Rebelião popular na Bolívia

A imposição de uma agenda de choque ultraliberal reacende a histórica tradição de auto-organização popular boliviana, desafiando os limites da política institucional na América Latina

Por EVERALDO DE OLIVEIRA ANDRADE (professor do Departamento de História da USP. Autor, entre outros livros, de Bolívia: democracia e revolução. A Comuna de La Paz de 1971 [Alameda])

1.

A Bolívia volta a ocupar o centro da cena política latino-americana. Greves, bloqueios de estradas, marchas populares e assembleias de base atravessam o país em uma nova onda de mobilizações sociais contra o governo de Rodrigo Paz. Mais do que uma explosão conjuntural de descontentamento econômico, a crise atual revela contradições acumuladas ao longo de duas décadas e recoloca em movimento uma das mais profundas tradições de luta popular do continente.

A eleição de Rodrigo Paz ocorreu em meio ao desgaste político do bloco construído em torno de Evo Morales e do Movimiento al Socialismo desde 2006. Durante quase vinte anos, o MAS foi capaz de derrotar eleitoralmente as agendas neoliberais tradicionais, ampliar direitos sociais, fortalecer a presença estatal sobre recursos naturais estratégicos e criar empresas públicas fundamentais para a economia do país.

Ao mesmo tempo, porém, o projeto político do MAS buscou permanentemente uma estratégia de conciliação com setores empresariais e do agronegócio boliviano. A nova Constituição de 2009, apesar de incorporar importantes demandas indígenas e populares, já expressava os limites desse pacto. As políticas neodesenvolvimentistas implementadas nos anos seguintes permitiram crescimento econômico e certa estabilidade social, mas mantiveram forte dependência da exportação de commodities, especialmente do gás natural.

A crise internacional de 2008 atingiu duramente essa base econômica. O projeto de diversificação produtiva não chegou a produzir efeitos estruturais duradouros, e os limites do modelo tornaram-se cada vez mais evidentes. Paralelamente, medidas de ajuste implementadas ainda sob os governos do MAS, sobretudo durante a gestão econômica de Luís Arce, aprofundaram o desgaste junto a setores populares urbanos e camponeses.

Foi nesse cenário de fragmentação política e insatisfação social que Rodrigo Paz construiu sua vitória eleitoral, apresentando-se como alternativa de renovação política. Mas o novo governo rapidamente abandonou qualquer ambiguidade. Seu alinhamento com o programa liberal continental e com a extrema direita latino-americana tornou-se imediato.

2.

O decreto 5503 inaugurou um conjunto de medidas de choque contra a economia popular. Em seguida, o governo aderiu ao projeto “Escudo das Américas”, impulsionado pelos Estados Unidos, aprofundou cortes nos subsídios aos combustíveis e promoveu a chamada Lei 1720, que facilitava a concentração fundiária e ameaçava diretamente as terras comunitárias indígenas e camponesas ao permitir sua financeirização. A forte reação popular obrigou o governo a recuar parcialmente e revogar a legislação.

Ainda assim, a deterioração das condições de vida continuou avançando. Inflação, desemprego, queda do poder de compra e aumento do custo dos combustíveis produziram um cenário explosivo. O estopim veio em 1º de maio, quando o governo se recusou a conceder reajuste salarial. A partir daí, multiplicaram-se as mobilizações em todo o país.

Trabalhadores urbanos, camponeses, organizações indígenas, transportistas e sindicatos passaram a organizar marchas, paralisações e bloqueios de estradas. A Central Obrera Boliviana apresentou uma pauta unificada de 22 pontos em defesa dos salários, contra privatizações e medidas liberais, incorporando também a exigência de renúncia do presidente.

A dimensão continental da crise boliviana é evidente. Rodrigo Paz converteu-se rapidamente em aliado estratégico do projeto hemisférico impulsionado por Donald Trump e pela extrema direita latino-americana. A integração da Bolívia ao “Escudo das Américas” não possui apenas dimensão militar ou diplomática: trata-se da tentativa de enquadrar recursos estratégicos do país – gás, lítio, terras raras e territórios agrícolas – aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e das grandes corporações multinacionais.

As elites bolivianas historicamente mantiveram profunda dependência econômica e política em relação ao capital internacional. Os grandes proprietários do agronegócio em Santa Cruz e grupos financeiros urbanos acreditavam que a vitória eleitoral de Paz permitiria desmontar rapidamente as conquistas sociais e os mecanismos de organização popular construídos desde as jornadas insurrecionais da Guerra da Água e da Guerra do Gás, no início dos anos 2000.

Mas a atual rebelião demonstra justamente o contrário. A tradição de luta popular boliviana permanece viva. Os bloqueios e assembleias populares reaparecem como instrumentos centrais de resistência e auto-organização.

Os chamados comitês de bloqueio surgidos em regiões como El Alto, Senkata, Ventilla e Puente Vela possuem enorme significado político. Esses espaços articulam trabalhadores urbanos, camponeses, povos indígenas e setores populares em formas de deliberação coletiva e coordenação territorial profundamente enraizadas na história boliviana.

Não se trata apenas de instrumentos táticos de mobilização. Sua emergência revela a permanência de tradições de democracia direta e organização comunitária que remontam à Revolução de 1952, à Comuna de La Paz de 1971 e às grandes jornadas populares do início do século XXI.

3.

Esses organismos expressam uma crítica prática à burocratização de parte da Central Obrera Boliviana e de importantes sindicatos históricos. A pressão das bases e o desenvolvimento de formas autônomas de organização impulsionam uma possível recomposição do caráter combativo do movimento operário boliviano.

A própria pauta de 22 pontos da COB demonstra esse movimento ao conectar reivindicações econômicas imediatas – salários, subsídios, defesa dos serviços públicos – com uma luta política aberta contra o governo.

A experiência boliviana recoloca no centro da discussão latino-americana uma questão decisiva: os limites das estratégias exclusivamente institucionais diante do avanço da extrema direita. As eleições seguem sendo terreno importante de disputa, mas encontram-se cada vez mais condicionadas pelo poder econômico, pelo controle das plataformas digitais e pela intervenção geopolítica das grandes potências.

A vitória de Rodrigo Paz capturou momentaneamente a crise do bloco popular organizado em torno do MAS, mas não eliminou as transformações sociais e políticas produzidas desde 2006. O próprio MAS carrega limites profundos em seu modelo econômico e em suas práticas políticas, porém consolidou-se historicamente como principal instrumento de oposição às agendas neoliberais da direita boliviana.

O grande erro do novo governo foi imaginar que sua vitória eleitoral representava autorização irrestrita para aplicar um programa ultraliberal de choque. A resposta popular recoloca em cena a memória das jornadas de 2003, que derrubaram Gonzalo Sánchez de Lozada após as guerras da água e do gás e abriram caminho para a ascensão de Evo Morales.

Para o Brasil e para toda a América Latina, a rebelião boliviana traz uma lição política central: a resistência às agendas ultraliberais e autoritárias depende da capacidade de organização da classe trabalhadora, da unidade entre sindicatos, movimentos populares e coletivos territoriais, e da construção de formas concretas de poder social enraizadas nas necessidades das maiorias exploradas e oprimidas.

Fonte: O Trabalho

Câmara aprova PEC da imunidade tributária às igrejas que pode favorecer crimes e lavagem de dinheiro

Segundo especialistas, a PEC que permite a imunidade tributária para bens e serviços poderá, inclusive, ser utilizada indevidamente por organizações criadas apenas para obter benefícios fiscais.

E pior, segundo o deputado federal Pedro Uczai, a PEC pode abrir espaço para práticas ilegais e favorecer esquemas de lavagem de dinheiro por meio de instituições religiosas. “O texto abre possibilidade para diferentes empresas utilizarem denominações religiosas para esconder abusos, crimes e lavagem de dinheiro”, afirmou.

A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos nesta quinta-feira (28) a PEC 5/2023, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) e relatoria de Dr. Fernando Máximo (PL-RO), que amplia a imunidade tributária para a aquisição de bens e serviços por igrejas e demais templos religiosos.

A matéria recebeu orientação favorável do PL e do bloco União-PSD-MDB-PP-PSDB-Podemos-Republicanos; e contrária da federação PT-PCdoB-PV e da federação Psol-Rede, com liberação das demais bancadas. No primeiro turno, a PEC recebeu 385 votos favoráveis e 93 contrários. No segundo, foram 368 a 96.

A sessão foi presidida pelo presidente da Frente Parlamentar Evangélica, Gilberto Nascimento (Podemos-SP). O texto segue ao Senado.

Fonte: Redação com Brasil 247 e Congresso em Foco

Lula: “privatização da Eletrobras foi o maior roubo da história do Brasil”

Em Manaus, presidente critica venda da Eletrobras e anuncia investimentos da Petrobras e da Transpetro no Amazonas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (27), em Manaus, que a privatização da Eletrobras foi “o maior roubo da história desse país”. A declaração ocorreu em discurso durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras e da Transpetro no Amazonas, em evento no Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia.

Lula defendeu que empresas públicas estratégicas, como a Petrobras, devem atuar de acordo com os interesses do Brasil. Segundo o presidente, a estatal não pode avaliar seus projetos apenas pela lógica empresarial, mas também pela capacidade de gerar empregos, desenvolver tecnologia e formar profissionais no país.

“A Petrobras não tem que pensar só na Petrobras enquanto empresa. A Petrobras tem que pensar no Brasil. O Brasil é dono dela, não é ela que é dona do Brasil. Não é o que a Petrobras precisa; é o que o Brasil precisa”, afirmou Lula.

O presidente citou a construção de barcaças no Amazonas como exemplo de investimento que pode fortalecer a indústria nacional. Para ele, importar equipamentos que o Brasil tem condições de produzir significaria abrir mão de empregos e conhecimento tecnológico.

“Se a gente não fizer as barcaças aqui, a gente não gera emprego, não gera conhecimento tecnológico, não forma bons profissionais”, disse. “Não tem por que a gente importar. O minério de ferro é nosso, a siderúrgica é nossa, o estaleiro é nosso, a Petrobras é nossa. Por que a gente tem que comprar dos outros?”.

Lula também recuperou a história da criação da Petrobras, em 1953, e afirmou que setores da elite brasileira se opunham à formação da estatal porque defendiam a continuidade da importação de petróleo dos Estados Unidos. O presidente mencionou ainda tentativas anteriores de venda da empresa e a proposta de mudança de nome para Petrobrax.

Ao criticar privatizações realizadas no setor energético e de combustíveis, Lula citou a venda da BR Distribuidora e questionou os resultados da operação para o país. “Alguém pode me explicar o que o Brasil ganhou quando privatizaram a BR?”, afirmou.

Na sequência, o presidente direcionou a crítica à privatização da Eletrobras. “Eu vou dizer para vocês o que é a privatização: a privatização que eles estão fazendo, como fizeram com a Eletrobras, foi o maior roubo da história desse país a privatização da Eletrobras”, declarou.

Lula afirmou que a Eletrobras era a maior empresa de energia do país e criticou a diferença entre a remuneração da presidência da companhia antes e depois da privatização. “A maior empresa de energia que a gente tinha foi vendida na bacia das almas e o salário do presidente da Eletrobras quando era do governo era de R$ 60 mil por mês. Hoje é de R$ 360 mil a R$ 500 mil. Cadê a moralização?”, questionou.

O evento em Manaus marcou o anúncio de um pacote de investimentos da Petrobras no Amazonas, estimado em R$ 2,8 bilhões até 2030. Os recursos envolvem a retomada da expansão da produção de gás natural no Polo Urucu, em Coari, e a renovação da frota logística da Transpetro.

A programação prevê a construção de 18 barcaças no estado. O investimento total previsto para o Amazonas supera R$ 2,8 bilhões ao longo dos próximos cinco anos, segundo o anúncio feito na cerimônia, que contou com a presença da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.

Fonte: Brasil 247

Em vitória do governo Lula, Câmara aprova PEC do fim da escala 6×1 em dois turnos

Proposta foi aprovada por 472 votos a favor e 22 contrários no 1º turno e 461 a 19 no 2º turno

A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos, nesta quarta-feira (27/5), o texto-base da proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1. Foram 472 votos a favor e 22 contrários no primeiro turno e 461 a 19 no segundo.

O texto determina que a jornada de trabalho de 44 horas semanais seja reduzida para 42 horas a partir de 60 dias após a promulgação. Em 14 meses, a carga deverá ser reduzida para 40 horas semanais.

Quanto aos dias da escala, será reduzida para cinco dias de trabalho para dois de folga, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Apesar de toda manobra para evitar a votação a bancada bolsonarista foi esmagada e a ampla maioria dos deputados seguiram a vontade das ruas, acabando com a famigerada escala 6×1.

Redação com Metrópoles

Estado genocida de Israel ataca novamente o sul do Líbano, apesar de cessar-fogo

Ondas de ataques israelenses atingiram o sul do Líbano nesta quinta-feira (28/05), tendo como alvo infraestrutura do grupo Hezbollah, segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI).

Vídeos em Tiro, uma das maiores cidades do Líbano, mostram multidões de pessoas cobertas de poeira reunidas em torno de prédios desmoronados.

Na quarta-feira, as FDI instaram os moradores a se deslocarem para o norte do Rio Zahrani, a cerca de 40 km da fronteira israelense, afirmando que atuariam “com força extrema”.

Tanto Israel quanto o Hezbollah — o poderoso grupo xiita apoiado pelo Irã — se acusam mutuamente de repetidas violações de um cessar-fogo que entrou em vigor em 17 de abril.

Ataques israelenses atingiram Tiro e uma área ao leste da cidade na manhã de quinta-feira, informou a Agência Nacional de Notícias (NNA) do Líbano.

Imagens de Tiro revelaram explosões e incêndios durante a noite e até a manhã de quinta-feira. Vídeos mostraram ruas iluminadas de laranja pelas chamas, estradas cheias de fumaça e pelo menos um veículo envolto em fogo.

Ao amanhecer, uma enorme bola de fogo foi filmada surgindo perto de um conjunto de prédios residenciais de grande altura, lançando uma coluna de fumaça em forma de cogumelo sobre o horizonte da cidade. Moradores atônitos observavam enquanto destroços se espalhavam pelas ruas ao redor.

Como sempre, a desculpa dada pelo estado genocida de Israel, é que os ataques tinham como alvo a suposta infraestrutura do Hezbollah.

Redação com BBC Brasil

Lindbergh pede investigação da PF sobre Caiado após repasse bilionário a banco

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, pediu nesta terça-feira (26) que a Polícia Federal investigue o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) em razão das transações realizadas pelo governo estadual com a BK Instituição de Pagamento, conhecida como BK Bank. O pedido foi encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Com informações da Folha.

O caso foi revelado em reportagem publicada nesta segunda-feira (25) e serviu de base para a solicitação apresentada por Lindbergh. Caiado deixou o governo de Goiás em março e é pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.

No pedido enviado à Polícia Federal, o parlamentar afirmou: “A gravidade dos fatos decore de possível inserção de recursos públicos, programas sociais e comerciantes locais em ambiente financeiro contaminado por suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e organização criminosa”.

A gestão de Caiado utilizou a BK Bank para movimentar R$ 1,36 bilhão de programas de transferência de renda. A BK é uma fintech suspeita de atuar como um banco paralelo da facção criminosa PCC, conforme as investigações da Operação Carbono Oculto. Um documento do Coaf mostra repasses de R$ 1,36 bilhão da Agência de Fomento de Goiás à BK entre outubro de 2021 e agosto de 2025.

Segundo o Governo de Goiás, a conta na BK era utilizada para operacionalizar programas de transferência de renda que atendem 880 mil beneficiários. A partir dessa conta, eram realizados os repasses aos cartões dos usuários finais. Sobre as operações incidia uma taxa de utilização de até 6%, cobrada dos estabelecimentos credenciados para compras pelos beneficiários. Desse valor, 50% eram destinados à Agência de Fomento e 50% à BK Bank.

Em nota, o Governo de Goiás declarou: “Quando da deflagração da Operação Carbono Oculto, a agência adotou medidas administrativas e judiciais para resguardar o interesse público. Até o momento, não há prejuízo constatado à GoiásFomento”. Caiado afirmou que uma certidão do Banco Central atesta a BK como “autorizada em atividade” e questionou: “Não estaria existindo, neste momento, conivência ou omissão do Coaf na prevenção de crimes dessas organizações criminosas, deixando-as operar e informando delitos somente depois da operação policial que trouxe à tona o envolvimento da empresa com o narcotráfico? De quem parte a ordem para calar o Coaf?”. A BK foi procurada por email e por telefone pela reportagem, mas não houve resposta.

Fonte: DCM

Senado aprova MP que estabelece piso de R$ 5.130 para professores

Valor proposto pelo governo garante ganho real com aumento de 5,4%

O Senado aprovou nesta terça-feira (26) a Medida Provisória (MP) 1.334/2026, que reajusta o piso salarial dos professores da educação básica para R$ 5.130,63 em 2026. O texto vai à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A medida representa um aumento de 5,4% sobre o valor anterior, de R$ 4.867,77, com um ganho real de 1,5 ponto percentual acima da inflação.

A MP foi editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em janeiro, quando as regras entraram em vigor. Pelo texto, o novo cálculo será a soma do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e 50% da média de crescimento real das receitas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Segundo o governo, a fórmula anterior teria resultado em recomposição de apenas 0,37% — a nova garante 5,4%.

De acordo com a senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), relatora da proposta, a nova regra deve gerar um impacto de R$ 6,4 bilhões em 2026.

A MP também estabelece um teto e um piso para as correções futuras: o reajuste não pode superar a variação da receita nominal do Fundeb entre os dois anos anteriores, nem ser inferior ao INPC.

Terrenos de marinha

A relatora incorporou ao texto um pedido do governo para prorrogar até o fim de 2028 o prazo para a União identificar terrenos de sua propriedade às margens de rios e no litoral.

A proposta consta de outra medida provisória, a MP 1.332/25, que havia estabelecido esse prazo anteriormente. A MP ainda não teve comissão instalada e perderá validade em 1º de junho.

Editada pelo governo em 22 de janeiro, a MP entrou em vigor imediatamente. Para se tornar lei em definitivo, precisava ser aprovada pelo Congresso. O texto passou por uma comissão mista de deputados e senadores, depois pelo Plenário da Câmara e, nesta terça, pelo Plenário do Senado. 

Fonte: Agência Brasil

Futuro dos servidores de Maceió em risco por gestão irresponsável do dinheiro da previdência municipal

Anizio Amorim

O Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) vive um momento crítico, resultado de escolhas desastrosas e da falta de zelo da gestão municipal anterior. A recente perda de R$ 117 milhões, aplicados nos chamados “ativos podres” do Banco Master — instituição que sofreu liquidação extrajudicial após a prisão do seu dono, Daniel Vorcaro — não é apenas um “imprevisto político“, mas sim um golpe profundo nas contas públicas e nos atuais e futuros aposentados e pensionistas da Prefeitura da capital.

Para entender a gravidade da situação, basta olhar para a atual realidade financeira do Iprev: o que é arrecadado mensalmente com as contribuições dos servidores e da parte patronal (da Prefeitura) não é suficiente para pagar as aposentadorias e pensões. A conta não fecha. As despesas com os aposentados e pensionistas superam o que entra de contribuição regular, obrigando o município a realizar aportes mensais de cerca de R$ 16 milhões, apenas para cobrir esse rombo e garantir os pagamentos do mês.

Com contribuições insuficientes e a Prefeitura apenas “apagando incêndio” com aportes, a única forma de o fundo previdenciário crescer e se sustentar, no longo prazo, é através dos rendimentos de seus investimentos. É aí que o cenário fica ainda mais preocupante. Em fevereiro deste ano, por exemplo, a receita dos investimentos rendeu míseros 0,8%*. Isso é praticamente igual à inflação do mês (IPCA). Significa que não houve ganho real; o dinheiro investido apenas manteve o poder de compra, sem gerar riqueza ou segurança para o fundo.

Se esse rendimento já era baixo, perder R$ 117 milhões ganha contornos de tragédia. Os milhões benevolentementes entregues ao Banco Master equivalem a um ano da receita dos investimentos do Iprev. Se descontarmos a inflação e considerarmos apenas o ganho real, equivalem a cerca de uma década de rentabilidade. É revoltante para o servidor saber que esse seu dinheiro foi simplesmente jogado no lixo.

A gestão temerária dos recursos do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió ficou evidente. Enquanto os servidores ativos continuam contribuindo e os aposentados dependem do benefício para sobreviver, a administração do município resolveu arriscar o patrimônio dessa instituição em um banco envolvido em fraudes financeiras.

Não somente os servidores segurados foram prejudicados, os cidadãos contribuintes de Maceió também pagarão a conta dessa irresponsabilidade. Eles ainda não sabem, mas os recursos públicos destinados a cobrir o rombo previdenciário crescerão expressivamente, deixando de serem investidos em saúde, educação e infraestrutura.

Exige-se, urgentemente, que a Polícia Federal prossiga com as investigações das denúncias de irregularidades na autorização do investimento, com possível falsificação e fraude na decisão do aporte, para assim atender aos servidores, que vivem as incertezas sobre o futuro do fundo de previdência.

Se houve crime, que os culpados sejam punidos exemplarmente. A gestão do dinheiro dos servidores e dos recursos públicos deve ser tratada seriamente.

*Fonte: Sistema Cadprev do MPS (dados de fevereiro/2026).

Fonte: Contexto Alagoas

Desesperados, bolsonaristas pedem vista e votação de relatório sobre fim da 6×1 é adiada

A comissão especial da Câmara que analisa a PEC do fim da escala 6×1 adiou a votação do parecer apresentado hoje pelo deputado Leo Prates (Republicanos – BA) após pedido de vista feito por deputado do PL.

O que aconteceu
Pedido de vista adiou votação do relatório. Após a leitura do parecer de Leo Prates, o deputado Maurício Marcon (PL-RS) solicitou mais tempo para analisar o texto. Presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP) disse que pedido é regimental e aceitou a vista coletiva. Com isso, a votação ficou impedida

Regimento prevê prazo automático de duas sessões no plenário da Câmara após pedido de vista. A expectativa de Alencar, citando acordo feito feito com Hugo Motta (Republicanos – PB), presidente da Câmara, é que o debate seja retomado na quarta-feira, a partir das 10h

Regimento prevê prazo automático de duas sessões no plenário da Câmara após pedido de vista. A expectativa de Alencar, citando acordo feito feito com Hugo Motta (Republicanos – PB), presidente da Câmara, é que o debate seja retomado na quarta-feira, a partir das 10h

Leo Prates leu relatório de 76 páginas. O processo durou quase três horas e meia na noite desta segunda-feira.

Relatório prevê transição de um ano para reduzir jornada. O texto estabelece redução inicial da carga semanal de 44 para 42 horas 60 dias após a promulgação da PEC. Depois de 12 meses, a jornada cairia para 40 horas semanais

Texto deixa negociações específicas para acordos coletivos. O parecer mantém regras gerais na Constituição e prevê que categorias com jornadas diferenciadas, como profissionais da saúde e trabalhadores embarcados, possam ajustar escalas por meio de convenções coletivas

Acordo entre Lula e Motta destravou apresentação do parecer. O presidente da Câmara, Hugo Motta, se reuniu hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fechar os últimos ajustes da proposta, principalmente sobre o prazo de transição para o fim da escala 6×1.

Fonte: Uol

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