Os Estados Unidos lançaram uma nova série de ataques contra o Irã nesta terça-feira (7), em resposta a incidentes envolvendo três embarcações comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A ofensiva foi anunciada pelo Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, o Centcom.

Segundo o comando militar estadunidense, os ataques tiveram como objetivo impor “custos elevados” ao Irã por atingir navios comerciais tripulados por civis. Washington classificou a ação atribuída a Teerã como “agressão injustificada” e “violação clara do cessar-fogo” firmado após a escalada militar entre os dois países.

A ofensiva mirou sistemas de defesa aérea, lançadores de drones e estruturas de mísseis. A imprensa estatal iraniana relatou explosões em Sirik, cidade portuária no sul do Irã, próxima ao Estreito de Ormuz. Até a última atualização, não havia confirmação oficial sobre vítimas.

Mais cedo, agências de segurança marítima registraram ataques contra embarcações na região. Um dos navios atingidos foi o Al Rekayyat, petroleiro de bandeira do Catar, que sofreu danos e chegou a correr risco de explosão após incêndio na sala de máquinas. Um superpetroleiro saudita, o Wedyan, também foi danificado nas proximidades da costa de Omã.

O Catar responsabilizou o Irã pelo ataque ao Al Rekayyat e convocou um representante diplomático iraniano para protestar. A Arábia Saudita também atribuiu a Teerã a responsabilidade pelos danos ao Wedyan. O Irã, porém, não havia reivindicado os ataques e afirmou que embarcações que trafegam por rotas não coordenadas com suas autoridades ficam expostas a riscos.

Irã
Navios cargueiros no Estreito de Ormuz. Foto: Divulgação/Reuters

A crise elevou o alerta para a navegação no Estreito de Ormuz. O centro marítimo liderado pela Marinha dos Estados Unidos aumentou o nível de ameaça para “severo”, citando ações hostis deliberadas e recomendando vigilância extrema às embarcações que passam pela região. O fluxo de navios caiu para níveis muito abaixo do registrado antes da guerra iniciada no fim de fevereiro.

Além dos bombardeios, Washington voltou a endurecer as sanções contra o setor de petróleo iraniano. O governo dos Estados Unidos revogou uma licença que permitia temporariamente a venda de petróleo bruto do Irã, medida que havia sido adotada em junho como parte dos esforços para aliviar a tensão e reabrir a navegação no estreito.

A reação no mercado foi imediata. O preço do petróleo subiu com força depois dos ataques e da revogação da licença, em meio ao temor de novas interrupções no escoamento de petróleo e gás pela região. Antes da guerra, o Estreito de Ormuz era rota de cerca de um quinto da oferta diária mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

A nova escalada coloca em risco o cessar-fogo e as negociações entre Washington e Teerã. O governo iraniano afirmou que os ataques violam os entendimentos recentes e prometeu adotar medidas para proteger seus interesses e sua segurança nacional. Autoridades estadunidenses, por sua vez, dizem que ainda tentam manter canais diplomáticos abertos, apesar da ofensiva militar.

Fonte: DCM

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