84% dos policiais consideram democracia melhor forma de governo

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi feita com 5 mil agentes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Corpo de Bombeiros, Polícia Científica/Perícia, Polícia Penal, Polícia Rodoviária Federal e Guarda Municipal

Pesquisa divulgada neste sábado (27) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) aponta que a maioria dos policiais e agentes de segurança do país são a favor da democracia e contra qualquer ruptura institucional ou golpe de estado.

De acordo com o levantamento, 84,5% dos policiais responderam que concordam com a afirmação de que a democracia é preferível a qualquer outro tipo de regime de governo. Outros 8,7% afirmaram que concordam em parte. Já 3,4% responderam que discordam da afirmação; e 2,3% disseram que discordam em parte.

Corpo de Bombeiros, Polícia Científica/Perícia, Polícia Penal, Polícia Rodoviária Federal e Guarda Municipal

O percentual de agentes de segurança que se declararam favoráveis à democracia é maior do que o verificado no total da população em outra pesquisa, realizada pelo Datafolha em agosto. De acordo com aquele levantamento, a democracia é a melhor forma de governo para 75% das pessoas.

Embora tenham sido feitas em períodos e por institutos diferentes, o Fórum afirma que é possível afirmar que há uma maior adesão ao regime democrático entre os agentes de segurança.

““Chama a atenção positivamente o fato de perceber que os policiais brasileiros estão imbuídos de cumprir seu mandato constitucional e respeitar a democracia. Essa pesquisa joga por terra a ideia de que os policiais vão aceitar cegamente qualquer mandado do Bolsonaro para acabar com o regime democrático de direito”, afirma o professor da FGV e membro do FBSP Rafael Alcadipani.

Para Alcadipani, o percentual de defesa da democracia maior do que o total da população pode ser explicado pela proximidade dos agentes com os processos legais.

“[pode ser explicado pelo] fato de estar próximo da lei, ser guardião dessa lei, apesar de todos os problemas que a gente acaba vendo, e de não quererem um problema maior.”

Eleições livres e radicalização

A maioria dos entrevistados também afirmou que o povo escolher seus líderes em eleições livres e transparentes é essencial para a democracia. Do total, 95,6% afirmaram concordam com essa afirmação. Outros 3,1% disseram concordar em parte. Apenas 0,4% apontaram que discordam, e 0,6% que discordam em parte.

corporações com potencial de radicalização.

meio de um golpe de estado”, 55,6% disseram discordar; e 7,8% discordar em parte. Já 14,7% disseram concordar, e 19,1% afirmaram concordar em parte.

“Embora a ampla maioria dos profissionais da segurança pública seja formalmente entusiasta dos princípios e das instituições democráticas, uma parcela que pode variar entre 15% e 40% pode ser considerada radicalizada ou potencialmente radicalizável […]. Essa informação reforça a importância da observância contínua das condutas individuais dos profissionais de segurança pública por parte dos órgãos de controle, internos e externos, às polícias”, diz relatório do FBSP.

Os policiais também foram questionados sobre a legitimidade das eleições e de seus resultados. A posse dos eleitos, independentemente de quem forem, foi defendida por ampla maioria.

Segundo Alcadipani, a fiscalização é fundamental para evitar casos pontuais de desrespeito às regras democráticas.

“Basta uma pessoa radicalizada armada cometer uma loucura para criar um efeito muito danosos para a democracia brasileira, como um atentado ou algo parecido com o que aconteceu no Capitólio [nos EUA]. É preciso que as forças de segurança estejam atentas a quem são esses indivíduos radicalizados e ao potencial de dano que eles podem causar”, afirma.

Fonte: G1

Magistrado que redigiu anteprojeto da reforma trabalhista aparece em grupo de empresários golpistas

Juiz do Trabalho aparece em grupo de empresários golpistas denunciados em portal; magistrado redigiu anteprojeto da reforma trabalhista

Na última quarta-feira, 17, o portal Metrópoles divulgou reportagem na qual denuncia que, em um grupo de Whatsapp, conhecidos empresários vinculados a Jair Bolsonaro (PL) vêm defendendo um golpe de Estado caso o atual presidente perca as eleições marcadas para outubro. Faz parte do grupo um juiz do Trabalho de Curitiba, um dos formuladores da reforma trabalhista aprovada em 2017, durante o governo de Michel Temer (MDB).

O grupo reúne grandes empresários de diversas partes do país, como Luciano Hang, dono da Havan; Afrânio Barreira, do Grupo Coco Bambu; José Isaac Peres, dono da gigante de shoppings Multiplan; José Koury, dono do Barra World Shopping, no Rio de Janeiro; Ivan Wrobel, da construtora W3 Engenharia; e Marco Aurélio Raymundo, o Morongo, dono da marca de surfwear Mormaii. Veja AQUI a primeira da série de reportagens que o Metrópoles está publicando.

Reforma trabalhista e ataque a servidores: quem é Marlos Melek?

Juiz do TRT9 (de Curitiba), Marlos Melek escreveu livros sobre a legislação trabalhista e ganhou destaque no no contexto da tramitação da reforma que, em 2017, atacou dezenas de direitos dos trabalhadores brasileiros, no governo Temer. Foi um dos oito integrantes da comissão que redigiu o ante projeto da reforma e, em 2017, defendeu a proposta no Senado, dizendo que ela podia “atrair investimentos e gerar empregos, por dar segurança jurídica aos empregadores” – o que não aconteceu. Melek chamou de “discursos ideológicos” as críticas à reforma, mesma expressão utilizada em sua publicação no grupo de Whatsapp. Em agosto de 2017, entrevistado em matéria da BBC Brasil, Melek disse que “o servidor público é um dos maiores problemas que o Brasil tem hoje” e que seria preciso “acabar com os privilégios” dos servidores.

Coalizão protocola notícia-crime no STF contra empresários que defendem golpe

A Coalizão em Defesa do Sistema Eleitoral protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF), uma notícia-crime contra os empresários Luciano Hang (Havan), Afrânio Barreira Filho (Coco Bambu), Ivan Wrobel (W3 Engenharia) e Marco Aurélio Raymundo (Mormaii). O pedido é para que eles sejam incluídos no Inquérito 4.874/DF, relatado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Alexandre de Moraes, que apura suposta presença de indícios e provas acerca da existência de organização criminosa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político, com a possível finalidade de atentar contra a democracia e o Estado de Direito.

Na notícia-crime protocolada nesta quinta-feira, 18, a Coalizão solicita, ainda, que sejam requeridos os celulares dos noticiados e dos demais membros do grupo de Whatsapp denominado “Empresários & Política”; a quebra de sigilo telefônico para verificar a autenticidade das mensagens trocadas e se elas coincidem com a participação nos ataques sistematizados, com o uso das redes sociais como instrumento de agressão, de propagação de discurso de ódio e de ruptura ao Estado de Direito e da Democracia; e a investigação sobre a atuação dos denunciados na preparação e financiamento dos atos do próximo dia 7 de setembro.

As entidades enfatizam a gravidade dos fatos porque se trata de um grupo com expressivo e considerável poder econômico e político, com notória proximidade com agentes públicos, especialmente o presidente da República, e com indícios de participação efetiva na preparação de atos do dia 7 de setembro, como revela a mensagem destacada na reportagem publicada no site Metrópoles, que divulgou as conversas, do médico gaúcho Marco Aurélio Raymundo, dono da rede de lojas Mormaii: “O 7 de setembro está sendo programado para unir o povo e o Exército e ao mesmo tempo deixar claro de que lado o Exército está. Estratégia top e o palco será o Rio. A cidade ícone brasileira no exterior. Vai deixar muito claro”.

Fonte: Sintrajufe RS

Lula tem 61% das intenções de voto na Bahia e Bolsonaro, 20%

O ex-presidente Lula (PT) lidera as intenções de voto na Bahia na disputa pela presidência. Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha nesta quinta-feira (25), ele tem 61% das intenções de voto. 

Em segundo, aparece o presidente Bolsonaro (PL), com 20% das intenções de voto. Atrás dele vem Ciro Gomes (PDT), com 7%.  Simone Tebet (MDB) e Felipe d’Ávila (Novo), tem 1% cada.

Os demais candidatos não pontuaram, há 5% que votariam em branco ou nulo, e 4% não opinaram.

Na pesquisa de voto espontânea, quando o nome dos candidatos não é apresentado aos eleitores, 54% declaram voto em Lula para o primeiro turno da disputa presidencial, e 18% citam Bolsonaro. A candidatura de Ciro Gomes é mencionada por 3%, e 1% citam Simone Tebet. Uma parcela de 4% declara a intenção de votar em branco ou nulo, e 18% não responderam. 

Fonte: Correio24horas

Lula e Bolsonaro empatam entre evangélicos mais pobres, diz Datafolha

A pesquisa Datafolha recentemente divulgada demonstra que a parcela evangélica do eleitorado está sendo objeto de disputa pelas duas campanhas que lideram as intenções de votos com enfoques distintos: enquanto os bolsonaristas querem conquistar votos com a pauta moral, os petistas preferem abordar os temas econômicos como atrativo para as propostas de seu candidato.

À luz dos números da citada pesquisa, tal estratégia faz sentido para ambos: enquanto Bolsonaro consegue ir bem junto a evangélicos de rendas média e alta, Lula tem mais sucesso entre os mais pobres, mas, ainda assim, empatando com o atual presidente.

Neste recorte, Lula tem 41% dos votos dos evangélicos que ganham até dois salários mínimos, cointra 38% de Bolsonaro. Esse grupo representa 53% dos fiéis entrevistados.

Entre os menos pobres, que recebem mais de dois salários mínimos, Bolsonaro tem 61% das intenções de voto contra 22% do petista. Essa diferença dá a Bolsonaro a folgada vantagem que ele tem no cômputo geral desse segmento,no qual vence Lula por 49% a 32%.

O mesmo levantamento indica que a questão econômica divide espaço com a pauta religiosa no momento da definição do candidato. Quanto menor a renda, mais fatores como inflação e custo de vida influem na escolha.

Ainda assim, os mais pobres que professam a fé evangélica representam fatia menor do eleitorado lulista em relação aos mais pobres de outras religiões (ou sem). Nesse segmento, Lula tem 60% das intenções de voto.

O segmento mais abastado, por outro lado, sentiu positivamente o impacto da redução dos preços dos combustíveis e estão mais otimistas com a recuperação da economia, o que justifica o expressivo apoio ao atual concorrente à reeleição.

Fonte: DCM

Greves sacodem a Europa

Velho Continente vive a maior onda de paralisações em 30 anos. Ela atinge aeroportos, ferrovias, escolas, indústrias e até serviços diplomáticos. As causas: inflação altíssima devido à guerra e as privatizações que pioram as condições de trabalho

Quem viaja para ou pela Europa neste conturbado verão de 2022 está se acostumando com uma palavra para descrever aeroportos: caos. Mas existe uma ordem profunda por detrás da aparente desordem. Desde o começo do ano, o setor aeroviário vem sendo palco de duas constantes: greves, uma atrás da outra, em diversos aeroportos e em muitas companhias aéreas; e falta de pessoal. Somente na Alemanha estima-se que há sete mil trabalhadores a menos no setor. Uma das razões desta escassez é a prolongada pandemia da covid-19, que afastou e continua afastando muita gente de seus postos de trabalho.

As greves neste setor se espalharam por todo o continente, atingindo em momentos e graus diferentes a Inglaterra, Portugal, Espanha, França, Bélgica, Itália, Alemanha, países da Escandinávia. Dois casos dramáticos: em julho, na Alemanha, cerca de mil voos da Lufthansa foram cancelados nos aeroportos de Munique e Frankfurt devido a uma greve de pilotos; e a Scandinavian Airlines, com sede em Estocolmo, na Suécia, pediu falência depois de uma greve de seus mil pilotos, também em julho.

Paralisações em outros setores

A onda de greves não se resume ao setor aéreo. Desde o começo do ano paralisações e protestos atingiram o setor portuário da Alemanha e da Holanda, os trabalhadores em plataformas oceânicas de extração de petróleo na Noruega, professores e trabalhadores da educação na Itália, metalúrgicos na Alemanha, trabalhadores e vendedores na Torre Eiffel, em Paris, e até mesmo um setor não muito afeito a estes movimentos. Em junho, diplomatas franceses cruzaram os braços, numa iniciativa que atingiu as representações da França de Tóquio a Washington!

Mais recentemente, em agosto, as greves se multiplicaram no setor ferroviário e de transporte urbano no Reino Unido, paralisando em grande parte a capital, Londres. Também houve e há greves nos Correios, nas telecomunicações, nos serviços de coleta de lixo, nos portos, nas usinas de eletricidade e nas fornecedoras de água, em paralisações tidas como as mais intensas e extensas dos últimos 30 ou 40 anos, conforme o setor. Com o fim do verão, espera-se que os movimentos grevistas se estendam para a educação e a saúde.

Altas taxas de inflação

De um modo geral, culpa-se a elevada inflação. Turbinada pelos aumentos dos custos da energia em consequência da guerra na Ucrânia, as altas taxas elevam o preço dos transportes e dos fertilizantes no setor agrícola, impactando no custo dos alimentos. Estimada em média em 9% no continente europeu, o índice chega a 10,1% na Inglaterra, podendo ir para 13% anuais a partir de outubro. Mas há quem fale também na falta de pessoal, o que piora as condições de trabalho, decido às grandes privatizações britânicas nos setores de transporte, abastecimento de água e fornecimento de energia, e até no Brexit, que complicou as relações comerciais e alfandegárias com a União Europeia.

Esta retomada da atividade sindical é também a mais vigorosa desde que, entre 1984 e 1985, a então primeira-ministra britânica, Margareth Thatcher, a “Dama de Ferro”, sufocou o sindicato dos mineiros com uma feroz política repressiva que inibiu o movimento sindical inglês durante décadas. Tanto na Inglaterra quanto na Europa Continental, os movimentos sindicais desde o começo de 2022 parecem ser apenas o prelúdio do que pode acontecer no futuro, modificando completamente a paisagem social europeia.

Fonte: Outras Palavras

No Piauí, Lula tem 69% contra 15% de Bolsonaro, mostra Ipec

Pesquisa Ipec, contratada pela TV Rádio Clube de Teresina e divulgada nesta terça-feira (23), mostra que o ex-presidente Lula (PT) tem ampla preferência do eleitorado do Piauí para retornar ao comando do país.

Lula tem 69% das intenções de voto contra 15% de Jair Bolsonaro (PL).

  • Lula – 69%
  • Bolsonaro – 15%
  • Ciro Gomes (PDT) – 7%
  • Simone Tebet (MDB) – 1%
  • Pablo Marçal (Pros) – 1% 
  • Brancos/Nulos – 1%
  • Indecisos – 5%

Os demais candidatos não pontuaram.

A pesquisa ouviu 800 eleitores do Piauí entre 16 e 22 de agosto. O intervalo de confiança é de 95% e a margem de erro de três pontos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolos BR-05787/2022 e no Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) sob o número PI-09637/2022.

Fonte: Brasil 247

Conversas do PGR Augusto Aras em grupo de empresários golpistas são descobertas

Antônio Augusto Brandão de Aras, indicado para o cargo de procurador-geral da República, durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado

Gravíssimo: celulares apreendidos pela PF revelam conversas entre Aras e empresários golpistas

Os celulares apreendidos na operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal nesta terça-feira (23) revelaram conversas entre o procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras, e os empresários bolsonaristas que defenderam um golpe de Estado caso Lula (PT) vença as eleições deste ano, segundo o Jota.

A informação foi confirmada por fontes da própria PF, do Ministério Público Federal (MPF) e do Supremo Tribunal Federal (STF). As mensagens contêm críticas à atuação do ministro do STF Alexandre de Moraes e também comentários sobre a candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL). As conversas ainda estão sob sigilo, mas já são assunto entre ministros do Supremo.

Além de PGR, Aras também é procurador-geral-eleitoral e as mensagens com os empresários podem trazer problemas para ele nesta posição. Segundo a PGR, Moraes autorizou as buscas e comunicou a PGR da operação da PF somente depois de iniciada. No entanto, fontes ligadas ao ministro dizem que a PGR foi informada da operação na segunda-feira (22).

Um dos amigos do procurador-geral da República é o empresário Meyer Nigri, da construtora Tecnisa. Ele chegou a ser citado nominalmente no discurso de posse de Aras como PGR: “Não posso deixar de cumprimentar um amigo de todas as horas neste momento em que vivenciamos. E faço uma homenagem especial ao amigo Meyer Nigri, em nome de quem cumprimento toda a comunidade judaica, que comemorou 5.780 anos nos últimos dias”, disse Aras.

Segundo assessores de Aras, ele tem conhecidos e amigos empresários e, portanto, há conversas entre eles. Os assessores reiteram que o procurador-geral da República soube somente hoje da operação e, assim sendo, não trocou informações sobre as diligências policiais. Afirmam ainda que as mensagens enviadas por Aras a um dos empresários que é alvo da investigação, são comentários “superficiais”.

Foram alvos de busca e apreensão os empresários Luciano Hang (Havan); Afrânio Barreira Filho (Coco Bambu); Ivan Wrobel (W3 Engenharia); José Isaac Peres (Multiplan); José Koury (Barra World); Luiz André Tissot (Sierra); Marco Aurélio Raymundo (Mormaii); e Meyer Joseph Nigri (Tecnisa).

Os mandados foram cumpridos nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.

Fonte: DCM

Medo de prisão e debandada: empresários bolsonaristas reagem no WhatsApp

Ministro Alexandre de Moraes atendeu a pedidos da PF e ordenou mandados de busca e apreensão contra oito empresários bolsonaristas

Da Coluna de Guilherme Amado, do site Metropólis

Desde que a coluna começou a publicar, na semana passada, mensagens trocadas por empresários bolsonaristas num grupo de WhatsApp, a reação dos participantes variou. Entre um desabafo sobre o medo de ser preso e deboche, houve grande debandada. Mais de 50 integrantes saíram do grupo.

José Koury, dono do Barra World Shopping, no Rio de Janeiro, e um dos que recebeu a Polícia Federal nesta terça-feira (23/8) em casa, oscilou entre fazer piadas com uma mensagem sobre o medo de ser preso.

Nesta terça-feira, atendendo a pedidos da PF, Moraes ordenou mandados de busca e apreensão contra Koury e outros sete empresários do grupo.

No fim da manhã da quarta-feira (17/8), a coluna pediu posicionamento aos empresários que haviam defendido explicitamente ruptura democrática no grupo, além de outros, que publicaram mensagens com ataques ao Supremo, ao Tribunal Superior Eleitoral e às eleições.

Os empresários procurados passaram a compartilhar estratégias de respostas que dariam à coluna. José Koury afirmou, às 10h54 daquele dia:

“Já vi que o único babaca que respondeu fui eu. Kkkk. Só não quero ser preso”, disse, ao lado de um emoji de risadas.

Nas mensagens publicadas pela coluna, Koury havia escrito que preferia um golpe ao retorno do PT. Defendeu ainda que, caso voltasse a ser uma ditadura, o Brasil não ficaria impedido de receber investimentos externos.

Às 10h50, Koury disse que manteria o conteúdo do que disse. “Não podem querer nos constranger. Respondi e mantive minhas opiniões”, escreveu.

Carlos Molina, dono da empresa de auditoria Polaris, se disse perseguido por uma “ditadura baseada no Poder Judiciário”. “Vai ter de checar mensagens privadas de mais de 75 milhões de brasileiros. Se o que os cidadãos falam em conversas privadas de WhatsApp com família e amigos for alvo de ação judicial, então estamos entrando, de fato, numa Ditadura baseada no Poder Judiciário, onde escutas ilegais fazem parte dos métodos de perseguição ao cidadão”, assinalou, às 11h35.

Dez minutos depois, Koury voltou a cogitar investigação contra ele, em tom de brincadeira: “De qualquer forma não devemos ter medo. As coisas que falamos refletem opiniões pessoais. A não ser que nos acusem de formação de quadrilha. De empresários kkkk”.

O grupo também viu uma debandada nos dias seguintes. Até hoje ainda estão saindo alguns empresários, muitos deles ainda não citados pela coluna em reportagens.

Nesta terça-feira, após a operação da PF, as piadas continuaram. Em outro grupo, de empresários do Rio de Janeiro, escreveu Koury em resposta a outro participante, também em deboche:

“Já comprou meus chocolates e cigarros?”.

Fonte:

Greves abalam a Inglaterra

Desde finais de Junho, o Reino Unido tem sido abalado por greves nos transportes, nos aeroportos, nos correios e telecomunicações – contra os aumentos de preços – e estas greves estão a alastrar, dia após dia, a outros sectores. Em cada ocasião, uma maioria ou praticamente todos os trabalhadores votam a favor de uma acção de greve.

Face ao aumento dos preços (o Banco de Inglaterra prevê um aumento de 13% em Outubro), os trabalhadores mobilizaram-se massivamente e a sua militância saiu reforçada, greve após greve. É de notar que estas greves são geralmente bem recebidas pela população.

Nos caminhos-de-ferro, no Metro de Londres e nos autocarros, os sindicatos RMT (2), TSSA (3) e Unite (4) convocaram, de novo, uma greve de três dias no passado dia 18 de Agosto. O secretário-geral do RMT, Michael Lynch, afirmou: “Os membros do sindicato estão mais determinados do que nunca em proteger as suas pensões de aposentação, obter aumentos salariais decentes, garantir o emprego e boas condições de trabalho.” Pelo seu lado, o secretário-geral da TSSA, Manuel Cortes, afirmou: “Os nossos membros nos transportes ferroviários estão a entrar no terceiro ou quarto ano de congelamento salarial. Durante esse tempo, as facturas dos alimentos e o combustível têm subido em flecha; a subida do custo de vida – provocada pelos Conservadores – tem empobrecido os trabalhadores.”

Os 115 mil funcionários da Royal Mail (os Correios) votaram esmagadoramente a favor de outra greve de quatro dias, no final de Agosto e início de Setembro. Terry Pullinger do sindicato CWU (5) disse: “As tentativas do Royal Mail Group de minar as nossas condições de trabalho terão uma oposição frontal.”

O Sindicato do Pessoal de Enfermagem (Royal College of Nursing) – que representa os 465 mil enfermeiros, parteiras e assistentes de saúde registados no Reino Unido – considera um insulto a proposta de Boris Johnson de um aumento salarial de 4,75%. O Sindicato está a organizar um referendo, em Setembro, para lançar uma greve. O seu Secretário-Geral, Pat Cullen, disse: “Uma vida ao serviço de todos nunca deve significar uma vida de pobreza.” Apela os seus membros a votar para uma greve, por um aumento salarial de 15%. A British Medical Association expressou a sua total solidariedade com o pessoal de enfermagem, e os médicos em formação que são membros desta Associação estão a preparar um referendo para aprovar uma acção de greve.

Manifestação dos enfermeiros: “Exigimos um aumento de 15%.”

De facto, existem múltiplos apelos à greve no país. Por exemplo, 79% dos jornalistas do Daily Mirror (6), que rejeitam o aumento salarial proposto de 3%, votaram a favor de uma greve.

Substanciais aumentos salariais na British Airways e na Arriva North-West

Face aos receios de greve, a British Airways concordou com um aumento progressivo dos salários dos 16 mil trabalhadores não executivos da companhia (tripulação de cabina, trabalhadores de manutenção e manuseadores de bagagem), atingindo uma subida líquida de 13% no final de Dezembro de 2022. Sharon Graham, Secretária-Geral do sindicato Unite, afirmou: “Com o forte apoio do Unite, os nossos membros forçaram a British Airways a oferecer um aumento salarial compensador dos cortes salariais sofridos durante a pandemia. Há ainda algum caminho a percorrer para os trabalhadores da British Airways recuperarem a confiança na empresa, dado o seu comportamento hostil durante a pandemia. Mais uma vez, a insistência do Unite na melhoria do emprego, dos salários e das condições de trabalho beneficiou os nossos membros.”

A greve dos trabalhadores da Arriva North-West (7) foi suspensa e os membros do GMB (8) foram chamados a votar sobre uma nova proposta de aumento salarial de 11,1%. O Coordenador do GMB, George Patterson, afirmou: “Após semanas de acção negocial, os chefes da Arriva chegaram finalmente a uma oferta que vai ao encontro das expectativas dos membros do GMB. A acção reivindicativa ficará suspensa enquanto os nossos filiados votam sobre o novo acordo. Se aceitarem, a greve estará oficialmente terminada.”

Partido Trabalhista. Nova tentativa para normalizar o Partido… falha.

O deputado Sam Tarry foi ministro dos Transportes no gabinete-sombra de Starmer (9). Agora, decidiu ir participar num piquete de greve. Enquanto lá esteve, deu uma entrevista a uma estação de televisão britânica na qual manifestou a sua solidariedade com os grevistas, apesar de Starmer ter “desaconselhado” os deputados trabalhistas a irem a piquetes (muitos outros deputados trabalhistas, incluindo J. Corbyn e John Mac Donnell (11), tinham ido a piquetes para expressar a sua solidariedade).

Starmer dispensou-o das suas funções no gabinete-sombra, acusando-o de intervir “sem permissão” e de “fazer política ao vivo”. Toda a gente compreendeu que a política do Starmer não era a de apoiar os grevistas. Os sindicatos grevistas (Transportes, Telecomunicações) condenaram veementemente a dispensa de Sam Tarry e ameaçaram deixar de financiar o Partido Trabalhista.

Acontece que Sam Tarry é companheiro de Angela Rayner, a actual número 2 do Partido Trabalhista, que também é membro do gabinete-sombra… Notemos, por fim, que o movimento Momentum (12) – apoiado por Sam Tarry, por outros deputados trabalhistas, todos apoiantes das greves actuais, e pela presidente do sindicato Unison (13), Andréa Egan – lançou uma campanha para apoiar uma moção de apoio explícito aos grevistas e aos aumentos salariais, a ser apresentada ao Congresso anual do Partido Trabalhista, a realizar no final de Setembro, em contradição frontal com a política de Starmer. Sam Tarry disse: “Estou orgulhoso dos laços históricos do nosso Partido com os sindicatos. Chegou a hora de todo o Partido o estar.”

Para muitos sindicalistas, o Partido Trabalhista ainda é, historicamente, geneticamente, o seu partido.

                                                         J-P Martin, 20 de Agosto de 2022

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(1) Os órgãos da Comunicação Social  falam do “Verão do descontentamento” como uma referência ao “Inverno do descontentamento”, em 1978-1979, quando se desenvolveu um formidável movimento de greve contra o governo trabalhista de James Callaghan, que queria limitar os aumentos salariais a 5% para “combater a inflação”.  

(2) RMT: Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Transportes Ferroviários, Marítimos e por Estrada.

(3) TSSA: Associação dos Trabalhadores Assalariados dos Transportes.

(4) O Unite é o maior sindicato interprofissional do Reino Unido.

(5) O CWU é o Sindicato dos funcionários dos Correios e Telecomunicações.

(6) O grupo Trinity Mirror possui, além do Daily Mirror, outros jornais nacionais e mais de 200 jornais regionais.

(7) Grande operador de autocarros do Noroeste de Inglaterra. 

(8) GMB: Sindicato generalista muito importante.

(9) Starmer é o actual secretário-geral do Partido Trabalhista.

(10) A situação de J. Corbyn (antigo secretário-geral do Partido Trabalhista) é insólita: depois de uma campanha de difamação para fazê-lo passar por anti-semita, foi suspenso e subsequentemente readmitido no Partido Trabalhista. Mas Starmer não lhe permitiu ocupar o seu lugar na bancada dos Trabalhistas. Ele teve que fazê-lo como independente.

(11) John Mac Donnell, deputado trabalhista, foi ministro das Finanças no gabinete-sombra de J. Corbyn.

(12) Momentum é um movimento criado por jovens do Partido Trabalhista para apoiar o programa e a eleição de J. Corbyn como líder do Partido Trabalhista (Ver a entrevista em francês de Laura Parker, coordenadora do Momentum: https://laura-parker-momentum-est-une-organisation-dorigine-populaire).

(13) O Unison é o segundo maior sindicato do Reino Unido com quase 1,3 milhão de membros, predominantemente a trabalhar em serviços públicos.

Fonte: POUS4

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