Pai de Vorcaro pagou R$ 400 mil ao mês e bônus a agentes da PF por informações sigilosas

 Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, repassava mensalmente R$ 400 mil ao agente aposentado Marilson Roseno da Silva para obter informações de investigações sigilosas, segundo relatório da Polícia Federal. Roseno é apontado como o responsável por criar um mecanismo de vazamento interno na corporação.

Segundo as investigações, Roseno ofereceu pagamentos via Pix, presentes e uma gratificação de fim de ano, descrita como “oferenda” de Vorcaro, para recrutar servidores da ativa da PF. Assim, ele cooptou o agente Anderson Wander da Silva e a delegada Valéria Vieira.

Também integrariam o esquema os policiais federais aposentados Sebastião Monteiro Júnior e Francisco Pereira da Silva, além de um terceiro agente da ativa não identificado.

A infiltração garantia a Henrique e Daniel Vorcaro acesso a dados mantidos em sistemas internos, como o e-Pol, onde são registrados os inquéritos em curso. Foi por meio desse esquema que o ex-banqueiro obteve um mandado de prisão contra si e o repassou a um site jornalístico com o objetivo de antecipar a informação e utilizá-la em sua defesa.

A reportagem procurou a defesa de Henrique Vorcaro, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Também tentou contato com Marilson Roseno da Silva, hoje em prisão preventiva, mas as ligações não foram atendidas. A reportagem não localizou a defesa do policial aposentado, que atuava em causa própria em litígios anteriores. A defesa de Daniel Vorcaro disse que não comentaria.

Por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal), os policiais federais aposentados Sebastião Monteiro Júnior e Francisco Pereira da Silva, o Chicão, além do agente da ativa Anderson Wander da Silva, foram alvos de mandados de prisão preventiva. Na mesma operação, a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada de suas funções no cargo público.

Como Roseno recebia dinheiro

Segundo a PF, os pagamentos a Roseno eram mascarados como prestação de serviços da própria empresa, a Roseno & Ribeiro Gestão Empresarial Ltda. Parte dos valores passava pela King Participações, de Luiz Phillipi Mourão, funcionário de Daniel Vorcaro mencionado no relatório como “sicário”. Os repasses a Mourão eram feitos pelo cunhado de Daniel, Fabiano Zettel, de acordo com as investigações.

Mensagens obtidas pela corporação mostram que Roseno cobrou Henrique Vorcaro no dia 6 de janeiro, após atrasos nos repasses. “Estou segurando uma manda de búfalo [sic]. Não me deixe a deriva, por favor [sic]”, escreveu.

Vorcaro respondeu que enviaria “imediatamente 400” a Roseno. O policial aposentado replicou que o ideal seria o envio de R$ 800 mil, argumentando que Mourão repassava apenas metade do valor combinado.

No dia 9 de janeiro, Vorcaro disse a Roseno: “No momento que estou é que preciso de vocês”. “Nos ajude para podermos lhe ajudar, mestre”, respondeu o policial aposentado. “Recurso já chegou aí, tá faltando boa vontade [sic]”, emendou o agente de segurança.

Ainda segundo a PF, o contador de Roseno dava orientações sobre como ocultar a origem dos depósitos da família Vorcaro. Havia sugestões para o uso de CPFs de terceiros para fracionar os valores e evitar alertas das autoridades. A investigação cita Erlene Nonato Lacerda como suposta laranja de Roseno. Nos autos constam notas fiscais de dois pagamentos de R$ 50 mil da empresa de Vorcaro a Erlene.

Ela também era responsável por pagar despesas particulares do policial aposentado, que mantinha padrão de vida elevado em Belo Horizonte, onde tinha um apartamento em bairro nobre e uma caminhonete Hilux.

Repasses a Wander

A PF afirma que as ações de Roseno nos sistemas corporativos dependiam do agente da ativa Anderson Wander da Silva, qualificado no relatório como “longa manus” (expressão em latim para executor de ordens de outrem).

Wander acessou no e-Pol, ao menos em 2023, dados de investigações contra Vorcaro, segundo o relatório. Ele também recorreu a um colega para consultar informações de um passaporte a pedido de Roseno.

Além dos repasses mensais, Roseno acertou gratificações adicionais com o agente da ativa. “Mandar um presente pra filhota que passou no vestibular [sic]. Qual o Pix?”, diz uma das mensagens.O relatório não especifica o montante, mas identificou um repasse via Pix enviado a Wander em 31 de dezembro de 2025. Em áudio, o agente agradeceu o valor. “O pagamento é compatível com o bônus de final de ano pago por Daniel Vorcaro e repassado ao núcleo a Turma”, aponta o documento da PF.

policial federal aposentado a Anderson Wander da Silva, em repasse de dinheiro de Henrique Vorcaro para obter informações sigilosas na PF

Atuação de Valéria e Francisco

A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva também realizou consultas de interesse da família Vorcaro, diz a corporação. Em fevereiro de 2024, ela acessou um inquérito do qual Henrique Vorcaro havia sido alvo no ano anterior. Os documentos foram repassados a Roseno pelo marido da delegada, o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva.

Mensagens indicam que, após não conseguir documentos sigilosos com Wander, que tinha acesso restrito, Roseno avisou ao agente da ativa que procuraria “um colega”. Menos de uma hora depois, a delegada Valéria acessou as peças do inquérito contra Henrique. No mesmo dia, 23 de fevereiro de 2024, as informações foram encaminhadas a Daniel Vorcaro.

O relatório, contudo, não identificou pagamentos feitos a Valéria e Francisco. Os investigadores constataram que muitas das mensagens enviadas ao casal foram apagadas.

Sebastião Monteiro Júnior

A investigação também relata encontros entre Roseno e o também policial federal aposentado Sebastião Monteiro Júnior, acusado de recrutar agentes da ativa para “a Turma”. Em áudios interceptados pela PF, os dois combinam de falar sobre “uma ideia” em um local discreto.

“Você sobe, mas a gente conversa lá, porque aqui tô com uma turma que pode atrapalhar (sic)”, disse Roseno a Monteiro Júnior. Imagens de câmeras de segurança comprovam o encontro.

Fonte: ICL

Apreensão de arma de Bolsonaro reduz chance de Moraes prorrogar prisão domiciliar

A apreensão de uma arma registrada no nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma blitz em Brasília, na noite de segunda-feira (15), reduz as chances de que a sua prisão domiciliar possa ser prorrogada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O prazo da domiciliar temporária vence no próximo dia 25. O magistrado vinha cogitando a hipótese de renová-la por mais 90 dias, por considerar que a custódia estava sendo cumprida sem intercorrências ou indícios de descumprimento, mesmo em meio ao avanço das articulações para a campanha eleitoral.

Contudo, a pistola localizada com o militar Estácio Leite da Silva Filho, segurança de Bolsonaro, acendeu um alerta no ministro, que deu 24 horas para a defesa do ex-presidente se explicar. Estácio relatou à PM (Polícia Militar) que levava a arma para um conserto devido a uma pane, e que pretendia devolvê-la nesta terça (16).

Moraes determinou aos advogados que esclareçam “por que, às vésperas do encerramento do período de 90 dias concedido a título de prisão domiciliar humanitária, o condenado solicitou a realização de reparo no armamento”. Segundo um interlocutor do ministro, a menção explícita ao fim do prazo é um mau sinal para Bolsonaro.

Além disso, o magistrado sugere que ordens judiciais podem estar sendo descumpridas, uma vez que são obrigatórios procedimentos de revista nos carros que saem da casa de Bolsonaro, e a arma do presidente foi flagrada com um terceiro a 33 quilômetros de distância do condomínio.

A PM respondeu a Moraes que faz a varredura em habitáculos e porta-malas dos veículos que deixam a residência de Bolsonaro, mas que os carros usados pelos seguranças ficam estacionados em via pública e não adentram a garagem, “razão pela qual não são submetidos a vistorias”.

A violação de medidas cautelares é um argumento utilizado com frequência por Moraes para revogar benefícios, como ocorreu nas ocasiões em que Bolsonaro apareceu nas redes sociais dos filhos ou quando o ex-presidente tentou romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, em novembro passado.

A desconfiança de Moraes também aumentou devido à postura do segurança durante a abordagem na blitz. O policial militar Davi Evangelista Alves afirma que a pistola estava no assoalho do carro e que, quando a percebeu, “o motorista, de forma repentina, fechou o vidro”.

Estácio também teria dito inicialmente que a arma “constava em sua funcional”, mas o policial diz que não encontrou esse registro na documentação do militar. Foi apenas ao ser indagado novamente que ele respondeu que a pistola era de Bolsonaro e que o equipamento costumava ficar dentro do carro.

Auxiliares de dois ministros alinhados a Moraes afirmam que a prorrogação da domiciliar era estudada pelo relator como forma de fazer um aceno ao bom comportamento de Bolsonaro desde o fim de março, quando a medida foi concedida para que o ex-presidente se recuperasse de um quadro de broncopneumonia, após um período de internação.

Isso permitiria que o ministro renovasse o prazo mesmo que Bolsonaro tenha melhorado da condição aguda de saúde. Nos últimos três meses, o ex-presidente não teve complicações que exigissem intervenções de urgência. Ele só voltou ao hospital uma vez, para operar o ombro, em um problema não relacionado à questão respiratória.

A avaliação do entorno de Moraes é a de que, se a explicação da defesa não convencer, Bolsonaro pode ser mandado de volta à Papudinha. O ministro já deixou claro, em manifestações anteriores, que o local tem condições de oferecer ao ex-presidente todos os cuidados médicos necessários, inclusive para casos de emergência, se preciso.

O relatório médico mais recente, enviado ao STF na sexta-feira (12), aponta que Bolsonaro segue tendo crises de soluço, com uma “piora considerável” observada entre os dias 9 e 10 de junho, quando foi necessária a administração de doses extras de medicamentos, “no limite terapêutico de segurança”.

A equipe médica recomenda exames para investigar esofagite crônica, o que a defesa já pediu a Moraes, que ainda não despachou. O relatório diz que Bolsonaro tem condição cardiológica estável, com pressão arterial sob controle, mas apresenta oscilações de equilíbrio e se queixa de “fadiga aos médios esforços”.

Fonte: ICL

Julgamento de Eduardo Bolsonaro por coação começa hoje pela 1ª turma do STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta terça-feira (16) a ação penal contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de coação no curso do processo.

A sessão está marcada para 14h e será aberta com a leitura do relatório do caso pelo ministro Alexandre de Moraes. Em seguida, a PGR terá uma hora para sustentar a acusação e defender a condenação de Eduardo. Depois, a defesa, feita pela Defensoria Pública da União (DPU), terá o mesmo tempo para apresentar seus argumentos.

Só então começa a votação dos ministros. A Primeira Turma é composta atualmente por quatro integrantes: Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Eduardo é acusado de atuar junto a autoridades e parlamentares dos Estados Unidos para pressionar o governo estadunidense a adotar medidas contra ministros do STF e contra o Brasil. Segundo a denúncia da PGR, a articulação buscava constranger integrantes da Corte e interferir nas investigações relacionadas aos atos antidemocráticos e à tentativa de golpe de Estado.

Entre as medidas citadas está o uso da Lei Magnitsky, mecanismo de sanções internacionais. A defesa sustenta que as manifestações de Eduardo estão protegidas pela liberdade de expressão e pela atuação política exercida no exterior.

Desde o início do processo, Eduardo não contratou advogado para o caso. Como vive nos Estados Unidos desde o ano passado, a DPU passou a representá-lo. Ele também não compareceu ao interrogatório por videoconferência, etapa normalmente usada para a autodefesa do réu.

Na semana passada, a DPU pediu o adiamento do julgamento e solicitou a convocação de um ministro de outra turma para completar o colegiado. O órgão argumentou que a vaga aberta desde a saída de Luiz Fux poderia prejudicar a análise e gerar empate.

Moraes negou o pedido. Segundo o ministro, a jurisprudência do STF permite que o julgamento ocorra mesmo com a ausência de um integrante da turma, desde que respeitado o quórum mínimo de três ministros. Ele também afirmou que eventual empate em matéria criminal favorece o réu.

Na véspera do julgamento, Eduardo usou as redes sociais para pedir ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a retomada de sanções contra Moraes. A publicação foi dirigida em inglês a Trump, ao secretário de Estado, Marco Rubio, e ao secretário do Tesouro, Scott Bessent.

No texto, Eduardo afirmou que “o Supremo Tribunal do Brasil está se preparando para me condenar em retaliação contra o pres. Trump”. Ele também chamou o STF de “tribunal político” e disse que a retirada das restrições contra Moraes em dezembro foi “um erro grave”.

“Moraes está aguardando o retorno de uma administração democrata radical nos Estados Unidos para que, juntos, possam fazer com vocês o que estão fazendo comigo hoje. Considerem a audácia das acusações: eles afirmam que cometi um crime ao interagir com autoridades do governo americano. Tal alegação, na prática, trata a própria administração Trump como se fosse uma organização criminosa”, completou Eduardo.

Fonte: DCM

EUA impedem Cuba de produzir cerca de 300 medicamentos

A denúncia da BioCubaFarma ocorre em um momento de forte pressão sobre o sistema de saúde cubano

A BioCubaFarma denunciou que os EUA impedem a produção de cerca de 300 medicamentos em Cuba, em meio ao agravamento dos efeitos do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto por Washington há mais de seis décadas. As informações são da Prensa Latina.

A presidente do Grupo Empresarial BioCubaFarma, Mayda Mauri, afirmou em entrevista ao Canal de Notícias Cubano que o setor farmacêutico cubano enfrenta um dos momentos mais severos de sua história recente, com impactos diretos sobre a capacidade de produção de medicamentos e insumos essenciais para o sistema público de saúde.

Prioridade para emergências e pacientes críticos

Segundo Mauri, a BioCubaFarma trabalha em coordenação estreita com o Ministério da Saúde Pública de Cuba para definir prioridades produtivas diante das limitações atuais. A estratégia tem sido concentrar esforços na fabricação de produtos farmacêuticos voltados aos serviços médicos de emergência e ao atendimento de pacientes em estado crítico.

Entre os itens priorizados estão soros e insumos destinados à hemodiálise, considerados essenciais para garantir o funcionamento de áreas sensíveis da assistência médica. A dirigente explicou que, diante das restrições enfrentadas pelo país, a indústria tem buscado assegurar a disponibilidade dos produtos com maior impacto imediato na rede de saúde.

BioCubaFarma busca ampliar receitas no exterior

Além da reorganização interna da produção, a BioCubaFarma também tem reforçado alianças e negócios internacionais como forma de ampliar a receita obtida com a exportação de produtos biotecnológicos desenvolvidos em Cuba. De acordo com Mauri, esses produtos já conquistaram patentes e reconhecimento científico relevante no cenário internacional.

A presidente do grupo ressaltou, no entanto, que a exportação não ocorre em detrimento do abastecimento interno. Segundo ela, a indústria cubana não vende ao exterior medicamentos que estejam em falta no país, buscando preservar o atendimento às necessidades nacionais mesmo em um contexto de restrições econômicas e financeiras.

Cooperação com China, Vietnã e Rússia

Mauri também destacou a importância da cooperação internacional para o desenvolvimento do setor farmacêutico e biotecnológico cubano. A parceria com a China foi apontada como estratégica, ao lado de iniciativas mais recentes com Vietnã e Rússia.

Essas alianças, segundo a dirigente, já começam a gerar empreendimentos conjuntos com benefícios para as partes envolvidas. A ampliação da cooperação externa é vista pela BioCubaFarma como uma ferramenta fundamental para sustentar a produção, fortalecer a inovação e reduzir os efeitos das limitações impostas ao país.

Impacto sobre a saúde pública cubana

A denúncia da BioCubaFarma ocorre em um momento de forte pressão sobre o sistema de saúde cubano, que depende da capacidade da indústria nacional para garantir medicamentos, vacinas, insumos hospitalares e produtos biotecnológicos. Para o governo cubano e suas instituições públicas, o bloqueio imposto pelos EUA segue sendo um dos principais obstáculos ao funcionamento pleno desse setor.

Com a priorização de medicamentos para emergências e pacientes críticos, a BioCubaFarma tenta preservar áreas essenciais da assistência médica enquanto busca alternativas comerciais e científicas no exterior. A estratégia combina reorganização produtiva, exportações biotecnológicas e cooperação internacional para enfrentar as restrições que afetam a produção de cerca de 300 medicamentos no país.

Fonte: Brasil 247

Finalmente, Justiça recebe denúncia e leva caso Braskem à esfera criminal

A Justiça Federal em Alagoas decidiu dar continuidade à ação penal que apura responsabilidades pelo desastre provocado pela exploração de sal-gema em Maceió, um dos maiores casos socioambientais já registrados em área urbana no mundo. Em decisão proferida na última sexta-feira (12), a Justiça recebeu parte da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a Braskem, ex-dirigentes e técnicos ligados à atividade minerária desenvolvida na capital alagoana.

A medida abre uma nova etapa do processo criminal e reforça o entendimento de que existem elementos suficientes para aprofundar a investigação sobre a atuação da empresa e de seus ex-integrantes. Segundo a decisão, a denúncia apresenta uma descrição detalhada dos fatos, das condutas atribuídas aos acusados e do contexto em que os supostos crimes teriam ocorrido, além de estar amparada por provas técnicas e documentais.

O caso envolve os impactos causados pela extração de sal-gema nos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro, onde milhares de moradores foram obrigados a deixar suas casas após o surgimento de rachaduras em imóveis, afundamento do solo, tremores e crateras. O desastre provocou a desocupação de bairros inteiros, afetando residências, comércios, equipamentos públicos e a dinâmica econômica e social da região.

Entre os crimes apontados pelo MPF estão poluição ambiental qualificada, extração irregular de recursos minerais, dano qualificado ao patrimônio e elaboração ou apresentação de estudos ambientais considerados falsos ou enganosos. As acusações atingem tanto a empresa quanto ex-gestores e profissionais que atuaram em áreas relacionadas à mineração e ao licenciamento ambiental.

Ao justificar o recebimento da denúncia, o magistrado destacou que a peça apresentada pelo Ministério Público individualiza as condutas atribuídas aos investigados e descreve de forma organizada a suposta participação de cada um deles. “A inicial do processo traz exposição detalhada e organizada quanto aos fatos criminosos, narrando seu contexto geral ao longo dos anos, mas também indicando a possível atuação de cada um dos acusados”, registra a decisão.

Além de determinar a citação dos réus para apresentação de defesa, a Justiça autorizou o prosseguimento de diligências investigativas pela Polícia Federal e marcou audiências para análise de propostas de suspensão condicional do processo em situações específicas.

Embora tenha reconhecido a prescrição de parte das condutas mais antigas, extinguindo a possibilidade de punição em alguns casos, o juiz manteve o andamento da ação em relação aos fatos considerados ainda passíveis de responsabilização criminal.

Com o recebimento da denúncia, o processo entra agora na fase de instrução, quando serão produzidas novas provas, ouvidas testemunhas e analisados os argumentos das defesas antes do julgamento do mérito. A decisão representa mais um capítulo na busca por responsabilização pelos danos que transformaram permanentemente a paisagem urbana de Maceió e afetaram a vida de dezenas de milhares de pessoas.

Fonte: 082 Notícias

Lula cresce e Flávio Bolsonaro derrete, diz pesquisa BTG/Nexus

Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (15) revela que Lula abriu mais 4 pontos percentuais de vantagem no primeiro turno contra Flávio Boslonaro (PL), que segue derretendo após as revelações da relação com o escândalo do Banco Master e elo com Daniel Vorcaro.

No principal cenária, Lula cresceu de 40% para 42% desde a última pesquisa, divulgada em 25 de maio, enquanto Flávio Bolsonaro caiu de 35% para 33%.

Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem na sequência com 4% cada um. Romeu Zema (Novo), Joaquim Barbosa (DC) e Augusto Cury (Avante) marcam 2%. Aécio Neves (PSDB) e Cabo Daciolo (Mobiliza) completam o quadro com 1%. Brancos e nulos são 5% e indecisos 3%.

Em um segundo cenário, mais enxuto, a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro foi de 6 para 9 pontos: o placar era de 41% a 35% em maio e agora é de 43% para 34%. Renan Santos tem 5%, Caiado 4%, Zema e Barbosa 3%. Brancos e nulos são 6% e indecisos 2%.

Segundo turno

No segundo turno, Lula amplia a vitória em dois pontos sobre Flávio Bolsonaro: de 47% a 43% em maio, foi para 49% a 43% na pesquisa atual.

Lula também vence Zema, por 49% a 39%; Caiado, por 48% a 39%; e Santos, por 49% a 36%.

A Nexus ouviu 2017 eleitores via sistema CATI, por telefone, entre 12 e 14 de maio. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.

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Fonte: Revista Fóorum

Trump usa futebol como ‘isca’ para caçar imigrantes nos EUA, diz relatório

Jogos de futebol nos Estados Unidos se tornaram um dos grandes alvos de ações do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA que “caça” imigrantes por ordem do presidente dos EUA, Donald Trump. A conclusão é de um relatório da organização norte-americana Human Rights Soccer Alliance.

Segundo o relatório, 17 pessoas ligadas a eventos de futebol nos EUA, entre jogadores, treinadores e pais de atletas, já foram detidas — e algumas, deportadas — desde o início de 2025, quando o ICE iniciou as ações nas ruas do país.

No documento, divulgado na semana passada, a ONG afirma que os eventos ligados ao futebol viraram um alvo forte do ICE por se tratar um esporte mais praticado entre comunidades latino-americanas — norte-americanos costumam preferir o futebol americano. E expressa temor de que os agentes do ICE utilizem jogos da Copa do Mundo para seguir com as detenções.

“O futebol nos Estados Unidos está profundamente enraizado nas comunidades imigrantes. Por gerações, serviu como um espaço de pertencimento e expressão cultural. No entanto, (…) as ações de fiscalização se estenderam a espaços centrais do futebol, incluindo escolas, parques, centros comunitários e instalações esportivas”, diz o documento.

👉 Os agentes do ICE não foram proibidos de fazer prisões em jogos da Copa, e nenhuma orientação oficial foi emitida para evitar detenções imigratórias nos estádios. Diante desse cenário, a ONG pede no relatório que:

  • A FIFA garanta a proibição da aplicação da política anti-imigração do governo Trump “em todos os locais da Copa do Mundo e em seus arredores”;
  • a FIFA não compartilhe dados do público com autoridades de imigração;
  • equipes não cooperem com autoridades de imigração, exceto em caso de mandado judicial.

17 casos

Visto, restrições e guerra: os obstáculos para estrangeiros na Copa nos EUA

O relatório documenta ainda 17 casos de pessoas ligadas ao mundo do futebol que foram detidas. Do total, três foram deportados, caso do jogador Emerson Colindres, que foi detido no dia em que se formou no Ensino Médio de uma escola em Ohio e deportado para Honduras, de onde havia saído com os pais aos 8 anos.

Em outro caso, dois jogadores foram presos enquanto treinavam em um campo de futebol no Pier 40, complexo esportivo em Nova York.

O relatório cita ainda a deportação de um imigrante na porta do estádio MetLife, onde havia ido com os filhos para assistir à final do Mundial de Clubes da FIFA, disputado no ano passado nos EUA.

👉 O relatório afirma que as cidades-sede dos jogos da Copa são especialmente sensíveis. Com base em dados do próprio governo, o documento aponta que, entre 20 de janeiro de 2025, quando Trump tomou posse, a 15 de outubro de 2025, o ICE prendeu 92.392 pessoas nas cidades onde serão disputadas as partidas, número acima da média, ainda de acordo com ONG.

‘Não venham’, diz ONG

Na quarta-feira (10), grupos de defesa dos direitos dos imigrantes se reuniram em frente à sede da FIFA em Miami para alertar a organização do risco de novas ações do ICE e pediram que estrangeiros evitem ir aos EUA para assistir aos jogos da Copa.

“Avisamos que haveria detenções arbitrárias, a possibilidade de pessoas terem a entrada negada nos EUA, discriminação racial e muito mais. Tudo isso está acontecendo, já aconteceu e continuará acontecendo“, disse a ativista Yarelíz Méndez Zamora, membro do Comitê de Serviço dos Amigos Americanos, ONG que atua em defesa de imigrantes na Flórida.

O grupo expressou à federação de futebol a preocupação de que as recentes ações do governo dos EUA para barrar a entrada de estrangeiros — caso do árbitro somaliano Omar Artan, impedido de entrar para apitar jogos da Copa — podem impactar nos visitantes internacionais.

“As últimas 72 horas comprovaram nossos piores temores, e eu gostaria de enviar uma mensagem a todos ao redor do mundo. Torcedores, jogadores, técnicos, árbitros, se vocês ainda não embarcaram, mesmo com visto válido, não façam isso. Não venham”, disse o cineasta e ativista Billy Corben.

Fonte: G1

Presidente Lula anuncia linha de crédito especial para motociclistas e entregadores

O ministro em exercício do MTE, Chico Macena, afirma que o Move Brasil – Entregadores e Motoapp garante financiamento de veículos para trabalhadores de aplicativos e celetistas do setor.

Em evento no Palácio do Planalto, o presidente Lula assinou nesta sexta-feira (12) a Medida Provisória que cria o Move Brasil – Entregadores e Motoapp, um financiamento especial voltado a profissionais que trabalham com entregas de mercadorias, transporte de passageiros ou cargas, por meio de aplicativos ou com vínculo celetista, para a compra de motonetas, ciclomotores e motocicletas.

“Nós estamos tirando mais um pouco de gente da invisibilidade. Ontem foram as mulheres negras, hoje são os motoqueiros e ciclistas deste país. E eu espero que amanhã não tenha ninguém mais invisível neste país, porque nós vamos tratar o povo com decência e com respeito”, declarou o presidente Lula. Para o presidente, o Move Brasil – Entregadores e Motoapp representa mais um passo no reconhecimento de categorias historicamente excluídas.

O ministro em exercício do Ministério do Trabalho e Emprego, Chico Macena, que participou do evento, declarou que “o programa reconhece que, para milhares de trabalhadores brasileiros, a moto, a bicicleta elétrica ou o ciclomotor não são bens de consumo: são instrumentos de trabalho, que vão melhorar as condições de trabalho e renda”. Ele também afirmou: “O Move Brasil conta com taxa de juros baixa, com 48 meses para pagar e dois meses de carência. Com isso, o presidente tira esses trabalhadores da invisibilidade, pois eles são fundamentais para a economia brasileira”, ressaltou Chico.

Já o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que o programa reconhece as transformações ocorridas no mundo do trabalho e valoriza profissionais que exercem atividades essenciais para a população. “Esse financiamento é o reconhecimento merecido a milhares de trabalhadores que arriscam sua vida por 10 horas em cima de uma moto para levar comida quente à nossa casa e fazer entregas de encomendas. Isso é reconhecimento e valorização. Nunca o governo tinha dado um reconhecimento para esses trabalhadores”, observou Boulos.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, destacou que a iniciativa combina inclusão produtiva, fortalecimento da indústria nacional e estímulo à economia. Ele explicou que os recursos utilizados no programa são oriundos do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS). “Quando a gente olha para esse setor, estamos lidando com taxas de juros anuais entre 25% e 30%. São taxas muito altas que, muitas vezes, inviabilizam a renovação de frota e o acesso por parte dos motociclistas. Então, vamos oferecer uma taxa que é menos da metade das taxas de mercado, correspondente a 0,99% ao mês”, destacou.

Nicolas Souza Santos, da coordenação da Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativo, disse que o governo federal atendeu à pauta dos entregadores. Segundo ele, muitos trabalhadores alugam motos para conseguir trabalhar. “Agora quem tem bicicleta vai conseguir comprar uma elétrica ou uma moto, tudo sem entrada e com uma prestação muito mais barata que o aluguel de moto”.

A representante da Associação de Trabalhadores de Aplicativos por Moto e Bike (ATAMB), Natália Soares, ressaltou a importância do diálogo mantido com a categoria desde o início. “O governo está olhando para nós. Continue, porque desde o início de janeiro a gente está no grupo de trabalho. Para muitos, não é nada, mas hoje vocês estão fazendo por onde”, disse Natália.

Sobre a MP — A medida contempla entregadores, motofretistas, motoristas, mototaxistas e outros trabalhadores que prestem serviços intermediados por plataforma digital. Eles precisam ter pelo menos seis meses de cadastro na plataforma, no mínimo 100 corridas ou entregas realizadas e consentimento para compartilhamento de informações necessárias à análise de elegibilidade. Também contempla profissionais celetistas com vínculo formal de emprego que exerçam atividades de transporte urbano de cargas ou passageiros.

O Move Brasil – Entregadores e Motoapp permitirá o financiamento de um veículo por beneficiário, sem entrada e com cobertura de até 100% do valor do bem. A linha terá taxa de juros abaixo da praticada pelo mercado, dois meses de carência e prazo de financiamento de até 48 meses. O seguro prestamista, proteção que ajuda a quitar a dívida em caso de imprevistos graves com o trabalhador, também poderá ser financiado.

As condições financeiras serão diferenciadas para homens e mulheres. Para homens, a taxa será de 12,5% ao ano, equivalente a 0,99% ao mês. Para mulheres, será de 11,5% ao ano, equivalente a 0,91% ao mês. Em uma simulação de operação de R$ 21 mil, a prestação ficaria em cerca de R$ 552.

Produtos — Entre os itens financiáveis estão motocicletas, motonetas e ciclomotores flex de até 160 cilindradas produzidos no país; bicicletas e veículos autopropelidos elétricos de até 1.000 watts; e motocicletas, motonetas e ciclomotores elétricos de até 7.500 watts, desde que produzidos no Brasil ou vinculados a projetos de investimento para produção nacional. Os veículos deverão ser zero-quilômetro.

A linha contará com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), mecanismo que ajuda a reduzir o risco das operações e amplia o acesso ao crédito. A garantia terá cobertura de 50% da carteira e de até 100% da operação. A aprovação do cadastro no programa confirma que o profissional atende aos requisitos de participação, mas não garante automaticamente o financiamento, que ficará sujeito à análise de crédito dos bancos.

As montadoras também poderão oferecer descontos na aquisição dos veículos. A medida combina crédito, garantia pública, apoio dos bancos federais e participação do setor produtivo para reduzir o custo final aos trabalhadores e fortalecer a produção nacional.

Como aderir — A adesão será feita por meio da plataforma oficial gov.br/movebrasil, com autorização do profissional para compartilhamento de dados necessários à verificação dos requisitos do programa. O portal de cadastramento será aberto nesta sexta-feira, 12 de junho, mesma data de edição da medida provisória, do decreto e da resolução do FIIS que estruturam o programa.

Após o cadastro, o trabalhador será informado se atende às condições de participação. A partir de 13 de julho, os profissionais que receberem a confirmação poderão procurar a CAIXA, o Banco do Brasil ou instituições financeiras habilitadas para análise de crédito e contratação do financiamento.

Empresas — O programa também tem uma linha voltada a empresas, com financiamento para expansão da infraestrutura de recarga e troca de baterias de motos elétricas. A medida busca apoiar soluções de mobilidade urbana mais sustentáveis, com redução de emissões e da poluição sonora nos centros urbanos.

A linha para pessoas jurídicas poderá financiar itens como baterias, postos de troca e sistemas de recarga de motos elétricas, além de capital de giro associado, limitado a 30% do valor dos investimentos. O valor disponível é de R$ 70 milhões. As condições finais serão definidas em portaria do Ministério da Fazenda.

Fonte: Gov.br

Estado genocida de Israel bombardeia Beirute em meio a tratativas de acordo entre EUA e Irã

Ataque em Beirute ocorre enquanto Washington e Teerã discutem memorando de entendimento para um cessar-fogo na região

As Forças de Defesa de Israel (IDF) realizaram neste domingo (14) um ataque aéreo contra o sul de Beirute, capital do Líbano, em meio a uma delicada movimentação diplomática envolvendo Estados Unidos e Irã. As informações são da RT.

Segundo o Exército israelense, a ofensiva teve como alvo uma instalação ligada ao Hezbollah no bairro de Dahieh, considerado um dos principais redutos do grupo xiita libanês. Em comunicado posterior, as IDF afirmaram que o local funcionava como um centro de comando da organização e divulgaram imagens da operação.

Vídeos e fotografias compartilhados nas redes sociais mostraram danos significativos em um prédio residencial atingido pelo bombardeio. De acordo com informações preliminares divulgadas pela imprensa libanesa, pelo menos uma pessoa morreu e outras quatro ficaram feridas.

Israel justifica ofensiva como resposta ao Hezbollah

As autoridades israelenses afirmaram que a operação foi uma resposta a ataques realizados pelo Hezbollah contra o norte de Israel. Segundo as IDF, o grupo libanês lançou três projéteis contra comunidades israelenses próximas à fronteira.

Em nota conjunta, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, reforçaram a posição do governo israelense. “Israel não tolerará ataques contra seu território”, declararam.

Horas antes do bombardeio, o Hezbollah havia informado ter atacado uma posição de artilharia israelense instalada recentemente na localidade de Al-Adissa, no sul do Líbano.

A troca de ataques evidencia a continuidade das tensões entre Israel e Hezbollah, ampliando as preocupações com uma possível escalada do conflito na região.

Negociações entre EUA e Irã avançam

O ataque ocorreu enquanto Estados Unidos e Irã conduzem negociações para um possível memorando de entendimento. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a assinatura do documento estava prevista para este domingo (14). “O acordo deve ser assinado amanhã e, imediatamente após a assinatura, o Estreito de Ormuz estará aberto a todos”, escreveu Trump na rede Truth Social.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo país atua como mediador das negociações, também afirmou que a assinatura do acordo era esperada nas próximas 24 horas. Segundo ele, Islamabad já se preparava para a formalização eletrônica do entendimento, seguida por reuniões de alto nível previstas para a próxima semana.

Irã adota tom cauteloso sobre acordo com EUA

Apesar do otimismo demonstrado por Washington e Islamabad, o governo iraniano manteve cautela sobre a conclusão do acordo.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que a possibilidade de assinatura de um memorando de entendimento com os Estados Unidos é elevada, mas descartou que isso ocorresse imediatamente.

“A possibilidade de assinatura de um memorando de entendimento com os EUA é alta”, declarou. Na sequência, acrescentou que “isso não acontecerá amanhã”.

Questionado sobre uma eventual viagem da equipe negociadora iraniana a Genebra, na Suíça, ou a Islamabad, no Paquistão, Baghaei respondeu: “Precisamos aguardar a data exata da assinatura; no entanto, não temos planos de viajar para Genebra ou qualquer outro lugar nos próximos dias.”

Fonte: Brasil 247

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