PM é preso por estupro de adolescente de 13 anos em SP

Um policial militar da reserva foi preso acusado de estuprar uma adolescente de 13 anos em Peruíbe, no litoral paulista.

O caso teria acontecido no sábado (1º) na casa do acusado. Ele convidou familiares e vizinhas para beber em casa, e uma das convidadas notou o sumiço da filha de 13 anos.

Ao procurar a menina, ela a teria encontrado com sangramento genital e um estado de vulnerabilidade que poderia ser causado por álcool ou drogas, e o policial estaria acima da menina.

A mãe, então, começou a gritar, e o policial fugiu de carro do local. A mãe então foi até o Distrito Policial registrar o boletim de ocorrência. O filho do suspeito entrou em contato com o pai, que se entregou. Ele foi detido no Batalhão da PM.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou a prisão, mas não deu detalhes. “O caso é investigado pela delegacia da cidade. Demais detalhes serão preservados devido à natureza do crime”.

Fonte: Metrópoles

Eduardo Bolsonaro se desespera com possível apreensão de seu passaporte

Foragido nos EUA, o blogueiro Allan dos Santos já aconselha o filho de Jair Bolsonaro a não retornar ao Brasil para não ser preso

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está em pânico diante da possibilidade de ter seu passaporte apreendido e ser investigado e até mesmo preso por conspiração contra o Brasil. Em uma série de declarações nos últimos dias, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro intensificou ataques contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tenta se vitimizar por ser alvo de representações na Procuradoria-Geral da República (PGR).

Eduardo Bolsonaro viajou ao menos três vezes aos Estados Unidos desde a posse do presidente Donald Trump, em janeiro, e segue no país da América do Norte – abandonando completamente seu “trabalho” como deputado federal em Brasília. Ele tem articulado com políticos do Partido Republicano sanções contra o próprio país e tentando impedir a entrada de Moraes em território americano. Essa conduta resultou em ações recentes contra ele no Conselho de Ética da Câmara e na PGR, protocoladas por deputados petistas, que pedem a cassação de seu mandato e apreensão de passaporte por crime de lesa-pátria e tentativa de coação ao Judiciário brasileiro.

Diante da iminência de Eduardo Bolsonaro ter seu passaporte apreendido ou ser preso, o blogueiro foragido Allan dos Santos, que fugiu para os EUA para evitar o cumprimento de ordem de prisão no Brasil, não hesitou em aconselhar Eduardo a permanecer no exterior. Em uma publicação curta, mas reveladora, o extremista de direita escreveu: “O @BolsonaroSP não deveria voltar para o Brasil.” O recado, vindo de alguém que já buscou refúgio nos EUA para escapar da Justiça brasileira, escancara o temor de que o deputado bolsonarista possa acabar atrás das grades caso retorne ao país.

Eduardo Bolsonaro, por sua vez, parece cada vez mais acuado. Em um vídeo publicado nesta segunda-feira (3), tentou minimizar sua atuação contra o Brasil no exterior e disparou ataques a Moraes. Em tom de indignação, afirmou:

“Obviamente, isso não tem nada a ver com a possibilidade de eu ser presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Afinal de contas, eles sabem que nessa posição, muitas portas, não só nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro, se abririam para mim. E é um perigo para todo regime uma pessoa denunciar os crimes que esse regime tem feito”. 

Além de tentar se apresentar como vítima, Eduardo usou a retórica conspiratória para sugerir que Moraes estaria manipulando os processos contra ele em conluio com deputados petistas.

A postura do parlamentar destoa do tom desafiador que adotava anteriormente. Em outra gravação recente, em que tentava se mostrar valente, chegou a dizer que só seria silenciado se “mandassem cortar sua língua”. Agora, com a recomendação explícita de Allan dos Santos para que não volte ao Brasil, a narrativa mudou: o que antes era um embate “pela liberdade” parece estar se transformando em medo real da cadeia

A PGR analisa a possibilidade de apreensão do passaporte de Eduardo Bolsonaro e, caso a medida seja deferida, ele poderá perder o direito de continuar viajando aos Estados Unidos para conspirar contra o Brasil. A representação apresentada pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) acusa o filho de Bolsonaro de atentar contra o interesse nacional e buscar embaraçar investigações conduzidas pelo STF que apuram tentativa de golpe de Estado e que devem levar o pai do deputado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, à cadeia. 

Entenda 

Na última quinta-feira (27), o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou uma representação à PGR solicitando uma investigação contra Eduardo Bolsonaro. No documento, ele pede que o Ministério Público Federal adote providências contra o deputado do PL e avalie a apreensão de seu passaporte, impedindo-o de continuar viajando aos EUA para conspirar contra o Brasil.

Correia argumenta que Eduardo Bolsonaro “patrocina, em Estado estrangeiro, retaliações contra o País e também contra um dos integrantes do Supremo Tribunal Federal”, além de buscar “causar embaraço à investigação em curso no STF”.

A representação cita uma reportagem da Fórum revelando que Eduardo Bolsonaro já esteve nos EUA ao menos três vezes desde a posse de Donald Trump, em 20 de janeiro de 2025, articulando com deputados republicanos a aprovação de um projeto de lei para impedir a entrada de Alexandre de Moraes no país. O documento foi aprovado em um Comitê da Câmara dos EUA e segue agora para votação no plenário da Casa Legislativa americana.

Correia argumenta que a conduta do filho de Bolsonaro pode ser enquadrada como crime contra o interesse nacional e cita os artigos 2º da Lei 12.850/2013, que trata de organização criminosa, e o artigo 344 do Código Penal, que pune a coação no curso do processo.

Ação no Conselho de Ética

O PT, representado pela presidenta Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), ingressou, também na última quinta-feira (27), com pedido de abertura de procedimento para investigar uma possível quebra de decoro parlamentar de Eduardo Bolsonaro por conspirar contra o Brasil na articulação que tem feito junto a parlamentares republicanos e o governo Trump nos EUA.

Na representação, entregue ao presidente da Câmara Hugo Motta, o PT pede a “abertura de processo ético disciplinar, por quebra de decoro parlamentar do Deputado ora Representado” para ser analisado “à luz das penalidades descritas no art. 10 do Código de Ética e Disciplina Parlamentar”.

O artigo citado prevê quatro penalidades ao deputado, caso seja condenado: censura verbal ou escrita, suspensão de prerrogativas regimentais por até seis meses, suspensão do exercício do mandato por até seis meses ou perda de mandato.

Fonte: Revista Fórum

Prêmio para ‘Sem Chão’ incomoda o governo de Israel e seus aliados

Os codiretores, o ativista palestino Basel Adra e o jornalista israelense Yuval Abraham, passaram cinco anos fazendo o filme, que mostra soldados israelenses destruindo casas e despejando moradores para criar um campo de treinamento militar e a invasão de colonos judeus na comunidade palestina.

“Sem Chão” (No Other Land, no título original), um filme sobre o deslocamento de uma comunidade palestina em Israel, ganhou o Oscar de melhor documentário no domingo, e seus diretores fizeram um apelo ao mundo para ajudar a acabar com o conflito e acusaram os Estados Unidos de bloquear uma solução. A premiação, para o ministro da Cultura de Israel, Miki Zohar, trata-se de “um momento triste para o mundo do cinema”, disse, visivelmente incomodado com a repercussão mundial do atos extremistas levados pelas forças israelenses aos palestinos.

Os codiretores, o ativista palestino Basel Adra e o jornalista israelense Yuval Abraham, passaram cinco anos fazendo o filme, que mostra soldados israelenses destruindo casas e despejando moradores para criar um campo de treinamento militar e a invasão de colonos judeus na comunidade palestina. A premiação também foi mal recebida na Casa Branca, aliada a Tel Aviv.

O documentário destaca as realidades paralelas em que os dois amigos vivem — Abraham com sua placa amarela israelense que o deixa viajar para qualquer lugar, Adra confinado em um território que só fica menor para os palestinos.

Gaza

“‘Sem Chão’ reflete a dura realidade que temos enfrentado por décadas e ainda resistimos enquanto pedimos ao mundo que tome medidas sérias para acabar com a injustiça e a limpeza étnica do povo palestino”, disse Adra ao subir ao palco.

Ao lado de seu codiretor, Abraham acrescentou: “Fizemos este filme, palestinos e israelenses, porque juntos nossas vozes são mais fortes. Nós vemos uns aos outros, a destruição atroz de Gaza e seu povo, que deve acabar, os reféns israelenses brutalmente capturados no crime de 7 de outubro, que devem ser libertados”.

Ainda Estou Aqui vence Oscar de melhor filme estrangeiro

O cinema brasileiro fez história na noite de hoje (3) na 97ª edição do Oscar, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, foi o grande vencedor na categoria de melhor filme internacional. Uma conquista inédita para o cinema brasileiro. 

O filme brasileiro superou Emilia Pérez (França), A Semente do Fruto Sagrado (Alemanha), A Garota da Agulha (Dinamarca) e Flow (Letônia).

Walter Salles dedicou a conquista para Eunice Paiva, esposa do ex-deputado Rubens Paiva desaparecido na ditadura, cuja busca em saber o destino do marido norteou o roteiro do filme. Em seu discurso de agradecimento, o cineasta brasileiro também ressaltou os trabalhos de Fernanda Torres, e sua mãe, Fernanda Montenegro.

Indicado também para a estatueta de melhor filme, Ainda Estou Aqui perdeu para Anora, maior vencedor da festa com cinco estatuetas no total.

Fernanda Torres, indicada ao prêmio de melhor atriz, não levou a estatueta, que acabou nas mãos de Mikey Madison, de Anora. Mesmo assim Fernanda Torres entra na história do cinema repetindo sua mãe, Fernanda Montenegro, que foi indicada na edição de 1999 do Oscar como melhor atriz, mas a laureada foi a estadunidense Gwyneth Paltrow.

Clima de Copa do Mundo

A coincidência das datas da maior premiação do cinema com o carnaval brasileiro acabou em clima de torcida da Copa do Mundo. Máscaras de Fernanda Torres e de Selton Mello (intérprete de Rubens Paiva), fantasias da estatueta dourada do prêmio, boneco gigante de Olinda, entre outras referências ao Oscar, estiveram presentes em desfiles e blocos carnavalescos pelo país inteiro.

Com suas indicações, o filme de Walter Salles sobre o desaparecimento do deputado Rubens Paiva (1929-1971) e a saga de sua esposa Eunice Paiva (1929-2018) já chegou vitorioso à festa da indústria cinematográfica.

Especialistas consultados pela Agência Brasil disseram que, entre as qualidades do filme, estão a capacidade de abordar o passado de uma forma diferente e a maneira como a obra conseguiu dialogar com os tempos atuais.

O livro autobiográfico que nomeia o filme, de autoria de Marcelo Rubens Paiva, filho de Rubens e Eunice,  foi para o topo das listas dos mais vendidos. O próprio caso Rubens Paiva ganhou novos desdobramentos recentemente. Por determinação da Justiça, em janeiro deste ano a certidão de óbito do ex-deputado foi corrigida. Na versão original do documento, ele foi tido como “desaparecido político”. Na nova redação, consta agora que sua morte foi violenta, causada pelo Estado brasileiro.

Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu analisar se a Lei da Anistia, adotada com o fim do regime de exceção, se aplica ou não a crimes de sequestro e cárcere privado cometidos na época da ditadura militar brasileira.

Os premiados nas 23 categorias foram:

Ator coadjuvante – Kieran Culkin, em A verdadeira dor

Animação – Flow

Curta-metragem animado – In The Shadow of Cypress

Figurino – Wicked

Roteiro original – Anora

Roteiro adaptado – Conclave

Maquiagem e penteado – A substância

Edição – Anora

Atriz coadjuvante – Zoe Saldaña, por Emília Pérez

Design de produção – Wicked

Canção original – El Mal, de Emilia Pérez

Documentário de curta-metragem – A única mulher na orquestra

Documentário   – No other land

Som – Duna: Parte 2

Efeitos visuais: Duna: Parte 2

Curta-metragem em live-action – I´m not a robot

Fotografia – O Brutalista

Filme internacional – Ainda estou aqui

Trilha sonora  – O Brutalista

Ator –Adrien Brody, em O Brutalista

Direção – Sean Baker, de Anora

 Atriz – Mikey Madison, em Anora

Filme – Anora

Fonte: Agência Brasil

Bolsonarista é preso por tentar invadir STF com bomba

Um homem de 52 anos foi preso ontem, em Brasília, por ter tentado invadir a sede do Supremo Tribunal Federal.

O que aconteceu
O suspeito pulou a cerca do tribunal e tentou entrar no prédio na última quarta-feira. O homem, que não teve o nome revelado, “proferiu diversas ameaças, ofensas e hostilizações a ministros do Supremo”, segundo a Polícia Civil do DF.

Homem foi preso dois dias depois da invasão. Ele foi encontrado ontem em sua casa em Samambaia, na região metropolitana de Brasília, após a investigação apontar que ele “planejava ações extremistas”. Os agentes fariam apenas buscas e apreensões, mas o suspeito resistiu à abordagem e tentou agredir os policiais. A PCDF afirma, então, que fez “uso moderado da força” e o prendeu em flagrante por resistência e desacato.

Preso tinha materiais perigosos em casa. Segundo a PCDF, ele estava com “bilhetes confirmando as suas intenções violentas, bem como um artefato para a construção de bomba caseira”, além de um casaco de uso exclusivo da Polícia Militar do DF.

Polícia apura motivações do ataque. A PCDF afirma que as investigações buscam “mais elementos de informação que corroborem o crime de apologia ao crime e ameaças aos ministros do Supremo”.

Redação com Uol

ACONTECEU AQUI E LÁ

Flávio Show – Funcionário dos Correios

Maceió, 02 de março de 2025

Duas vergonhas viraram noticia essa semana, uma vinda da terra do Tio Sam e outra produzida aqui mesmo em terras genuinamente tupiniquim.
Não sei por onde começar, acho que vou fazer um bem bolado, pois os dois se locupletam ou nem tanto.

Aqui no Brasil o inelegível teve a brilhante ideia de ser entrevistado por ninguém menos que Léo Dias, uma cópia masculina da Sônia Abrão, guardadas todas as proporções de língua e de fala, é claro! Uma saraivada de caras e bocas que não foi ensaiada nos camarins do SBT, Léo Dias é o famoso; “sem papas na lingua”, um moedor de cana sem freio para o bem e para o mal, que colocou o ex presidente em situações vexatórias com algumas verdades sobre sua iminente prisão, golpe, inegelebilidade, etc.
Ah, mas audiência bombou, sim verdade, mas prefiro a discrição com meia dúzia de internautas assistindo sem dar like, que passar tamanha vergonha no crédito, no débito e no pix.

A outra vergonha foi mundial, uma novela escrita pelos americanos ao longo de décadas com um roteiro tão conhecido que a mais antiga profissão no mundo.
Funciona assim; os EUA acham um “palhaço” em outro país e investem nele, convencendo a população que o elemento é ideal para governar o país, gastam muito dinheiro e no meio do mandato aparece uma guerra e mais uma vez os gringos derramam dólares e no final da trama a conta vem com uma fatura detalhada e o alvo são as riquezas naturais do país subalterno.
Aqui no Brasil o script tava pronto e o circo armado, mas não contavam que Lula rasgaria a lona e destruiria o picadeiro expulsando qualquer chance de ver os americanos transformarem o brazucas outra vez em colonizados.

Zelensky caiu como um patinho nessa arapuca e o golpe fatal veio ao vivo direto da Casa Branca, um bombardeio de Trump e seu vice, J. D Vance foi lançado em direção ao ucraniano, que ficou acuado em saber que o amigo de ontem, agora é o franco atirador de hoje. Zelensky pagou pra ver e vai pagar mais ainda, porque se ele correr os EUA pegam e se ficar s Rússia come. Triste fim de palhaço eleito presidente de um país, agora sem graça.

Em 2026 Trump vem com tudo pra cima da gente e um novo palhaço tupiniquim vai surgir, podendo ser um ator, um apresentador, um “cristão” e até mesmo um cantor sertanejo.
Abramos os olhos, pois um “Zé Lensque” verde amarelo tá sendo ensaiado. “ouremos”

Reflexões* Flávio Show 2025 , ano 05 – Edição 220

Filme Ainda Estou Aqui pode afetar Lei da Anistia, levando 18 ações a julgamento

O legado do filme “Ainda Estou Aqui” pode ser muito maior que as três estatuetas inéditas que a película pode garantir ao cinema brasileiro no Oscar neste domingo (2). O filme provocou ampla discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) e a Corte decidirá se a Lei da Anistia se aplica a casos de desaparecimento de vítimas da ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). Um levantamento da Agência Pública mostra que das 56 ações criminais divulgadas pelo Ministério Público Federal (MPF) entre 2012 e 2024, 18 seriam destravadas, caso a Corte decida afastar a Lei de Anistia nestes casos.

No último dia 24 de fevereiro, o STF, por unanimidade, decidiu que vai analisar se a Lei de Anistia se aplica a casos de desaparecimento, mas ainda não há data para o julgamento. O STF analisou recursos do MPF, que tramitam na corte sobre as ações penais envolvendo os desaparecimentos de Rubens Paiva e Mario Alves e o assassinato de Helber José Gomes Goulart, cujo corpo ficou desaparecido por 19 anos. A Corte seguiu o relatório do ministro Alexandre de Moraes e entendeu que cabe a repercussão geral do assunto, ou seja, o que o STF vier a decidir vai se aplicar a casos semelhantes que tramitam na Justiça e que estão travados por diferentes motivos.

Ganhador de prêmios internacionais, o filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, conta como Eunice Paiva (viúva de Rubens Paiva, interpretada por Fernanda Torres) liderou a família em meio ao luto e se transformou em uma advogada respeitada na luta por direitos humanos no Brasil, e é baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, filho do deputado cassado que foi morto sob tortura em janeiro de 1971. O corpo do político jamais foi encontrado. 

Por que isso importa?

  • Popularidade do filme indicado ao Oscar jogou nova luz sobre a ditadura e, em um período em que a cessão de anistia volta a ser uma pauta, o Brasil ganha nova chance de responsabilizar e punir autores de crimes até então impunes, reforçar a importância da defesa da democracia e prestar respeito a familiares e vítimas do regime militar.

Entre 2012 e 2024, o MPF ajuizou ao menos 56 ações penais contra ex-agentes da repressão da ditadura. A instituição entende que a Lei de Anistia não se aplica para beneficiar os autores de violações de direitos humanos no período da ditadura militar brasileira, marcado por ataque sistemático a uma parcela da população que, com ou sem armas, se opunha ao regime. Os crimes praticados neste contexto seriam contra a humanidade e não prescreveriam, cabendo às autoridades brasileiras processá-los e julgá-los. 

A prescrição é o limite de tempo previsto no artigo 189 do Código Civil que define até quando uma ação judicial pode ser movida para que um direito seja assegurado – vale desde cobranças até para a punição por crimes.

Em dezembro, ao analisar um recurso em uma ação sobre um caso de ocultação de cadáver de uma vítima da campanha militar das Forças Armadas contra a Guerrilha do Araguaia na ditadura, o ministro do STF Flávio Dino citou o filme ao decidir que o tema era de repercussão geral.  

“No momento presente, o filme ‘Ainda Estou Aqui’ tem comovido milhões de brasileiros e estrangeiros. A história do desaparecimento de Rubens Paiva, cujo corpo jamais foi encontrado e sepultado, sublinha a dor imprescritível de milhares de pais, mães, irmãos, filhos, sobrinhos, netos, que nunca tiveram atendidos seus direitos quanto aos familiares desaparecidos. Nunca puderam velá-los e sepultá-los, apesar de buscas obstinadas como a de Zuzu Angel à procura do seu filho”, afirmou. 

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região já decidiu afastar a Lei da Anistia para casos de desaparecimento ao julgar recurso sobre o desaparecido Carlos Zaniratto, um ex-soldado do Exército que desertou para seguir Carlos Lamarca na Vanguarda Popular Revolucionário (VPR), como mostrou a Pública.

Até 200 novas ações ainda poderiam buscar culpados por crimes na ditadura 

O levantamento feito pela reportagem da Pública apontou que, além dos casos de Rubens Paiva, Mario Alves e Helber Goulart, outras 15 ações penais poderão ser afetadas – 32% das ações propostas pelo MPF – e os acusados poderiam ser responsabilizados e punidos. Outros 15 casos permanecerão impunes, uma vez que os envolvidos faleceram ou as ações já transitaram em julgado.  

São 15 ações semelhantes às três já em discussão no STF: 

  • Oito são como o processo de Rubens Paiva, nos quais o MPF denunciou crimes como homicídio e incluiu a ocultação de cadáver, a exemplo de Virgílio Gomes da Silva, que participou do sequestro do embaixador dos EUA, Charles Burke Ellbrick, e que foi morto sob tortura, em 1969, mas o corpo, sepultado como desconhecido no cemitério de Vila Formosa, nunca encontrado;
  • Três são como o de Mário Alves, jornalista e dirigente do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, possivelmente morto em janeiro de 1970 e cujo corpo jamais foi encontrado. No caso de Alves, o MPF denunciou o desaparecimento como sequestro qualificado, por entender que não havia informações sobre o paradeiro do corpo e das circunstâncias da morte presumida. Outro caso semelhante é o do corretor de valores Edgar Aquino Duarte, preso que ficou por mais tempo no Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi) de São Paulo, entre 1971 e 1973, e cuja data da morte e desaparecimento é incerta;
  • Quatro são como o de Helber Goulart, ex-militante do PCB, e que foi preso quando integrava a ALN e morto por agentes do Doi-Codi em 1973. No caso dessas vítimas, o MPF denunciou ex-legistas, como Harry Shibata, que alterou informações no laudo de necropsia de Goulart, o que dificultou por 19 anos a localização de seus restos mortais, sepultados no Cemitério de Perus. 

Se a discussão no STF tivesse iniciado mais cedo, o número de casos poderia ser bem maior, uma vez que 33 das ações movidas pelo MPF (59% do total) são de desaparecimento. 

O Brasil perdeu a oportunidade de julgar os responsáveis pelo desaparecimento de 15 vítimas. Em nove casos, os réus já morreram e as ações se extinguem com a morte dos acusados (aqui se enquadram, por exemplo, quatro ações contra Sebastião Curió Rodrigues de Moura, que comandou a campanha de extermínio contra a Guerrilha do Araguaia, e morreu em 2022, aos 87 anos). Outros seis foram extintos por decisões da Justiça. O MPF não pode pedir reabertura de ações penais que transitaram em julgado. 

“Se as decisões que bloquearam a continuidade das ações penais transitaram em julgado  não tem muito o que fazer porque não há revisão penal em prol da acusação em nosso sistema de processo penal”, afirma o advogado Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça e ex-Vice-Procurador-Geral Eleitoral. 

Aragão ressalta, porém, que novas ações poderão ser propostas pelo MPF relativas a outros casos de desaparecimento, que giram em torno de 200 dos 434 registros apontados no relatório da Comissão Nacional da Verdade e essas ações “não terão qualquer obstáculo prescricional”. 

A procuradora regional da República Eugênia Augusta Gonzaga, presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, concorda: “tem muita gente viva ainda que não foi processada”, referindo-se a agentes da repressão autores de graves violações de direitos humanos na ditadura.

Ações criminais que podem ser destravadas caso o STF julgue que a Lei da Anistia não vale para casos de desaparecimento:

  1. Alex de Paula Xavier Pereira e Gelson Reicher;
  2. Ana Rosa Kucinski Silva, Armando Teixeira Frutuoso, David Capistrano da Costa, Eduardo Collier Filho, Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, João Batista Rita, João Massena Melo, Joaquim Pires Cerveira, José Roman, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Thomaz Antonio da Silva Meirelles Netto e Wilson Silva;
  3. André Grabois, João Gualberto Calatrone e Antonio Alfredo de Lima;
  4. Aylton Adalberto Mortati;
  5. Carlos Nicolau Danielli;
  6. Carlos Roberto Zanirato;
  7. Divino Ferreira de Souza;
  8. Edgar Aquino Duarte;
  9. Elson Costa;
  10. Helber José Gomes Goulart;
  11. Joaquim Alencar de Seixas;
  12. Manoel Lisboa de Moura e Emanuel Bezerra dos Santos;
  13. Mário Alves de Souza Vieira;
  14. Osvaldo Orlando da Costa (Osvaldão);
  15. Paulo de Tarso Celestino da Silva;
  16. Rubens Beyrodt Paiva;
  17. Sônia Maria de Moraes Angel Jones e Antônio Carlos Bicalho Lana;
  18. Virgílio Gomes da Silva.

Familiares de vítimas do período da ditadura militar ainda lutam por respostas e respostas do Estado quanto à punição dos responsáveis por desaparecimentos e mortes

Lei da Anistia: casos sem desaparecimento não poderão ser revistos

Pela forma como os ministros do STF votaram para que os casos de desaparecimento sejam analisados na repercussão geral não é possível afirmar que a Lei de Anistia será afastada em plenário, mas já é possível observar que 23 ações (41% do total) ficariam de fora do entendimento, já que não envolvem desaparecimento. São casos em que os corpos das vítimas foram entregues às famílias ou em que não houve homicídio, como em denúncias de tortura feitas pelo MPF.

Não seriam atingidos pelo resultado da repercussão geral casos rumorosos como o do Atentado do Riocentro, o processo que apura os estupros sistemáticos sofridos por Inês Etienne Romeu, a única sobrevivente da Casa da Morte de Petrópolis (RJ), o processo que denuncia os acusados pela morte de Vladimir Herzog, ou processar os torturadores de Frei Tito, frade dominicano acusado de integrar a Aliança Nacional Libertadora, de Carlos Marighella, torturado por um mês e que, após ser trocado pela liberdade do embaixador suíço Giovanni Bucher, exilou-se na França, onde se matou aos 28 anos.  

Segundo o advogado Eugênio Aragão, uma vez analisada a repercussão e decidido que a Lei de Anistia não se aplica a casos de desaparecimento, o efeito de decisão é imediato e “poderão ter curso normal” as 18 ações. Um outro cenário é de que a decisão pode ser modulada, ou seja, aplicada a casos de desaparecimento, mas com ressalvas, a exemplo dos casos em que houve também ocultação de cadáver, crime entendido como contínuo até a localização do corpo – nesse caso, apenas nove ações poderiam prosseguir.

Uma outra possibilidade seria a de afastar a Lei da Anistia em casos de desaparecimento, mas também internalizar decisões de cortes internacionais sobre violações de direitos humanos no Brasil, permitindo que todas as ações penais em que os réus não morreram ou não foram arquivadas pela Justiça terminassem, o que destravaria 39 ações. 

“Quando vejo o número de processos que ainda teriam chance de punição a depender do resultado da repercussão geral, entendo que é mais um reflexo da não-Justiça”, reflete a procuradora Eugênia Gonzaga, que desde 2007 defende que crimes cometidos por ex-agentes da ditadura são passíveis de punição. 

Fonte: Agência Pública

Eleições na Alemanha: uma grande rejeição

Diferente da abordagem da grande mídia, publicamos um resumo do artigo de Stéphane Marati, do semanário francês Informations Ouvrières (n° 847), órgão do Partido Operário Independente – A Redação

O apoio à guerra do governo de coligação do SPD (socialista), dos Verdes e do FDP (liberal) levou o país à desindustrialização massiva. A política de liquidação dos serviços públicos e de conquistas em nome do financiamento do esforço de guerra, sob ordens dos EUA, foi severamente sancionada nas urnas: o SPD teve seu pior resultado desde 1990 e perdeu 3,8 milhões de votos. Os Verdes perderam um milhão. O FDP desapareceu do Parlamento. Não é muito melhor para a direita CDU/CSU que avança em relação à crise de 2021, mas teve a segunda pior pontuação da história com 28,5%.

A rejeição é imensa. Os compromissos e os recuos em nome da estabilidade do poder, arruinaram aqueles que nisso se afundaram e, pior, fortaleceu a reação: o partido de extrema direita AfD, apoiado por Elon Musk, obteve 5,5 milhões de votos.

Já a Aliança Sarah Wagenknecht (BSW) que concorreu pela primeira vez ao Bundestag recebeu 2,5 milhões de votos, 4,97%, ficando pouco abaixo da barreira de 5% para entrar no parlamento. Na verdade, seu voto a favor da lei apresentada pela CDU no começo do mês, e apoiada pelo AfD, com o objetivo de restringir a imigração, teve um papel decisivo e gerou uma crise interna. 

Essa votação – que quebrou o isolamento histórico da AfD – ajudou a normalizar a extrema direita e desencadeou grandes mobilizações que reuniram mais de 800.000 alemães. Denunciar a imigração no lugar e ao invés da política do capital – que precisa de mão de obra estrangeira e a utiliza para dividir a classe trabalhadora – é um beco sem saída. O partido Die Linke (A Esquerda) beneficiou-se entre os jovens dessa rejeição legítima da AfD, dos partidos estabelecidos e do vácuo político – partindo de 3% nas pesquisas algumas semanas antes de participar das enormes manifestações, terminou com 8,7%, dois milhões de votos.

“AS EXIGÊNCIAS ESTÃO DEFASADAS EM RELAÇÃO AOS TEMPOS” (GOVERNO)

Diante de greves e disputas salariais no setor público, a resposta do governo é que “as demandas estão fora de sintonia com os tempos”.

Christiane Benner, presidente do poderoso sindicato IG Metall, deu o tom: “Estamos correndo contra o tempo. A indústria e os trabalhadores não podem esperar meses por perspectivas claras”. Ainda mais surpreendente, Heidi Reichinnek, a estrela parlamentar do Die Linke, declarou: “Estamos prontos para cooperar com todos os partidos democráticos no Bundestag a fim de garantir a estabilidade política”. Um refrão já ouvido na França e em outros lugares. O deputado do Die Linke, Bodo Ramelow, ex-presidente do Land da Turíngia, até considera trabalhar com um governo liderado pela CDU, pois o Die Linke no Bundestag é “tão capaz de fazer concessões quanto o minha bancada n a Turíngia” (Der Spiegel). O medo, os compromissos e os recuos levarão ao desastre. Para eles e para a sociedade. Os trabalhadores não aceitarão isso.

Fonte: Petista.org.br

Com superlotação e sobrecarga de trabalho, Unidade de Emergência do Agreste pede socorro

A Unidade de Emergência do Agreste em Arapiraca está literalmente na UTI.

Pede socorro ou os serviços podem colapsar a qualquer momento, como mostram as imagens, gravadas na última terça-feira, 25/2/2025.

  • Pacientes em macas ficam na fila, aguardando ou sendo atendidos. Um deles está em uma cadeira, porque não há leitos para todos;
  • Acompanhantes ficam sentados em cadeiras improvisadas ao lado de camas. Cadeiras, aliás, improvisadas, quebradas ou remendadas.

Mas a situação fica pior entre sexta e domingo.

A maioria dos funcionários é contratada, sem direito a férias, atestado médico, décimo terceiro, licença maternidade.

Para eles, a cruel lei da selvageria do mercado: ficou doente, é demitido.

A demissão dos vigilantes nas unidades de saúde- medida adotada pelo Governo para conter despesas- tornou a Unidade de Emergência do Agreste lugar ainda mais difícil de trabalhar. Porque houve servidores agredidos, ameaçados, tentativa de estupro e assaltos no estacionamento, além de roubos de motocicletas e bicicletas.

Fonte: Repórter Nordeste

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