PEC do fim da escala 6×1 entra em semana decisiva no Senado

A PEC do fim da escala 6×1 pressiona o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em uma semana considerada decisiva na Casa. Alcolumbre deve reunir líderes partidários para definir o rito da proposta, informa o Metrópoles.

O presidente do Senado deve encaminhar a Proposta de Emenda à Constituição diretamente para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), após a pressão de parlamentares contrários à criação de uma comissão especial para analisar o texto. A possibilidade de enviar a matéria à CCJ ganhou força depois de críticas ao rito inicialmente defendido por Alcolumbre.

Na última terça-feira (2), Alcolumbre anunciou que reunirá líderes partidários para discutir a tramitação da PEC. Antes disso, porém, havia adotado um tom mais duro ao afirmar que não pretendia acelerar a análise da proposta no Senado.

“Essa proposta vai ter de tramitar nas comissões, porque há cobrança de todos os senadores de que todas as matérias possam passar, no mínimo, por uma comissão”, disse Alcolumbre.

Durante o pronunciamento, o presidente do Senado também afirmou que a Casa não deve atuar apenas como uma “instância de carimbo” das decisões tomadas pela Câmara dos Deputados. A PEC foi aprovada pelos deputados no dia 27 de maio e agora depende da tramitação no Senado para avançar.

Rito da PEC 6×1 é alvo de disputa no Senado

A principal divergência está no caminho que a proposta deve seguir dentro do Senado. O entendimento de parlamentares favoráveis ao avanço da PEC é que o texto deve passar apenas pela CCJ antes de seguir ao plenário, conforme o rito previsto para propostas de emenda à Constituição.

O argumento se baseia no artigo 356 do Regimento Interno do Senado, que determina o envio das PECs à Comissão de Constituição e Justiça para emissão de parecer. Os dispositivos seguintes indicam que, concluída essa fase, ou mesmo se a CCJ não se manifestar dentro do prazo regimental, a matéria pode seguir para votação no plenário.

Embora o regimento não vede expressamente a criação de uma comissão especial, esse tipo de etapa não está previsto no rito específico das PECs no Senado. A eventual criação de um colegiado especial, portanto, passou a ser interpretada por governistas como uma manobra capaz de retardar o andamento da proposta.

Governistas veem risco de atraso em pauta estratégica

Aliados do presidente Lula avaliam que o fim da escala 6×1 é uma das principais bandeiras sociais em discussão no Congresso e pode ter peso político na agenda de 2026. Nos bastidores, governistas afirmam que a tramitação da PEC depende diretamente da disposição de Alcolumbre em permitir que o texto avance.

O senador Paulo Paim (PT-RS), uma das vozes históricas do debate sobre direitos trabalhistas no Congresso, criticou a hipótese de um rito mais longo e defendeu a atualização da jornada de trabalho no país.

“Isto nunca aconteceu nos 24 anos que estou no Senado […]. Estamos esperando esta mudança há 40 anos. Tudo mudou no mundo do trabalho. Temos que mudar a carga horária também. Getúlio [Vargas] regulou as 48 horas, nós aprovamos na Constituição as 44 horas… E agora, 40 anos depois, 40 horas”, declarou Paim ao Metrópoles.

A fala do senador reforça a pressão de setores governistas para que a proposta siga o caminho considerado mais direto: análise pela CCJ e, depois, deliberação em plenário. Para esse grupo, a criação de uma comissão especial representaria um rito incomum e poderia esfriar o debate sobre a redução da jornada.

Apoio de Alcolumbre é considerado decisivo

A articulação no Senado é vista como mais difícil sem o apoio ativo de Alcolumbre. Na Câmara, a aprovação da PEC contou com forte atuação do governo junto ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que se aproximou do Palácio do Planalto nos últimos meses e ajudou a conduzir as negociações para a votação.

No Senado, a avaliação de parlamentares é que Alcolumbre exerce influência ainda maior sobre a dinâmica interna da Casa. Além de controlar a pauta de votações, o presidente do Senado tem capacidade de coordenação sobre líderes partidários, considerados fundamentais para construir acordos em torno de propostas de grande impacto político.

A reunião com os líderes deve indicar se a PEC da escala 6×1 avançará diretamente para a CCJ ou se enfrentará um caminho mais longo antes de chegar ao plenário. A decisão será observada de perto por governistas, trabalhadores e setores contrários à redução da jornada, em meio a um debate que ganhou força após a aprovação do texto pela Câmara.

Fonte: Brasil 247

Pastor evangélico que abusou de 30 crianças é preso no Paraguai

Um pastor brasileiro de 47 anos, Alcemir de Souza, foi preso após ficar cinco anos foragido. Ele é acusado de abusar sexualmente de cerca de 30 crianças do sexo masculino em Curitiba, no Paraná. A Interpol o localizou recentemente em Saltos del Guairá, no Paraguai.

No Paraguai, o homem continuava atuando como pastor em igrejas da região e fazia entregas de comida à noite, o que ajudou as autoridades a identificá-lo rapidamente. Ele já foi expulso do país e entregue à Justiça brasileira.

As autoridades paraguaias pedem que possíveis vítimas na região denunciem à Interpol local. Há informações de que o suspeito teria uma doença sexualmente transmissível, o que aumenta a gravidade do caso.

Fonte: Ploc Social

O sofrimento silencioso das crianças de Gaza que perderam capacidade de falar

Adam era um menino alegre e falante, mas aos 5 anos e de forma repentina, deixou de interagir com o mundo.

Seu caso não é uma exceção. Diante da violência, destruição e morte em Gaza, a resposta de algumas crianças ao sofrimento avassalador tem sido calar-se.

“Não há nenhuma criança em Gaza que não esteja traumatizada“, disse à BBC News Mundo (serviço de notícias em espanhol da BBC) Katrin Glatz Brubakk. “Há mais de um milhão de crianças que sofreram traumas graves.”

A psicoterapeuta infantil da Noruega realizou duas missões a Gaza em 2024 e 2025 com a organização sem fins lucrativos Médicos Sem Fronteiras (MSF) para trabalhar com crianças que perderam a capacidade de falar.

Não se sabe com certeza quantas crianças em Gaza deixaram de se comunicar, mas Brubakk relata que encontrou dezenas de casos. E médicos locais disseram à rede Al Jazeera que se trata de um “número crescente”.

Mais de seis meses após o anúncio do cessar-fogo em Gaza, a violência continua e “os ataques israelenses seguem de forma rotineira”, declarou em abril o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.

Pelo menos 846 pessoas — entre elas muitas mulheres e crianças — morreram em Gaza em ataques israelenses desde o início do cessar-fogo, segundo o ministério da Saúde local.

Israel, que justifica seus ataques pela necessidade de defender suas tropas e enfrentar a ameaça dos militantes do Hamas, afirma que cinco de seus soldados morreram no mesmo período.

Desde outubro de 2023 — após os ataques de militantes palestinos em território israelense nos quais morreram cerca de 1,2 mil pessoas e mais de 200 foram feitas reféns, segundo autoridades israelenses — as forças de Israel mataram mais de 20 mil crianças em Gaza e deixaram mais de 41 mil feridas, segundo a Unicef.

No total, os ataques israelenses mataram mais de 72 mil pessoas, a maioria civis, e feriram mais de 172 mil, de acordo com o ministério da Saúde de Gaza.

A BBC News Mundo conversou com Katrin Glatz Brubakk sobre o trauma que está levando as crianças de Gaza a perder a fala, as consequências em seus cérebros e por que o caminho para a recuperação às vezes começa com um primeiro passo: soprar bolhas de sabão.

BBC News Mundo – Por que há crianças em Gaza que deixaram de falar?

Katrin Glatz Brubakk – Quando uma criança sofre um trauma grave e vive em condições de grande incerteza por muito tempo, como acontece com as crianças de Gaza, ela teme por sua própria vida, pela de sua família, amigos e conhecidos. E em Gaza as crianças vivem assim há dois anos e meio. O nível de estresse e o impacto em seu sistema nervoso são tremendos.

A reação de cada criança é diferente. Algumas ficam muito agitadas ou têm problemas para dormir, se irritam, gritam; é fácil detectar esse sofrimento. Outras, por outro lado, se bloqueiam completamente. É como se seu sistema nervoso dissesse: “Não aguento mais”.

E a forma de se proteger é retraindo-se. A linguagem faz parte disso. Para essas crianças, é uma forma de não interagir com esse mundo que não deixa de fazê-las sofrer e de lhes infligir dor. Assim, não é uma escolha consciente, mas uma resposta neurológica ao estresse e ao trauma extremos.BBC News Mundo – É difícil para muitos compreender a magnitude do que viveram e vivem as crianças em Gaza. Você poderia nos dar uma ideia do trauma extremo que sofrem?

Brubakk – Não há nenhuma criança em Gaza que não esteja traumatizada. Há mais de um milhão de crianças que sofreram traumas graves. Claro que há diferenças, mas elas tiveram que fugir, perderam suas casas, todas enfrentaram a impossibilidade de ir à escola porque as escolas estão bombardeadas.

Todas perderam alguém, como familiares, amigos da escola, professores, um vizinho. Muitas viram corpos mutilados e sentiram o cheiro do sangue derramado. Algumas crianças me contaram que ajudaram a recolher restos humanos ou partes de cérebro na rua. São traumas extremos.

E isso não ocorreu apenas uma vez, mas muitas vezes para a maioria.

Mas, além disso, elas perderam toda sensação de segurança. Para ter um bom desenvolvimento, as crianças precisam ter certa confiança no mundo: a crença de que o mundo pode ser bom, que as pessoas não querem fazer mal a você. Essa sensação de segurança desapareceu completamente devido à magnitude da destruição, que afeta absolutamente tudo em Gaza.

Nenhuma criança em Gaza pode deitar com a certeza de que vai acordar no dia seguinte. Não têm um quarto ao qual possam entrar, fechar a porta e saber que ninguém pode alcançá-las. Portanto, essa guerra não apenas causa trauma, mas afeta toda a sua visão de mundo.

BBC News Mundo – Você poderia nos contar sobre algumas das crianças que tratou em Gaza?

Brubakk – Gostaria de falar de Adam, um menino de 5 anos. Era uma criança muito vivaz, alegre, falante e ativa. Ele adorava estar ao ar livre e brincar. Após o início da guerra em 2023, a família foi forçada a fugir e a se mudar para uma tenda. Seus avós viviam um pouco mais longe, também em uma tenda.

Um dia, Adam e seu pai quiseram visitar os avós, em uma área que não tinha ordem de evacuação e que supostamente era segura. Mas, sem aviso prévio, um projétil atingiu muito perto deles e feriu gravemente Adam e seu pai. Eles foram levados às pressas ao hospital, mas, como costuma acontecer quando há esses ataques, há tantas vítimas que, se não há leitos livres, muitas pessoas são colocadas no chão.

Adam e seu pai estavam no piso da sala de emergência esperando ser avaliados quando o menino viu e ouviu seu pai, ao seu lado, exalando o último suspiro. Adam também ficou gravemente ferido: perdeu uma perna e a outra ficou lesionada.

Após presenciar a morte do pai, o menino deixou de falar. Às vezes conseguia sussurrar alguma palavra isolada à mãe, mas não queria falar com ninguém. Mal comia. Era uma criança em estado crítico.

BBCnews Mundo – Que sequelas esses traumas podem deixar no futuro?

Brubakk – Quando uma criança como Adam deixa de interagir e de falar, também deixa de se desenvolver. Uma criança de 5 anos deveria praticar suas habilidades linguísticas com outras crianças e adultos para aprender, praticar a resolução de problemas, aprender normas sociais por meio do jogo. Tudo isso é interrompido. A linguagem é um sinal, mas seu desenvolvimento é completamente interrompido.

O que observei repetidamente é que, se essa situação se prolonga, afeta fisicamente o cérebro dessas crianças. Sabemos que, em crianças que sofreram trauma grave, a amígdala, a parte do cérebro responsável por emoções intensas, aumenta de tamanho. Isso pode ser medido. É maior em crianças traumatizadas.

E o córtex pré-frontal, a parte do cérebro que se desenvolve mais tarde e que é responsável por funções como planejamento, resolução de problemas, interação social e regulação emocional, aspectos fundamentais da vida, encontra-se subdesenvolvido. É mais fino e tem menos conexões neuronais.

Se uma criança permanece em um estado como o de Adam, retraída, sem desenvolvimento nem linguagem, se é mantida nessa situação de estresse extremo por muito tempo, terá problemas mais adiante na vida. Nunca se recuperará.

O melhor exemplo que tenho é meu próprio irmão. Ele foi adotado em 1974, após a guerra do Vietnã. Cresceu como crescem agora as crianças de Gaza, com bombardeios constantes, muita incerteza e escassez de alimentos, o que também afeta o desenvolvimento cerebral.

Quando meu irmão chegou à minha família na Noruega, embora fosse um lugar seguro e tivesse acesso a todos os alimentos de que precisava, levou anos para deixar de esconder comida atrás de livros na estante, porque não se sentia seguro.

É o que chamamos de “lesões cognitivas da guerra”, invisíveis, que em muitos casos acompanharão essas crianças, possivelmente, por toda a vida.

BBC News Mundo – Como você tentou ajudar Adam?

Brubakk – Trabalhando em um contexto como o de Gaza, há muitas coisas que não podemos fazer. O que essas crianças realmente precisam é de um lugar seguro onde viver, uma rotina estruturada, poder voltar à escola, brincar sem medo. Mas, felizmente, há coisas que podemos fazer.

E o mais importante é que essas crianças saibam que, embora o mundo inteiro não seja um lugar seguro para elas neste momento, existem pequenos espaços seguros. Que há pessoas ao seu redor aqui e agora que as apoiarão. No início, Adam não queria falar conosco, mas continuávamos indo ao seu quarto todos os dias e conversávamos com sua mãe.

Conversávamos com ela sobre o marido que havia perdido, mas também sobre as boas lembranças, sobre os sonhos que tinha para o futuro, coisas que poderiam dar a Adam um pouco de esperança de que aquilo não era o fim, mas que tempos melhores viriam.

E um dia, quando eu estava lá, de repente Adam sussurrou para sua mãe: “Faça essa mulher ir embora, não gosto dela”.

Foi uma rejeição, mas eu fiquei muito, muito feliz, porque significava que Adam começava a interagir com o que acontecia ao seu redor. Alguns dias depois, ele olhou para mim, algo que não havia feito antes.

Foi apenas um instante, mas aproveitei a oportunidade e disse: “Uau, você tem olhos castanhos enormes! São lindos. Os meus são totalmente diferentes, são azuis. Você já viu?”. E isso despertou a curiosidade daquele menino de 5 anos.

Esse foi o início de como, pouco a pouco, conseguimos fazer com que ele confiasse nas pessoas, que falasse brevemente conosco, que voltasse a alguma normalidade, embora não de forma permanente, porque carrega todos esses traumas.

BBC News Mundo – Você falava com Adam em árabe ou por meio de um intérprete?

Brubakk – Em Gaza há muitas pessoas com muita educação. Com a mãe de Adam eu falava inglês, ela tem doutorado em Física. Para a criança havia um intérprete.

E devo acrescentar que, quando trabalho em projetos como este, lidero uma equipe de psicólogos e assistentes sociais locais. Eu contribuo com conhecimento, mas o trabalho principal, que continua depois, é realizado pela nossa equipe da MSF em campo.

BBC News Mundo – No hospital Nasser você também trabalhou com crianças com queimaduras graves.

Brubakk – Quando uma bomba explode, produz uma enorme onda de calor que afeta todos que estão por perto, e a faixa etária mais numerosa que atendíamos era a de crianças de 4 a 6 anos. Isso se deve simplesmente ao fato de que são grandes demais para que seus pais as carreguem quando já estão levando crianças menores, mas suas pernas ainda são curtas demais para correr rápido o suficiente. Isso mostra que nenhuma criança está segura em Gaza.

E as crianças têm plena consciência disso. O medo pela própria vida continua sendo uma realidade cotidiana para as crianças em Gaza.

BBC news Mundo – Como você consegue trabalhar com essas crianças em estado de grande sofrimento físico?

Brubakk – As queimaduras são extremamente dolorosas. São tão dolorosas que coisas tão simples como trocar os curativos precisam ser feitas sob anestesia. A recuperação é longa e, quando não há comida suficiente, demora ainda mais, o que significa que as crianças permanecem nesse sofrimento atroz por mais tempo.

Uma das meninas que chegou ao nosso departamento era Mona, de 6 anos. Tinha queimaduras em todo o corpo. Tinha tantos curativos que tudo o que podíamos ver eram seus olhos e suas narinas.

No início, tudo girava em torno da parte médica, porque era preciso garantir que sobrevivesse. Assim, só consegui conhecer Mona quando começaram a retirar alguns curativos e vi seu rosto com muitas cicatrizes.

BBC News Mundo – O que havia acontecido com Mona?

Brubakk – Sua família foi forçada a se deslocar e viveu inicialmente em uma tenda. Mas depois os bombardeios pareceram se deslocar para outra área e pensaram que era seguro voltar à sua casa destruída.

Apenas dois dias após retornarem à casa, uma bomba atingiu o apartamento. Dois de seus irmãos morreram instantaneamente, mas a explosão incendiou um botijão de gás, o que provocou um incêndio generalizado: as cortinas, o sofá, os colchões estavam em chamas, e as três meninas estavam nesse quarto.

O pai conseguiu milagrosamente tirar as três meninas do apartamento. Mona tinha queimaduras por todo o corpo; sua irmã mais velha, que estava na cama ao lado, também tinha queimaduras e sofria dor intensa. Sua irmã do meio estava em terapia intensiva porque inalou muito ar quente e também tinha queimaduras internas.

Assim, Mona não estava lidando apenas com sua própria dor, mas também estava preocupada se sua irmã sobreviveria.

A família de Mona a apoiava muito e ela começou a se recuperar. E o que realmente me impressiona são esses pais, não apenas os de Mona, mas de tantas crianças em Gaza, que presenciam como seus filhos sofrem, estão feridos, eles próprios estão traumatizados por todos os bombardeios, a morte, a destruição, e ainda assim têm a capacidade de oferecer a essas crianças um cuidado, calor humano e amor excepcionais para que possam se recuperar da melhor maneira possível.

BBC News Mundo – Como você conseguiu ajudar Mona?

Brubakk – Uma das coisas que faço quando trabalho com as crianças é brincar muito, porque a brincadeira é a linguagem das crianças. Por meio dela, aprendem habilidades práticas, aprendem a resolver problemas, a interagir socialmente, a expressar seus sentimentos.

E com Mona começamos com bolhas de sabão. Eu as chamo de “bolhas de esperança” porque literalmente geram esperança nessas crianças. E o que torna as bolhas de sabão tão fantásticas é que, antes de tudo, se você vê algumas bolhas flutuando no quarto, é impossível não olhar, porque chamam a atenção.

São bonitas. Acalmam. E, se tenho uma criança muito agitada, pergunto: “Você vê quantas cores há em uma única bolha?”. Porque, se olhar bem, estão todas as cores do arco-íris.

Isso ajuda a criança a passar daquele estado de estresse para algo mais tranquilo, mais suave, a mudar o foco. Porque o trauma funciona de tal maneira que você fica preso nesse estado.

Outra coisa mágica das bolhas de sabão é que, se você quer ter bolhas grandes, precisa soprar o mais devagar possível. Porque, se soprar rápido, só consegue bolhas pequenas ou nenhuma. Mas, se sopra devagar, consegue bolhas bonitas. E respirar lenta e profundamente acalma o sistema nervoso.

BBC News Mundo – Que efeito isso tem no cérebro das crianças?

Brubakk – O que faço é, basicamente, dar à amígdala, o sistema de alarme do cérebro, a possibilidade de se acalmar. Assim, o córtex pré-frontal, a parte do cérebro encarregada da resolução de problemas e da regulação, tem a oportunidade de se desenvolver melhor. Claro que não resolve o problema completamente, mas dá a essas crianças melhores possibilidades de reduzir os efeitos de longo prazo do dano cognitivo que podem sofrer por causa da guerra.

Um dia Mona disse: “Gostaria de uma casa de princesa”, e me explicou que se referia a uma casa de bonecas. Claro que isso não se encontra em Gaza, mas encontrei papelão, fita adesiva e algumas cores para pintar, e juntas construímos uma casa.

Mona queria que fosse de dois andares e a decorou muito bem. Ela e sua irmã estavam brincando com uma casa de bonecas quando a bomba caiu.

E, embora pareça algo simples, essa foi a primeira vez que Mona pôde me contar o que havia acontecido e o quanto estava preocupada com suas irmãs.

Somente por meio da brincadeira conseguiu encontrar as palavras para se expressar. Assim, o brincar pode ser uma forma de processar o trauma, de encontrar linguagem para as experiências vividas.

BBC News Mundo – Você poderia nos explicar o conceito que você usa com frequência de “sofrimento silencioso”?

Brubakk – Em um contexto como o de Gaza, tudo é um caos. Há muito barulho, crianças gritando com ataques de pânico, pais gritando preocupados com seus filhos, pessoas chorando de dor.

É fácil ignorar crianças que sofrem em silêncio, não porque as pessoas não se importem, mas porque há coisas demais que demandam atenção e muito poucos recursos para tudo o que precisa ser feito. Mas uma criança silenciosa que não expressa seu sofrimento, que não pede ajuda, também é uma criança que sofre e precisa de tanta atenção quanto aquelas que choram aos gritos.

Porque, caso contrário, no pior dos casos, podem permanecer nesse sofrimento silencioso por muito tempo. Eu vi casos extremos, não em Gaza, mas em Moria, o campo de refugiados na Grécia.

É uma síndrome chamada “síndrome de resignação”, na qual as crianças se bloqueiam completamente. Deixam de falar, de comer, sequer abrem os olhos, mal respondem quando você tenta tocá-las.

E, se não recebem ajuda, permanecerão nessa condição por anos. Por isso é crucial que crianças como Adam e Mona possam se reintegrar à vida.

BBC News Mundo – Você esteve em muitas zonas de conflito. Por que diz que Gaza não se compara a nada?

Brubakk – Trabalhei durante os últimos 12 anos no Congo, no Líbano, no Egito com refugiados traumatizados, em um barco de resgate no Mediterrâneo, na Turquia após um grande terremoto.

Mas o nível de trauma que vi em Gaza e o nível de destruição são simplesmente incomparáveis a qualquer outra coisa que eu tenha visto nesses 12 anos. Absolutamente todos em Gaza estão afetados.

E não há saída, não há nenhum lugar seguro para onde ir. Todo o território está em pedaços. E, além disso, o sistema de saúde foi atacado de forma sistemática, com hospitais bombardeados. [Israel justifica os ataques contra instalações médicas alegando que grupos armados como o Hamas utilizam hospitais com fins militares].

BBC News Mundo – Você espera voltar a Gaza? Israel restringiu o acesso de agências de ajuda.

Brubakk – No momento não me deixam entrar.

Temos 1,6 mil funcionários locais e estou certa de que estão fazendo um trabalho incrível, mas a equipe internacional não tem permissão para entrar desde 1º de janeiro. Espero realmente que isso mude. Se eu pudesse ir a Gaza, iria em um piscar de olhos; é o único lugar onde quero estar.

BBC News Mundo – As crianças de Gaza continuam sofrendo violência. Em 9 de abril, por exemplo, uma menina de 9 anos, Ritaj Rihan, morreu, segundo a ONU, quando forças israelenses dispararam contra a tenda que abrigava sua sala de aula improvisada. As outras crianças na classe foram testemunhas. O Exército israelense disse à BBC News Mundo sobre o incidente que “as Forças de Defesa de Israel (FDI) trabalham para desmantelar as capacidades militares do Hamas” e “respeitam o direito internacional e tomam precauções viáveis para mitigar danos à população civil”.

Brubakk – A única coisa correta e o que as crianças de Gaza precisam agora é que façamos todo o possível, dentro das nossas possibilidades, para lhes proporcionar uma paz verdadeira. Devolver-lhes a vida, dar-lhes a possibilidade de viver em lugares seguros, de ir à escola.

Essa é a única maneira de terem um futuro digno. E, seja você político, estudante ou o que for, eu diria: use sua voz para que a pressão seja suficiente e essa paz finalmente chegue a Gaza. Caso contrário, estaremos destruindo toda uma geração de crianças.

BBC News Mundo – O que a levou a dedicar sua vida a crianças que sofrem circunstâncias traumáticas?

Brubakk – Cresci ouvindo histórias de guerra durante toda a minha vida. Minha mãe é alemã, nasceu em 1942. Quando era criança e soavam os alarmes, a levavam para o porão e ela dormia sobre sacos de batatas. E contava que os soldados voltavam do front sem uma perna ou um braço.

Para ela era realmente importante tentar compreender como pôde acontecer um genocídio, como pudemos permitir isso. E repetidas vezes nos destacou, a nós, seus filhos, “nunca mais”, que algo assim jamais deveria voltar a acontecer.

E depois eu, claro, com meu irmão, vi de perto o trauma e o dano que a guerra causa a uma criança. Meu trabalho em Gaza é a minha versão de “nunca mais”. Nenhuma criança deveria experimentar esse trauma. Parte o meu coração.

Fonte: BBC Brasil

PIX TERRORISTA

Flávio Show – Funcionário dos Correios

Maceió, 07 de Junho/ 2026

Chegamos em Junho e as festas juninas ja estão a todo vapor no Brasil, tem milho, canjica, fogueira, muito forró e quadrilha. Por falar em quadrilha o nosso Brasil Varonil ta dando um show, um verdadeiro anarriê contra nossa soberania.
Depois da ida do Flavio Bolsonaro aos EUA onde veio na bagagem a classificação do CV e do PCC como terroristas e que abre as portas para as forças americanas invadirem nossas terras, o Senador resolveu classificar o PIX como a mais nova força terrorista para os EUA e tambem como moeda de troca, onde o Brasil só perde. Seu irmão Eduardo Bolsonaro chegou a cogitar a substituição da ferramenta brasileira por um mecanismo usado nas terras do Tio Sam, conhecido como Zeele.
Os bolsonaros resolveram fazer Zeele da gringa ao invés de fazer o L , digo! O Pix do Brasil.

A campanha eleitoral ja começou e qualquer deslize pode custar caro e isso tem acontecido com frequência na campanha do Flavio Bolsonaro. Vale lembrar que até hoje ele não conseguiu explicar e nem trazer documentos que comprovassem os gastos com o filme “Dark Pangaré” que conta a “magnífica” historia do seu Jair . Outro que saiu de cena foi o Deputado Mário Frias, o mutante mais uma vez usou dos seus poderes para dar aquela sumida cinematográfica e se exilar nos EUA, até hoje pelo menos. Os EUA viraram refúgio para para os parlamentares bolsonaristas e o Paraguai é o primo pobre para os eleitores desses parlamentares.
Eduardo Bolsonaro continua tambem exilado por conta própria por lá, numa missão árdua, tentar gastar todo dinheiro que recebeu que ninguem sabe de onde veio e quem doou. Uma vida dificil numa mansão no Texas, vivendo quase na extrema pobreza , dependendo da bolsa Vorcaro pra sobreviver, pedindo ajuda aos seus seguidores por meio do Zeele, não mesmo, nessa hora ele usa o Pix, pois sabe que o sistema brasileiro é incomparável ao americano. Por essas e outras Lula tem subido nas pesquisas, mas a dança ta só começando e mais dois encontros da familicia com o Trump, Lula leva no 1° turno!

Por falar em Trump, essa semana ele divulgou que o Brasil sofrerá um novo tarifaço, notícia que fez o candidato da extrema direita aqui no Brasil correr pra dizer que não era o pai da criança. As redes não perdoaram e o “Tariflavio” colou nele. Basta lembrarmos que após o primeiro tarifaço, os bolsonaros gravaram diversos videos comemorando a medida do Laranjão. Nesse novo tarifaço nem precisa de DNA, pois ja ta claro quem é o pai, a mãe, os tios e até os padrinhos.

E Ciro Gomes que disse que os seus bolsonaristas são honrados. Oi?

Reflexões* Flávio Show 2026 , ano 06 – Edição 287

Em novo crime de guerra, estado genocida de Israel usa arma química contra civis no Líbano

O jornal The New York Times denunciou que o Exército de Israel usou bombas de fósforo branco contra a população do Líbano, o que voltou a colocar em discussão os riscos humanitários das armas incendiárias, capazes de provocar queimaduras graves em civis e destruição em áreas atingidas.

O fósforo branco é uma munição empregada em operações militares com diferentes finalidades estratégicas. Esse tipo de armamento pode ser usado para criar cortinas de fumaça, dificultar a identificação de movimentações de tropas, iluminar áreas de combate ou incendiar estruturas consideradas alvos militares.

Apesar de seu uso em contextos de guerra, o fósforo branco representa alto risco para populações civis quando empregado em áreas habitadas. O material pode causar queimaduras profundas e ampliar os danos em regiões onde há presença de moradores, infraestrutura urbana e serviços essenciais.

Histórico das bombas incendiárias

O uso de armas incendiárias em larga escala remonta à Primeira Guerra Mundial, período em que a aviação militar passou a desempenhar papel decisivo nos conflitos. Em 31 de maio de 1915, um dirigível alemão Zeppelin realizou um ataque aéreo contra Londres com bombas incendiárias, episódio apontado como um marco no emprego desse tipo de armamento.

Durante a Segunda Guerra Mundial, obuses de fósforo branco foram utilizados amplamente pelo Exército dos Estados Unidos. Naquele contexto, o uso foi direcionado contra tropas blindadas alemãs, em meio à expansão das operações militares no continente europeu.

Acusações em conflitos recentes

O emprego de armas incendiárias também marcou conflitos posteriores. Na Guerra do Vietnã, os Estados Unidos utilizaram bombas de napalm, enquanto a França recorreu a armamentos semelhantes durante a Guerra da Indochina, entre 1946 e 1954, feitos à base de combustível gelatinoso.

A partir dos anos 2000, diversos países passaram a ser acusados de usar fósforo branco em áreas de conflito. Em 2004, militares dos Estados Unidos teriam utilizado a munição em Fallujah, no Iraque, mesmo com a presença de civis na cidade, apontada como base de retaguarda de grupos terroristas.

Em 2009, Israel foi acusado de empregar fósforo branco contra palestinos em Gaza. Em 2014, a Rússia acusou a Ucrânia de utilizar esse tipo de munição na guerra do Donbass, no leste ucraniano. Quatro anos depois, em 2018, o Exército russo foi acusado de lançar fósforo branco contra a Síria.

As acusações também se estenderam à região de Nagorno Karabakh. Em 2020, Armênia e Azerbaijão trocaram denúncias sobre bombardeios contra áreas civis durante a disputa pelo território, reforçando o histórico de controvérsias envolvendo armas incendiárias em zonas de guerra.

Como o fósforo branco age no corpo das vítimas

Ao entrar em contato com o oxigênio, o fósforo branco entra em combustão e produz calor intenso, fumaça tóxica e partículas capazes de aderir à pele. Nas vítimas, o efeito pode combinar queimaduras térmicas e químicas, com lesões profundas, extremamente dolorosas e de difícil cicatrização, segundo a Organização Mundial da Saúde.

O risco é agravado porque fragmentos do material podem permanecer nos tecidos e voltar a queimar quando expostos novamente ao ar. A OMS aponta que as áreas atingidas podem apresentar necrose e queimaduras de espessura total, enquanto a exposição severa pode provocar efeitos sistêmicos retardados, incluindo danos ao fígado e aos rins, colapso cardiovascular, coma e morte.

Além das lesões na pele, a fumaça gerada pelo fósforo branco pode afetar as vias respiratórias. Autoridades de saúde pública dos Estados Unidos registram que a inalação pode causar irritação no nariz e na garganta, tosse e falta de ar, enquanto exposições substanciais podem atingir órgãos vitais, como coração, fígado e rins.

Em áreas povoadas, esses efeitos ampliam o potencial de dano contra civis, especialmente quando a munição se espalha pelo ar antes de atingir o solo. A Human Rights Watch afirma que o uso de fósforo branco em Gaza e no Líbano coloca populações civis sob risco de ferimentos graves e duradouros.

Crime de guerra

O uso de fósforo branco não é proibido em todas as situações pelo direito internacional, mas pode configurar crime de guerra quando atinge civis, bens civis ou áreas povoadas de forma indiscriminada. A munição é regulada como arma incendiária pelo Protocolo III da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, adotada em 10 de outubro de 1980 e em vigor desde 2 de dezembro de 1983.

O Protocolo III proíbe, em qualquer circunstância, transformar civis, a população civil ou bens civis em alvo de ataque com armas incendiárias. O texto também veta ataques aéreos com armas incendiárias contra objetivos militares localizados dentro de concentrações de civis, como cidades, vilas, campos de refugiados ou grupos de deslocados.

Na prática, isso significa que o crime não decorre apenas da existência do fósforo branco, mas da maneira como ele é usado. Quando lançado sobre áreas habitadas, o armamento pode violar princípios básicos do direito internacional humanitário, como distinção entre combatentes e civis, proporcionalidade e precaução nos ataques. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirma que as restrições do Protocolo III existem justamente para proteger civis e bens civis dos efeitos das armas incendiárias.

Há, porém, uma brecha jurídica relevante. Organizações de direitos humanos apontam que o Protocolo III deixa de fora certas munições de uso múltiplo, como projéteis de fósforo branco empregados principalmente para produzir fumaça, marcar alvos ou iluminar o campo de batalha, ainda que possam causar incêndios e queimaduras graves. A Human Rights Watch defende que essa lacuna enfraquece a proteção de civis e pede regras mais rígidas sobre armas incendiárias.

No caso de Israel, a discussão jurídica é ainda mais complexa porque o país é parte da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, mas não é parte do Protocolo III, segundo registros citados por entidades internacionais. Ainda assim, especialistas e organizações de direitos humanos sustentam que ataques indiscriminados contra civis podem violar normas gerais do direito internacional humanitário, independentemente da adesão formal ao protocolo específico sobre armas incendiárias.

Desde os anos 1980, portanto, o direito internacional passou a impor limites específicos ao uso de armas incendiárias. O marco jurídico é o Protocolo III, de 1980, em vigor desde 1983. A partir desse período, ataques com esse tipo de armamento contra civis ou em concentrações de civis passaram a ser enquadrados como violações graves das leis de guerra, podendo configurar crime de guerra conforme as circunstâncias concretas de cada caso.

Fonte: Brasil 247

Lula lidera ranking digital e Flávio Bolsonaro derrete depois do caso Vorcaro

Presidente chega ao topo do IDP após desgaste de Flávio Bolsonaro com áudios ligados a Daniel Vorcaro

A divulgação de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, alterou o cenário digital entre presidenciáveis monitorados pela Datrix e levou o presidente Lula (PT) ao primeiro lugar do Índice Datrix de Presidenciáveis, o IDP, segundo a Exame.

Pela primeira vez desde dezembro de 2025, Flávio Bolsonaro perdeu a liderança do levantamento, que mede a performance digital de possíveis candidatos ao Palácio do Planalto. Lula encerrou maio com 24,45 pontos, enquanto o senador caiu para 21,78 pontos, no que a Datrix classificou como a maior queda absoluta registrada desde o início do monitoramento.

O levantamento também apontou retração no desempenho de Romeu Zema (Novo) e Renan Santos, do Missão. Ronaldo Caiado (PSD), por sua vez, foi o nome que apresentou a menor oscilação entre os políticos acompanhados.

Segundo João Paulo Castro, cofundador e CEO da Datrix, a mudança na primeira posição não decorreu de uma forte alta de Lula, mas do desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro após a crise. “Ninguém melhorou. O Lula ficou parado. O Lula teve um comportamento muito semelhante ao dos últimos meses. O Flávio e o Zema é que achataram”, afirmou ele à Exame.

O IDP avalia mensalmente o desempenho digital de possíveis candidatos à Presidência a partir de quatro eixos: redes próprias, repercussão e menções feitas por apoiadores, imprensa, influenciadores e lideranças políticas, tonalidade das citações e interesse de busca dos usuários em plataformas digitais. O monitoramento acompanha os presidenciáveis há cerca de 18 meses.

Flávio Bolsonaro liderava o ranking desde dezembro, mas viu sua posição se deteriorar após a publicação, em 13 de maio, de áudios divulgados pelo Intercept Brasil. O material envolvia recursos milionários destinados ao filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com a Datrix, o episódio provocou uma mudança no chamado “mar aberto”, indicador que mede a percepção sobre o político fora de seus canais controlados. A pontuação de Flávio passou de positiva para negativa ao longo do mês, enquanto o volume de menções quase dobrou.

“O caso alterou o comportamento das redes sobre o Flávio Bolsonaro. Pela primeira vez, aquilo que ele herdou do legado digital do pai se reverteu. Houve uma quantidade muito grande de pessoas falando sobre ele, mas de forma negativa”, disse Castro.

Apesar de ter recuperado parte do desempenho no fim de maio, após agenda nos Estados Unidos e encontro com Donald Trump, Flávio Bolsonaro não conseguiu compensar as perdas acumuladas no mês. A pontuação diária voltou a subir nos últimos dias do período, mas o senador terminou abaixo de Lula pela primeira vez desde sua entrada no monitoramento.

A crise também atingiu outros nomes do campo da direita. Romeu Zema, que havia ganhado destaque em abril após embates com o Supremo Tribunal Federal (STF), registrou a maior queda percentual do ranking. O recuo foi de 42%, de 21,13 para 12,19 pontos.

Para Castro, Zema foi impactado por ter sido o primeiro nome do campo conservador a criticar publicamente Flávio Bolsonaro. “Quando ele atacou o rival, acabou recebendo muitos ataques da própria base bolsonarista”, afirmou.

Renan Santos também sentiu os efeitos da crise. Embora tenha ampliado sua visibilidade durante o episódio, o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) viu piorar a qualidade das interações. O volume de menções cresceu, mas o engajamento de sua própria base diminuiu.

“O Renan conseguiu aparecer mais quando criticou o Flávio, mas parte da base não acompanhou esse movimento. Ele ganhou exposição, mas perdeu qualidade de engajamento”, disse o CEO da Datrix.

Entre os nomes analisados, Ronaldo Caiado foi o mais estável. O governador de Goiás encerrou maio com 11,63 pontos e teve a menor variação do grupo. Na avaliação de Castro, a postura mais cautelosa diante da crise ajudou a preservar seu capital digital, embora o desafio de ampliar alcance e volume de menções permaneça.

No caso de Lula, a Datrix avalia que a liderança foi favorecida por um contexto externo mais positivo. A melhora da aprovação do governo em pesquisas, o encontro com Trump na Casa Branca e anúncios de programas federais contribuíram para tornar o ambiente digital mais favorável ao presidente.

Ainda assim, Castro afirma que o desempenho de Lula permaneceu próximo ao observado nos meses anteriores. “O Lula fez um gol jogando parado. Se você está ganhando sem gerar desgaste, escolha com mais cuidado os temas em que vai entrar”, declarou.

Para os próximos meses, o CEO da Datrix projeta uma nova etapa na disputa digital. Depois de maio ter sido marcado pelo caso Vorcaro, os possíveis candidatos deverão definir como tratar novos temas sem abrir espaço para ataques de adversários.

Um dos focos do governo é associar Flávio Bolsonaro à possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Após a visita do senador a Washington, a gestão Trump anunciou que pode aplicar tarifas de 25% ao Brasil, acusou o país de trabalho forçado e ameaçou outra tarifa de 12,5%.

Na leitura de Castro, Lula entra nesse cenário em posição mais confortável, com indicadores favoráveis e maior margem para escolher as pautas em que pretende atuar. O possível tarifaço aparece como um dos principais testes da disputa digital.

“Ele pode arriscar menos. As tendências estão mais claras para ele do que para os demais candidatos”, disse o especialista.

O pesquisador avalia que o presidente tenta transformar a discussão sobre tarifas em um tema politicamente desfavorável para Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a reação da base bolsonarista ao episódio será decisiva para indicar se a recuperação observada no fim de maio terá continuidade ou se o caso Vorcaro seguirá afetando a reputação digital do senador.

Para os demais nomes da direita, o desafio segue concentrado em encontrar pautas capazes de ampliar alcance e engajamento sem provocar rejeição dentro do próprio eleitorado conservador. Segundo Castro, esse equilíbrio será determinante para definir quem conseguirá aproveitar a reorganização do ambiente digital nos próximos meses.

Fonte: Brasil 247

Imperialismo dos EUA intensifica ataque à soberania do Brasil

O governo Trump desferiu ataques ao Brasil que mostram com qual “química” ele trabalha. Em 28 de maio classificou o PCC e o CV como grupos terroristas. A medida serve para os EUA, pela sua lei, imiscuir-se em assuntos internos de outro país.

EEsta semana, anunciou taxações de 25% e depois mais 12,5% aos produtos brasileiros. As medidas vem da investigação comercial do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, em inglês), iniciada em julho de 2025, depois que Trump foi obrigado pela justiça a recuar de parte do tarifaço geral de 50%.

Todos os leitores sabem que os ataques de Trump se dão num ano eleitoral, após a visita de Bolsonaro Jr., mesmo se ele jure que não tem nada a ver.

O relatório do USTR, travestido de análise técnica, é uma aberração. Fiquemos em três pontos:

Balança comercial: retoma a cantilena de que no comércio entre os dois países, os EUA estão em desvantagem. Quando na verdade o Brasil é que é deficitário há 15 anos, uma manipulação fraudulenta.

Pix: o USTR classifica o Pix de prática “injusta e discriminatória”. Injusta para quem? Para o povo estadunidense, não! Para os brasileiros que aderiram amplamente ao Pix, não! Sem disfarce, explica que a prática é injusta por causa da gratuidade, e o destaque no sistema nos aplicativos bancários impõe ônus e prejuízos às gigantes americanas de meios de pagamento, como Visa, Mastercard e PayPal.

Trabalho escravo, trabalho forçado: o USTR posa de preocupado com o trabalho escravo e o trabalho forçado. Um setor denunciado por trabalho escravo foi a pecuária. Mas atenção, a carne bovina ficou fora da taxação!

Dois dias depois, o USTR propõe uma tarifa extra de 12,5% aos países que não teriam adotado medidas suficientes para impedir produtos ligados ao trabalho forçado ou reforçar mecanismos de fiscalização. Ora, o USTR devia investigar a exploração do trabalho forçado dos presos nos EUA e a submissão de imigrantes ao trabalho em condições análogas à escravidão.

Primeiro, a hipocrisia. Segundo, quem deve resolver os problemas do Brasil é o Brasil

Reciprocidade neles!

O governo brasileiro estima uma queda de 21% das exportações para os EUA. Para os trabalhadores isso não pode significar desemprego, cabe proteção do governo.

Lula desmascarou as inverdades do relatório da USTR. Nota do governo brasileiro diz: “O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional”.

Aprovada em 2025 pelo Congresso, a lei já regulamentada pelo governo, é um instrumento de defesa comercial que autoriza o Brasil a aplicar contramedidas unilaterais. Como tarifas adicionais de importação, restringir o comércio e suspender concessões comerciais ou de investimentos.

O recado do FMI: parem de gastar com bobagens!

Em outra frente, mas do mesmo lado barricada, um relatório do FMI desta 2ª feira recomenda que para o Brasil melhorar sua “credibilidade fiscal”, é preciso “reformas para enfrentar a rigidez das despesas” (Valor 2/06). Leia-se os pisos constitucionais com saúde e educação.

Guerras e pressão para cortar os serviços público; ingerência contra a soberania; perseguição aos imigrantes nos EUA: são pratos do único cardápio que o imperialismo tem a oferecer. Em 1916 Lenin escreveu que a fase imperialista do capitalismo era a reação em toda linha. Mais de um século depois, este é menu oferecido pelos poderosos do mundo. Mas os trabalhadores não se mostram dispostos a engoli-lo.

Fonte: Petista.org.br

A Colômbia depois do primeiro turno presidencial

No primeiro turno, no último domingo, o candidato da extrema-direita Abelardo De la Espriella obteve 43,73% dos votos e o candidato da esquerda Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Petro, ficou em segundo lugar com 40,91%. Mas houve uma abstenção ainda alta de 42,78%, portanto, é possível uma virada no segundo turno em 21 de junho.

O presidente Trump apoiou a eleição Abelardo. Há denúncias de fraude na apuração da empresa contratada Thomas Greg & Sons.

Após o pleito, a burguesia reposicionou-se. A candidata Paloma Valência da direita tradicional que implodiu com menos de 7% dos votos, em terceiro lugar, anunciou apoio a De la Espriella, assim como o Partido Conservador.

Nas pesquisas havia um clima de favoritismo, em parte assumido no entorno de Cepeda. Mas houve uma ofensiva da extrema-direita que utilizou robôs nas redes sociais, medo e desinformação, além da pressão dos paramilitares que, na Colômbia, dominam certos territórios.

Petro foi eleito com uma proposta de “Paz Total” com os guerrilheiros das FARC e ELN negociados por Cepeda (o ELN não assinou), mas nos últimos meses houve um recrudescimento da violência explorado pela direita.

Abelardo defende a construção de mega-presídios no modelo de Bukele em El Salvador e o fim da “Paz Total”. Quer reduzir impostos para empresários e uma flexibilização trabalhista.

Cepeda defendeu o legado de Petro que inclui uma reforma agrária parcial e o aumento do salário mínimo, mas que não resolveu o problema na saúde privada. A melhor opção de Cepeda é aprofundar a mobilização em todo o país com um programa de medidas concretas que atraia os abstencionistas, numa campanha dirigida aos setores populares.

Alguns materiais de segundo turno de Cepeda vão na boa direção, como o cartaz pela estabilidade do trabalho, seguridade e saúde universal. Na Colômbia a precarização do trabalho é maior do que no Brasil e a insegurança na vida sindical muito maior.

É verdade que Petro chamou mobilizações de massa em defesa de medidas travadas no Congresso onde é minoria. Mas se, por isso, algumas vezes levantou a bandeira da Assembleia Constituinte, não foi consequente.

A “guerra aos cartéis” começou há quase 40 anos na Colômbia. Há pelo menos sete bases militares de “cooperação temporária” dos EUA que não foram questionadas. Mais que simbólicas, são como um porta-aviões em solo sul-americano.

Como se vê, há questões de fundo a serem ainda debatidas. Mas em todos os casos será melhor com Cepeda no governo.

A vitória de De la Espriella seria um ponto para o “Escudo das Américas” de Trump (Colômbia, Brasil e México não haviam sido “convidados”).

Há expectativa na América Latina sobre o resultado eleitoral, se espera que Cepeda se desembarace do curso dos governos progressistas vitimados por suas contradições (Chile e Bolívia, por exemplo). Em todos os casos, as forças independentes dos trabalhadores têm lições a tirar para avançar na luta pela emancipação.

Fonte: Petista.org.br

Tarcísio manda adotar material de propaganda do estado genocida de Israel em escolas de SP

O DCM obteve uma circular, distribuída pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, que orienta escolas da rede pública a desenvolver atividades pró-sionismo utilizando materiais produzidos pela ONG StandWithUs Brasil, que se apresenta como uma “organização educacional de combate ao antissemitismo” e é presidida por André Lajst, figura obrigatória da mídia na cobertura do genocídio em Gaza.

A iniciativa é do governo Tarcísio de Freitas, aliado da família Bolsonaro e um dos governadores brasileiros que mais se aproximaram de Israel nos últimos anos. Tarcísio esteve com o premiê Benjamin Netanyahu em 2024 e, no ano seguinte, enviou seu principal auxiliar, o secretário da Casa Civil, Arthur Lima, a uma missão oficial no país.

Chamado de “Circuito Educacional”, o material foi encaminhado oficialmente às unidades escolares por meio de ofício da Secretaria da Educação e integra atividades pedagógicas voltadas a professores e estudantes do ensino médio com o tema “Antissemitismo: Passado, Presente e Futuro”.

De acordo com a cartilha, a ideia é “estabelecer diálogo com professores das diferentes áreas do conhecimento e com o trio gestor, buscando integrar o Circuito ao cotidiano escolar”. O ofício disponibiliza seis conjuntos de apresentações em PowerPoint, organizados por semana, destinados aos encontros com os alunos, que são orientados a produzir textos e um minidocumentário sobre o tema.

“É claro que nós somos contra toda forma de xenofobia ou racismo, é claro que não somos antissemitas, mas isso é uma tentativa de lavar a imagem do Estado de Israel e da violência do sionismo através do governo paulista”, diz o educador Daniel Cara, cientista político e professor da Faculdade de Educação da USP.

Não aparecem nas apresentações referências à invasão dos territórios palestinos, à expansão dos assentamentos israelenses, às violações de direitos humanos feitas por organismos internacionais ou às interpretações palestinas sobre a origem e a continuidade do conflito.

Embora apresentada como uma ação de combate ao antissemitismo e uma defesa de dois estados, a documentação mostra que os conteúdos são propaganda sionista, com interpretações específicas sobre o país, baseadas em autores identificados com o sionismo contemporâneo.

O vínculo com a StandWithUs fica explícito no material adotado, que exibe o logotipo da entidade e sua mensagem institucional: “Nós acreditamos que a educação é o caminho para a paz”. O autor usado como principal referência, o israelense-americano Yossi Halevi, parece pensar diferente. Em entrevista ao Estadão, ele declarou: “Não é hora de falar de paz, precisamos defender o Estado de Israel”.

O livro de Halevi “Cartas ao meu vizinho palestino” é a base do projeto. Ele foi soldado em uma unidade das Forças de Defesa de Israel que patrulhava a Faixa de Gaza na Primeira Intifada, entre 1987 e 1993.

“A fim de permitir que o outro lado obtenha certa medida de justiça, cada lado deve impor a si mesmo alguma medida de injustiça”, escreve o ex-soldado em seu livro, ao defender o que chama de “justiça distributiva”. A partir da perspectiva sionista, a injustiça deixa de ser algo a ser corrigido e passa a ser apresentada como condição para alcançar a própria justiça.

O DCM conversou sobre o projeto com uma professora de Osasco (SP), que preferiu se manter anônima por razões de segurança. “Esse projeto vem via sala de leitura, ou seja, ele vai estar com profissionais provavelmente da área de Letras, que não são gabaritados para fazer um contraponto”, alerta.

“Vai haver, sob a perspectiva do Estado de São Paulo, a criação de uma narrativa oficial, com argumentos quase científicos, de que o que está acontecendo é correto, chancelando essa ação de terror, de morte e de guerra que estamos vendo na Palestina e no Líbano. Assim, é criada uma narrativa única dentro de uma escola, como se fosse a versão oficial dos fatos”.

Há um farto palavrório sobre a Guerra dos Seis Dias, entre 5 e 10 de junho de 1967, quando Israel ocupou Jerusalém Oriental, a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e as Colinas de Golã. O conflito terminou com uma vitória rápida e decisiva das forças israelenses sobre os exércitos árabes liderados principalmente pelo Egito de Gamal Abdel Nasser.

“A existência do Estado de Israel estava por um fio”, declarou o então primeiro-ministro Levi Eshkol. Segundo essa narrativa, a ofensiva teria impedido uma tentativa árabe de destruir Israel e evitado o que autoridades classificaram como um possível “segundo Holocausto”.

Essa interpretação, porém, passou a ser contestada por integrantes do próprio establishment militar israelense. Um dos críticos mais conhecidos foi o general Matituahu Peled, que integrou o Estado-Maior durante a guerra. Em março de 1972, ele afirmou que a ideia de que Israel enfrentava uma ameaça de genocídio em junho de 1967 havia sido construída posteriormente.

O conteúdo parece confundir antissemitismo com sionismo, o que demonstra um vínculo com o projeto da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que propôs interpretar o antissemitismo como uma forma de racismo para censurar quem faz críticas a Israel.

No Brasil, o Conselho Nacional de Direitos Humanos criticou a adoção da definição. Em nota técnica, o órgão afirmou que ela é “inconstitucional” e que “introduz conceitos distorcidos de antissemitismo para perseguir e condenar quem se manifesta contrário às políticas do Estado de Israel”.

Em outro trecho, os alunos são convidados a refletir sobre a “disputa territorial” entre israelenses e palestinos a partir da frase: “Por que estamos discutindo sobre quem é o dono da terra quando no final a terra será proprietária de nós dois?”.

O material propõe ainda uma discussão sobre o que chama de “cerne do conflito israelo-palestino”, identificado como “o muro entre nós”, e questiona os estudantes sobre o significado da “barreira” construída por Israel e as razões de sua existência.

Fonte: DCM

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