A farra de Eduardo e dos bolsonaristas com dinheiro público em Dubai

Enquanto o povo pobre passa fome, a caravana comandada por Eduardo Bolsonaro vai torrar cerca de R$ 3,6 milhões com viagem de 69 pessoas a Dubai, nos Emirados Árabes. O gasto em diárias deve ser maior, mas não aparece nos Portais de Transparência e os ministérios não informaram a estimativa total. Viagem que deveria ser a trabalho tornou-se uma turnê de férias e farras.

O secretário da Pesca, Jorge Seif, numa rede social, se referiu ao evento como “trabalho-passeio” e disse que a cidade “é top demais”: “Estamos trabalhando, não estamos passeando, promovendo o turismo da Amazônia. Lógico que isso aqui, naturalmente, é um trabalho-passeio, né?”

Já Eduardo Bolsonaro tirou foto como sheik árabe.

A farra em Dubai é uma provocação à sociedade. No momento em que o dólar está nas alturas, o desemprego e perda de renda provoca desespero, enquanto o povo disputa osso no açougue, eles fazem a festa com dinheiro público. É a mamata bolsonarista!

A mamata do judiciário: País pagou R$ 2,4 bi em 4 anos a juízes que não tiraram 60 dias de férias

Juízes têm direito a 60 dias de férias por ano e, quando não usufruem de tudo, podem pedir uma indenização pelos dias pendentes —ou seja, “vender” parte das férias. O UOL apurou a partir de dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que tribunais gastaram pelo menos R$ 2,42 bilhões em quatro anos —de setembro de 2017 a setembro de 2021— com pagamentos dessa indenização. Não existe ilegalidade, pois se trata de um direito dos juízes.

O valor bancaria por quase 30 anos o programa de distribuição gratuita de absorventes higiênicos, considerando o custo anual de R$ 84,5 milhões estimado pela Câmara. O programa foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Os recursos também correspondem a quatro vezes o valor que o governo cortou dos investimentos em pesquisas científicas (R$ 600 milhões).

O levantamento aponta que, nesse período, há juízes que receberam mais de R$ 1 milhão por férias que não usufruíram. Os valores foram corrigidos pela inflação acumulada (IPCA). Os dados partem de setembro de 2017 porque o CNJ só disponibiliza os números a partir dessa data.

Representantes da categoria e tribunais dizem que as indenizações são pagas dentro da lei, de acordo com o período de férias garantido aos magistrados. Afirmam também que as regras para concessão da indenização ficaram mais rígidas a partir de julho de 2021, depois de nova orientação do CNJ.

Especialista diz que a “venda de férias” virou uma remuneração acima do teto disfarçada de indenização, e que o direito a 60 dias é um privilégio que deveria acabar.

Membros do Ministério Público também têm 60 dias de férias por ano. O UOL procurou o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), mas o órgão afirmou que não possui dados consolidados sobre as indenizações.

Juízes receberam até R$ 1,3 mi em 4 anos

A lista do CNJ traz os nomes de juízes que receberam alguma remuneração desde setembro de 2017, inclusive os já aposentados. Muitos magistrados receberam no momento da aposentadoria a indenização referente a todos as férias não tiradas ao longo da carreira.

Dos dez juízes que mais receberam, seis são do TJ-TO (Tribunal de Justiça do Tocantins). No total, o tribunal gastou mais de R$ 56 milhões com esse tipo de indenização.

A lista de magistrados que mais receberam tem quatro aposentados: José de Moura Filho, Rogério Valle Ferreira, Hamilton Luiz Scarabelim e Orloff Neves Rocha.

Entre os que estão na ativa, Euripedes Lamounier foi presidente do TJ-TO entre 2017 e 2019, e Carlos Alberto França é presidente do TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás).

Fonte: UOL

Salvadorenhos vão às ruas contra medidas autoritárias de Bukele

Protestos denunciam ações antidemocráticas do presidente como a destituição da Suprema Corte e prisão de opositores

Diversas organizações políticas e movimentos sociais salvadorenhos foram às ruas neste domingo (17/10) para uma jornada de protestos contra o governo do presidente Nayib Bukele, acusado de atos autoritários e antidemocráticos.

A concentração começou nas proximidades do parque Cuscatlán, na capital San Salvador, de onde os manifestantes marcharam em direção à praça cívica do centro.

Representantes de 34 organizações políticas reunidas no chamado Bloco de Resistência Popular convocaram a população a aderir à marcha. O sindicato dos juízes independentes também participou das mobilizações deste domingo, classificando como um golpe à independência judicial as ações governo Bukele que atacaram o sistema de Justiça.

Os magistrados se referem ao decreto promovido pelo partido do presidente que destituiu parte da Suprema Corte do país, bem como às transferências e ao desmantelamento de alguns tribunais importantes, como a Primeira Câmara Criminal, Segunda Câmara Criminal, Câmara Ambiental e outras modificações arbitrárias.

Ao longo do ato, manifestantes denunciaram a presença de policiais e militares nas estradas, avenidas e nas proximidades dos acessos à capital, onde agentes de segurança pararam veículos de transporte público e revistaram os passageiros e o interior dos automóveis.

O governo do presidente Nayib Bukele tem cada vez mais, segundo observadores internacionais, encarnado um espírito autoritário. Em fevereiro de 2020, por exemplo, sob ordens de Bukele, militares e integrantes da Polícia Nacional Civil (PNC) de El Salvador invadiram a sala de sessões da Assembleia Legislativa do país para “pressionar” pela aprovação de um empréstimo de US$ 109 milhões para financiar um plano de segurança. Na ocasião, em entrevista ao jornal El País, Bukele disse que a ordem para invadir o Parlamento foi “apenas um ato de presença” e afirmou que, se fosse um ditador, “teria assumido o controle de tudo”

Em 2021, membros do poder Judiciário do país foram destituídos pela nova Assembleia Legislativa, na qual o partido de Bukele, o Nuevas Ideas (NI), tem ampla maioria.

Já em julho deste ano, a polícia salvadorenha efetuou a prisão da ex-ministra da Saúde, Violeta Menjívar; do ex-ministro da Fazenda Juan Ramón Carlos Enrique Cáceres Chávez; da ex-vice-ministra da Ciência e Tecnologia, Erlinda Hándal; do ex-vice-ministro da Agricultura, Hugo Flores; e do ex-deputado Calixto Mejía. Mandados de prisão também foram emitidos para outros quatro ex-ministros e para o ex-presidente Salvador Sánchez Cerén, todos do partido de esquerda Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN).

Segundo advogados e defensores dos direitos humanos de El Salvador, as prisões e ordens de captura contra integrantes da FMLN e o tratamento que recebem por parte das autoridades têm como objetivo o escárnio público dos opositores e não respeitaram o devido processo legal.

Fonte: Opera Mundi

TCU investiga caso de corrupção no Exército

ALUGAR EQUIPAMENTO HOSPITALAR PELO DOBRO DO PREÇO DE COMPRA? O EXÉRCITO ACHOU UM BOM NEGÓCIO.Tanto que o responsável por ele foi promovido. Mas o Tribunal de Contas da União discorda e está investigando o caso.

SE VOCÊ ESTIVESSE pesquisando preços para comprar uma televisão que custa por volta de R$ 2 mil, diria o quê a quem te propusesse alugar o mesmo aparelho por seis meses por mais de R$ 4 mil? O atual comandante do 6º Batalhão de Engenharia e Construção do Exército, o 6º BEC, em Roraima, coronel Carlos Evando dos Santos, provavelmente acharia um ótimo negócio – se pago com dinheiro público, claro.

Ele e o tenente-coronel Júlio André Damasceno dos Santos são os responsáveis por um contrato pelo qual o Exército alugou cerca de 5 mil itens como armários, mesas, colchões, geladeiras, tomadas, lâmpadas e computadores pelo dobro do valor que gastaria para comprar todos eles. Trata-se de mobiliário e equipamentos para o hospital de campanha de Boa Vista, capital do estado, montado pela operação Acolhida para atender venezuelanos e brasileiros durante a pandemia de covid-19.

Quem detectou o mau negócio foi o Tribunal de Contas da União, o TCU, em processo aberto em setembro de 2020. Cópia da investigação foi enviada para a CPI da Covid no Senado, mas passou despercebida e permanecia intocada entre os terabytes de documentos recolhidos pela investigação. É mais um contrato mal explicado firmado por autoridades federais durante a pandemia – e mais um motivo para que o Exército seja chamado a se explicar por sua responsabilidade na pandemia, algo que a própria CPI procura evitar.

O negócio cercado de suspeitas foi firmado com a Ágora Produções, de Brasília, para a “locação de mobiliário hospitalar e administrativo”. A empresa recebeu uma solicitação de orçamento do 6º BEC para fornecer os itens e realizar sua manutenção por seis meses. Após esse período, tudo seria doado definitivamente à unidade militar. O contrato foi assinado em agosto de 2020 e fechado com dispensa de licitação, graças à lei de fevereiro daquele ano que facilitou processos de contratação durante a pandemia. Por ele, o Exército pagou mais de R$ 3 milhões. Mas o TCU descobriu que seria possível comprar os mesmos produtos por cerca de R$ 1,6 milhão, ou seja, pagando 46% menos.

Damasceno era o comandante do Destacamento de Engenharia da operação Acolhida e assinou, em junho de 2020, o projeto básico que deu origem ao processo de contratação da Ágora Produções. Também foi ele quem garantiu que os preços apresentados pela empresa eram “compatíveis com [o] mercado e no âmbito da administração pública”. Atualmente, ele trabalha em Pernambuco.

Já o então tenente-coronel Carlos Evando foi o ordenador da despesa – isto é, quem mandou pagar – e assinou o contrato suspeito. Mesmo com o TCU já investigando o caso, ele foi promovido pelo Exército a coronel, o que lhe valeu um aumento salarial e, desde janeiro passado, passou a comandar o 6º BEC.

A possível irregularidade foi notada pela Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas do TCU, que acompanha os contratos publicados no Diário Oficial da União, principalmente os relacionados ao enfrentamento da covid-19, para os quais as exigências se tornaram menos rigorosas devido à emergência sanitária. Em 28 de agosto, apenas uma semana após a assinatura do contrato entre o 6º BEC e a Ágora Produções, o TCU enviou um e-mail para o Centro de Controle Interno do Exército solicitando todos os documentos do processo envolvendo a escolha da empresa. Eu li os documentos, além de vários relatórios de auditores do TCU, todos em poder da CPI.

O caso ainda está em andamento e – aí é que está o problema – terá como relator o ministro Jorge Oliveira. Policial militar da reserva e amigo do presidente Jair Bolsonaro desde 2013, ele era secretário-geral da Presidência da República até ganhar do chefe o cargo vitalício no TCU. Por isso, a investigação pode dar em coisa nenhuma, mas não por falta de motivos. Outra ministra do TCU, Ana Arraes, já havia identificado “risco de irregularidades” no contrato num outro relatório, de setembro de 2020, e alertou que o caso merecia atuação imediata do tribunal.

“Os valores de diversos itens do contrato, ao final dos seis meses, mostraram-se muito superiores aos valores de aquisição desses itens no mercado. A manutenção e eventual reposição de alguns itens durante o período de locação não justificariam pagar preços tão elevados”, escreveu a ministra em seu despacho. Se o Exército tinha a intenção adquirir os bens, “utilizar-se da modalidade de locação temporária acabou por se mostrar alternativa antieconômica”. Arraes deixou a relatoria do caso ao assumir a presidência do Tribunal, e todos os processos do gabinete dela foram encaminhados ao de Oliveira.

Relatórios de diferentes auditores – os profissionais concursados e especializados em contas públicas – que compõem o processo dão fartos exemplos de itens com preço exagerado. Os 18 carrinhos de madeira com gavetas e rodas, usados para transportar medicamentos dentro do hospital, por exemplo, custaram 373% mais caro por terem sido alugados a R$ 22 mil mensais. Após os seis meses, o 6º BEC teria que pagar aproximadamente R$ 133 mil. No comércio varejista, apontou o auditor Rafael Faria Braga em um parecer de outubro de 2020, a mesma quantidade de carrinhos poderia ser comprada por apenas R$ 28 mil.

Somente com instalações de pontos de energia, a Ágora Produções receberia mais de R$ 500 mil, mas os materiais que constam no contrato não são comuns em instalações como tendas, que é o caso dos hospitais de campanha. “O órgão realizou a contratação sem qualquer parâmetro objetivo”, chamou a atenção o auditor Braga.

Em sua defesa, o hoje coronel Carlos Evando informou ao TCU que o contrato com a Ágora Produções foi rescindido em dezembro de 2020, dois meses antes do previsto “devido ao encerramento das atividades da Área de Proteção e Cuidados”. Curiosamente, a rescisão se deu logo após o TCU identificar Carlos Evando e o tenente-coronel Damasceno como os principais responsáveis pelo negócio suspeito.

Com isso, em vez dos R$ 3 milhões que pagaria caso o contrato fosse executado conforme o previsto, o Exército entregou à Ágora quase R$ 1,5 milhão por quatro meses de aluguel do mobiliário. O que o tenente-coronel Carlos Evando tentou apresentar como uma economia, contudo, é mais um indício de que o negócio de fato precisa ser investigado.

Cartas marcadas

Encontrei ainda indícios de combinação de preço em benefício da Ágora Produções, algo que não foi mencionado nos relatórios do TCU. Há uma coincidência de datas em decisões que envolvem o processo de contratação. A Ágora foi a última das quatro concorrentes a entregar o orçamento para o Exército, em 10 de junho de 2020. As demais, duas delas de Roraima e uma do Amazonas, enviaram suas propostas entre os dias 28 de maio e 1º de junho. A Ágora venceu com uma proposta apenas R$ 620 mais barata que a da Mais Opções, de Manaus, a penúltima a entregar o orçamento.

No mesmo dia em que a Ágora entregou a sua proposta de preço, a chefia da 4ª seção do 6º BEC pediu ao ordenador de despesas, o tenente-coronel Carlos Evando, que autorizasse o início do procedimento para contratação de empresa com dispensa de licitação. A resposta foi imediata, com a abertura do processo administrativo na mesma data.

Há ainda outra coincidência que o auditor Luiz Rodrigo Airosa Castro considerou “oportuno citar” em seu parecer de setembro de 2020: Wanderson Pereira Tavares Gomes, um dos sócios da Ágora Produções, e Marco Rodrigo Giordani, proprietário de uma das concorrentes da empresa na disputa pelo contrato com o Exército, possuem sociedade em outro negócio. A questão que o auditor deixa nas entrelinhas é se a disputa entre orçamentos requisitados informalmente foi mero jogo de cena.

Há outros indícios de que pode ter sido. No mesmo 10 de junho em que a Ágora entregou sua proposta, o tenente-coronel Damasceno, então comandante do Destacamento de Engenharia da operação Acolhida, apresentou o projeto básico para “contratação emergencial de locação de mobiliário hospitalar e administrativo para ser aplicado na Área de Proteção e Cuidados”, espaço em que foi montado o hospital de campanha. Nesse projeto constava a relação dos itens a serem alugados e os respectivos valores. A lista que Damasceno apresentou era a proposta que a Ágora Produções havia entregue naquele mesmo dia. Ainda que não seja, em si, uma irregularidade, é curioso que o Exército tenha achado razoável deixar de fazer uma pesquisa de preços por conta própria.

Essa, inclusive, foi a orientação da advogada da União Maria Francelina de Sousa no parecer entregue em 7 de julho de 2020 em que analisava o processo de contratação pela modalidade dispensa de licitação. Ela sugeriu que o 6º BEC explicasse a metodologia usada para fazer o orçamento e que justificasse por que não utilizou o Painel de Preços – o site do governo federal usado como referência para compras públicas.

A resposta do tenente-coronel Carlos Evando veio em uma semana, no dia 15 de julho. Ele respondeu que a pesquisa de preço havia sido feita junto aos fornecedores, que receberam pedidos para enviar orçamentos. Quase um mês depois, em 12 de agosto, o militar assinou outro documento que tentava explicar internamente a dispensa de licitação. Entre as justificativas está a “alta especificidade do objeto” do contrato – que, como já vimos, era composto por itens corriqueiros como colchões, mesas, cadeiras e armários em MDF.

Todo esse esforço para explicar o negócio foi necessário antes mesmo da assinatura do contrato e da abertura do processo do TCU. A assessoria jurídica do 2º Grupamento de Engenharia, que fica em Manaus e ao qual o 6º BEC é subordinado, já havia alertado em 20 de julho que a coisa estava mal explicada. O tenente-coronel Marcos da Silva Castro, chefe da assessoria jurídica, citou o exemplo da televisão que custava cerca de R$ 2 mil no mercado, mas cujo aluguel por seis meses sairia a R$ 4.746,24. “Não cabe apenas o argumento de que na possibilidade de quebra, o referido item será substituído imediatamente, pois trata-se de um aparelho novo”.

O assessor jurídico antecipava o que seria questionado pelos auditores do TCU dois meses depois. Ele chegou até mesmo a aventar o que seria um motivo razoável para a decisão dos colegas de farda: “As oscilações da área de Boa Vista, público e notório, costumam queimar aparelhos elétricos [e] eletrônicos”. O contrato com Ágora Produções foi definitivamente assinado em 21 de agosto.

A colher de chá da assessoria jurídica do Exército: a justificativa sugerida acabou usada pelo coronel Carlos Evando dos Santos junto ao TCU.

De fato, as “notórias” oscilações de energia em Boa Vista foram usadas pelo então tenente-coronel Carlos Evando em sua justificativa ao TCU. O atual comandante do 6º BEC alegou que, em um único dia, dois computadores queimaram devido a uma sobrecarga no sistema elétrico. Os aparelhos, argumentou o militar, em defesa da locação, foram trocados no mesmo dia pela empresa.

Mas ele não convenceu o auditor Braga, que lembrou ao tenente-coronel a existência de equipamentos como estabilizadores de voltagem. “Não se pode alegar que oscilações na energia elétrica são comuns na região para justificar a aquisição de um bem por valor superior a duas vezes seu custo de mercado”, disse o servidor do TCU em um parecer de outubro de 2020.

A Ágora também apresentou defesa ao TCU em dezembro passado. Alegou que era a “única empresa apta, financeiramente e comercialmente, a fornecer os mobiliários em um prazo tão exíguo e em local tão remoto”. Por isso, mesmo admitindo que os preços eram “manifestadamente superiores aos praticados no mercado”, a proposta apresentada era vantajosa “dado ao atendimento imediato”.

Além disso, a justificativa se choca com a curiosa maneira como o Exército conduziu o negócio. Em vez de publicar um edital convocando interessados a apresentarem orçamentos, o tenente-coronel Carlos Evando simplesmente escolheu quem ele julgou que deveria disputar o contrato, enviando solicitação de orçamentos diretamente do 6º BEC.

A dispensa de licitação já favoreceu a Ágora Produções em outras oportunidades. De acordo com o Portal da Transparência do governo federal, a empresa assinou 13 contratos com o 6º BEC relacionados à operação Acolhida. Em seis deles, que somam R$ 29,5 milhões, foi selecionada sem precisar disputar uma concorrência pública. Mesmo com tantos contratos milionários, a empresa sequer possui um site, nem é facilmente localizada pela internet. O número de telefone que consta na Receita Federal não existe mais, e o que encontrei na internet é de uma consultoria de contabilidade.

Enviei perguntas sobre o negócio que é objeto desta reportagem ao Exército e aos advogados da Ágora Produções e não tive resposta. Reencaminhei os e-mails e avisei por telefone a assessoria do 6º BEC e a advogada da empresa a respeito. Mesmo assim, ninguém se deu ao trabalho de responder.

‘Condições severas de utilização’

Os tenentes-coronéis Carlos Evando e Damasceno têm se esforçado para tentar justificar o contrato que fecharam. Em relatório datado de setembro de 2020, o auditor Luiz Rodrigo Airosa Castro falou sobre a improvável chance de que todos os itens do contrato precisassem ser substituídos ou consertados em um intervalo de seis meses. Um dos exemplos que ele citou foi o dos colchões. O aluguel de cada um custou cerca de R$ 200 mensais, o que daria R$ 1.234,26 ao longo de seis meses. No Painel de Preços, mostra o auditor, um colchão com as mesmas características custava R$ 218,19 – e tem até cinco anos de vida útil.

Sem ter mais o que argumentar, o coronel Carlos Evando, agora já assinando como comandante do 6º BEC, disse em um documento de maio de 2021 que foram necessários “reparos nos acabamentos dos colchões ou substituição de peças das camas devido aos movimentos bruscos” feitos pelas equipes de plantão porque os “pacientes tinham parada cardíaca e precisavam ser reanimados”.

Sobre as manutenções nos armários, o militar disse que as equipes médicas trabalhavam sob pressão e, por isso, “no stress do plantão, perdiam as chaves”, fazendo com que os miolos das fechaduras tivessem que ser substituídos. Sobre vários outros itens como bandejas, cadeiras ou contêineres para roupas e coleta de lixo, o coronel alegou que nenhum deles seguiu intacto devido às “condições severas de utilização, somado ao ambiente tenso de um hospital onde quase diariamente algum paciente veio a óbito”.

O problema é que não há provas dessas demandas tão constantes por manutenções ou trocas de equipamentos. A empresa mostrou ao TCU apenas prints de pedidos esporádicos feitos por WhatsApp. De acordo com o próprio contrato, as solicitações de reparos tinham que ser formalizadas por e-mail. Mais uma vez, os militares apelaram para o “clima de tensão” devido ao intenso fluxo de atendimento na Área de Proteção e Cuidados da Operação Acolhida, que exigiu que “os procedimentos fossem se ajustando ao longo do tempo de forma a promover o resultado esperado com a máxima eficiência possível”.‘No mínimo essa análise comparativa entre o custo da aquisição e o custo da locação deveria ter sido empreendida’.

Mas eficiência não é a palavra certa para descrever o negócio dos tenentes-coronéis. No documento enviado ao TCU em maio de 2021, Carlos Evando insiste em defender que o contrato de aluguel, embora custasse quase o dobro, era mais vantajoso porque dispensaria a necessidade de mão de obra para instalar, montar e fazer a manutenção dos equipamentos. “Receber mais de cinco mil itens de fornecedores diversos seria uma tarefa inviável para um Batalhão de Engenharia de Construção”.

O militar também afirma que não saberia o que fazer com todo esse material após seis meses, caso o tivesse comprado. Por seu caráter temporário, diz o militar, a “Operação Acolhida sempre opta por locação, para reduzir investimento com material permanente” – a missão em Roraima iniciou-se em 2018 e não há previsão de encerramento. Mesmo assim, para Carlos Evando, o Exército corria o risco de “ser acusado por ter deixado patrimônio público sendo deteriorado pelo tempo sem utilização”. Essa é mais uma explicação que não convence. Segundo o contrato, todos os itens seriam doados ao 6º BEC. De todo modo, o órgão ficou com a responsabilidade de dar uma destinação correta ao material.

A ideia de fazer a doação, aliás, foi da própria Ágora Produções. Pelo menos foi o que o militar disse ao TCU.  Isso porque, ele alegou, devolver todos os itens traria custos extras com desmontagem e transporte de retorno, o que “encareceria ainda mais o contrato e necessitaria estar embutido no preço final da locação”.

O argumento de Carlos Evando só reforça a tese dos auditores do TCU – comprar os itens, em vez de alugar, era a decisão mais inteligente e responsável. “Não conseguimos vislumbrar a vantajosidade da solução adotada”, disse o auditor Márcio Motta Lima da Cruz, em um parecer de março de 2021, que nomeou Damasceno e Carlos Evando como possíveis responsáveis por desperdiçar R$ 1,3 milhão em dinheiro público. “No mínimo essa análise comparativa entre o custo da aquisição e o custo da locação deveria ter sido empreendida”.

Fonte: The Intercept Brasil

Nova pesquisa é destruidora para Bolsonaro, até entre evangélicos

Reprovação do presidente aumentou em regiões que eram seus redutos

A quarta rodada da pesquisa Genial/Quaest é uma marretada em Jair Bolsonaro. A reprovação do presidente aumentou em quase todas as regiões brasileiras. Quando não cresceu, se manteve.

No Sul, reduto dele nas últimas eleições, a reprovação subiu 10 pontos. No Norte, subiu 18 pontos e no Centro-oeste, 13 pontos. By the way, esse também era um reduto bolsonarista.

No Nordeste, ficou estável em 61% a reprovação. Mas, no Sudeste, a reprovação subiu 4 pontos, indo para 51%.

As notícias ruins para Bolsonaro na pesquisa não param por aí. Entre os brasileiros com mais de 60 anos, outro grupo no qual ele teve bom desempenho nas eleições de 2018, a reprovação subiu 10 pontos.

Entre os evangélicos, talvez sua base de apoio mais fiel, o presidente conseguiu ver o número de pessoas que o reprovam subir de 35% para 42% – ou seja, um aumento de 7 pontos.

Tá bom ou quer mais?

Fonte: Veja

Argentina congela preços de produtos básicos de consumo por 90 dias

Segundo o governo argentino, cerca de 1.247 itens estarão na lista dos produtos que irão manter valores até janeiro de 2022

O secretário de Comércio da Argentina, Roberto Feletti, anunciou que o governo impôs nesta quarta-feira (13/10) um congelamento nos preços de 1.247 itens básicos de alimentação e higiene por 90 dias no país.

Segundo Feletti, o acordo foi realizado com as principais empresas do ramo de produtos básicos e redes de supermercados para manter os mesmos valores de 1º de outubro até janeiro de 2022, para “continuar trabalhando para gerar um cenário de previsibilidade até o final do ano, estimular o mercado interno e preservar o salário dos argentinos”. 

O governo pediu que as empresas participantes enviem uma lista com os produtos que manterão os preços congelados para, em seguida, ser publicada de forma que os argentinos tomem conhecimento. 

Feletti disse ainda que o Ministério do Comércio Interno pretende ajustar a “política de receitas do governo com a política de preços”. “O indicador que vamos usar para definir essa situação tem a ver com a correlação do impacto da cesta básica sobre o salário do trabalhador formal”, disse.

De acordo com o secretário, é necessário “parar a bola” para que os preços não “continuem a reduzir os salários”, acrescentando ser preciso um trabalho conjunto “para que os argentinos possam comemorar as festas em família”, depois de um ano em que não foi possível “cumprir a tradição”.

Com o congelamento, a intenção do governo é controlar a taxa de inflação argentina. Feletti explicou que, quando iniciou a gestão Alberto Fernández, a cesta básica de alimentos custava 9% do salário. Na última medição da Argentina, alcançou 11%. 

Para ele, isso indica que, “apesar de haver parcerias”, isso “não foi o suficiente para compensar o preço dos alimentos no poder de compra do salário”.

(*) Com Télam.

Fonte: Opera Mundi

Garimpo ilegal provoca a morte de duas crianças Yanomami

Crianças Yanomami são sugadas e mortas por draga de garimpo, em Roraima

Os constantes abusos do garimpo ilegal contra os povos indígenas no Brasil resultaram na morte de duas crianças da comunidade Makuxi Yano, região do Parima, que fica em Terra Indígena Yanomami, em Roraima. No Dia das Crianças, uma draga sugou dois meninos de 7 e 5 anos que estavam brincando perto da barca utilizada por garimpeiros. Uma criança ainda permanece desaparecida.

A Hutukara Associação Yanomami (HAY) emitiu uma nota sobre o desaparecimento das duas crianças logo após lideranças indígenas da comunidade entrarem em contato.

Os dois meninos foram sugados pelo equipamento, que faz retirada de minérios na região do rio Uraricuera, no município de Alto Alegre. Depois, elas foram cuspidas para o meio do rio e levada pelas correntezas. O corpo de Bombeiros está na região para ajudar na busca pelos corpos.

Conforme o vice-presidente da HAY, Dario Kopenawa Yanomami, os garimpeiros exploram a região há quase seis anos e os equipamentos ficam a 300 metros da comunidade.

“A situação é grave. A draga é um problema sério na Terra Indígena Yanomami, há quase seis anos. Estamos muito tristes e revoltados com os futuros guerreiros que foram mortos”, lamenta Dario.

Para a Secretária Nacional de Movimentos Populares do PT, Lucinha Barbosa, a morte das duas crianças é inaceitável.

“Uma notícia estarrecedora e cruel. Não podemos banalizar o aumento da violência contra os povos indígenas. O garimpo ilegal está matando, roubando e causando destruição impunemente. Nós exigimos a responsabilização dos culpados”.

Invasão

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) se manifestou em relação à morte das duas crianças e ressaltou que o ocorrido é mais um triste resultado a presença do garimpo na Terra Yanomami, que segue invadida por 20 mil garimpeiros.

Conforme a APIB, até setembro de 2021, a área de floresta destruída pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami superou a marca de 3 mil hectares – um aumento de 44% em relação a dezembro de 2020. Somente na região do Parima, onde está localizada a comunidade de Macuxi Yano e uma das mais afetadas pela atividade ilegal, foi atingido um total de 118,96 hectares de floresta degradada, um aumento de 53% sobre dezembro de 2020.

Além das regiões já altamente impactadas, como Waikás, Aracaçá, e Kayanau, o garimpo avança sobre novas regiões: em Xitei e Homoxi, a atividade teve um aumento de 1000% entre dezembro e setembro de 2021.

O Fórum de Lideranças da Terra Indígena Yanomami se reuniu em setembro para trazer a voz da floresta, e já dissemos: o aumento da atividade garimpeira ilegal na Terra Indígena Yanomami está se refletindo em mais insegurança, violência, doenças, e morte para os Yanomami e Ye’kwana. As autoridades brasileiras precisam continuar atuando para proteger a Terra-Floresta, e impedir que o garimpo ilegal continue ameaçando nossas vidas”.

Genocídio

O projeto de extermínio étnico do desgoverno Bolsonaro trouxe inúmeras perdas para os povos indígenas. Ainda em promessa de campanha, o presidente sempre deixou claro que a mineração em terras indígenas está em sua “lista de desejos”.

Em maio deste ano, garimpeiros atiraram contra indígenas na região Palimiú, que fica em uma comunidade indígena Yanomami, em Roraima. O que comprova a crescente violência, invasão de terras e o garimpo ilegal como uma política de Estado contra os povos indígenas.

Em junho, oito garimpeiros armados e encapuzados invadiram a Estação Ecológica de Maracá (RO), que dá acesso à terra indígena Yanomami, e fizeram três brigadistas reféns .

Durante o ataque, os invasores ameaçaram matar quem fosse fiscal do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e roubaram os equipamentos utilizados pelos analistas ambientais.

Não satisfeito, em sua linha de falácias incoerentes, Bolsonaro defendeu a demarcação de terras indígenas em seu discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ela acredita que acabar com os direitos dos povos originários e aprovar o Marco Temporal é o caminho para garantir o alimento no prato de brasileiros e, inclusive, estrangeiros.

ONU pede proteção

Em setembro, em Genebra, a alta-comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, denunciou os abusos contra os povos indígenas no Brasil e pediu proteção aos Yanomamis e Mundukurus, ameaçados pelo avanço do garimpo na Amazônia.

Bachelet também criticou os projetos do Congresso Nacional que visam enfraquecer os direitos indígenas. As declarações foram feitas durante uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, no início desta semana. A ex-presidente chilena ainda pediu ao governo brasileiro para não sair da Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Fonte: PT

Dr. Valmir propõe comissão de inquérito para investigar crime ambiental da Braskem

Ocorreu hoje, 15, uma audiência popular na Câmara de Vereadores de Maceió para discutir o maior crime ambiental da história do Brasil, provocado pela ação mineradora da Braskem em Maceió. A presença da mineradora era aguardada com muita expectativa pelos moradores dos bairros atingidos, mas a empresa não compareceu e nem justificou a ausência.

Para o vereador Dr. Valmir a Braskem “fugiu do debate e foi desrespeitosa com a população e Câmara Municipal”. O vereador está propondo a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar as ações da mineradora na tragédia que devastou vários bairros e atingiu mais de 60 mil pessoas.

A proposta de uma Comissão Especial de Inquérito foi bem recebida pelo movimento dos moradores e as assinaturas para solicitar a instalação da CEI devem ser recolhidas até a próxima terça-feira, conforme informou a assessoria do vereador Dr. Valmir.

Antonieta de Barros, a parlamentar negra que criou o Dia do Professor

Antonieta de Barros está entre as três primeiras mulheres eleitas no Brasil. A única negra. Foi eleita em 1934 deputada estadual por Santa Catarina, menos de meio século após a abolição da escravatura.

Nasceu em Desterro, como era chamada Florianópolis, no dia 11 de julho de 1901. No registro de batismo não aparece o nome do pai. A mãe era Catarina Waltrich, escrava liberta.

Tinha como bandeira política o poder revolucionário e libertador da educação para todos. O analfabetismo em Santa Catarina, em 1922, época que começou a lecionar, era de 65%. Isso que o Estado, sobretudo pela presença alemã, aparecia com um dos índices mais altos de escolarização do país, seguidos por São Paulo.

A primeira grande lei educacional do Brasil foi sancionada por dom Pedro I em 15 de outubro em 1827, um marco para a educação brasileira. A data era comemorada informalmente, mas foi um projeto de Antonieta a lei que criou o Dia do Professor e o feriado escolar nessa data (Lei Nº 145, de 12 de outubro de 1948), em Santa Catarina. A data seria oficializada no país inteiro somente 20 anos depois, em outubro de 1963, pelo presidente da República, João Goulart.

Fonte: Ceará Criolo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAIS LIDAS