Lula vence em primeiro turno na primeira pesquisa Quaest sem Moro

Com a desistência de Moro, a terceira via derrete. Bolsonaro ganha 5 pontos. Lula venceria no primeiro turno com 45% dos votos; os demais têm 43% – 51% para Lula em votos válidos

A primeira pesquisa presencial Quaest, patrocinada pela Genial Investimentos, após a desistência do ex-juiz parcial Sergio Moro (União Brasil-SP) de disputar a Presidência foi divulgada nesta quinta-feira (7) e mostra o ex-presidente Lula (PT) com possibilidade de vencer no primeiro turno.

Lula tem 45% das intenções, oscilando 1 ponto para cima em relação ao levantamento anterior. Jair Bolsonaro (PL) passa de 26% para 31%. Ciro Gomes (PDT) perdeu um ponto com a saída de Moro, oscilando de 7% para 6%, dentro da margem de erro. João Doria (PSDB) mantém os 2% da pesquisa anterior.

Ainda com a desistência de Moro e a transferência de votos para Bolsonaro, Lula venceria a disputa no primeiro turno, com 51,1% dos votos válidos no principal cenário estimulado.

O sociólogo Marcos Coimbra, do instituto Vox Populi, havia previsto nesta terça-feira (5), no programa Giro das 11 da TV 247, que os votos do ex-juiz suspeito Sergio Moro na disputa presidencial irão migrar para Jair Bolsonaro: “os órfãos de Moro irão votar em Bolsonaro, porque detestam Lula e a esquerda”.

Coimbra explicou que “mesmo os moristas que não gostam do Bolsonaro irão votar nele, porque sempre votaram com a direita e não mudarão agora. A parcela que não for votar em Moro vai anular ou nem vai votar, mas é pouca representativa. O que não farão é votar em Lula”.

A pesquisa ouviu presencialmente 2.000 pessoas entre os dias 1 e 3 de abril. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-00372/2022.

Fonte: Brasil 247

Planalto ofereceu cargos pela morte de Adriano da Nóbrega, disse irmã

Em uma escuta telefônica feita pela Polícia Civil do Rio de Janeiro há dois, a irmã do ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega acusa o Palácio do Planalto de oferecer cargos comissionados pela morte do ex-PM.

No áudio, revelado pela Folha de S.Paulo, Daniela Magalhães da Nóbrega diz a uma tia que ele soube de uma reunião envolvendo seu nome e do desejo de que se tornasse um “arquivo morto”. A gravação é de dois dias depois da morte de Adriano numa operação policial na Bahia.

“Ele já sabia da ordem que saiu para que ele fosse um arquivo morto. Ele já era um arquivo morto. Já tinham dado cargos comissionados no Planalto pela vida dele, já. Fizeram uma reunião com o nome do Adriano no Planalto. Entendeu, tia? Ele já sabia disso, já. Foi um complô mesmo”, disse Daniela na gravação autorizada pela Justiça.

“Ele falou para mim que não ia se entregar porque iam matar ele lá dentro. Iam matar ele lá dentro. Ele já estava pensando em se entregar. Quando pegaram ele, tia, ele desistiu da vida”, disse a irmã.“

Operação Gárgula

A gravação compõe as escutas realizadas pela polícia na Operação Gárgula, que investigava o esquema de lavagem de dinheiro e a fuga de Adriano. A polícia ouviu conversas de familiares, amigos e comparsas do ex-PM por mais de um ano. Daniela não é acusada de envolvimento nos crimes do irmão.

Adriano foi morto em 9 de fevereiro de 2020 após mais de um ano foragido sendo acusado de comandar a maior milícia do Rio de Janeiro. Ele ainda era suspeito de estar envolvido no esquema das rachadinhas no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O Palácio do Planalto e a defesa de Daniela não se posicionaram sobre o assunto até o momento.

Fonte: DCM

Sem Moro, Lula pode ganhar no primeiro turno

Lula tem 44% e todos os outros candidatos juntos apenas 45%. É o que mostra a nova pesquisa encomendada pela XP Investimentos

Pesquisa telefônica do Ipespe, patrocinada pela XP Investimentos, divulgada nesta quarta-feira (6) mostra que a saída do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil-SP) da disputa presidencial faz Jair Bolsonaro (PL) conquistar mais quatro pontos percentuais na disputa, saltando de 26% para 30% das intenções de voto.

Mesmo assim, Bolsonaro permanece consideravelmente distante do ex-presidente Lula (PT), que tem 44% das intenções de voto.

Com a saída do ex-juiz parcial Moro, Ciro Gomes (PDT) avançou de 7% para 9%, João Doria (PSDB) passou de 2% para 3% e Simone Tebet MDB) subiu de 1% para 2%. Todas essas oscilações, porém, estão dentro da margem de erro, de 3,2 pontos percentuais.

A pesquisa, realizada por telefone, ouviu 1.000 pessoas entre 2 e 5 de abril. O nível de confiança é de 95,45% e a margem de erro é de 3,2 pontos percentuais. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-03874/2022.

Redação com Brasil 247

Fetag realiza manifestação em defesa da Previdência em Arapiraca

Nesta terça (05), a FETAG/AL e os STTR’s filiados, em parceria com a CUT/AL e o SindPrev realizaram um Ato Público em Defesa da Previdência Social na cidade de Arapiraca, agreste de Alagoas. Em todos os estados e em Brasília, a Contag está mobilizando e apoiando os atos do “DIA D – DIA EM DEFESA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL”.
Concentrados na Praça da antiga prefeitura mais conhecida como Tenda Cultural, agricultores e agricultoras familiares de 40 sindicatos de todos os pólos sindicais, totalizando aproximadamente mil pessoas saíram em caminhada pelas principais ruas do centro de Arapiraca.
Com cartazes e faixas que denunciavam o descaso do governo federal em relação ao serviço prestado pelo INSS, como atraso na aprovação de aposentadoria rural ou demora nas perícias médicas, os trabalhadores do campo e da cidade protestaram contra a política de desmonte do serviço público promovido pelo governo Bolsonaro.
Para Rilda Alves, Secretária de Políticas Sociais da FETAG/AL e presidenta da CUT/AL, é preciso que os movimentos sociais e sindicais precisam estar unidos para vencer os desafios e retrocessos impostos pelo governo de Jair Bolsonaro.
“Hoje nós estamos aqui protestando contra a política de redução de custos e de cortes no orçamento no INSS. O INSS, a previdência e os benefícios sociais adquiridos pela luta social são essenciais para a vida dos agricultores familiares e de todos os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, para que seja cumprido o que está na constituição e os direitos sociais sejam garantidos”, afirmou Rilda Alves.
Givaldo Teles, presidente da FETAG/AL, enfatizou o caráter de mobilização e de luta da federação em defesa dos agricultores familiares e de todos os trabalhadores. “A Fetag está aqui, com seus sindicatos e com os agricultores familiares na luta para garantir o direito a previdência social e a aposentadoria rural, que movimenta a economia, o comercio e toda cadeia produtiva. Os direitos dos trabalhadores não podem ser retirados ou desorganizados por conta de um governo federal que não olha para seu povo. Nós estamos na rua e vamos lutar para defender a Previdência Social”, declarou Givaldo Teles.

Fonte: Ascom Fetag

Protesto por melhores condições de trabalho na escola Marilúcia Macedo

Com o apoio do Sinteal e dos movimentos sociais, professores, funcionários e comunidade escolar, realizaram na manhã dessa terça-feira, 05/04, uma manifestação pelas ruas do jacintinho reivindicando melhores condições de trabalho na escola Marilúcia Macedo.

Os funcionários da Escola Municipal tem denunciado as péssimas condições de trabalho, o que ocasionou a visita do Sindicato dos Trabalhadores da Educação e que verificou as péssimas condições de trabalho da categoria.

Na escola, os graves problemas, inclui desde a falta de banheiros para funcionários e professores até a insalubre condição de trabalho na cozinha.

O Sinteal já solicitou medidas urgentes à Secretária Municipal de Educação de Maceió, que até o momento presente não adotou nenhuma iniciativa concreta.

Lula recebe Plataforma da CUT para as Eleições 2022

Ex-presidente defendeu unidade da classe trabalhadora e quer utilizar propostas da Central no seu plano de governo


A Direção Nacional da Central Única Trabalhadores (CUT) lançou, na manhã desta segunda-feira (4), a Plataforma da Central para as Eleições 2022. O primeiro a receber o documento foi o ex-presidente Lula (PT), pré-candidato às eleições para a Presidência da República, que serão realizadas em outubro deste ano. Durante o evento, Lula afirmou que o país vive “um momento difícil” e que a unidade e a luta das centrais sindicais serão fundamentais para a reconstrução do país.

O ex-presidente destacou ainda que as centrais devem elaborar as propostas de forma direta e objetiva sobre o futuro que a classe trabalhadora quer para o país nos próximos anos. “Vivemos um momento difícil no Brasil. Teve o impeachment e não aconteceu outra coisa na vida do movimento sindical senão derrota atrás de derrota, como as reformas [Trabalhista e da Previdência Social], o desmonte da Justiça do Trabalho, o desmonte das finanças dos sindicatos, o desmonte dos direitos trabalhistas que vinham sendo construídos desde 1943”, pontuou o ex-presidente.

A Plataforma

A Plataforma da CUT para as Eleições 2022 é uma síntese de propostas de interesse da classe trabalhadora, que abrange desde desenvolvimento econômico e sustentável até a valorização do trabalho, com políticas de distribuição de renda, geração de emprego de qualidade, inclusão social e democratização das relações de trabalho.

A CUT tem tradição em debater internamente os problemas do país e elaborar propostas para municípios, estados e o país, em eventos realizados juntamente com as CUTs estaduais. Até 2009, os dirigentes elaboravam cartas compromisso. A partir de 2010, passou a construir as plataformas, que são entregues aos candidatos e candidatas durante as campanhas eleitorais.

O objetivo é contribuir para o “diálogo com a sociedade e parceiros do movimento social e sindical”, na construção de pautas de interesse da classe trabalhadora, como destaca o texto de apresentação do Plataforma.

A CUT orienta toda a sua base a utilizar o documento como referência para elaboração de plataformas estaduais. O texto também serve à orientação de mobilizações, com ações integradas aos Comitês de Luta da CUT, lançados em fevereiro deste ano, e às brigadas digitais, para que as propostas sejam debatidas, reivindicadas e implementadas pelos eleitos.

Entre as diretrizes da plataforma estão a defesa da democracia, da cidadania e dos direitos humanos; o restabelecimento do papel do Estado como indutor da economia e implementação das reformas, como agrária, tributária e política; e o fomento à retomada do desenvolvimento econômico e social.

Projeto deles é destruir direitos e a proteção social da classe trabalhadora

De acordo com avaliação do ex-presidente Lula, a ofensiva da extrema direita contra os direitos sociais e trabalhistas foi violenta a ponto de causar uma certa inércia nos trabalhadores. “Foram desmontando tudo e nossa capacidade de reação foi pequena porque o que os movimentos conservadores fizeram foi antecipado por uma campanha forte, de narrativa de negação de tudo o que era bom para nós”, disse Lula.

Tanto esses movimentos, aliados à campanha da mídia da época, que falava exaustivamente que direitos como 13° e férias significavam custo e tiravam o poder de competitividade do Brasil em nível internacional, contribuíram com o desmonte que viria na sequência do golpe.

“Diziam que o Brasil não crescia e não exportava por que o custo era caro, mas nunca fizeram uma comparação entre o salário do trabalhador brasileiro com o salário de outros países”, disse se referindo a nações como Estados Unidos e França.

Essa “narrativa”, disse Lula, ganhou a consciência das massas, que passou a “não ver sentido” no que o movimento sindical alertava – e alerta até hoje – de que o projeto de governo dos conservadores, em especial de Jair Bolsonaro (PL), é de destruir direitos e a proteção social da classe trabalhadora.

Empreendedor ou trabalhador explorado?

Um dos exemplos de como o poder de alienação da direita habita o imaginário da sociedade, dado por Lula, foi a máxima de que um motorista de aplicativo, o Uber, por exemplo, é um empreendedor, dono do seu próprio negócio e do seu próprio tempo.

Em outro exemplo, Lula provou porque isso não funciona. “Lembro de quando surgiu a internet, quantidade de jornalistas que achavam que iam fazer sucesso sozinhos nas redes sociais. Quantos conseguiram sobreviver? Quase ninguém”, disse explicando que grandes conglomerados sempre “tomam conta” do ambiente e não há como competir. Ao “pequeno empreendedor”, não sobra espaço, a não ser, como no caso do Uber, o de se submeter à exploração para conseguir minimamente sobreviver.

Portanto, para o e ex-presidente, a disputa principal nessas eleições será no sentido de combater esse tipo de discurso que será novamente a arma principal da direita. E assim como em 2018, continuará a ser baseada em notícias falsas – as fake news.

Tem de reformular o Congresso

E, para isso, Lula disse que, além de uma mudança na forma de se fazer mobilização, que deve ocorrer exatamente onde está o trabalhador, não basta eleger um governo progressista, mas é também necessário reformular o que ele classificou de “pior congresso de todos os tempos”. “Hoje tem tanta gente desempregada que não dá mais para fazer porta de fábrica, somente. A maioria dos trabalhadores que a gente representa está na rua. Então, se colocar um carro de som para denunciar e entregar material [informativo], vai fazer mais efeito do que ir para a porta de fábrica”, afirmou Lula.

Congresso Nacional

O ex-presidente criticou a atual composição da Câmara dos Deputados e do Senado ao alertar que é necessário que o trabalho de base nessas eleições seja, efetivamente, de dialogar sobre quais parlamentares devem ser eleitos para compor o Congresso Nacional.

“O que quisermos fazer terá de passar pelo Congresso. Se a gente não mudar o Congresso, não dá para fazer as contrarreformas que precisamos. Se não tivermos número [maioria], não faz” disse Lula.

Mas não eleger deputados que representem os trabalhadores, apenas, como cobrá-los, é fundamental. “É uma eleição que a gente vai ter que colocar no papel o que a gente quer, mostrar para o candidato e se ele não assinar embaixo, não se comprometer, não vota nele”, disse Lula.

Polarização política

Para desmistificar o conceito de que a polarização em disputas eleitorais é algo prejudicial, Lula foi cirúrgico ao afirmar que em toda a história sempre houve o embate de ideias opostas. No entanto, afirmou que preferia “estar polarizando com os Tucanos do PSDB, porque, pelo menos, seria mais democrático, ao contrário do ódio de Bolsonaro”.

A preocupação dele, disse Lula, “é destruir o que vier pela frente”. E, nesse aspecto, Lula alertou que as eleições serão uma guerra e que a militância não deve aceitar provocações e sim, primar pela informação, o fato, a verdade, para conquistar os corações daqueles que ainda não se deram conta do desastre que é o atual governo. Lula lamentou o número expressivo de desempregados, desalentados e pessoas passando fome, que segundo ele, nunca se viu na história do país.

Luta da Central

O ex-presidente Lula também destacou as iniciativas da CUT em criar as Brigadas Digitais da CUT e os Comitês de Luta em Defesa da Classe Trabalhadora. “Precisamos estar mobilizados nas ruas e nas redes, e as Brigadas são muito importantes – têm que ser prioridade”, disse Lula.

Fonte: Contraf

Governo Bolsonaro autoriza mais de 6 milhões para ONGs de Sheik e Daniel Alves

A operação é considerada suspeita já que as ONGs estavam inativas

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) autorizou o repasse de R$ 6,2 milhões a duas ONGs até então inativas e recém-assumidas pelo ex-jogador Emerson Sheik e por Daniel Alves, lateral-direito da seleção brasileira de futebol.

As entidades tiveram projetos aprovados no ano passado para realização de cursos de esportes, mesmo sem ter nenhuma experiência prévia. A assinatura dos dois convênios só foi possível porque os atletas driblaram exigências legais usando as chamadas “ONGs de prateleira”.

Ambas foram beneficiadas com emendas parlamentares a pedido de deputados da base do governo. A verba já foi empenhada (reservada no Orçamento), mas ainda não paga, diz reportagem da Folha.

Membros do Ministério Público e parlamentares afirmam que “ONGs de prateleiras” têm sido usadas para escapar da regra que estabelece a necessidade de as entidades da sociedade civil existirem há pelo menos três anos para firmar acordos com o governo.

Essas associações são antigas, sem atividade, e muitas vezes comercializadas a fim de cumprir o prazo exigido pela lei. Os dois atletas assumiram os institutos meses antes de apresentarem proposta de convênio ao governo federal. Para comprovar a capacidade técnica necessária para a execução dos projetos, ambos listaram, principalmente, feitos da carreira como jogador e imagens suas durante partidas de futebol.

O governo ainda não liberou a verba para o projeto por problemas com a conta da entidade. Em Mangaratiba, as diretoras das escolas indicadas para receber as atividades não sabiam do convênio. O irmão de Sheik, Cláudio Passos, é subsecretário de Esportes no município.

Fonte: DCM

Esquema milionário: Governo Bolsonaro ia pagar pagar R$ 480 mil por ônibus escolar que custa no R$ 270 mil

R$ 732 milhões é o valor que seria pago com a licitação superfaturada. MP pede suspensão imediata da farra com dinheiro público.

O Ministério da Educação teria tentado superfaturar em mais de R$ 700 milhões a compra de ônibus escolares. A denúncia foi revelada em documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. De acordo com a reportagem, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) abriu um processo de licitação para pagar R$ 480 mil por ônibus escolar destinado ao transporte de estudantes em áreas rurais.

No entanto, Técnicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) apontaram que cada veículo deveria custar no máximo R$ 270 mil. “A discrepância das cotações apresentadas pelos fornecedores em relação ao preço homologado do último pregão, do ano passado, implica em aumento não justificado do preço, sem correspondente vinculação com as projeções econômicas do cenário atual”, diz um relatório da área técnica do órgão. 

Ao todo, o MEC pretende adquirir 3.850 ônibus, que pelo valor estabelecido no processo de licitação custariam R$ 2,045 bilhões. Esse valor representa R$ 732 milhões a mais do que o custo real dos veículos – uma diferença de 55%.

O superfaturamento na compra dos ônibus também foi apontado em parecer da Controladoria Geral da União (CGU). O processo de licitação foi autorizado e assinado por Garigham Amarante, diretor de Ações Educacionais do MEC, indicado por Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, legenda de Jair Bolsonaro.

As novas denúncias de corrupção no MEC surgem em meio ao escândalo revelado recentemente de que pastores aliados ao governo negociam liberação de verbas da pasta, inclusive com pedidos de propina. O caso levou ao pedido de demissão do agora ex-ministro Milton Ribeiro

Fonte: Brasil de Fato

Por que a minha sexualidade te perturba?

Natércia Lopes – Matemática, Doutora em Ciências da Educação e Professora da UNEAL e Semed/Maceió

Ser mulher nunca foi fácil. Na vida profissional, temos que provar que somos capazes de desempenhar uma função; no plano pessoal, nos obrigam a manter os padrões sociais, além de ter de conviver entre homens que nos objetificam e nos manipulam dissimulando uma admiração para o tempo todo garantir uma estante variada que sacia seus egos.

Num País que não nos protege e com um governo que reforça práticas sexistas, nossos corpos são alvos de todo tipo de violência. Alagoas é o 3º Estado que mais aumentou os registros de estupros no Brasil, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022. O Nordeste é a região que lidera os casos de morte violenta de mulheres trans.

Em se tratando de mulheres trans, cabe resgatar que o termo “transexual” surgiu em 1966, pelo alemão Harry Benjamim, doutor em Medicina, com especialidade em medicina sexual. Na década de 60, pessoas transexuais eram compreendidas, pelos psicanalistas, como psicóticas, e eram classificadas dentro da patologia do “transtorno do travestismo fetichista”. Porém, Benjamim se contrapunha a tal entendimento e atribuía a origem da transexualidade a causas endócrinas.

Etimologicamente falando, “trans” vem do latim e quer dizer além, dando uma ideia de visão plural, de troca de concepções, de múltiplos olhares. Tem como antônimo “cis”, que significa aquém, remetendo a algo que segue uma linha limitada. Usamos o termo “trans” como uma identidade de gênero para quem não se identifica com o sexo biológico.

No nosso nascimento, nossos gêneros são determinados pelo órgão sexual. Se o sujeito tem um pênis, ele é considerado homem, e se tem uma vagina, é uma mulher. Contudo, as pessoas transgêneras não se percebem com o sexo designado no nascimento e isso não deveria ser problema para ninguém. Se é algo que o eu sente, que tem relação com o eu e com seu corpo, só se espera que o outro respeite. Mas, numa sociedade cisheteropatriarcal, não é bem assim que funciona.

O preconceito contra pessoas transgêneras é uma característica cultural do mundo contemporâneo. O próprio questionamento que se faz sobre a transexualidade, de onde veio ou porque alguém é assim já mostra um entendimento dessa condição como anormal.

Alguns anos mais tarde, no Brasil, Roberto Farina, um dos maiores cirurgiões plásticos brasileiros, foi processado por “lesões corporais gravíssimas”. Ele havia feito a primeira cirurgia de redesignação em um homem que estava há dois anos sendo acompanhado por médicos e psicólogos para atendimento dentro do contexto de mudança de sexo.

O procurador Luiz de Mello Kujawski, ao instaurar o inquérito, afirmava que um homem jamais poderia ser uma mulher porque não tinha órgãos genitais femininos. Que se ele casasse com um outro homem geraria um matrimônio espúrio, e que o tratamento para o “transexualismo” era psicanalítico, porque se tratava de uma doença mental.

Dados da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP, 2021) mostram que o Brasil tem quatro milhões de pessoas trans e não binárias, e essas pessoas estão morrendo por causa de uma sociedade que insiste na cultura machista, sexista e misógina.

O mais incrível é ver o quanto a orientação ou a identidade sexual do outro é motivo de conversa de corredores, das praças, das portas dos vizinhos, dos bares, e a única coisa que precisamos questionar é: por que a minha sexualidade é motivo de preocupação para você? O que a minha sexualidade ou a do outro tem a ver com você?

Essa violência contra as mulheres, seja ela vinda de uma manipulação emocional ou uma agressão física acende um alerta para maiores investimentos em políticas públicas continuadas de combate à violência de gênero.

E é pertinente lembrar: Quando você se incomoda com a vida do outro que não tem relação com a sua, você só mostra o quanto foi ensinado a odiar quem é diferente de você.

Está mais que na hora de todas as sociedades aprenderem a respeitar a vida e as decisões do outro.

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