Prefeito JHC ataca a greve da educação em Maceió

Em ato público ocorrido hoje de manhã, 20/07, a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Educação em Alagoas (Sinteal) denunciou os ataques que a categoria vem sofrendo por parte da gestão do prefeito JHC (PSB). Segundo o Sinteal, além da intransigência em não querer negociar com a categoria a reposição salarial, o prefeito pediu a ilegalidade da greve e ainda ataca a diretoria da entidade através de fake news.

A atitude do prefeito JHC foi duramente criticada pela vereadora Teca Nelma, o pré-candidato a governador Cícero Albuquerque e o pré-candidato a deputado estadual professor Luizinho. Lideranças do Sindprev e do Sindicato das Assistentes Sociais também endossaram as denúncias e expressaram solidariedade a diretoria do Sinteal e a categoria em luta.

Segundo a presidenta do Sinteal, Consuelo Correia “o prefeito JHC não revolve os problemas de estrutura nas escolas e de salário da categoria e fica atacando nosso movimento. É lamentável essa postura.” A mobilização da categoria continua com novas manifestações.

Paraguai pede reparação por Guerra da Tríplice Aliança

O Paraguai abriu uma comissão no Parlasul (Parlamento do Mercosul) para analisar “eventuais crimes contra a humanidade e genocídio” durante a Guerra do Paraguai, conhecida no país como Guerra da Tríplice Aliança. Como reparação econômica aos danos causados pelo conflito militar de 1864 a 1870, os paraguaios calcularam até US$ 150 bilhões.

A proposta para instaurar a Subcomissão de Verdade e Justiça foi encaminhada em 30 de novembro de 2020 pelo parlamentar paraguaio Ricardo Canese. Em 4 de abril de 2022, o pedido foi aceito. Eis a íntegra da proposta (43 KB).

Canese também é presidente da subcomissão. Em seu discurso de abertura, em 3 de junho, disse que a “guerra da Tríplice Aliança foi o conflito mais importante e sangrento registrado até hoje na América Latina”. Disse também que vários historiadores e pesquisadores “expressam claramente que graves crimes de guerra foram cometidos” e que até então não foram analisados por nenhuma comissão parlamentar.

“Pela 1ª vez em mais de 150 anos, uma Comissão Parlamentar de alto nível composta pelos países que participaram da Guerra da Tríplice Aliança examinará a verdade sobre o que aconteceu naquela guerra, o fará após 30 anos de constituição do Mercosul e após 15 anos de funcionamento do Parlasul”, afirmou.

Durante a 5ª audiência pública, realizada em 8 de julho deste ano, o investigador paraguaio, Domingo Laíno, disse que a subcomissão “busca reparar o Paraguai” e fazer “alterações em algo que está quebrado”.

No encontro de 6ª feira (15.jul), o investigador Alberto Alderete falou que um documento oficial do governo paraguaio “comprova o genocídio contra o exército e o povo” do Paraguai. Segundo ele, trata-se de um censo realizado em 1842 e entre 1870 e 1871 que indica que houve o “extermínio” de 60% a 70% da população paraguaia durante o período do conflito.

As audiências até então foram realizadas no Senado do Paraguai, no entanto, haverá outras em outros países. Em 16 e 17 de agosto novos encontros estão previstos para acontecer na Argentina. Já no Brasil, será em Foz do Iguaçu (PR) em 15 e 16 de setembro.

GUERRA DO PARAGUAI

O maior conflito armado da América do Sul envolveu o Paraguai e a Tríplice Aliança (Brasil, Uruguai e Argentina). Durou quase 6 anos. O motivo era principalmente a disputa dos países por influência na região do rio da Prata.

A Tríplice Aliança saiu vitoriosa e o país vizinho, devastado. Estima-se que 70% da população masculina paraguaia foi morta durante o conflito.

Fonte: MSN

Pastor pede carro emprestado a fiéis e rouba veículo

Em Goiânia (GO), um pastor evangélico é investigado por fugir com carro que pediu emprestado a fiéis. Segundo a família que perdeu o veículo, eles ficaram surpresos pelo fato do religioso usar da boa fé das pessoas para conquistar confiança e cometer o crime.

Identificado como Murilo Alves Martins, o pastor conheceu a família há cerca de um mês e começou a visitar sua casa em momentos de oração. Na última quinta (14), ele foi à residência e pediu o veículo emprestado, alegando precisar levar sua mulher ao hospital. Prometeu que devolveria durante a tarde, mas, quase uma semana depois, ele ainda não apareceu.

O carro pertence a Jheyfferson da Silva, eletricista predial, que utilizava o veículo como instrumetno de trabalho. Ele calcula que levou um prejuízo de R$ 30 mil com o roubo. A irmã dele, Steffany Lorrane, disse que a família não suspeitou do pedido uma vez que ele partiu de um pastor.

O caso é tratado pela polícia como apropriação indébita e o religioso está sendo procurado.

Fonte: DCM

Embaixadores dizem que reunião com Bolsonaro foi ‘campanha eleitoral’

A ofensiva do presidente Jair Bolsonaro contra o sistema de votação eletrônica foi vista por embaixadores estrangeiros de países democráticos, convidados ao encontro nesta segunda-feira, dia 18, como um ato de campanha eleitoral e não mudou a impressão geral de confiança na segurança das eleições brasileiras. Após a reunião no Palácio da Alvorada, o Estadão ouviu representantes de sete embaixadas de países na Ásia, na Europa e na América Latina. Eles falaram sob a condição de ter suas identidades preservadas.

O representante de um país nórdico afirmou que as falas de Bolsonaro não mudaram “nada no nosso modo de ver as coisas”. Ele disse que não tem por que questionar um sistema “que funcionou bem nos últimos 25 anos”. Segundo, ele o encontro deve ser visto como parte de uma “campanha eleitoral”.

Esse mesmo embaixador disse que havia no salão do Alvorada diplomatas mais simpáticos ao presidente e outros menos, mas que no geral a impressão foi a mesma, sobretudo nas democracias europeias.

Virou comentário entre embaixadores erros de tradução nos slides apresentados por Bolsonaro, que tinha perguntas em português e em inglês aos diplomatas, no fim. “Por que seus países não usam nosso sistema seguro e eletrônico?”, era uma delas.

Um dos poucos a se manifestar publicamente sobre o encontro, o embaixador da Suíça usou a rede social para mandar seu recado: “Desejamos ao povo brasileiro que as próximas eleições sejam mais uma celebração da democracia e das instituições”, escreveu o embaixador Pietro Lazzeri.

Outro embaixador classificou o PowerPoint como “amador” e afirmou que os diplomatas já estavam devidamente informados sobre o inquérito da Polícia Federal relacionado a um ataque hacker nas eleições de 2018, usado como base para a argumentação do presidente.

Como mostrou o Projeto Comprova, a invasão foi ao sistema interno do TSE não teve qualquer implicação na segurança das urnas eletrônicas. A Polícia Federal não encontrou registros de investigações sobre fraudes envolvendo a urna eletrônica desde que o método de votação foi adotado, em 1996.

Um diplomata europeu afirmou que viu “nada de novo” nas declarações do presidente Bolsonaro. Segundo ele, na parte final da exposição era uma sucessão de “ataques aos ministros do TSE”.

Para um terceiro embaixador, ao centrar fogo nos ministros Edson Fachin, Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, e tentar associá-los ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), rival na disputa deste ano, o presidente evidenciou o tom eleitoreiro.

Já um outro diplomota europeu reiterou que o resultado deve ser aceito e que não saiu preocupado com golpe pós-eleições. Segundo ele, “ninguém se convenceu de que houve fraude”, mas, na sua visão, o sistema poderia ser mais “auditável.” De acordo com ele, o “TSE precisa aceitar alguma crítica”, ponderou o embaixador, para quem Bolsonaro fez um contraponto à reunião promovida pela Justiça Eleitoral em maio com diplomatas.

Havia mais gente no Alvorada. A Presidência da República não divulgou uma listagem oficial de quantos embaixadores compareceram. A reportagem contou 70 carros de missões diplomáticas com os convidados no Alvorada. Alguns diplomatas falaram em cerca de 80 nomes. No TSE, foram 68 em maio.

O representante de um país árabe disse que o tom de Bolsonaro foi calibrado e que foi a primeira vez que ele se encontrou com uma quantidade grande de diplomatas sem que houvesse um corte ideológico claro. Alguns pediram para tirar fotos com o presidente ao fim da apresentação. Diplomatas alegaram que o governo brasileiro só convidou representantes de países com embaixador acreditado no País, à exceção dos Estados Unidos cuja representação diplomática é atualmente chefiada por um encarregado de negócios. Não foram convidados representantes de Chile, China, Argentina e Reino Unido.

A Presidência seguiu a ordem de precedência, com destaque para o núncio apostólico, representante do Vaticano, e destaque aos embaixadores de Palestina e Cameroon, os mais longevos em Brasília.

Um embaixador latino-americano, cujo governo é simpático a Bolsonaro, afirmou que as preocupações expostas pelo presidente são “legítimas” e destacou o tom cordial. A postura do presidente, menos beligerante do que de costume, foi notada por todos os diplomatas com os quais a reportagem conversou.

O chefe de uma missão diplomática da Europa notou que Bolsonaro tentou dar um verniz colaborativo à apresentação, afirmando que o Poder Executivo estava à disposição para ampliar investimentos de dinheiro nas eleições que pudessem dar mais segurança. “Foi algo politicamente correto, vindo de uma pessoa que é conhecida por agressividade”, afirmou.

Presentes ao Alvorada, os ministros da Defesa, da Casa Civil, das Relações Exteriores, do Gabinete de Segurança Institucional e da Secretaria Geral da Presidência da República não se manifestaram.

Fonte: Uol

STF manda bolsonaristas apagarem fake news que liga Lula e PT ao PCC

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente em exercício do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Alexandre de Moraes atendeu a um pedido do PT e concedeu liminar para que bolsonaristas e sites que publicaram notícias falsas que ligam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao sequestro e assassinato de Celso Daniel apaguem as publicações.

Em decisão assinada ontem (17) à noite, durante o plantão, Moraes também determinou que sejam removidos conteúdos que tiraram de contexto uma fala do petista, dando a entender que o ex-presidente teria comparado a população pobre a papel higiênico, já que seriam úteis apenas nas eleições e depois poderiam ser descartados.

O ministro, que em agosto assume a presidência da corte eleitoral, também ordenou a remoção de publicações distorcidas em que Lula associaria o PT ao nazismo e ao fascismo.

O vídeo que tirou de contexto a fala de Lula foi publicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (PL), no mês passado no Twitter, e pela deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). O UOL entrou em contato com as assessorias de imprensa dos dois parlamentares e, por meio de nota, Zambelli afirmou que “não houve até o presente momento nenhuma intimação”.

“Lamentamos mais uma tentativa de censura de apenas um lado do debate político, o que traz um grande alerta para a integridade do processo eleitoral”, diz o comunicado da parlamentar. O UOL aguarda retorno de Flávio Bolsonaro.

A liminar concedida por Moraes também tem como alvos os deputados federais Otoni de Paula (MDB-RJ) e Helio Lopes (PL-RJ); os administradores dos sites Jornal da Cidade Online e Jornal Minas Acontece; os responsáveis pelos canais no YouTube “DR News” e “Políticabrasil24” e pelos perfis “Titio 2021” e “Zaquebrasil”, na plataforma Gettr.

“Há nítida percepção de que as mentiras divulgadas objetivam, de maneira fraudulenta, persuadir o eleitorado a acreditar que um dos pré-candidatos e seu partido, além de terem participaram da morte do ex-prefeito Celso Daniel, possuem ligação com o crime organizado, com o fascismo e com o nazismo, tendo ainda igualado a população mais desafortunada ao papel higiênico”, disse Moraes.

Multa de R$ 10 mil por dia

Em caso de descumprimento da liminar que ordenou a remoção das publicações, Moraes estipulou multa de R$ 10 mil por dia. Ele também determinou que os alvos da ação não publiquem mais essas informações. Nesse caso, ficou estipulada multa de R$ 15 mil.

Em sua decisão, Moraes disse ainda que o direito à liberdade de expressão é garantido pela Constituição brasileira, mas acrescentou que esse direito fica sujeito a “posterior análise e responsabilização”.

“A plena proteção constitucional da exteriorização da opinião (aspecto positivo) não significa a impossibilidade posterior de análise e e responsabilização de pré-candidatos, candidatos e seus apoiadores por eventuais informações injuriosas, difamantes, mentirosas, e em relação a eventuais danos materiais e morais, pois os direitos à honra, intimidade, vida privada e à própria imagem formam a proteção constitucional à dignidade da pessoa humana, salvaguardando um espaço íntimo intransponível por intromissões ilícitas externas, mas não permite a censura prévia pelo Poder Público”, afirmou.

O ministro ainda determinou a identificação dos responsáveis pelos canais no YouTube e perfis na plataforma Gettr e pediu para que todos os envolvidos na ação apresentem suas defesas. Após a defesa, Moraes ordenou que o MPE (Ministério Público Eleitoral) se manifeste sobre o caso.

Fonte: Uol

Bolsonaro fecha contrato suspeito de R$ 450 milhões em licitação

A Secretaria Especial de Comunicação do governo de Jair Bolsonaro passou por cima de uma investigação do TCU (Tribunal de Contas da União) e fechou contrato de R$ 450 milhões em uma licitação que estava sob apuração da corte por suspeita de favorecimento à empresa vencedora.

O ministro Weder de Oliveira, relator do caso no TCU, havia pedido a suspensão da licitação em que a Calia/Y2 Propaganda e Marketing teve as melhores notas para realizar serviços de publicidade sobre ações do governo.

A medida cautelar para interromper o processo havia sido tomada por Oliveira no último dia 15 de junho para que os indícios de irregularidades fossem apurados pelo tribunal com maior profundidade e que eventuais danos ao processo fossem evitados.

Porém, no dia 21 seguinte, véspera da sessão plenária em que a decisão seria submetida para confirmação ou não pelos demais integrantes do tribunal, representantes da Secom solicitaram reunião de urgência no gabinete do ministro a pedido da AGU (Advocacia-Geral da União), na qual lhe foi informado que o contrato já havia sido firmado no dia 25 de maio.

Nestes casos, não é possível aplicar multa ao órgão por descumprimento da medida porque a finalização da licitação aconteceu quando o tribunal ainda estava analisando as informações recebidas para então decidir se manteria ou não a suspensão do processo. Na sessão plenária, o ministro se queixou da atitude do governo. Disse que a Secom se omitiu por quase um mês em dar essa informação ao TCU, deixando que a Selog (Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas), unidade encarregada da instrução processual do tribunal, concluísse sua instrução sem estas informações.

A Secom sabia desde o dia 9 de maio que o certame estava sendo questionado pelo tribunal, mas não forneceu este dado ao processo durante as oitivas do TCU. O ministro acrescentou que tal “conduta reprovável não é usual, mas não é a primeira vez que ocorre”. Ele disse que, em outras oportunidades, outros relatores do TCU já reportaram situações análogas.

Fonte: DCM

17 de julho de 1997: rebelião popular derruba o governador Divaldo Suruagy

Luiz Gomes da Rocha – Professor da Universidade Estadual de Alagoas*

No dia 17 de julho de 1997, os servidores públicos de Alagoas derrubaram o corrupto governador Divaldo Suruagy (MDB). Naquela época, os servidores públicos estaduais se encontravam com até 10 meses de salários atrasados. Muitos servidores públicos desesperados chegaram a tirar a própria vida como foi o caso do soldado Leandro que assassinou a família e depois se suicidou.

Aos poucos, os servidores públicos foram tomando consciência e se mobilizando contra a política de desmantelamento do Estado de Alagoas que seguia a orientação política do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Além do atraso nos salários, Suruagy privatizou empresas públicas, fez operações ilícitas com letras do tesouro estadual e com o Programa de Demissão Voluntária, demitiu mais de 20 mil servidores.

A luta das entidades representativas dos servidores públicos estaduais ganha força quando os policiais civis e militares decidem se unir ao movimento unificado, criando um grande movimento de enfrentamento ao governador Divaldo Suruagy.

O Sindicato dos Policiais Civis, dirigido pela Unidade Policial, agrupamento impulsionado por petistas, cumpriu um papel fundamental, pois primeira vez na história de Alagoas os policiais civis e militares se uniram com os servidores públicos. A partir daí, grandes mobilizações foram realizadas, como o ato do dia 15 de julho, onde uma grande marcha formada por policiais civis e militares, servidores públicos e populares, marchou do Trapiche até o Palácio do Governador, na Praça dos Martírios. Apesar de toda tensão, a ameaça de invasão ao palácio terminando sendo persuadida e os manifestantes terminaram concentrando suas energias para o decisivo 17 de julho.

Nesse dia, a Assembleia Legislativa de Alagoas votaria o pedido de impeachment do governador Divaldo Suruagy, que controlava 24 dos 27 deputados estaduais. Numa situação normal, jamais passaria o impeachment. Entretanto, essa não era uma situação normal, pois, o estado de Alagoas se encontrava falido em função da política de favorecimento aos usineiros que não pagavam impostos e das exigências do governo federal de FHC para renegociar a calamitosa situação financeira de Alagoas.

Como a situação beirava ao descontrole, Suruagy solicitou de FHC, que prontamente atendeu, o envio de tropas do Exército para proteger o Palácio do Governo, o Tribunal de Justiça e a Assembleia Legislativa, que estava cercada de arame farpado e com grades impedia qualquer acesso ao interior do prédio.

Mas o 17 de Julho de 1997, um dos fatos mais importantes da história de Alagoas e do Brasil, ficará para sempre na memória, pela braveza dos mais de 10 mil manifestantes que cercaram a Praça Dom Pedro II. Os manifestantes que chegaram logo cedo ao local, ameaçavam invadir a Assembleia Legislativa para forçar a saída de Suruagy. E a situação vai ficando cada vez mais tensa, porque o Exército tomava posição de tiro no alto da Assembleia Legislativa, na igreja Catedral e no prédio do banco Meridional. Já os policiais civis e militares rebelados também tomaram posição de combate nas sacadas da biblioteca pública.

A tensão explodiu quando os manifestantes conseguiram forçar as grades e entrar na praça. Nesse momento, o Exército recua e centenas de tiros são disparados por cerca de 3 minutos. Manifestantes se jogaram no chão a procura de proteção e dentro da Assembleia Legislativa, o pânico é instaurado, com deputados desesperados em buscam de acordo com o governador, que era monitorado pelo presidente FHC e a bancada Federal de Alagoas em Brasília. Suruagy termina por se afastar. O anúncio do seu afastamento foi comemorado por milhares de pessoas pelas ruas do centro de Maceió.

O 17 de julho mostrou que quando o povo se une e quer mudar a história, nada pode impedir. Mas para isso acontecer, é importante que o movimento encontre pontos de apoio para avançar na sua organização. E certamente, a atuação unitária dos servidores públicos de Alagoas, foi favorecida pela iniciativa pioneira do Sindpol, que uniu servidores civis e militares neste grande movimento de resistência e luta, que não só conquistou o pagamento dos salários atrasados, a realização de concursos públicos e a recuperação da máquina pública e também uma representação progressista no processo eleitoral de 1998.

25 anos depois, a luta em defesa dos direitos e conquistas sociais prossegue em Alagoas e no Brasil. Entretanto, a Unidade Policial, que foi pioneira na luta por uma polícia cidadã, conscientização política e valorização dos policiais civis enquanto classe trabalhadora já não existe mais. Assim, como também já não existe a brava diretoria da Associação de Oficiais da Polícia Militar, que soube com maestria conduzir a tropa rebelada no processo de derrubada do governador Suruagy.

Referências:

ALMEIDA, Leda Maria de. Rupturas e Permanências em Alagoas: O 17 de julho em questão. Maceió: Edições Catavento, 1999.

ROCHA, Luiz Gomes da. O Levante de 1997: Policiais civis e militares na derrubada do governador Suruagy. Maceió: Edições Nosso Mundo, 2017.

*licenciado para a disputa de cargo eleitoral

Nova Constituição do Chile deve recriar a previdência para todos

A seguridade social deverá ser garantida com recursos públicos e por contribuições obrigatórias de empregadores e trabalhadores, em projeto parecido com o modelo brasileiro

O povo do Chile está prestes a exorcizar mais uma herança maldita da sangrenta ditadura militar que massacrou milhares de pessoas e a seguridade social no final do século 20, submetendo a previdência dos trabalhadores ao lucro do capital financeiro.

Convención Constitucional, integrada por representantes eleitos pela população em todo o país, com paridade de gênero e representantes inclusive de povos originários como os quechua e os mapuche, apresentou a proposta de nova Constituição no dia 4 de julho. Ela ainda será votada em plebiscito nacional que acontecerá em setembro deste ano.

A nova Constituição propõe que toda pessoa chilena terá direito à seguridade social regida pelos princípios de universalidade, solidariedade, integralidade, igualdade, unidade, sustentabilidade. Deverá garantir a cobertura à velhice, enfermidade, incapacidade para o trabalho, maternidade, desemprego, acidentes de trabalho. 

A seguridade social deverá ser garantida com recursos públicos e por contribuições obrigatórias dos empregadores e dos trabalhadores, que elegerão representantes para participar da gestão da seguridade social.

Os princípios e a forma de financiamento são muito parecidos com os da seguridade social brasileira.

Se aprovada, o Chile será mais um país a reverter a privatização da previdência social feita na década de 1980, por orientação de organismos internacionais como o FMI e Banco Mundial. Naquela década, 30 países da América Latina e do Leste europeu privatizaram seus sistemas de previdência, com consequências catastróficas para os trabalhadores. Pelo menos 20 deles já restabeleceram a previdência pública.

No Chile, a contribuição dos empregadores foi abolida e os trabalhadores passaram e ser obrigados a contribuir individualmente para uma Administradora de Fundos de Pensão (AFP) privada, que cobra altas taxas de administração e devolve benefícios irrisórios. 60% dos chilenos não conseguem poupar o suficiente para se aposentar, devido aos baixos salários e a longos períodos de desemprego. Daqueles que têm alguma poupança nas AFP, 80% se aposentam com menos de um salário mínimo e 45% com benefícios abaixo da linha de pobreza. A situação ficou tão grave que o governo chileno teve de criar um benefício de assistência social aos idosos mais pobres, com recursos públicos.

Seis AFP monopolizam o mercado. Três delas, de capital estadunidense, controlam 75% do mercado. Segundo a Superintendencia de Pensiones, 48,5% de toda a poupança previdenciária dos trabalhadores chilenos é investida no exterior. As AFP são altamente lucrativas, sugam recursos da população do Chile para investir na Europa, Estados Unidos, Canadá e outros países ricos. A pobreza do idoso chileno paga a festa do capital financeiro internacional.

Durante décadas, o modelo de previdência chileno era o paradigma para os economistas neoliberais, que se preocupam com a lucratividade dos investidores e desprezam as agruras da população. O modelo neoliberal, baseado na poupança individual, sem mutualismo entre os trabalhadores e sem contribuições patronais, se revelou um fracasso monumental para a população e um sucesso estrondoso para o capital financeiro.

Convención Constituinte é resultante do forte movimento “No Más AFP” que a partir de 2013 tomou as ruas com centenas de milhares de manifestantes capitaneados por sindicatos e organizações populares. A partir de 2019 milhões de chilenos ocuparam ruas e praças para protestar contra as condições de vida e reivindicar mudanças, no que foram duramente reprimidas pelos militares e pelas forças de segurança comandadas pela elite econômica.

Falta a aprovação plebiscitária para resgatar a nova seguridade social chilena. Depois de aprovada, deverão se definir na legislação os parâmetros de direitos, como serão incorporados os benefícios hoje pagos pelas AFP e o que será feito com a poupança acumulada por milhões de trabalhadores que hoje são expropriados pelas pesadas taxas de administração das AFP.


*José Ricardo Sasseron é ex-presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão e de Beneficiários de Saúde de Autogestão (Anapar). Foi diretor eleito de Seguridade da Previ

Fonte: Rede Brasil Atual

Maceió realiza Ato inter-religioso Justiça por Marcelo Arruda

Ocorreu hoje de manhã, 16/07, na praça dos Martírios, um Ato inter-religioso Justiça por Marcelo Arruda, militante do PT assassinado por um Bolsonarista.

Marcelo comemorava com sua família e amigos o aniversário de 50 anos, quando um bolsonarista invadiu sua festa aos gritos de Bolsonaro e realizou vários disparos contra a vítima.

Arruda era membro da direção do Partido dos Trabalhadores (PT) em Foz do Iguaçu/PR e tinha a decoração da festa de comemoração dos seus 50 anos em homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT.

O crime político ocorreu em meio a pregação de ódio e violência feita pelo presidente Bolsonaro contra os petistas e opositores ao seu governo, o que tem estimulado seus seguidores a atacarem de diversas formas os partidários do ex-presidente Lula.

O Ato realizado em Maceió contou com a presença de representantes de movimentos religiosos da Igreja Batista, Igreja Católica, do Budismo e religião afro, além de dezenas de militantes e ativistas dos direitos civis.

Além dos cantos e falas religiosas, também foi registrado o protesto contra a violência política estimulada por Bolsonaro, que segundo o deputado Paulão “visa intimidar a oposição, mas não conseguirão impedir a vitória de Lula nessas eleições e a volta de um país mais justo e solidário”.

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