mesmos destinos, sem cobrança ou contrapartida. Ele não informou, porém, se Flávio e seus familiares estavam no voo a convite dele. O senador e a defesa de Vorcaro não responderam aos questionamentos da revista.

Fonte: ICL

Assessora de Flávio Bolsonaro negociou liberação de emendas com miliciano condenado no caso Marielle

Uma investigação da PF (Polícia Federal) de julho deste ano mostra que uma assessora de Flávio Bolsonaro (PL) destinou uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil para um projeto esportivo a pedido de Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, condenado no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) por organização criminosa.

As mensagens obtidas pela investigação mostram que, em 2023, a assessora Maria de Fátima Bezerra Castro tratou com Robson Calixto sobre a liberação de emendas parlamentares destinadas a um projeto executado pelo Ifop (Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio), no Rio de Janeiro. As conversas foram reveladas pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

Segundo a investigação, uma das emendas negociadas era de R$ 199 mil para um projeto de futebol desenvolvido pelo instituto. A entidade está localizada na Taquara, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro apontado como área de influência dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) como mandantes do assassinato de Marielle Franco.

De acordo com a PF, há indícios de que o dinheiro da emenda tenha sido desviado. Os investigadores também apontam que as conversas indicam uma relação próxima entre a assessora de Flávio Bolsonaro e Robson Calixto, que intermediava pedidos relacionados às emendas.

As mensagens mostram que o condenado encaminhava demandas ao gabinete de Flávio Bolsonaro para tratar da liberação dos recursos e do andamento dos repasses. Além das tratativas sobre as emendas, a PF identificou pedidos de favores, como solicitações de ingressos para o Carnaval, considerados pelos investigadores como possíveis vantagens indevidas.

Conversas entre assessora de Flávio Bolsonaro e miliciano

Em uma conversa de novembro de 2023, Robson Calixto pede auxílio de Maria de Fátima: “Amiga não esquece do Ifop não, vê se o Senador consegue nos agraciar, para não terminar o nosso projeto”. Em resposta, ela diz: “Reforça o pedido com o senador”.

Em janeiro de 2024, a assessora faz um pedido para Calixto: “Já estou te perturbando rsrsrs será que consegue 4 ingressos pro desfile das campeãs no camarote Arpoador?”.

Defesa de Flávio Bolsonaro

Em nota, a assessoria do senador afirmou que todos os repasses foram realizados dentro da legislação e seguiram critérios técnicos definidos pelo Ministério do Esporte.

“A emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. A entidade executora apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados. A responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar. Eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle, como determina a lei”, diz o comunicado.

Fonte: NDMais

Grupo americano em hotel de luxo de SP é suspeito de trabalhar para Flavio Bolsonaro

Equipe de Peter Thiel desembarcou em peso em hotel de luxo de São Paulo a três meses da campanha

Um grupo de funcionários do bilionário estadunidense Peter Thiel desembarcou em peso em São Paulo em maio deste ano. Um documento interno do hotel Rosewood, obtido pela newsletter Noites Húngaras, identifica nominalmente 15 hóspedes sob o título “Thiel Capital & Presidio One” — uma referência à empresa que administra os investimentos pessoais do cofundador da Palantir e a uma companhia registrada no mesmo endereço da Thiel Capital, em Los Angeles.

A Palantir, co-fundada por Peter Thiel, é uma das empresas mais poderosas e controversas da indústria de tecnologia. A empresa presta serviços de análise de grandes volumes de dados principalmente para governos, militares e serviços de inteligência – inclusive os mecanismos de monitoramento e repressão contra imigrantes nos EUA, o ICE, e alimentando sistemas de Israel para definir alvos palestinos em Gaza. Thiel, seu fundador, é ideólogo e financiador da direita dos EUA – e principal elo de ligação entre a indústria de tecnologia e Trump.

Muito antes que os tech bros abraçassem Trump, Thiel foi pioneiro em ligar o Vale do Silício – que antes se inclinava para os democratas – ao autoritarismo. Em 2009, Thiel escreveu que já não acreditava que “liberdade e democracia” fossem compatíveis, uma declaração que se tornou a referência mais conhecida de seu pensamento político.

Thiel foi um dos primeiros bilionários do Vale do Silício a apoiar Donald Trump, ainda em 2016, e é um dos principais líderes da rede conservadora Rockbridge — grupo hoje no centro de suspeitas sobre uma possível atuação estrangeira na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Oficialmente, o bilionário desembarcou em São Paulo em 30 de abril, segundo reportagem publicada Valor Econômico no início de maio, para um encontro presencial com a equipe da Enter, startup brasileira de inteligência artificial aplicada ao setor jurídico, durante o fechamento de uma rodada de investimentos.

A empresa, que alcançou o status de “unicórnio”, como são chamadas startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, promete usar IA para ajudar empresas a lidarem com o que definem como alto volume de litigância no Brasil. A Enter tem em seu conselho consultivo nomes como o ex-presidente do STF Luís Roberto Barroso e o apresentador e empresário Luciano Huck.

Naquele dia, a Enter promoveu um encontro com CEOs e dirigentes de algumas das maiores empresas do país, segundo seus organizadores. Thiel participou pessoalmente do evento, no qual falou sobre inteligência artificial e temas globais.“A visita foi algo maior do que um único investimento” do fundo de Thiel, escreveu no Linkedin Júlio Vasconcellos, também investidor da Enter.

Não se sabe quem mais estava no evento, e nem quais outros interesses ou encontros Thiel teve no Brasil. Mas nós descobrimos que ele não veio sozinho – pelo contrário, trouxe uma estrutura consigo. O documento interno do Rosewood obtido pela reportagem mostra que, naquele mesmo período, o hotel recebeu 15 hóspedes reunidos sob uma única identificação: “Thiel Capital & Presidio One”.

A lista de funcionários de Thiel que se hospedou no Rosewood chama atenção não apenas pelo tamanho, mas também por quem estava nela. Entre os hóspedes aparecem Hanna Leeke, identificada publicamente como assistente executiva pessoal de Peter Thiel; Andrew Dias, diretor de tecnologia da Thiel Capital; e Kaitlin Leard, também funcionária da empresa.

Thiel avança sobre a América Latina

A movimentação ocorre num momento em que Thiel aumenta sua presença na América Latina. Na vizinha Argentina, ele passou meses deste ano aproximando-se do governo Javier Milei.

Thiel reuniu-se com Milei e integrantes de seu gabinete e comprou uma residência em Buenos Aires. A movimentação do bilionário chegou ao Congresso argentino: parlamentares da oposição realizaram, em agosto, uma audiência de cinco horas para discutir seus interesses no país.

Naquele mesmo mês, documentos apresentados à SEC, órgão regulador do mercado financeiro dos Estados Unidos, revelaram que a Thiel Macro, empresa de investimentos do bilionário, havia comprado cerca de US$ 76 milhões em ações da Vista Energy, produtora de petróleo com forte atuação em Vaca Muerta, principal polo de petróleo e gás de xisto da Argentina.

A controvérsia chegou também às ruas. Manifestantes foram até a mansão comprada pelo bilionário em Buenos Aires para protestar contra sua presença e contra medidas do governo que, na avaliação de opositores, poderiam favorecer interesses de grandes investidores estrangeiros.

A experiência argentina ajuda a dimensionar as perguntas levantadas pela passagem por São Paulo. Thiel, afinal, está longe de ser apenas um investidor do Vale do Silício. Além de apoiador de Donald Trump, é um antigo financiador de J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos. A rede conservadora Rockbridge, co-fundada por Vance, tem Thiel entre seus financiadores de destaque e montou uma infraestrutura de organizações para influenciar eleições, mídia e mobilização política nos Estados Unidos.

O braço tecnológico desse poder é a Palantir, empresa que Thiel co-fundou e que se tornou uma importante fornecedora de sistemas de análise de dados e inteligência artificial para governos e Forças Armadas. A companhia teve investimento inicial da In-Q-Tel, braço de venture capital ligado à CIA, e seus sistemas são utilizados em áreas de defesa e inteligência.

A expansão da Palantir já provoca discussões sobre soberania de dados em outros países. No Brasil, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, vinculado ao Ministério da Educação, utilizou a plataforma Foundry da Palantir a partir de dezembro de 2023, por meio de um contrato firmado com o Serpro; em julho deste ano, o órgão anunciou que estava descontinuando a ferramenta e afirmou que ela havia operado exclusivamente com dados públicos ou passíveis de divulgação.

Já no setor privado, a Globo mantém relação com a Palantir desde 2019 e chegou a estender a parceria para usar a Foundry na integração e análise de seus mais de 2 petabytes de dados.

A atuação da empresa também entrou no radar do Congresso: em fevereiro, o deputado Rui Falcão, do PT paulista, apresentou um requerimento cobrando do Ministério da Fazenda informações sobre contratação, subcontratação ou oferta de sistemas da Palantir no âmbito do Serpro e da administração federal.

Agora, sabemos que, em plena expansão política e empresarial de Thiel na América Latina, uma comitiva identificada diretamente com sua estrutura de investimentos esteve reunida em São Paulo. Pode ser só uma viagem de negócios – o que já deve levantar um alerta. Mas seus investimentos são entrelaçados com a política extremista e com o avanço do tecnofascismo no mundo – e essas são razões fortes o bastante para não ignorar.

A reportagem procurou a Thiel Capital e a Enter para obter mais informações sobre a visita de Peter Thiel ao Brasil, mas, até a publicação deste texto, não recebeu resposta. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Fonte: newsletter.ctrlz

Lula manda mensagem para Trump na ONU: o Brasil não cabe no quintal de ninguém

Ao afirmar na tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não apenas enviou uma mensagem em defesa da soberania brasileira. A frase reproduz o título de uma das principais obras do economista Paulo Nogueira Batista Jr., O Brasil não cabe no quintal de ninguém, livro dedicado justamente à defesa da autonomia nacional e de uma presença independente do Brasil no sistema internacional.

No discurso desta terça-feira (22), em Nova York, Lula alertou para o retorno das disputas por zonas de influência, condenou interferências estrangeiras em processos eleitorais e defendeu o direito dos países latino-americanos de decidirem soberanamente seus próprios caminhos. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou o presidente, acrescentando que o país busca parceiros capazes de contribuir para seu desenvolvimento.

A formulação remete diretamente ao livro de Paulo Nogueira Batista Jr., cuja primeira edição foi lançada em 2019 e que posteriormente ganhou uma versão ampliada, revista e atualizada. Finalista do Prêmio Jabuti de 2020 na categoria Ciências Sociais, a obra reúne relatos e reflexões a partir da experiência internacional do economista, que representou o Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI) e depois ocupou a vice-presidência do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição criada pelos BRICS.

Uma tese sobre o lugar do Brasil no mundo

Mais do que uma frase de efeito, o título do livro sintetiza uma visão sobre o papel que o Brasil pode desempenhar na ordem internacional. A obra recupera os bastidores de mais de uma década de atuação de Paulo Nogueira Batista Jr. em Washington e Xangai e descreve negociações relacionadas à reforma do sistema financeiro internacional, ao fortalecimento dos BRICS e à criação de instituições capazes de ampliar a voz dos países emergentes.

Um dos fios condutores do livro é a crítica ao chamado “complexo de vira-lata” brasileiro. A tese defendida pelo economista é que a dimensão territorial, econômica, populacional e diplomática do Brasil oferece ao país condições singulares para atuar de maneira autônoma em um mundo multipolar, sem necessidade de subordinação automática a qualquer grande potência. O nacionalismo defendido na obra está associado à busca pelo desenvolvimento, pela democracia, pela justiça social e pela independência na política externa.

Nesse sentido, a frase pronunciada por Lula na ONU acabou funcionando também como uma homenagem involuntária — ou uma referência direta — a uma formulação que Paulo Nogueira Batista Jr. transformou em título e em tese política e econômica anos atrás.

Soberania diante das grandes potências

Em seu pronunciamento, Lula afirmou que a América Latina vive novamente pressões externas e advertiu contra a divisão do planeta em áreas submetidas à influência das grandes potências. “A democracia está novamente em xeque”, disse o presidente, ao mencionar interferências externas em processos eleitorais e “investidas neocoloniais por recursos estratégicos”.

Lula também rejeitou a militarização da região e defendeu maior integração entre os países latino-americanos, independentemente das diferenças ideológicas entre seus governos. Ao abordar as eleições brasileiras, afirmou que o pleito será transparente e competitivo e declarou que o país não aceitará interferências externas contra a vontade expressa nas urnas.

A convergência entre o discurso presidencial e o livro de Paulo Nogueira Batista Jr. vai, portanto, além da coincidência literal da frase. Ambos partem de uma mesma questão histórica: qual deve ser o lugar de um país das dimensões do Brasil em um sistema internacional marcado pela competição entre grandes potências?

A resposta contida no título da obra e agora projetada da tribuna das Nações Unidas é inequívoca quanto à defesa da autonomia: o Brasil é grande demais para aceitar a condição de quintal de qualquer potência.

Fonte: Brasil 247

Ministério da Justiça demite Eduardo Bolsonaro por abandono de cargo na Polícia Federal

O Ministério da Justiça oficializou, nesta segunda-feira (21), a demissão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal (PF).

O motivo da demissão é infração disciplinar de “abandono de cargo”, após Eduardo “faltar ao serviço injustificadamente pelo período superior a trinta dias consecutivos”.

A determinação foi assinada pelo ministro Wellington Lima e Silva na última sexta-feira (18), e publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda.

A saída encerra o vínculo de Eduardo com uma carreira que tem remuneração inicial superior a R$ 14 mil e permite progressão salarial ao longo dos anos de serviço.

Procurado pelo blog, o Ministério da Justiça informou que Eduardo Bolsonaro estava sem receber salário desde que assumiu o mandato de deputado federal pela primeira vez, em 2015, e se licenciou do cargo na PF. Segundo o MJ, quando perdeu o mandato, no fim do ano passado, “não houve o restabelecimento do pagamento de remuneração” de escrivão.

Eduardo estava afastado de suas funções na PF para cumprir o seu mandato na Câmara dos Deputados. Contudo, teve o mandato cassado em 18 de dezembro de 2025 por excesso de faltas.

🔎A perda do mandato foi declarada com base em uma regra da Constituição que proíbe deputados e senadores de faltar a mais de 1/3 das sessões deliberativas do ano.

Eleito por São Paulo, Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos desde o início do ano passado. Ele tem afirmado que a mudança ocorreu para evitar uma suposta perseguição política e jurídica no Brasil.

Condenado no STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou na sexta-feira (18), por unanimidade, um recurso apresentado pela defesa de Eduardo contra a condenação por tentativa de interferir no julgamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na trama golpista.

Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão em junho deste ano. A pena deverá começar a ser cumprida em regime semiaberto. Também ficará inelegível por 12 anos, sem poder ser eleito até 2038.

O voto do ministro Alexandre de Moraes, relator, foi seguido por Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin no plenário virtual.

Eduardo Bolsonaro é acusado de promover junto ao governo Donald Trump, dos Estados Unidos, ações para criar um clima de instabilidade e temor, ameaçando e projetando retaliações estrangeiras contra ministros do STF e o Brasil.

O objetivo das ações do deputado cassado no exterior, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), era tentar impedir que o ex-presidente Jair Bolsonaro fosse condenado na chamada trama golpista. Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão e cumpre prisão domiciliar.

Fonte: G1

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