Doria demite 130 profissionais do Diário Oficial, em plena pandemia

Trabalhadores protestaram na manhã desta quinta-feira( 3), contra as demissões feitas pelo governador de São Paulo

Em plena pandemia, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) demitiu na quarta-feira (2) cerca de 130 trabalhadores entre gráficos e jornalistas da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Na manhã desta quinta-feira (3), a categoria protestou em frente à sede da empresa.

Doria fechou o parque gráfico da Imprensa Oficial do Estado  (Imesp) sepultando o trabalho editorial de excelência lá praticado, patrimônios do povo paulista. A Imesp era responsável, anteriormente pela publicação de livros da rede estadual de ensino, repassada a empresa privada a preços superiores. ´

Os jornalistas demitidos eram os responsáveis pelas matérias publicadas nas de páginas editoriais do Diário Oficial, que o governo paulista já havia interrompido anteriormente.

As demissões e a interrupção do serviço são frutos da lei que resultou na incorporação da Imesp pela Prodesp, outra empresa estatal.

O Sindicato e os jornalistas estão, desde de janeiro de 2019, lutando contra essa lei, em unidade com gráficos e outras categorias. 

A categoria também realiza uma assembleia virtual para decidir os rumos do movimento.

Fonte: CUT Brasil

Tenente-coronel CBM Camila Paiva é perseguida por ter ido ao protesto contra Bolsonaro em Maceió

O Conselho Estadual de Segurança Pública de Alagoas (Conseg/AL) abriu no dia 31/05, uma Reclamação Disciplinar contra a tenente-coronel do Corpo de Bombeiros de Alagoas (CB/AL), Camila Paiva, por “possíveis transgressões disciplinares”, para investigar a conduta da oficial. Camila participou de um protesto contra o presidente Bolsonaro no dia 29/05, em Maceió.

Em defesa de Camila Paiva, o Movimento Policiais Antifascismo de Alagoas publicou uma nota acusando o Conseg de perseguição política. Leia abaixo a nota:

NOTA DE APOIO À TENENTE-CORONEL CBM CAMILA PAIVA

O Movimento Policiais Antifascismo-AL se solidariza com Camila Paiva, Tenente Coronel do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas, em decorrência das perseguições políticas que vem sofrendo.

Se as disfunções do militarismo permitem ataques a uma oficial, minimamente imaginamos, para além dos casos que se tornam conhecidos, o quanto sofrem as praças, homens e mulheres dessas instituições, com perseguições, assédio moral, sexual e outros tipos de violências, sem sequer poderem manifestar opinião.

Antes de exercermos nossa profissão somos mulheres e homens, cidadãs e cidadãos, pais, mães, filhas e filhos. Somos seres humanos! E nessa perspectiva, temos direitos que garantem nossa mais legítima e básica condição humana que é a de pensar e expressar nosso pensamento.

É urgente que discutamos a desmilitarização das forças de segurança para o bem da sociedade e dos membros das instituições, que tem cada vez mais adoecido no exercício da profissão. Não há argumento lógico, que vise o interesse coletivo, para manutenção desse modelo.

Hierarquia, comando, são características presentes em qualquer instituição, seja na igreja, numa empresa privada, num partido político e outros. Assim também não é preciso ser militar para apresentar estética militar.

O que se tem vivenciado com essa experiência, é a utilização de regimentos internos para perseguir membros, sob os mais
diversos aspectos. Essa é uma cultura atrasada que não se coaduna com os princípios basilares da democracia.

Acompanhamos caso recente da soldado Jéssica que, após ter tido coragem de denunciar oficial assediador, sofreu dura perseguição, o que culminou com sua exoneração do quadro da Polícia Militar de São Paulo.

Sabemos do histórico patriarcal e machista que está arraigado nas instituições de segurança dado que, inclusive, o acesso a mulheres era negado até recentemente. Fato que contribui para que estas estejam mais sujeitas aos efeitos do militarismo.

Em Alagoas, na ‘terra dos marechais’, o fato de uma mulher chegar a Patente de Tenente-Coronel parece despertar sentimentos negativos em algumas pessoas, em decorrência do machismo e misoginia existentes.

É inadmissível que num estado democrático de direito, uma pessoa seja perseguida políticamente por expressar suas ideias. A utilização desses mecanismos faz parte de um período histórico que não deve se repetir.

O Conselho de Segurança Pública de Alagoas não pode servir a estes objetivos, o que requer imediato arquivamento dessa denúncia incabida, lastreada nas costumeiras perseguições do militarismo.

As instituições públicas não podem servir a estes fins, sobretudo de forma seletiva. Senão onde estavam as instituições quando em seu governo, a presidenta Dilma sofreu diversos ataques de militares? ou quando, em redes sociais, publicamente se sabem de ataques ao governador do estado, advindos de militares estaduais? O CONSEG não pode se submeter ao ‘R-Quero’ militar, cujo viés é notadamente ideológico nesse caso.

Humilhações públicas, perseguições políticas afetam não só a dignidade da pessoa, mas sua família e todas e todos que lutam por uma sociedade mais justa e menos desigual.

É preciso tornar as trabalhadoras e trabalhadores militares da segurança pública, pessoas partícipes da democracia brasileira, com atuação em sindicatos, para que discutam condições de trabalho; que possam participar de partidos políticos, livremente, e que de fato se reconheçam não como robôs, máquinas, mas como pessoas pensantes, seres humanos que são! O policial e o bombeiro devem se reconhecer como trabalhador, com direitos e deveres.

Nos solidarizamos a todas irmãs e irmãos que sentem-se tolhidos pelo militarismo, em especial à Camila Paiva, Tenente-Coronel do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas!

Movimento Policiais Antifascismo AL

Castillo acena com tributação de mineradoras para investir em saúde, educação e redução da pobreza

José Pedro Castillo, favorito na disputa do segundo turno nas eleições presidenciais do Perú, que ocorrerá no dia 6 de junho por uma margem pequena contra a candidata de direita Keiko Fujimori, propõe novos royalties sobre as vendas das mineradoras e modificações nos contratos de estabilidade tributária firmados por governos anteriores.

O professor do ensino primário e ex-líder sindical acusa as grandes multinacionais de “saquearem” as riquezas do país e quer virar o jogo e reter 70% dos lucros das mineração no Peru para usar estes fundos em investimentos em saúde, educação e redução da pobreza.

A mineração concentra 60% das exportações peruanas.

Fonte: Redação com Portal Terra

Luana Araújo: imunidade de rebanho é imputar morte à população

Na CPI, infectologista que não assumiu cargo na Saúde por ser pró-ciência demoliu tese de Bolsonaro que prega imunidade natural pelo vírus e condenou tratamento precoce para covid: “vanguarda da estupidez”

Um disparo da ciência contra o obscurantismo, a ignorância e a desinformação propagadas pelo desgoverno Bolsonaro. O depoimento da médica infectologista Luana Araújo à CPI da Covid, nesta quarta-feira (2), provou que Jair Bolsonaro nunca quis cerca-se de colaboradores técnicos que se baseiam na prática científica para defender a vida. Impedida por Bolsonaro de assumir o cargo de secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, na gestão de Marcelo Queiroga na Saúde, Araújo deu uma aula sobre a pandemia, demolindo, entre outras teorias negacionistas, a tese da imunidade natural de rebanho e condenando o chamado “tratamento precoce”.

Ela classificou defensores do uso cloroquina contra a Covid-19 como a “vanguarda da estupidez”. “Essa é uma discussão delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente”, criticou a infectologista. “Quando eu disse que um ano atrás nós estávamos na vanguarda da estupidez mundial, eu, infelizmente, ainda mantenho isso, nós ainda estamos aqui discutindo uma coisa que não tem cabimento. É como se a gente estivesse escolhendo de que lado da borda da terra plana a gente vai pular”, declarou Araújo, expondo o motivo pelo qual Bolsonaro vetou o nome da profissional.

Respondendo a uma pergunta do senador Humberto Costa (PT-PE) sobre imunidade de rebanho, a infectologista destruiu a tese governista de que a pandemia seria superada por uma imunização natural gerada pela contaminação de pelo menos 70% população pelo vírus da Covid-19.

“O vírus Sars-Cov-2 é de RNA, que é um tipo de material genético que tem tendências a sofrer mutações com muita facilidade. É e sempre será esperado que sofra mutações claras ao longo do tempo”, explicou a infectologista, adicionando que “a imunidade de rebanho natural dentro da Covid-19, do Sars-Cov-2, é impossível de ser atingida e não é uma estratégia inteligente”.

“Não posso imputar sofrimento e morte a uma população simplesmente pensando em atingir uma imunidade de rebanho”, esclareceu a infectologista. Ela também deixou claro que o uso de máscaras e o distanciamento social são fundamentais no enfrentamento ao surto, aliados à necessidade de vacinação em massa. Para Araújo, as vacinas disponíveis contra a Covid-19 atendem requisitos de segurança de agências reguladoras internacionais e outras instituições científicas.

Equívoco

Em sua intervenção, Humberto Costa ressaltou que a médica foi equivocada ao considerar que o governo Bolsonaro se renderia à ciência para salvar vidas.

“A senhora fez uma opção que continha um engano, o de que seria possível, diante de um governo que tem uma política da morte, da fome, de impingir sofrimento à população, poder fazer um trabalho como esse”, discursou o senador.

“Existe a boa e a má política”, frisou Costa. “A política que é praticada no Brasil por esse cidadão que está sentado no Palácio do Planalto, é a pior política que pode existir, é a política da morte. A senhora se enganou em achar que, chegando lá, poderia fazer a política da vida”, concluiu.

Falta de coordenação federal

A infectologista também criticou a falta de coordenação do governo Bolsonaro na integração de estados e municípios no enfrentamento da pandemia, apontando para a falta de uma “mensagem única” a ser direcionada à população.

“É uma estratégia quase que militar”, comparou. “Você tem um inimigo importante, e aí você começa a dispersar seus soldados, cada um faz uma coisa. Como é que a gente tem força para lidar com aquilo? Não tem, então é uma questão até de bom senso”, criticou a infectologista. Para Luana Araújo, sua nomeação serviria para construir essa integração.

Copa América e Conselho Federal de medicina

Em resposta a Humberto Costa, Luana também se posicionou contra a realização da Copa América no país, desaconselhando a competição. “O momento não é oportuno para esse tipo de evento”, alertou a médica.

Sobre a autonomia médica para o tratamento de pacientes com Covid-19, definida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a infectologista avaliou que a medida deixou a classe médica “muito exposta”.

“Considero que é bastante temerário você colocar nas costas dos médicos ao redor do país, principalmente aqueles que estão em locais com muito pouca condição técnica, de exercício de trabalho, a responsabilidade de usar uma medicação que não tem eficácia”, destacou.

Ameaças

Luana Araújo disse não saber o motivo do veto à sua indicação ao cargo, após dez dias de trabalho. Afirmou apenas que viu “carga política” no episódio. A médica, que tem mestrado na Universidade John Hopkins, disse que identificou falhas no programa de testagem do governo mas não houve tempo de corrigir os rumo da política pública do ministério.

Ela confirmou que sofreu ameaças à sua integridade física após a recusa de sua integração ao governo e que bolsonaristas tentaram divulgar seu endereço na internet.

“Eu, como vários infectos [infectologistas] desde o começo da pandemia, sofremos diversas ameaças. ‘Não saiam de casa’, ‘tomara que você e sua mãe morram’”, relatou a profissional. “Isso é lamentável. Não pela minha segurança ou pelos colegas, mas pela perda de oportunidade de educação do nosso povo, de alteração dessa dor em crescimento”, observou.

Governo Bolsonaro vai provocar racionamento e tarifaço nas contas de luz

Além da bandeira vermelha que aumenta o valor das contas de luz, governo diz que seca pode provocar racionamento de energia. Engenheiro da Eletrobras diz que culpa é da má gestão desde o golpe de 2016

A ameaça de racionamento de energia, medida típica de governos incompetentes na gestão dos bens públicos, e o tarifaço de preços que podem inviabilizar o consumo tanto nos domicílios residenciais como para empresas deixaram de ser segredo dos corredores do poder e passaram a ocupar as capas dos jornais. Esses problemas também são típicos de governos que promovem o desmonte das empresas, como o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) vem fazendo, para vender estatais como a Eletrobras, a preço de banana.

Os acontecimentos de hoje são um “revival” dos anos 1990, que levaram ao racionamento de 2001, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), outro que não fez planejamento nem investiu no sistema elétrico brasileiro, denuncia o diretor da Associação dos Engenheiros e Técnicos do Sistema Eletrobras (Aesel), o engenheiro elétrico, Ikaro Chaves. 

Naquele período, diz ele, a Eletrobras também estava na mira da privatização e estava proibida de investir, como ocorre hoje. O apagão da era tucana que fez a população brasileira sofrer, assim como os possíveis racionamentos da era bolsonarista têm o mesmo DNA: falta de planejamento e de investimentos. Em 2001, enquanto os brasileiros reduziam o consumo de energia em suas casas, o País sofria um prejuízo econômico de R$ 42,5 bilhões.

“Naquela época se esperava que o mercado privado investisse no sistema elétrico. Não investiram, como não vão investir agora também. Toda crise hídrica é sazonal, de tempos em tempos e o setor não está preparado para responder”, afirma.

Existe a possibilidade real de racionamento, por falta de planejamento, monitoramento e investimento do governo federal desde o governo de Michel Temer, e Bolsonaro segue na mesma linha- Ikaro Chaves

O problema volta a atingir o Brasil. O Ministério das Minas e Energia já anunciou que poderá haver um racionamento, alegando que isso ocorrerá devido ao longo período de estiagem. Só não disse que esse evento climático é previsível e que acontece com frequência no país. Segundo os técnicos do ministério, pode não haver água suficiente nas hidrelétricas para gerar energia. 

Já a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também avisou no último dia 28 de maio que, por causa da seca, vai acionar a partir de junho, a bandeira vermelha 2, a mais cara das tarifas extras, que representa  uma cobrança adicional de R$ 6,24 para cada 100 kWh consumidos.

Aplicar um racionamento e aumentar exorbitantemente o preço da energia, o chamado “tarifaço”, por causa da chuva é mais uma desculpa do governo Bolsonaro que não fez investimentos necessários, mesmo sabendo que uma crise hídrica poderia ocorrer, afirma o engenheiro da Eletrobras.

Segundo ele, os períodos de seca, como os de dezembro passado a maio deste ano, são previsíveis, e o que falta ao governo atual é investir em energias renováveis como a eólica e a solar, bem como construir hidrelétricas reversíveis, comuns na Europa e Estados Unidos, nas quais são armazenadas energia para eventuais períodos de escassez.

Ikaro Chaves explica que a energia eólica é responsável por apenas 10% do consumo no país e a solar, no Brasil, de clima tropical, corresponde a menos de 2%. Já as termoelétricas, que o governo prefere utilizar, têm custo mais caro porque precisam de gás natural e diesel para funcionarem.

“Era preciso construir usinas termoelétricas, era, mas se não fossem os investimentos feitos pelos governos Lula e Dilma, o Brasil nem teria energias renováveis, nem a construção de diversas hidrelétricas no país”, conta Ikaro.

Os governos do PT investiram R$ 100 bilhões na construção de novas hidrelétricas, nas energias renováveis e na ligação de todo o sistema brasileiro. O Brasil acrescentou 70% à sua capacidade energética. Foram esses investimentos que evitaram um apagão como o que ocorreu em 1999, e o racionamento de energia entre 2001 e 2002, no governo de FHC- Ikaro Chaves

A responsabilidade dos órgãos de controle

O dirigente explica ainda que a possibilidade do racionamento não pode ser colocada apenas nas costas da Eletrobras, mas de todo um sistema que não previu, nem se preveniu, para o que está ocorrendo atualmente.

De acordo com ele, o setor elétrico brasileiro tem uma série de agentes, o Ministério das Minas e Energia e comitês de monitoramento, como a Empresa de Pesquisa Energética (EPE); a Aneel e diversas empresas do setor de energia, não só a Eletrobras, que é a mais importante, mas não é a única. Para ele, esses órgãos falharam no monitoramento dos níveis de água das hidrelétricas.

“Se o país já tivesse acionado as usinas térmicas anteriormente e utilizado mais as energias solar e eólica, que não podem ser ‘reservadas’, a água das hidrelétricas poderia ter sido economizada.  Todos esses agentes falharam em não se programarem para a estiagem, que é um período que passamos todos os anos. Alguns com maior gravidade, outros não. Na verdade, a falha do governo federal é sistêmica”, diz Ikaro.

Somente na última semana é que o Sistema Nacional de Meteorologia (SNM) emitiu o primeiro Alerta de Emergência Hídrica para o período de junho a setembro, na região da Bacia do Paraná, que abrange os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

Mas, o engenheiro da Eletrobras diz que todos os estados serão afetados pelo racionamento com a falta de chuva, porque as bacias do Rio Tocantins, que percorre Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará, bem como a do Rio São Francisco, que  passa por Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas, e o Rio Grande, que banha Minas e São Paulo e é um dos formadores do Rio Paraná; nascem entre os estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo.

“Esses rios são a ‘caixa d’água’ do Brasil. Engana-se quem acha que apenas esses estados serão afetados. O sistema elétrico brasileiro é todo interligado. Nos anos 1990 sobrava energia no sul e faltava no norte e centro-oeste, mas com o sistema todo conectado, a crise vai ser nacional”, acredita Ikaro.

Racionamento de energia impede a retomada da economia

O engenheiro da Eletrobras defende que a energia elétrica não é um bem qualquer, que seu consumo possa ser dispensado. Segundo Ikaro, na pós- pandemia qualquer possibilidade de melhora na atividade econômica, com o país racionando energia, será prejudicada. As indústrias e empresas não darão conta da demanda. Se as hidrelétricas pararem, o sistema cai imediatamente.

“Imagine ficar duas, três horas sem energia por dia, a produção para. Se faltar cerveja da marca que a gente gosta, a gente compra outra. Se não tiver no país, pode-se importar. Se não tiver no mundo, a gente passa sem, ninguém vai morrer, mas energia não dá para importar. Produção de energia precisa ser planejada com antecedência porque não pode faltar um minuto”, diz Ikaro.

Preço da energia contribui para aumento da inflação

Nesta segunda-feira (31), a Comissão de Direitos Humanos (CDH) no Senado debateu os efeitos da privatização da Eletrobras. Especialistas apontaram que a desestatização pode gerar aumento na conta de luz e racionamento energético.

Na audiência, Ikaro Chaves destacou que quase R$ 600 bilhões, R$ 20 bilhões anuais, serão retirados dos consumidores nos 30 anos de concessão que estão sendo destinados à iniciativa privada na MP. Ainda segundo ele, o governo ao garantir que “o racionamento é uma possibilidade cada vez maior, mas uma elevação substancial da tarifa é uma certeza”, as estimativas para os reajustes devem ser superiores a 10%.

Economistas, ouvidos pelo jornal Valor Econômico, preveem que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação de um salário mínimo (R$ 1.100) a 40 salários (R$44.000) deve chegar em 12 meses, a  8%, com a bandeira 2 na tarifa de energia.

Em maio, a alta da energia elétrica dentro do grupo habitação foi de 2,31%, o que puxou a prévia da inflação para 0,44%, acima da taxa de 0,6% registrada em abril. Esse é o maior resultado para um mês de maio desde 2016, ano do golpe contra a ex-presidenta Dilma, quando o índice chegou a 0,86%.

Este índice deve ser ainda maior a partir de junho com a implantação da bandeira vermelha patamar 2. Até agora está sendo utilizada a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

Mesmo com lucro bilionário, Bolsonaro quer vender Eletrobras

A falta de lucro não serve mais de desculpa para o governo federal para promover a entrega ao mercado financeiro de um sistema estratégico do país como o energético.

O balanço financeiro, divulgado em março da Eletrobras na mira de privatizações, demostrou que a estatal de energia obteve um lucro de R$ 6,387 bilhões em 2020. No ano anterior (2019), os resultados foram ainda maiores, totalizando R$ 11,133 bilhões.

Apesar de todo este lucro da Eletrobras avança no Congresso Nacional a Medida Provisória (MP) 1.031/2021, da privatização da estatal. O governo Bolsonaro quer vender suas ações para aumentar a participação do capital privado. A MP, publicada em 23 de fevereiro, foi aprovada na Câmara dos Deputados, no dia 20 de maio, e agora precisa ser aprovada no Senado.

Fonte: CUT Brasil

Greve dos petroleiros chega ao terceiro dia em Alagoas

A greve dos petroleiros chega ao terceiro dia em Alagoas e Petrobras continua sem querer negociar com a categoria.

Segundo o sindicato da categoria, “os trabalhadores petroleiros seguem lutando pela revogação das punições, contra os assédios, contra os desmandos, as perseguições, a precarização das condições de trabalho e a falta de segurança operacional”.

Ainda segundo o Sindpetro, “a empresa segue intransigente e caçando desesperadamente fura-greves em todo território nacional”.

Fonte: Assessoria do Sindpetro

Em um ano de pandemia, conta de energia ficou pelo menos 20% mais cara em Alagoas

A política econômica de Paulo Guedes e do governo Bolsonaro tem empobrecido o povo brasileiro e feito os preços dispararem, a maioria da população brasileira, com certeza vem sentindo no bolso o aumento constante em todos os setores da economia.

A conta de energia, por exemplo, sofreu pelo menos quatro aumentos durante o período de pandemia. Alguns consumidores relatam aumentos que superam os 25%, quando comparam as faturas referentes aos mesmos períodos do ano passado.

É o caso da professora Edileuza Ferreira, que registrou mais de R$100 de aumento ao comparar a fatura da Equatorial recebida em maio de 2020 e em maio de 2021.

“Não comprei nenhum eletrodoméstico e não mudei nenhuma conduta no uso da eletricidade em minha casa. Infelizmente a gente tem enfrentado reajustes desgovernados não só na energia, mas também nos produtos básicos do supermercado, na gasolina”, desabafou ela.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem concedido aumentos da energia elétrica que superam à inflação oficial do país. A Equatorial, concessionária de energia elétrica em Alagoas, finalizou o ano de 2020 com lucro líquido que supera os R$2,2 bilhões, um aumento que supera os 50% quando comparado ao lucro obtido em 2019.

Enquanto isso o povo sofre com as altas contas e os péssimos serviços. E para piorar, o governo Bolsonaro decretou a via agência, a cobrança da bandeira vermelha 1 aos consumidores, o que significa novo aumento na conta de luz.

Fonte: Redação com 7 Segundos Arapiraca

Espanha e Marrocos no centro da crise migratória

Vários milhares de pessoas chegaram, nos últimos dias, às praias de Ceuta, ao mesmo tempo que algumas centenas de pessoas têm saltado a vedação de Melilla. Elas estão apenas à procura de uma vida melhor, ou simplesmente de sobreviver.

O Governo espanhol “progressista” respondeu enviando o Exército, com tanques, para as praias de Ceuta, apressando as “devoluções a quente” de mais de 6.000 pessoas (usando a infame Lei-Mordaça que prometeu revogar) e amontoou um milhar de menores num armazém industrial, a dormir no chão e sem instalações sanitárias. Centenas de outros menores foram expulsos “a quente” (o que viola todas as leis). A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou publicamente nas redes sociais o “apoio e solidariedade” do Executivo que dirige para com Ceuta e Melilla, enquanto a comissária europeia para os Assuntos Internos, Ylva Johansson, advertiu Marrocos de que a sua fronteira com Ceuta é também “fronteira com a União Europeia”, e exortou Rabat a cumprir os seus compromissos de controlo da passagem de migrantes irregulares e impedir a chegada “sem precedentes” que se está a registar desde 17 de Maio à cidade autónoma.

É evidente que a crise económica, multiplicada por cem num país dependente e oprimido como é Marrocos, atirou para o desespero e a emigração centenas de milhares de jovens. O culpado não é apenas o Regime marroquino mas também o Sistema capitalista e os acordos de exploração entre a União Europeia e Marrocos, que convertem este país num campo livre para a entrada das multinacionais.

A imprensa de todas as cores ataca Marrocos, que é acusado de “ter deixado sair” estas pessoas, em represália pela hospitalização, em Logroño, de um dos líderes da Frente Polisario. Um dirigente que “viaja com passaporte argelino”, talcomo os outros líderes da Frente Polisario, uma organização cuja base se situa em Tindouf (Argélia), protegida pelo Regime argelino. Regime este, não o esqueçamos, que tem a oposição da imensa maioria do seu povo.

Fazem coro com essa imprensa a líder “anti-capitalista” e antiga Coordenadora do Podemos na Andaluzia, Teresa Rodríguez, explicando que “Marrocos está a utilizar seres humanos para fazer chantagem com Espanha e poder continuar a ignorar os direitos humanos no Sahara. Isto deveria ser intolerável”.

Deste modo, todos eles mostram a fragilidade das fronteiras artificiais de Ceuta, para cuja defesa o muro de 10 metros de altura não é suficiente. Eles precisam, além disso, que a Polícia e o Exército marroquinos defendam essas fronteiras do exterior.

Ninguém assinala a inviabilidade destes enclaves coloniais que, juntamente com várias ilhas e afloramentos rochosos ao largo da costa de Marrocos, continuam a estar em poder do Estado espanhol. E apenas poucas pessoas protestaram contra as acções do Governo de Sanchéz.

Em Dezembro de 2020, Información Obrera publicou um artigo com o título “Não, Senhora ministra, Ceuta e Melilla são cidades de Marrocos”. O artigo terminava afirmando que ambas estas cidades “são enclaves coloniais em território marroquino, assim como a ilha de Perejil, os afloramentos rochosos de Al Hoceima e Velez de la Gomera, e as Ilhas Chafarinas. A única medida progressista é o seu regresso incondicional ao povo marroquino”. Recordamos que as fortalezas militares de Ceuta e de Melilla não são apenas um punhal cravado no povo marroquino; são ameaças directas às liberdades e direitos em Espanha porque – como declarou, em 1810, Dionisio Inca Yupanqui, deputado dos EUA, perante as Cortes de Cádiz – “um povo que oprime outro não pode ser livre”. Além disso, é suficiente recordar também o golpe militar de Franco e de onde ele partiu.

A esquerda institucional cerra fileiras com o aparelho de Estado

Enquanto o Governo enviava soldados e tanques para receber as pessoas pobres que desembarcavam esfomeadas e exaustas nas ruas de Ceuta, as reacções da chamada esquerda foram inadmissíveis. Yolanda Díaz e Ione Belarra, do Podemos, lançaram algumas tímidas críticas, mas apenas sobre o facto das mais de 6.000 “devoluções a quente” que foram efectuadas, em apenas alguns dias, pelas autoridades na fronteira de Ceuta. Mas em seguida, face a uma situação tão “crítica”, Podemos decidiu que, neste momento, “não pode gerar uma crise” sobre este ponto, e que se vai limitar a fazer pressão em privado sobre Marlaska (o ministro do Interior) para que este renuncie a aplicar a medida, mas sem que a controvérsia venha a público.

Ao mesmo tempo, a conta oficial de Podemos no twitter reagir indignada às declarações de Pablo Casado (o líder do PP) – as quais mais tarde este retirou – afirmando que Podemos defende o regresso de Ceuta e Melilla a Marrocos: “Esperamos a rectificação imediata destas falsas declarações, que procuram desestabilizar o Governo. É preciso que @pablocasado deixe de mentir aos cidadãos. O único traidor à pátria, que se encontrou há uma semana com quem pede a anexação de Ceuta e Melilla a Marrocos, és tu.”

Ao mesmo tempo o PCE, que tem dois ministros no Governo, apelou à defesa da “soberania” de Espanha contra a “chantagem de Marrocos”, a quem acusa de “não hesitar em pôr em risco a vida de milhares de pessoas”. Também apela a “uma posição europeia comum” e a “mais presença da UE em matéria de política externa”.

Pela sua parte, o “verde” Íñigo Errejón, declarou, também no twitter, que não aceita “mais nenhuma chantagem. As resoluções da ONU em relação ao Sahara devem ser cumpridas e Marrocos deve ser convidado a realizar eleições democráticas. E, pelo menos, a UE talvez devesse tomar medidas relativas a possíveis contas bancárias do Rei Mohamed VI na Europa.” É curioso como, no nosso país, se multiplicaram as “informações” sobre a fortuna do Rei de Marrocos, sem dúvida de acordo com o preceito bíblico “ver o grão nos olhos dos outros e não a viga no seu próprio olho”… Poucas lições podem ser dadas por Espanha a Marrocos – um país historicamente oprimido e explorado por empresas multinacionais, algumas delas espanholas, quando aqui “desfrutamos” da monarquia dos Bourbons, com séculos de corrupção.

Pelo seu lado, os Anticapitalistas asseguram que “o que está a acontecer em Ceuta é o resultado da externalização das fronteiras a países onde os direitos humanos são sistematicamente violados, como é o caso de Marrocos, em troca de uma chantagem permanente”, e apela ao Governo a “mostrar coragem e a gerir as suas próprias fronteiras sem depender de Marrocos”. E insiste, como todas as organizações políticas anteriores, para que a solução seja colocada nas mãos das instituições internacionais do capital financeiro, e, no que diz respeito ao Sahara, pede que sejam cumpridos os “mandatos das Nações Unidas”.

Em defesa dos trabalhadores e do Povo marroquino

Para a classe trabalhadora, a prioridade deve ser a defesa dos direitos dos trabalhadores imigrantes, incluindo o milhão de trabalhadores de origem marroquina que fazem parte da classe operária espanhola e sofrem níveis muito elevados de exploração. Assim como a defesa dos milhares de imigrantes, com ou sem papéis, que ganham o seu sustento como jornaleiros agrícolas, sofrendo a exploração dos patrões que tiram partido da sua situação precária para não cumprir as leis laborais e os acordos colectivos.

Não se trata de uma questão de solidariedade, mas de defesa dos seus próprios interesses: a existência de um grande grupo de trabalhadores sem direitos permite que os patrões baixem os salários e os direitos de todos.

Em segundo lugar, antes de falar sobre os bens na Europa do monarca marroquino – agente do capital financeiro e do imperialismo norte-americano – não deveríamos falar dos investimentos das multinacionais espanholas em Marrocos, para explorar a classe operária marroquina? Em Marrocos estão a operar 1.455 empresas com capital espanhol, e há um stock de investimento acumulado de mais de 4.750 milhões de euros (M€); e, em 2019 (antes da pandemia), mais de 21.800 empresas espanholas exportaram para a economia marroquina mercadorias no valor de 8,454 M€ (cerca de 1/13 do PIB de Marrocos, que é de 106,932 M€).

E, em terceiro lugar, os interesses dos trabalhadores e dos povos de todo o Estado espanhol exigem a entrega ao povo de Marrocos de Ceuta, Melilla e dos outros enclaves coloniais – que, aliás, são ninhos da reacção – da mesma forma que exigem o regresso de Gibraltar, ocupado pelo Exército britânico, ao Estado espanhol.

Publicado na Carta semanal nº 837 (de 31 de Maio de 2021) do Partido Operário Socialista Internacionalista (POSI), Secção da 4ª Internacional no Estado espanhol.

Fonte: POUS4

BRK Ambiental vai iniciar operação em Maceió e população teme aumento na conta de água

A empresa canadense BRK Ambiental, do grupo Brookfield, que comprou a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), numa operação questionada pelos trabalhadores e a população, irá explorar a partir de julho o fornecimento de água de mais de 1,5 milhão de pessoas na capital e Região Metropolitana.

A preocupação da população é de que a empresa privada, que visa o lucro em suas operações, aumente as tarifas de abastecimento e precarize a qualidade do serviço, como faz a Equatorial, a ponto de um ser das campeãs de reclamação em Alagoas.

Outro ponto que preocupa, é o da demissão dos atuais trabalhadores da Casal e a substituição por terceirizados recebendo salários inferiores. Segundo especialistas, essa é uma prática comum quando as empresas privadas assumem concessões de serviços públicos como o de água e energia.

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