Ato na Ufal cobra fim do genocídio em Gaza

Uma manifestação contra o genocídio do povo palestino, reuniu ontem, 29/09, dezenas de pessoas no hall da reitoria da Ufal. Uma bandeira gigante da Palestina foi fixada durante o evento.

Uma roda de conversa com os professores da Ufal, Rafael Rodrigues e Pedro Vasconcelos, historiou a situação da Palestina e denunciou os crimes de genocídio praticado pelo estado sionista de Israel.

Para a professora Sandra Lira, diretora da Adufal, “crimes praticados pelo estado de Israel são crimes contra a humanidade e foram, inclusive, denunciados pelo presidente Lula na Conferência da Onu.

Depois os manifestantes foram até o viaduto na entrada da Ufal onde estenderam o bandeirão e fizeram panfletagem para conscientizar a comunidade acadêmica.

O ato público foi organizado pelo Comitê em Defesa do Povo Palestino e contou com a presença de representantes de partidos políticos, como UP, PT e PSOL, da Adufal, Sinduneal e entidades do movimento estudantil.

Brasil cria 1,5 milhão de empregos formais em 2025 e bate recorde

Serviços e indústria puxam contratações; São Paulo, Minas e Paraná lideram geração de vagas no acumulado do ano

O Brasil criou 1.501.930 empregos com carteira assinada entre janeiro e agosto de 2025, segundo dados do Novo Caged divulgados nesta segunda-feira (29) pelo Governo Federal. O saldo é positivo em todos os grandes setores da economia e eleva para 48,69 milhões o total de vínculos formais no país – o maior da série histórica.

Desde o início da atual gestão de Lula (PT), em janeiro de 2023, já foram abertos 4,63 milhões de postos de trabalho com carteira assinada.

Serviços e indústria puxam contratações

Entre os cinco grandes grupos econômicos, Serviços liderou com 773 mil novas vagas, seguido pela Indústria (+273 mil), que se destaca pela geração de empregos mais qualificados. Na sequência aparecem Construção (+194,5 mil), Comércio (+153,4 mil) e Agropecuária (+107,2 mil).

Na indústria, a fabricação de produtos alimentícios foi o principal motor, com 51 mil vagas abertas no período.

Desempenho por estado

Em números absolutos, São Paulo segue à frente, com 436,7 mil postos, seguido por Minas Gerais (+152,9 mil) e Paraná (+108,7 mil). Em termos proporcionais, o crescimento mais forte veio de Amapá (+6,86%), Mato Grosso (+5,78%) e Piauí (+5,22%).

Agosto mantém ritmo de alta

Apenas em agosto, foram gerados 147.358 empregos formais, resultado de 2.239.895 admissões e 2.092.537 desligamentos. O saldo foi positivo em 25 das 27 unidades da Federação, com destaque para São Paulo (+45.450), Rio de Janeiro (+16.128) e Pernambuco (+12.692).

O setor de Serviços mais uma vez liderou no mês, com 81.002 novas vagas, impulsionado pela Educação (+23.785), especialmente em Educação Infantil e Ensino Fundamental (+9.924). Comércio (+32.612), Indústria (+19.098) e Construção (+17.328) também registraram crescimento, enquanto a Agropecuária teve leve retração (-2.665).

Perfil das contratações

As mulheres foram maioria nas admissões de agosto, com 77.560 vagas, ante 69.798 para os homens.

Os jovens de 18 a 24 anos lideraram a geração de empregos, com 94.525 postos, seguidos pelos adolescentes de até 17 anos (+33.710). 

A maior parte dos contratados tem ensino médio completo (96.442 vagas). Na análise por raça, pardos foram maioria (+111 mil), seguidos por brancos (+32.248) e pretos (+21.648).

Salário em alta

O salário médio de admissão em agosto foi de R$ 2.295,01, um avanço de 0,56% em relação a julho (R$ 2.282,31).

Fonte: Brasil 247

Ministro critica pejotização e alerta para riscos à Previdência

Titular do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho diz que decisões judiciais fragilizam vínculo formal e afirma que há uso indevido de MEI para driblar encargos.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, voltou a criticar a pejotização e alertou  para os impactos sobre a Previdência Social e os fundos de proteção ao trabalhador. Afirmou que decisões judiciais “fragilizam o vínculo formal”.

As declarações foram feitas durante a divulgação dos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) nesta 2ª feira (29.set.2025).

Segundo Marinho, parte do STF (Supremo Tribunal Federal) estaria “sensível” a argumentos favoráveis à pejotização –quando pessoas são contratadas como PJ (Pessoa Jurídica), mas exercem funções com características de um trabalhador com vínculo empregatício formal. Disse isso minutos antes de ir para a posse do ministro do STF Edson Fachin, que assumirá a presidência da Corte.

“Há ministros que parecem ver vantagem nesse modelo. Mas, se levado a cabo, isso destrói a Previdência, o FGTS [Fundo de Garantia por Tempo de Serviço] e compromete a política de crédito do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. É um risco para toda a economia”, afirmou.

Marinho também criticou o uso indevido da figura do MEI (Microempreendedor Individual) para driblar encargos.

“Nós não podemos deixar essa irresponsabilidade crescer. Quando se cria um MEI ou uma PJ para mascarar relações de emprego típicas, estamos destruindo a Previdência e o FAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador]“, disse o ministro.

“Se acabar o FAT, acabou a perna que financia o seguro-desemprego e o abono salarial”, acrescentou.

Segundo ele, o fenômeno da pejotização tem sido estimulado por setores que defendem maior flexibilidade nas relações trabalhistas, mas que, na prática, aumentam a precarização.

“Estão tentando vender a ideia de que o trabalhador de alta renda pode abrir uma PJ e negociar individualmente. Mas não se trata de faixa salarial. O que define vínculo é subordinação. Se um gerente trabalha em regime de exclusividade para uma empresa, não há contrato de pessoa jurídica. Isso é fraude trabalhista”, declarou.

O ministro também disse que as flexibilizações aumentam o deficit previdenciário. “O MEI foi criado para dar proteção a trabalhadores totalmente desassistidos, como o pipoqueiro ou a mãe que faz salgados para vender. O que vemos hoje é fraude: empresas contratando dezenas de MEIs para funções típicas de assalariados. Isso afunda ainda mais o déficit previdenciário”, disse.

DESACELERAÇÃO

Marinho apresentou os números do Caged. Em agosto, o saldo foi positivo em 147.358 postos formais, resultado de 2,23 milhões de admissões e 2,08 milhões de desligamentos.

Segundo o ministro, houve desaceleração no ritmo de crescimento, mas o saldo segue positivo em 25 das 27 unidades da federação. O setor de serviços foi o maior gerador de vagas, com destaque para educação, saúde e administração pública. Já a agropecuária registrou saldo negativo de 2.665 vagas, impactada pelo fim da colheita do café.

Marinho destacou que o estoque de empregos com carteira assinada chegou a 48,7 milhões e que o saldo acumulado em 12 meses foi de 1,43 milhão de vagas.

Fonte: Poder 360

Conferência discute direitos dos migrantes no México e a luta contra intervencionismo dos EUA

Documento final da Conferência pelos Direitos dos Migrantes faz apelo a presidentes Lula, Petro e Sheinbaum por ‘ação coordenada’ contra ameaças no Mar do Caribe

A Cidade do México foi sede, neste domingo (28/09), da jornada final da primeira Conferência Continental para a Defesa dos Direitos dos Migrantes e da Soberania Nacional, que reuniu organizações e delegações de sete países da América Latina.

Segundo o documento produzido pela organização oficial do evento, o principal foco da conferência foi o de reforçar o apelo à “unidade entre os governos do continente contra as políticas imperialistas dos Estados Unidos”, com prioridade para a política anti imigração e as violações aos direitos humanos que ela provoca, e também os acontecimentos no Mar do Caribe, com as ameaças à soberania da Venezuela.

A organizações participantes ressaltaram que “a resistência às políticas de Trump está crescendo nos Estados Unidos, como se vê nas manifestações de rua. No Panamá, o povo luta para defender o Canal. Em vários países, como Brasil, México e Colômbia, o povo luta contra a ingerência imperialista e seus agentes, como Bolsonaro e seus generais. Em outros casos, como Equador, Peru e Argentina, lutam contra regimes fantoches”.

“São expressões da mesma causa: a defesa da soberania nacional. A luta pelo direito de migrar faz parte da luta pelos direitos dos trabalhadores e pelos direitos humanos”, afirma o comunicado lançado pelos participantes do evento.

A Conferência Continental teve seu início no sábado (27/09), foi realizada na sede do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Universidade Autônoma Metropolitana (SITUAM) e contou com uma total de 120 representantes de diversas organizações que trabalham com populações migrantes.

O Brasil foi representado na conferência por uma delegação composta por 18 integrantes, entre eles: Barbara Corrales (presidente do Conselho Municipal do Imigrante de São Paulo), Roque Pattussi (representante do Centro de Apoio Pastoral do Migrante de São Paulo), Rui Falcão (deputado federal pelo PT-SP), Heloisa Maria Galvão, membro do Grupo Mulher Brasileira (Boston-EUA) e Sandro Bittencourt, membro do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Florianópolis (Sintrasen).

Elogios e críticas a Lula, Sheinbaum, Petro, Maduro e Xiomara

A Conferência também reconheceu os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Claudia Sheinbaum (México), Gustavo Petro (Colômbia), Nicolás Maduro (Venezuela) e Xiomara Castro (Honduras) como os principais líderes da região a se manifestarem contra as políticas estadunidenses de perseguição aos imigrantes.

Porém, mesmo os mandatários que foram elogiados no documento não ficaram isentos de críticas, que vieram sob o argumento de que “até agora, cada um agiu de forma independente, contra um adversário que é forte demais para ser enfrentado individualmente, quando o desejável é a unidade dos governos do continente contra as políticas imperialistas”.

“O caso mais preocupante de agressão hoje é contra a Venezuela, com ataques econômicos, ataques letais a embarcações e ameaças de intervenção militar, que requerem uma resposta conjunta da região para impedir que o ímpeto intervencionista das forças imperialistas volte a se alastrar pelo continente”, declarou o documento oficial.

Fonte: Ópera Mundi

Aposentadoria dos servidores de Maceió em risco: IPREV aplicou R$ 168,5 milhões em Nest Eagle e Banco Master

O Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Maceió (IPREV) aplicou R$ 117,9 milhões em letras financeiras do Banco Master e R$ 51,48 milhões em cotas do Nest Eagle Fundo de Investimento Imobiliário de Responsabilidade Limitada, criado em 2024 e registrado sob o CNPJ 54.422.883/0001-57. Ao todo, os investimentos somam R$ 168,5 milhões.

O vereador Rui Palmeira levou essas informações ao Ministério Público de Alagoas, ressaltando que se trata de operações consideradas de alto risco. O regulamento do Nest Eagle, datado de 16 de setembro de 2024, destaca que as cotas não possuem garantia de prestadores de serviços, terceiros, mecanismos de seguro ou do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Isso significa que, em caso de inadimplência, perda de valor dos imóveis ou desempenho insatisfatório do fundo, os cotistas não têm acesso à proteção do FGC. Os recursos para pagamento e resgate das cotas dependem exclusivamente do patrimônio e dos resultados do próprio fundo.

O desempenho dos imóveis que compõem a carteira do fundo pode ser afetado por fatores externos, como condições econômicas gerais, oferta de imóveis semelhantes e interesse de potenciais compradores. Essas variações podem influenciar a valorização dos ativos e a distribuição de resultados aos investidores.

Além disso, a classificação de risco das cotas foi definida com base em análise conservadora da carteira à época da sua atribuição, sem garantia de que permanecerá inalterada durante toda a duração da classe de ativos.

O Nest Eagle FII RL é administrado pelo Banco Daycoval S.A. e gerido pela Nest International Administradora de Carteira de Valores Mobiliários Ltda. O fundo aplica recursos em imóveis prontos ou em construção, com objetivo de valorização e geração de renda por meio de locação ou arrendamento.

Fonte: 082 Notícias

Israel mata 50 palestinos em Gaza nas últimas 24 horas

  • Pelo menos 50 palestinos, incluindo cinco requerentes de ajuda, foram mortos e 184 feridos em ataques israelenses na Faixa de Gaza nas últimas 24 horas, de acordo com o Ministério da Saúde do enclave.
  • O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deve se encontrar com o presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval, após a proposta dos EUA de parar a guerra em Gaza.

Durante a Conferência da ONU, vários países reconheceram o Estado Palestino, aumento ainda mais o isolamento do regime genocida e sionista de Israel.

A guerra de Israel em Gaza matou pelo menos 66.055 pessoas e feriu 168.346 desde outubro de 2023. Acredita-se que milhares mais estejam enterrados sob os escombros. Um total de 1.139 pessoas foram mortas em Israel durante os ataques de 7 de outubro de 2023 e cerca de 200 foram capturadas.

Redação com Al Jazeera

Pastor é preso por suspeita de abuso sexual de adolescentes no RS

Menina precisou passar por tratamento psicológico para ansiedade e pânico. Outros dois casos de abuso supostamente cometidos pelo líder religioso são investigados.

Um pastor de 57 anos foi preso preventivamente no dia 23/09 por suspeita de abuso sexual contra uma adolescente quando ela tinha 12 anos em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

De acordo com a Polícia Civil do RS, o homem é pastor de uma igreja da cidade e teria cometido o crime em 2018, durante um curso de preparação para batismo do qual a menina participava.

A identidade dele não foi revelada pela polícia, mas o g1 e a RBS TV apuraram que se trata de César Luís Boa Nova Silveira. Em nota, a defesa de César afirma que a prisão “não possui fundamento fático e muito menos jurídico” e que ele “nega veementemente o ocorrido”. Leia a nota completa abaixo.

O caso foi relatado somente em 2025, quando a vítima já tinha 19 anos. Ela passou por tratamento psicológico, pois desenvolveu transtornos de ansiedade e pânico. A denúncia teria acontecido após encorajamento dos profissionais.

Segundo o delegado Maurício Barison, que investiga o caso, o líder espiritual insinuava desejo sexual pela vítima durante todo o curso. No último dia de aulas, o homem teria dispensado os demais adolescentes e trancado a vítima no interior da igreja, onde supostamente praticou o abuso sexual.

Há investigação de outros supostos casos de abuso com pelo menos duas vítimas em investigação pela Polícia Civil.

Nota da defesa

“A defesa de César Luís Boa Nova Silveira, declara que a prisão preventiva ocorrida na data de hoje não possui fundamento fático e muito menos jurídico, ou seja, a prisão é desnecessária.

O representado nega veementemente o ocorrido, registra-se, que será demonstrado nos autos do processo, ao crivo da ampla defesa e do contraditório, sua inocência.”

Fonte: G1

Aumenta pressão sobre Alemanha por seu apoio a Israel

A pressão sobre a Alemanha para se juntar às medidas contra Israel pela guerra de Gaza continua aumentando, e isso desencadeou um intenso debate em um país que há décadas tenta expiar a culpa pelo Holocausto.

Berlim, um firme aliado de Israel, está cada vez mais isolada à medida que muitos de seus parceiros ocidentais – Reino Unido, França, Canadá, Austrália, Espanha – reconhecem a Palestina como Estado.

Embora esses países tenham condenado o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza, muitos consideram que a resposta militar israelense é desproporcional e sem um fim à vista.

Nesta semana, todas as atenções estarão voltadas novamente para a Alemanha e para saber se ela se oporá aos planos da União Europeia de sancionar Israel por sua campanha na Faixa, que, segundo números do Ministério da Saúde de Gaza, considerados confiáveis pela ONU, resultou em mais de 65.000 mortos em quase dois anos de conflito.

“A Alemanha está sob pressão crescente de várias direções”, ressalta Mariam Salehi, pesquisadora de política internacional na Universidade Livre de Berlim.

“Isso vem de parceiros políticos dentro da União Europeia (…), mas também da sociedade civil alemã”, aponta.

Há muitos anos, questionar o apoio a Israel tem sido um tabu na Alemanha, devido à esmagadora lembrança do genocídio perpetrado pelo nazismo, que matou seis milhões de judeus europeus.

A ex-chanceler Angela Merkel descreveu a segurança nacional de Israel como parte do “Staatsräson” (“razão de Estado”) da Alemanha, um princípio fundamental que deve prevalecer sobre considerações partidárias.

Por isso surpreendeu a mudança de rumo no mês passado por parte de seu ex-assessor de política externa e segurança, Christoph Heusgen.

Heusgen, que também foi embaixador da Alemanha na ONU, advertiu que Israel corre o risco de se tornar um “Estado de apartheid” se continuar com suas políticas em Gaza e na Cisjordânia ocupada, e pediu a Berlim que reconheça a Palestina como Estado.

– Divisão entre esquerda e direita –

À medida que a guerra em Gaza se prolonga, a Alemanha intensificou suas críticas a Israel pela situação humanitária na Faixa.

Em agosto, o chefe de governo Friedrich Merz anunciou que Berlim iria restringir a venda de armas a Israel.

Uma medida celebrada por muitos setores de esquerda, mas que gerou indignação na direita, especialmente na CSU, o partido irmão da CDU conservadora de Merz.

“Estamos alimentando uma narrativa de inversão entre perpetrador e vítima em Israel, o que, na minha opinião, não faz justiça à situação como um todo”, declarou o especialista em política externa da CSU, Stefan Mayer.

Por sua vez, a influente Sociedade Germano-Israelense classificou a decisão como “uma vitória para o Hamas na guerra de propaganda global”.

A Alemanha evitou até agora classificar a ofensiva israelense em Gaza como “genocídio”, mesmo depois que uma investigação das Nações Unidas utilizou o termo.

Berlim também deixou claro que não tem planos de reconhecer um Estado palestino, diferentemente de França, Reino Unido, Austrália, Canadá e outros aliados ocidentais, que o fizeram.

Agora que a UE estuda restringir as relações comerciais com Israel e sancionar alguns ministros, há vozes na Alemanha que pedem ações mais concretas.

“A Alemanha está fazendo muito pouco para acabar com este inferno”, disse o historiador Rene Wildangel, em referência ao discurso perante a Assembleia Geral da ONU do ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, que se referiu a Gaza como “um inferno na terra”.

Nos últimos meses, os protestos pró-palestinos se tornaram mais significativos, refletindo uma mudança na opinião pública.

No sábado, milhares de manifestantes marcharam pelas ruas de Berlim exigindo que Israel interrompa sua campanha militar em Gaza.

Segundo uma pesquisa da rádio pública ZDF, 76% dos eleitores consideram que a ação militar de Israel na Faixa de Gaza é injustificada.

Outra pesquisa da YouGov, publicada esta semana, mostra que 62% dos eleitores alemães consideram que as ações de Israel em Gaza constituem um genocídio.

Fonte: MSN

Fiscalização encontra venezuelanos escravizados em obra do governo de Rondônia

Obra em escola mantinha operários em condições precárias, com salários atrasados e sem alimentação garantida

Uma força tarefa flagrou trabalhadores em condições análogas à escravidão na reforma de uma escola indígena contratada pelo governo de Rondônia. O caso chama atenção porque a gestão do governador Marcos Rocha (União Brasil) desarticulou a comissão de combate à escravidão no estado.

No último dia 10, procuradores do MPT (Ministério Público do Trabalho) e do MPF (Ministério Público Federal), auditores-fiscais do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e agentes da PF (Polícia Federal) resgataram dois venezuelanos que trabalhavam na obra, na Terra Indígena Rio Guaporé, custeada com recursos públicos.

Os trabalhadores estavam alojados em condições precárias, sem alimentação garantida, com salários atrasados e sem condições de deixar o local de trabalho nos dias de descanso.

Coronel aposentado da Polícia Militar, Rocha está no segundo mandato como governador de Rondônia. Elegeu-se em 2018 pelo PSL, então partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, agora no PL. Em 2022, foi reeleito pelo União Brasil.

No início do atual mandato, ele revogou um decreto de 2017 que criava a Coetrae (Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo). Trata-se de um órgão consultivo, formado por integrantes do poder público e da sociedade civil, responsável por executar e monitorar políticas de combate à escravidão contemporânea.

Procurado para comentar o caso, o governo de Rondônia não se pronunciou até o momento. O espaço segue aberto a manifestações.

Os autos de infração ainda não foram lavrados pelos auditores fiscais do trabalho. Os procuradores também não concluíram as apurações. As autoridades ainda estudam o grau de responsabilidade do governo de Rondônia e da empresa contratada para a obra.

Governo foi processado para reformar escola indígena

A escola em reforma fica na Aldeia Ricardo Franco, às margens do Rio Guaporé, em Guajará-Mirim (RO), região na fronteira entre o Brasil e a Bolívia. Lá vivem indígenas da etnia Wajuru, que há anos cobram a revitalização da Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental 5 de Julho. Em 2024, o MPF chegou a processar o governo para que a reforma fosse realizada.

Ainda no ano passado, a Seduc (Secretaria Estadual de Educação) incluiu a obra num contrato firmado com a empresa Terra Forte Limitada para reformas de unidades estaduais de ensino. Pelo contrato, a Terra Forte receberia R$ 21 milhões. Desse valor, segundo o MPT, R$ 504 mil seriam destinados à Escola 5 de Julho, que é relativamente pequena — atende entre 51 e 200 alunos, de acordo com o Censo Escolar de 2024.

Camilla Holanda Mendes da Rocha, procuradora do Trabalho e coordenadora regional da Conaete (Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas) em Rondônia e Acre, disse que os recursos previam a contratação regular de operários para a reforma, bem como a compra de equipamentos de proteção individual. A força-tarefa de fiscalização, contudo, encontrou uma situação diferente da prevista em contrato.

Cinco trabalhadores foram encontrados no canteiro de obras. Três deles eram indígenas da Aldeia Ricardo Franco, trabalhando sem proteção e contratados de forma precária. Outros dois eram imigrantes venezuelanos que atuavam como serralheiros. No caso deles, as irregularidades configuravam trabalho análogo à escravidão, segundo a procuradora.

Ela conta que os trabalhadores não tinham banheiro adequado. No lugar de portas e janelas havia telhas de fibrocimento. Eles usavam como copo coletivo uma latinha de cerveja improvisada e dormiam em colchões em cima de mesas escolares juntas umas às outras.

Alojamento dos dois trabalhadores venezuelanos resgatados em obra do governo de Rondônia tinha condições precárias, segundo a fiscalização. Unidade também sofre com falta de merenda escolar e insuficiência de materiais pedagógicos, segundo o MPT (Reprodução / MPT)

“As condições encontradas eram de fato degradantes”, descreveu o auditor-fiscal do trabalho André Vagner Dourado Santos, que participou da operação, segundo declarações publicadas no site do MPT.

“Eles estavam privados de sair do local porque a empresa não pagava os salários regularmente e, como o acesso era difícil, não tinham dinheiro sequer para tentar sair de lá. Por algumas vezes, tentaram falar com quem eles entendiam que seria o patrão e não obtiveram resposta, o que acabou configurando essa privação do direito de ir e vir por se encontrarem em local de dificílimo acesso”, acrescentou Santos.

Os próprios membros da força-tarefa só conseguiram chegar ao canteiro de obras de helicóptero, depois de receberem uma denúncia de alunos e professores da pós-graduação da Unir (Universidade Federal de Rondônia), que visitaram a aldeia em agosto.

De acordo com o artigo 149 do Código Penal, quatro elementos podem definir escravidão contemporânea no Brasil: trabalho forçado (que envolve cerceamento do direito de ir e vir); servidão por dívida (um cativeiro atrelado a dívidas, muitas vezes fraudulentas); condições degradantes (trabalho que nega a dignidade humana, colocando em risco a saúde e a vida); ou jornada exaustiva (levar ao trabalhador ao completo esgotamento dado à intensidade da exploração, também colocando em risco sua saúde e vida). A presença de apenas um desses elementos já configura trabalho escravo.

Para a procuradora Camilla Rocha, o isolamento da aldeia e até o senso de urgência dos indígenas sobre a reforma da escola da comunidade acabaram por contribuir para a situação degradante dos trabalhadores. “Os indígenas eram quem muitas vezes fornecia comida aos venezuelanos, pois viam a situação deles e também queriam que a obra avançasse”, explicou.

“Toda essa situação gerou um caso absurdo: o dinheiro da sociedade acabou financiando o trabalho análogo à escravidão no estado”, disse Camilla Holanda Mendes da Rocha, procuradora do Trabalho.

À força-tarefa, um dos trabalhadores contou que passou situação semelhante na Guatemala, onde não teve apoio estatal. Na Terra Indígena Rio Guaporé, ele se recusou inicialmente a ficar no alojamento oferecido, mas por fim teve de ceder. “Havia morcegos por todo lado”, declarou.

Camilla ainda lembrou que o STF (Supremo Tribunal Federal) ratificou recentemente que a administração pública é responsável pelo meio ambiente do trabalho, mesmo nos casos em que contrata uma empresa para executar o serviço. A corte ratificou também que os contratos preveem verbas para que isso seja garantido. Como isso não ocorreu, é preciso saber para onde esses recursos foram destinados. “Há um outro tema a ser apurado”, disse a procuradora.

A Escola 5 de Julho passa por reforma por enfrentar vários problemas, como banheiros quebrados e infestação de morcegos. Unidade também sofre com falta de merenda escolar e insuficiência de materiais pedagógicos, segundo o MPT (Reprodução / MPT)

Contexto de fragilização em Rondônia

A procuradora também reclamou da falta de políticas públicas em Rondônia para a prevenção de casos de trabalho escravo. Após o resgate de trabalhadores venezuelanos, o MPT enviou uma recomendação para que o governo garanta o cumprimento das leis e normas de trabalho. A Repórter Brasil cobrou a gestão estadual sobre o recebimento da recomendação, mas não houve retorno.

O estado de Rondônia firmou em 2016 o Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, justamente para tentar garantir empregos dignos aos seus habitantes. Segundo Camilla, desde então, muito pouco foi feito.

Em 2017, o então governador Confúcio Moura, hoje senador pelo MDB, assinou o decreto que criou a Coetrae em Rondônia. Nunca, entretanto, nomeou todos os seus membros para que a comissão funcionasse em condições ideais. A partir de 2019, a pressão pela nomeação de membros da Coetrae recaiu sobre o coronel Marcos Rocha.

Em 2022, a Conatrae (Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo) chegou a emitir uma nota pública revelando que o governador Rocha planejava extinguir a comissão estadual e posicionando-se contra a ideia. Acabou não sendo ouvida.

Além de Rondônia, outros seis estados criaram uma Coetrae e a desativaram: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba e Pernambuco. As comissões de Espírito Santo e Paraíba estão em processo de reativação, segundo levantamento do Ministério dos Direitos Humanos.

Outros três estados nunca criaram uma Coetrae, segundo o ministério: Amapá, Roraima e Santa Catarina. As comissões do DF e dos 16 estados restantes estão ativas.

Em 2023, ano da extinção da Coetrae em Rondônia, o estado registrou o maior número de casos de trabalho escravo em dez anos: foram quatro episódios, com 16 trabalhadores resgatados, de acordo com dados do MTE tabulados pelo projeto Perfil Resgatado, da Repórter Brasil. O número de trabalhadores resgatados nos últimos três anos (51) representa 55% do total de resgatados da última década.

Responsabilidades e indenizações

A Repórter Brasil enviou pedidos de informações à Secretaria de Comunicação de Rondônia desde a segunda-feira (22), mas não recebeu respostas. Representantes do governo do estado participaram de audiência com o MPT para tratar do assunto no último dia 17. Eles têm até a próxima segunda-feira (29) para se pronunciar sobre o tema.

No mesmo dia, também estiveram em audiência representantes da Terra Forte. A empresa da capital Porto Velho, em Rondônia, tem mais de R$ 66 milhões em contratos firmados com o governo de Rondônia só em 2024. Também já recebeu outros R$ 6,2 milhões do governo federal. A Repórter Brasil ligou e enviou e-mail aos contatos da empresa que constam em seus registros oficiais. Ninguém respondeu.

Os trabalhadores resgatados foram encaminhados à Semias (Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social) de Porto Velho para atendimento psicológico e análise da situação familiar. Cada um deverá receber R$ 16,6 mil em verbas rescisórias, incluindo saldo de salário, férias, 13º proporcional e horas extras.

Fonte: ICL

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