Casal de pastores é indiciado por estuprar seis meninas em Roraima

A Polícia Civil de Roraima indiciou na quarta-feira (15) os pastores Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, investigados por suspeita de estuprar ao menos seis meninas em Boa Vista. As vítimas identificadas têm entre 12 e 17 anos.

A investigação afirma que o casal usava a fé e a posição de liderança religiosa para manipular as adolescentes. Os suspeitos teriam convencido as meninas de que os atos sexuais faziam parte de um propósito espiritual e oferecido PIX, jantares e outras vantagens para manter o silêncio.

“As práticas sexuais eram fruto de uma cadeia sistemática de manipulação, abuso de autoridade religiosa, chantagem e coerção psicológica, o que afasta qualquer alegação de voluntariedade e reforça a gravidade dos crimes praticados, em razão do temor reverencial”, afirmou a Polícia Civil.

Wenderson é investigado por estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly responde por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.

A apuração começou em abril, depois da denúncia de uma adolescente de 14 anos. Após esse primeiro relato, outras cinco vítimas disseram à polícia que também tinham sofrido abusos atribuídos ao casal.

A Polícia Civil identificou uma divisão de atuação entre os investigados: Arielly se aproximava das vítimas, enquanto Wenderson utilizava a posição de líder religioso e interpretações de passagens bíblicas para convencê-las de que os atos teriam finalidade espiritual.

No relatório final, a delegada Kamilla Basto, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, disse que o caso envolveu um ambiente de confiança e fé. “Estamos diante de um caso desafiador, especialmente pelo ambiente em que os crimes teriam sido praticados, valendo-se da fé e da vulnerabilidade espiritual das vítimas. O que tornou a investigação particularmente complexa foi o elevado grau de dissimulação dos investigados, que utilizavam justamente a confiança das vítimas como instrumento de dominação e silenciamento”, afirmou.

Os investigadores também apontam que a posição de liderança do casal desencorajava denúncias, pois fiéis e vítimas temiam acusações de rebeldia na igreja. A polícia citou uma regra do estatuto da instituição que previa desligamento de membros que promovessem dissidências ou se rebelassem contra a autoridade religiosa; “Nenhum ambiente e nenhuma posição de autoridade estão acima da lei”, disse a delegada.

A investigação ainda sustenta que Wenderson tentou eliminar provas armazenadas em um celular. Ele teria pedido a uma jovem de 20 anos que destruísse o aparelho com ajuda de uma adolescente e de uma das vítimas; a jovem acabou indiciada por fraude processual e corrupção de menores, e o pastor também teria orientado uma vítima a registrar um boletim de ocorrência falso sobre o desaparecimento do celular.

Fonte: DCM

Governo Lula reage ao tarifaço dos EUA e denuncia ataque à soberania nacional

Governo prepara ação de reciprocidade e culpa família Bolsonaro

 O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com firmeza à decisão do governo dos Estados Unidos, presidido por Donald Trump, de impor tarifas unilaterais de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira (15), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República classificou a medida como um “marco lastimável” nas relações bilaterais e reafirmou que o Brasil defenderá sua soberania por todos os meios previstos no direito internacional.

A nota sustenta que a decisão norte-americana não encontra respaldo econômico nem jurídico e rejeita a utilização da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos como instrumento para pressionar o Brasil. O governo brasileiro também anunciou que recorrerá aos mecanismos da Organização Mundial do Comércio (OMC) e acionará a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional para responder às medidas adotadas por Washington.

Brasil rebate narrativa dos EUA com dados do próprio governo norte-americano

Um dos principais argumentos apresentados pelo governo brasileiro desmonta a justificativa econômica utilizada pelos Estados Unidos.

Segundo a nota, estatísticas oficiais do próprio governo norte-americano mostram que os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos, evidenciando que não há fundamento para alegações de tratamento comercial discriminatório. Além disso, o documento ressalta que, somente em 2025, 76% das importações provenientes dos Estados Unidos ingressaram no Brasil sem pagamento de imposto de importação, enquanto a tarifa média efetivamente aplicada aos produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.

Para o governo brasileiro, esses números desmontam a narrativa de que o Brasil manteria barreiras comerciais injustificadas contra empresas dos Estados Unidos.

Investigação baseada na Seção 301 é considerada ilegítima

Outro ponto central da resposta brasileira diz respeito à própria investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

A nota afirma que o Brasil não reconhece a legitimidade de investigações unilaterais que não estejam amparadas pelas regras multilaterais do comércio internacional, embora destaque que o país participou de todas as etapas do diálogo com as autoridades norte-americanas ao longo do último ano, apresentando informações técnicas para refutar cada uma das acusações formuladas contra o Brasil.

Segundo o governo, foram apresentados elementos que demonstram a inconsistência das alegações relacionadas ao Pix, à regulação das plataformas digitais, ao combate ao desmatamento, ao etanol e às demais áreas questionadas pelos Estados Unidos.

Governo afirma que Pix é patrimônio nacional e critica pressão das big techs

A defesa do Pix ocupa posição de destaque na nota oficial.

O governo brasileiro afirma que o sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central tornou-se uma referência mundial em infraestrutura pública digital e rejeita qualquer tentativa de enfraquecê-lo.

“O PIX é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital”, afirma a nota. Em seguida, o governo acrescenta: “No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas. A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade.”

Ao rebater críticas sobre o meio ambiente, o documento também afirma que, desde 2023, o país reduziu de forma expressiva o desmatamento em todos os biomas, contestando as acusações formuladas por Washington.

Setor privado também rejeitou o tarifaço

A nota revela ainda que a própria consulta pública promovida pelo USTR evidenciou ampla rejeição às medidas adotadas pelos Estados Unidos.

Segundo o governo brasileiro, 63 das 78 manifestações apresentadas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano durante as audiências públicas foram contrárias à imposição das tarifas, indicando que a iniciativa não encontra respaldo nem mesmo entre parcela significativa dos agentes econômicos envolvidos na relação bilateral.

Esse dado reforça o argumento de que o tarifaço possui forte componente político e tende a produzir prejuízos para empresas e consumidores dos dois países.

Plano Brasil Soberano e reação na OMC

Como resposta à escalada comercial, o governo anunciou que o Plano Brasil Soberano será utilizado para proteger empresas, empregos e cadeias produtivas afetadas pelas tarifas.

Ao mesmo tempo, Brasília iniciará imediatamente os procedimentos para aplicar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, além de levar novamente a controvérsia ao mecanismo de solução de disputas da Organização Mundial do Comércio.

A estratégia busca responder às medidas unilaterais dentro do marco do direito internacional, preservando a capacidade de negociação do país e evitando a submissão a pressões externas.

Nota associa ofensiva norte-americana à atuação da família Bolsonaro

Na parte final do documento, o governo faz uma dura crítica à atuação política da família Bolsonaro durante o processo.

Segundo a nota oficial, “é triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”. O texto acrescenta que “são falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”.

A manifestação conclui reafirmando que a defesa da soberania nacional deve estar acima das disputas partidárias: “Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la.”

Fonte: Brasil 247

Flávio Bolsonaro perde apoio entre evangélicos, mulheres, jovens e no Sudeste, mostra Quaest

Detalhamento da pesquisa por região, sexo, idade, renda, escolaridade e religião ajuda a explicar mudança de cenário captada nessa semana, quando Lula abriu vantagem de 6 pontos sobre Flávio no segundo turno.

O pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, perdeu apoio entre evangélicos, mulheres, jovens e na região Sudeste, mostram dados da pesquisa Quaest obtidos pelo g1. O detalhamento por região, sexo, idade, renda, escolaridade e religião ajuda a explicar a mudança de cenário captada nessa semana, quando o presidente Lula abriu 6 pontos de vantagem sobre Lula no 2º turno.

Desde março, Lula e Flávio apareciam em empate técnico na simulação de 2º turno da Quaest. Agora em junho, o petista passou a liderar, com 44% das intenções de voto contra 38% de Flávio.

Entre uma pesquisa e outra, veio à tona a relação de Flávio com o banqueiro preso Daniel Vorcaro. O senador recebeu R$ 61 milhões do dono do banco Master a pretexto de financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, “D

De maio a junho também, os Estados Unidos, de Donald Trump, anunciaram duas medidas que impactam o Brasil: a classificação das facções criminosas CV e PCC como organizações terroristas e o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros. As duas decisões saíram depois de uma visita de Flávio Bolsonaro a Trump e a integrantes do alto escalão do governo americano.

Onde Flávio Bolsonaro perdeu apoio

Dados da Quaest mostram perda de apoio a Flávio Bolsonaro nas regiões Sudeste e no agregado Centro-Oeste/Norte. O Sudeste concentra dois dos maiores colégios eleitorais do Brasil: São Paulo e Minas Gerais.

“Regionalmente, a abertura de vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no cenário de segundo turno aparece com clareza no Sudeste e no agregado Centro-Oeste/Norte. Nos dois casos, a queda de Flávio é maior do que o avanço de Lula, o que sugere perda líquida de apoio do senador nesses recortes”, afirma o diretor da Quaest, Felipe Nunes.

No Sudeste, Flávio Bolsonaro vem em queda desde abril. O senador, que já esteve na dianteira com 12 pontos de vantagem, deixou a liderança na região e agora está em empate técnico com Lula. O presidente mostra tendência de alta desde abril.

Fonte: G1

Operação resgata 29 trabalhadores em condições análogas à escravidão

Os trabalhadores viviam em alojamentos precários, expostos a substâncias tóxicas e sem acesso adequado à água potável

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizou uma operação que culminou no resgate de 29 trabalhadores que viviam sob condições de trabalho análogas à escravidão em pedreiras localizadas na região dos municípios de Sento Sé (BA), Casa Nova (BA), Juazeiro (BA) e Santa Cruz (PE).

Segundo a fiscalização, os trabalhadores eram responsáveis pela extração de pedras utilizadas para a pavimentação, inclusive em obras das prefeituras da região. 

A ação conjunta do MTE e Defensoria Pública da União (DPU) identificou que os trabalhadores eram expostos a condições de trabalho degradantes e viviam em alojamentos com estrutura de lona, dormindo em colchões no chão. A fiscalização revelou ainda que eles não tinham acesso adequado à água potável ou espaços apropriados para fazer suas refeições.

O risco à vida dos trabalhadores era agravado pela falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) e pela exposição a substâncias nocivas à saúde. “Em uma das pedreiras fiscalizadas, a equipe encontrou alimentos armazenados junto a substâncias tóxicas no alojamento. Parte dos equipamentos utilizados nas atividades também foi interditada devido ao risco oferecido aos trabalhadores”, revelou a DPU.

Na última segunda-feira (13) a DPU informou que foram firmados Termos de Ajustamento de Conduta junto às empresas responsáveis pelos trabalhadores. Elas deverão pagar quase R$ 500 mil referentes às verbas rescisórias e indenizações individuais, além de valores no total de R$ 30 mil e R$ 102,5 mil referentes aos danos morais coletivos.

Como denunciar

No Brasil, submeter trabalhadores  a condições análogas à escravidão é crime previsto no Artigo 149 do Código Penal. A legislação caracteriza esse crime por trabalhos forçados, jornadas excessivas, sem remuneração, com privação de liberdade e sujeitando-os a condições degradantes de trabalho. A pena prevista é de 2 a 8 anos, multa, além da pena correspondente à violência. O empregador também é condenado a pagar todos os direitos devidos, além de indenizações por dano moral.  

Segundo dados da Inspeção do Trabalho reunidos pelo Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas (SmartLab), o Brasil contabilizou 65.598 trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão no período de 1995 a 2024.

Denúncias de condições de trabalho análogas à escravidão podem ser registradas de forma anônima no Sistema Ipê, plataforma digital criada pela Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT). Outras ferramentas de denúncia são o aplicativo Pardal, do MPT, o Disque 100 e o aplicativo Direitos Humanos BR.

Fonte: Revista Afirmativa

Anistia Internacional denuncia centenas de mortes em prisões de El Salvador

Prisões do ditador já provocaram centenas de mortes de pessoas que foram presas de forma arbitrária

Centenas de pessoas morreram na prisão e mais de 90 mil foram presas arbitrariamente sob o regime de exceção que sustenta a guerra contra os grupos criminosos em El Salvador, o que constituiria crimes contra a humanidade, denunciou nesta quarta-feira (15) a Anistia Internacional (AI).

O presidente Nayib Bukele, que buscará um terceiro mandato de seis anos nas eleições de fevereiro, governa com amplos poderes e sob um estado de exceção que permite desde 2022 prisões sem mandado judicial. Segundo um relatório da AI, foram documentadas até dezembro sob esse regime “pelo menos 470 mortes em centros de detenção”. 

A ONG salvadorenha Socorro Jurídico elevou o número de mortos até o momento para 547 e alertou que ele pode “superar muito mais de mil”. “Em vários casos, foram registradas lesões incompatíveis com as causas oficiais de morte, ou indícios de violência física e negligência médica”, destacou a AI em seu documento.

Segundo essa ONG, a maioria dos mortos sequer havia sido condenada, e sua vida “dependia inteiramente do Estado”. “Nenhuma dessas mortes levou a uma investigação efetiva” para identificar os responsáveis, ressaltou Ana Piquer, diretora regional da AI, ao apresentar o relatório.

“Há mães que passaram semanas percorrendo prisões sem saber onde estavam seus filhos, pessoas detidas sem saber o motivo, famílias que receberam o corpo de um ente querido sem uma explicação convincente sobre sua morte”, descreveu Ana. O documento também aponta que mais de 90 mil pessoas foram presas arbitrariamente.

As prisões em massa, denúncias sistemáticas de tortura, os desaparecimentos forçados e as mortes sob custódia do Estado “não podem ser entendidas como incidentes isolados, e sim como parte de um padrão de abusos que, devido à sua escala e organização, poderiam constituir crimes contra a humanidade”, enfatiza o relatório. 

A denúncia se soma à de um grupo de juristas internacionais que, em março passado, acusou Bukele de violações graves dos direitos humanos, como a prática de tortura e desaparecimentos, que podem constituir crimes contra a humanidade.

A guerra de Bukele contra os grupos criminosos reduziu a violência a níveis historicamente baixos em El Salvador e tornou o presidente de direita um dos mais populares da América Latina. Mas sua estratégia, simbolizada por uma megaprisão, também é criticada, porque resultou na concentração de todos os poderes do Estado, o que lhe permitiu no ano passado instaurar a reeleição por tempo indeterminado.

Fonte: MSN

Três ex-dirigentes do Previ-Mossoró são condenados por prejuízo de mais de R$ 10 milhões

Sentença determinou a suspensão dos direitos políticos e a proibição de contratar com o poder público, além do dever de ressarcimento ao erário municipal

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) obteve sentença condenatória de três ex-gestores do Instituto Municipal de Previdência Social dos Servidores de Mossoró. A decisão, da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca, integra a ação civil pública (ACP) de responsabilização pela prática de atos de improbidade administrativa na aplicação irregular de verbas oriundas de contribuições previdenciárias realizadas em 2016.

Foram condenados os ex-presidentes Adriano Gentil de Lima, Abraão Dutra Dantas e o ex-diretor de administração e finanças David Azevedo Cruz. Eles responderão por condutas que causaram lesão ao erário em operações financeiras sem a observância de normas legais e regulamentares. O réu Douglas Chaves foi absolvido da acusação, conforme posicionamento do próprio Ministério Público nas alegações finais.

O MPRN apontou que os três condenados transferiram a quantia de R$ 16.199.900,02 para fundos privados que apresentavam características de risco e ausência de histórico consolidado. Antes dessa operação financeira, o montante estava aplicado em fundos geridos por instituições financeiras públicas.

O prejuízo material apurado até junho de 2025 totalizou R$ 10.845.462,00, calculado pela diferença entre os valores investidos e o saldo atual constante na carteira de fundos ilíquidos da autarquia previdenciária.

A Justiça reconheceu a presença de dolo específico nas condutas dos três ex-gestores. Adriano Gentil de Lima exerceu a presidência do instituto e autorizou aportes mesmo após a consultoria financeira contratada emitir parecer técnico contrário e alertar expressamente por e-mail sobre a inadequação dos investimentos naquelas instituições privadas.

David Azevedo Cruz participou como signatário de todas as transferências e atuou como interlocutor direto com a consultoria, pressionando por celeridade nas manifestações e omitindo a análise de mérito em parte das consultas sobre os riscos operacionais.

E Abraão Dutra Dantas, que assumiu a presidência do órgão em período subsequente, efetuou a transferência de R$ 6.999.900,00 para um fundo privado que iniciou as atividades dois dias antes do aporte financeiro.

A movimentação ocorreu dois dias antes do término da gestão municipal, motivada por fatores políticos e sem a busca por orientação técnica da assessoria especializada. Os réus foram condenados à suspensão dos direitos políticos pelo prazo de cinco anos, proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios fiscais e creditícios por cinco anos, e ao ressarcimento solidário dos danos materiais, cujo valor definitivo será fixado em liquidação de sentença por arbitramento.

Fonte: Na Boca da Noite

Alunas de escola cívico-militar são vítimas de crimes sexuais em MG, suspeito é afastado

Um monitor escolar de 23 anos da Escola Municipal Cívico-Militar Três Marias, em São João Nepomuceno, na Zona da Mata mineira, foi demitido após denúncias de dois supostos crimes sexuais contra alunas.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, o funcionário, que não teve o nome divulgado, trabalhava como auxiliar de aprendizagem e tinha vínculo temporário com o município. A nota da pasta pode ser lida na íntegra ao fim desta reportagem.

De acordo com a Polícia Militar (PM), até esta segunda-feira (13), foram registrados dois boletins de ocorrência contra o suspeito: um por estupro de vulnerável contra uma adolescente de 12 anos e outro por importunação sexual contra uma criança de 11 anos.

Até a última atualização desta reportagem, o monitor não havia sido localizado pela PM. Sobre o caso de estupro de vulnerável, a Polícia Civil informou que o inquérito tramita sob sigilo, em observância ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para resguardar a vítima.

“Outras informações serão divulgadas em momento oportuno, para não prejudicar o andamento das investigações”, citou a nota da corporação.

Estupro de vulnerável

Print de conversa entre monitor de colégio civico-militar e mãe de adolescente em São João Nepomuceno — Foto: Reprodução/Redes Sociais

O primeiro boletim de ocorrência foi registrado em 11 de abril deste ano por estupro de vulnerável. Conforme o registro, o monitor chegou a enviar uma mensagem à mãe da adolescente, na qual confirma o que havia ocorrido. A mensagem está na imagem acima.

Ainda segundo o registro, a responsável procurou a PM após encontrar mensagens e fotos enviadas pelo homem no celular da filha. Aos policiais, a menina relatou que manteve relações sexuais com ele em duas ocasiões, em janeiro, e afirmou que o monitor a assediava havia algum tempo.

Importunação sexual

No segundo boletim de ocorrência, registrado em 7 de julho por importunação sexual, o pai de uma menina de 11 anos denunciou que encontrou mensagens enviadas pelo monitor à filha ao verificar o celular dela.

Ao tomar conhecimento da situação, ele procurou o diretor da escola, que dispensou o monitor e comunicou o caso à Secretaria Municipal de Educação de São João Nepomuceno.

O registro também aponta que o pai não encontrou outras conversas entre os dois, mas verificou o envio de fotos em modo de visualização única. O conteúdo das imagens não pôde ser identificado, porque a menina não informou do que se tratava.

Escola Municipal Cívico-Militar Três Marias, em São João Nepomuceno  — Foto: Márcio Sabones/Divulgação

Orientação

Na nota, a Secretaria de Educação também orienta que famílias vítimas de situações semelhantes procurem a polícia e a própria secretaria para que os casos sejam investigados e as medidas legais sejam adotadas.

O que diz a Secretaria Municipal de Educação

“Diante dos fatos noticiados nos veículos de imprensa e nas redes sociais nas últimas horas, sobre suposta conduta ilícita atribuída a um servidor/empregado público no exercício do cargo de Auxiliar de Aprendizagem junto ao Município de São João Nepomuceno, a Secretaria Municipal de Educação esclarece que, após ter tomado conhecimento dos fatos, realizou o desligamento imediato do servidor/empregado público diante da gravidade dos fatos narrados, bem como orientou o pai a realizar o devido registro da ocorrência policial.
Esclarece-se ainda que o servidor/empregado público encontrava-se em vínculo temporário de trabalho com a municipalidade, não havendo até a data de seu desligamento qualquer registro ou informação sobre conduta inadequada por parte do mesmo.
A Prefeitura Municipal vem oferecendo apoio à família envolvida e prestando todas as informações necessárias às forças policiais e ao Ministério Público, visando contribuir para a elucidação dos fatos e aguardando que sejam devidamente tomadas todas as providências necessárias pelas autoridades responsáveis.
Orientamos ainda que todas as famílias que possam também ter sido vítimas de condutas semelhantes procurem as autoridades policiais e a Secretaria Municipal de Educação para que sejam também objeto de investigação e providências legais.
Por fim, manifestamos nossa solidariedade à família e nossa confiança no trabalho do Ministério Público e Poder Judiciário, a quem caberá tratar a questão. Reiteramos nosso compromisso com a transparência, honestidade, responsabilidade e respeito aos direitos das crianças e adolescentes.
Liliane Ribeiro Barroso
Secretária Municipal de Educação”.

Fonte: G1

Aprovação de Lula chega a 48% e supera desaprovação, aponta Quaest

A aprovação do trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a 48% e superou numericamente a desaprovação, registrada por 47% dos entrevistados. Outros 5% não souberam ou não responderam. Os dados são da pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho de 2026.

Como a diferença entre os dois indicadores é de apenas um ponto percentual, o resultado representa um empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Ainda assim, o levantamento mostra uma inversão das posições observadas em junho, quando 47% aprovavam Lula e 48% desaprovavam sua atuação.

A pesquisa ouviu presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de julho. O nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026.

Aprovação mantém trajetória de recuperação

O gráfico histórico da Quaest mostra uma recuperação gradual da avaliação de Lula ao longo dos últimos meses. Em abril, a aprovação estava em 43%, enquanto a desaprovação alcançava 52%. Em maio, os índices passaram para 46% e 49%, respectivamente.

Em junho, a distância caiu para apenas um ponto, com 47% de aprovação e 48% de desaprovação. Agora, em julho, os números se inverteram, com vantagem numérica para os que aprovam o presidente. É a primeira vez, na série apresentada desde julho de 2025, que a aprovação aparece acima da desaprovação.

Na avaliação detalhada do governo, 36% classificam o trabalho de Lula como positivo e outros 36% o consideram negativo. A parcela que avalia a administração como regular permanece em 26%, enquanto 2% não souberam responder.

Mulheres e idosos registram maior aprovação

Entre as mulheres, a aprovação de Lula chega a 50%, contra 44% de desaprovação. No eleitorado masculino, o cenário é inverso: 46% aprovam o presidente e 50% desaprovam.

O governo também apresenta resultado favorável entre os brasileiros com 60 anos ou mais. Nesse grupo, 51% aprovam Lula, enquanto 44% desaprovam. Entre os entrevistados de 16 a 34 anos, a aprovação aparece em 48%, contra 46% de desaprovação.

Já na faixa de 35 a 59 anos, 46% aprovam e 50% desaprovam o trabalho presidencial.

Nordeste concentra maior apoio a Lula

O Nordeste continua sendo a região com maior apoio ao presidente. A aprovação alcança 61%, enquanto 35% desaprovam o governo.

No Sudeste, 44% aprovam Lula e 50% desaprovam. No Sul, a distância é mais ampla: 37% de aprovação e 58% de desaprovação. No agrupamento formado pelas regiões Centro-Oeste e Norte, os índices são de 46% e 49%, respectivamente.

A escolaridade também revela diferenças expressivas. Entre os entrevistados com ensino fundamental, 58% aprovam Lula e 37% desaprovam. No grupo com ensino médio, a aprovação cai para 43%, enquanto a desaprovação chega a 52%.

Entre os brasileiros com ensino superior, 37% aprovam o presidente e 58% desaprovam sua atuação.

Aprovação é maior entre famílias de menor renda

Entre os entrevistados com renda familiar de até dois salários mínimos, Lula registra 58% de aprovação e 37% de desaprovação. Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, 45% aprovam e 50% desaprovam.

Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, a aprovação fica em 41%, enquanto a desaprovação alcança 54%.

Os beneficiários do Bolsa Família também demonstram maior apoio ao presidente. Nesse segmento, 61% aprovam o governo e 32% desaprovam. Entre os que não recebem o benefício, a aprovação é de 45%, ante 51% de desaprovação.

Católicos aprovam; evangélicos mantêm resistência

A pesquisa aponta ainda uma diferença relevante entre grupos religiosos. Entre os católicos, 53% aprovam o trabalho de Lula e 42% desaprovam.

No eleitorado evangélico, 37% aprovam o presidente, enquanto 58% desaprovam. Apesar da diferença, a aprovação nesse segmento avançou nove pontos desde abril, quando estava em 28%.

Entre os eleitores que se classificam como independentes, aprovação e desaprovação aparecem empatadas em 45%. O grupo havia registrado, em março, 32% de aprovação e 58% de desaprovação.

Lula lidera cenários eleitorais

A melhora na avaliação ocorre em paralelo ao avanço de Lula nos cenários para a eleição presidencial. Na pesquisa estimulada de primeiro turno, o presidente aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% do senador Flávio Bolsonaro.

Ronaldo Caiado marca 4%, Renan Santos aparece com 3% e Romeu Zema tem 2%. Indecisos somam 11%, enquanto 8% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam.

Em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula registra 45%, ante 37% do senador. Outros 14% votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, e 4% permanecem indecisos.

Fonte: Brasil 247

ESCRAVIDÃO MODERNA

Por Alexandre Rangel

O trabalho em condições análogas à escravidão é uma das maiores e mais persistentes violações de direitos humanos da nossa era. Embora a escravidão clássica (legalizada e baseada na propriedade jurídica de uma pessoa por outra) tenha sido formalmente abolida ao longo do século XIX, ela se reconfigurou em estruturas modernas de extrema exploração, coerção e degradação da dignidade humana.

1. O que caracteriza o Trabalho Análogo à Escravidão?

Diferente do conceito histórico de “propriedade de um ser humano”, o trabalho análogo à escravidão moderna é definido pela perda da liberdade e da dignidade, independentemente de haver uma “escritura” de posse.

No Brasil, o conceito é rigoroso, de vanguarda internacional, e está tipificado no Artigo 149 do Código Penal. Ele se caracteriza pela ocorrência de qualquer um dos quatro elementos abaixo (não sendo necessária a presença de todos simultaneamente):

  1. Submissão a trabalho forçado: O trabalhador é mantido no serviço sob ameaças físicas, psicológicas ou isolamento geográfico, sem poder se demitir.
  2. Jornada exaustiva: Horários de trabalho absurdamente longos que extrapolam os limites físicos da pessoa, sem descanso suficiente, colocando em risco a sua saúde e a sua vida.
  3. Condições degradantes de trabalho: Alojamentos precários (frequentemente barracos de lona ou currais), ausência de água potável, falta de banheiros, alimentação inadequada e total falta de segurança ou higiene. É o aviltamento direto da dignidade humana.
  4. Servidão por dívida (peonagem): O trabalhador é forçado a comprar alimentos, ferramentas e transporte do próprio empregador por preços abusivos. Ele começa o trabalho já “devendo” e nunca consegue quitar a dívida, ficando preso ao local.

2. O Cenário no Brasil

O Brasil é considerado uma referência internacional no combate ao trabalho escravo devido à criação de ferramentas robustas de fiscalização, embora o problema ainda seja de dimensões alarmantes.

Dados Recentes e Tendências

  • Recorde de Denúncias: O país vem enfrentando uma escalada expressiva nas denúncias. Em 2025, o Brasil registrou o recorde histórico de 4.515 denúncias de trabalho análogo à escravidão (uma alta de cerca de 14% em relação a 2024).
  • Trabalhadores Resgatados: Em 2025, as operações de fiscalização do governo federal resgataram 2.772 pessoas nessas condições, um salto de 38,3% em comparação ao ano anterior.
  • Migração para o Meio Urbano: Historicamente associado ao meio rural (carvoarias, desmatamento, lavouras), em 2025 o cenário inverteu-se drasticamente: 68% das vítimas foram resgatadas no meio urbano. Os setores com maior incidência no ambiente urbano foram as obras de alvenaria e construção civil. No ambiente rural, destacam-se a produção de café, cebola e a pecuária.
  • Histórico acumulado: Desde a criação do sistema de fiscalização em 1995 (com o Grupo Especial de Fiscalização Móvel), o Brasil já resgatou mais de 68 mil pessoas dessa situação.

Principais Ferramentas de Combate no Brasil

  • Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM): Uma força-tarefa que une Auditores-Fiscais do Trabalho, Procuradores do Trabalho (MPT), Defensores Públicos e policiais federais ou rodoviários federais para fiscalizar denúncias in loco.
  • A “Lista Suja” do Trabalho Escravo: Um cadastro mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que publica periodicamente os nomes de pessoas físicas e jurídicas flagradas submetendo trabalhadores a essas condições. Fazer parte dessa lista impede o acesso a financiamentos em bancos públicos e gera fortes sanções comerciais e de reputação.

3. O Cenário Global (Escravidão Moderna)

Em termos globais, a terminologia consagrada internacionalmente pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e por ONGs de direitos humanos é “Escravidão Moderna”. Esse guarda-chuva conceitual abrange tanto o trabalho forçado quanto o casamento forçado.

Números Globais alarmantes

De acordo com o relatório mais recente da organização Walk Free (Global Slavery Index) e da OIT:

  • Cerca de 50 milhões de pessoas vivem em condições de escravidão moderna no mundo em qualquer dia do ano.
  • Desse total, aproximadamente 28 milhões estão submetidas ao trabalho forçado (as outras 22 milhões estão em casamentos forçados).
  • O problema não está diminuindo; houve um aumento de cerca de 10 milhões de pessoas nessa situação nos últimos anos, impulsionado por crises econômicas, conflitos armados, migrações em massa e os impactos das mudanças climáticas.

Cadeias Globais de Suprimentos (A conexão com o consumo)

Muitas vezes, a escravidão moderna está escondida nos produtos consumidos diariamente nas grandes economias mundiais. Países do G20 importam anualmente centenas de bilhões de dólares em produtos considerados de “alto risco” de terem sido produzidos com trabalho escravo.

Setores Críticos GlobaisProdutos de Alto Risco Comum
Tecnologia & EnergiaSourcing de cobalto e minerais na África Central; montagem de eletrônicos e fabricação de painéis solares.
Moda & TêxtilColheita de algodão e confecção rápida de roupas (fast fashion) na Ásia.
AlimentaçãoCultivo de cacau (África Ocidental), óleo de palma (Sudeste Asiático), e pesca comercial em águas internacionais (onde tripulações ficam meses sem pisar em terra, sob extrema violência).
Construção CivilInfraestrutura pesada em países do Oriente Médio e grandes centros urbanos em desenvolvimento.

Tipos de Escravidão Moderna pelo Mundo

  1. Trabalho Forçado Imposto pelo Estado: Ocorre quando governos usam o trabalho de cidadãos de forma compulsória, seja como punição política, abuso de recrutamento militar ou discriminação étnica (ex: denúncias envolvendo minorias em campos de trabalho na China, ou o sistema de recrutamento na Eritreia).
  2. Exploração de Migrantes: Trabalhadores que saem de países pobres em direção a nações mais ricas (como o fluxo da Ásia Meridional para os países do Golfo Pérsico) e têm seus passaportes retidos pelas agências de recrutamento sob a alegação de “taxas de viagem” pendentes.
  3. Exploração Sexual Comercial: Uma vertente brutal que afeta desproporcionalmente mulheres e crianças traficadas entre fronteiras ou dentro de seus próprios países.

4. O que alimenta esse ciclo?

O trabalho escravo moderno não acontece no vácuo; ele é o sintoma de vulnerabilidades estruturais profundas:

  • Pobreza Extrema e Desespero: A necessidade urgente de sustentar a família faz com que indivíduos aceitem promessas de emprego sem garantias ou contratos formais (o chamado “gato” no Brasil, que recruta mão de obra vulnerável).
  • Ausência do Estado: A falta de fiscalização eficaz em áreas remotas ou em periferias urbanas invisibilizadas permite que criminosos atuem com sensação de impunidade.
  • Fluxos Migratórios Desordenados: Migrantes internacionais e refugiados, por não possuírem status de residência legalizado, evitam denunciar abusos por medo de deportação.
  • Complexidade das Cadeias de Produção: Empresas globais terceirizam sua produção em múltiplos níveis. Muitas vezes, a marca que vende o produto final não monitora os fornecedores de matéria-prima na base da pirâmide (ex: o produtor do algodão ou o minerador do silício), onde o trabalho escravo de fato acontece.

Se quiser se aprofundar em algum aspecto específico, posso detalhar o funcionamento jurídico das punições no Brasil ou explorar como a inteligência de dados e a telemetria têm auxiliado no mapeamento do desmatamento e do trabalho escravo rural.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAIS LIDAS