PF prende Coronel Mauro Cid, ex-ajudante de Bolsonaro

Prisão faz parte da Operação Venire, que investiga associação criminosa acusada de inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19

A Polícia Federal (PF) cumpre, nesta quarta-feira (3/5), um mandado de prisão contra o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, e outro de busca e apreensão na casa do ex-presidente, em Brasília. A operação foi autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

As ordens estão sendo cumpridas no âmbito da chamada “Operação Venire”. Segundo a Polícia Federal, a operação investiga uma associação criminosa acusada pelos crimes de inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde.

Ao todo, a PF cumpre 16 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva, em Brasília e no Rio de Janeiro. Os policiais também farão análise do material apreendido durante as buscas e colherão depoimentos de pessoas que detenham informações a respeito dos fatos.

A operação

Segundo a PF, as inserções de dados falsos ocorreram entre novembro de 2021 e dezembro de 2022 e tiveram como consequência a alteração da verdade sobre a condição de imunizado contra a Covid-19 dos beneficiários. Um dos que teriam tido o cartão de vacinação alterado seria o próprio Bolsonaro.

A apuração indica que o objetivo do grupo seria manter coeso o elemento identitário em relação às suas pautas ideológicas, no caso, sustentar o discurso voltado aos ataques à vacinação contra a Covid-19.

As ações ocorrem dentro do inquérito policial que apura a atuação do que se convencionou chamar “milícias digitais”, em tramitação no Supremo.

Os fatos investigados configuram, em tese, os crimes de infração de medida sanitária preventiva, associação criminosa, inserção de dados falsos em sistemas de informação e corrupção de menores.

Fonte: Metrópoles

Governo Lula tem 52% de aprovação 

A mais nova pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), encomendada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), mostra que a aprovação do governo Lula (PT) subiu em abril em relação aos dois meses anteriores. A informação é do Valor Investe.

De acordo com a pesquisa, em abril, 52% dos entrevistados afirmam aprovar o governo enquanto 38% desaprovam sua gestão. Em fevereiro, 51% dos entrevistados aprovavam o governo Lula e 36% o desaprovavam.

No atual levantamento, todas as oscilações registradas em relação aos dados de fevereiro estão dentro da margem de erro.

Ao analisar os estratos demográficos da pesquisa, a avaliação do governo Lula fica abaixo de 50% apenas entre homens (49%) e na faixa etária entre 25 e 44 anos (48%). Em relação à avaliação do governo, 39% dos entrevistados consideram o governo “ótimo” ou “bom”, em comparação com 40% em fevereiro, enquanto a avaliação “regular” foi registrada em 28%, em comparação com 27% em fevereiro. As impressões “ruim” e “péssima” permaneceram em 28%.

Os dados da Ipespe/Febraban também mostram uma tendência de aumento na expectativa positiva em relação à gestão presidencial: em dezembro, 46% das pessoas responderam ter expectativa “ótima” ou “boa” em relação ao governo Lula. Esse número aumentou para 49% em fevereiro e agora é de 51%. Enquanto 17% esperam um governo “regular”, em fevereiro esse número era de 21% e em dezembro, 16%.

Já aqueles que esperam um governo “ruim” ou “péssimo” representam 27% dos entrevistados, em comparação com 25% na pesquisa anterior e 31% no levantamento de dezembro. Isso mostra que, apesar do crescimento nos últimos dois meses, ainda há uma queda na expectativa negativa se comparada a quando o mandato ainda não havia começado.

A pesquisa Ipespe/Febraban foi realizada entre os dias 14 e 19 de abril, com uma amostra de 2 mil entrevistados, e a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais com intervalo de confiança de 95,5%.

Fonte: Brasil 247

1º de maio: 2 milhões protestam contra a reforma da Previdência na França

Segundo os organizadores, 2 milhões de franceses protestaram nesse primeiro de maio, contra a reforma da previdência do presidente Emmanuel Macron

O Ministério do Interior estimou o número total de manifestantes em 782 mil, incluindo 112 mil na capital Paris. Mas o sindicato CGT diz que o número é três vezes maior que o divulgado pelo órgão estatal.

Os números desta mobilização considerada histórica vão muito além de um clássico 1º de Maio. Esta é a primeira vez em 14 anos que os sindicatos franceses se unem sob a mesma bandeira para o Dia Internacional do Trabalhador. Um último desfile unido com os oito principais sindicatos do país aconteceu em 2009, diante da crise econômica.

Aos franceses se somaram representantes sindicais estrangeiros, como coreanos, turcos, suíços, colombianos, norte-americanos e espanhóis.

Os sindicatos não aceitam as mudanças que aumentam a idade de aposentadoria de 62 para 64 anos. Os sindicatos querem impedir que a medida seja implementada.

Durante a manifestação houve repressão e confronto com a polícia. Pelo menos 291 pessoas foram presas e 108 policiais ficaram feridos durante os protestos que ocorreram em toda a França nesta segunda-feira, feriado do Dia do Trabalho.

Macron assinou a reforma em lei no dia 15 de abril, horas depois de o Conselho Constitucional da França ter apoiado amplamente as mudanças. Mas as pesquisas de opinião mostram que a grande maioria da população se opõe à idade de aposentadoria mais alta.

As reformas devem entrar em vigor em setembro.

Fonte: Redação com BBC News Brasil e RFI

Servidores públicos de Cajueiro decretam paralisação por descaso da Prefeitura 

Os servidores públicos de Cajueiro decretaram paralisação por descaso da Prefeitura e convocam todos os trabalhadores da saúde e assistência social para grande ato público no dia 04/05/2023. A concentração vai ser na praça Central, em frente a Câmara dos Vereadores

Sem negociar com os servidores municipais, a Prefeitura de Cajueiro é acusada de descaso para com seus servidores. Diante disso, a categoria decretou paralisação e manifestação de protesto.

Em nota o Sindprev afirma que: “Devido ao descaso da Prefeitura de Cajueiro com os servidores públicos municipais, a Direção estadual do SINDPREV junto com o Núcleo Municipal e o Movimento Unificado da Saúde, está convocando todos os servidores da saúde e assistência social do município de Cajueiro, para uma grande paralisação de advertência de 24 horas, na quinta-feira (04 de maio de 2023)”.

A concentração será às 8 horas, na praça Central, em frente a Câmara do Vereadores de Cajueiro.

PMs são presos por estupro coletivo dentro de viatura

Crime ocorreu no município de Saquarema, interior do Rio de Janeiro; Vítima é uma jovem de 18 anos

Três PMs foram presos na manhã desta segunda-feira (1) pela Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em Saquarema, na Região dos Lagos. A acusação é hedionda: um estupro coletivo contra uma jovem de 18 anos, ocorrido dentro de uma viatura. Há, ainda, um quarto policial envolvido que está sendo procurado.

Conforme contou em seu depoimento, a vítima estava com uma amiga, na última semana, quando foi abordada pelos PMs com a clássica desculpa, utilizada faz décadas para justificar abordagens aleatórias a jovens, de suspeita de porte de drogas. Elas então foram colocadas dentro da viatura e levadas a uma área de pouco movimento, onde ocorreu o estupro coletivo.

A investigações começaram na última sexta-feira (28), em seguida do recebimento da denúncia. A Corregedoria utilizou o depoimento da vítima, seu exame pericial que comprovou lesões comuns em casos de estupro, imagens de câmeras de segurança da região, o GPS da viatura e a escala dos PMs para chegar aos nomes dos 4 acusados.

Fonte: Revista Fórum

Crianças morreram de fome em seita “para conhecer Jesus”

As primeiras autópsias realizadas nesta segunda-feira (1º) em 10 das 109 vítimas encontradas em uma floresta onde uma seita se reunia, no sudeste do Quênia, revelaram que as mortes foram causadas por fome e asfixia, anunciou o diretor dos serviços nacionais de medicina legal, Johansen Oduor.

As vítimas, crianças em sua maioria, eram estimuladas a jejuar para “conhecer Jesus”. Autoridades dizem que a quantidade de mortes ainda pode aumentar. Segundo a Cruz Vermelha do Quênia, mais de 300 pessoas estavam desaparecidas na que é considerada a maior tragédia relacionada a cultos da história recente.

Os legistas realizaram a autópsia de nove corpos de crianças, que tinham de 18 meses a 10 anos, e de uma mulher, no necrotério do hospital de Malindi, no sudeste do país africano.

“A maioria tinha características de fome. Vimos características de pessoas que não haviam se alimentado, não tinham comida no estômago e a camada de gordura era muito fina”, disse Oduor à imprensa local, acrescentando que os resultados completos das autópsias podem levar meses. “Também há indícios de que [crianças] foram sufocadas. Essa pode ser uma das causas da asfixia”.

As vítimas eram seguidoras da Igreja Internacional das Boas Novas, liderada pelo pastor Paul Mackenzie. Ele foi acusado de fazer uma lavagem cerebral e acabou preso no dia 14 de abril, quando autoridades receberam a denúncia de que ao menos 30 membros do grupo morreram e foram enterrados em covas rasas.

Mackenzie já havia sido preso e indiciado antes, em março, depois de ser denunciado pela morte de duas crianças por inanição, mas foi solto sob fiança. Outros 14 suspeitos de envolvimento no caso do jejum também foram detidos e aguardam investigação.

As vítimas viviam isoladas na floresta de Shakahola. Autoridades continuam vasculhando a região, próxima à cidade costeira de Malindi, que tem aproximadamente 300 hectares. Oito membros do culto que foram encontrados debilitados morreram dias depois. Até esta segunda, 44 pessoas foram resgatadas.

A descoberta provocou uma onda de indignação no país. O presidente queniano, William Ruto, prometeu medidas contundentes contra aqueles que “utilizam a religião para promover atos atrozes”. Já o ministro do Interior disse que o massacre deve gerar “não apenas uma punição mais severa para os autores, mas também uma regulamentação mais rigorosa de cada igreja, mesquita, templo ou sinagoga”.

Fonte: Brazil News Informa

Lula reafirma compromisso de gerar empregos e investir em obras, saúde e educação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reafirmou seus compromissos de campanha eleitoral ao dizer que o país vai voltar a crescer e gerar empregos com investimentos em obras, saúde e educação, durante ato unificado da CUT e demais centrais sindicais em comemoração ao 1º de Maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, realizado no Vale do Anhangabaú, centro da capital de São Paulo.

Ao anunciar a volta da política de valorização do salário mínimo que nos governos do PT valorizou 74% acima da inflação, e o novo valor de R$ 1.320 a partir deste mês de maio, Lula reforçou o importante papel do piso nacional na retomada da economia.

“O trabalhador ganha, o cidadão do comércio que vende cachorro quente, pastel, que vende comida, ganha, por que o trabalhador tendo mais dinheiro ele compra mais, comprando mais o comércio vai gerar emprego e vai encomendar coisas da indústria, a indústria vai gerar emprego e vai começar a funcionar a roda gigante na economia. Todo mundo começa a ganhar até os ricos”, declarou.

Sobre o imposto de renda que a partir de agora será isento de desconto quem ganha até dois salários mínimos (R$ 2.640), Lula prometeu que até o final deste mandato a isenção chegará a R$ 5 mil.

“Ninguém vai pagar mais um centavo de imposto de renda até esse limite e você sabe que eu tenho compromisso com vocês de alternar meu mandato a gente teria isenção até 5.000”, afirmou.

IR sobre Participação de Lucros e Resultados (PLR)

O presidente disse que a área econômica do seu governo vai estudar um pedido da CUT e das demais centrais sindicais de isentar de cobrança o imposto de renda do valor que os trabalhadores recebem como Participação de Lucros e Resultados (PLR). Lula entendeu que se os empresários não pagam sobre lucros e dividendos, os trabalhadores também não devem pagar sobre o que recebem de lucro onde trabalham.

“Se o patrão não paga o imposto de renda sobre o lucro, sobre dividendos que ele recebe por quê que os trabalhadores têm que pagar imposto no PLR?” questionou.

Antes, porém, Lula iniciou seu discurso agradecendo o terceiro mandato presidencial dado a ele pela classe trabalhadora para consertar o país e para que os brasileiros e brasileiras voltem a sorrir e serem alegres. Segundo o presidente o nosso povo não vai permanecer vítima do ódio.

“A gente quer que as pessoas voltem a ser humanistas, que as pessoas se abracem e conversem; a gente não pode viver no mundo onde andar de vermelho é visto como inimigo do inimigo; a gente não pode mais aceitar a ideia de que você tá no restaurante e alguém lhe ofenda, a gente não pode aceitar a ideia de que é proibido dizer que é de esquerda nesse país”, disse o presidente.

ROBERTO PARIZOTTI

Além da pauta de comportamento social, Lula criticou a falta de seriedade de que governantes tratam a questão do emprego e associou a falta de vagas aos juros altos. Para o presidente, empresários e economistas, os juros impedem investimentos e consequentemente, a geração de empregos.

“Não podemos viver mais no país onde a taxa de juros não controla a inflação, ela controla na verdade o desemprego” – Lula

O presidente anunciou ainda investimentos de R$ 23 bilhões em obras neste ano contra os R$ 20 bilhões ao longo dos quatro anos do último governo. Lula disse que vai investir em saúde e educação. Prometeu a volta do programa Farmácia Popular, de melhorias no atendimento do SUS com a contratação de especialistas e a construção de uma universidade na zona leste da capital paulista, num terreno que foi doado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quando ele foi prefeito de São Paulo, mas que nenhum governante da cidade levou adiante.

Lula afirmou ainda que seu governo vai inaugurar a universidade federal do ABC em São Bernardo do Campo, recém concluída e vai inaugurar a universidade federal de Osasco, ambas na região metropolitana de São Paulo.

Confira outros pontos do discurso de Lula

Igualdade salarial entre homens e mulheres

“Pela primeira vez a gente vai garantir de verdade que a mulher tem que ganhar o mesmo salário do homem, se ela tiver o trabalho igual. Não é possível que depois de tantos anos de existência da humanidade a gente ainda trate a mulher como se ela fosse um ser inferior. Se ela estiver fazendo o mesmo serviço do homem ela tem o direito de receber o mesmo salário que o homem recebe”, disse.

O presidente da República também chamou a atenção contra o assédio feito às mulheres. Para Lula é uma vergonha a falta de respeito com as mulheres no local de trabalho, no transporte público e, inclusive, nas piadas.

“ Todos nós sabemos que a mulher não é fraca, que em muitas atividades econômicas a mulher é muito mais forte que o homem, muito mais corajosa que um homem”, afirmou.

Investimentos externos

O presidente disse que a volta da geração de empregos também será possível com investimentos externos e a volta do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo ele, suas viagens aos Estados Unidos, China, Argentina, Uruguai e Espanha foram realizadas para convidar empresários estrangeiros a investirem no Brasil.

“Vou para Inglaterra agora para trazer investimentos para o Brasil.  Estamos mostrando para eles os grandes projetos que nós vamos apresentar no terceiro PAC. São projetos de obras de infraestrutura que vão gerar emprego porque o que transforma o trabalhador numa pessoa mais do que honrada é o seu trabalho.

“Vocês me deram uma nova chance eu quero provar para vocês que nesses próximos quatro anos nós vamos fazer muito mais do que eu fiz no primeiro mandato, por conta do meu compromisso com o povo trabalhador, com as pessoas que ralam o dia inteiro e, muitas vezes, não conseguem ganhar o suficiente para cesta básica”. Nós vamos mudar esse país- Lula


Trabalho por aplicativos

Lula lembrou que nos seus dois mandatos foram criados 22 milhões de empregos com carteira assinada e prometeu criar mais, e que mesmo os que trabalham por aplicativos não queiram ter vínculo empregatício, o presidente considerou importante que eles tenham seguridade social.

 “Se ele [trabalhador por aplicativo] ficar doente, ele não terá cobertura para ser tratado e nós vamos investir para que ele tenha alguma seguridade”.

Fake News

Uma das preocupações de Lula é com as notícias falsas, as fake News, que segundo ele nunca levou ninguém a lugar nenhum.

“Foi a verdade que derrotou o ex-presidente da República. Vocês se lembram que eles tentaram dar um golpe dia 8 de janeiro, e vou terminar dizendo que todas as pessoas que tentaram dar o golpe serão presas, porque esse país quer democracia de verdade e quer respeito”, encerrou.

Presenças políticas

No ato estiverem presentes o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho; das Mulheres, Cida Gonçalves; da Secom Paulo Pimenta; das Relações Institucionais Alexandre Padilha; do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira e a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, entre outras autoridades.

Fonte: CUT

Ato do Dia do Trabalhador em Maceió cobra melhores condições de trabalho

Manifestação foi organizada pela CUT, centrais sindicais e movimentos sociais

O 1º de maio, Dia Internacional do Trabalho, foi marcado por um grande ato público nesta segunda-feira, em Maceió. Liderados pelas centrais sindicais e movimentos sociais, os trabalhadores do campo e da cidade caminharam pela Orla de Maceió.

A manifestação que começou no início da praia de Pajuçara terminou nos Sete Coqueiros (Ponta Verde), com faixas e panfletos os participantes dialogaram com os banhistas que aproveitavam o sol de Maceió. O evento foi animado por um trio elétrico e houve participação de artistas alagoanos engajados na defesa da democracia.
O ato público levantou a pauta dos trabalhadores em defesa de melhores condições de trabalho e por salários dignos, pela revogação das reformas trabalhista e previdenciária, defesa das estatais, reforma agrária, entre outras.

Os servidores estaduais aproveitaram o evento para cobrar do governador Paulo Dantas (MDB) reposição salarial de 15% e valorização profissional. Já os alunos da Universidade Estadual de Alagoas cobraram a realização de concurso público para professores e técnicos e a implantação de restaurante universitário. Para completar a pauta, os movimentos do campo apresentaram a bandeira da reforma agrária e os de moradia, a construção de mais casas populares.

Garimpeiros assassinam um indígena e deixa dois em ataque na Terra Yanomami

Atentado a Yanomamis - Na tarde deste sábado (29/04) garimpeiros armados alvejaram três (03) jovens Yanomami, sendo um (01) deles, agente indígena de saúde da Comunidade Uxiú. Foto: Hekurari/INSTAGRAM

A comunidade Uxiú foi invadida por garimpeiros na tarde desse sábado

Um yanomami morreu após ser atingido por um tiro durante ataque a uma das comunidades da Terra Indígena Yanomami. Outros dois indígenas baleados tiveram que ser transportados às pressas para a capital do estado, Boa Vista, onde estão internados no Hospital Geral de Roraima (HGR).

Segundo o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) Yanomami, Júnior Hekurari, a comunidade Uxiú foi atacada por garimpeiros ontem (29), à tarde. Ainda de acordo com Júnior, o indígena baleado, que não resistiu aos ferimentos, trabalhava como agente de saúde na comunidade.

Por telefone, a diretora do Hospital Geral de Roraima, Patricia Renovato de Oliveira Freitas, confirmou à Agência Brasil que, após receberem os primeiros-socorros no Centro de Referência de Saúde Indígena, que funciona no polo-base de Surucucu, no próprio território yanomami, os dois indígenas feridos foram removidos para o HGR, onde deram entrada esta manhã. Os dois estão internados no pronto-socorro e seus quadros clínicos foram considerados estáveis.

Júnior Hekurari, que preside a Urihi Associação Yanomami, usou as redes sociais para denunciar o ataque criminoso e comunicar que outras informações vão ser repassadas às autoridades públicas responsáveis por proteger os indígenas e seus territórios.

Crise humanitária

No início do ano, Júnior tornou-se conhecido nacionalmente, para além do movimento indígena, ao denunciar a grave crise humanitária que o povo yanomami enfrenta, com a investida de garimpeiros e madeireiros contra o território indígena. Homologada há 31 anos, a Terra Indígena Yanomami abrange uma extensa área de Roraima, além de uma parte do estado do Amazonas, totalizando cerca de 9,6 milhões de hectares, onde, segundo o governo federal, vivem mais de 30,4 mil habitantes. Cada hectare corresponde, aproximadamente, às medidas de um campo oficial de futebol.

A partir da segunda quinzena de janeiro, o governo implementou uma série de ações para socorrer comunidades locais e retirar os não-indígenas de áreas exclusivas. O anúncio de medidas ocorreu após a divulgação de imagens de crianças e adultos yanomami desnutridos. Também foi divulgada a informação do Ministério da Saúde, de que, nos últimos anos, ao menos 570 crianças indígenas morreram por desnutrição e outras causas evitáveis. Além disso, só em 2022, foram confirmados 11.530 casos de malária na reserva.

Entre as medidas anunciadas pelo governo, está a declaração de emergência em saúde pública de Importância Nacional para combater à “falta de assistência sanitária” aos yanomami. Militares das Forças Armadas foram mobilizados para distribuir alimentos e prestar atendimento médico aos moradores de comunidades de difícil acesso. A Aeronáutica passou a restringir o acesso aéreo, visando impedir a chegada de novos garimpeiros e, principalmente, o abastecimento dos que já estavam ilegalmente na área. Além disso, as forças de segurança terrestres foram reforçadas para retirar os não-indígenas da reserva.

Comitiva

Há pouco, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, anunciou, nas redes sociais, que já pediu ao Ministério da Justiça e Segurança Pública que determine à Polícia Federal (PF) que investigue o caso. Segundo a ministra, uma comitiva interministerial já está a caminho de Roraima “para reforçar ainda mais as ações de desintrusão [retirada] dos criminosos [da reserva indígena]”.

Sônia também destacou que, embora tenha se agravado nos últimos anos, a invasão criminosa da Terra Indígena Yanomami é um problema histórico. “A situação de invasores na TI Yanomami vem de muitos anos e, mesmo com todos os esforços [que estão] sendo realizados pelo governo federal, ainda faltam muitas ações coordenadas até a retirada de todos os invasores do território”, escreveu a ministra.

Fonte: Agência Brasil

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