Nepotismo escancarado: Paulo Dantas nomeia genro, prima e agora a própria filha!

As informações são do Blog do Kléverson Levy:

ão pegou nada bem a nomeação da filha do governador Paulo Dantas (MDB) como secretária de Estado em Alagoas. A história que ganha notoriedade, até na imprensa nacional, mostra que o chefe do Executivo estadual não está nem aí para críticas sobre nepotismo (se é que há nepotismo, né?).

A médica-filha Paula Dantas foi nomeada como secretária de Estado Extraordinária da Primeira Infância e pegou de surpresa até os aliados que aguardam entrar no novo Governo de Alagoas.

Desde que assumiu o Governo de Alagoas, Dantas tem dado prioridade em colocar alguns cargos de sua confiança, de laços bem familiares, e que vem chamando atenção dos que o apoiaram em troca de espaços no Estado.

Ou seja: a filha não é o primeiro nome indicado pelo governador. Vale lembrar que Paulo Dantas já havia nomeado o genro e médico, Antônio Luciano Lucena Filho, para o cargo de diretor-geral do Hospital da Mulher Dr.ª Nise da Silveira (HM), em Maceió.

Na sequência, a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (Seagri) com a indicação da deputada estadual eleita, Carla Dantas (MDB), a prima. 

Portanto, é o verdadeiro Laços de Família oriundos da cidade de Batalha que ocupa os cargos de primeiro escalão na gestão Dantas/Lessa.

Chegamos em 2023 e os costumes políticos continuam os mesmos. Por fim, resta saber se tais nomeações seguem ou não o que preconiza a Súmula Vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal (STF).

Afinal, já há uma decisão do próprio STF que segue o entendimento de que a Súmula Vinculante 13 do STF, que veda o nepotismo, não se aplica aos casos de nomeação para cargos de natureza política.

Será? 

2023 chegou…. E continuamos a dizer: viva a política dos políticos em Alagoas!

Mamata evangélica: Terracap vai regularizar mais de 500 igrejas no DF

Para beneficiar pastores bolsonaristas, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que apoiou Bolsonaro na última eleição, vai regularizar a situação fundiária de centenas de igrejas, templos e entidades de assistência social vinculadas ao meio evangélico.

O pastor Marcio Lúcio da Igreja Assembleia de Deus de Sobradinho comemora a decisão governamental que beneficia sua instituição: “o processo de regularização começou em 2011, mas foi só neste ano, no atual governo do DF, que o processo de fato caminhou.”

A Igreja Assembleia de Deus de Sobradinho será beneficiada com três áreas com documentos oficiais certificados.

“Com a regularização, chegou também a segurança de podermos construir, ampliar e melhorar nossas instalações, dando assim mais conforto e confiabilidade aos nossos fiéis”, festeja o pastor.

Agora, a igreja pretende expandir a atuação na área social e espiritual nas comunidades onde os imóveis estão inseridos – Samambaia, Recanto das Emas, Sobradinho II e, futuramente, na Vila DNOCS, em Sobradinho I.

De acordo com a Terracap, antes do Programa Igreja Legal, entre 2009 e 2018, foram regularizadas 190 ocupações de entidades religiosas ou de assistência social. De 2019 até 2022 foram 300 regularizações concedidas a esse segmento.

O diretor reforça que a regularização traz segurança jurídica e, se as entidades optam pela compra por meio da Moeda Social, também revertem, diretamente, o benefício para a sociedade por meio da prestação de serviço.

“Não estamos fazendo doações às igrejas. É simplesmente a venda ou a concessão em condições diferenciadas de modo que elas recebam a merecida segurança jurídica e a Terracap receba a remuneração pelo uso do seu terreno”, explica.

Novidade prevista para 2023

Em dezembro do ano passado, o governador Ibaneis Rocha reduziu em 50% a taxa então cobrada pela Concessão de Direito Real de Uso às igrejas, passando a ser de 0,15% ao mês sobre o valor de avaliação do imóvel.

A primeira igreja a obter a concessão com a taxa reduzida foi a Assembleia de Deus de Brasília.

Para 2023, o diretor Leonardo Mundim revela uma novidade que já faz parte das regras do Programa Igreja Legal. “Para alguns lotes que vão ser inseridos, pela Terracap, em determinados editais, vão concorrer apenas igrejas, templos ou entidades assistenciais. Isso evitará que eles sejam levados a competir com empresas”, completou.

Com mais essa medida, a expectativa é de que mais 500 igrejas, templos ou entidades de assistência social sejam regularizados nos próximos quatro anos por meio da venda ou concessão direta para ocupações históricas ou da Concessão de Uso por Licitação Pública, com participação concorrencial exclusiva de entidades religiosas ou assistenciais.

Até o momento, foram mais de 100 requerimentos sugerindo lotes para entrar nesse novo edital específico.

Redação com Metrópoles

Lula revoga oito privatizações em andamento, incluindo a dos Correios

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revogou várias privatizações que estavam em andamento. “Foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) despacho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que determina a revogação dos atos que estão em andamento à privatização dos Correios, EBC (Empresa Brasil de Comunicação), Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência), Nuclep (Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A), Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados); e dos armazéns e os imóveis da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Petrobras e PréSal Petróleo (Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural)”, aponta reportagem do Valor Econômico.

Segundo o documento, a medida tem como objetivo ‘assegurar uma análise rigorosa dos impactos da privatização sobre o serviço público ou sobre o mercado no qual está inserida a referida atividade econômica’, informa o despacho.

Fonte: Brasil 247

Leonardo Dias é chamado de frouxo e de traidor por bolsonaristas

Ao pedir que pede bolsonaristas deixem a porta do quartel do Exército em Maceió, o vereador Leonardo Dias (PL) foi xingado e chamado de frouxo e traidor por bolsonaristas radicalizados.

O vereador é tido como líder da ala radical do bolsonarismo em Alagoas e apontado como um dos que organizaram o acampamento na avenida Fernandes Lima, na porta do quartel do Exército, há dois meses. Mas, sua recente declaração não foi bem recebida.

Leonardo dia fez a polêmica declaração depois do discurso em rede nacional do então vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos), cuja declaração foi tida como traição pela maioria dos bolsonaristas. “Mourão não falou por si. Falou pelas Forças Armadas. Saiam dos quartéis e cuidem de seus filhos, suas famílias”, afirmou Dias.

Com a posse do presidente Lula e a nomeação de Flávio Dino no Ministério da Justiça, o vereador certamente vai moderar o discurso por medo de ser enquadrado por crimes contra as instituições democráticas. É um a menos para falar besteira.

Lula toma posse e revoga vários decretos de Bolsonaro

Foi uma posse emocionante, representantes do povo brasileiro passaram a faixa presidencial para Lula e milhares de apoiadores tingiram Brasília de vermelho.

Em suas primeiras medidas, o presidente Lula restringiu o acesso a armas, garantiu o pagamento dos R$ 600 às famílias pobres e revogou decretos que impedem combate aos crimes ambientais e a participação social.

Em discurso no Congresso Nacional Lula bateu forte no governo Bolsonaro, na necessidade de incluir os mais pobres no orçamento e na preservação ambiental. Lula chamou o teto de gasto de estupidez e prometeu sua revogação. Depois Lula subiu a rampa, recebeu a faixa presidencial e discursou para os apoiadores no Parlatório.

A noite, durante o Festival do Futuro, evento que reuniu diversos artistas, Lula fez um rápido discurso, onde agradeceu o apoio da militância e do povo brasileiro.

A estrutura do novo governo Lula, terá 37 ministérios, que promete mais eficiência no enfrentamento das questões nacionais, principalmente na elaboração e implementação de políticas públicas.

Bolsonaro é o pior presidente desde a redemocratização do país, conforme Datafolha

Pesquisa realizada em 19 e 20 de dezembro traz o presidente com reprovação de 37% ao fim de governo marcado por crises, ataques à democracia e pela pandemia de Covid-19

O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem a pior avaliação ao fim de primeiro mandato desde a redemocratização do país, em 1985. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (29) mostra que ele tem a reprovação de 37% e aprovação de 39% dos brasileiros e brasileiraas. Outros 24% consideram sua administração regular, enquanto 1% não opinou, segundo o estudo realizado nos dias 19 e 20 com 2.026 eleitores de 126 cidades.

Os dados foram divulgados por Igor Gielow, no jornal Folha de S.Paulo. No fim de 1998, já reeleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) marcava uma aprovação de 35% e uma reprovação de 25%, com 37% o considerando regular. Nos estertores de 2006, já tendo vencido sua reeleição, Lula tinha 52% de ótimo/bom, 14% de ruim/péssimo e 34% de regular.

Dilma Rousseff (PT), por sua vez, era aprovada por 42%, reprovada por 14% e vista como regular por 34% no fim de 2014 — ela acabaria impedida no meio de seu segundo mandato, em 2016.

Não entram na comparação direta campeões de popularidade ou impopularidade. No primeiro quesito, vence Lula ao fim do segundo mandato em 2010, com 83% de aprovação. No segundo, Fernando Collor antes de perder a cadeira no impeachment de 1992, com 68% de insatisfeitos.

Ao longo de seu tumultuado mandato, pontuado por crises políticas, retórica golpista e a pandemia da Covid-19, Bolsonaro tinha tido o ápice de aprovação no segundo semestre de 2020 —quando os efeitos do auxílio emergencial devido à crise sanitária foram intensos entre o eleitorado mais pobre.

Nas medições do Datafolha de junho e de dezembro daquele ano, Bolsonaro teve 37% de aprovação. Agora, voltou ao nível e o ultrapassou numericamente, cortesia do processo eleitoral em que acabou apenas a 2 milhões de votos de Lula — essa avaliação final agora, aliás, empata com a registrada às vésperas do segundo turno.

Já seu pior momento foi extenso, tendo o auge em dezembro de 2021, antes do início da campanha eleitoral. Há um ano, 53% consideravam o governo ruim ou péssimo, repetindo uma aferição do setembro anterior.

Ali, a turbulência já havia encontrado a apoplexia das manifestações golpistas de Bolsonaro no 7 de Setembro, o coração do governo havia sido entregue ao centrão para evitar um colapso político e o governo não se acertava acerca dos benefícios que acabariam condensados no Auxílio Brasil.

Ao fim de seu governo, Bolsonaro entrega um país melhor na opinião de 39%, o mesmo índice daqueles que o aprovam. De forma similar, 36% dizem que os quatro anos do presidente legaram um Brasil piorado, enquanto 24% veem tudo igual. Não opinaram 1%.

Lula, que volta agora ao poder, encerrou seu primeiro mandato em 2006 com 84% dos brasileiros acreditando que seu governo havia deixado um país melhor e 12%, um pior.

Fonte: CUT

Bolsonaro foge para os EUA e abandona golpistas que estavam nas portas de quartéis

Após destruir o Brasil nos últimos quatro anos, Jair Bolsonaro (PL) embarcou às 13h45 desta sexta-feira (30) no avião presidencial Brazilian Air Force 1 empreendendo fuga para a Flórida, nos Estados Unidos, após ser alertado por advogados dos riscos de ser preso assim que Lula (PT) tomar posse – e, consequentemente, ele perder o foro privilegiado.

Segundo o site Flightaware.com, que monitora voos em todo o planeta, a decolagem da aeronave com destino a Orlando, na Flórida, foi autorizada às 13h45 no aeroporto de Brasília e tem previsão de chegada às 19h53 em solo estadunidense.

Assessores mais íntimos embarcaram junto com Bolsonaro, que já teve aval para manter ao menos cinco assessores, como futuro ex-presidente, junto com ele nos Estados Unidos até o dia 30 de janeiro.

Poucas horas antes do embarque, Bolsonaro terminou aos prantos a sua última live em que reconheceu a derrota para Lula e abortou o esperado golpe, causando a fúria de apoiadores.

Em frente ao quartel-general do Exército em Brasília, os golpistas acampados se desesperam após o pronunciamento de Bolsonaro. Amontoados junto a caixas de som xingaram, choraram e rezaram, segundo informações do portal Uol.

Em seguida, algumas dezenas de golpistas pegaram seus pertences e foram para casa. Outros insistem em permanecer na área, tocaram o hino nacional e se reuniram em um misto de frustração e apatia.

Fonte: Revista Fórum

Pelé, o maior jogador da história do futebol, morre aos 82 anos

Ascendeu à arena celeste o imortal Pelé, alter ego de Edson Arantes do Nascimento, considerado a maior estrela do mais popular esporte do mundo. Em 1999, o Comitê Olímpico Internacional (COI) o elegeu como “Atleta do Século”. No ano seguinte, ganhou da Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) o título de “Jogador de Futebol do Século”.

Pelé morreu nesta quinta-feira (29), aos 82 anos, em São Paulo. Estava internado no Hospital Israelita Albert Einstein e não respondia mais ao tratamento quimioterápico que vinha fazendo desde setembro do ano passado. Operado de um câncer de intestino, foram diagnosticadas metástases no intestino, no pulmão e no fígado.

Tomando-se como base o acervo do Santos Futebol Clube e os registros da mídia especializada, foram 1283 gols em 1363 jogos, ao longo de 21 anos de carreira oficial, desde a estreia no Santos Futebol Clube, em 7 de Setembro de 1956, até o jogo despedida, pelo New York Cosmos, em 1º. de Outubro de 1977.

Há uma permanente revisão histórica desses números, mas existe algum consenso em torno de 767 gols em 830 partidas oficiais. A diferença vem de inúmeras partidas amistosas, comuns na época, algumas disputadas por clubes, outras por combinados, seleções estaduais, seleções regionais ou pela equipe do Exército Brasileiro.

Pelo Santos, foram 1091 gols, em 1116 jogos; pela Seleção Brasileira, 95 (77 em partidas consideradas oficiais); e pelo Cosmos outros 64. A vítima preferencial do Rei do Futebol foi o Corinthians, no qual sapecou 50 gols.

Em sua longa jornada, Pelé compôs uma robusta galeria de títulos. São três mundiais de seleções (1958, 1962 e 1970), seis torneios com status de conquista nacional (1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1968), duas copas Libertadores de América (1962 e 1963), duas disputas intercontinentais (1962 e 1963), dez Paulistões (1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969 e 1973), além de um caneco da Liga de Futebol Norte-Americana, pelo Cosmos, em 1977.

Pelé nasceu em 23 de Outubro de 1940, na cidade mineira de Três Corações, filho de João Ramos do Nascimento, um ex-jogador de futebol conhecido como Dondinho (1917 – 1996) e de Celeste Arantes do Nascimento, que completou 100 anos em 20 de Novembro de 2022. Foi batizado como Edson em homenagem ao inventor e empreendedor norte-americano Thomas Alva Edison, desenvolvedor pioneiro da lâmpada elétrica incandescente. A figura era muito louvada por Dondinho, que experimentara as trevas da noite em seus anos de menino. Em 1945, a família se transferiu para Bauru, no interior de São Paulo.

Em casa, Pelé foi logo apelidado de Dico. Em seus primeiros namoros com a bola, o garoto procurava imitar um colega futebolista de seu pai, José Lino da Conceição, um arqueiro ousado do Vasco de São Lourenço, em Minas Gerais, cujo apelido era Bilé.

O pequeno Edson sonhava ser goleiro. No quintal da residência, ao praticar uma defesa, encarnava o goleiro e narrava: “seguraaa, Bilé”. Confusos com o mineirismo de pronúncia, os meninos da rua entenderam Pelé, e constituíram o codinome que se tornaria famoso em todo o planeta. O detalhe é que o apodo pegou justamente porque o rapazinho odiava o motejo. Em 2006, o futebolista declarou o seguinte a um repórter do tabloide alemão Bild.

– Meu nome verdadeiro é Edson. Eu não inventei Pelé. Eu não queria esse nome. Pelé soa infantil em Português. Edson é mais como Thomas Edison, o homem que inventou a lâmpada.

Em seus primeiros anos, Pelé vivia de forma modesta. Em geral, exercitava-se no ludopédio com uma bola de meia recheada de folhas de jornal amassadas. Começou sua jornada esportiva no Sete de Setembro, time que atuava nos terrões do bairro. De lá, foi para o Ameriquinha e depois para o “Baquinho”, a representação infanto-juvenil do Bauru Atlético Clube (BAC). O time reunia promissores talentos. E Pelé era um de seus artilheiros.

Quando a equipe de aspirantes se desfez, a molecada migrou ao futebol de salão. Formaram o Radium, em honra ao famoso homônimo da cidade de Mococa (SP). Foi quando Pelé apurou sua técnica. Sobre o cimento, precisava a pensar e agir mais rapidamente, gerando soluções no espaço restrito.

Em 1956, as beiradas dos gramados e quadras de Bauru já se enchiam de curiosos para ver aquele malabarista da bola. Foi quando o Bangu, do Rio de Janeiro, fez uma proposta para incorporar o adolescente a seus quadros. Dona Celeste vetou o acordo. Temia que o filho sofresse com as tentações e perigos de uma cidade grande e distante. Waldemar de Brito, técnico no BAC, resolveu então apresentar o prodígio ao Santos. A seus interlocutores, afirmou que se tratava do “maior jogador de futebol do mundo”.

Houve desconfiança, até mesmo ceticismo, mas o técnico peixeiro Lula (Luís Alonso Pérez) logo se impressionou com o menino. Era lépido, insinuante, tinha excelente domínio de bola, demonstrava incrível visão de jogo, chutava com os dois pés, cabeceava com precisão e até sabia “catar” no gol. O primeiro contrato foi firmado em Junho de 1956, três meses antes do já citado primeiro gol, contra o Corinthians de Santo André. Iniciava-se a epopeia que encantaria os aficcionados do esporte por mais de duas décadas.

Dois anos depois, Pelé converteu-se em esperança para a esquadra que, na Suécia, tentaria finalmente conquistar um Mundial de seleções para o Brasil. Ainda pesava o trauma da derrota para o Uruguai, na final doméstica de 1950. Havia gente graúda e experiente no time, como Didi, Nilton Santos e o goleiro Gylmar.

Antes da convocação final, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) convocou o psicólogo João Carvalhaes para aplicar aos atletas um teste de inteligência e equilíbrio psicológico. De 123 pontos possíveis, Pelé obteve apenas 68. A avaliação do profissional foi a seguinte:

– Pelé é obviamente infantil. Falta-lhe o necessário espírito de luta. É jovem demais para sentir as agressões e reagir com a força adequada. (…) Não acho aconselhável seu aproveitamento.

A sugestão não foi acatada, e o jovem astro santista seguiu com a delegação. Nas duas primeiras partidas curtiu a reserva. Há quem diga que a comissão técnica o reprovava pela inexperiência. Outros, porém, apontam uma lesão que limitava os movimentos do craque. Antes da Copa do Mundo, Pelé havia se contundido com certa gravidade numa disputa de bola com o inclemente lateral esquerdo Ari Clemente, do Corinthians.

No terceiro jogo, contra a URSS, Pelé entrou no time e logo tornou o Brasil uma máquina de jogar futebol. Entre seus feitos, destaca-se o gol da vitória contra o País de Gales. Aplicou um lençol no adversário e, antes que a bola tocasse o gramado, fuzilou no canto do arqueiro. No dia 29 de Junho de 1958, somando 17 anos e 249 dias, tornou-se o jogador mais jovem a disputar uma final da Copa do Mundo. Anotou dois tentos na vitória brasileira por 5 a 2 sobre os donos da casa. Em um deles, aplica um mágico chapéu no zagueiro antes de concluir para as redes adversárias. Terminou a competição com seis gols em quatro jogos. Foi quando se converteu em estrela mundial do esporte.

Em seus primeiros anos no futebol profissional, Pelé logrou naturalizar o mágico exercício lúdico com a redonda. Fazia tantos gols e de tantos modos diferentes, que o insólito curioso se estabeleceu, paradoxalmente, no universo do erro. Para muitos fãs, seu magnus opus foi a Copa de 1970, disputada no México, quando o Brasil conquistou o tricampeonato mundial. Pelé anotou quatro gols. Por incrível que pareça, são menos lembrados que suas jogadas malogradas.

Contra a Tchecoslováquia, chutou do meio do campo, com a intenção de surpreender o goleiro Viktor. A bola desviou-se caprichosamente no trajeto e não varou a meta adversária. Contra a Inglaterra, desferiu um petardo de cabeça que o guarda-metas Gordon Banks foi buscar no canto direito da cidadela. Para muitos, aquela se tornou a mais portentosa defesa da história do futebol. Contra o Uruguai, Pelé iludiu o goleiro uruguaio Ladislao Mazurkiewicz com uma variante do “drible da vaca”, mas concluiu para fora, enviando a bola rente à trave. No contexto humano do contraste, os lances mais populares de Pelé são, justamente, três figurações do equívoco.

O atleta santista era, na época, uma figura mundial, que, direta ou indiretamente, modificava a vida na Terra. Retornemos um tantinho na máquina do tempo, mais precisamente a 1969, aquele ano efervescente, quando o homem pisou pela primeira vez na Lua.

Pelé no Cosmos, nos EUA

Entre os temas de relevo discutidos em rodas de bar ou almoços de família, pontificava a ocorrência singular e inevitável do milésimo gol do Rei do Futebol. Em 4 de Novembro, Corinthians e Santos faria, no Pacaembu, um duelo válido pela Taça de Prata. Pelé somava 996 gols e havia quem apostasse numa quadra de tentos contra o alvinegro de Parque São Jorge. Para o estupendo camisa 10, não se tratava de missão impossível.

Naquela época, o ativista resistente Carlos Marighella era considerado pelas forças de repressão como o “inimigo público número 1” do regime militar. Era implacavelmente perseguido pelo delegado torturador Sérgio Paranhos Fleury. No universo nebuloso das múltiplas narrativas, há quem afirme que o guerrilheiro – já convertido ao corinthianismo – dividia sua atenção entre o pré-jogo radiofônico e o encontro com parceiros de luta.

Por meio de informações privilegiadas, os agentes fora da lei lograram encurralá-lo diante do número 800 da Alameda Casa Branca, na Zona Sul de São Paulo. Na emboscada, Marighella não teve chance de se defender. Foi assassinado a tiros, no Fusca placa de São Paulo, numeração 24 69 28, em ação que gerou ruidosas celebrações nos quartéis de todo o Brasil.

No momento do crime, Corinthians e Santos já jogavam no Pacaembu lotado. No segundo tempo, os alto falantes anunciaram a morte do líder esquerdista. O Corinthians goleou o rival por 4 a 1, com dois gols de Rivellino, um de Ivair e outro de Suíngue. Sem chances para Pelé.

Oito dias depois, o craque marcaria dois gols contra o Santa Cruz, em triunfo santista por 4 a 0, na Ilha do Retiro. Dias depois, mais um gol, de pênalti, desta vez contra o Botafogo da Paraíba, no Estádio Olímpico, em João Pessoa. No dia 19, no Maracanã, finalmente saiu o gol 1000, também em penalidade máxima, na vitória sobre o Vasco por 2 a 1.

Um mito de mil faces

Perdura há décadas uma polêmica em torno da preferência clubística original de Pelé, que obviamente se tornou devotado santista. E o próprio atleta contribuiu para alimentar a incerteza. Em uma entrevista ao Canal Pilhado, declarou ter sido sempre um torcedor do Vasco da Gama.

– Eu não fui vascaíno, eu sou ainda – sentenciou. – Eu sou Vasco.

Segundo ele, na época de Seleção Brasileira, brincava com os companheiros por causa de sua preferência pelo clube de São Januário. Afirmou ainda que, se não fosse o Santos, teria disputado campeonatos oficiais pela esquadra vascaína.

Em Março de 1999, no entanto, falando para a revista Placar, o ex-jogador declarou que torcia pelo Atlético Mineiro, por causa do pai, que fizera um jogo oficial pelo clube, contra o São Cristóvão, em Abril de 1940.

– Essa história (de ser vascaíno) começou quando eu disputei um torneio por um combinado Santos-Vasco. Mas, na verdade, eu torcia pelo Atlético Mineiro, porque meu pai, ‘seu’ Dondinho, jogou lá – assegurou o craque, sempre gentil com a pluralidade narrativa.

No livro “De Edson a Pelé – A Infância do Rei em Bauru”, publicado em 1997, o escritor Luiz Carlos Cordeiro afirma que o Rei do Futebol tinha um time de botão do Corinthians e que teria comemorado o título estadual corinthiano de 1954. Amigos de infância confirmaram a história.

– Nós estávamos saindo de um jogo do Noroeste quando alguém gritou que o Corinthians tinha sido campeão. Saímos pulando pela rua, comemorando – revelou Raul Marçal da Silva, um dos melhores amigos de infância do Rei, em entrevista ao Globo Esporte. – Ele era corintiano, sim. Muito fã do Baltazar. Todo gol que fazia de cabeça, saía gritando que era gol do Baltazar – assegurou.

Legado político controverso

No âmbito do Ministério do Esporte, Pelé foi protagonista no processo de aprovação da Lei 9.615 de 24 de Março de 1998, norma jurídica do desporto que alterou definitivamente a legislação sobre o passe dos jogadores de futebol. Concebida em grande parte por Hélio Viana de Freitas, vice-presidente do Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto, com mentoria técnica de Gilmar Mendes, à época subchefe jurídico da Casa Civil do governo de Fernando Henrique Cardoso, tinha por suposto objetivo criar um ambiente de maior transparência e governança responsável na área do esporte.

Além de eliminar o passe nas agremiações de futebol, fixou regulamentos para prestação de contas por dirigentes, estabeleceu regras para o repasse de verbas ao esporte olímpico e redefiniu a competência dos tribunais de justiça desportiva. Na época, a lei foi celebrada como um ato de libertação dos atletas, cujas carreiras eram controladas pelos clubes. Quando de uma transferência, o futebolista tinha direito a 15% do valor da transação. Não havia, entretanto, transparência na contabilidade dessas transações. Os atletas reclamavam porque não tinham poder de decisão no tocante ao desenvolvimento da carreira.

Se houve avanço nesse campo, contudo, a lei abriu espaço para que os grandes negócios do futebol fossem apropriados por empresários privados. Reduzindo-se o poder de decisão dos clubes, criou-se um sistema informal de trocas entre esses agentes e muitos cartolas, frequentemente envolvidos em “rachadinhas” nos processos de transferência. Os jogadores se converteram em produtos de mercado sob controle dos tubarões intermediários. Ao mesmo tempo, muitos clubes desistiram de investir nas categorias de base, desestimulados pela diminuição do retorno financeiro nesse tipo de formação.

Em 2014, o próprio Pelé admitiu os prejuízos da mudança:

– O jogador ficava cinco, dez anos jogando no mesmo clube. Hoje não é mais assim. Muito empresário leva o jogador para a Ásia, Rússia e esquece ele lá, faz o que quiser. Então tem essa parte ruim, que o clube não é mais dono do jogador. O empresário é que manda.

Legado familiar polêmico

Pelé constituiu imensa linha de sucessão, com sete filhos reconhecidos, enquanto colecionava graves problemas em seu diversificado clã. Nos anos 1990, o filho Edinho chegou a defender a meta do Santos com relativo sucesso. Depois, acumulou encrencas com a Justiça. Primeiramente, foi condenado a seis anos de prisão por homicídio, ao se envolver em racha. A sentença acabou anulada. Em 2005, foi detido no âmbito de uma investigação que visava a desmantelar uma quadrilha de traficantes de narcóticos. Em 2014, sofreu condenação por lavagem de dinheiro associado ao comércio de drogas, amargando longos períodos no cárcere.

Em 1991, Sandra Regina Machado, de 27 anos, havia recorrido à Justiça para ser reconhecida como filha do astro. Afirmava ser fruto do relacionado do “Rei” com a servidora doméstica Anízia Machado. Pelé rejeitou a demanda e iniciou uma renhida batalha judicial. Em 1996, depois de analisar provas forenses, fundamentadas em exames de DNA, os tribunais deram ganho de causa à moça. Ainda assim, ela nunca recebeu reconhecimento e amor do futebolista.

– Para mim, biologicamente, ela pode até ser minha filha. Mas, na parte sentimental, não posso me preocupar com essa pessoa, porque não a conheço – manifestou-se o astro na época, para decepção de muitos brasileiros.

Em 2000, Sandra foi eleita vereadora na cidade de Santos. Um de seus êxitos foi tornar gratuito o exame de DNA para assistidos pela rede pública. Em 2006, aos 42 anos, faleceu em decorrência de complicações de um câncer de mama. Deixou dois filhos, de 6 anos e 8 anos.

Pelé também testemunhou o êxito dos filhos, mesmo quando lhe faltou o entusiasmo para o elogio público. Foi o caso de Kely, formada em Artes, cidadã do mundo, que encampou as lutas contra o machismo, o racismo e a homofobia. Em tempos recentes, ela defendeu a vacinação contra a Covid-19, compartilhou posts da Midia Ninja e publicou críticas a Jair Bolsonaro.

Parece uma exceção de novidade na família Nascimento, considerando-se que Pelé sempre foi alvo de críticas por não se posicionar claramente contra a Ditadura Militar e por contribuir pouquíssimo, por exemplo, com as lutas da negritude.

Se Sócrates e Reinaldo elevaram vozes em favor da redemocratização do país, o “Rei do Futebol” preferiu o conforto do silêncio. Se o lateral Wladimir, outro corinthiano, destacou-se pelo ativismo contra o racismo estrutural, o Camisa 10 acomodou-se em seu nicho pessoal de privilégio. Se Maradona abraçou apaixonadamente as causas progressistas, Pelé preferiu o discurso morno das platitudes genéricas, sem jamais enfrentar os opressores.

A já citada Kely, frequentemente questionada sobre a omissão do pai, o definiu em entrevista recente. Ela lembrou que, mundo afora, as pessoas estabelecem comparações entre Pelé e o boxeador Muhammad Ali. Segundo ela, a diferença está na cultura, na educação e na base de influências de cada um. Pelé foi o fruto talentoso de uma educação conservadora. Ali resultou de um caldo fervente de sedição.

– Seria um mundo maravilhoso se o Pelé fosse o Pelé e também um super ativista. (…) Concordo com a frustração atrás das críticas, mas acho também que ele fez muito só por existir.

Fonte: DCM

Em debandada, bolsonaristas começam a deixar acampamento em QG do Exército em Brasília

Grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro começa a se desmobilizar no Setor Militar Urbano, após quase dois meses acampados no local

Há quase dois meses em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília, o ato antidemocrático comandado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) começa a perder forças. Nesta terça-feira (27/12), o Metrópoles esteve no Setor Militar Urbano (SMU) e encontrou um número bem menor de “patriotas”, se comparado há algumas semanas.

Os bolsonaristas começaram a deixar o acampamento. Em muitos pontos, onde havia barracas montadas, há apenas demarcações, dando sinais de que ali já esteve uma tenda. O cansaço é visível no rosto dos apoiadores do presidente, que embarca nesta quarta-feira (28/12) para Orlando, nos Estados Unidos. O atual chefe do Executivo federal pretende ficar por, pelo menos, três meses em terras norte-americanas.

Dino diz que, caso diálogo se esgote, retirada do QG será “compulsória”

Por volta das 16h desta terça, poucos caminhões que restavam ao lado do QG promoveram um buzinaço. O som mecânico era utilizado para atrair a “procissão” de bolsonaristas para a área, que celebraram a ação com palmas e gritos de ordem: “Caminhoneiro, guerreiro, do povo brasileiro”.

Mais cedo, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), disse que a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) conversa com o Exército para “acelerar a desmobilização”. De acordo com o chefe do Executivo local, já foram retiradas 40 barracas, e a ideia é que até o dia da posse, 1º de janeiro, haja redução “de forma natural”.

A declaração de Ibaneis foi feita em coletiva de imprensa no Palácio do Buriti, na manhã desta terça. Na ocasião, o futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, anunciou que o DF contará com 100% das forças de segurança mobilizadas para atuar na cerimônia da posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Debandada

Indígenas do povo Xavante apoiadores de José Acácio Tserere Xavante, conhecido como Cacique Tserere, deixaram o acampamento bolsonarista no Quartel-General do Exército em Brasília na última semana. Tserere foi preso em 12 de dezembro, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é suspeito de defender o uso da violência, convocando pessoas armadas para impedirem a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em vídeo gravado na sexta-feira (23/12), Sueli Xavante, esposa de Tserere, afirmou que estava voltando para Mato Grosso. A filmagem foi feita dentro de um ônibus onde estavam Sueli e outros indígenas. Todos permaneceram por semanas acampados em frente ao QG do Exército, defendendo intervenção militar no país.

“Nós estamos voltando para casa sem ele [Tserere]. Nossa família está triste. Eu, como esposa, meus filhos, todo o povo dele, sobrinhos e irmãos, todos nós estamos tristes. Clamamos e pedimos que ele venha a ser liberado, solto e venha a voltar para a família dele. O Tserere não é nenhum criminoso”, defendeu Sueli, que não explica o motivo do retorno.

Jucilene Rodrigues, esposa do presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcelo Xavier, publicou o vídeo de Sueli Xavante com emojis de choro. Ela tem usado as redes sociais para defender os acampamentos bolsonaristas.

Outras prisões

Além de Tserere, o empresário bolsonarista George Washington Oliveira de Sousa, 54 anos, foi preso acusado de elaborar um atentado terrorista, na noite de sábado (24/12). Com ele foi apreendido um arsenal, composto por armas e explosivos. Em depoimento, o homem afirmou que veio para a capital federal “preparado para guerra” e que aguardava uma “convocação do Exército”, pois é um “defensor da liberdade”.

O objetivo era “dar início ao caos”, com intenção de supostamente levar a uma “decretação do estado de sítio no país” e “provocar a intervenção das Forças Armadas”.

Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura a participação de, ao menos, dois suspeitos em tentativa de atentado perto do Aeroporto de Brasília, no sábado (24/12). Os agentes investigam se George Washignton teve ajuda de outras pessoas para armar a bomba na capital federal.

Um dos suspeitos identificados pela PCDF é o também apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL) Alan Diego dos Santos Rodrigues, 32. Durante depoimento à polícia, George citou o nome de Alan como um dos manifestantes acampados no Quartel-General do Exército que teriam ajudado no atentado. Há informações de que ele saiu de Brasília após a repercussão do caso.

O outro seria um suspeito que estaria no QG e foi citado pelo empresário preso no fim de semana. O nome dele ainda está sendo mantido em sigilo para não atrapalhar as investigações.

No início do mês, em 6 de dezembro, a Polícia Federal prendeu um outro empresário bolsonarista, que ficou conhecido após convocar Caçadores Atiradores e Colecionadores (CACs) para protestar em frente ao QG do Exército. Começaram a circular em redes sociais de bolsonaristas que Milton Baldin havia sido sequestrado, no acampamento montado no SMU.

Em vídeo divulgado nas redes sociais em 26 de novembro, Baldin, morador do município de Jurena (MT), instigou grupos de bolsonaristas a se insurgirem contra a diplomação do presidente eleito. O mandado de prisão foi expedido pelo ministro do STF Alexandre de Moares e cumprido pela PF.

Fonte: Metrópoles

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