Colômbia expulsa diplomatas israelenses após Israel sequestrar Flotilha humanitária

Anúncio veio do presidente Gustavo Petro após Israel interceptar Flotilha Global Sumud

Após relatos de que Israel deteve em águas internacionais dois cidadãos colombianos envolvidos em ajuda humanitária à Palestina, o presidente colombiano Gustavo Petro anunciou a denúncia do acordo de livre comércio com Israel e a expulsão da delegação diplomática israelense do país. A reportagem é da agência Sputnik:

“Se essa informação for verdadeira, trata-se de um novo crime internacional de [primeiro-ministro israelense Benjamin] Netanyahu. Dois cidadãos colombianos, engajados no apoio humanitário à Palestina, foram detidos em águas internacionais. O Ministério das Relações Exteriores deve apresentar todas as ações cabíveis, inclusive na Justiça israelense. Convido juristas internacionais a se somarem aos nossos advogados para defender a Colômbia. O acordo de livre comércio com Israel está sendo denunciado imediatamente. Toda a delegação diplomática israelense na Colômbia deve deixar o país”, escreveu Petro na rede X.

Segundo a Al Jazeera, forças israelenses detiveram nesta quarta-feira ativistas de embarcações que lideravam a Frota Global Sumud, entre eles um repórter da emissora.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel confirmou que a marinha israelense interceptou várias embarcações da Frota Global Sumud e está transferindo os passageiros para um porto israelense.

Fonte: Brasil 247

Israel sequestra Flotilha que levava ajuda humanitária para Gaza

A Flotilha humanitária Sumud que ruma para Gaza foi interceptada nesta madrugada pelas forças coloniais israelenses, que abordaram os barcos e sequestraram ativistas, vindos do mundo inteiro, entre os quais a deputada federal brasileira Luizianne Lins, a deputada portuguesa Mariana Mortagua, a deputada francesa Emma Fourreau, a ecologista Greta Thunberg, e o brasileiro Thiago Ávila, já detido em junho quando participava de missão anterior da Flotilha da Liberdade.

A missão internacional busca levar alimentos, água e medicamentos à Faixa de Gaza e é integrada por mais de 500 pessoas, entre parlamentares, juristas e ativista, de 46 países, em 44 barcos, em socorro da martirizada população palestina há mais de 600 dias submetida à fome, deslocamento forçado e genocídio.

O porta-voz da Flotilha Global Sumud, Saif Abukeshek, forneceu uma “atualização da missão” em um post no Instagram, confirmando que as forças israelenses interceptaram 13 barcos no mar. Havia mais de 201 pessoas de 37 países nesses barcos, incluindo 30 participantes da Espanha, 22 da Itália, 21 da Turquia e 12 da Malásia. Luizianne viajava no barco Grande Blu. Até o momento da edição, outros 30 barcos seguiam tentando chegar a Gaza.

Conforme o precedente de junho, quando o barco Madleen, da Flotilha da Liberdade, foi capturado em circunstâncias semelhantes, os ativistas devem ser posteriormente deportados.

Milhares marcharam em cidades no mundo inteiro – como Buenos Aires, Berlim e Atenas – tão logo se soube da interceptação da flotilha e se multiplicam as convocações por manifestações de repúdio.

Em Roma, centenas de pessoas gritando “vamos bloquear tudo” se reuniram em frente à estação Termini da cidade, levando as autoridades a limitar o acesso e fechar algumas estações de metrô. Manifestantes pró-palestinos marcharam em Milão, Turim e Gênova, enquanto manifestantes em Nápoles e Pisa ocuparam brevemente as plataformas das estações e bloquearam trens. Milhares também se reuniram em Bolonha carregando faixas e bandeiras.

A mídia italiana estimou que 10.000 manifestantes tomaram as ruas de Roma em apoio à Flotilha, enquanto as redes de televisão locais especulavam sobre o destino dos vários parlamentares italianos que faziam parte da flotilha. Os manifestantes gritavam slogans como “Palestina Livre” e pediam a renúncia da primeira-ministra Giorgia Meloni.

Duas das maiores centrais sindicais do país convocaram uma greve geral para sexta-feira. “A agressão contra navios civis que transportavam cidadãos italianos é um assunto extremamente sério”, disse a CGIL, enquanto a USB chamou a bloquear o porto de Gênova.

Em Portugal estão marcadas manifestações em Lisboa e mais 10 cidades.

Governos no mundo todo reagiram ao assalto israelense à missão humanitária. O Ministério das Relações Exteriores da Turquia chamou o “ataque” de Israel à flotilha de “um ato de terror” que colocou em risco a vida de civis inocentes. O presidente colombiano, Gustavo Petro, expulsou na quarta-feira todos os diplomatas israelenses restantes do país pelo que chamou de “um novo crime internacional” do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

O ministro das Relações Exteriores da Irlanda chamou a flotilha de “missão pacífica para lançar luz sobre uma terrível catástrofe humanitária”. Entre os sequestrados está um senador do partido Sinn Féin.

O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, condenou a interceptação, dizendo que “essas embarcações transportavam civis desarmados e suprimentos humanitários vitais para Gaza, mas foram recebidos com intimidação e coerção”. Ele disse que usaria “todos os meios legítimos e legais” para responsabilizar Israel pela detenção dos malaios. O Ministério das Relações Exteriores do México exigiu que os direitos de seus cidadãos na flotilha sejam respeitados.

Em nota, o Itamaraty afirmou que “o governo brasileiro acompanha com preocupação a interceptação pela marinha israelense de embarcações da ‘Flotilha Global Sumud’, que contam com presença de cidadãs e cidadãos brasileiros, incluindo parlamentares.”

Após recordar o princípio da liberdade de navegação em águas internacionais e o caráter pacífico da flotilha, o comunicado “deplora a ação militar do governo de Israel, que viola direitos e põe em risco a integridade física de manifestantes em ação pacífica. No contexto dessa operação militar condenável, passa a ser de responsabilidade de Israel a segurança das pessoas detidas.”

“Reitera, nesse contexto, exortação pelo levantamento imediato e incondicional de todas as restrições israelenses à entrada e distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, em consonância com as obrigações de Israel, como potência ocupante, à luz do direito internacional humanitário.”

A nota assinala que a Embaixada do Brasil em Tel Aviv está em contato permanente com as autoridades israelenses, “de modo a prestar a assistência consular cabível aos nacionais, conforme estabelece a Convenção de Viena sobre Relações Consulares.”

Os brasileiros nos barcos até agora interceptados são: Barco Grande Blu – Luizianne Lins, deputada federal pelo PT; Barco Alma – Thiago Ávila (membro do Comitê Diretor da Global Sumud Flotilla); Barco Sirius – Mariana Conti, vereadora de Campinas pelo PSOL, Nicolas Calabrese, professor e coordenador da Rede Emancipa no Rio de Janeiro, Bruno Gilga, trabalhador da USP, Lisiane Proença, comunicadora popular, Magno Costa, diretor do SINTUSP; Barco Adara – Ariadne Telles, advogada, e Mansur Peixoto, criador do projeto História Islâmica; Barco Spectre – Gabi Tolotti, presidente do PSOL-RS e Mohamad El Kadri, coordenador da Frente Palestina de São Paulo; Barco Yulara – Lucas Gusmão, ativista

Ministérios do Exterior da França, Itália e Espanha alertam Israel para garantia de integridade de participantes da Flotilha.

Fonte: Hora do Povo

Câmara aprova projeto do governo Lula que isenta Imposto de Renda até R$ 5 mil

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º), com 493 votos favoráveis e nenhum contrário, o texto-base do projeto de Lei (PL) 1.087/2025, que prevê isenção de Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas com renda mensal de até R$ 5 mil e desconto para quem ganha até R$ 7.350 mensais. 

A proposta, encaminhada pelo governo federal, ainda terá que ser aprovada no Senado, antes da sanção pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para entrar em vigor.

A redução do IR foi uma promessa de campanha de Lula em 2022. Enviado para a Câmara em março, o texto foi aprovado em uma comissão especial que analisou o texto.

Atualmente, são isentos do imposto quem ganha até R$ 3.036. O projeto determina que, em 2026, as pessoas que ganham até R$ 5 mil, terão um desconto mensal de até R$ 312,89, de modo que o imposto devido seja zero. Já quem ganha de R$ 5.000,01 até R$ 7.350,00, o desconto será de R$ 978,62.

Segundo o governo, com a aprovação da proposta, serão beneficiados com a isenção mais de 26,6 milhões de contribuintes, em 2026.

Após a aprovação unânime, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou que a aprovação é um dia histórico para o país e para o Parlamento.

“Aqui demonstramos que quando o tema é o bem-estar das famílias brasileiras, não há lados, nem divisões. É interesse do país acima de qualquer diferença”, disse. “A Câmara dos Deputados sabe ouvir, decidir e estar ao lado do Brasil”, acrescentou.

Compensação

Para compensar a isenção, cujo custo está estimado será de R$ 25,8 bilhões aos cofres públicos, o projeto prevê a tributação das pessoas com rendimentos acima de R$ 600 mil por ano, com uma alíquota progressiva de até 10%.

A alíquota máxima incidirá para quem recebe anualmente a partir de R$ 1,2 milhão. Além disso, ela não será aplicada para quem já paga a alíquota máximo do IR, que é de 27,5%.

Segundo o Ministério da Fazenda, a medida atingirá cerca de 140 mil pessoas, 0,13% dos contribuintes, que hoje pagam, em média, apenas 2,54% de Imposto de Renda.

O relator do projeto, deputado Arthur Lira (PP-AL), estima que haverá uma sobra de R$ 12,7 bilhões até 2027 com a taxação. Em seu parecer, Lira destinou esses recursos para compensar a redução da alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), instituída pela Reforma Tributária.

“É importante ressaltar que esse projeto vai atender diretamente a 15,5 milhões de pessoas no país. Esse projeto é fruto de uma base de cálculo de quase R$ 227 bilhões, que é apurado no imposto de renda no Brasil. E estamos discutindo uma renúncia de receita, no primeiro ano de, R$ 25,4 bilhões, portanto 10% do valor total do imposto de renda pago por todos os brasileiros”, disse.

Justiça tributária

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) disse que com o projeto, o país começa a fazer justiça tributária.

“Nosso país é um país da desigualdade, é um país onde uma ínfima minoria detém a maior parte da riqueza enquanto a maioria do povo brasileiro vive em difíceis condições. A justiça tributária precisa ser feita e esse projeto que mira na justiça tributária. Uma justiça que pode reduzir as desigualdades, que pode fazer com que as pessoas de menor renda e a classe média brasileira possam ter uma capacidade de consumo melhor, uma capacidade de viver melhor a sua vida”, afirmou.

A deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS) lembrou que a iniciativa foi pautada após as manifestações de setembro contra a proposta de Emenda à Constituição (PEC) das prerrogativas, a chamada PEC da Blindagem e o projeto de anistia aos presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

“Esse projeto é muito importante, milhões de brasileiros serão impactados com a redução imediata do imposto de renda e com a redução para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil e, ao mesmo tempo, um imposto mínimo que vai ser cobrado dos super-ricos”, completou.

Críticas

A iniciativa foi objeto de críticas de alguns parlamentares. O deputado Gilson Marques (Novo-SC) disse que os recursos não irão para os mais pobres e criticou a tributação de lucros e dividendos. 

“Vamos cobrar dos mais ricos, são só 140 mil pessoas para dar para os mais pobres. Isso é mentira! Esse dinheiro não vai para os mais pobres, vai para os políticos. E é melhor que esse dinheiro ficasse ainda que com os mais ricos, porque são eles que empregam, compram as máquinas, fazem os produtos”, argumentou.

O texto determina que o emprego ou a entrega de lucros e dividendos por uma mesma pessoa jurídica a uma mesma pessoa física residente no Brasil em montante superior a R$ 50 mil mensal ficará sujeito à retenção na fonte do IRPF à alíquota de 10% sobre o total do valor pago, creditado, empregado ou entregue.

Não ficarão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda na fonte, os lucros e dividendos relativos a resultados apurados até o ano-calendário de 2025, e cuja distribuição tenha sido aprovada até 31 de dezembro de 2025.

Mais cedo, o deputado Bibo Nunes (PL-RS) classificou a medida como “populista”, apesar de concordar que seja necessária. “É só jogada política, clientelismo, por que Lula não apresentou isso no primeiro ano [de governo]?”, questionou.

Para o deputado Luiz Carlos Hauly (Pode-PR), a proposta é uma medida eleitoral, mas sem reparo estrutural. “Isso resolveu o problema do imposto dos pobres? Não. O pobre continua pagando a mais alta carga tributária do mundo. Isso é enganação. Não tem nada a ver com a reestruturação do sistema de carga tributária sobre os pobres”, disse.

Fonte: Agência Brasil

Lançamento do Guia de Materiais para uma Educação Antirracista

Uma programação especial que inclui a Roda de Conversa “O Cinema vai à escola”, palestras e dinâmicas formativas, marca as atividades de lançamento do Guia de Materiais para uma Educação Antirracista. No próximo dia 10 às 9h a Escola Estadual Afrânio Lages recebe as atividades, no dia 13 será a vez da Escola Estadual Alfredo Gaspar de Mendonça, ambas situadas em Maceió, e por fim, a culminância dessa ação cultural se dará na Bienal do Livro de Alagoas no dia 02 de novembro, às 18h, no estande da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (SECULT), de Alagoas.

O “Guia de Materiais para uma Educação Antirracista”, publicado pela Batuque Editora, é uma organização coletiva, em formato impresso e Ebook, financiada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – Alagoas 2025. A obra resulta de três anos de ações de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas, sob a orientação da Profa. Dra. Débora Massmann (Universidade Federal de Alagoas) e do Babalorixá Célio Rodrigues (Axé Pratagy).

A publicação apresenta um conjunto de materiais artísticos e culturais ancorados nas questões étnico-raciais, destinados a apoiar práticas pedagógicas críticas e inclusivas. Entre os recursos indicados, destacam-se: curtas-metragens, filmes, documentários, podcasts, entrevistas, clipes, músicas, além de espaços urbanos e digitais para visitação e desenvolvimento de atividades educacionais – todos pensados para fomentar um ambiente de aprendizado antirracista.

Com foco em apoiar educadores em sua prática diária, a obra aborda temas essenciais como identidade racial, história da luta antirracista, saberes culturais e ancestrais e conscientização sobre direitos humanos. “Mais do que uma coletânea de materiais, o guia é um compromisso com a inclusão e a diversidade, pois acreditamos que a educação tem força para transformar realidades”, enfatiza Débora Massmann.

A programação de Lançamento do Guia de Materiais para uma Educação Antirracista já realizou também seu conjunto de ações na Escola Municipal General Goes Monteiro, no Povoado do Poxim, em Coruripe (AL), no dia 08 de agosto, no Teatro Deodoro, em Maceió dia 19 de agosto, e ainda na Universidade Federal da Bahia, em Salvador (BA) no dia 27 de agosto.

Serviço
Evento: Lançamento do Guia de Materiais para uma Educação Antirracista
Quando: 10 de outubro, sexta-feira
Horário: 9h
Onde: Escola Estadual Afrânio Lages

Além da fome, Netanyahu também corta água para matar palestinos em de Gaza

Mais de 75% dos poços de água da Faixa de Gaza estão fora de serviço após bombardeios israelenses, segundo a Al Jazeera

A escalada da ofensiva israelense contra a população da Faixa de Gaza atinge novos patamares de crueldade, no genocídio e no holocausto promovido por Benjamin Netanyahu. Além da destruição de áreas residenciais, hospitais e da limitação ao acesso a alimentos, o governo de Benjamin Netanyahu também corta a água, aprofundando o sofrimento humanitário no enclave palestino. As informações foram divulgadas pela emissora Al Jazeera, com sede no Catar, e reproduzidas pela agência TASS.

Segundo o canal, os ataques israelenses já destruíram quilômetros de redes de abastecimento, o que resultou na paralisação de mais de 75% dos poços centrais de Gaza. Um porta-voz da prefeitura afirmou: “As pessoas em Gaza estão realmente sofrendo agora com a escassez de água. Estão recebendo menos de um quarto das suas necessidades diárias”.Play Video

Contexto do holocausto e do genocídio

A crise se agrava em um cenário de violência que se intensificou em 7 de outubro de 2023, quando o movimento palestino Hamas lançou um ataque surpresa contra Israel, matando moradores de comunidades na fronteira e fazendo reféns. Em resposta, Netanyahu iniciou um processo de genocídio e holocausto, sob o argumento de eliminar as estruturas políticas e militares do Hamas.

No entanto, a dimensão dos ataques contra a população civil transformou Gaza em palco de um verdadeiro massacre. Organizações internacionais e especialistas em direitos humanos apontam que o bloqueio de alimentos, energia e agora de água configura um crime contra a humanidade.

Propostas internacionais ignoradas

Diante do agravamento da crise, a Casa Branca chegou a divulgar um plano que previa cessar-fogo imediato, libertação de reféns e a administração temporária da Faixa de Gaza sob tutela externa. Embora Netanyahu tenha declarado apoio inicial ao plano do presidente dos Estados Unidos, reforçou de forma agressiva que Israel “vai terminar o trabalho” caso o Hamas rejeite a proposta.

A combinação entre bombardeios incessantes, bloqueio de suprimentos e corte de água coloca milhões de palestinos em risco extremo, expondo o caráter genocida da ofensiva israelense.

Fonte: Brasil 247

Centrão e bolsonaristas são contra a isenção até 5 mil no imposto de renda

O projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil foi concebido com uma premissa clara: ampliar o alívio para as camadas de baixa e média renda e, em contrapartida, fazer os mais ricos contribuírem mais, por meio de uma tributação mínima sobre rendimentos elevados. Essa lógica buscava equilibrar a arrecadação e, ao mesmo tempo, reforçar a ideia de justiça tributária, um dos compromissos centrais do governo.

Relator do projeto, Arthur Lira (PP-AL) faz jogo duplo. Durante reunião com integrantes da FPA (Frente Parlamentar do Agronegócio) disse que “ninguém vai se posicionar contra a isenção. Nenhum deputado vai votar contra”. Mas deixa aberto o caminho para que a taxação dos ricos seja alterada pelos deputados, repassando a compensação para os cortes das áreas sociais do governo. “Há dúvidas quanto à compensação, que deve ser discutido no plenário”, disse.

Até agora, já foram apresentadas mais de cinquenta emendas ao texto original, revelando a intensidade da disputa política em torno da matéria. O projeto está previsto para ser votado no plenário da Câmara nesta quinta-feira (1), em meio a uma forte pressão do Centrão para que seja aprovado sem a taxação dos ricos como medida compensatória. A ofensiva mira diretamente na contrapartida pensada pelo Ministério da Fazenda e abre espaço para alternativas que reduzem ou distorcem o objetivo inicial do governo.

Diego Garcia: trocar ricos por apostas

O deputado Diego Garcia (Republicanos-PR) apresentou duas emendas centrais nessa ofensiva. A primeira, a Emenda 20, elimina a tributação mínima sobre rendimentos anuais acima de R$ 50 mil e cria no lugar a chamada “CIDE-Bets”: uma contribuição de 15% sobre os depósitos feitos em sites de apostas. Isso significa que, em vez de os mais ricos pagarem mais, a conta seria transferida para o setor de apostas, que já hoje convive com regulamentações e tributações pesadas. A medida tende a onerar ainda mais apostadores e operadores e, segundo especialistas, pode até estimular a migração para plataformas ilegais que escapam da fiscalização, reduzindo a arrecadação real.

A segunda iniciativa de Garcia é a Emenda 22, que propõe o fim da retenção mensal de imposto sobre lucros e dividendos. Esse mecanismo existe para antecipar parte da arrecadação e reduzir sonegação, garantindo que contribuintes de alta renda paguem ao longo do ano, em vez de concentrar tudo no ajuste anual. Derrubar a retenção significa abrir espaço para postergação, aumentar a margem de manobra e beneficiar diretamente quem concentra grandes rendimentos no topo da pirâmide.

Mendonça Filho: reforço contra a retenção

Na mesma linha, o deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE) protocolou a Emenda 51, que suprime o Art. 6º-A (retenção mensal na fonte sobre lucros e dividendos acima do limite) e transfere a apuração para o ajuste anual. No texto, o parlamentar sustenta que a retenção mensal “desalinha a cobrança com a realidade de rendimentos irregulares” e que a verificação anual “corrige distorções ao consolidar receitas de múltiplas fontes ao longo do ano”, tese apresentada como mais aderente à capacidade contributiva de quem recebe de forma concentrada em alguns meses.

Em termos práticos, a Emenda 51:

  • Elimina a antecipação de caixa que a retenção mensal garante ao Tesouro;
  • Amplia a janela de postergação do pagamento por parte do topo da pirâmide, que pode organizar distribuições para o fim do ano;
  • Eleva o risco de inadimplência e subdeclaração, pois desloca o controle do recolhimento para um único momento no ajuste.

A justificativa do autor enfatiza que a apuração anual seria “mais justa”, porém o efeito concreto repete o da Emenda 22 (Diego Garcia): que reduz o poder de controle sobre altas rendas.

Comissão de Agricultura: cortes em vez de taxação

A Comissão de Agricultura apresentou a Emenda 32, que vai em outra direção, mas com o mesmo resultado final: suprimir totalmente a taxação dos ricos. A proposta manda o governo compensar a renúncia fiscal por meio de cortes de despesas no orçamento. O problema é que a medida não especifica quais despesas seriam cortadas nem garante que os cortes sejam de fato permanentes. A Lei de Responsabilidade Fiscal determina que toda renúncia precisa vir acompanhada de uma compensação clara e definida na própria lei, não de uma promessa futura e vaga. Por isso, a proposta é considerada juridicamente frágil e, do ponto de vista prático, difícil de executar.

Na pratica a emenda faria com que as compensações às isenções do imposto de renda fossem direcionadas a cortes em áreas como saúde, educação e outros serviços.

Cláudio Cajado: transferir a conta para os bancos

Já o deputado Cláudio Cajado (PP-BA) optou por mirar em outro alvo: as instituições financeiras. Pela Emenda 39, ele propõe um adicional de 5% na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para bancos e financeiras com lucro acima de R$ 1 bilhão. Embora a medida tenha mais viabilidade técnica e represente uma fonte real de arrecadação, ela muda o espírito original do projeto. Em vez de tributar pessoas físicas de alta renda, desloca a cobrança para empresas do setor bancário. Assim, preserva os bilionários e desvia a narrativa de justiça tributária entre indivíduos para uma disputa setorial.

Uma ofensiva contra a justiça tributária

Em conjunto, essas emendas mostram um movimento organizado dentro do Congresso para blindar os ricos da taxação. As propostas de Diego Garcia e Mendonça Filho atacam diretamente o mecanismo de retenção mensal, que é peça-chave para evitar sonegação e garantir arrecadação contínua. A emenda da Comissão de Agricultura aposta em um atalho orçamentário que fere a legislação fiscal. Já a de Cajado transfere a fatura para os bancos, retirando os indivíduos mais ricos da linha de frente.

O efeito político é evidente: enfraquecer a ideia de que a ampliação da isenção viria acompanhada de um esforço maior dos que têm mais. Se aprovadas, essas alterações manteriam intocado o privilégio de quem concentra renda no topo e esvaziariam a promessa de um sistema tributário mais justo, abrindo mão de uma oportunidade histórica de reduzir desigualdades por meio da estrutura tributária.

Fonte: ICL

Unicamp rompe acordo com instituto israelense em protesto contra genocídio

Universidade justifica a decisão em meio a condenações generalizadas ao genocídio praticado por Israel contra o povo palestino

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) anunciou nesta terça-feira (30) a rescisão unilateral de seu convênio acadêmico com o Instituto Tecnológico Technion, de Israel. O acordo previa cooperação em pesquisas, intercâmbio de docentes e mobilidade de alunos de graduação e pós-graduação.

Segundo informações publicadas pela Agência Brasil, o rompimento foi oficializado em documento no qual a Unicamp afirma que “as violações aos direitos humanos e à dignidade da população palestina se transformaram em uma constante inaceitável”. A medida reflete a posição institucional da universidade frente ao genocídio perpetrado por Israel na Faixa de Gaza.

O reitor Paulo Cesar Montagner destacou que a decisão representa uma continuidade das manifestações anteriores da Unicamp sobre o tema. “Já havíamos nos posicionado contra a situação em Gaza em duas outras oportunidades, e o rompimento reafirma nosso posicionamento contrário ao genocídio da população palestina”, declarou.

Montagner também ressaltou que a medida está em sintonia com a postura do governo brasileiro, que condena as ações de Israel na região, além de acompanhar movimentos semelhantes de universidades internacionais que criticaram a ofensiva israelense.

Impactos da decisão

O convênio mantido com o Technion incluía projetos conjuntos de pesquisa científica e tecnológica, além de parcerias para intercâmbio de professores, pesquisadores e estudantes. Com a rescisão, essas atividades estão suspensas.

A Embaixada de Israel no Brasil foi procurada para comentar a decisão, mas até o momento não emitiu posicionamento oficial. O espaço segue aberto para manifestação.

A decisão da Unicamp se insere em um cenário de crescente condenação internacional sobre o genocídio em Gaza e amplia a pressão sobre instituições que mantêm relações com organizações e centros acadêmicos israelenses.

Fonte: Brasil 247

Câmeras corporais flagram PMs roubando moradores em ação no Rio: “Vou levar a JBL”

A Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro investiga a atuação de oito agentes do Bope durante a Operação Caixinha, realizada no Complexo do Alemão em 15 de janeiro. Vídeos de câmeras corporais obtidos pelo blog mostram os policiais furtando diversos itens de uma residência invadida sem mandado judicial durante a ação.

As imagens mostram os PMs vasculhando todos os cômodos da casa de dois pavimentos e selecionando objetos pessoais dos moradores. Os agentes aparecem experimentando perfumes importados, separando roupas de grife e analisando pares de tênis caros. “É tudo tênis que custa mais de dois mil contos”, comentou um dos policiais sobre os calçados.

Durante a ação, os PMs utilizaram suas mochilas para armazenar os itens furtados. Em um dos momentos, um agente chegou a afirmar: “Se estivesse com a viatura, levava a JBL”, referindo-se a uma caixa de som no local. O mesmo dia da operação, o Ministério Público recebeu uma denúncia via WhatsApp com a gravação das câmeras corporais.

A operação tinha como objetivo mirar a “caixinha” do Comando Vermelho e um de seus alvos era o traficante Fhillip da Silva Gregório, o Professor, que morreu em junho em um suposto suicídio. Os policiais investigados agora respondem por suposta apropriação indevida de objetos durante a ação no complexo.

Fonte: DCM

Última pesquisa ao Senado em Alagoas esqueceu de um “detalhe”: o segundo voto

Causando euforia em alguns, frustração em outros, a última pesquisa para o Senado em Alagoas, realizada pelo instituto Real Time Big Data, aponta, na maioria dos cenários, liderança de Renan Calheiros (MDB) para a disputa e coloca Arthur Lira (PP) em terceiro e/ou quatro lugar. Mas a pesquisa dá soma 100%, quando deveria dar 200% porque, em 2026, votaremos em dois nomes ao Senado. E é no segundo voto que mora a derrapada de leitura sobre essa disputa.

Vamos desconsiderar as questões partidárias e entender que todos os nomes postos na pesquisa serão candidatos ao Senado – ou possuem grandes chances de sê-los.

No cenário com Alfredo Gaspar e Davi Davino Filho, o mais compartilhado nas redes sociais, ao menos no X, especialmente por pessoas que não são de Alagoas, traz Arthur Lira em quarto lugar, tendo Renan Calheiros em primeiro.



Usando por base esse cenário e diante da conjuntura política atual, de alto acirramento entre direita e esquerda, responda você que lê esse artigo:

1 – Qual a chance de o eleitor mais politizado que pretende dar seu primeiro a Renan Calheiros votar em Arthur Lira para derrotar Alfredo Gaspar, que vocifera bolsonarismo na esperança de ser o rosto de espectro político em Alagoas?

2 – Qual a chance de o eleitor mais politizado que pretende dar seu primeiro a Alfredo Gaspar votar em Arthur Lira para derrotar Renan Calheiros, “amigo do Lula” em Alagoas?

As mesmas questões valem para o caso de Davi Davino Filho no lugar de Alfredo Gaspar.

Essas movimentações podem dar a Arthur Lira votação para sair da “lanterninha”, ou não?

Uma leitura precisa sobre as intenções de segundo voto ao Senado somente com uma pesquisa com essa pergunta e o devido cruzamento das respostas.

Agora, vamos às questões partidárias.

PP de Arthur Lira e União Brasil de Alfredo Gaspar formalizaram uma federação que, em Alagoas, está sob o comando de Arthur Lira. Então, Gaspar, se não mudar de partido, só será candidato se Arthur Lira permitir. Simples assim.

E como todos estes nomes, no quadro político local em Alagoas, estão no mesmo campo eleitoral – ao menos em princípio –, somente um deles será candidato ao Senado. E ninguém precisa ser expert em ciência política, bastando acompanhar as coisas minimamente, para saber que o nome é Arthur Lira.

E os motivos vão desde o papel que joga no cenário político nacional e local, tendo ajudado a eleger dezenas de prefeitos em 2024, até pelas condições objetivas de ele conseguir viabilizar – em todos os sentidos – outras candidaturas. Caberia a Alfredo Gaspar e a Davi Davino correr o risco de ficar sem mandato caso decidam disputar com o ex-presidente da Câmara dos Deputados uma vaga no Senado.

Inclusive, em entrevista a O Globo nesta segunda-feira (29), Lira foi taxativo sobre isso. “Davi Davino e Alfredo são aliados e não tem a possibilidade de sair Arthur, Davino e Alfredo (ao mesmo tempo para o Senado), nem tem espaço para isso”.

Mas vai que…, não é? Cada cabeça uma sentença.

Dos nomes colocados pelo Real Tima Big Data, o único que, de fato, tumultua o coreto é o João Henrique Caldas, conhecido por JHC, ainda no comando do PL em Alagoas. Partido, aliás, pode ir para as mãos de Arthur Lira em Alagoas, segundo o noticiário político local, após saída – se ocorrer – de JHC da legenda. Mas esse não é o assunto aqui.

Mesmo no comando do PL alagoano, assumido após deixar o PSB entre o primeiro e segundo turno da eleição presidencial de 2022, com direito a coletiva ao lado de Jair Bolsonaro em Brasília, JHC nunca usou as vestes de bolsonarista. Aliás, nem creio que o seja. Ele apenas quis se aproximar da maior fatia do eleitorado de Maceió.

JHC nunca vestiu as vestes de bolsonarista e as que tentaram colocar nele não vingaram.

Dito isso, ele é o nome que pode vencer ou Renan Calheiros ou Arthur Lira ao Senado porque pode ser o segundo voto dos dois. Mas e o segundo voto de JHC iria para quem? Em tese, o eleitorado mais progressista do prefeito de Maceió votaria em Renan e o mais conservador em Lira.

E nesta divisão, também em tese, Renan tem vantagem sobre Lira porque tem mais força política no estado: mais vereadores, mais prefeitos, mais deputados estaduais, mais deputados federais, um senador, além de si, um ministério e, no caso das eleições de 2026, terá Renan Filho como favoritíssimo ao Governo do Estado.

Tanto é assim que Renan Calheiros, faz somente alguns meses, insistiu um bocado para fechar aliança com JHC, dizendo que preferia o prefeito como concorrente ao Senado que Arthur Lira.

E ainda some a tudo isso o fato de que a maioria do eleitorado só define seus candidatos ao parlamento na reta final das campanhas eleitorais, especialmente o segundo voto para senador, o qual muita gente nem sabe – por incrível que possa parecer – que existe, achando que só se vota em um nome.

Enfim, pesquisas para o Senado, especialmente nas eleições de 2/3 da Casa, enganam muito.

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