O governo da Itália reagiu nesta terça-feira (09/06) às declarações do ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, que insultou o país europeu após o anúncio de uma investigação contra ele, conduzida pelo Ministério Público de Roma.
A investigação foi anunciada nesta segunda-feira (08/06) e relaciona-se ao vídeo divulgado em 20 de maio, no qual Ben-Gvir aparece humilhando os ativistas da Flotilha Global Sumud, que são agredidos por oficiais no aeroporto de Ashdod, em Israel.
Ben-Gvir reagiu às investigações, dizendo que “o país da bota se tornou o país dos chinelos”. Ele disse que não irá desanimar “por esta ou qualquer outra investigação”.
“Israel não é um saco de pancadas para um bando de apoiadores terroristas mentirosos que fabricam calúnias e mentiras contra nossos combatentes”, acrescentou.
Autoridades italianas também investigam, em paralelo, a legalidade da interceptação e analisam acusações de tortura, agressão sexual e sequestro. legalidade da interceptação da embarcação da Flotilha em águas internacionais.
Resposta da Itália
Após as declarações de Ben-Gvir, o vice-primeiro-ministro e chanceler italiano, Antonio Tajani, disse que a Itália rejeita “qualquer insulto”.
“Não tenho palavras para comentar o que Ben-Gvir disse sobre a Itália depois de saber que estava sob investigação do Ministério Público. São observações inaceitáveis que rejeitamos abertamente; são indignas de um ministro”, afirmou.
Em audiência conjunta das comissões de Relações Exteriores e Defesa da Câmara dos Deputados e do Senado, Tajani afirmou ter pedido à chefe da diplomacia da União Europeia (EU), Kaja Kallas, que apresente aos países do bloco uma proposta de sanções contra Ben-Gvir.
Segundo ele, França e Holanda apoiam o estabelecimento de sanções contra o ministro israelense. A iniciativa junto ao bloco europeu foi liderada pela Itália, Espanha, Suécia e Polônia, dias após a divulgação as imagens.
“Veremos nos próximos dias se é possível chegar a um consenso na Europa, mas quero assegurar a esta Câmara que continuaremos avançando nessa direção”, declarou.
Ele acrescentou que Roma também está disposta a discutir medidas contra produtos oriundos de assentamentos ilegais israelenses. “Estamos aguardando as propostas da Comissão Europeia”, concluiu.
Durante duas operações coordenadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Auditoria Fiscal do Trabalho, foram resgatados 69 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em diferentes regiões da Bahia (BA). As ações ocorreram entre 24 de maio e 3 de junho, nos municípios de Seabra, na Chapada Diamantina, e Novo Horizonte, região conhecida pela atividade garimpeira.
As fiscalizações foram realizadas com o apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Defensoria Pública da União (DPU) e da Polícia Federal (PF), reforçando a atuação integrada do Estado brasileiro no combate ao trabalho escravo contemporâneo.
Obra às margens da BR-242
De acordo com as informações da fiscalização, no município de Seabra, os auditores-fiscais do Trabalho resgataram 45 trabalhadores em um canteiro de obras destinado à construção de um empreendimento comercial voltado ao funcionamento de ponto de apoio rodoviário e restaurante. A operação foi deflagrada no dia 25 de maio.
Durante a inspeção, foram identificados 55 trabalhadores em atividade, dos quais 45 foram resgatados. As equipes constataram alojamentos precários, com superlotação, falta de privacidade, instalações sanitárias inadequadas e convivência direta com materiais de construção, equipamentos e produtos químicos.
Também foram verificadas graves irregularidades trabalhistas, como ausência de registro em carteira, inexistência de controle formal de jornada, falta de programas de saúde e segurança e fornecimento insuficiente de equipamentos de proteção individual.
A fiscalização identificou ainda situações de grave e iminente risco, incluindo instalações elétricas improvisadas, máquinas sem proteção, escavações abertas sem sinalização e trabalho em altura sem medidas de segurança. As jornadas ultrapassavam os limites legais, chegando a cerca de 65 horas semanais.
Segundo a equipe da Auditoria Fiscal do Trabalho, os trabalhadores foram recrutados em diferentes estados e passaram a depender integralmente da estrutura fornecida pela empresa para moradia e alimentação. Diante do conjunto de irregularidades, ficou caracterizada a submissão a condições análogas à escravidão, especialmente em razão das condições degradantes de trabalho e da jornada exaustiva.
Ao final da ação, foram pagos R$ 578.243,28 em verbas rescisórias e R$ 157.500,00 a título de danos morais individuais. A obra foi totalmente embargada, e os trabalhadores foram encaminhados para habilitação no seguro-desemprego especial destinado a trabalhadores resgatados e para atendimento pela rede de assistência social.
Resgate em garimpos subterrâneos
Na região de Novo Horizonte, entre os dias 24 de maio e 3 de junho, outra operação identificou 40 trabalhadores atuando em garimpos subterrâneos de extração artesanal de quartzo rutilado e barita. Desses, 24 trabalhadores foram resgatados por estarem submetidos a condições análogas à escravidão.
Segundo a fiscalização, os trabalhadores foram encontrados vivendo em barracos improvisados de lona, sem acesso à água potável, higiene adequada ou condições mínimas de habitabilidade. As equipes também identificaram um sistema irregular de remuneração baseado no pagamento semanal de cerca de R$ 120, conhecido como “feira”, além da promessa de remuneração vinculada à produção futura, modelo considerado fraudulento por transferir aos trabalhadores os riscos da atividade econômica.
Os auditores-fiscais do Trabalho constataram ainda a existência de uma estrutura organizada de comando das atividades, evidenciando subordinação e dependência econômica dos trabalhadores.
As condições de segurança eram extremamente precárias. Os garimpeiros atuavam sem equipamentos de proteção adequados e sem treinamento, realizando atividades em galerias subterrâneas com profundidade de até 100 metros. A situação os expunha a riscos de soterramento, quedas, trabalho em espaço confinado e contaminação por sílica, substância associada ao desenvolvimento da silicose.
Diante das irregularidades encontradas, foi caracterizada a submissão dos trabalhadores a condições análogas à escravidão, especialmente em razão das condições degradantes de trabalho. Todas as frentes de trabalho fiscalizadas foram interditadas.
Após o resgate, os trabalhadores foram afastados das atividades e terão acesso às verbas rescisórias devidas e ao seguro-desemprego especial destinado aos trabalhadores resgatados.
Combate ao trabalho análogo à escravidão
De acordo com a coordenadora das operações, a auditora-fiscal do Trabalho Gislene Stacholski, as duas operações reforçam o compromisso da Auditoria Fiscal do Trabalho, vinculada ao MTE, com a erradicação do trabalho escravo contemporâneo e a garantia dos direitos fundamentais dos trabalhadores.
“Além do resgate das vítimas e da reparação dos danos sofridos, as ações buscam responsabilizar os empregadores envolvidos e impedir a continuidade das irregularidades, contribuindo para a promoção do trabalho decente e da dignidade humana.”
Denúncias
Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê, disponível em https://ipe.sit.trabalho.gov.br. Lançada em 2020 pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a ferramenta fortalece o combate a essas violações por meio da participação ativa da sociedade.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança do primeiro turno da disputa presidencial, com 39% das intenções de voto. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece em segundo lugar, com 29%.
O levantamento é o primeiro divulgado pela Quaest desde a revelação de diálogos em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso por lavagem de dinheiro e fraudes financeiras, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A pesquisa AtlasIntel, que também mediu o impacto do escândalo sobre a campanha de extrema-direita, foi censurada pelo ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A pesquisa também ocorre depois de Flávio se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.
Na rodada anterior, divulgada em maio, Lula também tinha 39%, enquanto Flávio registrava 33%. O cenário, porém, não é idêntico: em maio, a pesquisa testava 10 pré-candidatos; agora, são 13 nomes. Pela primeira vez, a Quaest incluiu o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa.
Depois de Lula e Flávio, aparecem o fundador do MBL, Renan Santos (Missão), e o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), ambos com 3%. Aécio Neves e o ex-governador Romeu Zema (Novo) pontuam com 2% cada. Augusto Cury (Avante), Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) têm 1% cada.
Cabo Daciolo (Mobiliza), Edmilson Costa (PCB) e Heró Bezerra (PRTB) não pontuaram. Brancos, nulos e eleitores que dizem não votar somam 9%, ante 10% em maio. Os indecisos subiram de 5% para 10%.
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Segundo turno
Nos cenários de segundo turno, Lula aparece numericamente à frente dos adversários testados. Contra Flávio Bolsonaro, o petista marca 44%, ante 38% do senador. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 14%, e 4% estão indecisos.
Contra Zema, Lula tem 45%, diante de 35% do ex-governador. No cenário contra Caiado, o presidente também aparece com 45%, contra 35% do ex-governador de Goiás. Na simulação contra Renan Santos, Lula registra 45%, e o empresário tem 31%.
Para Dawisson Belém Lopes, professor de Política Internacional e Comparada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o cenário é de otimismo para o campo da esquerda. Ele avaliou as vantagens nos quatro cenários como um indicativo de que a vitória petista “é logo ali”.
A pesquisa também mediu a avaliação do governo Lula. Segundo a Quaest, 48% desaprovam a atuação do presidente, enquanto 47% aprovam. A gestão é considerada ótima ou boa por 34% dos entrevistados, regular por 26% e ruim ou péssima por 38%.
Outro fator no cenário político foi a decisão do governo estadunidense de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. As duas medidas foram criticadas por Lula.
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos. A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-07661/2026.
O instituto também perguntou sobre a firmeza do voto. Para 63% dos entrevistados, a escolha do candidato é definitiva. Outros 36% afirmaram que ainda podem mudar de ideia até a eleição.
Com mais de 95,685% das urnas apuradas, a disputa do segundo turno no Peru continua em aberto nesta terça-feira (9), com o candidato de esquerda Roberto Sánchez e a candidata de direita Keiko Fujimori disputando voto a voto.
No início da tarde de segunda (8), Sánchez assumiu a dianteira da corrida presidencial e segue à frente de Keiko no número de votos.
Sánchez está com 50,074% dos votos, enquanto Fujimori tem 49,926%, segundo a última atualização do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) às 3h28, no horário de Brasília. Devido à pequena diferença, o resultado da eleição permanece indefinido.
De acordo com a contagem oficial do órgão eleitoral do país, após várias horas com a candidata conservadora liderando a apuração, o deputado de esquerda virou às 14h58 (horário de Brasília).
A candidata conservadora era apontada como favorita pelas pesquisas de boca de urna, mas já era esperado que o deputado crescesse na reta final, já que ele é forte nas zonas eleitorais rurais, as últimas a serem contabilizadas.
Keiko, filha do ex-presidente condenado Alberto Fujimori, foi a primeira colocada no primeiro turno, com 17,2% dos votos válidos. Sánchez conquistou 12% dos votos válidos na primeira votação, que teve um recorde de 35 candidatos.
As seções eleitorais foram fechadas às 17h locais (19h no horário de Brasília) de domingo (7), após uma jornada sem maiores incidentes, ao contrário do caótico primeiro turno, marcado por falhas técnicas e denúncias de fraude.
Já desgastada, a proposta de parlamentares bolsonaristas articulada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) para ser alternativa à PEC aprovada pela Câmara, que põe fim à escala 6×1, começa a sair pela culatra. Nos últimos dias, pelo menos três senadores já retiraram seu apoio à proposta que flexibiliza a jornada com pagamento por hora trabalhada, reduz salários para abaixo do mínimo e propõe acordos individuais entre empregado e patrão. A PEC bolsonarista, que propõe a escala 7×0, já até ganhou o apelido de “PEC da Escravidão”.
A retirada de apoio acontece depois da péssima repercussão da proposta nas redes sociais e entre populares em ano eleitoral, e a forte mobilização das centrais sindicais.
Por enquanto, os senadores que retiraram seu apoio são Zequinha Marinho (Podemos-PA), Cleitinho (Republicanos-MG) e Romário (PL-RJ).
Comentando em seu perfil no Instagram a retirada de seu apoio, Zequinha, que concorrerá à reeleição, escreveu: “retira a presença do sindicato das negociações e isso a gente não pode admitir”. Já o senador Romario afirmou “que muita gente viu o texto como algo prejudicial ao trabalhador brasileiro. E, se o povo entende assim, não faz sentido continuar nela”.
Cleitinho, potencial candidato ao governo de Minas Gerais, que anunciou a retirada de seu apoio à PEC em discurso no Senado, disse que assinou a proposta por “gentileza” a outros parlamentares e, inclusive, cobrou a tramitação célere da PEC aprovada na Câmara, que reduz a jornada. No discurso, o senador ainda disse estar “magoado” com as cobranças que recebeu de apoiadores por ter assinado a chamada “PEC do Trabalho Escravo”.
Arnaldo Higino, que comanda politicamente as cidades, já foi alvo de investigações que envolvem desvio de água e de verba federal de escola e da saúde
O Ministério Público Federal em Alagoas abriu um procedimento para investigar o uso de dinheiro da educação para o pagamento de agrotóxicos, peças de tratores e reforma de uma arena de vaquejada por parte de duas prefeituras de Alagoas, Campo Grande e Olho D’Agua Grande, comandadas pela mesma família.
O caso foi revelado no último dia 1º pela Folha, após cruzar extratos do Fundeb, mais de 30 notas fiscais e visitar as duas cidades. O procedimento foi instaurado na quarta (3) no 10º Ofício da Procuradoria da República em Alagoas, órgão com atribuição criminal.
Os desvios identificados pela reportagem, que somam cerca de R$ 6 milhões, ainda incluem gastos de manutenção de carros particulares para construtoras, sem que haja obras de educação, e gastos vultosos para transporte escolar. Nas cidades, no entanto, ônibus circulam em situação precária, escolas sofrem infraestrutura deficiente e professores recebem remuneração 50% abaixo do piso nacional.
O Fundeb é o principal mecanismo de financiamento da educação básica. Inclui verbas de impostos estaduais e municipais, acrescidas de complementação federal —por envolver dinheiro da União, a Procuradoria também atua nesses casos.
A família do político Arnaldo Higino controla os dois municípios. O sobrinho Teo Higino (PSB) é prefeito pelo segundo mandato de Campo Grande, e a mulher de Arnaldo, Suzy Higino (PP), governa Olho D’Água Grande também pelo segundo mandato.
Todos foram procurados na tarde de quarta-feira, mas não responderam. A reportagem esteve nas prefeituras e pede, repetidamente, esclarecimentos desde 12 de maio.
O pai de Arnaldo, Evânio Higino, dá nome a uma arena de vaquejada, privada, que fica na entrada de uma das fazendas do grupo, em Campo Grande. Evânio Higino também é o nome de uma escola municipal que adiou o início do ano letivo por falta de carteiras.
Enquanto a quadra da escola Evânio Higino está interditada há pelo menos dois anos, com telhado destruído, o Parque de Vaquejada Evânio Higino, de propriedade da família, recebeu cobertura nova na arquibancada neste ano.
As melhorias para a vaquejada foram custeadas com dinheiro do Fundeb das duas cidades. A obra terminou em março, a tempo de receber uma competição, que deu R$ 380 mil em prêmios.
Outros membros da família Higino ocupam cargos nas duas cidades. Greicy Higino, sobrinha de Arnaldo e irmã de Teo, é secretária de Educação de Campo Grande. A mulher de Teo, Mara Higino, é vice-prefeita em Olho D’Água Grande.
Arnaldo Higino foi eleito prefeito de Campo Grande pela primeira vez em 1992 e, desde 2005, deixa o cargo apenas para parentes assumirem. Ele já é alvo de várias investigações.
Em 2017, foi preso em flagrante ao receber propina de R$ 11 mil de uma pessoa, também investigada, que esquentava notas fiscais para lavar o desvio de dinheiro público. Naquela investigação, os desvios detectados também envolviam recursos da educação, relacionados a merenda escolar e ao PDDE (Programa de Dinheiro Direto na Escola), além de outras rubricas.
Um outro parente dele, Miguel Higino —que foi prefeito de Campo Grande entre 2013 e 2016— também foi investigado e preso. A Folha não conseguiu contato com Miguel.
Em 2011, Arnaldo Higino foi denunciado pelo Ministério Público de Alagoas sob acusação de ter desviado água da rede de abastecimento da cidade para beneficiar uma de suas fazendas. O “gato” de Arnaldo provocava falta de água em três povoados: Cabaças, Traíras e Capim.
Ele também já foi investigado sob suspeita de compra de votos e desvios de dinheiro da área de saúde. Nessa última ação, de 2019, foi condenado e fez um acordo para ressarcir, de forma parcelada, R$ 429 mil aos cofres públicos.
Arnaldo chegou a conseguir votos para se reeleger em 2020, pelo PP, mas a Justiça Eleitoral impugnou a candidatura por causa da condenação por improbidade e suspensão de direitos políticos. Foi na eleição suplementar que o sobrinho Teo Higino chegou ao cargo.
O ex-prefeito declarou, naquele pleito, ter R$ 874 mil em bens, a maior parte em propriedades. Ele chegou a migrar de partido, do PP para o PSB em 2024, mas sua filiação está suspensa por causa da perda de direitos políticos decorrente de condenação.
Ele também transferiu seu domicílio eleitoral para a cidade vizinha de Porto Real do Colégio. Relatos colhidos na cidade indicam que ele pretende estender sua influência além das cidades que já controla.
Estudantes da USP decidiram encerrar a greve iniciada em abril após assembleia realizada na noite desta segunda-feira (8). A votação terminou com 323 votos pelo fim da paralisação, 255 pela continuidade do movimento e pelo menos sete abstenções.
A paralisação começou em 14 de abril e atingiu mais de 100 cursos da universidade. Segundo a decisão da assembleia, cada curso ainda poderá votar de forma independente pela manutenção da greve em sua unidade.
O movimento teve rodadas de negociação com a reitoria, protestos e ocupação do prédio da administração central. A USP havia afirmado, durante a paralisação, que considerava encerrada a negociação das pautas estudantis.
Os alunos exigiam melhorias e reajustes nas bolsas do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), reformas estruturais no Conjunto Residencial (Crusp) e melhorias no restaurante universitário.
Segundo Francisco Napolitano, representante do movimento, os estudantes não ficaram totalmente satisfeitos com as propostas apresentadas pela reitoria, mas avaliam que a mobilização garantiu conquistas importantes. Apesar do encerramento da greve, novas manifestações já estão programadas para pressionar o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).
Pesquisa nas redes e aplicativos mostram desgaste crescente de Flávio Bolsonaro após encontro com Trump
Levantamento da empresa de monitoramento Palver, divulgado nesta semana, mostra que 81% das mensagens sobre o novo tarifaço americano e as ameaças ao PIX responsabilizam direta ou indiretamente Flávio Bolsonaro pela crise.
O estudo analisou publicações em mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram entre 27 de maio e 2 de junho, período que coincide com a visita do senador à capital americana e a reunião do senador com Trump.
O dado expõe crescente associação entre o bolsonarismo e iniciativas estrangeiras percebidas como prejudiciais à economia e à soberania nacional.
A viagem do senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a Washington produziu resultado político devastador para parlamentar. Este é o preço da submissão, da sabujice e da vassalagem do clã aos interesses dos Estados Unidos.
Em vez de projetar imagem de liderança internacional, o encontro com Donald Trump acabou consolidando nas redes digitais e nos aplicativos de mensagens a percepção de que o filho mais velho de Jair Bolsonaro se tornou um dos principais rostos brasileiros associados à escalada de pressões dos Estados Unidos contra o País.
ELO COM EDUARDO
O desgaste de Flávio não ocorre isoladamente. Esse se soma ao histórico recente de articulações internacionais conduzidas pelo irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que foi cassado pela Câmara dos Deputados.
Eduardo responde a ação penal relacionada à atuação dele com autoridades e grupos políticos americanos para defender sanções contra instituições e autoridades brasileiras.
O Supremo Tribunal Federal marcou para o próximo dia 16 o julgamento do caso. Segundo a acusação, o ex-parlamentar atuou para pressionar os Estados Unidos a adotar medidas contra o Brasil e integrantes do Judiciário brasileiro.
Nesse contexto, a viagem de Flávio passou a ser interpretada por parcela significativa dos usuários das redes como continuação da mesma estratégia: buscar apoio externo para fortalecer o projeto político da família Bolsonaro, mesmo quando são ações que geram custos para o País.
A percepção ganhou força porque o encontro com Trump ocorreu justamente quando avançavam em Washington discussões sobre novas barreiras comerciais contra produtos brasileiros.
PIX, TARIFAS E GUERRA COMERCIAL
O agravamento da crise ocorreu quando o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e incluiu o PIX entre os elementos citados na investigação comercial aberta contra o Brasil.
Nas redes, a coincidência temporal entre a visita à Casa Branca e o anúncio das medidas transformou o senador em alvo preferencial das críticas. Termos como “Tariflávio” passaram a circular amplamente, sintetizando a acusação de que a aproximação com Trump estaria produzindo consequências negativas para empresas, exportadores e trabalhadores brasileiros.
A reação foi tão intensa que ultrapassou os círculos tradicionais da esquerda. Nos bastidores políticos, inclusive entre setores da direita e do Centrão, cresceu a avaliação de que a vinculação entre Flávio e o tarifaço poderá se tornar problema eleitoral relevante caso as medidas avancem.
HERANÇA
Flávio Bolsonaro tentou reagir afirmando que teria pedido a Trump para não aplicar tarifas contra empresas brasileiras e para deixar eventuais negociações para depois das eleições presidenciais de 2026. A palavra de Flávio não vale nada. Ele também disse que não conhecia Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. E foi pego na mentira deslavada.
A declaração de Flávio não impediu o avanço das críticas.
Pelo contrário: para muitos observadores, o simples fato de pré-candidato brasileiro discutir tarifas e relações comerciais diretamente com o líder estrangeiro já reforça a imagem de dependência política em relação ao trumpismo.
Nas redes, o debate parece ter ultrapassado a questão comercial. O que está em julgamento é a própria imagem de projeto político acusado pelos adversários de colocar alianças ideológicas internacionais acima dos interesses econômicos e institucionais do Brasil.
Se Eduardo Bolsonaro se tornou símbolo das tentativas de pressionar instituições brasileiras a partir do exterior, Flávio agora corre o risco de ficar marcado como o rosto político da crise comercial que atingiu o País justamente após a peregrinação dele à Casa Branca.
Para candidato que pretende disputar a Presidência, com a bandeira do patriotismo, é um desgaste que dificilmente passará despercebido durante a campanha.
A Cedae, estatal de saneamento básico do Rio de Janeiro, fez aportes de dezenas de milhões de reais no Banco Digimais, que pertence ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). As operações foram realizadas por diretor indicado pelo ex-governador Cláudio Castro (PL).
Desde junho de 2025, Antonio Carlos dos Santos, indicado por Castro para a Diretoria Financeira e de Relações com Investidores (DFI) da Cedae, fez diversos investimentos em CDBs do Banco Digimais. As aplicações foram renovadas mesmo diante de fortes indícios de que a instituição financeira corre risco de quebrar. Só recentemente, os recursos passaram para aplicações com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Em nota, a Cedae afirma que “uma das primeiras medidas da atual administração foi mudar a Política de Aplicações Financeiras” com o objetivo de “reforçar mecanismos de governança, controle e mitigar riscos na gestão das aplicações financeiras”. A estatal diz ainda que os investimentos no banco Digimais não serão renovados e os valores serão reaplicados nas “maiores e mais sólidas instituições financeiras do país”.
Já Antonio Carlos dos Santos sustenta que “que todas as alocações de sua carteira estavam em conformidade com a política de aplicações financeiras da Cedae, conforme apuração da auditoria interna”. O ex-diretor diz ainda que “as decisões de investimento seguiram as normas de governança e a política de aplicações financeiras, tendo sido aprovadas pelas instâncias competentes, incluindo o Conselho de Administração, o Comitê de Auditoria e a Diretoria Executiva”. Ele também nega que não houve “quaisquer interferências externas ou políticas” nas decisões de investimento que tomou.
Aportes chegaram a R$ 91,2 milhões
A aplicação no Digimais se aproveitou das brechas criadas sob medida para permitir os aportes no Master. Assim como no caso do banco de Vorcaro, as agências de classificação de risco dão um rating baixo para o Digimais, em comparação com diversos concorrentes no mercado financeiro brasileiro.
O banco de Edir Macedo apresentou as avaliações BBB- da Fitch e da Moody’s –a mais baixa ainda considerada grau de investimento. Até Santos alterar “sob medida” para o Master, segundo investigação interna, a política de investimentos da empresa, a Cedae exigia uma avaliação mínima bem mais alta, de A-.
Os investimentos no Digimais ocorreram inicialmente em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), títulos de renda fixa tradicionalmente emitidos por instituições financeiras. A rentabilidade prometida é de 106% do CDI.
Documento detalha condições de investimento no Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)
A primeira remessa milionária no Digimais ocorreu em junho de 2025, quando a Cedae já se via às voltas com um possível calote de Vorcaro. O parecer favorável de Santos veio no dia 4 de junho de 2025.
Ao contrário de várias outras aplicações feitas pela Cedae, o investimento no Digimais não tinha liquidez diária –a empresa só poderia resgatar os recursos em 180 dias. Ainda assim, Santos referendou nota técnica feita por seus assessores Hedmilton Mourão Cardoso, Magno Neves Fonseca e Mauro Luis Marques –os mesmos que o auxiliaram a operar os aportes suspeitos no Banco Master. A recomendação era alocar R$ 35 milhões no conglomerado do bispo Macedo.
“A referida emissão constitui oportunidade atrativa para a Cedae, desde que o volume alocado seja inferior a R$ 40 milhões, valor de limite que conta com a garantia especial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)”, diz o documento obtido pelo ICL Notícias.
Uma nova remessa foi feita pouco depois, em agosto do ano passado. Santos e seus assessores repetem quase integralmente o texto usado para justificar o primeiro investimento. Dessa vez recomendam a apliacção de mais R$ 25 milhões. O prazo para resgate era ainda maior, de 1 ano, e o rendimento prometido era de 109% do CDI. Os recursos deveriam ser retirados de um fundo de investimentos operado pelo Itaú, maior banco do país.
As regras criadas por Santos e que permitiram o investimento no Banco Master permitiam o investimento de até 10% da carteira da Cedae em bancos com rating BBB-. Após o calote do banco de Vorcaro, o Digimais foi a única instituição financeira com esse perfil a receber recursos da estatal.
Risco de quebra do banco
A Cedae manteve os investimentos mesmo com o agravamento da situação do Digimais.
Edir Macedo chegou a anunciar em janeiro de 2025 a venda da instituição para Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master, por R$ 800 milhões. Contudo, Quadrado desistiu da aquisição em abril.
A venda era uma pedra de salvação para o Digimais, cujos dados financeiros apresentavam uma série de más notícias. Em pouco tempo, Macedo teve que injetar mais de R$ 700 milhões no negócio.
Mesmo com a deterioração da condição do Digimais, Santos e seus assessores seguiram recomendando o investimento no banco. Em 24 de fevereiro de 2026, uma reunião extraordinária do Comitê de Auditoria da Cedae foi convocada para, entre outros assuntos, tratar das preocupações com a situação do banco de Edir Macedo.
Os membros do comitê questionaram Santos sobre o assunto, como mostra a ata da reunião. Segundo a ata do encontro, eles enfatizaram “os pontos negativos e de riscos de cada instituição financeira onde a Cedae possui investimentos. Diante disso, foi solicitado ao time técnico a conclusão sobre tais investimentos, inclusive a possibilidade de realocação para instituições com melhor rating”, relata o documento.
Comitê de Auditoria da Cedae questionou investimento no Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)
Naquele momento, a Cedae havia contratado uma auditoria independente para avaliar a situação da empresa. Fernando dos Santos, sócio da empresa de auditoria, menciona que a estatal buscou o resgate das aplicações no Digimais, mas não deixa claro porque os valores não foram recuperados até ali.
Pouco depois, em nota técnica feita em 13 de março, Santos dobra a aposta. A DFI define a situação do Digimais como “negativa”, com “reversão para lucro semestral, melhora de Basileia; prejuízos acumulados e forte dependência de depósitos a prazo”. Mesmo assim, defende a manutenção dos investimentos: “há mitigantes de risco que levam à recomendação da manutenção das atuais posições”.
O fator mitigante, segundo a DFI, seria uma cobertura de até R$ 40 milhões pelo Fundo Garantidor de Crédito em caso de calote. Naquele momento, a Cedae tinha cerca de R$ 39 milhões aplicados no Digimais.
Diretoria da Cedae recomendou manutenção de investimentos em meio à crise do Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)
Pouco depois, no final de março, Fitch rebaixou a nota do banco de Edir Macedo para BB-, classificação já considerada de grau especulativo.
Em 26 de maio, a Moody’s pintou um quadro ainda mais crítico: rebaixou o banco de Edir Macedo para CCC+ –o que representa risco iminente de calote dos investidores. O comunicado da agência é aterrador.
“O rebaixamento dos ratings do Digimais reflete a avaliação da Moody’s Local Brasil sobre um aumento significativo no risco dos ativos do banco, principalmente devido à sua crescente exposição aos fundos de investimento alternativos ao longo de 2025. Em dezembro de 2025, a carteira de títulos e valores mobiliários, composta majoritariamente por cotas de fundos de investimento, totalizava R$ 4,3 bilhões, correspondendo a cerca de 42% do total de ativos e representando 5,4 vezes o patrimônio líquido do banco. A qualidade e a recuperabilidade desses investimentos são incertas, como evidenciado pelo parecer de auditoria externa com ressalvas sobre R$ 3,1 bilhões, ou 73% dos fundos reportados, devido às limitações de informações sobre a adequação desses valores”, diz o relatório da Moody’s.
.A Política de Aplicações Financeiras da Cedae em vigor àquela altura vetava aplicações financeiras em instituições com notas tão baixas, mas o saque imediato não foi possível porque os contratos amarravam a estatal até a data de vencimento dos investimentos.