Brasil condena ataques de EUA e Israel ao Irã

Itamaraty criticou ofensiva em meio a negociações, cobrando respeito ao direito internacional

O governo do Brasil condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, neste sábado (28). Em nota, o Ministério das Relações Exteriores expressou grave preocupação com a situação e lembrou que os bombardeios ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes.

Para o Itamaraty, a negociação é o único caminho viável para a paz, “posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz a nota.

O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, está em contato direto com a comunidade brasileira, para transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança. As demais embaixadas brasileiras na região também acompanham os desdobramentos das ações militares, “com particular atenção às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados”.

“Recomenda-se aos brasileiros que estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem”, alertou o Itamaraty.

Israel lançou um ataque contra o Irã no início da manhã deste sábado (28), declarando estado de emergência “especial e imediato” em todo o país, de acordo com informações da agência de notícias Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também confirmou “grandes operações de combate” no Irã com o objetivo de defender o povo americano, “eliminando ameaças iminentes do regime iraniano”.

Na quinta-feira (26), Irã e Estados Unidos haviam retomado as negociações com o objetivo de encontrar uma solução diplomática para a longa disputa sobre o programa nuclear iraniano. Estados Unidos, Israel e outros países ocidentais afirmam que o programa visa a construção de armas nucleares. O Irã nega a acusação.

Fonte: Agência Brasil

Nem Putin, nem Zelensky, nem OTAN!

As “negociações” entre os russos e os ucranianos sob os auspícios dos Estados Unidos – sem a União Europeia – continuam sem resultados.

Os fatos são as baixas militares e civis. Os números oscilam conforme a fonte, entre 140 mil mortos do lado ucraniano e 300 mil mortos do lado russo, chegando a milhões com os feridos e desaparecidos. Só de desertores, há 250 mil ucranianos, sobretudo do começo, e 120 mil na Rússia onde vem crescendo.

Zelensky exige armas e financiamento porque “Putin não quer um cessar-fogo”. Os países da UE estão envolvidos em uma escalada que leva a um aumento nos lucros da indústria armamentista. Os EUA, desde Biden, faturam alto com a guerra.

A UE, para quem Trump quer terceirizar, decidiu dar 90 bilhões de euros à Ucrânia em 2026, alimentando a guerra e a corrupção.

É tão flagrante que o Ministro da Energia denunciado por ter desviado milhões, teve que renunciar. No último dia 14, foi interceptado pela na fronteira tentando fugir da justiça. Na Rússia, segundo a imprensa, a economia está em desaceleração devido às sanções, afetando ainda mais a população russa.

Enquanto isso, ambos os lados se bombardeiam: a Rússia ataca instalações de energia ucranianas, e a Ucrânia, instalações de petróleo russas.

Até quando?

Desde 24 de fevereiro de 2022, com a entrada das tropas de Putin na Ucrânia, a guerra devasta a Europa Oriental.

No último dia 19 de fevereiro, o chanceler Friedrich Merz foi um dos poucos líderes políticos a declarar abertamente o que muitos líderes militares pensam em particular: “Esta guerra só terminará quando um dos lados estiver exausto, militar e economicamente.”

A realidade é que o progresso militar na frente de batalha é microscópico. A Rússia em 2 anos ampliou a área anexada em 1,5% do território da Ucrânia ao preço de muito sangue.

Não há “campos”, há oligarcas

Quatro anos deveriam ser suficiente para desarmar a armadilha ideológica de apoiar um “campo” nesta guerra.

Mas persistem na esquerda defensores de Zelensky, líder da “nação oprimida”, igualada à Palestina. Como se ele não fosse um boneco da OTAN, oriundo da mesma oligarquia dirigente russa, que suspendeu direitos e garantias.

Ainda persistem defensores de Putin, como se fosse “progressista”, uma continuação da URSS, como se o capital não tivesse sido restaurado na Rússia.

A realidade é que cada vez mais, o objetivo não é mais vencer, mas destruir e infligir o máximo de mortes possível ao outro lado.

Não se vê uma saída, e as deserções aumentam do lado russo, onde a guerra vai ficando mais impopular.

É tanto, que uma lei aprovada em 17 de fevereiro permite ao FSB (“herdeira” da KGB) desconectar a internet e bloquear e-mail. Isso impedirá que alguém receba informações, reforçará o isolamento e facilitará a propaganda.

É preciso acabar a guerra com uma paz justa e duradoura. Mas a força necessária para tanto reside nos de baixo, nos povos que não querem guerra.

Nos meios anti-guerra europeus, se discute uma ajuda efetiva nesse sentido, que é o acolhimento dos desertores, cuja expansão, como em outras guerras terríveis, enfraqueceu a aventura e apressou o fim do conflito.

Disse um desertores numa reunião pública: “Realizar uma campanha em apoio aos desertores, ajudando-os a obter documentos, nos ajudaria a encontrar um caminho alternativo ao Ocidente (OTAN). Esta é uma proposta para todos aqueles que desejam o fim da guerra.”

É uma questão de solidariedade colocada.

Markus Sokol, Comitê Nacional do DAP

Fonte: petista.org.br

Estudo da Unicamp estima que fim da escala 6×1 pode gerar até 4,5 milhões de empregos

Um estudo da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), divulgado hoje pelo Governo Federal, estima que reduzir a jornada semanal pode abrir espaço para até 4,5 milhões de empregos no Brasil, em meio ao debate sobre o fim da escala 6×1.

O que aconteceu

Levantamento é assinado pela economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho). Ela calculou que a redução de 44 para 36 horas semanais teria potencial de criar até 4,5 milhões de vagas e elevar a produtividade em cerca de 4%.

Estudo integra o chamado ‘Dossiê 6×1’, elaborado por 63 autores e composto por 37 artigos. O material reúne professores, pesquisadores, auditores fiscais do Trabalho e representantes sindicais para discutir impactos econômicos e sociais de mudanças na jornada.

Marilane afirma que país tem condições de reduzir tempo de trabalho sem repetir previsões de queda do PIB ou de quebra de empresas. “Não vai ser agora, com avanços tecnológicos, num contexto de pleno emprego, com crescimento econômico e o nível de tecnologia que temos, que não vai ser possível no Brasil reduzir para 40 horas”, disse a pesquisadora do Cesit/Unicamp.

Dossiê usa dados da Pnad Contínua do IBGE para contestar ideia de que brasileiro trabalha pouco. Segundo o documento, cerca de 21 milhões de pessoas cumprem jornada acima das 44 horas previstas na CLT, e 76,3% dos ocupados trabalham mais de 40 horas por semana.

Pesquisadora também aponta custos de saúde associados à sobrecarga. O dossiê registra que, em 2024, houve meio milhão de afastamentos por doenças psicossociais ligadas a condições desfavoráveis de trabalho, considerando apenas o emprego formal.

Texto estima alcance de diferentes modelos de redução. A adoção de escala 4×3 atingiria diretamente 76 milhões de trabalhadores, enquanto a migração para 40 horas semanais em escala 5×2 beneficiaria cerca de 45 milhões, de acordo com o dossiê.

Governo tenta levar discussão ao Congresso

Tema entrou na agenda do governo e a discussão envolve Congresso, empresários e trabalhadores. Em entrevista no início do mês, o presidente Lula questionou: “Com os avanços tecnológicos que o Brasil teve, acha que é necessário as pessoas trabalharem na mesma jornada que trabalhavam há 40 anos?”.

Lula disse que mudança precisa dialogar com realidade de quem enfrenta longos deslocamentos e rotinas extensas. “Um jovem, uma menina, não quer mais se levantar às 5h da manhã e ficar até 6h da noite dentro de uma fábrica pegando ônibus lotado. Com o avanço tecnológico, a produção aumentou muito.”, afirmou.

Fonte: Uol

Corregedoria Nacional de Justiça suspende levantamento de R$ 331 milhões em Alagoas

A Corregedoria Nacional de Justiça determinou, nesta terça-feira (24/2), o sobrestamento imediato de qualquer levantamento de valores decorrente de decisões proferidas nos Agravos de Instrumento n. 0801912-60.2026.8.02.0000 e n. 0801809-53.2026.8.02.0000, no âmbito do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL). A medida cautelar interrompe a liberação de R$ 331.568.997,90 em favor de herdeiros e advogados do Espólio de João José Pereira de Lyra, após decisão monocrática de desembargador que autorizava o pagamento direto pela secretaria do Tribunal, ignorando o juízo natural da execução.

O ministro corregedor, Mauro Campbell Marques, fundamentou a intervenção excepcional no risco iminente à integridade do patrimônio da massa falida e à ordem processual, visto que o processo tramita há 18 anos e a liberação de vultosa quantia em espécie poderia comprometer o pagamento de credores preferenciais. A decisão destaca a gravidade da substituição de dinheiro vivo pela penhora de equipamentos industriais da Usina Guaxuma, o que demanda cautela extrema para evitar o exaurimento de ativos antes da devida consolidação do quadro de credores.

Além da suspensão dos pagamentos, foi determinada a realização de correição extraordinária imediata no gabinete do Desembargador Carlos Cavalcanti de Albuquerque Filho e na 1ª Vara Cível de Coruripe/AL para auditar a regularidade dos cálculos e a ordem de preferência dos credores. Paralelamente, instaurou-se Pedido de Providências contra o referido desembargador e as magistradas Veridiana Oliveira de Lima e Nathália Silva Viana, visando apurar eventuais irregularidades disciplinares e administrativas na condução do feito, que passará a tramitar sob sigilo.

Fonte: Agência CNJ de Notícias

UM BASTA NO FEMINICÍDEO

Paulo Memória Alli é jornalista, cineasta e escritor

Esta semana tivemos o desfecho do caso que envolveu o assassinato da então Vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL), com quem sempre tive uma relação fraternal nos muitos anos em que militei na política carioca e fluminense. Este é um momento emblemático para falarmos deste delicado assunto, que precisa de políticas específicas e urgentes na sua resolução. Estamos falando da prática nefasta do feminicídio em nosso pais. Passamos por um momento onde podemos observar um aumento significativo da violência contra as mulheres no Brasil.

Segundo O Mapa da Segurança Pública de 2025, divulgado pelo Ministério da Justiça em junho passado, os atentados cometidos contra as mulheres em nosso país em 2024 aumentaram 0,69% em relação a 2023, com o inaceitável número 1.459 feminicídios, o que representa o expressivo número de 4 mortes diárias e um aumento de 16,1% das tentativas de assassinatos de vítimas do sexo feminino, que representaram 8.648 casos no ano passado, ou seja: 23, 6 investidas de homens contra as mulheres por dia. A média nacional de feminicídios no Brasil, portanto, é de 1,34 para cada 100 mil mulheres.

Já os crimes sexuais registraram 83.114 casos de estupros nacionalmente, uma média de 227 agressões diárias, sendo 86% praticadas contra o gênero feminino. Estes dados revelam a prioridade na valorização das mulheres, em relação a um grave problema social, que revela, mais do que uma transgressão, uma deformação que coloca em questionamento o sistema judiciário brasileiro, o aparelho de segurança pública e os programas de saúde mental em nosso país. É premente darmos voz às muitas dessas histórias silenciadas, resultando no sofrimento de milhares de famílias em todo território nacional, que convivem cotidianamente com essa realidade de vidas brutais e covardemente interrompidas pela violência praticadas por homens contra as mulheres, por terem, na maioria as vezes, a certeza da impunidade pelos crimes cometidos.

O feminicídio é uma clara violação contra os direitos das mulheres e em total desacordo, mais amplamente, aos próprios direitos humanos, que afetam não apenas as vítimas que sofrem esta violência, atingindo também as famílias e as comunidade que convivem com este cenário de crueldade e constrangimento. As tratativas para enfrentar este contexto, exige uma abordagem multidisciplinar, promovendo o engajamento da sociedade como um todo, contribuindo para a busca de soluções para este problema, que tem aumentado, significativamente, ao longo dos últimos anos. Só mudaremos esta conjuntura, por intermédio da cultura, educação, conscientização e políticas públicas consistentes.

Entendemos que este é um momento propício para uma reflexão crítica sobre o tema, com as denúncias e divulgação desta realidade de forma permanente, mas que ainda é postergada e negligenciada pelas esferas dos poderes constituídos: o executivo, o legislativo e o judiciário. Precisamos de leis cada vez mais rigorosas contra a prática desses crimes, com um sistema de justiça mais rígido na manutenção das condenações dos que cometerem delitos desta natureza e com um aparato de segurança cada vez mais exclusivo no combate à este tipo de violência.

Um dos aspectos destas políticas públicas a que me refiro, é o de promover a conscientização da sociedade brasileira em relação a esta temática, bem como as traumáticas consequências por ela proporcionada. Necessário se faz a abertura de um espaço de manifestação e ações concretas em relação a este problema que atinge milhões de famílias e lares brasileiros. A atualização sobre a questão do feminicídio deve ser constante, analisando suas causas estruturais, as dimensões das suas sequelas sociais e discutindo as melhores formas de prevenções para contê-las. Aprofundar uma maior meditação e ponderações sobre a urgência desta questão, é uma outra abordagem sobre este tema tão sensível a população brasileira.

É preciso a união de todos os segmentos da sociedade civil organizada nacional, que devem interagir na busca de respostas, com a participação de diversas instituições de defesa da mulher, mobilizando ativistas da causa de defesa das mulheres, que compõem o amplo arco de constituição do movimento feminista nacional, bem como os profissionais das áreas de assistência social, segurança pública e de saúde mental psiquiátrica, em parceria com as vítimas de tentativas desta forma de crime e seus familiares, contando ainda com a colaboração de outros agentes que integram a imensa cadeia de discussão a respeito deste assunto inadiável em nosso país.

Como podemos constatar, a violência contra o sexo feminino no Brasil tem aumentado significativamente nos últimos anos, sobretudo após a consolidação do discurso da extrema direita, que normalizou a perigosa combinação do machismo com a misoginia, que passaram a ser ações complementares, naturalizando a prática do feminicídio como algo aceitável socialmente, motivado, sobretudo, por questões de gênero, inclusive em relação a homossexualidade, uma vez que constatamos também o aumento de mortes violentas da população LGBTQUIA+ em nosso país.

Resta claro que a vida de Marielle não terá sido em vão. Mesmo que as motivações do seu assassinato sejam relativamente divergentes do feminicídio clássico e esteja muito mais próximo do crime político, a morte dela expressa e desmascara a violência de gênero que se pratica impunemente em nosso país.

A condenação dos executores e mandantes de uma vereadora negra, favelada, lésbica e de esquerda, revela uma mudança de paradigma da impunidade e pode ser recebida como um avanço significativo da quebra de certas normas estabelecidas pelo patriarcado machista que ainda domina o arcabouço do nosso sistema político e ideológico, muito embora, pelo menos para mim, este crime ainda não esteja totalmente elucidado. Existem ainda muitos elementos soltos para encerrá-lo

Evidentemente que ainda temos muito a fazer para diminuir os assassinatos covardes que ocorrem cotidianamente em todo território nacional. Com certeza, no tempo em que escrevo este artigo, algumas mulheres em todos os recantos do Brasil, estão sendo vítimas de abusos morais ou sexuais em seus locais de trabalho ou de convivência, outras estão sofrendo tentativas de estupros dentro dos seus próprios lares, por um homem muito próximo do núcleo familiar da vítima e passando por situações de violência doméstica, quando não, na pior das hipóteses, sendo assassinadas pelos proprios maridos e companheiros em geral, que, em tese, deveriam proteger suas esposas, ao invés de lhes infligir humilhações,sofrimentos e morte. O Brasil precisa de resposta para este cenário e soluções definitivas para este grave problema. É necessário darmos um retundo basta de feminicídio!

PF afasta Eduardo Bolsonaro de cargo por faltas não justificadas

Ex-deputado pode ser demitido ao fim de processo administrativo disciplinar. Eduardo está morando nos EUA desde o início de 2025

A Polícia Federal (PF) determinou, nesta quinta-feira (26/2), o afastamento do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) do cargo de escrivão da corporação até a conclusão de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e formalizada por meio de portaria assinada pelo corregedor regional da PF no Rio de Janeiro.

O PAD foi instaurado no fim de janeiro para apurar faltas não justificadas de Eduardo ao posto na delegacia da PF em Angra dos Reis (RJ)A investigação vai analisar se houve abandono de cargo.

A portaria determina que Eduardo entregue a carteira funcional e a arma de fogo institucional ao chefe imediato no prazo de cinco dias úteis, salvo decisão em contrário da autoridade responsável pelo caso.

Mandato cassado e retorno à PF

Réu no STF

O ex-parlamentar está nos Estados Unidos desde março do ano passado e afirma que não retornará ao Brasil por se considerar alvo de perseguição política.

No dia 19 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) formalizou ação penal contra Eduardo por obstrução de Justiça e coação, tornando-o réu.

Em novembro do ano passado, a Primeira Turma da Corte aceitou denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na peça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Eduardo teria atuado de forma reiterada para submeter interesses da República a objetivos pessoais e familiares.

Com a abertura da ação penal, o ex-deputado deverá apresentar defesa e indicar testemunhas. Ao final do processo, os ministros do STF decidirão pela absolvição ou condenação.

Fonte: Metrópoles

PF combate ação de grupo que abastecia garimpos ilegais na Terra Indígena Sararé

A operação cumpre três mandados de prisão preventiva das lideranças do grupo, além de quatro mandados de busca e apreensão

Cáceres/MT. A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira (24/2), mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva nos municípios de Pontes e Lacerda/MT, de Vila Bela da Santíssima Trindade/MT e de Aripuanã/MT, com o objetivo de combater a comercialização ilegal de combustíveis que abastecem a cadeia produtiva de garimpos ilegais na Terra Indígena Sararé.

A operação cumpre três mandados de prisão preventiva das lideranças do grupo, além de quatro mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados. As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Cáceres/MT.

A investigação teve início com fiscalização realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), contando com o apoio logístico e de segurança da Polícia Federal e da Funai aos agentes de fiscalização. A ação abrangeu postos de abastecimento legalizados nos municípios de Conquista d’Oeste e de Pontes e Lacerda, além de fazendas que possuíam reservatórios de combustíveis.

Durante a ação, foi flagrado o armazenamento e a venda ilegal de óleo diesel, combustível normalmente utilizado em maquinários de grande porte, em fazenda localizada a poucos quilômetros de garimpo ilegal. Na ocasião, foram apreendidos 15 mil litros de óleo diesel e um reservatório de 15 m³.

Em continuidade ao inquérito instaurado, a ANP, na condição de órgão fiscalizador, forneceu elementos que subsidiaram o aprofundamento das investigações. Apurou-se que o grupo criminoso adquiriu mais de 4 milhões de litros de diesel no período de 21 meses.

Após o cumprimento das ordens judiciais, os elementos de informação colhidos serão analisados, a fim de corroborar os indícios iniciais e identificar outros envolvidos nessa atividade ilegal.

Fonte: Gov

Desembargador do TJGO é aposentado pelo CNJ por assédio sexual

Um desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) foi aposentado compulsoriamente por assediar uma colaboradora do órgão. As acusações foram julgadas procedentes por unanimidade pelos conselheiros e pelas conselheiras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), durante sua 2ª Sessão Ordinária de 2026, realizada nesta terça-feira (24/2).

Em abril de 2021, o desembargador Orloff Neves Rocha, às vésperas de sua aposentadoria voluntária, solicitou atendimento técnico para a formatação de computador de seu gabinete. A demanda foi atendida por uma colaboradora terceirizada do tribunal. Entre os atos de assédio, ele propôs um encontro fora do tribunal e tentou beijá-la.

A colaboradora voltou ao seu setor e relatou o fato a seus superiores, que ofereceram apoio e acolhimento à vítima. Ela registrou uma denúncia na delegacia, sob o crime de importunação sexual, que prevê pena de um a cinco anos de detenção.

Para o relator do Processo Administrativo Disciplinar 0002264-14.2023.2.00.0000, conselheiro João Paulo Schoucair, a conduta violou os deveres impostos à magistratura, com afronta aos deveres de integridade, dignidade, honra e decoro, configurando a prática de assédio sexual. Ele também reafirmou a importância da palavra da vítima, apesar de o fato ter ocorrido em ambiente reservado.

Em seu voto, Schoucair indicou que a aposentadoria voluntária deve ser transformada em aposentadoria compulsória, o que foi acompanhado pela maioria. A decisão será encaminhada ao Ministério Público do Goiás e à Procuradoria do Estado para que promovam ação cabível e, se for procedente, que o desembargador perca a aposentadoria.

Os conselheiros e as conselheiras comentaram a decisão. A conselheira Jaceguara Dantas, supervisora da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres do CNJ, afirmou que a decisão é uma resposta institucional firme e inequívoca ao combate ao assédio, como prevê a Resolução CNJ 351/2020, que visa um trabalho seguro no Judiciário, pautado na alteridade e no respeito à integridade humana. “Estamos em 2026 e ainda vemos situações como essa, assim como a violação da vida, da integridade física e psíquica das mulheres”, destacou.

Já o conselheiro Fábio Esteves, que é o supervisor da Política de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral e Sexual no âmbito do Poder Judiciário, reforçou que a decisão fortalece a reflexão e a atuação do CNJ nesse tema. Ele informou ainda que as comissões de assédio instituídas pelos tribunais de justiça serão revitalizadas por meio de formação para os membros desses colegiados. Os canais de denúncia também serão consolidados, garantindo que não haja revitimização e que sejam alcançados resultados, com punição dos agressores. “A resolução foi recentemente atualizada e há uma preocupação com a interseccionalidade em relação às lentes que serão utilizadas para essas questões”, afirmou.

Fonte: CNJ

STF condena irmãos Brazão por assassinato de Marielle

Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.

Votaram a favor da condenação o relator, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. A pena dos criminosos será definida ao final do julgamento.

Os ministros também votaram pela condenação do ex-PM major Ronald Paulo Alves Pereira e do ex-assessor Robson Calixto Fonseca pelos mesmos crimes atribuídos aos irmãos Brazão: duplo homicídio e tentativa de homicídio, além de organização criminosa.

Em seu voto, Moraes sustentou que não há dúvidas sobre o papel dos irmãos como mandantes do crime. Segundo ele, a atuação de Marielle contra loteamentos irregulares em áreas dominadas por milícias atingiu interesses econômicos e políticos ligados ao grupo.

O ministro afirmou que os réus utilizavam a estrutura desses territórios como base de poder e que o assassinato teve relação direta com a preservação dessas atividades.

“Se juntou a questão política com a misoginia, com o racismo, com a discriminação. Marielle Franco era uma mulher preta, pobre, que estava, diremos, no popular, peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? E na cabeça misógina, preconceituosa de mandantes e executores, quem iria ligar para isso? Uma cabeça de cem anos, 50 anos atrás: ‘vamos eliminá-la e isso não terá grande repercussão’. E na própria delação, citarei trechos aqui, o colaborador Ronnie Lessa diz da preocupação dos mandantes com a repercussão, eles não esperavam tamanha repercussão, e a partir disso uma série de queimas de arquivos”, declarou o relator.

Moraes também afirmou não haver “dúvidas” sobre a ligação dos réus com milícias que atuam na zona oeste do Rio. “Eles não tinham só contato com a milícia, eles eram a milícia, eles participavam da milícia”, disse. De acordo com o ministro, a organização continuaria operando em Jacarepaguá, mantendo influência territorial e política.

No caso do ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, a maioria votou pela absolvição quanto aos homicídios, por ausência de provas suficientes para confirmar a participação direta no atentado. O relator, porém, entendeu que ficaram comprovados crimes de obstrução de Justiça e corrupção passiva durante sua gestão.

A ministra Cármen Lúcia também fez considerações sobre o impacto do crime. “Este processo, como eu já comentei com alguns, tem me feito muito mal. Muito mal espiritualmente, muito mal psicologicamente, muito mal até fisicamente nessas últimas semanas que eu leio e releio e assisto documentos e assisto vídeos sobre tudo que se passou […] Mas eu quero deixar claro que, neste caso, se alvejou uma mulher, se baleou um trabalhador, pai de família, feriu-se outra mulher e essa rajada de submetralhadora que riscou à noite, estilhaçou não apenas os corpos dessas pessoas, feriu o Brasil inteiro.”

Familiares dos réus e das vítimas acompanharam a sessão. De um lado, parentes dos irmãos Brazão; de outro, a ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, irmã de Marielle, além dos pais da vereadora, sua filha e a viúva Mônica Benício.

A esposa de Anderson Gomes também esteve presente. Na etapa anterior do julgamento, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, defendeu a condenação dos cinco réus, enquanto as defesas questionaram a delação de Ronnie Lessa e sustentaram falta de provas.

Fonte: DCM

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