Governo de SP determina assédio moral aos professores com monitoramento em sala de aula

Portaria impõe presença de diretores e coordenadores durante as aulas e envio bimestral de relatório ao poder público

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo divulgou uma portaria que estabelece “apoio presencial, em sala de aula”, por parte da gestão escolar. A medida da Coordenadoria Pedagógica determina que, pelo menos duas vezes por semana, as aulas terão que ser monitoradas, inclusive com a produção de relatórios. 

Bimestralmente, os documentos produzidos precisarão ser apresentados à Diretoria de Ensino. De acordo com a portaria, “a rotina de observação de aulas deve cobrir o maior número de professores possível ao longo do bimestre letivo”. 

A medida gerou críticas incisivas entre representantes do corpo docente das escolas. O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) considera que a prática fere o princípio da liberdade de cátedra.  

“É totalmente inaceitável a portaria impondo a presença de diretores e coordenadores nas salas de aula para fiscalizar as atividades dos professores com os estudantes”, afirma o sindicato em divulgação interna. 

Ainda de acordo com o texto da entidade, a liberdade de cátedra é um princípio constitucional, previsto também na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996. “Dentro da sala de aula o(a) professor(a) é autoridade (…) estando totalmente capacitado para a função. Não tem cabimento que professores e professoras sejam assediados e que tenham seu trabalho tolhido desta forma”, argumenta. 

O especialista em educação Fernando Cássio, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e integrante da Rede Escola Pública e Universidade (Repu), afirma que a reação do sindicato se justifica frente a um contexto de extrema precarização do trabalho. 

“Já temos políticas de avaliação que são punitivas na rede estadual de São Paulo, isso não é de agora. Então, é compreensível que exista essa reação. Muito embora pudéssemos pensar que isso poderia ter um efeito pedagógico positivo, o ambiente de trabalho e as condições de trabalho são tão degradadas que a última coisa que deveríamos fazer neste momento seria estabelecer um instrumento como esse”, defende. 

Cenário de desconfiança

Fernando Cássio alerta que a medida chega à rede de educação em um cenário já permeado pela desconfiança. “Quando temos reclamações de que esse tipo de coisa pode soar como vigilância, mais uma camada de controle, que pode gerar, por exemplo, censura e perseguição, é porque não temos um clima de confiança instalado”, considera.  

Segundo ele, o contexto das condições de tralho é negativo em todos os sentidos, “tanto do ponto de vista objetivo – do salário, das carreiras, do controle de trabalho, dos recursos de infraestrutura – quanto subjetivo, dessa própria sensação de que você está sendo vigiado por alguém de fora, que vai controlar o seu trabalho, que vai transformar isso em punição”.

O Brasil de Fato entrou em contato com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo para obter mais informações sobre a portaria. Entre as perguntas enviadas, a reportagem pediu mais detalhes sobre o relatório que deve ser encaminhado ao órgão bimestralmente. O pedido específico não foi atendido, mas já circula nas redes sociais o documento que deve ser preenchido durante o trabalho de monitoramento.

Modelo do documento enviado às diretorias e coordenações / Reprodução

No “Instrumento de apoio presencial em sala de aula para diretor(a)”, há campos para avaliações sobre a interação dos estudantes com as atividades propostas, a gestão do tempo, a metodologia, estratégia e recursos usados, a forma de comunicação e o clima em sala de aula. É preciso registrar pontos positivos, de melhoria e os próximos passos para a questão tratada. 

Também nas redes sociais, publicações de diretores e diretoras e coordenadores e coordenadoras mostram o documento preenchido com menção aos diversos problemas estruturais enfrentados pelo ensino público estadual. Entre eles estão salas superlotadas, internet ruim, menos tempo para as disciplinas com a fragmentação do currículo e desvalorização de professores e professoras. 

Resposta da Secretaria 

Em nota enviada ao Brasil de Fato, a Secretaria informou que “atua para fortalecer o protagonismo e a autonomia do educador em sala de aula”. Segundo o órgão, a medida visa garantir suporte com maior interação e apoio por meio das equipes de coordenação e direção. 

O BdF também perguntou se foram estabelecidos meios para se garantir o equilíbrio entre as atividades, a fim de evitar sobrecarga de trabalho e jornadas excessivas. A pasta disse que “os gestores pedagógicos passam a ter a indicação da carga horária mínima direcionada para acompanhar e auxiliar os docentes”. 

Também foi enviada pergunta sobre dados ou estudos que embasaram a portaria. O questionamento não foi respondido pela pasta, que concluiu o texto afirmando que “a aplicação da portaria será realizada de acordo com a realidade de cada unidade escolar”.

Fonte: CUT

Polícia Federal prende fazendeiro que ameaçou ‘dar tiro’ em Lula no Pará

Presidente participa de evento no Estado nos próximos dias. Fazendeiro é ainda é apontado como homem vinculado à grilagem e ao garimpo. Ministério da Justiça confirmou a prisão.

A Polícia Federal prendeu no fim da tarde desta quinta-feira (3) um fazendeiro do Pará suspeito de ter ameaçado “dar um tiro” no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visitará o Estado nos próximos dias. A prisão foi em Santarém.

Segundo pessoas familiarizadas com a investigação ao blog, Arilson Strapasson chegou a tentar descobrir o hotel em que Lula vai se hospedar em Santarém. Está previsto que o presidente chegue nesta sexta (4) à cidade.

Em comunicado, a PF afirma que o homem teria feito as ameaças enquanto fazia compras em uma loja de bebidas na quarta-feira (2). Enquanto realizava a compra, o homem teria dito que daria um tiro na barriga do presidente, e teria perguntado aos presentes se sabiam onde ele se hospedaria quando fosse ao município.

O inquérito foi instaurado após uma das testemunhas realizar uma denúncia logo após o ocorrido. Ele responderá pelos crimes de ameaça e incitação de atentado contra autoridade por motivação política.

O fazendeiro é apontado ainda como homem vinculado à grilagem e ao garimpo. Ele teria terras avaliadas em mais de R$ 2,5 milhões.

Ao ser encontrado pela PF nesta quinta, o suspeito disse aos policiais que teria participado dos atos de 8 de janeiro, em Brasília, e que teria invadido o salão verde da Câmara dos Deputados. Segundo o próprio homem, ele teria participado das manifestações em frente ao 8º Batalhão de Engenharia de Construção situado na cidade de Santarém durante 60 dias ininterruptos e que, inclusive, financiou a manifestação com R$1 mil todos os dias.

presidente participa da Cúpula da Amazônia, nos dias 8 e 9 de agosto, no Pará. Antes, no dia 7, está previsto que Lula visite o Navio Hospital Escola Abaré, e no mesmo dia, às 9h30, participa da Inauguração da Infovia 01.

Procurado, o Ministério da Justiça se limitou a confirmar a prisão.

Nas redes sociais, o ministro da Justiça, Flávio Dino, disse na noite desta quinta-feira que as ameaças a autoridades dos Poderes da República “não é liberdade de expressão” e que a PF “seguirá aplicando a lei contra criminosos”.

“Mesmo após o fracasso dos atos golpistas de 8 de janeiro, ainda existem pessoas que ameaçam MATAR ou AGREDIR FISICAMENTE autoridades dos Poderes da República. Isso não é “liberdade de expressão” e a Polícia Federal seguirá aplicando a lei contra criminosos. Renovo os apelos para que as pessoas protestem pacificamente e esperem a eleição de 2026.”

Fonte: G1

Paris Saint-Germain oferece Neymar de troco para o Barça por Ousmane Dembélé

Paris Saint-Germain, que está próximo de fechar a contratação do ponta Ousmane Dembélé, do Barcelona, por 50 milhões de euros (cerca de R$ 263 milhões) — valor da multa rescisória, tentou envolver o jogador brasileiro Neymar na negociação.

Para tentar baixar o valor, o PSG ofereceu Neymar por empréstimo. De acordo com o jornal espanhol Sport, o clube catalão rejeitou a proposta. O técnico Xavi, do Barcelona, entende que para o atual projeto o brasileiro não é um jogador que ele precisa no vestiário.

Neymar é um dos três supercraques que deverão ser desligados pelo PSG. Messi foi dispensado após o fim de seu contrato e Mbappé também pode estar de saída. Contudo, o brasileiro não recebeu nenhuma oferta vantajosa para ambos os lados.

O craque brasileiro descartou a ida à Arábia Saudita, apesar de ter recebido várias propostas e ter tido algumas aproximações com o Chelsea, mas sem chegar a nenhum acordo. Ele já deixou clara a sua intenção de ficar no PSG e, inclusive, participou do amistoso contra o Jeonbuk, na Coreia do Sul, onde voltou aos gramados depois de quase seis meses e marcou dois gols.

Fonte: Revista Fórum

Em ato de vingança, PM promove terror e chacina 14 pessoas em SP

Tiros, gritos de dor e pedido de socorro: PM leva massacre ao Guarujá e celebra cifra de mortos

“Eu estou extremamente satisfeito com a ação policial” definiu o governador de São Paulo, o bolsonarista Tarcísio de Freitas, a respeito da chacina cometida pela PM paulista que deixou pelo menos 14 mortos na periferia do Guarujá (SP), na segunda feira (31). As investigações apontam que o número pode ser maior. Já se fala em 19 pessoas assassinadas.

Após o assassinato do policial militar Patrick Bastos Reis, 30 anos, soldado da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, força especial da PM paulista), ocorrido na última quinta-feira (27/7), no Guarujá (SP), PMs de diferentes batalhões estariam espalhando o terror nas favelas da cidade litorânea por meio de execuções de moradores, segundo testemunhas. 

Essas mortes estão sendo celebradas nas redes sociais por policiais influencers e páginas de apoiadores da PM. Postagens que mostram cenas da operação na cidade litorânea, acompanhada de um trecho da canção Rotomusic De Liquidificapum, da banda Pato Fu, que diz “Hoje as pessoas vão morrer/ Hoje as pessoas vão matar/ O espírito fatal/ E a psicose da morte estão no ar”, foram compartilhadas em páginas como as do cabo Silvino Martins Santos, do soldado Diogo Raniere Rodrigues Lima e do ex-PM e candidato derrotado a deputado estadual Luiz Paulo Madalhano Magalhães.

Na contagem das páginas policiais, 14 pessoas já teriam sido mortas pela PM — número não confirmado pelas fontes oficiais até o momento. Nos grupos de WhatsApp dos bairros e nos papos nas ruas, corre o rumor de que policiais teriam prometido chegar a 60 mortos para se vingarem da morte de Patrick.

“Eles não querem saber se está no crime ou não. Se tem família, se é trabalhador, se sustenta filhos… Não querem saber de nada, se tiver passagem [pelo sistema carcerário] ou qualquer tipo de tatuagem que eles atribuem ao crime, já vão matar”, afirma um morador da favela da Vila Edna. Outro bairro que vem sendo alvo dos ataques policiais é a Vila Zilda, onde o soldado foi morto.

Policiais militares não podem sair por aí matando quem encontrar pela frente. Um governador não podem incentivar a carnificina das tropas. Nesse show de horror, onde PMs viram justiceiros e o governador aplaude, a justiça precisa ser feita exemplarmente. Pois, todos tem as mãos sujas de sangue.

Redação com Diálogos do Sul

Escândalo do Pix chega ao MPF e Bolsonaro pode ser preso por estelionato

Deputada Luciene Cavalcante entra com representação para que ex-presidente seja investigado por receber doações para supostamente pagar multas e, em vez, disso aplicar montante milionário em investimentos

A deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP) protocolou junto ao Ministério Público Federal (MPF), nesta terça-feira (1), uma representação para que Jair Bolsonaro seja investigado pelo crime de estelionato, cuja pena prevista é de 1 a 5 anos de prisão, além de multa. 

O objeto da ação é o fato do ex-presidente ter feito uma campanha de arrecadação de recursos financeiros, pedindo dinheiro aos seus apoiadores, para supostamente pagar multas impostas a ele por descumprimento de regras sanitárias à época da pandemia do coronavírus e, em vez de utilizar o dinheiro para quitar as dívidas em questão, teria aplicado o montante arrecadado em investimentos

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) divulgado na última semana aponta que, somente entre janeiro e o início de julho deste ano, o ex-presidente recebeu R$ 17,2 milhões via Pix.  As transações, segundo o Coaf, podem estar ligadas à “vaquinha” feita por Bolsonaro com o suposto objetivo de angariar recursos para pagar multas.

Em junho, o ex-presidente divulgou seu CPF, que é o número de seu Pix, para que apoiadores fizessem as transferências. A campanha foi propagada pelo ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, e outros apoiadores. 

Naquele mês, a Justiça de São Paulo havia determinado o bloqueio de R$ 87,4 mil das contas de Bolsonaro pelo não pagamento de multas por infringir regras sanitárias à época da pandemia do coronavírus. Até o momento, entretanto, o ex-presidente não pagou as multas em questão e, segundo o Coaf, ele utilizou os R$ 17,2 milhões arrecadados para fazer aplicações em renda fixa.

Estelionato e lavagem de dinheiro

Além de não ter quitado as multas, Bolsonaro ainda fez chacota com as doações recebidas via Pix que chegam a mais de R$ 17 milhões. Em evento do PL Mulher em Santa Catarina no último final de semana, o ex-presidente disse que o dinheiro arrecadado deu para “pagar as contas” e ainda sobrou para que ele e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comam “pastel” e tomem “caldo de cana”.

Para a deputada Luciene Cavalcanti, a conduta de Bolsonaro pode configurar o crime de estelionato, que consiste, segundo o Código Penal, em “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”. 

A parlamentar solicita, ainda, que o MPF investigue a origem das doações de alto valor feitas a Bolsonaro via Pix para evitar a utilização do mecanismo para o cometimento de crimes como lavagem de dinheiro

“Mister se faz, igualmente, a investigação da origem das doações dado o alto valor arrecadado, visto o risco de ocorrer, por meio de Pix, a dissimulação de origem criminosa dos valores”, pontua. 

Fonte: Revista Fórum

Mulher que matou os filhos por crenças religiosas é condenada à prisão perpétua

aMãe que matou os filhos nos EUA dizia que a humanidade precisava se “preparar para a segunda vinda de Jesus Cristo” Ela foi condenada a três sentenças consecutivas de prisão perpétua, sem direito a liberdade condicional

Uma mãe foi sentenciada à prisão perpétua nesta segunda-feira (31) por assassinar dois de seus filhos e conspirar para matar a ex-esposa de seu marido. Em maio, Lori Vallow foi declarada culpada de assassinar Tylee Ryan, sua filha de 16 anos, e Joshua “JJ” Vallow, seu filho adotivo de 7.

“Você está condenada a servir a pena máxima possível sob a custódia do Conselho Estadual de Correção […] prisão perpétua sem direito à liberdade condicional”, disse o juiz Steven W. Boyce nesta segunda em um tribunal de Idaho, no noroeste dos Estados Unidos.

Vallow afirmava ser uma deusa cuja missão era preparar a humanidade para a segunda vinda de Jesus Cristo, e acreditava que podia se comunicar com os anjos.

Os promotores afirmaram que ela usou suas crenças religiosas para justificar os assassinatos, tratados na série documental da Netflix “Os Crimes da Nossa Mãe”, lançada no ano passado. Também sustentaram que os crimes estiveram mobilizados por motivos financeiros.

Seu quinto esposo, Chad Daybell – autor de vários romances apocalípticos que publicou por conta própria – aguarda julgamento em separado, que incluirá também o assassinato de sua primeira esposa, Tammy. Ele respondeu a todas as acusações declarando-se não culpado.

O caso atraiu atenção nacional em 2019, depois que os filhos de Vallow desapareceram. O casal jamais notificou as autoridades sobre o desaparecimento dos filhos. Seus corpos foram encontrados em junho de 2020 em uma propriedade de Daybell, em Idaho.

A investigação também revelou que muitas pessoas associadas ao entorno de Vallow e de seu novo marido haviam morrido em tempos recentes.

Em 2018, o terceiro marido da mulher tinha morrido por uma aparente crise cardíaca. Em 2019, seu quarto esposo foi baleado pelo irmão de Vallow, que alegou legítima defesa. Este último também morreu pouco depois, ao ser encontrado inconsciente em sua residência.

Em outubro de 2019, a ex-esposa de Daybell, Tammy, morreu aparentemente de causas naturais. Vallow e Daybell se mudaram para o Havaí poucas semanas depois e se casaram.

Nesta segunda, o juiz Boyce determinou três sentenças consecutivas de prisão perpétua devido à gravidade dos crimes cometidos por Vallow. “Em Idaho, prisão perpétua é isso, prisão pelo resto da vida sem liberdade condicional”, disse.

Mas, “dado que há três homicídios separados com três vítimas que ocorreram em três momentos diferentes, pagar as penas de forma simultânea não serviria aos interesses da Justiça”, disse. “Você precisa responder de forma separada por cada um destes três homicídios”, sentenciou.

Fonte: Pragmatismo Político

STF proíbe tese de legítima defesa da honra em casos de feminicídio

Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta terça-feira (1°), proibir o uso da tese de legítima defesa da honra para justificar a absolvição de condenados por feminicídio.

Com a decisão do Supremo, advogados de réus não poderão usar o argumento para pedir absolvição pelo Tribunal do Júri. Além disso, os resultados de julgamentos que se basearam na tese poderão ser anulados.

A Corte julgou uma ação protocolada pelo PDT em 2021 para impedir a absolvição de homens acusados de homicídio contra mulheres com base no argumento de que o crime teria sido cometido por razões emocionais, como uma traição conjugal.

maioria de votos contra a tese foi formada na sessão de 30 de junho, antes do recesso do mês de julho na Corte. Na ocasião, os ministros Dias Toffoli, André Mendonça, Nunes Marques, Edson Fachin, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes se manifestaram contra a tese.

Na sessão de hoje, as ministras Cármen Lúcia e Rosa Weber proferiram os dois últimos votos sobre a questão.

Cármen Lúcia disse que o Supremo está retirando do ordenamento jurídico uma tese que aceita a morte de mulheres sem qualquer punição. “Nós estamos falando de dignidade humana, de uma sociedade que ainda é machista, sexista, misógina e mata mulheres apenas porque elas querem ser o que elas são, mulheres, donas de suas vidas”, afirmou.

A presidente do Supremo, Rosa Weber, lembrou ainda que leis brasileiras já tutelaram a castidade feminina e os bens da mulher, como o Código Civil de 1916.

“Pela legislação civil, as mulheres perdiam a capacidade civil plena ao casarem, cabendo ao marido administrar tanto os bens do casal como os particulares da esposa. Somente mediante autorização do marido, as mulheres poderiam exercer a atividade profissional”, disse a ministra.

Histórico

Ao longo da história, a legislação brasileira previu normas que chancelaram a violência contra a mulher.

Entre 1605 e 1830, foi permitido ao homem que tivesse sua “honra lesada” por adultério agir com violência contra a mulher. Nos anos seguintes, entre 1830 e 1890, normas penais da época deixaram de permitir o assassinato, mas mantiveram o adultério como crime.

Somente no Código Penal de 1940, a absolvição de acusados que cometeram crime sob a influência de emoção ou paixão deixou de existir. Contudo, a tese continua a ser usada pela defesa de acusados para defender a inocência.

Fonte: Agência Brasil

MPF dá 48h para IBAMA, IMA e SPU explicarem o que ocorreu na praia de Garça Torta

O Ministério Público Federal (MPF) deu prazo de 48 horas para que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) apresentem todas as informações referentes às intervenções ambientais num trecho da praia da Garça Torta, em Maceió.  Na mesma ação, definida nesta terça-feira, 1º, o MPF também determinou a imediata suspensão das obras de aterramento e desvio da desembocadura do Riacho Garça Torta, que vinham sendo efetuadas por um condomínio localizado naquele bairro.

A decisão está na Notícia de Fato nº 1.11.000.000953/2023-33, e foi tomada em decorrência de representações feitas pela Associação dos Moradores do Loteamento Gurguri e pelo Coletivo Ambiental Litoral Norte, que denunciaram as obras realizadas pelo condomínio. Este, estaria aterrando a boca do riacho e desviando sua desembocadura para outra área, próxima à barraca do Ravi.

A ação de aterramento, segundo moradores, estaria sendo feita com autorização do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), por meio de processo online. Essa informação teria sido repassada por um morador do próprio condomínio, que teria apresentado o documento. Entretanto, não há placa de licenciamento no local.

A Associação dos Moradores do Loteamento Gurguri afirma que a área afetada é considerada terreno de marinha.

A Recomendação do MPF estabelece um prazo de 24 horas para que as intervenções ambientais sejam suspensas até que os órgãos de Meio Ambiente se pronunciem sobre o caso.

Os moradores afetados pela agressão ambiental alegam ainda que, além dos graves danos ambientais, “não houve audiência ou consulta pública antes da autorização da atividade, que há 10 dias passa o trator sob área de desova de tartarugas marinhas, mudando o curso do riacho e deixando consequências desconhecidas pela população, que clama por informação”.

Ofícios e prazos

Ao IMA/AL foram requisitados uma cópia completa do processo administrativo e do parecer técnico que embasou a respectiva Autorização Ambiental, e ainda esclarecer se a concessão da autorização para a atividade de Retificação da Foz do Riacho da Garça foi precedida de manifestação do Ibama. O prazo para essa resposta é de 48 horas.

No mesmo prazo de 48 horas, o Ibama deve informar sobre os fatos, esclarecer se o local da atividade é considerado terreno de marinha e área de preservação permanente, e confirmar se autorizou a obra de aterramento da boca do Riacho Garça Torta e o desvio de sua desembocadura. Além disso, o órgão deve fornecer informações sobre os impactos ambientais causados no manguezal e na biodiversidade local devido a essas atividades.

A SPU também tem um prazo de 48 horas para informar se foi consultada ou concedeu autorização para a intervenção ambiental no Riacho Garça Torta.

Por fim, o condomínio tem 24 horas para apresentar informações detalhadas sobre a intervenção que está sendo realizada no Riacho Garça Torta, incluindo a indicação de se contratou uma empresa para realizar a atividade. Além disso, o condomínio deve fornecer uma cópia completa de todos os estudos ambientais e autorizações que subsidiaram o desenvolvimento da obra, bem como o cronograma detalhado da obra/atividade.

Com Assessoria PGR

Fonte: 082 Notícias

O Professor é o Inimigo: livro revela como educadores(as) foram transformados em ameaça à sociedade

Projeto político conservador explora pânico moral para ocultar um cenário onde prevalecem o desmonte do Estado e a desproteção social

Acusações fantasiosas de doutrinação e ideologia de gênero, notícias falsas como o kit gay, a “mamadeira de piroca” e o banheiro unissex, e projetos inquisitórios como o Escola sem Partido têm um alvo em comum: os(as) professores(as).  

Tal como o personagem Dr. Stockmann, médico da peça teatral Um Inimigo do Povo, os(as) professores(as) brasileiros(as) têm sido transformados(as) ameaças à sociedade, numa manobra para ocultar um cenário social e político onde prevalecem o desmonte do Estado, a desproteção social e a insegurança da população.

Henrik Ibsen (1828-1906), dramaturgo norueguês, escreveu o drama realista mostrando como a população de uma pequena cidade transforma a imagem do médico local de cidadão honrado em inimigo do povo, por denunciar publicamente a contaminação da água da cidade. Mais de um século depois, a ficção de Ibsen se torna realidade no Brasil, só que com os(as) educadores(as). 

Dr. Stockmann é perseguido por alertar para problemas que a sociedade prefere não enxergar. Professores(as) são vítimas de ataques e campanhas de difamação apenas por fazerem o trabalho de ensinar, como mostra o e-book O Professor é o Inimigo, das professoras Pâmella Passos e Amanda Mendonça, integrantes do Grupo de Pesquisa em Tecnologia, Educação & Cultura do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ).

O livro, de 2021, voltou a ser assunto nas redes sociais nas últimas semanas ao mostrar como uma suposta ameaça de destruição da família e da ordem moral hegemônica é utilizada para maquiar uma escalada conservadora na sociedade: “sentimentos como o medo, o temor de uma possível mudança nas estruturas sociais conhecidas pela maioria da população, vêm sendo produzidos e acionados como parte do projeto de poder em curso no país”.

Parte significativa deste projeto consiste na construção de um inimigo. Neste contexto é criada a figura do “professor doutrinador”. 

Escola sem Partido 

As pesquisadoras fazem um histórico desse processo e chegam ao Movimento Escola sem Partido. Segundo elas, a onda conservadora se formou e se fortaleceu em três momentos. 

O primeiro foi em 2007, quando o jornalista Ali Kamel publicou no jornal O Globo duras críticas à coleção de livros didáticos “Nova História Crítica”, de Mario Schmidt. O segundo, em 2011, na distribuição dos kit anti-homofobia pelo Ministério da Educação. O terceiro foi em 2014, durante a crise política e de polarização da sociedade em torno das campanhas presidenciais.

“Acreditamos ser relevante assinalar que os embates em torno do Plano Nacional de Educação, aprovado também em 2014, se inserem neste quadro de episódios que contribuíram para alavancar a expressividade social e política do Escola sem Partido”, diz o livro.

Comparando a relação entre professor e aluno com a de um sequestro, o Movimento Escola sem Partido passou a convocar as famílias a salvar seus filhos de uma fantasiosa violência intelectual. 

Nesse projeto conservador, o poder da família se sobrepõe ao direito do estudante de obter elementos para produzir de forma autônoma sua visão de mundo. O “professor doutrinador” é aquele que aborda temas e conteúdos que contradizem a vontade e a crença das famílias.

Os(as) professores(as) atingidos(as) apontam o uso da internet e das redes sociais como a principal fagulha para a perseguição. O “linchamento virtual” é um dos maiores temores deles. 

Autocensura pedagógica 

“O clima persecutório e de denuncismo sobre os docentes é cada vez mais relatado por estes, que vêm sendo impedidos, por vezes de forma velada, de abordar certas temáticas em sala de aula, tendo suas vidas expostas em jornais, redes socais e sofrendo até mesmo processos judiciais por doutrinação ideológica”, registra o livro.

O ambiente hostil pode levar à autocensura pedagógica, alertam as autoras. “Entendemos como autocensura pedagógica o movimento pelo qual professores deixam de trabalhar determinados temas, ainda que estejam previstos no currículo de sua disciplina, buscando evitar acusações de doutrinação e/ou exposição, em especial nas redes sociais”, explica o livro.

As autoras listam uma série de ataques a professores(as) noticiados na imprensa e os relacionam a discursos de autoridades públicas estimulando a perseguição. “Em nossa hipótese, os discursos proferidos por figuras públicas ocupantes de cargos no Executivo e no Legislativo vêm sendo acompanhados por um crescimento de episódios abertos de perseguição a docentes em todo o país”, afirmam.

Família

Nesse projeto conservador, a família é usada como dispositivo de controle, naturalizada numa única concepção heteronormativa. Essa “família funcional” atua na sustentação do capitalismo e da precarização trazida pelo desmonte neoliberal, com a retirada de garantias sociais e a diminuição de políticas públicas. 

“Para que isso ocorra, ela não pode ser justa ou democrática, mas, sim, operar na desigualdade de gênero, reforçando a esfera privada e do lar como um espaço feminino mantendo a múltipla jornada de trabalho das mulheres”, detalha o livro.

Desdemocracia

As autoras recorrem ao conceito de “desdemocracia” para caracterizar a situação em que o professor crítico e democrático é produzido como inimigo: “Neste contexto, assistimos à demonização de professores e professoras que, ao praticarem uma educação democrática, são críticos à desdemocracia em curso”.

“Acusados de doutrinadores, professoras e professores têm sobrevivido num cenário brasileiro no qual há uma construção política com manipulação de afeto. Famílias são incitadas a odiar e atacar os profissionais da educação, pois estes estariam ameaçando a segurança de seus valores e direitos. Enquanto isso, os direitos básicos, como acesso à saúde, educação e moradia estão ruindo junto com a democracia brasileira”, explicam as autoras.

Fonte: APP Sindicato

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