Governo Milei aprova reforma trabalhista na Câmara dos Deputados na Argentina

Projeto prevê mudanças como redução de indenizações, jornada de até 12 horas e restrição ao direito de greve

O governo do presidente Javier Milei aprovou, na madrugada esta sexta-feira (20), a reforma trabalhista na Câmara dos Deputados da Argentina. A votação terminou com 135 votos favoráveis e 115 contrários, após o projeto já ter passado pelo Senado na semana anterior, onde sofreu mais de 20 alterações.

O texto precisará voltar ao Senado, onde havia sido aprovado na última quinta-feira (12), pois o governo precisou retirar o tópico que reduzia o salário dos trabalhadores em 50% em casos de acidentes fora do ambiente de trabalho.

Vista como uma das reformas mais amplas na legislação trabalhista argentina desde a redemocratização, a proposta reúne mais de 200 artigos e promove mudanças profundas nas regras trabalhistas. Entre os principais pontos estão a redução das indenizações por demissão, a possibilidade de dividir o período de férias e a ampliação da jornada de trabalho, que pode chegar a até 12 horas diárias em determinados casos.

O governo defende que a reforma é essencial para reduzir a informalidade, que afeta mais de 40% dos trabalhadores do país, e estimular a criação de empregos. Já a oposição considera o projeto prejudicial aos trabalhadores e afirma que a medida representa um retrocesso nos direitos trabalhistas. Alguns parlamentares também alertaram para possíveis impactos negativos no financiamento de fundos trabalhistas e no sistema previdenciário.

A sessão foi marcada por forte tensão política e ocorreu no mesmo dia em que sindicatos realizaram uma greve geral de 24 horas, a quarta desde o início do governo Milei. Manifestantes se concentraram nas proximidades do Congresso, em Buenos Aires, e houve confrontos com as forças de segurança. A polícia utilizou jatos d’água e gás de pimenta para dispersar a multidão após o lançamento de objetos contra os agentes. Pelo menos 14 pessoas foram detidas.

Mesmo diante da resistência, o governo pretende sancionar a reforma até o início de março, quando começam as sessões ordinárias do Congresso, consolidando uma das principais promessas da agenda econômica de Milei.

Veja principais pontos da reforma

  • Férias mais flexíveis, que poderão ser fracionadas em períodos mínimos de sete dias
  • Restrições a greves em setores considerados essenciais
  • Ampliação do período de experiência para até seis meses com indenizações reduzida
  • Flexibilização da jornada, com ampliação de 8 para até 12 horas diárias
  • Mudanças na negociação coletiva, com permissão para acordos diretos entre empresas e sindicatos locais
  • Alterações em indenizações e demissões, com redução no cálculo das indenizações e possibilidade de pagamento parcelado
  • Fonte: ICL

Suspeito de acessar dados de ministros do STF é ligado a integrante da ‘Abin paralela’

Feitosa foi demitido por usar o cargo que ocupava para procurar informações fiscais de ao menos quatro desafetos da família Bolsonaro

Ricardo Manzano de Moraes, auditor da Receita Federal teve o passaporte apreendido e usa hoje uma tornozeleira eletrônica por ser suspeito de acessar informações sigilosas de ministros do Supremo Tribunal Federal. Ao tentar se explicar à corregedoria da Receita, ele surpreendeu por trazer à tona um nome ligado à investigação da ‘Abin paralela’, esquema ilegal de espionagem montado dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro.

Manzano disse que acessou os dados de uma nora do ministro Gilmar Mendes, do STF, porque estava em busca do contato de um amigo de sobrenome Feitosa, o mesmo sobrenome da nora do ministro, porque imaginou que eles fossem parentes. A nora de Gilmar e Feitosa, amigo de Manzano, não têm grau de parentesco algum. Além disso, a justificativa não é convincente, já que para esse objetivo seria mais fácil tentar a internet, as mídias sociais ou outros colegas.

Mas quem é o Feitosa que Manzano dizia procurar? Ricardo Pereira Feitosa foi coordenador geral de Pesquisa e Investigação da Receita Federal, a equipe de inteligência do órgão, durante parte do governo Bolsonaro. Ele foi acusado de usar o cargo que ocupava para procurar informações fiscais de ao menos quatro desafetos da família Bolsonaro. Entre eles o procurador José Eduardo Gussem, que denunciou o esquema de rachadinha de Flávio Bolsonaro.

O caso foi descrito no relatório que a Polícia Federal entregou ao STF, em junho do ano passado, a respeito da compra e do uso da ferramenta de espionagem First Mile. O documento tem uma sessão dedicada à interferência do governo Bolsonaro na Receita Federal. O processo administrativo contra Feitosa é mencionado no fim dessa sessão como motivo de preocupação dos agentes envolvidos com a chamada Abin paralela.

Kleber no relatório da ‘Abin paralela’

Outro nome que aparece nas páginas do relatório da PF é o de Kleber Cabral, hoje presidente da Unafisco, a Associação Nacional dos Fiscais da Receita Federal. Ele foi intimado a depor à PF, nesta sexta-feira (20), às 15 horas, para esclarecer declarações que deu aos meios de comunicação. Ele disse que os servidores da Receita têm mais medo de investigar ministros do Supremo do que membros da facção criminosa PCC.

Foi uma reação às medidas cautelares adotadas pelo ministro Alexandre de Moraes contra quatro servidores considerados suspeitos de vazar dados fiscais de membros da corte e de parentes dos magistrados. Mas esses quatro funcionários não participavam de investigação alguma. E foram detectadas várias consultas a dados pessoais de autoridades sem justificativa.

Trecho do relatório da PF sobre a Abin Paralela que cita o nome de Kleber Cabral

Um desses servidores é Ricardo Manzano que disse estar em busca de um contato com Feitosa. Os nomes de Feitosa e Kléber fazem parte do relatório da PF sobre a Abin paralela justamente no capítulo que trata da operação montada pelo ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, condenado no processo do 8 de janeiro e hoje foragido em Miami, nos Estados Unidos, para blindar Flávio Bolsonaro das investigações sobre a suspeita de esquema de rachadinha.

Kleber é citado por tentar pressionar Guilherme Bibiani a não aceitar o cargo de corregedor da Receita Federal. O nome de Bibiani não era do interesse dos envolvidos com a ‘Abin paralela’ e de Flávio Bolsonaro, que queria no posto alguém de sua total confiança.

Ricardo Pereira Feitosa é citado no relatório da PF por conta do processo aberto para averiguar o acesso indevido a dados da Receita. Ao fim da investigação, Feitosa acabou demitido do serviço público em outubro de 2023, por usar o cargo “para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública”, segundo expressou na época a portaria assinada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Fonte: ICL

STF abre ação penal contra Eduardo Bolsonaro por coação

Primeira Turma formaliza processo após denúncia da PGR que aponta tentativa de interferência em investigações judiciais

O Supremo Tribunal Federal (STF) formalizou nesta quinta-feira (19) a abertura de ação penal contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que passa a responder como réu pelo crime de coação. A medida ocorre após o recebimento de denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e marca o início da fase processual no âmbito da Corte.https://landing.mailerlite.com/webforms/landing/r9f0h9

Em novembro do ano passado, a Primeira Turma do STF decidiu aceitar a acusação oferecida pela PGR. Votaram a favor do recebimento da denúncia os ministros Alexandre de Moraes, relator do caso, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.Play Video

De acordo com a denúncia apresentada em setembro pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo teriam articulado ações sucessivas com o objetivo de interferir em processos judiciais para favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o próprio Figueiredo. A acusação foi protocolada no âmbito de inquérito no qual o ex-presidente também foi indiciado pela Polícia Federal.

Apesar de o nome de Jair Bolsonaro constar no inquérito, o procurador-geral não apresentou denúncia contra ele nesse caso específico. O ex-presidente já foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Com a formalização da ação penal, o processo entra na fase de instrução, etapa em que são colhidos depoimentos dos réus e das testemunhas de acusação e defesa, além da produção de outras provas. Ao término dessa fase, os ministros da Primeira Turma irão julgar o mérito da ação para decidir pela condenação ou absolvição dos acusados.

Fonte: Brasil 247

TEOFASCISMO E A DITADURA TEOCRÁTICA

Paulo Memória Alli é jornalista, cineasta e escritor

Existe um projeto político em construção no Brasil há pelo menos três décadas. Um projeto de natureza ideológica, mas que trabalha com uma premissa que oculta o seu verdadeiro e maior objetivo: a ascensão e implantação de uma ditadura teocrática, assentada sobretudo na doutrina que mais avança na perspectiva teológica em nosso país, com a consolidação do chamado neopentecostalismo. A assertiva que identifica o avanço da frase “pequenas igrejas, grandes negócios” é uma realidade no contexto das religiões em todo território nacional.

A “teologia da prosperidade”, base fundamental das igrejas neopentecostais dos dias atuais, talvez não por acaso e sem dar ênfase no trocadilho, é a que mais próspera nacionalmente. Tem um resultado, em lucros líquidos, muito superior a maioria das denominações religiosas tradicionais que atuam no subjetivo campo do misticismo e sincretismo religioso brasileiro, perpassando pela Igreja Católica Apostólica Romana, pelas religiões de matriz africanas, pelas religiões animistas de povo originários e manifestações de práticas religiosas alternativas, como o Santo Daime por exemplo, pelo budismo, do tibetano do Dalai-Lama ao budismo Nitirem japonês e até mesmo pelas igrejas evangélicas tradicionais, como a Batista, Assembleia de Deus, Adventista, metodista, quadrangular e uma dezena mais que são doutrinariamente muito mais sólidas no campo da formação teórica teológica.

A história das religiões sempre nos remete a um debate de alta complexidade filosófica, dada a natureza imaterial e totalmente idealista que lhe caracteriza desde o seu surgimento e estruturação. Estamos falando de um assunto que, do ponto de vista doutrinário, não existe nenhum tipo de validação científica ou materialista que o prove concretamente. O que existe é a comprovação da evolução histórica da religião, que está muito mais próxima do controle do poder político, o imperador Constantino e o Concílio de Nicéia demonstram isto de forma inequívoca, do que da sua natureza espiritual, que deveria nortear e justificar a sua existência para atender as necessidades transcendentais da humanidade.

Este projeto foi se expandindo sorrateiramente em nosso país, de uma forma que não foi possível detectar que se trata de uma estratégia que ia muito além do que a cobrança de dízimos subversivos. Estamos falando do avanço do neopentecostalismo tupiniquim que vem evoluindo consistentemente desde os finais dos anos 80, com um significativo crescimento nos anos 90 e se consolidando dos anos 2000 até a presente data. O evangelho de resultados está concluindo a primeira etapa do grande plano político no qual o conjunto destas igrejas de pregação histriônica vêm apostando alto.

O estelionato ofertório, que começou com os gazofilácios de madeira e acrílico e as chamadas salvas de ofertas e dízimos (um cabo de madeira comprido com uma espécie de sacola na ponta), evoluiu para cartões de débito e crédito e chegou à sofisticação do pix oblativo. Ao longo dessas últimas décadas, as igrejas evangélicas neopentecostais cresceram geográfica e exponencialmente em razão da imensa conquista de fiéis, por intermédio de sofisticados artifícios psicológicos de lavagens cerebrais, com o uso de metodologias de controles mentais e do desenvolvimento de técnicas psicanalíticas, que se aproveitaram dos diversos tipos e motivações de desequilíbrios emocionais, provocadas pelas fragilidades das perdas sociais, econômicas e humanas das pessoas que buscam um refúgio espiritual.

O ponto alto desta etapa do empreendimento
Gospel empresarial, foi a fase em que surgiu na TV brasileira o televangelismo, que ia ao ar em rede nacional muito tarde da noite e duravam até a manhã, quando começava a programação oficial nos rádios e nas TVs. Esses extensos programas de horários comprados nas grandes emissoras, ofereciam curas da unha encravada até o câncer em suas fases mais avançadas, onde não havia mais esperanças de reversão do quadro. E para isso, bastava apenas colocar um copo de água em cima do aparelho TV e orar para abençoar o líquido que se transformava em uma pequena porção mágica de milagre.

Na sequência vinha o pedido para a obra, em forma de depósito bancário. Não existe milagre não remunerado. Só não me lembro de ter visto cura para a aids, pois afinal, esta era uma doença dos possuídos pelo inimigo, ou seja, aqueles que eram denominados à época, nos anos 80 do século XX, de “homossexuais” ou, resumidamente, de “bichas e veados”, que eram exterminados pela doença de acordo com a interpretação bíblica convenientes aos líderes religiosos de então.

Estas igrejas evangélicas neopentecostais de fundos de garagem, surgiram consagrando “pastores” que nunca sentaram em um banco dos seminários de teologia ou passaram por uma universidade para se formarem academicamente como teólogos. O que tivemos foi um verdadeiro “pega bêbado” nas ruas, como é até os dias de hoje, empregando homens e mulheres, que passaram a pregar aquilo que chamo de “evangelho de sovaco”, com uma bíblia debaixo do braço, catequizando em altíssimos decibéis, como se Deus fosse surdo.

Esse estilo se transformou na liturgia típica das igrejas neopentecostais, com cultos cada vez mais espalhafatosos, vulgares, cênicos e burlescos. Aliás, diga-se de passagem, a única coisa “altíssima” que se atinge com estes vendilhões dos templos, negociantes da salvação divina, são as contas bancárias dos donos e pastores destes engodos religiosos. Para esses “vigários”, a graça jamais será alcançada se não for devidamente debitado da conta bancária do crente incauto, o valor referente a benção que se deseja alcançar. Assim trabalham os pastores de contrato de trabalho registrado, como em toda e qualquer empresa que se preze. A atividade pastoral há muito deixou de ser sacerdócio.

Algumas dessas empresa se transformaram em grandes conglomerados midiáticos, a exemplo da IURD – Igreja Universal do Reino de Deus, do bilionário Bispo Macedo, detentor de uma fortuna pessoal de R$ 5.8 bilhões, que comprou nada mais, nada menos, do que a Rede Record de televisão, uma das mais tradicionais emissoras de TV do país. Muitas outras dessas “igrejas” seguiram o mesmo caminho. Destaco, dentre muitas, a Igreja Internacional da Graça de Deus, de R. R. Soares e a Igreja Mundial do Poder de Deus, do missionário do chapelão Valdemiro Santiago, todas bilionárias focando nas curas e na prosperidade dos irmãos que pagarem uma propina a Deus, disfarçada de fortalecimento da obra para alcançar o milagre.

No rastro desses imbróglios devocionais surgiram, até agora, 87 mil igrejas evangélicas registradas, fora as informais, que são os camelôs da fé, atuando fortemente no mercado informal da religião. São igrejas predominantemente localizadas nas imensas regiões periféricas do Brasil. Vencida a etapa de disputa de públicos, essas igrejas procuram avançar no seu objetivo maior, identificado com o moderno protofascismo, aqui representado neste fenômeno inexplicável para mim, que é o bolsonarismo. O teofascismo está aí, assentado nesta sólida base congregacional, colhendo cada vez mais irmãos, manipulando a palavra de Deus e o evangelho preconizado por Jesus Cristo, que tinha um discurso claramente socialista.

A agenda política e ideológica deste segmento teológico está na sua fase final de implantação. Hoje são detentores de um poder paralelo, com base teórica pautada na pregação de alienação da realidade objetiva, na estrutura representada pelas milhares de igrejas espalhadas uniformemente em todas as regiões do país, bilhões de reais para comprar todos os poderes formais e bancar as campanhas de seus candidatos em eleições, tendo ainda uma extensa rede midiática fundamentalista que possui tentáculos em todos os veículos de comunicação que atuam no Brasil.

E tudo isso me parece, cada vez mais, ser liderado pelo “Aiatolá” Silas Malafaia, uma figura execrável em todos os aspectos possíveis no que diz respeito a qualquer coisa que tenha um mínimo de seriedade. Suas posições são claramente de natureza fascista. Já existem crimes suficientes cometidos por este falso profeta e seus discípulos para colocá-los na cadeia. As forças progressistas que defendem o Estado Democrático de Direito, têm que estar muito atentas , para que o Brasil não se transforme em uma ditadura teocrática de extrema-direita em um futuro relativamente próximo.

Juiz manda leiloar cobertura de luxo onde Collor vive e cumpre pena por corrupção

Ex-presidente está cumprindo prisão domiciliar na cobertura de 600 metros quadrados com vista para o mar de Maceió, piscina privativa, bar e quatro suítes

O apartamento de luxo em que o ex-presidente Fernando Collor de Melo mora e cumpre pena em Maceió (AL) deve ir para leilão por determinação da Justiça do Trabalho. A decisão é do juiz Nilton Beltrão de Albuquerque Junior, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Alagoas.

A informação foi divulgada pelo Uol e confirmada por O GLOBO. De acordo com o TRT de Alagoas, o leilão está agendado para junho, mas a decisão ainda precisa ser confirmada pelo juiz da 3ª Vara.

Collor está atualmente cumprindo prisão domiciliar no apartamento de 600 metros quadrados com vista para o mar de Maceió, piscina privativa, bar e quatro suítes. De acordo com a Justiça do Trabalho de Alagoas, o apartamento foi avaliado em R$ 9 milhões no final de 2024.

Em 2023, o ex-presidente foi condenado pelo STF a 8 anos e 10 meses pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, por envolvimento em um esquema de corrupção na BR Distribuidora.

Ele começou a cumprir a pena no Presídio Baldomero Cavalcanti de Oliveira, em Maceió (AL), e depois conseguiu prisão domiciliar humanitária por idade avançada (75 anos) e comorbidades graves, que incluem doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar.

No entanto, o juiz Nilton Beltrão de Albuquerque Junior determinou que esse imóvel em que ele cumpre a pena seja vendido em leilão por conta de uma dívida trabalhista.

De acordo com o portal Uol, a defesa de Collor alega que essa dívida já foi paga. Já a defesa da trabalhadora — uma jornalista que atuou na TV Gazeta, da qual Collor é dono — afirma que em 2019 houve um acordo para ela receber R$ 80 mil em salários atrasados, mas que os valores não foram pagos integralmente.

Fonte: O Globo

Dino proíbe novas leis que garantam “penduricalhos” acima do teto

Em uma decisão complementar proferida nesta quinta-feira (19), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu a publicação e a aplicação de novas leis sobre o pagamento a servidores públicos de parcelas remuneratórios e indenizatórias que ultrapassem o Teto Constitucional, os chamados “penduricalhos”. 

“Essa determinação vale inclusive para a edição de novos atos normativos pelos Poderes ou órgãos constitucionalmente autônomos”, destacou o ministro.

Segundo ele, a decisão visa a “esclarecer e complementar” a decisão liminar do último dia 5, quando o ministro determinou a suspensão de pagamentos realizados sem previsão legal expressa.  

A decisão estende o bloqueio dos pagamentos também ao reconhecimento de supostos direitos retroativos que não eram pagos até a data da liminar original. E mantém o prazo de 60 dias para “todos os órgãos publicarem as verbas remuneratórias e indenizatórias que despendem, com a indicação específica das leis que as fundamentam”, ou da norma que as legitimam, no caso de ato infralegal. 

A medida se aplica a instituições federais, estaduais e municipais que, na prática, deverão publicar e dar publicidade à folha de pagamento detalhada de seus servidores. Na liminar do último dia 5, Dino já tinha destacado que, “para quem manuseia dinheiro público”, “não bastam expressões genéricas como: “direitos eventuais”; “direitos pessoais”; “indenizações”; “remuneração paradigma”, entre outras constantes de Portais de Transparência”, que devem ser substituídas por indicações precisas que permitam o controle sobre os gastos públicos. 

Teto Constitucional

A determinação ocorre no âmbito de uma ação que contesta o pagamento de verbas a agentes públicos que elevam os vencimentos mensais a patamares superiores ao teto máximo do funcionalismo, atualmente de R$ R$ 46.366,19 (valor que corresponde ao subsídio pago aos ministros do STF).  

Em sua mais recente manifestação, tornada pública esta manhã, Dino e sua assessoria reproduzem argumentos jurídicos segundo os quais a ausência de uma lei nacional sobre o tema, conforme exigido pela Emenda Constitucional nº 135/2024, impede que órgãos e poderes autônomos criem gratificações ou indenizações por conta própria.

O caso agora segue para o referendo do Plenário do STF, que deve apreciar a questão no próximo dia 25, quando já estava agendada a votação da liminar inicial.

“No tocante aos agravos e embargos interpostos, aguarde-se a apreciação quanto ao referendo da liminar pelo Plenário do STF, quando serão estabelecidos os contornos da tutela liminar antes deferida e agora complementada”, decretou Dino.

Fonte: Agência Brasil

Ex-príncipe Andrew é preso no Reino Unido por parceria criminosa com Jeffrey Epstein

Ele teria compartilhado informações confidenciais com o bilionário e condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein

Andrew Mountbatten-Windsor, que já teve o título de Príncipe Andrew, foi detido nesta quinta-feira (19) sob suspeita de má conduta no exercício de função pública.

As autoridades apuram denúncias de que ele teria compartilhado informações confidenciais com o bilionário e condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein enquanto atuava como enviado comercial do Reino Unido.

Imagens de viaturas policiais descaracterizadas e de agentes à paisana em Wood Farm, na propriedade de Sandringham, pouco depois das 8h, circularam na quinta-feira. Em nota, a Thames Valley Police informou: “Hoje (19/2), prendemos um homem de 60 anos, residente em Norfolk, sob suspeita de má conduta em cargo público e estamos cumprindo mandados de busca em endereços localizados em Berkshire e Norfolk”

Andrew permanece sob custódia policial neste momento.

A Thames Valley Police já havia declarado que analisava alegações de que uma mulher teria sido levada ao Reino Unido por Epstein para um encontro sexual com Andrew, além das suspeitas de troca de informações sigilosas com o financista durante o período em que exercia a função diplomática.

O subchefe da corporação, Oliver Wright, afirmou ao jornal The Guardian: “Após uma avaliação detalhada, decidimos instaurar investigação sobre essa denúncia de má conduta em cargo público.

“É fundamental preservar a integridade e a imparcialidade do inquérito enquanto trabalhamos com nossos parceiros para esclarecer os fatos. Reconhecemos o grande interesse público no caso e forneceremos novas informações no momento adequado.”

Fonte: ICL

Banco de Edir Macedo, Digimais, dá calote de quase R$ 500 milhões

Ação na Justiça afirma que Digimais usou papéis da Fictor, da Reag e do Banco Master para lastrear participação em fundo. Títulos viraram pó

Uma nova ação judicial ameaça o já combalido caixa do Digimais, banco do líder religioso Edir Macedo. Sócio da instituição financeira, o empresário Roberto Campos Marinho Filho afirma que teve um prejuízo de quase R$ 500 milhões ao aceitar papéis da Fictor, da Reag e do Banco Master como lastro da participação do Digimais em um fundo de investimento, o EXP 1.

Os papéis foram utilizados pelo Digimais para comprar 80% do fundo de investimento. Os outros 20% ficaram com Marinho, dono da Yards Capital, que gere o fundo. O valor da carteira, no entanto, despencou com o avanço de investigações sobre supostas fraudes envolvendo tanto o Master quanto a Reag e a Fictor.

No fim da última semana, a Yards notificou o Digimais judicialmente para que o banco de Edir Macedo comprasse a carteira de R$ 462,2 milhões, aportada pelo banco no fundo. A maior parte dos papéis seriam do Master e da Reag, chegando a R$ 316,6 milhões. Os demais títulos seriam da Fictor, somando R$ 145,6 bilhões.

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A Reag foi alvo das duas últimas grandes operações policiais que miraram a Faria Lima. A gestora de fundos é investigada por suposto envolvimento em manobras para esconder dinheiro do crime organizado, na operação Carbono Oculto, e por usar a mesma rede de fundos para movimentações suspeitas do Banco Master, na operação Compliance Zero. Diante de tantas suspeitas, a Reag foi liquidada pelo Banco Central no dia 15 de dezembro.

Já a Fictor foi alçada aos holofotes após anunciar que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões em novembro de 2025. Um dia depois, o Master foi liquidado, e os principais executivos do banco, presos. Em janeiro deste ano, a Fictor apresentou pedido de recuperação judicial alegando que as notícias envolvendo o Master levaram os investidores a pedirem resgates, o que teria esvaziado o caixa e provocado uma crise de liquidez.

Como mostrou a coluna, a liquidação do Master impacta outras instituições financeiras. Entre elas, a Digimais, banco que pertence ao religioso Edir Macedo e que já cambaleava, assolado por crises e processos judiciais.

A situação do Digimais não é boa há um bom tempo. Relatórios de 2024 e 2025 apontaram alta inadimplência após a pandemia, o que corroeu o patrimônio e exigiu aportes recorrentes para evitar quebra técnica. O dinheiro veio do próprio Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record de Televisão.

Em 2025, o Digimais passou por reestruturações sob supervisão do BC, incluindo negociações de venda devido a desafios operacionais. Ao longo do ano, o investidor Mauricio Quadrado, ex-sócio do Banco Master, chegou a anunciar que tinha fechado a compra com o líder religioso. O negócio, no entanto, não avançou.

Outro empresário que manifestou interesse, e cuja proposta foi apresentada ao Banco Central, é Tércio Borlenghi Jr., fundador e controlador da Ambipar. O negócio azedou pouco antes do colapso da multinacional brasileira, que apresentou pedido de recuperação judicial em outubro de 2025.

A Ambipar é alvo de um processo envolvendo o dono do Master, Daniel Vorcaro. A investigação, que tramita na Comissão de Valores Imobiliários (CVM), apura a possível atuação em conjunto de Vorcaro e outros investidores para inflar o patrimônio da Ambipar.

O NuBank também chegou a negociar com Edir Macedo, mas desistiu da transação. Assim, a saída, proposta pelo BC, de venda da instituição naufragou. Desde então, o Digimais vaga como um zumbi pelo sistema financeiro, sem condições de se reestruturar sozinho e sem interessados em embarcar no negócio.

O colapso estrondoso do Master e as críticas ao Banco Central ao lidar com a situação do banco de Daniel Vorcaro não ajudam em nada na situação do Digimais. A autarquia tem aumentado as cobranças e acompanhado de perto os bancos médios em situação crítica.

Fonte: Metrópoles

Vaticano rejeita ‘Conselho da Paz’ de Trump em Gaza

A Santa Sé não integrará o “Conselho da Paz”, proposto pelos Estados Unidos para supervisionar Gaza e outros conflitos

O Vaticano anunciou nesta quarta-feira (18) que não participará do chamado “Conselho da Paz”, iniciativa lançada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de supervisionar a governança temporária da Faixa de Gaza e, posteriormente, atuar também em conflitos globais. A decisão foi confirmada pelo cardeal Pietro Parolin, principal diplomata da Santa Sé, informa a agência Reuters.

Segundo Parolin, a Santa Sé optou por não aderir ao projeto por considerar que o formato proposto por Trump não se assemelha ao funcionamento habitual das relações diplomáticas entre Estados. “A Santa Sé não participará do Conselho da Paz devido à sua natureza particular, que evidentemente não é a de outros Estados”, declarou o cardeal.

O papa Leão XIV, primeiro pontífice norte-americano da história e crítico de algumas políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia sido convidado em janeiro para integrar o conselho. A proposta surgiu no contexto do plano de Trump para Gaza, que culminou em um cessar-fogo frágil em outubro.

Inicialmente voltado para a administração temporária do território palestino, o “Conselho da Paz” foi posteriormente ampliado por Trump para tratar de conflitos internacionais de maneira mais ampla. A primeira reunião está prevista para quinta-feira (19), em Washington, com foco na reconstrução de Gaza.

Apesar do convite, a adesão internacional ao conselho tem sido limitada. A Itália e a União Europeia indicaram que enviarão representantes apenas como observadores, já que não se tornaram integrantes formais do grupo.

Parolin também enfatizou que, para o Vaticano, crises internacionais devem ser conduzidas principalmente sob a autoridade das Nações Unidas. “Uma preocupação”, afirmou ele, “é que, em nível internacional, deve ser acima de tudo a ONU que gerencia essas situações de crise. Esse é um dos pontos em que insistimos”.

A proposta de Trump enfrenta críticas severas de especialistas em direitos humanos, que apontam riscos de caráter colonialista na ideia de um conselho liderado pelos Estados Unidos para administrar assuntos de um território estrangeiro. Outro ponto de contestação é a ausência de representação palestina no grupo, fator que também tem gerado forte repercussão internacional.

O projeto, lançado no mês passado, tem sido recebido com cautela por diversos países. Analistas alertam que o conselho pode enfraquecer a ONU e criar uma estrutura paralela de gestão internacional. Embora alguns aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio tenham aderido, parceiros ocidentais seguem mantendo distância.

Enquanto isso, o cessar-fogo em Gaza continua instável. Desde outubro, a trégua tem sido repetidamente violada, resultando na morte de centenas de palestinos e de quatro soldados israelenses, segundo o relato da Reuters.

A ofensiva de Israel sobre Gaza já deixou mais de 72 mil mortos, além de provocar uma grave crise de fome e deslocar internamente toda a população do território. Diversos especialistas em direitos humanos, acadêmicos e uma investigação da ONU afirmam que a situação equivale a genocídio. Israel, por sua vez, sustenta que atua em legítima defesa após o ataque de militantes liderados pelo Hamas no final de 2023, que matou 1,2 mil pessoas e resultou em mais de 250 reféns.

A recusa do Vaticano em participar do conselho proposto por Trump amplia o isolamento político da iniciativa e reforça a defesa histórica da Santa Sé por soluções multilaterais conduzidas sob o marco institucional das Nações Unidas.

Fonte: Brasil 247

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