Lula tem 62,6% e Bolsonaro 16,5% em Pernambuco

Se as eleições para presidente da República fossem hoje, o ex-presidente Lula (PT) teria, em Pernambuco, mais do que o triplo dos votos do atual presidente, Jair Bolsonaro (PL). É o que revela a primeira pesquisa Empetec/Diario. Foram ouvidos 2019 eleitores entre os dias 26 de fevereiro e 4 de março. A margem de erro é de 2,23%, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O levantamento foi feito pela Empresa de Pesquisas Técnicas, Científicas e de Mercado LTDA (Empetec), tendo como contratante o Diario de Pernambuco, e registrado no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco sob o número PE-03717/2022.

Na pesquisa estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados ao eleitor, Lula aparece com 62,6%. Em segundo lugar, Bolsonaro atinge 16,5%. O terceiro no levantamento é Ciro Gomes (PDT), com 2,7%. Sergio Moro (Podemos) aparece em quarto lugar, com 1,7%. Em seguida, surgem João Doria (PSDB) e Simone Tebet (MDB), com 0,2%. Rodrigo Pacheco (PSD) é vem depois, com 0,1%. Os que não votam em ninguém, em branco ou nulo são 9,1%. Outros 6,6% não sabem ou não responderam.

O cenário é semelhante na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados ao eleitor. Neste caso, Lula lidera com 52,9% e Bolsonaro vem em segundo com 15,5%. Em terceiro lugar, Ciro Gomes aparece com 1,4%. Moro vem em seguida com 0,7%. Fechando a lista, o prefeito do Recife, João Campos, foi citado por 0,1% dos entrevistados.

No levantamento por sexo, Lula tem 64,0% no eleitorado feminino e 61,0% no masculino. Bolsonaro, por sua vez, chega a 20,0% entre os homens e 13,3% entre as mulheres. Ciro Gomes atinge 3,6% no eleitorado masculino e 1,9% no feminino. Moro atinge 1,8% entre as mulheres e 1,7% entre os homens.

Por faixa etária, Lula é mais forte entre os eleitores de 16 a 24 anos, com 65,4%. Bolsonaro alcança o maior percentual na faixa dos 35 a 44 anos, com 19,9%. Ciro Gomes alcança 4,0% entre os eleitores de 25 a 34 anos. Por fim, o melhor desempenho de Moro também é entre os eleitores de 25 a 34 anos, com 2,5%.

AnáliseO analista de pesquisa quantitativa da Empetec, Victor Freire, lembra que o levantamento traz os números apenas com os eleitores de Pernambuco, onde o cenário é diferente da média nacional. “A gente não pode generalizar essa análise para o Brasil inteiro”, adverte. Sobre o cenário pernambucano, Victor ressalta o favoritismo de Lula, o segundo lugar consolidado de Bolsonaro e o baixo desempenho da terceira via. “Podemos falar em polarização no estado entre Lula e Bolsonaro, porém com ampla vantagem de Lula”, acrescenta.

Para Victor, os números altos de intenção de voto de Lula em Pernambuco podem influenciar a eleição estadual. “Essa associação com a Frente Popular pode gerar um favorecimento para o candidato que tiver o apoio dele”, encerra. No estado, o candidato ao governo que terá o apoio de Lula é Danilo Cabral (PSB).
A pesquisa
Estimulada
Lula: 62,6%Jair Bolsonaro: 16,5%Ciro Gomes: 2,7%Sergio Moro: 1,7%João Dória: 0,2%Simone Tebet: 0,2%Rodrigo Pacheco: 0,1%Ninguém/Branco/Nulo: 9,1%Não sabe/Não respondeu: 6,6%
EspontâneaLula: 52,9%Jair Bolsonaro: 15,5%Ciro Gomes: 1,4%Sergio Moro: 0,7%João Campos:  0,1% Ninguém/Branco/Nulo: 1,2%Não sabe/Não respondeu: 28,0%
Por sexo

Feminino
Lula: 64,0% Jair Bolsonaro: 13,3% Ciro Gomes: 1,9% Sergio Moro: 1,8% João Dória: 0,3% Rodrigo Pacheco: 0,2%
MasculinoLula: 61,0%Jair Bolsonaro: 20,0%Ciro Gomes: 3,6%Sergio Moro: 1,7%João Dória: 0,1%Rodrigo Pacheco: 0,0%
Por faixa etária

16 a 24 anos
Lula: 65,4% Jair Bolsonaro: 15,0% Ciro Gomes: 3,7% Sergio Moro: 1,5% João Dória: 0,2% Simone Tebet: 0,2% Rodrigo Pacheco: 0,0%
25 a 34 anosLula:  59,1% Jair Bolsonaro: 17,6% Ciro Gomes: 4,0% Sergio Moro: 2,5% João Dória: 0,2% Simone Tebet: 0,2% Rodrigo Pacheco: 0,2%
35 a 44 anosLula: 62,2% Jair Bolsonaro: 19,9% Ciro Gomes: 2,0% Sergio Moro: 1,0% João Dória: 0,0% Simone Tebet: 0,3% Rodrigo Pacheco: 0,3%
45 a 59 anosLula: 62,0% Jair Bolsonaro: 15,8% Ciro Gomes: 2,0% Sergio Moro: 1,8% João Dória: 0,0% Simone Tebet: 0,0% Rodrigo Pacheco: 0,0%
+60 anosLula: 64,8%Jair Bolsonaro: 13,6%Ciro Gomes: 1,0%Sergio Moro: 1,7%João Dória: 0,7%Simone Tebet: 0,3%Rodrigo Pacheco: 0,0%

Fonte: Diário de Pernambuco

Padre acusado de abusos sexuais em SP é expulso da Igreja

O Papa Francisco decidiu expulsar um padre acusado de abusos sexuais no interior de São Paulo. Pedro Leandro Ricardo, da cidade de Americana, foi demitido da igreja local a partir de um comunicado emitido pela Diocese de Limeira. A ação ocorreu após a abertura de um processo interno, depois dele ter sido acusado por ex-coroinhas.

O documento, divulgado pela Diocese, se dirige ao padre como “senhor” e esclarece que ele “não poderá mais exercer, válida e licitamente, o ministério sacerdotal”. A nota foi assinada pelo bispo Diocesano de Limeira, dom José Roberto Fortes de Palau.

Padre disse estar “totalmente surpreso” com pedido de expulsão do Papa Francisco

Em entrevista ao G1, o padre disse que estava “totalmente surpreso” com a decisão da igreja católica e que está sendo “perseguido” pela Diocese de Limeira, sem direito de se defender.

Desde o ano de 2019, quando uma denúncia se tornou pública, o padre vem sendo acusado por quatro ex-coroinhas quando eram menores de idade por cometer um suposto assédio sexual. Naquele ano, a Folha já havia apurado que o pároco estava sob investigação do Ministério Público por um envolvimento com meninos que lhe tinham como guia na basílica de Americana.

Fonte: DCM

Putin ameaça nacionalizar empresas que deixam a Rússia

Companhias como Coca-Cola e McDonald’s podem ser atingidas. Em resposta a sanções de EUA e União Europeia, governo russo lista 200 produtos que terão exportação e importação limitadas, mas garante fornecimento de gás

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou nesta quinta-feira (10) que pretende permitir a nacionalização de empresas estrangeiras. Trata-se de uma reação ao fato de multinacionais como Coca-Cola, McDonald’s, Starbucks, Nestlé e Ford, entre outras, terem decidido deixar de investir no país como resposta à invasão russa na Ucrânia.

O Parlamento russo discute um projeto de lei que permite a colocação sob “administração externa” de empresas com mais de 25% das ações sob controle de “nações hostis”. Na segunda-feira (7), o governo russo publicou uma lista desses países, que impuseram algum tipo de sanção econômica à Rússia – entre eles estão EUA, todos os membros da União Europeia, Reino Unido e Japão, entre outros. O Brasil não foi incluído.

Em uma reunião de governo transmitida pela TV na quinta, Putin classificou as sanções do Ocidente como ilegítimas. “Aqueles que vão fechar suas instalações de produção precisam agir de forma decisiva aqui e, em nenhum caso, permitir qualquer dano aos fornecedores russos locais de materiais e componentes. É preciso introduzir a gestão externa e depois transferir essas empresas para quem quer trabalhar”, disse Putin, de acordo com a agência Interfax.

Putin assinou um decreto limitando a exportação e a importação de diversos produtos, especialmente matérias-primas, também em resposta ao embargo econômico liderado pelos Estados Unidos e por outros países ocidentais. A Rússia é um dos maiores produtores e exportadores de energia do planeta, e o país é o maior fornecedor de gás natural para a Europa. O presidente russo disse que Moscou cumprirá os contratos do setor em vigor.

A lista de restrições para o comercio internacional do governo russo inclui tecnologia, telecomunicações, equipamentos médicos, veículos, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos — mais de 200 itens no total, incluindo vagões e locomotivas, contêineres, turbinas, máquinas de processamento de metal e pedra, monitores, projetores, consoles e painéis.

Desde a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro, a Rússia virou alvo de retaliação por países do Ocidente na forma de sanções contra governo, empresas e indivíduos russos. Há também um movimento de boicote de empresas que restringiram ou suspenderam voluntariamente suas atividades no país. Na terça-feira (8), o presidente americano Joe Biden anunciou um embargo sobre o petróleo russo. No mesmo dia, o Reino Unido disse que quer eliminar gradativamente compra de produto até o fim de 2022 e a União Europeia propôs reduzir sua importação de gás natural russo.

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/extra/2022/03/10/Putin-amea%C3%A7a-nacionalizar-empresas-ocidentais-que-deixam-R%C3%BAssia
Fonte: Nexo Jornal

Motoristas de aplicativo protestam em Aracaju contra o aumento da gasolina

Em protesto pelo aumento da gasolina, motoristas de aplicativo em Aracaju abastecem com até R$ 1 e exigem nota fiscal

Motoristas de aplicativo realizaram um protesto contra o aumento dos combustíveis, na manhã desta sexta-feira (11), em Aracaju. Eles abasteceram os veículos com valores entre R$ 0,50 e R$ 1 e exigiram nota fiscal dos postos.

Em um dos postos no Bairro Atalaia, na Zona Sul da capital, onde a gasolina custa R$ 7,89, o protesto gerou aglomeração de carros em virtude da exigência do documento. A Polícia Militar chegou a ir ao local para mediar a situação. Outros postos também foram visitados pelos manifestantes.

“A nota fiscal é direito do consumidor e o posto não quer nos dar. Agora fechou e não quer abastecer os veículos. Estamos aqui em ato de protesto. A categoria não aguenta mais o aumento constante dos combustíveis”, disse o organizador do movimento, Everton Santos.

O representante do Sindicato de Donos de Postos (Sindpese), Maurício Cotrim, alegou que os proprietários de postos não são responsáveis. “Entendemos que é legítimo qualquer movimento, afinal de contas, está todo mundo sofrendo no bolso o aumento de combustíveis. Mas é preciso ficar claro que a culpa não é do dono do posto. Em relação ao documento, o cupom já é um comprovante”, falou.

Fonte: G1

Demência: General Villas Bôas insinua guerra contra a França na Amazônia

General Villas Bôas insinua que militares brasileiros estão prontos para combater Macron na Amazônia

O ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, usou as redes sociais para ‘ameaçar’ uma ‘guerra’ contra o presidente francês Emmanuel Macron nesta sexta-feira, 11. Macron é o atual líder da União Europeia e comanda parte das negociações pela paz entre Rússia e Ucrânia.

Em duas publicações, com diferença de apenas um minuto entre elas, o militar escreve primeiro uma espécie de legenda para o vídeo que seguirá na próxima postagem.

Veja: 

“O que espera Macron na Amazônia.”

Um minuto depois, o general publica então um vídeo com dezenas de cenas do Exército Brasileiro em exercícios militares. Os soldados exibem armamentos e outros equipamentos bélicos das Forças Armadas.

As imagens As imagens são também acompanhadas de uma paródia da música italiana Bella Ciao, que se tornou símbolo de resistência ao fascismo na Itália durante a Segunda Guerra Mundial e, mais recentemente, ganhou nova notoriedade como trilha sonora da série La Casa de Papel, da Netflix.

Na ‘versão brasileira’ postada pelo general, a canção diz: “guerreiros de selva, peguem suas armas, vamos em frente infiltrar”. Mais adiante, a música afirma que os ‘guerreiros de selva’ estariam dispostos a ‘matar e morrer pela nação e liberdade’.

A motivação para ‘ameaça’ de Villas Bôas ao francês nesta sexta-feira não fica clara. Vale lembrar, no entanto, que Macron é um opositor internacional ao governo Jair Bolsonaro. O francês já ameaçou romper relações comerciais com o Brasil pelo descumprimento de acordos climáticos no governo Bolsonaro. Aliados do ex-capitão alegam que as preocupações ambientais do europeu, no entanto, seriam infundadas e com interesses de exploração da floresta.

Macron também já foi alvo de ataques pessoais por Bolsonaro. O ex-capitão ofendeu a esposa do francês, Brigitte Macron, com comentários sexistas. O episódio estremeceu ainda mais a relação entre os dois líderes. Em 2021, Macron recebeu Lula (PT) com honras de chefe de Estado poucos dias depois de uma inexpressiva passagem de Bolsonaro pela Europa.

Villas Bôas, por sua vez, além de ex-comandante do Exército também é o general que ameaçou o Supremo Tribunal Federal caso a Corte decidisse por soltar Lula em 2018. Na ocasião, o militar disse que as Forças estariam ‘discutindo ações’ caso o tribunal acatasse o pedido de habeas corpus do ex-presidente. Edson Fachin decidiu por não conceder a liberdade ao petista.

Fonte: Carta Capital

Lula lidera com 43% e Bolsonaro tem 28%, segundo pesquisa

Pesquisa Ipespe, contratada pela XP Investimentos e divulgada hoje, aponta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mantém na liderança da corrida presidencial, com 43% das intenções de voto. O presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca a reeleição, aparece em segundo lugar, com 28%. Na sequência, vêm os ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Sergio Moro (Podemos), com 8% cada, portanto, numericamente empatados; e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com 3%. Considerando a margem de erro, que é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos, Ciro, Moro e Doria estão tecnicamente empatados.

Em comparação com o levantamento anterior, divulgado em 25 de fevereiro, Lula manteve os 43% da pesquisa de intenção de voto estimulada, quando o nome dos candidatos é apresentado ao entrevistado. Bolsonaro oscilou dois para cima (portanto, dentro da margem de erro) — na ocasião, ele aparecia com 26%.

Moro e Doria mantiveram o percentual da pesquisa anterior (8% e 3%, respectivamente) e Ciro oscilou um ponto para cima (tinha 7%). O governador paulista empata, dentro da margem de erro, com a senadora Simone Tebet (MDB), o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e o deputado federal André Janones (Avante), que têm 1% cada.

A pesquisa foi realizada no período de 7 a 9 de março e entrevistou mil pessoas de 16 anos e mais de todas as regiões do país, por telefone. O intervalo de confiança é de 95,5%. Os percentuais que não totalizam 100% são decorrentes de arredondamento ou de múltiplas alternativas de resposta. O levantamento foi registrado junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-03573/2022.

Fonte: Uol

Moradores do Bom Parto fecham avenida em protesto contra falta de energia

Eles usaram galhos de árvores, móveis velhos e pneus para bloquear a Avenida Rui Palmeira

Um grupo de moradores do bairro do Bom Parto, em Maceió, bloquearam a Avenida Rui Palmeira nesta tarde de quinta-feira (10), por conta da falta de energia na região que, segundo eles, já dura 24 horas.

Os moradores bloquearam a passagem dos veículos usando pneus, galhos de árvores e ateando fogo nesses objetos.

Equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar foram acionadas. A interdição da via durou cerca de uma hora.

Os moradores do Bom Parto e de outros bairros afetados pela Braskem sofrem com o abandono e precarização dos serviços de água e energia elétrica, para os moradores que protestaram, “é como se eles não existissem mais.”

Redação com Tribuna Hoje

Governo Bolsonaro reajusta preço da gasolina em 18,76%

Bolsonaro penaliza consumidores brasileiros e eleva o lucro dos acionistas privados da Petrobrás

A Petrobrás anunciou na manhã desta quinta-feira (10) uma elevação brutal nos preços de gasolina, diesel e GLP, o gás de cozinha, para as distribuidoras a partir desta sexta-feira (11). O preço médio da gasolina passará de R$ 3,25 para R$ 3,86 o litro, um aumento de 18,77%. Para o diesel, o valor irá de R$ 3,61 a R$ 4,51, alta de 24,9%.

Os valores referem-se ao preço na refinaria. De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a gasolina foi vendida na semana passada a um preço médio de R$ 6,577 por litro. Com a alteração, o preço nas bombas nos postos de todo país podem passar de R$ 8 e chegar até R$ 10. 

Bolsonaro recua diante do “mercado” e penaliza consumidores brasileiros pela guerra na Ucrânia. Desde o golpe de estado de 2016, Petrobrás está sob comando de seus acionistas privados.

O barril de petróleo no mercado internacional ultrapassou a marca de US$ 130 (R$ 656) nos últimos dias, com o conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Quando a companhia anunciou o último aumento, em 11 de janeiro, o produto era cotado a cerca de US$ 83 (R$ 419). Já o gás de cozinha passará de R$ 3,86 para R$ 4,48 por quilo, um reajuste de 16%. 

A alteração no preço mais recente dos combustíveis havia sido em outubro do ano passado, há 152 dias. Em nota, a Petrobras diz que os valores “refletem parte da elevação dos patamares internacionais de preços de petróleo, impactados pela oferta limitada frente a demanda mundial por energia”.

Fonte: Brasil 247

Ministro do STF indicado por Bolsonaro prejudica milhões de aposentados

Após todos os onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) apresentarem seus votos no julgamento da revisão da vida toda, concedendo aos aposentados o direito de pedirem na Justiça a inclusão de todas as suas contribuições ao INSS para o cálculo do benefício, o ministro Nunes Marques pediu destaque do plenário virtual para barrar a decisão já favorável aos aposentados.

Com a manobra do ministro, o julgamento, que estava 6 a 5 a favor dos aposentados, será reiniciado no plenário físico. Além disso, o voto do relator Marco Aurélio Mello, a favor da revisão, de acordo com as regras do plenário virtual, não seria considerado.

A tramoia do ministro indicado por Bolsonaro serve para dar a possibilidade do novo ministro, André Mendonça, ex-Advogado Geral da União (AGU) – também nomeado pelo presidente, votar e alterar o placar. Mas alguns ministros, que consideraram o destaque como uma tentativa de manipular o resultado do julgamento, articulam uma questão de ordem para manter o voto de Marco Aurélio, a favor dos aposentados.

O julgamento sobre a revisão da vida toda ocorre no Recurso Extraordinário (RE) 1.276.977, onde segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) buscam recalcular suas aposentadorias incluindo, na composição da média salarial, contribuições previdenciárias realizadas antes de julho de 1994. A discussão se deve a uma reforma na legislação previdenciária, 1999, que mudou as fórmulas de cálculo dos benefícios e definiu que, para pessoas que já contribuíam antes do Plano Real (1994) não teriam seus pagamentos considerados.

Em seu voto, o ministro relator – já aposentado –, Marco Aurélio de Melo, afirmou que não é legítima a imposição de regra de transição mais gravosa que a definitiva. “Desconsiderar os recolhimentos realizados antes da competência julho de 1994 contraria o direito ao melhor benefício e a expectativa do contribuinte, amparada no princípio da segurança jurídica, de ter levadas em conta, na composição do salário de benefício, as melhores contribuições de todo o período considerado”, defendeu.

Para o relator, “na apuração do salário de benefício dos segurados que ingressaram no Regime Geral da Previdência Social até o dia anterior à publicação da Lei nº 9.876/1999 e implementaram os requisitos para aposentadoria na vigência do diploma, aplica-se a regra definitiva prevista no artigo 29, incisos I e II, da Lei nº 8.213/1991, quando mais favorável que a norma de transição”.

Os ministros Edson Fachin, Cármen Lúcia, Rosa Weber e Lewandowski acompanharam Marco Aurélio. Na última sexta-feira (4), o ministro Alexandre de Moraes havia desempatado o julgamento e votado a favor dos aposentados. Moraes acompanhou Marco Aurélio e definiu o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o assunto, afirmando que o segurado do INSS tem, diante de mudanças nas regras previdenciárias, o direito de optar pela regra que lhe seja mais favorável. Ou seja, uma vitória para os beneficiários e uma derrota para o governo.

Na contramão dos interesses dos aposentados, Nunes Marques argumentou que o recurso não deveria estar em discussão se não fosse um erro cometido pelo STJ (Supremo Tribunal de Justiça). Para sustentar sua tese, Marques afirmou que a Corte, ao acolher a tese da revisão da vida toda, de certa forma entendeu ser inconstitucional a regra de transição da Lei 9.876/1999. Porém, sustenta o ministro, a decisão foi proferida pela Primeira Seção do STJ, quando somente o Órgão Especial é quem poderia declarar uma norma inconstitucional.

O ministro votou, então, contra o relatório de Marco Aurélio e decidiu por defender o recurso apresentado pelo governo federal, através do INSS, e propôs a seguinte tese de repercussão geral: “É compatível com a Constituição Federal a regra disposta no caput do art. 3º da Lei 9.876/1999, que fixa o termo inicial do período básico de cálculo dos benefícios previdenciários em julho de 1994 ”. Acompanharam Nunes Marques os ministros Dias Toffoli, Luís Barroso, Luiz Fux e Gilmar Mendes.

Revisão da aposentadoria na Justiça

Em 1999, o então governo FHC promulgou uma reforma previdenciária que criou duas fórmulas para apuração da média salarial sobre as quais devem ser calculadas as aposentadorias (Lei 9.876). De acordo com a lei, os trabalhadores que começaram a contribuir a partir de 27 de novembro de 1999, o cálculo da Previdência deveria ser sobre 80% dos recolhimentos mais altos desde o início das contribuições.

Para quem já era contribuinte, a nova legislação estabeleceu como regra de transição que o benefício deveria ser calculado a partir das contribuições realizadas a partir da implementação do Plano Real, julho de 1994. No entanto, algumas pessoas tiveram suas maiores contribuições antes de 1994 e receberam benefícios menores do que poderiam ter. Os segurados passaram a recorrer ao Judiciário para garantir uma revisão e incluir nos cálculos todo o período de contribuição do segurado. Dessa forma, beneficiaria os segurados que tiveram as maiores contribuições antes do Plano Real.

Em 2019 – já sob o governo Bolsonaro – o STJ decidiu pela validade da “revisão da vida toda”, autorizando que, quando fosse mais vantajosa ao trabalhador, os segurados teriam direito ao cálculo da média aritmética simples dos maiores salários de contribuição correspondentes a 80% de todo o período contributivo, e não só a partir do Plano Real.

“Aplica-se a regra definitiva prevista no art. 29, I e II da Lei 8.213/1991, na apuração do salário de benefício, quando mais favorável do que a regra de transição contida no art. 3o. da Lei 9.876/1999, aos Segurado que ingressaram no Regime Geral da Previdência Social até o dia anterior à publicação da Lei 9.876/1999″, disse o STJ na decisão.

O governo federal, através do INSS, recorreu ao STF por meio do recurso extraordinário que está sendo julgado agora.

Fonte: Hora do Povo

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