Em ato histórico, papa pede perdão pelo envolvimento da Igreja na escravidão

Séculos depois de fazer parte e até autorizar a coroa portuguesa a manter pessoas escravizadas, o líder da Igreja rompe um tabu e pede ‘perdão’

Pela primeira vez na história, um papa pede perdão pelo envolvimento da Igreja Católica na escravidão de milhões de pessoas. Num texto publicado nesta segunda-feira, como parte de sua argumentação sobre os riscos da Inteligência Artificial, Leão XIV surpreendeu ao citar a situação da colonização.

Não é a primeira vez que a Santa Sé condena a escravidão. Mas pontífices, ao longo de décadas, têm sido cuidadosos em evitar implicar a própria Igreja na indústria que transformou a história do mundo. Eles tampouco anularam bulas que permitiam aos portugueses agir em suas colônias, entre elas o Brasil.

Em 1452, por exemplo, o Papa Nicolau V emitiu uma bula que concedeu ao rei português e seus sucessores o direito de “invadir, conquistar, combater e subjugar” e tomar todas as posses — incluindo terras — de “sarracenos, pagãos e outros infiéis e inimigos do nome de Cristo” em qualquer lugar. A bula também deu permissão aos portugueses para “reduzir suas pessoas à escravidão perpétua”.

A lei foi reforçada em novas bulas e decisões em 1456, em 1481 e em 1514, já com os portugueses em solo brasileiro.

Agora, o papa americano rompe com esse tabu, justamente num momento em que o presidente Donald Trump desmonta qualquer ação de proteção às minorias ou de combate ao racismo. Num trecho histórico, ele anuncia:

“É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e a humilhação suportados por tantos, em nítido contraste com sua imensurável dignidade como pessoas infinitamente amadas pelo Senhor”, escreveu Leão XIV. “Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.”

Ancestrais negros, vivência entre indígenas

No ano passado, um genealogista nos EUA descobriu que o primeiro papa americano — cujo nome é Robert Prevost — tinha ascendência crioula e que seus bisavós maternos eram descritos como pessoas de cor nos registros do censo da Louisiana. A pesquisa revelou que Leão XIV tinha ancestrais negros e brancos, incluindo tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos.

Se não bastasse, o novo papa viveu 18 anos no Peru e liderou igrejas que compartilhavam espaço e cultura com indígenas locais. Para a diplomacia brasileira, o americano passou a ser considerado como o primeiro “papa amazônico”.

A declaração desta segunda-feira ainda ocorre semanas depois de o papa retornar de uma viagem pela África. Em Angola, ele relembrou a “dor e o grande sofrimento” que os angolanos suportaram durante séculos.

As palavras foram emitidas enquanto rezava em um santuário católico localizado em um importante centro do comércio de escravos africanos durante o domínio colonial português.

Falando em português, ele lembrou que foi ali “onde, por séculos, muitos homens e mulheres rezaram em momentos de alegria e também em momentos de tristeza e grande sofrimento na história deste país”.

O que diz a encíclica

Sua primeira encíclica, “Magnifica Humanitas” (Magnífica Humanidade), foi lançada na segunda-feira. Segundo ele, ao longo da história, milhões de pessoas foram alvo de diferentes formas de escravidão. Hoje, as novas formas de escravidão e colonialismo estão sendo alimentadas pela revolução digital, pelo trabalho não regulamentado necessário para a obtenção de minerais raros indispensáveis ​​para chips de IA.

No texto, o papa lembrou que seu homônimo, o papa Leão XIII, foi o primeiro a condenar explicitamente a escravidão em 1888.

Mas não hesitou em denunciar o papel da Santa Sé e as bulas papais que autorizavam e promoviam a escravidão.

“Já no início da Idade Moderna, a Sé Apostólica de Roma, respondendo aos pedidos dos soberanos, interveio diversas vezes para regular e legitimar formas de subjugação e, em certos casos, incluindo a escravização de ‘infiéis’”, disse.

“Não podemos negar ou minimizar a demora com que tanto a sociedade quanto a Igreja vieram a denunciar o flagelo da escravidão”, disse ele.

Para o papa, a Igreja levou “dezoito séculos para que sua plena incompatibilidade com a escravidão fosse explicitamente reconhecida”.

“Isso constitui uma ferida na memória cristã, da qual não podemos nos considerar alheios”, concluiu.

Hoje, ele pede que se condenem todas as formas de tráfico relacionadas à revolução tecnológica digital “se quisermos evitar a necessidade de pedir perdão novamente no futuro por termos falhado em respeitar o tesouro da dignidade humana que é exigido por nossa fé”.

Fonte: ICL

Alcolumbre segura BolsoMaster na gaveta após Datafolha atingir Flávio Bolsonaro

O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), segurou na quinta-feira (21) a leitura dos pedidos de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master mesmo após governistas e oposicionistas cobrarem a investigação em sessão conjunta, num momento em que o Datafolha mostrou Lula (PT) à frente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e aumentou o custo político da gaveta.

Alcolumbre afirmou que a leitura de requerimentos de CPMI é escolha da Presidência do Congresso, amparada pelo Regimento Interno do Senado. A Agência Senado registrou que a declaração ocorreu após parlamentares governistas e da oposição cobrarem a criação da CPMI do Banco Master.

O detalhe que muda o peso político da pauta está no Paraná. A pressão por investigação não ficou restrita ao bolsonarismo nem à oposição de direita. A bancada governista também assinou pedido de CPMI, com nomes como Gleisi Hoffmann (PT), Tadeu Veneri (PT), Carol Dartora (PT), Aliel Machado (PV), Elton Welter (PT) e Zeca Dirceu (PT), segundo levantamento atualizado do Blog.

A lista paranaense atravessa campos adversários. Do outro lado, nomes da direita e do centro também aparecem na cobrança por apuração, como Filipe Barros (PL), Felipe Francischini (PODE), Pedro Lupion (Republicanos), Ricardo Barros (PP), Sargento Fahur (PL), Delegado Matheus Laiola (União), Diego Garcia (União), Luiz Nishimori (PSD), Luiz Carlos Hauly (PODE), Giacobo (PSD), Luciano Ducci (PSB), Luisa Canziani (União), Tião Medeiros (PP), Sergio Souza (MDB), Toninho Wandscheer (PP), Vermelho (PL) e outros deputados do estado.

No Senado, o recorte paranaense também pesa. Sergio Moro (PL), Flávio Arns (PSB) e Oriovisto Guimarães (PSDB) aparecem no campo dos que defendem investigação sobre o Banco Master. Isso deixa a gaveta de Alcolumbre mais difícil de explicar como disputa entre governo e oposição.

A CPMI do Master virou uma pauta transversal porque encosta em temas que nenhum partido controla sozinho: fiscalização bancária, Fundo Garantidor de Créditos (FGC), pequenos investidores, Banco Central (BC), Congresso Nacional e a tentativa de medir quem se beneficiou da demora institucional. O FGC é o mecanismo privado que protege aplicações dentro de limites definidos pelo sistema financeiro.

O Datafolha divulgado na sexta-feira (22) deu número ao desgaste. Lula aparece com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno. No primeiro turno, Lula marca 40%, Flávio Bolsonaro fica com 31%, Ronaldo Caiado tem 4%, e Romeu Zema e Renan Santos aparecem com 3%. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 20 e 21 de maio, com margem de erro de 2 pontos percentuais.

O Blog do Esmael destacou que o levantamento foi feito após reportagem do Intercept Brasil sobre a negociação de investimento de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em um filme ligado à trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro nega irregularidade, e a acusação política não substitui prova judicial.

O próprio Flávio Bolsonaro reconheceu ter se encontrado com Vorcaro depois da prisão do banqueiro e afirmou que a relação envolvia apenas um investimento privado no filme, sem contrapartida. A defesa de Vorcaro não comentou o caso.

O caso já produz efeito eleitoral, segundo os números do Datafolha que vieram à tona nesta sexta-feira (22). Sem CPMI, o debate fica entregue a pesquisa, nota pública, bate-boca no plenário e disputa de narrativa.

No Paraná, a consequência é direta. Moro tenta preservar a pose de investigador no mesmo campo nacional de Flávio Bolsonaro. Filipe Barros carrega o histórico de ter apresentado projeto sobre o FGC e diz que atuou para proteger pequenos investidores. Ratinho Junior (PSD) observa a crise atingir a direita que pode sustentar sua sucessão estadual em 2026.

Deltan Dallagnol (Novo) também entra no cálculo político, ainda que fora do mandato. O campo lavajatista paranaense depende da ideia de rigor anticorrupção, mas agora precisa explicar por que a investigação do Master deve avançar mesmo quando alcança aliados da direita.

A assinatura de governistas paranaenses muda a cobrança contra Alcolumbre. Se a CPMI sair, o Congresso abre uma arena para depoimentos, documentos e disputa pelo comando da narrativa. Se continuar parada, a gaveta deixa de ser detalhe regimental e vira escolha política diante de uma investigação pedida por adversários que quase nunca assinam a mesma coisa.

A demora beneficia quem quer esfriar o caso antes que ele vire rito parlamentar. Mas também prolonga o desgaste de Flávio Bolsonaro, mantém Lula no ataque e coloca a bancada do Paraná diante de uma pergunta simples: assinatura em requerimento vale cobrança pública ou serve apenas para registro em dia de crise?

Alcolumbre segura o relógio, mas não controla mais o custo da espera. Quando base de Lula, direita bolsonarista e centro paranaense aparecem no mesmo movimento formal por investigação, a gaveta deixa de proteger o Congresso e passa a expor quem prefere adiar a apuração.

Fonte: Blog do Esmael

Lula vence todos os adversários nos 1° e 2° turnos, diz nova pesquisa BTG/Nexus

A nova pesquisa Nexus/BTG mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da disputa presidencial de 2026 em todos os cenários testados. O levantamento foi realizado entre os dias 22 e 24 de maio, com 2.045 entrevistas em todo o país, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04193/2026.

No principal cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra 35% e mantém a segunda colocação. Na sequência aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, Romeu Zema (Novo), com 4%, e Renan Santos (Missão), com 3%. Joaquim Barbosa soma 2%, enquanto Augusto Cury e Cabo Daciolo têm 1% cada.

Pesquisa BTG/Nexus feita entre 22 e 24 de maio

Em um segundo cenário estimulado, o presidente sobe para 41%, enquanto Flávio Bolsonaro permanece com 35%. Renan Santos chega a 4%, Joaquim Barbosa aparece com 3%, e Caiado e Zema mantêm os mesmos percentuais, com 5% e 4%, respectivamente.

A liderança de Lula também aparece na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados.

Nesse recorte, o presidente soma 36% das intenções de voto, dez pontos à frente de Flávio Bolsonaro, que tem 26%. Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem com 2% cada. Jair Bolsonaro (PL), mesmo fora da disputa eleitoral por causa de sua situação judicial, é citado por 1%.

Nos cenários de segundo turno, Lula também aparece numericamente à frente dos adversários testados. Contra Flávio Bolsonaro, o presidente marca 47%, ante 43% do senador. O resultado configura empate técnico no limite da margem de erro de dois pontos percentuais, mas mantém Lula à frente em termos numéricos.

A vantagem é maior nos confrontos contra outros nomes da direita. Contra Romeu Zema, Lula aparece com 49%, enquanto o ex-governador de Minas Gerais registra 38%. Em uma disputa com Ronaldo Caiado, o petista venceria por 46% a 40%.

Pesquisa BTG/Nexus feita entre 22 e 24 de maio

A pesquisa ouviu 2.045 pessoas em todo o Brasil entre os dias 22 e 24 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Mulher etiope é vítima de trabalho análogo à escravidão em Florianópolis

Uma mulher etíope de 34 anos teve reconhecidos os direitos trabalhistas após denunciar que vivia em condições análogas à escravidão em uma residência localizada em um condomínio de alto padrão em Florianópolis, Santa Catarina. A trabalhadora conseguiu fugir da casa durante a noite e procurou ajuda da polícia após caminhar por ruas da capital catarinense apenas com o celular e a roupa do corpo.

Sem falar português, ela utilizou aplicativos de tradução no celular para conseguir se comunicar com os policiais e relatar os abusos sofridos. Depois do resgate, foi encaminhada para um centro de acolhimento, onde contou com o apoio de uma intérprete para formalizar a denúncia.

A partir do relato, foi montada uma força-tarefa envolvendo Auditores Fiscais do Trabalho, Procuradores do Trabalho de Santa Catarina e outros órgãos competentes para investigar o caso.

Segundo a fiscalização, a trabalhadora foi contratada em Dubai por meio de uma agência e trazida ao Brasil por um casal formado por um homem brasileiro e uma mulher árabe, sem visto regular de trabalho.

Durante os depoimentos, a etíope afirmou que enfrentava jornadas exaustivas de até 15 horas por dia, além de violência psicológica e restrição de liberdade. Ela também relatou que teve os documentos pessoais retidos pelos patrões, incluindo o passaporte.

As diligências da Auditoria Fiscal do Trabalho apontaram que a mulher trabalhava todos os dias da semana, das 7h às 22h30. Entre as funções exercidas estavam limpeza e organização da residência, preparo de refeições, cuidados com os filhos do casal e também com os animais da família.

A trabalhadora afirmou ainda que sofria constantes episódios de gritos, ameaças, insultos, intimidações e tentativas de agressão física. Conforme o relato, os patrões condicionavam a devolução dos documentos ao pagamento de despesas relacionadas às passagens aéreas, alimentação e emissão de visto.

Mesmo após deixar o imóvel, a mulher disse que continuou recebendo mensagens ameaçadoras. Em uma das acusações, foi acusada de furtar um cachorro da família.

A situação análoga à escravidão foi confirmada pela Auditoria Fiscal do Trabalho ao longo da investigação.

Após a atuação dos Auditores Fiscais do Trabalho, a família assinou um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) com o Ministério Público do Trabalho. No acordo, o casal reconheceu as obrigações trabalhistas identificadas durante a fiscalização, incluindo o vínculo de emprego doméstico da imigrante entre 13 de março e 8 de maio deste ano.

O documento prevê registro do contrato de trabalho, pagamento de salários, férias proporcionais, FGTS e demais direitos trabalhistas. O TAC também determina o pagamento de R$ 10 mil por danos morais, R$ 5 mil destinados ao retorno da trabalhadora ao local de origem e mais R$ 500 para despesas extras de viagem.

Além da esfera trabalhista, um inquérito policial foi instaurado para apurar possíveis crimes previstos no Código Penal, incluindo trabalho escravo, além de infrações relacionadas à Lei de Migração e tratados internacionais de direitos humanos.

Embora a fuga tenha ocorrido em maio, o caso só foi divulgado publicamente nesta quinta-feira, data em que foi assinado o TAC que encerrou a força-tarefa conduzida pelos Auditores Fiscais do Trabalho e pelo Ministério Público do Trabalho.

Fonte: Hora do Povo

Bolívia: Rebelião popular avança e exige renúncia de Rodrigo Paz

A rebelião popular na Bolívia ganhou amplitude nas últimas vinte quatro horas: com greves de trabalhadores – fabris, mineiros, caminhoneiros e dos serviços públicos -, bloqueios nas principais estradas do país, barricadas em diversas sedes de órgãos federais e colunas de milhares que cercam o palácio presidencial, em La Paz.

A onda de protestos é uma resposta ao draconiano programa de ajustes e privatizações do governo Paz. As medidas anunciadas implicaram na adoção de uma política de arrocho salarial, no fim do subsídio estatal aos combustíveis e nas privatizações de diversos serviços públicos.

A situação transbordou quando o presidente anunciou a aprovação de uma Lei de Terras que abre caminho para grupos econômicos explorarem as terras dos pequenos agricultores e das áreas comunais indígenas, uma legislação histórica conquistada pela massa camponesa do país andino. Paz quer entregar essas terras a empresas do agronegócio, inclusive brasileiras, e para estrangeiras do setor da mineração.

A resistência popular é a saída para derrotar os governos neoliberais

Os protestos começaram no dia 1° de maio, quando a Central Operária Boliviana (COB) decretou uma greve geral por um reajuste salarial de 20%, que ganhou a adesão das organizações camponesas e indígenas.

A tensão escalou nos últimos dias, e o embate entre o governo e as massas aponta para um impasse, apesar de Paz anunciar que vai revogar o decreto de Lei de Terras e voltar com o subsídio aos combustíveis. A COB, as federações camponesas e as organizações indígenas demandam a renúncia do presidente Rodrigo Paz.

Um documento firmado por federações de moradores, sindicatos e organizações indígenas da região de La Paz exige a renúncia imediata de Paz como saída para a crise. “Exigimos a renúncia imediata do presidente Rodrigo Paz, a quem responsabilizamos pela crise econômica e social que atravessa o país. Rejeitamos qualquer tentativa de diálogo sem resultados concretos – o tempo da espera expirou e as bases não aceitarão mais mesas de negociação que sirvam apenas para ganhar tempo.”, afirma a declaração.

Trump quer mais repressão

O governo de Trump orienta abertamente para o incremento das medidas de repressão para tentar conter os protestos, que segundo ele é patrocinado por “socialistas e narcotraficantes”.

Na mesma toada, o secretário de Estado, Marco Rubio, na rede X afirmou que “os Estados Unidos não permitirão que criminosos e traficantes de drogas derrubem líderes democraticamente eleitos”. O governo Trump sinaliza um intervencionismo nos assuntos internos da Bolívia.

Rodrigo Paz, com base em mandado expedido pelo Ministério Púbico, ordenou a captura do secretário-executivo da COB, Mario Argollo, falsamente acusado de incitação pública de atos criminosos e terroristas.

Por sua vez, o ex-presidente Evo Morales, também acusado de incitação, denunciou que paramilitares, com apoio do Exército, buscam o seu sequestro, nos moldes do sequestro do presidente da Venezuela, Nicolas Maduro. No momento, ele se encontra em Chimoré, no departamento de Cochabamba, protegido por milícias de camponeses e indígenas. Evo sugeriu “que ele (Paz) assine um documento publicamente diante da população: ele não privatizará eletricidade, telecomunicações ou água. Isso diminuirá a tensão” (BdF, 21/05).

O governo de Paz, com apenas seis meses de existência, balança e tenta desesperadamente se segurar. Os desdobramentos da crise na Bolívia ainda são incertos, mas o governo de Rodrigo Paz só conseguirá sobreviver com auxílio da ingerência imperialista dos EUA e a custódia do Exército boliviano, de larga tradição golpista.

Milton Alves, jornalista, membro do Comitê Nacional do DAP-Associação

Fonte: Petista.org.br

Com R$ 6 milhões de dinheiro público, Malafaia leva candidatos bolsonaristas à ‘Marcha para Jesus’

Esperado no evento em meio ao escândalo do Banco Master, Flávio Bolsonaro não foi

Organizador da “Marcha para Jesus”, o pastor Silas Malafaia, fundador da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), usou o espaço nobre do evento religioso para promover candidatos bolsonaristas apoiados por ele. Subiram no trio elétrico, entre outros, o deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e pré-candidato ao governo do Rio. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também foi convidado, mas não compareceu.

O evento contou com patrocínio público de quase R$ 6 milhões. A prefeitura do Rio de Janeiro injetou R$ 3,9 milhões, o dobro do valor oferecido em 2025. A ampliação do financiamento foi um gesto de Eduardo Paes (PSD-RJ), pouco antes de deixar o posto de prefeito da capital, com o eleitorado evangélico. Próximo de Malafaia, Paes se desgastou junto à esquerda ao defendê-lo em meio às acusações de obstrução do julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Em culto na Advec em setembro de 2025, o então prefeito do Rio chegou a afirmar: “Mexeu com Malafaia, mexeu comigo”.

Já o governo do estado, ainda na gestão de Cláudio Castro (PL-RJ), injetou mais R$ 2 milhões no evento. Castro é próximo de Malafaia e conta com o apoio dele para sua pré-candidatura ao Senado.

O apoio dado por Paes não impediu que Malafaia promovesse Ruas, principal adversário de Paes na disputa pelo Palácio Guanabara.

Além do presidente da Alerj, Malafaia também chamou ao púlpito dois políticos intimamente ligados a ele: o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, e o ex-vereador Alexandre Isquierdo (União Brasil-RJ). Malafaia apoia a reeleição de Sóstenes para a Câmara e quer que Isquierdo seja o representante da Advec na Alerj, substituindo seu irmão Samuel Malafaia (PL-RJ), que deixará a vida pública. Outro deputado estadual do PL, Chico Machado, também foi convidado para a marcha pelo pastor.

Malafaia usou o evento religioso para atacar adversários políticos.

“Não é possível homens maus estarem no controle da nação. Gente que odeia os princípios da palavra, gente que defende aborto, que defende ideologia de gênero, gente que defende devassidão moral”, afirmou o pastor.

Malafaia também voltou a criticar evangéicos que votam em candidatos de esquerda, postura que é criticada por parte das lideranças do segmento.

“O comunista é comunista em casa, no trabalho, na escola, nas relações sociais e na hora de votar. Cristianismo não é religião, gente. Cristianismo é estilo de vida”, disse o pastor, antes de completar. “O crente, não. São crentes em tudo, mas na hora de votar, votam em vagabundo, ladrão, em gente que nos odeia, votam em gente que odeia a Bíblia”.

Flávio Bolsonaro falta a evento

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, era esperado na “Marcha para Jesus”, mas faltou ao evento. A ausência ocorre em meio a idas e vindas na relação com Malafaia.

O pastor apoiou publicamente uma chapa formada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), com quem Flávio é rompido. Em resposta, o senador se aproximou de outras lideranças evangélicas, reduzindo o protagonismo que Malafaia sempre ostentou em meio ao bolsonarismo.

Com Flávio consolidado na disputa, Malafaia fez um aceno e o convidou a participar de uma celebração na sua igreja no início de maio. Flávio foi levado a um culto de Santa Ceia, data nobre no calendário da Assembleia de Deus, e recebeu orações de Malafaia ao lado de outros políticos bolsonaristas, como Douglas Ruas e o ex-governador do Rio Cláudio Castro.

A relação entre os dois foi novamente por conta do escândalo causado pela relação próxima do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelada pelo site Intercept Brasil. Inicialmente, Malafaia saiu em defesa de Flávio e chegou a gravar um vídeo atacando as reportagens, mas, diante de novas revelações, mudou de tom. Ao jornal O Globo, disse que se novos elementos surgirem “fica difícil” para os evangélicos apoiarem a candidatura do senador.

*Com informações do Tempo Real RJ e da Folha de S. Paulo

Fonte: ICL

FOI BOM ENQUANTO DUROU

Flávio Show – Funcionário dos Correios

Maceió, 24 de Maio/ 2026

A saga continua e o Senador Flavio Bolsonaro escreveu mais um capítulo do filme de terror da sua relação com o Banqueiro Daniel Vorcaro. Silêncio no estúdio, claquete!

Uma semana depois de ter mentido sobre dizer que não tinha contato com o Vorcaro, uma nova reportagem do Intercept mostrou que Flavio Bolsonaro havia ido visitar o Banqueiro em prisão domiciliar com o argumento de queria terminar a relação entre os dois. Oi? É isso mesmo, o Senador se viu na obrigação de ir ate lá agradecer o “irmão” pelos serviços prestados. Nem a noiva do Vorcaro terminou a relação demonstrando tanta atenção, usou as redes sociais, deu com os ombros e tchau, mas o Senador queria olhar nos olhos do Daniel pra dizer adeus, foi bom enquanto durou, seja feliz, saiba que em breve você arruma outro e o pior é que ele viajou de Brasilia pra São Paulo com tudo pago pelo povo só pra dizer isso. Dá pra acreditar?

Por falar em término de relacionamento, o Vini terminou com a Virgínia. Oi? A Reflexão bugou foi?
Voltamos para o Brasil Varonil e a relação entre aqueles que querem o Fim da Escala 6×1 e a oposição que insiste em dizer que a medida quebrará o país! Os parlamentares da Extrema Direita tentam convencer os trabalhadores que a diminuição dos dias trabalhados numa semana é para poucos e que ele( trabalhador) deve continuar na labuta sem descanso, isso tudo para fazer com que os parlamentares possam continuar na escala 3×4. Essa relação é simples de entender, pois todo dia sai de casa um besta e um sabido, ou seja, um cristão de bem, de familia e assalariado e outro cristão de bem, de familia e com mandato. Se é que você me entende!

Entre os membros da Extrema Direita o chamego deu uma esfriada, as juras de amor ficaram para trás e figuras até ontem fiéis ao clã bolsonarista começaram a abandonar o banco, digo, o barco. Rodrigo Constantino, Alexandre Garcia, Roger do Ultraje e outros ja perceberam que o escândalo do Master ta só no começo e que um novo 08 janeiro pode surgir, levando a boiada novamente a ser trancafiada na Papuda ou buscar ajuda dos coiotes tupiniquins para entrar no Paraguai, o novo EUA em terras sulamericanas. Tolos!

Pra finalizar; o Lula subiu nas pesquisas e a sua relação com o povo melhorou. Cabe agora aguardar os próximos capítulos e a delação do Vorcaro.
O mais importante que aprendemos nessa semana é que as relações podem ser duradouras ou nem tanto, mas se for pra dar um fim mande um zap com visualização única; é mais seguro!

Reflexões* Flávio Show 2026 , ano 06 – Edição 285

Fim da 6×1 está na mira!

O calendário de votação na Câmara da PEC que acaba com a escala 6×1 e estabelece a redução da jornada de trabalho para 40h semanais está praticamente definido. Segunda-feira (25) o relatório deve ser apresentado na Comissão Especial e a votação em plenário está anunciada para quinta (28). A pressão sobre os deputados é tamanha que os líderes do MDB, REP, PSD, Podemos, União Brasil, PP e federação PSDB-Cidadania anunciaram um requerimento ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REP-PB), pela retirada de uma das emendas que desfigurava totalmente a PEC. O Projeto de Lei de Lula de fim da 6×1, que trancaria a pauta se for não votado até dia 29, tramita em conjunto. Mas isso não significa que está tudo resolvido, pois até agora a outra emenda reacionária à PEC segue.

As audiências públicas que ocorreram no país ajudaram a confirmar o apoio popular de mais de 70% pelo fim da 6×1. Foi assim na audiência realizada esta semana na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, na Comissão do Trabalho, presidida pelo deputado Betão (PT), aderente do DAP, com os deputados federais do PT, Rogério Correa, Alencar Santana e Reginaldo Lopes, em presença dos ministros Boulos (PSOL) e Wellington (PT. Não foi diferente em Cruz das Almas/BA, com a audiência organizada pelo mandato do vereador Prof. Lilo Lordelo (PT) e o grupo de base do DAP na cidade. As panfletagens realizadas pelo país estão quentes, relatos de apoio dos trabalhadores nas ruas indicam o quanto esse tema está na boca do povo. O medo de muitos deputados em votar contra não vem de graça.

O discurso de terror propagado pelos empresários definitivamente não pegou, já o ódio do povo ao Congresso sim, a ponto do relator da PEC, o deputado Leo Prates (REP-BA), dizer estar preocupado que uma votação cole no Congresso a pecha de “inimigo do povo”.

Mas os termos da PEC ainda não estão acertados, há luta pela frente, afinal de contas são dois turnos na Câmara e, depois, dois no Senado, sem possibilidade de Lula vetar “jabutis” que porventura o Centrão e a extrema-direita coloquem numa PEC (um PL teria que se adaptar à PEC). Atenção, porque a outra emenda à PEC que restou também faz a ressalva às “atividades essenciais”, e define que a entrada em vigor das mudanças seria dez anos após a publicação. Ficariam de fora da redução da jornada setores ligados à saúde, supermercados, transporte, energia, e agricultura, ou seja, uma grande parte dos trabalhadores. Além disso, serão necessárias leis complementares para categorias que possuem legislações próprias.

Nestes dias 24 e 25, pressão nas ruas!

Vários sindicatos pelo país fizeram a lista dos deputados que assinaram as emendas que mantém a escala 6×1 e que permitia ampliar a jornada até 52h semanais. Faltando cinco meses para as eleições, a pressão sobre eles só deve aumentar. Mas, junto com isso, é preciso reforçar a mobilização na base das categorias, nas escolas e comunidades. Iniciativas como as audiências públicas, as panfletagens nos pontos de ônibus e nos metrôs dialogam com o povo e mostram que podemos vencer.

As centrais sindicais convocaram mobilizações de rua nos dias 24 e 25 de maio. É preciso aumentar ainda mais a pressão. É assim que vamos acabar com a 6×1, é assim que vamos reeleger Lula, é aonde estarão os militantes do DAP.

Marcelo Carlini, membro do DR-PT RS

Fonte: Petista

CONDENADO: Malafaia terá que pagar R$ 120 mil a Rui Costa por ataque durante a pandemia

durante

A 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) manteve a condenação do pastor bolsonarista Silas Malafaia e ampliou de R$ 30 mil para R$ 120 mil a indenização por danos morais que deverá ser paga ao ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT).

A decisão foi publicada em acórdão divulgado no último dia 7 e teve como base declarações feitas pelo líder religioso em vídeo divulgado durante a pandemia de covid-19, em 2020. Na gravação, Malafaia criticou o então governador da Bahia e o acusou de “querer matar” a população após a demissão de uma médica.

O vídeo foi publicado com o título “Denúncia Gravíssima! Governador da Bahia do PT quer mais que os baianos morram! Cretino!” e continha uma série de acusações relacionadas à condução da crise sanitária no estado.

Segundo o processo, o pastor afirmou que Rui Costa teria determinado o desligamento de uma profissional do Hospital Regional de Porto Seguro por divergências políticas e ideológicas envolvendo tratamentos para a covid-19.

Durante a manifestação, utilizou expressões como “cretino”, “esquerdopata” e declarou que o então governador “não está nem aí para a vida dos baianos”. Ao analisar o recurso, os desembargadores concluíram que as declarações ultrapassaram os limites da crítica política.

O acórdão aponta que as manifestações configuraram desqualificação pessoal e moral do então governador, especialmente por atribuírem a ele condutas deliberadamente prejudiciais à população sem comprovação dos fatos apresentados.

Durante a manifestação, utilizou expressões como “cretino”, “esquerdopata” e declarou que o então governador “não está nem aí para a vida dos baianos”. Ao analisar o recurso, os desembargadores concluíram que as declarações ultrapassaram os limites da crítica política.

O acórdão aponta que as manifestações configuraram desqualificação pessoal e moral do então governador, especialmente por atribuírem a ele condutas deliberadamente prejudiciais à população sem comprovação dos fatos apresentados.

No voto, a relatora afirmou: “Tais expressões ultrapassam qualquer margem de crítica institucional e ingressam no campo da desqualificação moral absoluta, insinuando comportamento desumano e deliberadamente lesivo à população”. O acórdão também registra que a circulação de informações falsas durante a emergência sanitária contribuiu para a disseminação de desinformação e para o desgaste da confiança em instituições públicas.

A decisão ressalta ainda que o novo valor da indenização levou em consideração a dimensão da divulgação do conteúdo e a capacidade econômica do pastor. Os desembargadores entenderam que a quantia deveria cumprir função reparatória e pedagógica diante da repercussão nacional das declarações.

O tribunal também registrou no acórdão: “Quanto maior o poder de influência, maior a responsabilidade no manejo da informação. Dessa maneira, aquele que dispõe de canais capazes de alcançar milhões de pessoas deve redobrar as cautelas antes de propagar acusações graves”.

Fonte: DCM

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