Redes sociais são ‘jardins privados’ que controlam o debate público, alertam especialistas

Redes sociais são ‘jardins privados’ que controlam o debate público, alertam especialistas

Redes sociais como Twitter e Facebook são controladas por empresas transnacionais bilionárias que operam a partir da coleta massiva dos dados dos usuários. Por sua vez, esses dados são analisados por algoritmos “obscuros”, que definem o que as redes sociais devem mostrar a cada usuário. De um lado, as pessoas ficam presas a “bolhas”, recebendo conteúdos que reafirmam suas próprias convicções. De outro, para aumentar o engajamento, são bombardeadas com fake news e discurso de ódio, que causam repúdio e indignação. Sem qualquer “controle social”, essas plataformas se parecem com uma imensa “praça pública”, mas que, na prática, funcionam como “jardins privados”. Assim, a “desintegração” do debate público virou um risco constante aos regimes democráticos.

Esse foi o tema de um dos debates promovidos pelo Fórum Social Mundial Justiça e Democracia (FSMJD) nesta sexta-feira (29), em Porto Alegre. De acordo com o sociólogo Sérgio Amadeu, integrante do Comitê Gestor da Internet no Brasil e professor da Universidade Federal do ABC, o “gerenciamento opaco” e o “poder ilimitado do dinheiro” das chamadas big techs impõem enormes desafios às democracias do mundo. “Precisamos regular democraticamente essas plataformas. Elas fazem parte da esfera pública automatizada, e precisam estar em consonância com a democracia. É preciso dar transparência aos algoritmos, mas só isso não basta”, afirmou.

A jornalista Renata Mielli, coordenadora do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, alertou que as plataformas digitais interferem cada vez mais nos processos políticos em diversos países. “Todos sabemos que a (ex-primeira-dama) dona Marisa Letícia não foi vista em Roma. Porque ela já tinha sido inclusive sepultada. Mas todos nós compartilhamos, comentamos, com o propósito de denunciar. E estamos incentivando o algoritmo a dar relevância e escala a esse conteúdo”, explicou Renata. “Tudo isso se desenvolve na completa opacidade, sem que saibamos as regras do jogo.”

Transparência

Para os especialistas, a solução passa em buscar dar mais transparência ao funcionamento dessas plataformas. É preciso saber principalmente quais os critérios que elas adotam na moderação e no impulsionamento de conteúdos. “A democracia não convive bem com o poder ilimitado do dinheiro. Essas redes sociais são dutos de desinformação, porque tem gente pagando muito para impulsionar essa desinformação. E quanto está sendo gasto? Não sabemos”, criticou Amadeu.

A concentração é outro problema. No Brasil, por exemplo, 99% das pessoas têm o Whatsapp instalado, de acordo com pesquisa da Infobip. E 150 milhões de brasileiros estavam no Facebook no ano passado, segundo o site Statista. “As pessoas então ficam presas, sequestradas, dentro desses ‘jardins murados’ privados, onde elas buscam informação. São ferramentas e plataformas de captura da atenção, de sequestro cognitivo. O design das plataformas não favorece o debate público”, disse Renata.

Mecanismos de regulação

Diante desse cenário, a coordenadora do Barão defendeu a aprovação do PL 2.630/2020, conhecido como PL das Fake News, que está tramitando no Congresso Nacional. Seu principal objetivo é estabelecer regras e obrigações de transparência sobre as operações dessas plataformas.

Renata relembrou que é uma das vítimas do poder discricionário das big techs. No mês passado, ela participou do podcast Tecnopolítica, comandado por Amadeu, para discutir o PL das Fake News. A transmissão do programa no YouTube, no entanto, teve o seu alcance limitado, sem qualquer aviso prévio. Eles só descobriram as restrições justamente quando tentaram impulsionar o episódio. A plataforma de vídeos, que pertence ao Google, havia classificado o conteúdo como “perigoso e depreciativo”.

Para Amadeu, não adianta ter regulamentos sem uma “agência” com capacidade efetiva de fiscalização. Nesse sentido, ele defendeu a necessidade de estabelecer um “acordo internacional” que garanta o direito das democracias para fiscalizar as plataformas digitais.

Fonte: Rede Brasil Atual

Migrantes protestam na fronteira EUA-México

Entre 1º de janeiro e 13 de abril, o INM mexicano informou a interceptação de 115.379 migrantes, a maioria irregular.

Centenas de migrantes protestaram neste sábado no posto fronteiriço de Playas de Tijuana que liga o México aos Estados Unidos (EUA) contra a Lei 42 deste último país, que os proíbe de entrar em seu território.

A referida legislação também pede ao governo dos EUA que seu homólogo mexicano impeça a passagem de viajantes como migrantes pela fronteira comum.

Assim, os manifestantes reunidos em Playas de Tijuana, principalmente de países da América Central, incineraram efígies do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que promulgou a referida legislatura, que se esconde atrás de medidas sanitárias para aplicá-la.

A referida legislação também pede ao governo dos EUA que seu homólogo mexicano impeça a passagem de viajantes como migrantes pela fronteira comum.

Assim, os manifestantes reunidos em Playas de Tijuana, principalmente de países da América Central, incineraram efígies do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que promulgou a referida legislatura, que se esconde atrás de medidas sanitárias para aplicá-la.

O Instituto Nacional de Migração do México revelou que, entre 1º de janeiro e 13 de abril de 2022, interceptou 115.379 migrantes, dos quais 15% eram menores, principalmente de países da América Central, e a maioria com status de imigração irregular.

Da mesma forma, e de acordo com os dados fornecidos pelo Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) dos EUA, no ano fiscal que começou em 1º de outubro de 2021, já estão quantificados 1.060.094 migrantes localizados na fronteira. América do Sul.

Fonte: Telesur

Alunos se recusam a assistir a aulas pela TV no Paraná

Em protesto contra um novo modelo de ensino online, alunos de escolas estaduais do Paraná têm deixado as salas e feito atos na rua em recusa a assistir a aulas pela televisão.

O governo Ratinho Júnior (PSD) contratou neste ano uma faculdade particular para dar aulas a distância aos alunos do ensino médio nas disciplinas que compõem o que chamam de itinerário profissionalizante.

Sem ter professores em sala de aula, a gestão defende que o novo modelo fez com que o estado conseguisse mais do que duplicar a oferta de vagas em ensino técnico, passando de 15 mil matrículas, em 2021, para cerca de 37 mil neste ano. Essa deve ser uma das principais bandeiras de campanha do governador, que tenta a reeleição.

Para especialistas, no entanto, o modelo usado para ampliar o número de vagas na modalidade não pode ser comparado ao ensino técnico tradicional. Eles dizem que as aulas remotas não garantem uma formação profissionalizante adequada, já que não estão previstas atividades práticas, trabalho em laboratório, entre outras.

A reportagem identificou que os protestos já chegaram a ao menos 26 escolas. Nessas unidades, os alunos têm protestado ficando de costas para a televisão quando começam as aulas a distância ou deixam as salas. Em alguns casos, os estudantes estão desde fevereiro sem acompanhar as atividades.

Nas redes sociais, os jovens têm postado fotos de cartazes em que dizem “queremos professor em sala de aula” e “televisão eu assisto em casa”.

A Lei do Novo Ensino Médio, aprovada em 2018 no governo Temer, autorizou que até 20% da carga curricular ocorresse com aulas a distância. A obrigatoriedade de adotar o novo ensino médio passou a valer neste ano, o que levou alguns estados a adotar o modelo remoto para completar parte da grade horária dos alunos.

No Paraná, os alunos relatam que as aulas são transmitidas ao vivo em um televisor que fica na frente da sala. Muitas turmas têm mais de 40 estudantes, o que torna difícil que todos consigam ouvir e ver o aparelho.

Além disso, as aulas podem ser transmitidas simultaneamente para até 20 turmas de escolas diferentes. Com isso, um único professor dá aula a distância para cerca de 800 estudantes de primeiro ano do ensino médio.

Durante essas aulas, um monitor acompanha os estudantes. Esse profissional, no entanto, não precisa ter formação na área já que sua função é auxiliar com questões tecnológicas, por exemplo ligar a televisão e enviar as dúvidas da turma para o professor.

“Eu pedi para acompanhar uma das aulas porque não conseguia acreditar em tamanho descaso com os alunos. Fiquei chocada ao ver os alunos sentados na sala por quase uma hora, assistindo a um professor, sem poder interagir, sem conseguir tirar dúvida sobre o conteúdo”, contou Eli Ferreira da Silva, mãe de um aluno da escola estadual Mario de Andrade, em Francisco Beltrão, no interior do estado.

Ainda segundo Silva e alunos ouvidos pela Folha, eles não foram informados no ato da matrícula de que teriam parte das aulas de forma remota. “Ninguém foi avisado que as aulas seriam pela televisão. Se eu soubesse, não teria deixado meu filho se matricular para estudar desse jeito”, diz a mãe.

Segundo a Seed (Secretaria de Estado da Educação e do Esporte), as aulas a distância foram contratadas apenas para as disciplinas de três cursos, administração, agronegócios e desenvolvimento de sistemas.

Eles passaram a ser ofertados depois de a pasta fazer uma enquete com os estudantes e identificar que 60% dos que estavam no nono ano do ensino fundamental diziam ter interesse de cursar ensino técnico no ensino médio. Esses três cursos foram os que tinham maior procura.

Para ofertar as aulas a distância por três anos (período para a conclusão do ensino médio), a secretaria contratou a Unicesumar, faculdade particular, por R$ 38,4 milhões. A reportagem procurou a faculdade para comentar as críticas dos estudantes, mas não recebeu resposta.

A reportagem conversou com duas alunas do Colégio Estadual Julio Szymanski, em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, que optaram pelo curso de marketing, mas pensam em desistir. Elas contam que não estão assistindo às aulas desde fevereiro depois de perceberem que não conseguiam tirar dúvidas com os professores.

Os alunos também relatam que há diversos casos de indisciplina e briga dentro das salas durante essas aulas, já que eles ficam apenas sob a supervisão de um monitor. Na maioria das vezes, esse profissional é um estudante de licenciatura, ou seja, sem experiência com sala de aula.

Cesar Callegari, que foi secretário de Educação Básica do MEC e hoje preside o Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada, a insatisfação e o protesto dos alunos mostram como o modelo a distância e o currículo intitulado como sendo profissionalizante não se adequam às necessidades dos jovens.

“O que está sendo ofertado no Paraná não é nem ensino a distância e nem presencial, já que o Ead tem uma estrutura totalmente diferente. Também não é um ensino profissional, porque não está preparando esses meninos para a prática do mercado, ou seja, é um engodo, cria uma miragem de ensino”, diz.

Segundo ele, um dos principais riscos é de que o formato aumente a evasão escolar. “O aluno frustrado com a má qualidade se sente desrespeitado, enganado. Esse aluno percebe que a escola não se importa com o que ele está aprendendo e, por isso, ele fica desestimulado e abandona os estudos.”

Renato Feder, secretário de Educação do Paraná, defende o modelo adotado como uma forma de garantir que mais alunos possam ter acesso ao que chama de ensino profissional. Ele também diz que a insatisfação atinge um número pequeno de estudantes.

“Muitos alunos queriam fazer o ensino médio profissional, mas a gente não conseguia atender todos. Com esse modelo, a gente conseguiu expandir muito o atendimento e com qualidade”, diz.

Segundo ele, mudanças pedagógicas e estruturais devem ser feitas ao longo do ano para melhorar as aulas. Diz, por exemplo, que algumas salas devem receber telões e caixas de som para substituir as televisões e melhorar a visualização dos alunos.

Também acrescenta que os professores foram orientados a dar aulas menos expositivas, ou seja, sugerindo que os alunos façam alguns exercícios. “É o primeiro ano desse modelo, por isso, alguns ajustes vão ser necessários e isso é normal.”

Fonte: Yahoo! Notícias

Líder quilombola é assassinado no Maranhão

Edvaldo Pereira Rocha, da comunidade Jacarezinho, atuava contra a expansão de plantações de soja em territórios tradicionais

O líder quilombola Edvaldo Pereira Rocha, de 52 anos, foi morto a tiros nesta sexta-feira (29) em São João do Soter, no Maranhão, a 400 km de São Luís. Seu corpo foi encontrado no povoado Bom Jardim, zona rural do município onde aconteceu o crime. A polícia procura dois homens autores dos disparos, que segundo testemunhas fugiram em uma moto.

Rocha foi atingido por oito tiros. Ele era o líder da comunidade quilombola de Jacarezinho, que também fica no município de São João Soter, e chegou a disputar as eleições municipais de 2016 como candidato a vereador pelo PT.

Apesar de passar por um processo de regularização fundiária em andamento no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), a área da comunidade de Jacarezinho é reivindicada por agricultores e sofre com desmatamento.

Rocha, que, segundo o advogado Diogo Cabral, ligado à causa dos povos tradicionais, é o sétimo quilombola morto no Maranhão em menos de dois anos. O líder assassinado atuava contra a expansão de plantações de soja sobre territórios tradicionais.

O governo do Maranhão, comandado atualmente por Carlos Brandão (PSB), que era vice de Flávio Dino (PSB), é alvo de críticas dos quilombolas, que o acusam de se omitir diante de denúncias de invasão de terras e flexibilizar as regras de licenciamento ambiental. Ao jornal Folha de S. Paulo o governo estadual afirmou que trabalha “na mediação do conflito e na articulação com órgãos do sistema de justiça para resguardar os direitos da comunidade e garantir a titulação da terra”.

A Secretaria Estadual de Igualdade Racial do Maranhão lamentou a morte do líder quilombola. “Sua luta pela titulação de sua comunidade é reconhecida por todos, por isso asseguramos que o crime brutal do qual foi vítima terá o acompanhamento da secretaria em toda a sua investigação, a cargo das autoridades policiais”, disse em nota.

Fonte: Nexo

Polícia Federal faz manifestações e cobra promessa de aumento feita por Bolsonaro

Com cartazes contendo cobranças diretas ao presidente Bolsonaro, a Polícia Federal realiza, nesta quinta-feira, manifestações em todos Estados do país para pressionar o governo. O objetivo é obter um aumento salarial superior aos 5% previstos atualmente para todos os servidores públicos. 

Mensagens como “Presidente Bolsonaro, você prometeu, cumpra sua palavra” e “Bolsonaro, honre sua palavra, quem enfraquece a PF fortalece a corrupção” foram exibidas na entrada de superintendências e delegacias da PF em todo Brasil. Delegados e agentes também estão mobilizados na fachada da sede nacional do órgão, em Brasília.

Na próxima segunda-feira, a Associação Nacional dos Delegados da PF (ADPF), que está na organização dos atos de hoje com outras entidades, vai definir se adota medidas mais drásticas contra o governo, como a paralisação da categoria. 

— Promessas de valorização da PF largadas ao vento no final de mandato mostram apenas que o fortalecimento da segurança pública nunca foi prioridade do governo, o que, sem dúvida, tem reflexo no combate à corrupção e nas organizações criminosas — afirmou Lucano Leiro, presidente da ADPF. 

Na semana passada, as entidades de classe da PF se reuniram com o ministro da Justiça, Anderson Torres, e cobraram a reestruturação das carreiras, o que resultaria num reajuste salarial entre 16% e 20%, pedido feito pela categoria para suprir perdas inflacionárias. Havia uma expectativa de que o governo Bolsonaro fizesse algum gesto, mas nenhum sinal foi dado.     

— A PF não pode ser instrumento de marketing eleitoreiro. Há pouco tempo para o atual governo mudar de rumo e passar a valorizar de verdade a principal estrutura de combate à corrupção e ao crime organizado que existe no Brasil — disse Tania Prado, presidente da Federação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (FENADEPOL).

Fonte: O Globo

Em jogo combinado, prédio da educação é transferido para o TJ

Governador Klever Loureiro, que é desembargador e governador temporário doa ao Judiciário prédio da antiga Secretária de Educação para o próprio Poder Judiciário que ele representa no poder!

O governador em exercício de Alagoas, Klever Loureiro, sancionou a doação, ao Poder Judiciário, de imóvel situado na Rua Barão de Alagoas. O local é onde já funcionou a Secretaria de Educação de Alagoas. A sanção ocorreu nesta sexta-feira (29), durante solenidade em Santana do Ipanema, onde também aconteceu a inauguração do Cartório Eleitoral da 19ª Zona.
Loureiro explicou que a medida é benéfica para os usuários da Justiça, além dos comerciantes e as pessoas que transitam na área. “Fizemos essa doação do que um dia foi um prédio, onde funcionava a Secretaria de Educação, e que hoje infelizmente serve como um antro de marginalidade. O próprio comércio almejava que aquilo fosse solucionado, e o Poder Judiciário de Alagoas está carente de espaço. Então vamos entregar ao jurisdicionado uma melhor acessibilidade, além de revitalizar aquela região”, disse o governador.
O presidente em exercício do Tribunal de Justiça, José Carlos Malta, comentou sobre como o imóvel será útil ao Judiciário. “Vários projetos estão sendo estudados, mas precisamos de espaço para construção. O governador Klever teve a oportunidade de atender à solicitação formal que fiz enquanto presidente do Tribunal, e a Assembleia Legislativa aprovou. Vai resolver todos os nossos problemas de espaço”.

Fonte: Diretoria de Comunicação – Dicom TJAL IN

Bolsonaro vai reajustar em 19% o gás natural a partir de domingo

Medida vai reduzir renda e aprofundar o travamento da economia

A  Petrobras vai reajustar os preços de venda de gás natural  para as distribuidoras de todo o país em 19%, em média. Os novos valores começam a valer a partir de domingo.

O gás natural é o usado nas residências que têm gás encanado e também é o mesmo do GNV, para abastecimento de carros. É ainda um insumo importante para várias indústrias. Este aumento, porém, não tem relação com os preços do gás de botijão.

A alta de 19% chegará para os consumidores finais com variações distintas. No caso do Rio de Janeiro, a Naturgy informou nesta sexta-feira que, no caso do gás residencial, a alta será de cerca de 7%.

Novo preço vale até 31 de julho

Apesar de o preço do gás natural vendido pela Petrobras ser corrigido apenas trimestralmente, os valores do GNV veicular este ano já estavam em forte alta nos postos. Isso porque outros combustíveis, como gasolina e diesel, tiveram grandes reajustes.

Este ano, considerando os preços médios mensais da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o custo do GNV nos postos do país subiu 9,74%. A gasolina teve alta de 8,62% e o diesel, de 23,47%.

Já o valor do gás de botijão, que não tem relação com o preço do gás natural às distribuidoras e  também foi reajustado este ano pela Petrobras, teve alta de 10,94% desde dezembro, segundo a ANP.

Este ano, considerando os preços médios mensais da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o custo do GNV nos postos do país subiu 9,74%. A gasolina teve alta de 8,62% e o diesel, de 23,47%.

Já o valor do gás de botijão, que não tem relação com o preço do gás natural às distribuidoras e  também foi reajustado este ano pela Petrobras, teve alta de 10,94% desde dezembro, segundo a ANP.

Fonte: O Globo

Toyota anuncia fechamento da fábrica em SP

No dia 5 de abril a Toyota anunciou que irá fechar sua fábrica em São Bernardo do Campo. No dia seguinte, mais de 500 trabalhadores se reuniram na entrada da fábrica em assembleia. Ficou claro que a saída proposta pela empresa é uma enrascada. No anúncio de fechamento a Toyota afirmou que “oferecia a oportunidade” para os trabalhadores serem transferidos para suas outras fábricas no interior do estado. Um diretor do sindicato afirmou: “Esse negócio de transferir trabalhador para outra fábrica no interior, esquece isso. Veja o histórico disso aí em outras fábricas.”

A disposição de luta dos metalúrgicos da Toyota ficou demonstrada quando decidiram por unanimidade paralisar a fábrica e votaram com entusiasmo um aviso de greve. Mas a direção da Toyota tem se mostrado inflexível. No dia seguinte a paralisação continuou e os trabalhadores fizeram uma passeata da sede do sindicato até a praça da Matriz.

A empresa entrou na justiça contra a greve e em assembleia dia 11, o sindicato comunicou os trabalhadores que no julgamento realizado no TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região) se determinou a abertura de mesa de negociação “com o objetivo de discutir a viabilidade da planta em São Bernardo” e votou o retorno ao trabalho. Só o prosseguimento da luta pode abrir um caminho diferente para a fábrica da Toyota, não repetindo o destino da Ford, fechada em 2019 e depois demolida.

Fonte: O Trabalho

Polícia Civil indicia Saul Klein (da Casas Bahia) por estupro e outros crimes

Além dos atos de violência sexual relatados pelas vítimas, filho do fundador das Casas Bahia obrigava vítimas a assistir filmes de tortura e estupro infantil. Os abusos repetitivos desencadearam uma série de problemas psíquicos nas vítimas. Uma das jovens foi violentada instantes depois de tentar suicídio: “Eu ainda estava com os pontos”. Polícia Civil pediu a prisão do empresário nesta quinta-feira

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o empresário Saul Klein nesta quinta-feira (28) pelos crimes de organização criminosa, trabalho análogo à escravidão, tráfico de pessoas, estupro, estupro de vulnerável, casa de prostituição, favorecimento à prostituição e falsificação de documento público. Também pediu a prisão preventiva de Klein, o que se estendeu a outras nove pessoas suspeitas de estarem envolvidas nos crimes.

No relatório, a delegada Priscila Camargo ressalta que o inquérito tramita por mais de 15 meses e ainda há um “rol extenso de pessoas a serem indiciadas”, referindo-se às pessoas envolvidas no esquema de aliciamento criado por Saul. O caso é tema central do documentário “Saul Klein e o Império do Abuso”, produzido pelo portal Universa.

Assistente de acusação, a advogada Priscila Pamela dos Santos —que ao lado da também advogada Maíra Recchia representa as 14 vítimas que denunciaram o empresário à Justiça— diz que a decisão da delegada vai ao encontro do entendimento de ambas, que acreditavam ter indícios suficientes nos depoimentos das vítimas.

“O indiciamento traz a devida confiabilidade à palavra das vítimas, uníssonas a respeito dos crimes a que foram submetidas”, afirma Santos. “A delegada, ao analisar os fatos como um todo, compreendeu pela ocorrência dos crimes noticiados e era exatamente o que esperávamos. O inquérito já estava instruído com elementos necessários à sua conclusão e posterior oferecimento de denúncia.”

Agora, o relatório vai para o Ministério Público que, por sua vez, também analisará a investigação e poderá apresentar uma denúncia à Justiça, que a aceitará ou não. No primeiro caso, Saul se torna réu.

Não há previsão de data para um possível julgamento. Se a sentença em primeira instância sair após o empresário completar 70 anos —hoje, ele tem 68— a prescrição máxima, que é de 20 anos, cai pela metade, segundo a lei brasileira. Saul pode beirar os 80 quando for julgado em última instância, mas isso só ocorrerá se a denúncia não prescrever até lá. Caso prescreva, mesmo que seja condenado, não haverá punição.

Se for condenado na esfera criminal, a pena vai variar de acordo com os crimes julgados, e o tempo de prisão pode variar entre dois e 12 anos.

Entenda o caso

Saul é investigado pela polícia desde setembro de 2020, em um processo envolvendo 14 jovens que o denunciaram por estupro, lesão corporal e transmissão de doença venérea, entre outros crimes.

Elas fizeram as primeiras denúncias em setembro de 2020 à promotora de justiça Gabriela Manssur e foram encaminhadas ao projeto Justiceiras, idealizado por ela, sob liderança jurídica da advogada Luciana Terra Villar. As vítimas passaram por acolhimento psicológico e orientação jurídica, e as denúncias foram levadas à Delegacia de Defesa da Mulher de Barueri.

“Eu tinha 17 anos. Uma mulher atrás de mim tirou meu vestido, me levou para o banheiro, me deu um tubo de xilocaína, me mandou agachar e introduzir o [conteúdo do] tubo no ânus. Fui para o quarto e, ali, ele começou tudo. Quando terminou, eu só chorava. Ele tem uma barriga enorme que pressiona, segura a gente. Ele foi colocando, forçando o sexo anal. Comecei a pedir para parar, e ele não parava. Ele [Saul Klein] não gostava de cortar a unha, pedia para a gente lixar. A unha comprida arranhava. Já cortou menina por dentro”, diz uma das vítimas do empresário.

Uma das vítimas conta que se viu pela primeira vez diante de Saul após ser sondada para uma vaga de trabalho como modelo. No encontro, porém, se deu conta de que o emprego era outro: seria acompanhante de um grande empresário e faria um teste com ele. Mas, mesmo dizendo que não queria e pedindo para ir embora, foi estuprada.

“Assim que saí do quarto dele, a Puca [uma das aliciadoras] veio e disse: ‘Amiga, você passou, ele falou que você é ouro’. Como se ela estivesse me dando estrelinha, dizendo: ‘Você fez o trabalho certo’”, relembra a jovem.

“Eu só chorava. Ela dizia para eu parar de chorar, que ia aumentar meu cachê, falando que eu ia para a casa dele. Falei que não queria ir. Continuava chorando, e ela dizendo: ‘Vou aumentar R$ 1.000’. Nunca tinha visto tanto dinheiro na vida, minha mãe é empregada doméstica”, conta.

Cortar as unhas não era um hábito de Saul, segundo relatam diversas vítimas que frequentavam suas residências. E era com as unhas longas que ele machucava as jovens que iam a suas casas, dizem. “Ele colocava o dedo nas minhas partes íntimas, me machucou”, afirma uma vítima. “Quando isso acontecia, já tinham pomadas lá preparadas para as meninas usarem”, relata outra menina.

Os remédios, segundo as vítimas, eram prescritos pela ginecologista Silvia Petrelli e pelo cirurgião plástico Ailthon Takishima, que frequentavam a casa de Saul para atender às garotas. Eram os médicos também que se responsabilizavam pelos tratamentos de doenças venéreas. Segundo as garotas, Saul ou se recusava a usar camisinha ou dizia que usava um preservativo em gel, vindo dos Estados Unidos. “Todo o mundo lá pegou HPV”, diz uma vítima. “Ele tinha clamídia e queria ter relação mesmo assim”, afirma outra.

A clamídia é uma infecção sexualmente transmissível que pode afetar homens e mulheres, atinge especialmente a uretra e órgãos genitais, mas pode acometer a região anal, a faringe e ser responsável por doenças pulmonares. Além disso, é uma das causas da infertilidade masculina e feminina.

“Às sextas-feiras, ele sempre ficava com uma menina nova, e eu acompanhava eles no quarto. No ato, em que ele estava transando com elas, eu tinha que auxiliar. Nunca vou me esquecer de uma menina que chorava, pedia para ele parar. Eu passava a mão nela, falava para ficar calma, dizendo que estava tudo bem, que logo ia acabar”, relata uma vítima.

Além dos atos de violência sexual relatados pelas vítimas, outras situações também as faziam se sentir intimidadas e agredidas sexualmente, mesmo quando não havia contato. “Ele queria assistir a filme de estupro infantil, de tortura, era muito intimidador. Todos do esquema sabiam que as meninas que entrassem lá não vinham de uma família rica, que seriam intimidadas. Ele sabe o alvo que quer”, lembra outra vítima.

“Ele quis ter relações depois que tentei me matar”

“Um dia, falei para a Deia [aliciadora que trabalhava com Saul] que queria me matar, não estava bem. O médico [Ailthon Takishima] estava passando e perguntou: ‘Como assim?’. Me passou o meu primeiro antidepressivo. Um cirurgião plástico”, diz uma das vítimas.

“Tive a primeira overdose de medicamentos. Cortei o pulso, levei 12 pontos. Quando cheguei em casa do hospital, no meu celular tinha um monte de ligação da Marta [Gomes da Silva, apontada por vítimas e por Saul como cabeça do esquema]. Ela disse que eu precisava vir para São Paulo, que o Saul queria me ver. E eu vim. Ele fez sexo comigo com os pontos, sabendo que eu tinha acabado de tentar suicídio, que estava com depressão. Mas diziam que ele era tão bonzinho, que estava preocupado comigo. Eu acreditava”.

Fonte: Pragmatismo Político

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