Bolsonaro não colocou um centavo para o combate à pandemia no Orçamento de 2021

Durante votação no Congresso, parlamentares mudaram regras, mas fixaram apenas R$ 1,1 bilhão para combater o novo coronavírus. Perdas no orçamento da saúde chegam a R$ 20 bilhões

O Orçamento da União aprovado com três meses de atraso pelo Congresso Nacional reduziu verbas para a área da saúde no momento em que a pandemia do novo coronavírus está mais descontrolada, os hospitais estão superlotados, não tem mais vagas nas enfermarias nem nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), e os profissionais da saúde estão desesperados porque falta até remédios para intubação.

Apesar da pandemia, iniciada no ano passado, não ter dado trégua aos brasileiros – em janeiro o mundo assistiu estarrecido pacientes com Covid-19 morrendo asfixiados por falta de oxigênio em Manaus e agora vê centenas morrendo na fila de espera por uma vaga em leito de UTI -, o banqueiro Paulo Guedes, ministro da Economia, e sua equipe não destinaram verbas exclusivamente para combater a pandemia.

Nenhum centavo foi destinado pelo governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) na peça orçamentária enviada ao Congresso em meados de agosto do ano passado para a compra de equipamentos de proteção para os trabalhadores da saúde, ou de respiradores, ampliação de leitos de UTI e do estoque de oxigênio, entre outras necessidades para atender os contaminados pela doença.

Do total de R$ 1,1 bilhão de verba deste ano para o combate à pandemia da Covid-19, parte foi colocada pelo relator do Orçamento, que mexeu na peça orçamentária enviada pelo governo federal. As emendas parlamentares foram responsáveis por apenas R$ 230 milhões.

“As emendas parlamentares para a saúde como um todo atingiram R$ 9 bi, mas o problema com esse dinheiro é que ele vai para ações de interesses dos parlamentares, não necessariamente para ações mais necessárias e urgentes como o combate à pandemia”, afirma economista e assessor do PT no Senado, Bruno Moretti.

Governo não usou nem 10% da verba para compra de vacina

No final do último quadrimestre do ano passado o governo destinou R$ 21,6 bilhões para a compra de vacinas contra a Covid-19, mas utilizou apenas R$ 1,9 bi – ou seja, menos de 10% da verba disponível.

Como o recurso foi aprovado em 2020, ele não pode ser contabilizado no orçamento da saúde deste ano, embora possa ainda ser utilizado.

 “A sobra deste dinheiro só revela a incompetência do governo e sua lentidão em vacinar a população. É uma péssima distribuição do orçamento”, critica o economista.

Saúde perde R$ 20 bilhões em verbas este ano

A verba destinada à saúde como um todo diminuiu em R$ 20 bilhões do ano passado para este, se levarmos em conta que em 2020 o Congresso aprovou o orçamento de guerra (recursos extras, fora do orçamento) para evitar que os investimentos ultrapassassem o teto dos gastos públicos, que impedem que o governo gaste acima da inflação até 2036.

Moretti, explica que os dados oficiais sobre o orçamento ainda não foram divulgados, mas pelos relatórios apresentados e pelo fato de os parlamentares terem incluído emendas no valor de R$ 9 bilhões mais a decisão do governo, nesta quarta-feira (31),  de editar uma Medida Provisória (MP) com crédito extraordinário, em favor do Ministério da Saúde, no valor de R$ 5,324 bilhõeschega-se à redução de R$ 20 bilhões no orçamento da saúde. A conta inicial antes desses novos repasses era de uma perda de mais de R$ 36 bilhões. 

Para a Secretária de Saúde do Trabalhador, da CUT, Madalena Margarida da Silva Teixeira, essa falta de prioridade no enfrentamento à crise sanitária do novo coronavírus com investimentos em vacinação em massa, cuidados intensivos com os doentes e garantia do auxílio emergencial no valor de 600 reais tem sido responsável pelo aumento significativo dos números de contaminações, adoecimento e óbitos deixa claro que este governo pouco se importa com a vida da população.

A dirigente reforça suas críticas ao fato do governo ter privilegiado gastos com o orçamento militar com um aumento de R$ 8 bilhões destinados ao Ministério da Defesa, representando (22%) do total para este ano, em detrimento da saúde pública.

“O governo destina para aquisição de aeronaves de caça R$ 1,6 bilhão e para construção de submarinos, R$ 1,3 bilhão, que poderiam esperar. É inaceitável o governo e seus apoiadores não considerem que o país precisa de ações mais efetivas no enfreamento a pandemia e isso requer investimento na proteção e promoção da saúde”, diz.

“As ações desse governo foi, é e será sempre incompatível com a vida. Por isso precisamos intensificar o fora Bolsonaro e continuar cobrando medidas efetivas para contenção da pandemia, salvar vidas proteger o emprego, auxilio emergencial e de vacinas para todos”, conclui a dirigente CUTista.

Teto de Gastos é desculpa do governo para não alocar recursos na saúde

No ano passado o orçamento de guerra, recursos extraordinários, que não são contabilizados no Teto de Gastos Públicos, executou R$ 40 bilhões. Mas com o orçamento deste ano, irrealista, o governo acaba adotando saídas improvisadas, sem planejamento e duvidosas do ponto de vista legal, ressalta Bruno Moretti.

O problema, segundo o economista , é que embora haja a possibilidade do governo pedir por mais créditos extraordinários ao Congresso Nacional há empecilhos constitucionais que podem atrapalhar ainda mais o combate à pandemia.

A legislação permite os créditos extraordinários a partir de três requisitos institucionais: urgência, relevância e imprevisibilidade. Este último, a imprevisibilidade, pode se tornar um empecilho jurídico por que o governo não pode alegar que não sabia que a pandemia continuaria.

“Todo mundo sabe que era previsível a necessidade de mais recursos para o combate à Covid. “Quem não sabia que a pandemia iria recrudescer, que haveria mais óbitos, que as cidades fechariam seus comércios? Então, cai o argumento da imprevisibilidade”, alerta Moretti.

Para o economista, a abertura de créditos extraordinários para não bater no Teto de Gastos Públicos é quase uma confissão de que a regra fiscal simplesmente impede o combate à pandemia, tanto em relação à saúde da população, como no combate aos efeitos econômicos da crise sanitária.

“O orçamento aprovado com base nas regras fiscais só alimenta o caos sanitário. O governo tem um apego inexplicável pela austeridade fiscal e , por outro lado, ao mesmo tempo, pede créditos extraordinários sem requisitos legais”, afirma o economista.

A regra do Teto de Gastos precisa cair por que prejudica os mais vulneráveis e os trabalhadores. Seria melhor discutir de forma transparente o abandono da austeridade da regra- Bruno Moretti

O que é teto de gastos

O teto de gastos é um limite de gastos para a União e tem como objetivo controlar a dívida pública – ou seja, a dívida do governo . O teto foi instituído por uma emenda constitucional aprovada em 2016 e que estabelece que os gastos do governo pelos próximos 20 anos – até 2036 – devem crescer de acordo com a inflação de um ano para o outro.

Na prática, o teto significa que o governo federal não pode fazer  um orçamento maior do que o ano anterior, mas somente corrigi-lo de acordo com a inflação: se a inflação no período for de 3%, o orçamento do ano seguinte poderá ser 3% maior.

O que é emenda parlamentar?

Emenda parlamentar é o nome que os parlamentares dão a  projetos de obras para serem realizados em suas bases eleitorais  que terão verba do orçamento. 

Os congressistas têm direito a diversos tipos de emendas, as individuais, por exemplo, que são distribuídas a cada parlamentar e precisam ser necessariamente executadas. O mesmo vale para as bancadas de cada estado no Legislativo.

Essas emendas têm critérios e valor já calculado. Portanto, dificilmente fazem parte de negociações políticas – quando o governo libera mais verba em troca de apoio no Congresso.

 *Edição: Marize Muniz

Fonte: CUT Brasil

Bolsonaro empurra trabalhadores para o desemprego e a informalidade

Desemprego bate recorde e atinge 14,3 milhões de trabalhadores, segundo o IBGE

A taxa de desemprego chegou a 14,2% e atingiu 14,3 milhões de pessoas no trimestre encerrado em janeiro. Este é o maior número de desempregados que o país registra desde 2012, início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta quarta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Até agora, o maior contingente de brasileiros desempregados da série histórica havia sido registrado no trimestre encerrado em março de 2017 (14,1 milhões), um ano após o golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff.

O número de desalentados, trabalhadores que pararam de procurar emprego depois de muito tentar e não conseguir também é o maior da série histórica da pesquisa. Após uma variação de 2,3%, o que representa estabilidade frente ao trimestre anterior, eles foram estimados em 5,9 milhões de pessoas.

Em relação ao mesmo período do ano anterior, quando havia no Brasil 4,7 milhões de pessoas desalentadas, houve um acréscimo de 25,6%. São 1,2 milhão de pessoas a mais nessa situação.

Já a taxa de informalidade foi de 39,7%.

De acordo com o IBGE, apesar de ter ficado estável em 14,2% em comparação dom o trimestre anterior, a taxa de desemprego é a mais alta para um trimestre encerrado em janeiro, mês que costuma ter dados de desemprego menores por causa das contratações feitas para as festas de fim de ano.

Os dados mostram ainda que aumentou em 2% o total de pessoas ocupadas, que chegou a 86 milhões. Isso representa 1,7 milhão de pessoas a mais no mercado de trabalho em relação ao trimestre encerrado em outubro.

“Apesar de perder força em relação ao crescimento observado no trimestre encerrado em outubro, a expansão de 2% na população ocupada é a maior para um trimestre encerrado em janeiro. Esse crescimento ainda tem influência do fim de ano, já que novembro e dezembro foram meses de crescimentos importantes”, explica a analista da pesquisa, Adriana Beringuy. Com o aumento no número de ocupados, o nível de ocupação, que é o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, ficou em 48,7%.

A maior parte desse aumento na ocupação veio do trabalho  informal, sem direitos e os mais prejudicados durante a pandemia por causa das necessárias medidas de isolamento social para conter a alta taxa de transmissão do novo coronavírus.

No trimestre encerrado em janeiro aumentou também o trabalho precário, sem direitos. Confira:

– subiu 3,6% o número de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado – o que representa um aumento de 339 mil pessoas sem direitos.

– também aumentou em 5,2% o total de trabalhadores domésticos sem carteira,que agora somam 3,6 milhões de pessoas.

– aumentou em 4,8% o total de trabalhadores por conta própria sem CNPJ totalizando 826 mil pessoas a mais.

Carteira assinada tem números estáveis

Os trabalhadores do setor privado com carteira de trabalho assinada e os empregadores foram duas categorias que mantiveram estabilidade frente ao trimestre encerrado em outubro. Mas na comparação com o mesmo período do ano anterior, o cenário é de queda. São 3,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada a menos no setor privado. Já a queda no número de empregadores foi de 548 mil pessoas.

Houve queda de 1,1% na população fora da força de trabalho na comparação com o último trimestre. Essas pessoas que não estavam nem ocupadas nem desocupadas na semana de referência somaram, no trimestre encerrado em janeiro, 76,4 milhões de pessoas. Quando comparado ao mesmo período do ano anterior, esse contingente cresceu 16,2%.

Na comparação com o último trimestre, 720 mil pessoas saíram da força de trabalho potencial, que soma as pessoas em idade de trabalhar que não estavam nem ocupadas nem desocupadas, mas que tinham potencial para estar na força de trabalho. Esse grupo foi estimado em 11,3 milhões de pessoas, entre eles estão os desalentados

Massa de rendimento fica estável

A massa de rendimento real habitual ficou estável na comparação com o trimestre anterior, sendo estimada em R$ 211,4 bilhões de reais. Já na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a queda de 6,9% representa uma redução de R$ 15,7 bilhões.

O rendimento médio habitualmente recebido caiu 2,9% frente ao trimestre encerrado em outubro de 2020 e foi estimado em R$ 2.521. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve estabilidade.

A PNAD Contínua é o principal instrumento para monitoramento da força de trabalho no país. A amostra da pesquisa por trimestre no Brasil corresponde a 211 mil domicílios pesquisados. Cerca de dois mil entrevistadores trabalham na pesquisa, em 26 Estados e Distrito Federal, integrados à rede de coleta de 564 agências do IBGE.

Em função da pandemia de Covid-19, o IBGE implementou a coleta de informações da pesquisa por telefone desde 17 de março de 2020. É possível confirmar a identidade do entrevistador no site Respondendo ao IBGE ou via Central de atendimento (0800 721 8181), conferindo a matrícula, RG ou CPF do entrevistador, dados que podem ser solicitados pelo informante.

Fonte: CUT Brasil

Passe livre de JHC é conversa furada

É uma cortina de fumaça pra encobrir as demissões dos cobradores depois da repercussão negativa da derrubada do veto.

Devido a forte rejeição da população maceioense a aprovação do projeto de lei que demite em plena pandemia mais de 400 cobradores de ônibus, JHC promove uma cortina de fumaça: anunciando a criação do passe livre estudantil em Maceió. Segundo a propaganda veiculada pelo executivo municipal, o programa vai garantir até duas viagens por dia para alunos de escolas públicas e privadas.

O interessante é que reiteradamente, a gestão de JHC dar declarações que a situação financeira e fiscal de Maceió é caótica e que havia herdado um passivo de mais de 300 milhões. Nesta linha, declarou que promoveria um arrocho fiscal, raramente visto, com corte de 30% nas despesas discricionárias, deixando pairar dúvidas sobre a origem dos recursos para a criação do passe livre.

Outro aspecto que chama atenção é que o prefeito não encaminhou nenhum projeto de lei sobre o tema. Ocorre que o poder público só pode realizar despesas se devidamente previstas no orçamento público, e até a presente data o prefeito não encaminhou o projeto de lei do orçamento de 2021. Além disso, a Constituição Federal veda o início de qualquer programa de duração continuada que não esteja contido no Plano Plurianual.

Fica claro que JHC apenas jogou uma cortina de fumaça para tentar diminuir o desgaste com a Lei que vai extinguir a função de cobrador de ônibus em Maceió. Se realmente, o prefeito tivesse a intenção de instituir um programa sério e continuado de passe livre estudantil, encaminharia um projeto de lei à Câmara para sua criação, atendendo assim, a uma reivindicação histórica dos estudantes.

Sem testagem e sem vacinação, professores trabalham com medo nas escolas privadas de Maceió

O Sindicato dos Professores de Alagoas alerta para os riscos que os professores das escolas privadas são obrigados a conviver no ambiente escolar e questiona o fato do governador Renan Filho, ter deixado as escolas particulares de fora do decreto de 16 de março.

Segundo Eduardo Vasconcelos, presidente da entidade, sem testagem e sem vacinação, os professores trabalham com medo e que “muitas escolas não tem respeitado os protocolos sanitários e isso tem acarretado casos de contaminação por Covid-19”. E o pior, algumas escolas chegam até a esconder as informações com medo da repercussão e de ter seu funcionamento suspenso.

Ainda segundo Vasconcelos, muitas escolas não fazem testagem e rastreamento por causa do custo financeiro, o que deixa os professores entre a cruz e a espada, tendo que trabalhar com medo. Mas, quando o Sindicato toma conhecimento de casos suspeitos de coronavírus entre alunos e professores ele tem comunicado ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Vigilância Sanitária.

Para o Sinpro, o governo federal não tomou as medidas para garantir os empregos e o funcionamento das escolas. E isso provoca incertezas, pois se as escolas fecharem, a demissão pode ser em massa.

Laboratório farmacêutico francês condenado pela morte de centenas de pessoas

A farmacêutica francesa Servier foi considerada culpada de fraude agravada e homicídio involuntário.

Em causa, neste que é um dos maiores escândalos da indústria farmacêutica em França, está o Mediator. O medicamento indicado inicialmente para o tratamento da diabetes acabou por ser receitado para a perda de peso.

Cerca de cinco milhões de pessoas receitaram o medicamento ao longo de mais de três décadas, apesar de vários avisos sobre os seus efeitos secundários. Acabou por ser retirado do mercado em 2009 por suspeitas de causar graves problemas cardíacos, mas antes causou centenas de mortes em França.

A Servier negou qualquer conhecimento dos efeitos secundários do medicamento mas, esta segunda-feira, o Tribunal Correcional de Paris condenou a farmacêutica. Para os juízes, o laboratório “sabia dos riscos mas nunca tomou as medidas necessárias”.

Jean-Philippe Seta, o antigo “número dois” da farmacêutica e antigo “braço direito” do líder dos laboratórios Jacques Servier, que morreu em 2014, foi condenado a quatro anos de prisão com pena suspensa e a empresa vai ter de pagar uma multa de 2,7 milhões de euros.

Já a Agência Nacional de Segurança dos Medicamentos foi condenada a uma multa de mais de 300 mil euros, um valor muito superior ao que era pedido pela acusação (200mil). O juiz considerou que o organismo “falhou gravemente” nas suas funções.

Fonte: Euronews

CUT organiza campanha em defesa do emprego dos cobradores de ônibus de Maceió

A Central Única dos Trabalhadores de Alagoas iniciou uma campanha em defesa do emprego dos mais de 400 cobradores de ônibus que deverão ser demitidos em Maceió.
O projeto de lei que demite os trabalhadores em plena pandemia é de autoria do vereador Galba Novaes Netto (MDB) e foi aprovado pela Câmara de Vereadores de Maceió. Segundo a CUT-AL, “essa lei só favorece os empresários de ônibus”.
A campanha da CUT defende os empregos dos cobradores e denuncia que a maioria dos vereadores e o prefeito JHC (PSB) fizeram jogo combinado para aprovar a lei, e que não se preocuparam com os trabalhadores e seus familiares que em plena pandemia serão jogados no desemprego.

Comandantes das Forças Armadas deixam governo Bolsonaro após crise provocada pelo presidente

Comandantes de Exército, da Marinha e da Aeronáutica anunciam renúncia coletiva, ato inédito na história, como reação à demissão do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva

Após a segunda-feira tempestuosa em que o presidente da República, Jair Bolsonaro, trocou seis ministros, a tarde desta terça começa com o anúncio da renúncia coletiva dos três comandantes das Forças Armadas: Edson Leal Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Bermudez (Aeronáutica) reagiram à intempestiva “reforma ministerial” do chefe do governo que “queimou” o até então ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, muito respeitado na força que comanda. Os comandantes anunciaram sua decisão após reunião com o novo titular da Defesa, general Braga Netto.

Segundo inúmeras informações de Brasília, a recusa de Azevedo e Silva de apoiar explicitamente a intenção de Bolsonaro de endurecer contra os governadores na decretação de lockdowns motivou a demissão do general. O presidente teria pedido a cabeça de Pujol, por considera-lo fraco,  e ficado furioso com a negativa do ex-ministro da Defesa.

O ato dos três comandantes é inédito na história brasileira. Eles deixam claro, com o gesto, que não têm a menor intenção de ultrapassar as linhas do Estado democrático de direito e violar a Constituição, que é o sonho de Bolsonaro. Em abril de 2016, ao votar pelo impeachment de Dilma Roousseff, o atual presidente da República votou “pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”, o que foi considerado “estarrecedor” por políticos e ativista dos direitos humanos.

A demissão de Azevedo e Silva provocou uma crise de Bolsonaro com a área militar que deve enfraquecê-lo ainda mais. O presidente está acuado. Ele tem hoje justamente o apoio parte de uma base militar (incluindo as PMs), um pequeno segmento da área empresarial, os defensores de armamento e evangélicos fundamentalistas. A crise armada com a caserna enfraquece sua relação com as Forças Armadas, cujo respeito à hierarquia é basilar.

Segundo O Estado de S. Paulo, a reunião entre os três comandantes e Braga Netto e foi tensa. Ilques Barbosa, da Marinha, teria sido o mais exaltado, “com reações que beiraram à insubordinação, conforme relatos de presentes”, relata o jornal.

“Insano desonrou a farda”

“Está chegando ou já chegou a hora de as Forças Armadas decidirem se embarcam na aventura golpista de um insano que inclusive desonrou a farda ou se ficam com a Constituição e a democracia”, postou o ex-presidente da OAB-RJ Wadih Damous, no Twitter.

Embora tenha ficado com a Secretaria de Governo, com a deputada federal Flávia Arruda (PL-DF), na “reforma” ministerial, ainda não se pode prever qual será a reação do bloco informal no Congresso à crise político-militar armada pelo presidente. Na semana passada, o presidente da Câmara, Arthur Lira, deu um recado ao presidente, afirmando sobre os “remédio amargos”, alguns dos quais “fatais” disponíveis no Parlamento. O deputado recomendou “autocrítica, instinto de sobrevivência, da sabedoria, da inteligência emocional e da capacidade política”. Todos atributos que Bolsonaro, mais uma vez, comprovou não ter.

Na mesma semana, as avaliações dos de cientistas políticos de Brasília eram de que Bolsonaro nunca esteve tão próximo do impeachment e que, depois da fala de Lira, a pressão sobre o presidente triplicou.

Fonte: Rede Brasil Atual

Procuradores da Lava Jato embolsaram mais de R$ 3 milhões em diárias de viagem

Cada procurador ganha R$ 1 mil por dia para trabalhar fora do local de residência, mas dois procuradores receberam R$ 834 mil em diárias, mesmo tendo residência em Curitiba (PR)

A farra com dinheiro público também foi feita pelos procuradores da Operação Lava Jato. Uma denúncia do site Intercept Brasil mostra que procuradores da Lava Jato, das forças-tarefas de São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, gastaram R$ 3,25 milhões em diárias de viagem, sem contar os gastos com passagens que não entram na conta.

Embora sejam legais, cada procurador tem direito a uma diária de R$ 1 mil por dia de trabalho fora de sua comarca, o que chama a atenção são os gastos de procuradores que tinham residências nas cidades em que trabalhavam.

O procurador Diogo Castor de Mattos recebeu pelo menos R$ 373,6 mil em diárias. A partir de um relatório sobre diárias pagas na Lava Jato que a Procuradoria-Geral da República enviou ao Tribunal de Contas da União, o repórter do Intercept, Vinicius Konchinski , contou 425 diárias endereçadas a Castor, sendo 411 referentes a viagens para Curitiba. 

Oficialmente, o procurador Castor de Mattos morava em Jacarezinho, a 386 quilômetros de Curitiba, onde trabalhava. Só que ele, comprovou, por diversas vezes, que tinha apartamento próprio na cidade, portanto, moralmente, não deveria receber a verba de viagem.

Outro procurador, Orlando Martello, recebeu R$ 461 mil em 457 diárias, de São Paulo a Curitiba, mas é casado com outra procuradora que mora na capital paranaense, onde ele ficava durante os dias de trabalho. Segundo o Intercept, o chefe da Operação, o procurador Deltan Dallagnol sabia das irregularidades. De novo, os procuradores que se pautaram pelo discurso contra a corrupção, no mínimo, transgrediram moralmente o que pregam. 

Para ler a reportagem completa do Intercept Brasil com todos os detalhes da denúncia, clique aqui.

Fonte: CUT Brasil

Começou o julgamento do policial que matou George Floyd

As imagens de Chauvin ajoelhado no pescoço de Floyd durante quase 10 minutos provocaram alguns dos maiores protestos na história dos Estados Unidos, contra a brutalidade policial e pela justiça racial.

Chauvin enfrenta três acusações: homicídio involuntário de segundo grau, homicídio de terceiro grau, e homicídio involuntário e declarou-se “inocente” de todas as acusações.

Durante as declarações de abertura, a acusação detalhou o vídeo em que Floyd diz aos policiais 27 vezes que não consegue respirar antes de ficar imóvel e morrer.

O prourador Jerry Blackwell, afirmou: “Os números mais importantes que irá ouvir neste julgamento são nove, dois, nove. O que aconteceu nesses nove minutos e 29 segundos em que o Sr. Derek Chauvin estava a aplicar esta força excessiva ao corpo do Sr. George Floyd”.

A família de Floyd reuniu-se fora da sala do tribunal com o ícone do Movimento dos Direitos Civis – Al Sharpton, que deixou palavras marcantes: “Chauvin está na sala de audiências, mas a América está a ser julgada. A América está a ser julgada para ver se chegámos ao ponto em que podemos responsabilizar a polícia de violar a lei. A lei é para todos. Os policiais não estão acima da lei”.

A América assiste aquele que é, provavelmente, o maior julgamento de Direitos Civis de uma geração. A decisão terá efeitos muito para além do tribunal de Mineápolis.

Fonte: Euronews

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