Brasileiros relatam tortura psicológica e apreensão de pertences após prisão em Israel

O grupo de 13 brasileiros detido por Israel durante uma missão humanitária a Gaza relatou ter sido submetido a tortura psicológica, gritos constantes, privação de sono e apreensão de objetos pessoais enquanto esteve encarcerado. Com informações do jornal O Globo.

Os relatos foram feitos à equipe da embaixada do Brasil na Jordânia, para onde os cidadãos foram levados após a deportação. Eles chegaram ao país por volta das 11h30 desta terça-feira (7), exaustos e famintos — três deles haviam iniciado uma greve de fome.

Segundo o embaixador Márcio Fagundes, responsável pela representação brasileira em Amã, o grupo apresentou sinais de extremo desgaste físico e emocional. “Eles estão bem de saúde na medida do possível, mas depauperados pela experiência”, afirmou.

O diplomata destacou que, embora não tenham sofrido agressões físicas, os relatos de todos confirmam tortura psicológica durante o período em que estiveram sob custódia israelense.

Os brasileiros contaram que as luzes das celas eram acesas de madrugada, acompanhadas por música alta e interrupções frequentes no sono. Os guardas gritavam durante as contagens de presos e realizavam vistorias constantes nas celas. Ao chegar ao local de detenção, o grupo teria sido obrigado a permanecer no sol escaldante, agachado e com a testa encostada no chão, sem direito a atendimento médico, mesmo após pedidos reiterados.

Muitos dos detidos faziam uso contínuo de medicamentos e ficaram sem os remédios, já que seus pertences — incluindo celulares, laptops, dinheiro e cartões — foram confiscados e não devolvidos. Alguns brasileiros chegaram a jogar seus aparelhos no mar antes da captura, seguindo protocolos de segurança combinados pela equipe da missão humanitária.

Após a deportação, a embaixada do Brasil na Jordânia forneceu alimentação, roupas e medicamentos ao grupo, além de permitir que eles entrassem em contato com familiares usando telefones da própria representação. Como as chamadas por WhatsApp são bloqueadas no país, os diplomatas emprestaram seus aparelhos pessoais para facilitar a comunicação.

A deputada Luizianne Lins (PT-CE), que integrava a flotilha humanitária, auxiliou na compra de itens de higiene e roupas, principalmente para as mulheres. “Estão à míngua, pouca coisa foi devolvida. Estão esgotados emocionalmente, mas confiantes e orgulhosos da missão que cumpriram”, afirmou o embaixador. Ainda não há confirmação sobre o cronograma de repatriação dos brasileiros ao país.

Fonte: DCM

Quaest: Aprovação ao governo Lula cresce e atinge melhor resultado do ano

A aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a empatar com a desaprovação pela primeira vez desde janeiro, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (8). O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, mostra que 49% dos brasileiros desaprovam a gestão petista, enquanto 48% aprovam. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Aprovação do governo Lula – Foto: Quaest

No início do ano, a diferença era pequena — 49% desaprovavam e 47% aprovavam o governo. A última vez em que Lula havia registrado vantagem foi em dezembro de 2024, com 52% de aprovação contra 47% de desaprovação. Desde então, o índice negativo manteve-se à frente, chegando ao pico em maio, quando a desaprovação alcançou 57% e a aprovação caiu a 40%.

Entre os segmentos analisados, as mulheres voltaram a demonstrar maior apoio ao presidente: 52% aprovam a gestão e 45% desaprovam. Entre os homens, o cenário permanece de maior desaprovação. Já entre os católicos, Lula recuperou vantagem, com 54% de aprovação e 44% de rejeição.

Aprovação do governo Lula por gênero – Foto: Quaest

A pesquisa indica ainda que a faixa etária de 35 a 59 anos passou a aprovar mais o governo — 51% de aprovação e 46% de desaprovação — invertendo os percentuais de setembro. Entre os idosos, de 60 anos ou mais, os índices estão empatados em 50% e 46%, respectivamente.

Entre os mais ricos, com renda familiar acima de cinco salários mínimos, o empate também se repete: 52% desaprovam e 45% aprovam. O cenário difere do registrado em setembro, quando a desaprovação era de 60%. Já entre os beneficiários do Bolsa Família, a aprovação chega a 67%, com 31% de rejeição.

O levantamento também questionou os entrevistados sobre temas econômicos e diplomáticos. Para 49%, Lula saiu fortalecido do encontro com Donald Trump na ONU, enquanto 27% acham que o presidente brasileiro saiu mais fraco. Além disso, 79% apoiam a proposta de isentar o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

49% dos entrevistados avaliaram que Lula saiu “mais forte” politicamente após o encontro com Trump – Foto: Quaest
79% dos brasileiros são a favor de isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês – Foto: Quaest

Na avaliação geral do governo, 33% classificam a gestão como positiva, 37% como negativa e 27% como regular. Esses números representam uma leve melhora em relação a setembro, quando 31% consideravam a administração positiva e 38% negativa.

37% dos brasileiros avaliam o governo Lula de forma negativa, 33% de forma positiva e 27% consideram regular – Foto: Quaest

A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 2 e 5 de outubro em todo o país. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro é de dois pontos percentuais.

Fonte: DCM

Manifestação em Maceió denuncia dois anos de genocídio em Gaza

Um ato público, realizado hoje, 07/10, no Calçadão do Comércio de Maceió, denunciou o genocídio praticado pelo estado de Israel contra o povo palestino na faixa de Gaza e que já dura dois anos.

A manifestação contou com a presença de militantes de partidos de esquerda, de sindicatos e movimentos sociais. O ato denunciou os cerca de 70 mil assassinatos cometidos pelo estado sionista de Israel na faixa de Gaza. Sendo crianças e mulheres as principais vítimas do genocídio.

Durante o ato, cartazes foram exibidos e uma bandeirona foi aberta e agitada pelos participantes que puxaram palavra de ordem de Palestina livre.

Para Lenilda Luna, dirigente da Unidade Popular, “as principais vítimas das atrocidades de Israel são as mulheres e seus filhos” e que Israel “cometeu diversos crimes de guerra contra o povo palestino.”

Ig Juan, coordenador da Juventude Revolução, denunciou os crimes de “Israel que assassina crianças e jovens com a cumplicidade dos EUA”. E para o professor Luizinho, coordenador do Comitê Alagoas em Defesa do Povo Palestino, “o genocídio precisa ser parado imediatamente e o estado sionista e assassino de Israel isolado e derrotado e que o povo palestino seja livre do rio ao mar.”

Também foi cobrado do governo Lula, a ruptura das relações comerciais e diplomáticas com Israel. A manifestação em Maceió fez parte da Jornada de Luta em Defesa do Povo Palestino.

Lista Suja do trabalho escravo é atualizada e tem 159 empregadores

Entre 2020 e 2025, 1.530 trabalhadores foram resgatados

Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atualizou o cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como Lista Suja do trabalho escravo.  A lista passou a contar com 159 nomes, sendo 101 de pessoas físicas e 58 de pessoas jurídicas. De acordo com a pasta, houve aumento de 20% em comparação à lista anterior. 

Entre 2020 e 2025, 1.530 trabalhadores foram resgatados desse tipo de situação.

Os estados com o maior número de infrações foram Minas Gerais (33), São Paulo (19), Mato Grosso do Sul (13) e Bahia (12).

As atividades econômicas com o maior número de empregadores na lista são: criação de bovinos para corte (20 casos), serviços domésticos (15),cultivo de café (9) e a construção civil (8).

“Do total, 16% das inclusões estão relacionadas a atividades econômicas do meio urbano”, informa o ministério.

A Lista Suja é publicada semestralmente e tem como “objetivo dar transparência aos resultados das ações fiscais de combate ao trabalho escravo”.

Denúncias

A denúncia de trabalho análogo à escravidão pode ser feita pelo Sistema Ipê, plataforma exclusiva para o recebimento. A denúncia pode ser feita pela internet e de forma sigilosa. 

Fonte: Agência Brasil

Urbanitários voltam a protestar contra ataques antissindicais da Equatorial

O Sindicato dos Urbanitários realizou mais um ato nesta segunda-feira, dia 06 de outubro, em frente à sede da Equatorial Energia em Maceió.

Este foi o segundo protesto da categoria, para denunciar a escalada de ataques à liberdade sindical, especialmente após a demissão de dirigente do Sindicato.

No dia 23 de setembro, o Sindicato realizou um ato em frente à sede da Equatorial, após a demissão de uma dirigente sindical, medida ilegal e antissindical.

A demissão ocorreu em represália à mobilização sindical e à recente conquista de um Acordo Coletivo favorável para a categoria.

A conduta da empresa fere o direito à organização e à autonomia sindical assegurados pela Constituição Federal e tratados internacionais.

Também foi colocada uma faixa na passarela do antigo CEPA, do dia 29 de setembro, com os dizeres: “EQUATORIAL INIMIGA DA CLASSE TRABALHADORA” – para denunciar as práticas antissindicais da empresa.

Além disso, o Sindicato já apresentou denúncias ao superintendente regional do Ministério do Trabalho em Alagoas, Cícero Filho, solicitando sua intervenção no conflito.

Os Urbanitários cobram a reversão da demissão da dirigente e, o fim dos ataques ao Sindicato.

Entidades nacionais como a Federação e a Confederação Nacional dos Urbanitários, a Federação do Nordeste, como também a Central Única dos Trabalhadores- CUT, já declararam total apoio aos Urbanitários de Alagoas, reafirmando seu compromisso com a defesa dos direitos trabalhistas e da liberdade sindical.

Fonte: Assessoria

Tarcísio debocha das vítimas de metanol: “No dia que começarem a falsificar Coca-Cola, vou me preocupar”

No estilo Bolsonaro, o governador de São Paulo, debochou das vítimas da falsificação de metanol

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reuniu na tarde desta segunda-feira (6) o Gabinete de Crise que acompanha os casos de intoxicação por metanol em bebidas. Participaram do encontro autoridades estaduais das áreas da Saúde, Segurança Pública, Justiça e Cidadania, Fazenda e Planejamento.

Depois da reunião, Tarcísio deu entrevista coletiva em que fez uma brincadeira com a situação. Ao tentar relacionar os fabricantes de bebidas que partidiparam do encontro, o governador falou: “Não vou me aventurar aqui nessa área, porque não é minha praia, tá certo? No dia que começarem a falsificar Coca-Cola, eu vou me preocupar. Ainda bem que ainda não chegaram a esse ponto.”

São Paulo tem 14 casos de intoxicação por metanol com duas mortes confirmadas.

Participaram da conversa com o governador executivos do ramo de bebidas, como PernordRicard (Absolut), Brown-Forman (Jack Daniel’s), Bacardi, Diageo (Johnnie Walker e Smirnoff) e Beam Suntory (Jim Beam).

A ideia é que os fabricantes ajudem o governo estadual no treinamento de agentes públicos e comerciantes para identificar falsificações.

A brincadeira de Tarcísio foi criticada nas redes e por opositores políticos.

O deputado Guilherme Boulos foi um dos que criticou nas redes sociais: “Pessoas mortas, pessoas com sequelas permanentes. Toda a população preocupada com as bebidas adulteradas com metanol. O que Tarcísio diz: ‘O dia que começarem a falsificar Coca-Cola eu vou me preocupar’. É inaceitável que um governador se porte dessa maneira!”

Também o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) lamentou a declaração. “Inacreditável! O governador Tarcísio cometeu essa frase na entrevista sobre a intoxicação com metanol”, escreveu na plataforma X. “Pessoas MORRERAM por ingerirem bebidas falsificadas e o governador diz isso. É o novo “não sou coveiro”.

Em todo o país, são 16 casos confirmados – 14 em São Paulo e 2 no Paraná.  As informações são enviadas pelos estados e consolidadas pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde Nacional (CIEVS) do Ministério da Saúde.

O estado de São Paulo responde pela maioria das notificações, com 14 casos confirmados e 178 em investigação.

Fonte: ICL

7 de outubro: dois anos de crimes do estado genocida de Israel contra os palestinos

Um quadro dantesco de genocídio: mortes, destruição, fome e deslocamento maciço em Gaza desde 7 de outubro de 2023, configurando o holocausto do século 21

Dois anos após 7 de outubro de 2023, data em que combatentes do Hamas romperam as defesas israelenses na operação chamada “Dilúvio de Al Aqsa”, o Estado de Israel segue promovendo violência maciça e sistemática em Gaza, com consequências devastadoras: mortes, fome, destruição de infraestrutura e deslocamento em massa. A denúncia dessa tragédia vem dos dados de organismos internacionais.

É preciso acrescentar a cumplicidade escancarada do imperialismo estadunidense, tanto no governo Biden quanto neste segundo mandato de Donald Trump.

A ação palestina contra o brutal cerco, bloqueio e inomináveis atos de violência israelense contra a população de Gaza foi respondida militarmente por Israel sob a forma de um inaudito genocídio.

Naquele 7 de outubro, o sistema de defesa de Israel foi superado pela ofensiva dos combatentes de Gaza, que proclamaram a luita heroica contra o “tempo de devastação e assassinato”.

Conforme dados oficiais palestinos e de agências da ONU, o estado sionista desencadeou uma ofensiva que já matou mais de 66 mil pessoas em Gaza e danificou ou destruiu cerca de 78% das construções da Faixa, incluindo centenas de milhares de casas. Reescrevo agora este panorama sob um viés mais aprofundado e com ênfase na responsabilidade dos EUA.

Mortes, feridos e destruição em números

Reportagerm da Telesur compilou dados reveladores do genocídio. Segundo o Ministério da Saúde palestino, até agora mais de 66 mil pessoas foram mortas em Gaza e 156.758 ficaram feridas. Levantamentos do UNOSAT/UNITAR apontam danos maciços: 102.067 estruturas “destruídas”, 17.421 severamente danificadas, 41.895 moderadamente danificadas e 31.429 possivelmente danificadas, somando 192.812 estruturas afetadas — cerca de 78% do total edificado — incluindo cerca de 282.904 casas danificadas.

Nos dois últimos anos, Israel despejou sobre Gaza uma violência militar sem paralelo: cerca de 300 toneladas de explosivos foram lançados por quilômetro quadrado desde outubro de 2023 — vinte vezes mais do que os EUA utilizaram no Vietnã. Nada disso, porém, quebrou a determinação de um povo que luta para existir.

Em paralelo, a geografia da Faixa de Gaza foi redesenhada por corredores militares e sucessivas ordens de deslocamento.

Colapso do sistema de saúde

Relatório da Organização Mundial da Saúde (10 de setembro) afirma que 94% dos hospitais de Gaza foram destruídos ou estão fora de operação, empurrando os poucos serviços ativos para a superlotação crítica. Em maio, 19 dos 36 hospitais ainda operavam, muitos de forma parcial. O Health Cluster registrou que os hospitais Al‑Shifa e Al‑Ahli, na Cidade de Gaza, “estão operando com quase 300% da capacidade”.

Educação, água e saneamento sob escombros

De acordo com a UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio), 90% das escolas foram destruídas ou severamente danificadas e aproximadamente 660 mil crianças estão sem aulas. Por sua vez, a Oxfam estima a destruição de 1.640 km de redes de água e esgoto; em áreas do norte, o acesso da população não chega a 7% dos níveis pré‑conflito, elevando o risco de doenças hídricas.

Na agricultura, a perda de terras férteis aumentou de 5,36% (outubro de 2023) para 33,13% (fevereiro de 2024), o que corresponde a 120 km² de áreas essenciais para a produção local de alimentos, segundo a comissão da ONU citada.

Patrimônio cultural devastado

Entre 7 de outubro de 2023 e 18 de agosto de 2025, a UNESCO contabilizou danos em pelo menos 110 bens culturais em Gaza, incluindo 13 locais religiosos, 77 edifícios históricos, nove monumentos, um museu e sete sítios arqueológicos. Entre as perdas, estão o cemitério romano no norte da Faixa e a Grande Mesquita de Al‑Omari, quase totalmente destruída. A organização PEN America relata a destruição de universidades, 11 bibliotecas — entre elas a Biblioteca Pública de Gaza — e editoras e livrarias, como a Samir Mansur.

Ocupação e corredores militares

Relatos de uma comissão independente da ONU indicam que as operações do exército israelense cobriram 278 km² — cerca de 75% do território de Gaza —, com o OCHA (Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas) apontando presença operacional e ordens de evacuação em 87,8% da Faixa (julho de 2025). A ONU reconhece cinco e cita quatro corredores que atravessam o território da Faixa de Gaza: Filadélfia, Netzarim, Magen‑Oz e Morag. Este último, anunciado em abril de 2025, recebeu o nome de um assentamento evacuado no plano de retirada de 2005.

A fome como arma de guerra, segundo especialistas da ONU

Em finais de setembro, eram 640 mil pessoas em situação catastrófica de fome, 1,14 milhão em emergência e 396 mil em crise alimentar. A Telesur cita em reportagem o alerta do relator especial da ONU para o direito à alimentação, Michael Fakhri: “Israel está matando Gaza de fome. É genocídio. É um crime contra a humanidade . É um crime de guerra”.

A privação deliberada de alimentos a civis é considerada crime de guerra em diversos ordenamentos e no direito internacional, amparada nas Convenções de Genebra, na Resolução 2417 do Conselho de Segurança (2018) e na emenda de 2019 ao Estatuto de Roma que tipifica a fome também em conflitos não internacionais.

Cumplicidade sob Biden

No governo Biden, os EUA não atuaram como moderador: mantiveram e até aceleraram o fluxo de armas e recursos que alimentam o massacre em Gaza. O governo Biden aprovou pacotes de ajuda militar e suplementares, muitas vezes utilizando mecanismos urgentes para atropelar trâmites normais de revisão no Congresso.

Em 2024, por exemplo, o Congresso aprovou um pacote de US$ 95 bilhões em auxílio militar e “humanitário” a Israel. Também durante o governo Biden, os EUA remeteram bilhões em garantias de empréstimos e venda de armamentos avançados a Israel. Relatórios advindos de Think Tanks e da imprensa mostraram que o governo Biden usou ordens executivas e “renúncias rápidas” para acelerar entregas de armas (inclusive já compradas) mesmo diante de alertas sobre possíveis violações de direitos humanos no uso dessas armas.

Mesmo quando membros da comunidade diplomática ou do Departamento de Estado identificavam violações graves ou riscos de genocídio, não houve recuo significativo. O manto diplomático dos EUA agiu como escudo no âmbito internacional: vetos sistemáticos a resoluções das Nações Unidas que condenavam o cerco ou exigiam cessar-fogo, bloqueios de investigações independentes e veto a ações do Conselho de Segurança. Em suma: Biden manteve a engrenagem de guerra, ainda que em tese com “apelos humanitários” pontuais.

A escalada com Trump: descaramento e intensificação

No retorno de Donald Trump como presidente, a cumplicidade dos EUA com o regime de Netanyahu não foi apenas continuidade: tornou-se impulso explícito ao massacre. Trump, enviou novos volumes de armas e retirou até condicionantes previamente impostos — aquilo que se apresentava como “tempero diplomático” sob Biden, com ressalvas e obstruções pontuais, sob Trump é escancarado.

Poucos meses após assumir, a administração Trump notificou o Congresso de vendas de armas à Israel que ultrapassam US$ 7,4 bilhões em munições e kits de orientação, além de reverter memorandos do governo anterior que impunham condicionamentos ao apoio militar israelense. Em março deste ano, Trump aprovou um pacote de quase US$ 3 bilhões em bombas e veículos de combate, incluindo bombas Mk-84 e kits de orientação JDAM — todo o tipo de artefato usado com brutalidade nos ataques sobre Gaza.

Em um movimento mais forte, o governo acelerou a entrega de US$ 4 bilhões em ajuda militar prometida a Israel. Ainda, enquanto muitos governos europeus impunham embargos ou suspendiam licenças de armas, o governo Trump revogou restrições que Biden havia introduzido em nome de respeito a direitos humanos. Trump também apresentou plano audacioso: em fevereiro de 2025, anunciou que os EUA “tomariam conta” da administração da Faixa de Gaza, deslocariam sua população e a reconstruiriam sob a tutela americana, numa proposta que beira o etnocídio e a limpeza étnica expressa.

Esse projeto mostra, sem disfarces, que o alinhamento entre Trump e Netanyahu não é apenas militar, mas ideológico: ambos almejam reformatar o Oriente Médio sob a égide do expansionismo israelense, com os Estados Unidos operando como braço executor e patrocinador inconteste.

Trump e Netanyahu : diplomacia do genocídio

Não pode haver neutralidade diante deste horror e é preciso gritar que a cumplicidade estadunidense não é “apoio”: é corresponsabilidade. Por que as mortes seguem crescendo? Porque enquanto Israel despeja bombas, os EUA enviam armas. Enquanto Gaza é reduzida a escombros, os EUA vetam resoluções na ONU e barram investigações. Esse mecanismo garantiu impunidade total ao regime genocida de Netanyahu.

A funcionalidade dessa parceria é clara: os Estados Unidos mantêm Israel como satélite estratégico no Oriente Médio, contrapondo-se ao Irã e aos movimentos de resistência. Assim, o massacre em Gaza é parte de uma guerra mais ampla de dominação regional.

A venda constante de armamentos aos israelenses garante rentabilidade à indústria bélica norte-americana, ao passo que legitima o discurso de “defesa” e “segurança” que serve como álibi moral para a dominação.]

A blindagem diplomática dos EUA permite a Israel agir com virtual impunidade perante instâncias internacionais, como a Corte Penal Internacional ou o Conselho de Direitos Humanos, enquanto acusações graves de crimes de guerra e genocídio são engavetadas.

Em plena vigência do segundo mandato de Donald Trump, diante da carnificina contínua em Gaza, celebra-se o cinismo político de um sistema que vende morte como estratégia de hegemonia. O silêncio de potências que se diziam defensoras dos direitos humanos já não é mera omissão: virou ato de colaboração com o assassinato em escala industrial.

A tragédia de Gaza, que atravessa dois anos completos, expõe o caráter estrutural e predatório do sistema imperial: enquanto o povo palestino é bombardeado, empobrecido e privado de condições mínimas para sobreviver, os EUA arcam com a pecha de executor e protecionista de um regime genocida — e falham irrevogavelmente como ator humanitário no palco global.

Netanyahu e o projeto de poder que redesenha o Oriente Médio

Dois anos depois da operação “Dilúvio de Al Aqsa”, Gaza segue como um território devastado e o epicentro de uma estratégia que ultrapassa a retaliação militar. A resposta de Israel, segundo as declarações do genocida-mor do século 21, Benjamin Netanyahu, só terminaria “com o extermínio do Hamas e a modificação completa do mapa político regional”.

Essa ameaça deu forma a uma política de guerra expandida, que hoje envolve o Líbano, o Irã e o próprio equilíbrio geopolítico do Oriente Médio.

Logo após o início da atual etapa do genocídio em outubro de 2023, Israel intensificou as operações no sul do Líbano, mirando posições do Hezbollah e assassinando alguns de seus principais líderes. A ofensiva visando a golpear o eixo de resistência regional, provocou a escalada mais grave entre os dois países desde 2006.

Mas Netanyahu foi além. Em 2024, ordenou bombardeios maciços no Líbano e, no ano seguinte, conduziu uma guerra de 12 dias contra o Irã, marcada por ataques aéreos de alta intensidade, revelando por meio dessas ações agressivas, até onde o estado expansionista de Israel quer chegar. Ao projetar uma guerra permanente.

A ofensiva israelense, que contou com todo o respaldo od imperialismo estadunidense, prossegue como parte de um projeto de reconfiguração geopolítica. Netanyahu já não fala apenas de segurança, mas de hegemonia regional, de contenção do Irã e de um novo desenho territorial. A guerra contra o Hamas foi o ponto de partida; o alvo real é o “novo Oriente Médio”.

E o custo é pago pelas populações civis — palestina, libanesa e iraniana — que vivem sob o ruído incessante dos drones e a sombra da fome. O silêncio ou a neutralidade dos países que se dizem defensores dos direitos humanos já não é diplomacia: é cumplicidade.

Gaza tornou-se não apenas o epicentro de uma tragédia humanitária, mas também o espelho em que se reflete a crise do sistema imperialista nas primeiras décadas do século 21.

Netanyahu ameaça mudar o mapa político do Oriente Médio. Para alcançar o objetivo, não se detém diante dos mais abomináveis crimes, o principal deles a limpeza étnica na Palestina, levando a um nível mais devastador a saga criminosa dos seus antecessores que fizeram a Nakba nos finais dos anos 1940.

Por José Reinaldo Carvalho

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Esquema milionário de rifas ilegais é desmontado em Maceió

Influenciador ex-PM é apontado como líder

A quadrilha que arrecadou mais de R$ 33 milhões é chefiada por Kleverton Pinheiro de Oliveira, 40 anos, mais conhecido como Kel Ferreti, ex-policial militar que hoje atua como influenciador digital.

Em Maceió (AL), milhares de pessoas fazem, todos os dias, apostas em rifas e sorteios na internet. Esse é um negócio que já movimentou a quantia de R$ 33,7 milhões.

Segundo investigações, a organização faturava com rifas e sorteios ilegais e manipulados. Essa quadrilha é chefiada por Kleverton Pinheiro de Oliveira, 40 anos, mais conhecido como Kel Ferreti, ex-policial militar que hoje atua como “empreendedor digital”, uma espécie de guru.

Nas redes sociais, Kel Ferreti vendia também cursos não regulamentados, que prometiam ensinar como obter lucro em jogos online. Um negócio que fez Kel faturar R$ 400 mil num único mês.

Seu estilo de vida era marcado por imóveis luxuosos, carros importados e viagens internacionais. Para o Ministério Público de Alagoas, o estilo de vida do influenciador é fruto de um esquema criminoso.

“Neste tipo de jogo, não há nenhum tipo de controle”, aponta Cyro Blatter, promotor e coordenador do Grupo de Atuação Especial em Sonegação Fiscal do MP de Alagoas (Gaesf/MP-AL).

Laís Oliveira, uma influenciadora com cinco milhões de seguidores, é apontada na investigação como peça central na engrenagem, fazendo mais do que divulgar os sorteios nas redes.

  • A quadrilha divulgava números de uma rifa. Alguns dos bilhetes dariam prêmios de dezenas de milhares de reais. Mas a quadrilha reservava esses bilhetes, fazendo com que as pessoas comprassem números que não seriam premiados, chegando a lucrar milhões de reais a cada ação.

De acordo com o Ministério Público, de janeiro a abril de 2024, Laís Oliveira recebeu quase R$ 1 milhão de uma empresa de Kel Ferreti. Nesse mesmo período, o marido de Laís, o criador de conteúdo digital Eduardo Veloso, recebeu R$ 456 mil.

Em dezembro do ano passado, Laís e Eduardo foram presos em Fortaleza, numa operação do Ministério Público, que revelou a ligação do casal com as rifas ilegais. Eles foram soltos dias depois.

Em nota, a defesa de Laís Oliveira e Eduardo Veloso nega as acusações e afirma que “não teve acesso aos áudios mencionados”. Os advogados do casal alegam ainda que eles “atuam como influenciadores digitais”, cuja participação “se restringiu à prestação de serviços de publicidade”.

Ainda em dezembro do ano passado, Kel Ferreti foi preso no apartamento onde mora, em Maceió. Na Operação Trapaça, os agentes apreenderam joias, telefones celulares e cerca de 20 mil reais em espécie.

Histórico criminoso

Em dezembro de 2023, o então policial militar Kleverton Pinheiro de Oliveira foi expulso da corporação após filmar e divulgar o próprio voto nas redes sociais, em 2022, o que é proibido pela lei eleitoral.

Além do crime eleitoral, Kel Ferreti foi denunciado por um caso de estupro, ocorrido em junho do ano passado, mas que só veio à tona em dezembro, dias depois da prisão do ex-PM na Operação Trapaça. A vítima do estupro é uma das apostadoras enganadas.

Kel Ferreti, que já estava preso pelos jogos ilegais, foi condenado por estupro em primeira e segunda instâncias, com a pena de 10 anos, em regime fechado. Sete meses depois, em agosto de 2025, a Justiça autorizou que Kel Ferreti deixasse a prisão e baixou a pena para 8 anos. Em Alagoas, por causa da falta de presídios semiabertos, presos podem ficar em casa, com saídas previamente autorizadas.

Depois que foi solto, por determinação da Justiça, o ex-PM passou a usar tornozeleira eletrônica. A única restrição é não se aproximar a menos de 500 metros da vítima. Kel Ferreti pode usar as redes sociais, frequentar bares e restaurantes, e aproveitar tranquilamente as praias de Maceió.

A defesa de Kel Ferreti afirmou, em nota, que ele não é dono de nenhuma plataforma de apostas e que sua atuação se limita à divulgação e publicidade. Sobre o caso de estupro, Kel Ferreti nega as acusações e diz que vai recorrer na Justiça.

Fonte: G1

Lula conversa com Trump e pede fim de tarifaço a produtos brasileiros

Os dois presidentes conversaram nesta segunda por 30 minutos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,  tiveram nesta segunda-feira (6) uma conversa de 30 minutos por videoconferência. Na oportunidade, Lula solicitou a retirada da sobretaxa de 50% imposta pelo governo norte-americano a produtos brasileiros.

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a conversa entre os dois chefes de Estado como “positiva”, do ponto de vista econômico.

“Em tom amistoso, os dois líderes conversaram por 30 minutos, quando relembraram a boa química que tiveram em Nova York por ocasião da Assembleia Geral da ONU. Os dois presidentes reiteraram a impressão positiva daquele encontro”, informou o Planalto.

De acordo com o Planalto, a ligação telefônica ocorreu por iniciativa de Trump. Os dois presidentes chegaram a trocar telefones para estabelecer via direta de comunicação.

Na conversa, Lula disse que o contato representa uma “oportunidade para a restauração das relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente”.

Ele recordou que o Brasil é um dos três países do G20 com quem os Estados Unidos mantêm superávit na balança de bens e serviços. Na sequência, solicitou a retirada da sobretaxa de 50% imposta a produtos nacionais, além das medidas restritivas aplicadas contra autoridades brasileiras.

“O presidente Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para dar sequência às negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda Fernando Haddad”, informou o Planalto.

Os dois presidentes acordaram encontrar-se pessoalmente em breve. Lula sugeriu que o encontro seja durante a Cúpula da Asean, na Malásia. Ele reiterou convite a Trump para participar da COP30, em Belém; e se dispôs  também a viajar aos Estados Unidos.

Fonte: Agência Brasil

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