Em 21 de maio o Comitê Internacional de Ligação e Intercâmbio nas Américas (CILI) promoveu uma “live” com Ricardo Sánchez e José Arnulfo Bayona, da Red Socialista de Colômbia, que dialogaram com questões levantadas por companheiros e companheiras do México, Venezuela, Equador, Peru e Brasil sobre o “Paro Nacional” iniciado em 28 de abril transbordado como levante de todo o povo contra o governo pró-imperialista de Iván Duque.
Os dois companheiros, além de expor a situação em seu país (ver vídeo no facebook do DAP-Brasil), afirmaram a sua adesão ao CILI. Abaixo notas enviadas por Bayona sobre o que se passou em Cali ao completar-se um mês do “Paro” em 28 de maio.
Violenta repressão em Cali “Foi a jornada de mobilização mais apoteótica desde o 28 de abril, especialmente em Bogotá, Cali, Medellín, Popayán e Pasto. Em Cali a repressão foi mais violenta, numa ação combinada da polícia, exército e seus aliados civis armados (paramilitares), que dispararam, até com metralhadoras, contra as mobilizações. Um massacre com 23 mortos ou mais.
Em Tuluá, próxima a Cali, incendiaram o Palácio de Justiça, culpando os supostos vândalos da greve, mas circularam vídeos que evidenciam a responsabilidade de narcotraficantes aliados da polícia, os quais tinham processos penais no referido palácio.
À noite Duque viajou a Cali e reuniu-se no bairro dos ricos com os responsáveis pela agressão aos indígenas do CRIC (conselho regional indígena de Cauca, NdT), anunciando sete mil soldados e mais cinco mil policiais do tenebroso ESMAD (esquadrão móvel anti-distúrbios, NdT) para militarizar a cidade e romper a sangue e fogo os bloqueios e os locais de resistência. Ele editou o decreto 575 ordenando a militarização de 8 departamentos, dentre eles o de Vale do Cauca, Cauca, Nariño, Risaralda e Norte de Santander, na fronteira com a Venezuela, violando nos fatos o pré-acordo de ‘criar condições para garantir o protesto social’ ao que havia chegado com o Comando Nacional do Paro.”
“Trinta dias de greve e a luta continua” Bayona também nos enviou o seu artigo de 27 de maio com o título acima. Nele podemos ler (ver a íntegra em larosaroja.org):
“A força e contundência da greve (…) encurralaram o governo, que foi obrigado a retirar o seu regressivo projeto de reforma tributária e aceitar que o projeto de lei 010 de contrarreforma da saúde fosse arquivado pelo Congresso. (…) O governo esperava que o ‘paro’ acabasse. Não obstante a luta continuou e desta forma notificou o governo e seus aliados que as causas da rebelião têm raízes mais profundas.
É a luta contra a injustiça, contra a fome e pelo pão, contra a guerra e pela paz, (…), pela recuperação dos direitos trabalhistas, emprego digno, produtivo e formal, pela reforma agrária e direitos de camponeses e trabalhadores do campo, por saúde gratuita e universal, por educação gratuita desde a pré-escola até a universidade, para acabar com o extermínio das comunidades indígenas e defender seus territórios, pelos direitos dos afro-colombianos e contra o racismo, contra o feminicídio e pela igualdade de direitos das mulheres e LGBTI…
Todas essas consignas são agitadas por multidões mobilizadas que, ainda que não sejam conscientes do alcance, constituem um programa político alternativo de luta por radicais transformações democráticas do estado e da sociedade em seu conjunto.”
Em todos artigos que escrevo neste espaço, faço uma referência a um filme relativo ao assunto sobre o qual estou escrevendo. Foi a forma que encontrei de juntar jornalismo e cinema, até porque assino os artigos como jornalista e Cineasta. Vejo nas atividades jornalísticas e cinematográficas a possibilidade de levar informação, cultura e conhecimento. A imprensa tem a sagrada missão de manter a sociedade informada sobre o que acontece em um país e no mundo. Cumpre a imprensa informar sobre acontecimentos que vão da política aos esportes, da economia a cultura, das questões referentes à cidade aos acontecimentos internacionais, dos classificados ao colunismo social.
Não por acaso, minha monografia, nós idos dos anos 90, foi precisamente: “A Imprensa: o Quarto Poder”. O famoso e cultuado jornalista Paulo Henrique Amorim, escreveu um importante livro sobre o papel da imprensa, que tem como título “O 4º Poder: Uma outra historia”. A imprensa funciona, informalmente, como um complemento do executivo, do legislativo e do judiciário, exercendo na prática a função de um dos poderes institucionais constituídos, quase como um órgão fiscalizador dos três poderes oficiais de um país de democracia representativa. O cinema, por sua vez, tem a imensa capacidade de esclarecer as pessoas sobre os mais diversos aspectos da vida humana. Com os mais diversos gêneros cinematográficos existentes, a exemplo do drama, romance, histórico, policial, suspense, aventura, o cinema retrata a evolução da humanidade. A Sétima Arte, como é conhecido o cinema, promove o encantamento dos homens e mulheres desde a primeira exibição comercial de um filme, dos irmãos Lumière, August e Louis, intitulado “A Chegada do Trem na Estação”, cuja sessão ocorreu no dia 06 de janeiro de 1896, com 1 minuto de duração. Desta data até os dias atuais, o cinema evoluiu e se transformou em uma fundamental indústria cultural, fazendo parte das grandes conquistas humanas. O livro que pretendo lançar futuramente sobre a causa animal, uma coletânea de artigos sobre este assunto publicado aqui na Gazeta de Alagoas, deverá ter por título, o mesmo que intitula este artigo. A inspiração para esta intitulação vem do discurso de Charlie Chaplin, no filme “o Grande Ditador”, dirigido pelo próprio Chaplin no ano de 1940, e ganhador de quatro Oscar em 1941, incluindo as estatuetas de melhor filme e melhor ator, também concedido a Chaplin. No filme, ainda em preto e branco, no icônico discurso do ditador, uma clara apologia a ascensão do nazismo, ele afirma em determinado momento que, “não sois máquinas, homens é que sois”. Está frase me despertou a reflexão, de que antes de sermos homens ou máquinas, animais, em essência, é o que somos de fato. Talvez por sermos os únicos animais “racionais”, algo de que tenho sérias dúvidas, visto que somos os únicos seres vivos que destruímos deliberadamente o planeta e os únicos que matam outros seres vivos por esporte e lazer, adotamos uma postura arrogante de acharmos que nossas vidas são mais importantes que outras. Não são, apenas estamos no topo da cadeia animal, por possuirmos habilidades específicas, que as demais espécies não possuem. Ademais disso, somos rigorosamente iguais, biológica e fisiologicamente, a todas as outras vidas animais que habitam a terra. A prova da nossa evolução espiritual será constatada quando tivermos esta consciência. O Mahatmam Ghandi dizia que “a grandeza de um país e seu progresso, pode ser medida pela maneira como trata seus animais”. E nada somos além disso: animais é que somos!
O missionário R.R Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, está internado com Covid-19, no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro. A informação foi anunciada nesta sexta-feira 4 pelo jornalista Ancelmo Gois, do O Globo.
Em maio do ano passado, o missionário anunciou em um programa de TV uma ‘água consagrada’ para curar o coronavírus.
Soares também tem tido papel importante como “conselheiro” de figuras do governo de Jair Bolsonaro. O ex-chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social do governo federal, Fabio Wajngarten, disse que Soares era uma figura de consulta.
O mês passado, o missionário esteve ligado a uma ação de despejo de cerca de 200 famílias na zona norte de São Paulo, após a sua igreja reivindicar o terreno que ocupavam. O local, de 12 mil metros quadrados, estava abandonado há mais de 30 anos, segundo ativistas, e foi ocupado no fim de dezembro de 2020.
As manifestações do dia 29 de maio foram tão significativas que o Estadão, jornal da elite paulistana reagiu: “O mais importante, contudo, é constatar que os protestos da oposição tendem a marcar um inflexão na atmosfera política” (Estadão, 1 de junho).
A inflexão que o Estadão se refere é o medo das manifestações crescerem e encurralarem o governo genocida de Bolsonaro. E motivos para isso não falta!.
O 29 de maio marcou um salto de qualidade, um acúmulo nas manifestações, pois romper definitivamente com a linha do fique em casa, que trocava as ruas pelas atividades virtuais e derrotou o boicote dos setores contrários às mobilizações.
Neste dia, as manifestações levaram às ruas mais de 400 mil pessoas. Manifestações aconteceram em todas as capitais e mais de 200 cidades do país e até no exterior, onde o grito de Fora Genocida foi a tônica das agitações.
Com palavras de ordem “se o povo se unir, Bolsonaro vai cair”, “Por direito, emprego, comida e vacina”, os movimentos sociais se uniram e coloriram as manifestações de norte a sul do Brasil.
O dia 29 impôs uma derrota nas ruas à Bolsonaro e seus generais e foi uma vitória da independência política dos trabalhadores. Foi com base em reivindicações concretas os trabalhadores e a juventude reocuparam as ruas.
Agora, com mais força, os movimentos sociais organizam para o dia 19 de junho mais um dia nacional de manifestações contra a política do governo genocida de Bolsonaro.
Diante do impacto da ação por baixo, que abalou as relações por cima, Bolsonaro não tem outra alternativa a não ser cada vez mais ficar refém dos mercenários do Centrão e dos generais empaturrados de leite condensado e de mamatas orçamentárias.
O povo rompeu o cerco, nenhum dia a mais para Bolsonaro! Fora Bolsonaro genocida!
O vereador de Curitiba Renato Freita (PT), vem sofrendo ameaças de bolsonaristas por se opor ao chamado “tratamento precoce” da Covid-19, com internamento de adolescentes dos bairros periféricos que incluí repasse de recursos públicos para comunidades “terapêuticas” religiosas e ter questionado a aprovação do regime de urgência para projeto do prefeito Rafael Greca (DEM) com multa a quem distribuir alimentos a moradores de rua.
O vereador Renato Freitas Junior foi preso pela polícia na tarde desta sexta-feira (4). O petista é advogado, mestre em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e estava com uma caixa de som em uma praça da cidade, jogando basquete, quando foi abordado pelos policiais militares, que logo anunciaram a sua prisão e a de seus amigos.
O vereador relatou que policiais militares quebraram a caixa de som na qual ouvia música. “Essa é a cara de Curitiba. A cara do racismo“, disse Freitas.
Após ser imobilizado por três policiais e arrastado, ele questionou o motivo da prisão e ouviu de um dos agentes: “Não sei”. Segundo a Polícia Militar, o parlamentar foi detido por “perturbação do sossego”.
Freitas foi conduzido para a 1ª Companhia do 12º Batalhão da PM para assinar um termo circunstanciado.
Revista publicou trecho de delação. Juiz teria orientado advogados, diz Veja
O advogado criminalista Nythalmar Dias Ferreira Filho, de 31 anos, afirma que o juiz federal Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, é responsável por negociar penas, orientar advogados, combinar com o Ministério Público e influenciar a eleição de 2018. A informação consta em reportagem publicada nesta 6ª feira (4.jun.2021) pela revista Veja. Segundo a publicação, o advogado fez um acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria Geral da República), mas que ainda precisa ser homologado pela Justiça.
De acordo com a Veja, Nythalmar teria apresentado uma gravação, de uma conversa feita em 2017, na qual ele, o juiz e um procurador da República conversavam sobre uma estratégia para convencer o empresário Fernando Cavendish (ex-dono da construtora Delta, preso durante a Lava Jato) a confessar seus crimes mediante o oferecimento de vantagens judiciais. Na conversa, Bretas disse “para deixar com ele que iria aliviar”.
No anexo da delação, o advogado afirma que a conversa “demonstra de forma inequívoca a forma que o juiz responsável, juntamente com os membros da Força-Tarefa, montou um esquema paraestatal, ilegal de investigação, acusação e condenação”.
Leia outros trechos da reportagem:
audiência com Gilmar – em outubro de 2020, Nythalmar Dias Ferreira telefonou para o STF depois de ser alvo de mandados de busca e ter celulares e computadores apreendidos pela Polícia Federal. Tentou uma audiência com o ministro Gilmar Mendes. Em troca de benefícios, se propunha a testemunhar e apresentar provas de “graves ilegalidades”. Não teve sucesso. Cinco meses depois, assinou um acordo com a PGR. A delação tem 8 anexos;
áudio de Bretas – em conversa gravada, o juiz disse que atenuaria a sentença de Fernando Cavendish. “Você pode falar que conversei com ele, com o Leo, que fizemos uma videoconferência lá, e o procurador me garantiu que aqui mantém o interesse, aqui não vai embarreirar […] Não vou botar 43 anos no cara”. Leo seria o procurador Leonardo Cardoso de Freitas, então coordenador da Lava Jato no Rio. Os “43 anos” se referem à decisão que condenou o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear;
delação com o MP – em sequência aos acontecimentos, Cavendish começou a falar seus crimes e assinou um acordo de delação premiada com o MP. Confessou o pagamento de milhões em propina a políticos, e por isso ganhou o direito de responder o processo em liberdade.
acordo com Cabral – Nythalmar diz que o juiz intermediou um acordo informal com o ex-governador Sérgio Cabral em que a troca seria poupar a primeira-dama Adriana Ancelmo das investigações. O pedido teria sido feito em 2018 pelo filho de Cabral a Bretas. A revista diz que o juiz concordou, ajustou os detalhes com o procurador Eduardo El Hage, então chefe da operação no Estado, e deu orientações para que Cabral e a Adriana escrevessem uma carta abrindo mão de todo patrimônio. Para dissimular o combinado, Nythalmar afirma que o MP recorreu da decisão.
eleições de 2018 – o ex-governador do Rio Wilson Witzel e o prefeito da capital, Eduardo Paes, também aparecem nos anexos do acordo de delação. Nythalmar diz que Bretas influenciou o resultado das eleições para que Witzel fosse eleito em 2018. Bretas teria “vazado”o depoimento de um ex-assessor Paes, então líder nas pesquisas eleitorais, o causando de envolvimento em grude de licitações e recebimento de propina
vazamento nas eleições – no 2º turno, ainda de acordo com o documento, Eduardo Paes teria se comprometido a nomear a irmã de Bretas para uma secretaria caso eleito. De acordo com o advogado, depois de ser derrotado por Witzel, Paes fez um acordo informal, garantindo que abandonaria a política em troca de não ser perseguido. Witzel, em paralelo, nomeou Marcilene Cristina Bretas, irmã do juiz, para um cargo no Estado.
OUTRO LADO
Em seu perfil no Instagram, o juiz disse que os fatos relatados no texto estão distorcidos e a reportagem contém falas “mentirosas”. “A reunião referida pelo advogado de defesa (e por ele gravada) foi feita a pedido do próprio advogado e com a participação do representante do MPF, na 7ª Vara Federal Criminal do RJ”, afirmou.
Em conversa com a Veja, Bretas disse que qualquer advogado por falar o que quiser. “Já há algum tempo querem achar alguma coisa para indicar [contra mim], mas vamos esperar que alguém demonstre alguma coisa, porque falar realmente é realmente muito fácil”.
O curta-metragem iraniano consegue impactar e inspirar mudanças de comportamento em apenas 60 segundos
Não é preciso entender uma única palavra do idioma farsi, ou persa, falado pelo povo iraniano. As legendas em inglês ajudam a apreciar um pouco do poema recitado ao início, mas nem elas são estritamente necessárias para se captar a essência dos valores transmitidos por este belo curta-metragem, escrito e dirigido pelo jovem cineasta iraniano Syed Mohammad Reza Kheradmand, de apenas 20 anos.
A produção foi recentemente premiada no Festival do Cinema Africano de Luxor.
O curta se chama “Encontro das quintas-feiras” – e este título é revelador, mas quem não conhece a cultura iraniana precisará de uma breve explicação (nós o explicaremos ao final deste artigo, mas, antes de ler o último parágrafo, assista ao filme, embutido no texto da matéria).
Poderoso, o curta-metragem apresenta um casal de idosos que, dentro de um carro, se recita mutuamente um poema do persa Hafez, do século XIV. É muito arraigado no cotidiano da cultura persa o hábito de ler e recitar poesia, desde muito antes da tentativa de imposição de radicalismos xiitas pelo regime teocrático que tomou o poder no país a partir da revolução islâmica de 1979.
Quando o carro para no semáforo, os esposos percebem a intensa discussão de outro casal num carro ao lado, apesar da filhinha no banco de trás.
O gesto que o casal então realiza diz muito sobre o seu próprio casamento e sobre como pequenos detalhes que deveriam ser típicos do amor conjugal são capazes de ajudar a reconciliar.
Assista ao filme
Leia daqui em diante só depois de ter visto o filme acima
Reparou que, na última cena, a esposa anciã já não está dentro do carro?
O título do curta-metragem é suficiente para explicar tudo a um iraniano que conhece os costumes do próprio país. As quintas-feiras são o dia em que se costuma visitar o túmulo de entes queridos nos cemitérios. As flores que o marido idoso estava levando eram para a esposa já falecida. Ao longo do trajeto, a “presença” dela no carro era a bela lembrança do viúvo que estava indo levar-lhe flores ao cemitério, enquanto recordava um poema que retratava o amor com que o matrimônio havia sido vivido.
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A partir de matéria de Zoe Romanowsky para Aleteia em inglês
O Ministério das Finanças russo reformulará, no prazo de um mês, a estrutura do Fundo de Riqueza Nacional (NWF, na sigla em inglês), com a cota-parte do dólar dos EUA diminuindo para zero e a parte do yuan crescendo para 30%.
A declaração foi feita nesta quinta-feira (3) por Anton Siluanov, ministro das Finanças da Rússia, durante um briefing no âmbito do Fórum Econômico Internacional em São Petersburgo.
Ele detalhou que o Ministério decidiu “abandonar completamente os ativos em dólar, os substituindo por um aumento em euro e em ouro. [A cota-parte do] dólar será zero, do euro – 40%, do yuan – 30%, do ouro – 20%, da libra e iene – 5% cada um”, contou o ministro aos jornalistas.
De acordo com ele, a implementação do novo plano acontecerá “bem rápido, no prazo de um mês”.
Em fevereiro de 2021, a fim de aumentar os retornos e diversificação de riscos de investimento, na estrutura de moedas do Fundo foram incluídos o iene japonês (cota-parte de 5%) e também o yuan chinês (15%). As cotas-partes do dólar e do euro foram reduzidas de 45% para 35% para cada moeda.
No final de 2020, o presidente da Rússia Vladimir Putin aprovou a lei federal que permitiu a colocação de fundos em metais preciosos. Logo depois, em maio, o premiê Mikhail Mishustin assinou o regulamento de acordo com o qual os recursos do Fundo podem ser investidos em ouro.
O NWF, parte dos ativos do orçamento federal da Rússia, foi criado para apoiar o sistema nacional de aposentadorias. Seus fundos podem ser usados para cobrir déficits orçamentários em tempos de crise. Em 1º de novembro de 2020, os ativos do fundo totalizavam mais de US$ 167 bilhões (aproximadamente R$ 916 bilhões), o que representa cerca de 12% do PIB do país.
Enquanto países como China e Estados Unidos disputam protagonismo no setor, Brasil fechará sua fábrica de chips, a Ceitec, que não só produz, mas também desenvolve e exporta novas tecnologias no segmento
Em meio a uma crise mundial na produção de chips e semicondutores, o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) resolveu extinguir a única fábrica desses componentes do Brasil, o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), inaugurada pelo ex-presidente Lula, em 2010.
Instalada em Porto Alegre (RS), a Ceitec é responsável pelo desenvolvimento de tecnologia e pela fabricação dessas pequenas partes de eletrônicos, utilizadas em larga escala no mundo todo para produção desde celulares até aviões. O governo Lula investiu muito na Ceitec com o propósito de tornar o Brasil um país autossustentável, a longo prazo, nas demandas por este produto e competir com mercados como o da China e dos Estados Unidos. Em todos os lugares estão faltando chips por causa da pandemia, que paralisou atividades industriais em todo o planeta.
Semicondutores e chips são a base para o desenvolvimento da indústria e são fundamentais, portanto, para o desenvolvimento econômico de um país.
Para o ex-ministro Ricardo Berzoini, a extinção da Ceitec “é um atraso monumental”. Ele explica que, desde a criação, a empresa vem ampliando sua capacidade e já produz o suficiente para abastecer várias demandas no Brasil, uma delas o mercado de etiquetas de sistemas de pagamento automático de pedágios, além de chips de identificação de produtos e de animais.
Em um tempo em que é necessário ter todas as atividades interligadas, com troca de dados e sistema de intercomunicação, o país construiu, a duras penas, de acordo com o ex-ministro, uma base industrial para atender demanda originada pelo avanço da tecnologia.
E enquanto a China a Coreia do Sul, o Vietnã, Taiwan, trabalham pra conseguir avançar ainda mais nessa tecnologia, o governo brasileiro decide abrir mão. O ex-ministro que afirma que Bolsonaro quer transformar o Brasil numa grande fazenda de soja.
Hoje o Brasil caiu do caminhão e está na beira da pista, machucado, por causa dessa visão estúpida de Bolsonaro e do Paulo Guedes [ministro da Economia], de não investir na produção de ciência e tecnologia e ficar só com a base do agronegócio- Ricardo Berzoini
Atualmente, o Brasil depende do setor agropecuário para gerar divisas. Já na parte industrial, o país é deficitário em quase todos os setores da indústria, inclusive com volume de importação maior do que de exportação, ou seja, mais compramos do que vendemos produção industrial.
A alegação do governo é de que a Ceitec dá prejuízo, no entanto, na visão de especialistas, o conceito deveria ser outro.
Adriana Marcolino, técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/Subseção CUT Nacional) explica que o fato de uma empresa deste porte depender de recursos públicos, em nenhum país do mundo é visto como prejuízo.
“É um setor relevante para reduzir dependência tecnológica”, diz a técnica.
Como Bolsonaro não se preocupa com o desenvolvimento, a Ceitec, para ele, é só uma ativo que pode ser extinto alegando necessidade de ajuste fiscal nas contas do governo. O governo ignora a importância do setor como estratégico para a soberania nacional- Adriana Marcolino
Berzoini complementa dizendo que é normal nesse tipo de atividade haver uma certa demora para dar lucro, mas ressalta que não se trata de prejuízo e sim de investimento. “O fundamental é acumular tecnologia para, no futuro, termos uma atividade industrial no país, que dê lucro”.
E cita como exemplo países como a própria China e Taiwan que disputam com os Estados Unidos o mercado de desenvolvimento de tecnologia, atualmente. E alerta: “todo mundo sabe que que quem não tiver tecnologia nessa área, de Tecnologia da Informação, de comunicação, do 5G, será sempre um país de renda média baixa. Não há valor agregado”.
Como exemplo disso, o próprio Brasil que aposta muitas fichas na produção de exportação de soja. Não há valor agregado porque demanda somente recursos limitados. Já para exportar produtos industriais, vai embutida a tecnologia aplicada. “Você exporta também o elemento mais importante que é a inteligência, ou seja, a tecnologia desenvolvida e contida no produto. Isso é valor agregado”, explica Berzoini
O Brasil está ficando para trás. Já quase perdemos a Embraer e vamos perder a Ceitec se não houver uma mudança de posição do governo – ou uma mudança de governo mesmo- Ricardo Berzoini
Para o ex-ministro, os impactos econômicos serão sentidos a médio prazo, com a incapacidade de atender à demanda industrial. Exemplo disso é a Volkswagen que já interrompeu linhas de produção de automóveis por falta desses componentes.
Berzoini foi minsitro da Previdência e minstro do Trabalho e Emprego, durante o governo Lula; também foi ministro das Comunicações e Ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, no governo de Dilma Rousseff
A situação dos trabalhadores e a liquidação da empresa
A Ceitec possui hoje cerca de 180 funcionários concursados e contratados pelo regime celetista. No mês passado, 34 deles já foram demitidos como parte do processo de liquidação da empresa, comandada pelo oficial da Reserva da Marinha, Abílio Eustáquio de Andrade Neto.
O militar já elaborou um cronograma para executar o trabalho sujo. A demissão dos trabalhadores, por exemplo, faz parte desse cronograma. João Batista Massena, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre, afirma que a empresa nunca procurou, oficialmente, o sindicato para tratar das demissões.
“Por isso, procuramos o Ministério Público do Trabalho, que entrou com uma ação na Justiça pedindo reintegração dos trabalhadores. Mas a decisão foi apenas de suspensão”, afirma o dirigente.
Massena conta que os trabalhadores nesta situação não recebem verbas rescisórias, indenizações, ficam sem salários e sequer podem dar entrada no seguro-desemprego.
O sindicato tenta negociar com a empresa, mas sem sucesso. A decisão da Justiça determinou ainda que fossem realizadas outras rodadas de negociação, medidas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TR-4). A próxima é dia 11.
Mas o presidente do sindicato afirma que todas as tentativas até agora foram inúteis, já que o ‘liquidante’ alega que “trabalha com decreto debaixo do braço e a ordem é apenas extinguir a empresa, demitindo funcionários”. O decreto de Bolsonaro, que extingue a Ceitec, foi publicado em dezembro do ano passado.
O sindicato tenta inclusive realocar os trabalhadores para outros órgãos. “O corpo técnico é muito avançado, são cientistas. Mas não tem conversa”, diz Massena.
De acordo com o ex-ministro Ricardo Berzoini, o processo de liquidação da Ceitec deverá custar aos cofres públicos, cerca de R$ 300 milhões.
Ele lamenta ainda que o Brasil tenha perdido a característica de formar cientistas e investir em pesquisas para o desenvolvimento. “Tínhamos um ideal de desenvolvimento do Brasil. Bolsonaro faz o contrário”, ele finaliza.