Dino retira sigilo de investigação sobre Dark Horse em SP; Frias seria ‘agente central’

Ministro manda PF receber material bruto apreendido em SP mesmo com perícias ainda em andamento

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou neste domingo (13) o sigilo do material de investigação conduzida em São Paulo que alcançou a produtora de Dark Horse, filme que está no centro de outra apuração no Supremo. Dino também determinou que celulares, computadores, documentos e todo o conteúdo bruto extraído dos aparelhos apreendidos pela Polícia Civil paulista sejam entregues à Polícia Federal, mesmo nos casos em que as perícias ainda não foram concluídas.

A decisão foi tomada na PET 16.669, relatada por Dino, e concentra no STF uma investigação sobre suspeitas de desvio e ocultação de recursos públicos. O procedimento deriva da PET 16.070, aberta em maio e relacionada à execução de emendas parlamentares federais destinadas a empresas de São Paulo.

Parte do material agora tornado público veio de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo e alcançou Karina Ferreira da Gama e a Go Up Entertainment, produtora envolvida na realização de Dark Horse.

Ao analisar os documentos enviados pela Justiça paulista, Dino afirmou que as evidências reforçam a hipótese de que diferentes frentes investigadas fazem parte de uma mesma estrutura.

“No curso da investigação se fortalece a hipótese de imbricação indissociável em um sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos”, escreveu o ministro.

Segundo Dino, o esquema investigado teria como pontos relevantes “emendas parlamentares federais” e recursos da “prefeitura de São Paulo”. A decisão registra ainda que a organização alcançaria “inclusive, vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital)”, conforme uma das linhas investigativas mencionadas nos autos.

Dino manda entregar material ainda em perícia

A ordem de Dino para transferência das provas não depende do encerramento do trabalho da perícia paulista.

O ministro determinou que o secretário de Segurança Pública de São Paulo entregue à PF “todo o material bruto extraído dos celulares” das pessoas físicas e jurídicas investigadas. São aparelhos apreendidos pela Polícia Civil em junho e cuja perícia, segundo a própria decisão, “foi ou está sendo realizada” pelos órgãos estaduais.

“Do mesmo modo, determino que todos os aparelhos celulares, computadores e demais documentos sejam transferidos à custódia da Polícia Federal”, escreveu Dino.

O ministro ainda determinou que o diretor-geral da PF adote as providências necessárias junto às autoridades estaduais “para cumprimento imediato”.

A medida permite à PF acessar diretamente o material apreendido em São Paulo sem precisar aguardar a conclusão das análises estaduais. Esse problema já havia sido apontado pela investigação federal.

Segundo o documento, a Polícia Civil cumpriu buscas em 1º de junho. A PF solicitou o compartilhamento do material em 9 de julho e conseguiu autorização em 21 de agosto. Mesmo assim, a transferência ainda não seria completa porque havia elementos “pendentes de extração pericial”.

A própria PF argumentou que manter as investigações separadas criava “risco concreto de duplicidade de diligências, desperdício de recursos investigativos e adoção de medidas potencialmente conflitantes”.

PF vê um único esquema

Um dos trechos mais fortes reproduzidos por Dino é a avaliação da PF de que as movimentações investigadas não representam esquemas independentes.

“Em verdade, há fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas”, diz a representação policial citada pelo ministro.

Nesse cenário investigativo, a PF afirma que o deputado Mário Frias (PL-SP) “figura como agente central”.

Dino reforça essa avaliação depois de analisar o material enviado pela Justiça paulista. Segundo ele, há “alusão reiterada” a Frias no “itinerário delituoso”. O ministro ressalva que se trata do “terreno hipotético da investigação”, mas registra que o deputado ocuparia “um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa”.

A representação da PF também chama atenção para movimentações financeiras entre Frias e a Go Up.

Segundo os investigadores, registros demonstrariam “a remessa, por Mário Frias, de valores à empresa Go Up em montante materialmente incompatível” tanto com os rendimentos declarados pelo parlamentar quanto com os créditos identificados em suas contas.

Para a PF, a movimentação faz com que Frias “transcenda a condição de mero autor de emendas parlamentares posteriormente desviadas por terceiros” e o coloca, em tese, como “participante ativo da engrenagem financeira sob investigação”.

Investigação aponta circuito financeiro fechado
A PF também descreve uma circulação de dinheiro envolvendo Frias, a empresa Complexsys, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a ANC.

Segundo a representação, a Complexsys teria recebido recursos do ICB para executar projetos financiados com dinheiro público, recebido transferências feitas diretamente pelo parlamentar e, paralelamente, realizado devoluções financeiras ao instituto.

A PF afirma que essa movimentação “não se compatibiliza com relações negociais independentes e economicamente justificadas”.

Para os investigadores, os elementos indicariam “um circuito financeiro fechado, característico de estruturas destinadas à circulação, fragmentação e reintrodução de valores entre integrantes de um mesmo núcleo de atuação”.

Os investigadores apontam ainda “inequívoca confusão patrimonial” entre o ICB, empresas contratadas e pessoas físicas relacionadas ao grupo, com vínculos societários cruzados, empresas cujo faturamento declarado seria incompatível com os valores movimentados e devoluções de recursos sem causa econômica aparente.

Dino autoriza busca de dados no Coaf

A decisão deste domingo também autoriza uma medida que a polícia havia solicitado em maio e reiterado no início de setembro: a obtenção de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) junto ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Dino considerou suficientes os fundamentos apresentados pela autoridade policial.

“A juntada aos autos dos elementos de convicção advindos do COAF permitirá a confirmação ou não de relevantes caminhos de investigação”, afirmou.

O ministro classificou a medida como “imprescindível” para que a Polícia Federal e o Ministério Público possam avançar na análise dos fatos e mandou oficiar o Coaf nos termos do pedido feito pela polícia em maio.

Dino cita Mendonça e fala em mudança no STF
Ao justificar a publicidade dos documentos, Dino também entrou no debate interno do Supremo sobre o sigilo das investigações.

O ministro citou decisão recente de André Mendonça que levantou o sigilo de outro procedimento e afirmou considerar que existe uma “viragem jurisprudencial em curso” no STF, à qual diz precisar se adaptar “em homenagem ao princípio da colegialidade”.

Dino defendeu que pessoas submetidas a situações equivalentes recebam o mesmo tratamento.

“Se proprietários de bancos, políticos ou magistrados figuram como suspeitos em um conjunto de procedimentos, todas as investigações devem ter marcha congruente, com ampla publicidade”, escreveu.

O ministro chega a enumerar o que esse entendimento significa: publicidade sobre “nomes, dados financeiros, contas e fundos movimentados, conversas em WhatsApp, entre outros indícios”.

Dino ressalvou que essa mudança ainda deverá provocar discussões no plenário do Supremo, especialmente sobre os efeitos para a presunção de inocência e para a eficiência das investigações.

Ao final da decisão, o ministro determinou expressamente: “Levanto o sigilo de todo o material recebido” da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens de São Paulo. O conteúdo passa agora a tramitar na PET 16.669, sob relatoria de Dino.

Fonte: ICL

Claudio Castro acionou Mendonça antes de voto sobre soltura de Sérgio Cabral

Conversa obtida pela PF ocorreu 28 dias antes de ministro votar pela revogação da prisão preventiva do ex-governador; ambos negam tratativa sobre o mérito

Mensagens obtidas pela Polícia Federal apontam que Cláudio Castro (PL), então governador do Rio de Janeiro, procurou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2022, quando a Corte analisava um pedido relacionado à prisão do ex-governador Sérgio Cabral.

Segundo a corporação, na conversa de WhatsApp, Castro encaminhou ao ministro documentos referentes a pedidos de habeas corpus e alvará de soltura. Mendonça integrava a Segunda Turma, responsável pelo julgamento, e havia pedido vista do processo semanas antes.

Os diálogos foram coletados pela PF na Operação Sem Refino, que teve Castro como alvo. Mendonça não é investigado. As mensagens permanecem sob reserva, apesar de o ministro Alexandre de Moraes ter retirado o sigilo da operação.

Dino: inquérito aponta desvio de emendas em SP e menciona ligação entre PCC e Frias

O contato ocorreu na noite de 11 de novembro de 2022. Às 19h37, Castro escreveu: “Amigo, preciso falar com urgência” e, em seguida, mencionou o “caso Cabral”. Depois, enviou dois arquivos relacionados ao processo.

Mendonça respondeu às 20h25 com a descrição de um processo da 13ª Vara Federal de Curitiba que havia determinado a prisão preventiva de Cabral no âmbito da Lava Jato. Na sequência, escreveu: “ligo em alguns minutos”.

Sete minutos depois, o ministro enviou a Castro um link do próprio STF para o habeas corpus apresentado pela defesa do ex-governador. As mensagens não esclarecem qual era o interesse de Castro no processo de Cabral.

Mendonça votou pela soltura

Quando a conversa ocorreu, o processo já estava sob análise de Mendonça. Em 24 de outubro daquele ano, ele havia pedido vista após o relator, Edson Fachin, votar contra o recurso apresentado por Cabral.

O ministro devolveu o processo para julgamento em 28 de novembro, 17 dias depois das mensagens. Em 9 de dezembro, votou pela revogação da prisão preventiva.

Mendonça argumentou que o período de detenção havia se prolongado excessivamente e caracterizava um “cumprimento antecipado de pena”.

Mendonça e Castro negam relação de amizade

O gabinete de Mendonça afirmou que o ministro conheceu Castro institucionalmente durante o período em que comandou o Ministério da Justiça e negou que exista relação de amizade entre os dois.

Segundo a nota, o ministro não possui registro de conversa sobre o mérito do processo e magistrados são procurados por advogados, partes e terceiros por diferentes meios.

“Tais manifestações não alteram o curso do exame dos processos, que se dá exclusivamente a partir do que consta dos autos. O voto proferido no caso está publicamente disponível, é fundamentado e reflete entendimento que o ministro aplicou de forma uniforme em casos análogos”, afirmou o gabinete.

Castro também disse que sua relação com Mendonça sempre foi institucional. Segundo ele, o contato sobre Cabral tratava da possibilidade de soltura do ex-governador “por sua relevância para o estado, assim como fazia com outras situações sensíveis de interesse público”.

O ex-governador afirmou “de forma categórica” que jamais fez pedido relacionado a processos judiciais a Mendonça ou a qualquer outro integrante do STF.

Sobre o tratamento usado na conversa, Castro declarou que palavras como “amigo”, “parceiro” e “irmão” são expressões comuns no ambiente político e não demonstram relação pessoal.

Fonte: InfoMoney

Mendonça rejeita que outros ministros do STF tenham acesso integral a celular de Vorcaro

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou neste domingo (13) a inclusão de novos elementos e a abertura da íntegra do celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro antes da sessão marcada para terça-feira (15). Para o relator, a medida poderia “tumultuar o julgamento” e comprometer o avanço das investigações ligadas ao Banco Master.

O plenário do STF deve analisar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Em ofício, Mendonça sustentou que a divulgação de informações que ainda não integram os autos abriria espaço para questionamentos capazes de desviar o processo do julgamento previsto.

“A inserção de elementos adicionais, que não constam dos autos até o presente momento, o que inclui a abertura de todas as informações contidas no celular do senhor Daniel Vorcaro, somente contribuiria para tumultuar o julgamento”, escreveu Mendonça. Ele acrescentou que a providência colocaria em risco “todo o seguimento e êxito das investigações”.

Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes pediram à presidência da Corte acesso integral ao espelhamento do iPhone apreendido pela PF. Zanin e Gilmar defenderam a necessidade de conhecer todo o contexto, enquanto Moraes afirmou que “não cabe ao relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento”.

Mendonça respondeu que todos os integrantes do STF podem consultar o mesmo conjunto de elementos que ele usará na sessão. “Reitero que todo o material utilizado para o julgamento da próxima terça-feira encontra-se disponível, na íntegra, a todos os ministros deste tribunal”, afirmou.

O ministro também citou o presidente do STF, Edson Fachin, ao defender que a gravidade dos fatos não permite atalhos. Mendonça escreveu que o caso não tolera “subterfúgios ou desvios de rotas, rumo a outros interesses que não os da Justiça”.

No mesmo despacho, Mendonça pediu a Fachin que determine a quatro delegados da Polícia Federal a apresentação de informações, em 24 horas, sobre o envio de relatórios e mídias ao seu gabinete em março de 2026. O relator quer esclarecimentos sobre as circunstâncias da entrega e sobre eventuais constrangimentos sofridos pelos policiais durante a investigação.

No sábado (12), Fachin havia dado 24 horas para a PF informar a situação do aparelho e a integridade da cadeia de armazenamento das provas. A corporação respondeu neste domingo que mantém o celular e a extração original sob guarda e que pode enviar cópias idênticas aos gabinetes que requisitarem o material; também informou que remeteu uma cópia a Mendonça em março, após solicitação formal do relator.

Fonte: DCM

ASSIM SE CONTA A HISTORIA

Flávio Show – Funcionário dos Correios

Maceió, 13 de Setembro/ 2026

Independência ou morte!
A semana começou com o nosso velho e costumeiro grito do Ipiranga do 7 de setembro. Aprendemos que Dom Pedro 1° montado em um belíssimo cavalo, trajando roupas militares, chegou às margens do grande rio Ipiranga e esbravejou o fim dos laços com a Coroa Portuguesa em 1822, mas na verdade ele tava em um burrico, com uma roupinha da shopee à beira de um riacho, sofrendo com uma diarreia desgraçada e o único grito que se ouviu foi :”Ô mãe! Vê se me manda um dinheiro, que tô no banheiro e não tem nem papel pra cagar”,(Raimundos), dizem as más línguas!
Muitas vezes a historia tem outras versões e o 7 de setembro mostrou que Flavio Bolsonaro reuniu 1 milhão de pessoas na Paulista, certo? Errado, foram apenas 28 mil pessoas, mas o que vale é a narrativa, as fotos manipuladas e muita gente pra espalhar o fato que é fake!

A semana tambem foi de gritos no Supremo Tribunal Federal e em todos os cantos do nosso Brasil Varonil ouvia-se: “queremos ver tudo”, sobre os inquéritos que envolvem o Banco Master, as investigações do roubo do INSS e tudo que ta no celular apreendido do Vorcaro.
Os Ministros afirmaram que os vazamentos seletivos que Andre Mendonça estava fazendo eram pra favorecer seu grupo politico e o Presidente da Corte, Fachin, deu um grito de libera geral às margens do Lago Paranoá, colocando à disposição do público diversos processos sobre os casos, outrora sigilosos. Agora o prego entra ou a tábua lasca!
Ja começou a aparecer conversas que colocam diversas autoridades que podem cair do cavalo e sair pelas largas ruas de Brasilia cavalgando no lombo dóceis mulas. Será?
O Supremo ta separado pelos dois lados do rio. De um lado estão todos que tiveram algum contato ou contrato com o Vorcaro e do outro , Ministros, que ate agora, escaparam do “charme” bilionário do banqueiro, das festas no Madame Satã e das gringas novinhas.

As mensagens divulgadas mostram tambem a dinheirama e os laços entre o Senador e candidato Flavio Bolsonaro com o “irmãozão” Vorcaro ao ponto de até o jornal Estadão publicar, abre aspas, “que o candidato não reúne condições morais nem sequer para disputar cargos eletivos” fecha aspas. Só pra quem não entendeu, esse é o mesmo jornal que elogiou a Reforma da Previdência feita em 2019 e aplaudiu as privatizações feitas no Governo anterior. Não se engane, o Estadão não mudou, apenas teve um lampejo de lucidez em suas paginas amareladas!

Pra finalizar; os Correios e os Bancos entraram em greve e numa eleição tão acirrada nesse ano, brincar de guerra com os sindicatos e os trabalhadores nessa altura do campeonato mostra que o Governo erra feio e a reeleição que estava às margens plácidas começa sofrer do mesmo mal de Dom Pedro 1° em 1822, uma diarreia profunda, que pode resultar numa queda do cavalo, digo, da rampa do Planalto!
“Ouremos”

Reflexões* Flávio Show 2026 , ano 06 – Edição 301

Militantes fazem ato pró-Lula na orla de Maceió

Neste domingo, o último dia 13 antes das eleições, o PT organizou uma “mobilização nacional” em diversas cidades do país, com comícios e desfiles e panfletagens nas ruas em apoio à reeleição do presidente Lula e com a presença de diferente candidatos do partido.

Em Maceió, a manifestação ocorreu na praia de Ponta Verde e agrupou centenas de pessoas. Durante a manifestação ocorreu distribuição de material de campanha e depois uma caminhada com bandeiraço e palavras de ordem em apoio a releição do presidente Lula.

Diversos candidatos do partido marcaram presença, entre eles Pastor Welington, Izael do Sinteal, Élida Miranda, Ronaldo Medeiros e Teca Nelma.

Para a vereadora Teca Nelma, vereadora de Maceió e candidata a deputa estadual pelo PT, “o presidente Lula é o melhor presidente da história do Brasil e tem compromisso com o povo brasileiro. Suas propostas dialogam com as reais necessidade do povo e por isso será releito em 4 de outubro.”

A “margarida” JHC apareceu na TV com omissões e fatos sem contexto

E não é que a “margarida” apareceu. João Henrique Caldas (PSDB) foi à TV Pajuçara para participar da sabatina promovida pela emissora. Por 20 minutos, ele falou sobre suas propostas de governo e sobre o atual cenário de Alagoas em diversas áreas. 

Requerer Licenças Municipais

Contudo, ele deixou de enfrentar problemas concretos das áreas que administrou como prefeito de Maceió. Em alguns casos, mais do que omissão, houve uma tentativa de apresentar como novidade aquilo que já existe ou de atribuir à sua gestão resultados construídos anteriormente ou mesmo que não são fruto de ação municipal.

Na educação, o principal problema é a distância entre a expansão física e a estrutura permanente da rede. JHC fala dos Gigantinhos como uma grande marca de sua gestão, mas não enfrentou a questão dos profissionais. A Prefeitura recorreu a um PSS com 5.721 vagas em 2026, incluindo milhares de auxiliares e profissionais da educação. Além disso, na rede municipal, muitos profissionais não possuem o salário-mínimo com base, tendo seus pagamentos complementados com benefícios, afetando suas aposentadorias.

Outro detalhe é que o Gigatinhos só veio após o programa Creche CRIA do governo Renan Filho que, aliás, Maceió se recusou a receber os equipamentos para geri-los. O caso mais emblemático foi a primeira unidade na capital alagoana, cujo argumento da prefeitura envolvia a cessão do terreno onde a creche foi construída. 

A pergunta que ficou sem resposta é por que uma expansão tão celebrada não foi acompanhada pela realização de concurso público.

Na educação, JHC também não omitiu problemas como progressões, licença-prêmio, transporte, uniformes e condições de trabalho. 

Já sobre a saúde, a principal omissão foi confundir obra com funcionamento do serviço. JHC pode apresentar hospitais e equipamentos como realizações, mas isso não responde às denúncias sobre o funcionamento da rede.

O Hospital da Cidade, por exemplo, foi alvo de questionamentos sobre sua aquisição, desde o valor ao que já estava em funcionamento. Mais recentemente, aquela unidade esteve no centro de um caso gravíssimo envolvendo a morte de um bebê após a mãe dar à luz na recepção, além de outros relatos de problemas no atendimento.

O HC PET, voltado à medicina veterinária, também expõe essa diferença entre inaugurar e funcionar. A unidade foi inaugurada em abril, mas demorou a efetivamente começar os atendimentos. Depois de entrar em funcionamento, continuou recebendo reclamações sobre demora e falta de profissionais. Portanto, a questão não é negar a existência dos equipamentos, mas perguntar se eles funcionam adequadamente.

Sobre a regionalização da saúde, JHC apresentou a criação de uma terceira macrorregião como uma grande novidade, mas Alagoas já possui duas macrorregiões e dez regiões de saúde, além de hospitais regionais construídos nos governos Renan Filho e Paulo Dantas, ambos do MDB. 

Nas respostas sobre segurança pública, JHC não tratou de questões estruturais, como efetivo, condições de trabalho e capacidade operacional de guardas municipais, em vez de concentrar o discurso apenas em ações e equipamentos. Em relação aos regimes/modelos para cumprimento de penas, promoveu descontextualização.

Já sobre violência contra a mulher, a distorção foi total. JHC afirmou que a “violência contra a mulher aumentou 36%”. Isso é erro factual. O percentual de 36% se refere a mulheres que relataram situações de violência sem reconhecê-las como violência doméstica/familiar. Esse dado é do DataSenado e do Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) do Senado.

Agora, outro ponto da entrevista que merece ressalva é a afirmação de que sua gestão em Maceió “criou” 60 mil empregos na capital alagoana. O número se refere ao saldo de empregos formais registrado pelo Caged na cidade desde 2021, e não a postos criados diretamente pela Prefeitura.

É até legítimo atribuir parte desse desempenho a políticas municipais de investimentos, turismo e/ou desburocratização, mas a geração de empregos depende essencialmente da dinâmica da economia nacional, que envolve diversos fatores desde investimentos estrangeiros, a internos, políticas de aumento de poder de compra para girar a roda da economia criando demanda. Enfim, o número de empregos gerados em Maceió é muito mais conta do governo Lula do que dele, JHC à frente da prefeitura de Maceió.

Não estivesse a economia brasileira com bons números, com a renda média elevando e empregos sendo criados, a prefeitura de Maceió poderia fazer o que o fosse. Portanto, transformar todo o saldo do Caged em resultado direto da gestão JHC é uma simplificação grosseira.

O problema central da entrevista de JHC, em minha avaliação, foi não responder se os serviços públicos estão funcionando bem, com profissionais suficientes, estrutura permanente e capacidade de atender a população? As demais questões até fazem parte da disputa eleitoral.

Nesta quinta-feira (10), a TV Gazeta realiza o primeiro debate entre ele e Renan Filho. Se a margarida comparecer, talvez essas questões sejam tratadas como se deve.

Bancários rejeitam proposta da Caixa e mantêm greve nacional

Plano de saúde é principal impasse entre empregados e banco

Os empregados da Caixa Econômica Federal rejeitaram a proposta final apresentada pelo banco e decidiram manter a greve nacional, iniciada na quinta-feira (10). A paralisação segue por tempo indeterminado, enquanto as entidades sindicais buscam retomar as negociações.

Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos trabalhadores votaram contra a proposta em assembleia encerrada às 23h desta sexta-feira (11). 

O principal ponto de divergência é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários. A proposta apresentada pela instituição previa mudanças no modelo de custeio e nas regras de coparticipação.

Justiça

Antes da votação, a Caixa afirmou que a proposta era final e indicou que poderia recorrer à Justiça do Trabalho caso fosse rejeitada.

O banco deve avaliar o ingresso de um dissídio coletivo, instrumento utilizado para que a Justiça do Trabalho estabeleça condições para solucionar o impasse entre empregados e instituição.

Apesar da rejeição, a Caixa afirmou que mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos trabalhadores e que pretende buscar um entendimento.

Origem

A paralisação começou na quinta-feira (10), depois que os trabalhadores rejeitaram uma proposta anterior para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das bases sindicais haviam rejeitado o texto anterior apresentado pela Caixa.

Em São Paulo, Paraná e outras regiões, agências amanheceram fechadas no início da greve. Os caixas eletrônicos continuaram disponíveis.

Proposta rejeitada

Entre os principais pontos oferecidos pela Caixa estavam:

  • prêmio de R$ 3 mil por empregado;
  • pagamento, em 18 de setembro, do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do prêmio;
  • aumento de 6,5% para 8% do limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa;
  • antecipação da parcela da Caixa referente à 13ª mensalidade de 2028, 2029 e 2030;
  • pagamento de valores relativos ao PAMS a partir de 2027;
  • R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027;
  • criação de grupos de trabalho para discutir melhorias na eficiência do plano e novas fontes de financiamento.

A proposta tinha validade até ontem (11).

Saúde Caixa

As mudanças no plano de saúde concentraram a maior parte das divergências. Entre as regras propostas estavam:

  • contribuição dos empregados de 2,3% a 4,1% sobre o salário-base, conforme a faixa etária;
  • cobrança de R$ 480 a R$ 660 por dependente, de acordo com a idade;
  • aumento do teto anual de coparticipação de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil por grupo familiar;
  • limite de 9% para o grupo familiar;
  • criação de um piso de R$ 50 por beneficiário;
  • cobrança de 13 mensalidades;
  • aumento de R$ 75 para R$ 150 no valor da consulta em pronto-socorro, fora do teto;
  • isenção de coparticipação em atendimentos por telemedicina;
  • recadastramento anual obrigatório.

A proposta também previa uma janela de 90 dias para adesão de titulares que atualmente estão fora do plano. Após o cancelamento, porém, não seria possível retornar ao Saúde Caixa.

Atendimento aos clientes

A Caixa orienta os clientes a priorizar os canais digitais e remotos durante a paralisação. Entre as opções estão:

  • aplicativo Caixa;
  • internet Banking;
  • WhatsApp Caixa;
  • Caixa Tem;
  • aplicativos Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS;
  • caixas eletrônicos;
  • rede Banco24Horas;
  • lotéricas e correspondentes Caixa Aqui.

O atendimento telefônico também permanece disponível pelo Alô Caixa, nos números 4004-0104, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-104-0104, para as demais localidades.

Banco do Brasil

A situação é diferente no Banco do Brasil. Na maior parte dos sindicatos, a categoria aprovou uma proposta apresentada pela instituição e trabalhou normalmente na sexta-feira (11).

A paralisação, no entanto, permanece em 18 bases sindicais, onde os trabalhadores não encerraram o movimento.

Fonte: Agência Brasil

“NAZA”: documentário mostra o genocídio em Gaza em depoimentos de agentes israelenses

“NAZA”, o documentário dirigido por Yuval Abraham e Rachel Szor, recebeu o recorde de ovação no Festival de Veneza: 24,5 minutos de aplausos de pé. Provoca indignação, revolta e desprezo pelo governo de Israel e pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Mas causa também uma sensação mais profunda e perturbadora: a de que a humanidade pode ter perdido a esperança.

São depoimentos de 24 integrantes da inteligência das Forças de Defesa de Israel (IDF) que descrevem o funcionamento do sistema de massacre contra civis na Faixa de Gaza desde 7 de outubro de 2023. Os assassinatos foram realizados de maneira sistemática, deliberada e com o uso de tecnologia avançada de vigilância e inteligência.

Um dos próprios oficiais israelenses entrevistados utiliza o termo “genocídio” para definir o que estava acontecendo.

Nesse sentido, “NAZA” se aproxima de “Shoah”, o monumental documentário de Claude Lanzmann sobre o Holocausto. Os dois filmes são construídos a partir de entrevistas rigorosas com pessoas envolvidas nos acontecimentos. A diferença fundamental é que “Shoah” concentra-se nos sobreviventes e nas vítimas, enquanto “NAZA” coloca diante da câmera os responsáveis pela máquina militar.

As comparações com o Holocausto também aparecem nos próprios depoimentos. Um dos entrevistados afirma: “Nós apagamos a história”. Outro lembra uma viagem escolar aos campos de concentração na Polônia e diz: “Eu ainda vejo aqueles nazistas como maus, mas o que isso mostra que eu sou?”.

Para proteger os entrevistados, Abraham conduz as conversas em terraços de Tel Aviv durante a noite. As vozes e os rostos são alterados digitalmente, e até a caligrafia dos participantes é borrada para impedir sua identificação. O diretor permanece visível, enquanto Rachel Szor atua como diretora de fotografia, acompanhada por uma equipe não identificada.

Os prédios de aço e vidro ao fundo contrastam permanentemente com os relatos sobre a destruição em Gaza.

“Uma fábrica de alvos”

Segundo os depoimentos reunidos pelo filme, a inteligência israelense desenvolveu um sistema altamente automatizado para localizar e atacar pessoas consideradas integrantes do Hamas. Telefones eram monitorados e rastreados, enquanto drones e algoritmos de inteligência artificial eram utilizados para determinar com precisão a localização dos alvos.

Os oficiais explicam que os ataques noturnos são considerados especialmente eficientes. Era nesse horário que suspeitos de integrar o Hamas costumavam estar em casa, dormindo ao lado de suas famílias.

Um dos entrevistados define o sistema como uma “fábrica de alvos”.

O sistema demonstrava pouca ou nenhuma preocupação com as mortes de civis. Pelo contrário: em determinados casos, a presença de mulheres e crianças parecia ser incorporada ao cálculo do ataque.

O próprio título do filme vem da sigla usada pela inteligência israelense para designar esse tipo de dano colateral. Um alvo do Hamas aparece marcado em um apartamento acompanhado de cinco “NAZA”, isto é, cinco mulheres e crianças consideradas inocentes que seriam mortas junto com ele.

Em um dos relatos, um oficial afirma que 500 pessoas classificadas como “NAZA” foram mortas para atingir um único suspeito de terrorismo. Outros entrevistados descrevem ataques contra quarteirões inteiros e operações de destruição completa de áreas urbanas.

A lógica, segundo um dos depoimentos, era clara: “o objetivo era quantidade, não qualidade”.

Outro entrevistado compara o processo a um videogame. Em determinados momentos, afirma, a experiência poderia até produzir uma sensação de excitação.

“Sou apenas uma pequena engrenagem”

“NAZA” também mostra como a banalização da morte pode ser acompanhada pela transferência de responsabilidade. Quando Abraham tenta obter dos entrevistados algum reconhecimento sobre a dimensão dos crimes cometidos, alguns recorrem a justificativas semelhantes à ideia da “banalidade do mal”, conceito formulado por Hannah Arendt ao analisar o comportamento de responsáveis pelo Holocausto.

“Sou apenas uma pequena engrenagem”, afirma um dos oficiais. “Outra pessoa teria feito isso.”

Outro resume sua participação dizendo: “Essa é a missão”.

É justamente durante uma dessas entrevistas que surge um dos relatos mais perturbadores: o uso de atiradores contra palestinos que tentavam desesperadamente conseguir comida.

Os depoimentos também mencionam as chamadas “zonas de aniquilação” em Gaza, nas quais qualquer ser vivo poderia ser considerado alvo — inclusive um adolescente que simplesmente entrasse em determinada área.

Os diretores também procuram mostrar que a violência retratada no filme não surgiu isoladamente após os ataques de 7 de outubro.

Imagens de arquivo mostram a destruição de bairros palestinos em Tel Aviv durante os anos 1940 e a construção, depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967, de uma extensa infraestrutura de inteligência israelense dentro de Gaza.

“Quanto mais sabíamos, mais estávamos no controle”, afirma um dos oficiais.

O mesmo entrevistado admite, porém, que Israel foi surpreendido pelo ataque do Hamas em 7 de outubro.

A contradição é central para o documentário: um aparato de vigilância construído durante décadas, capaz de monitorar profundamente a população de Gaza, não teria conseguido impedir o ataque que desencadeou a atual guerra.

Tel Aviv de um lado, Gaza do outro

Ao longo de “NAZA”, os depoimentos sobre mortes em massa e bairros inteiros apagados do mapa são constantemente intercalados com imagens dos arranha-céus de Tel Aviv.

Enquanto os oficiais descrevem a destruição de Gaza, prédios residenciais e comerciais continuam sendo construídos na cidade israelense. Em apartamentos luxuosos, moradores acompanham pela televisão os discursos de Netanyahu.

O contraste produz uma das imagens mais fortes do filme: uma sociedade próspera e moderna aparece em paralelo à destruição sistemática de outra população.

O filme também recupera declarações de Netanyahu nas quais o primeiro-ministro recorre a referências bíblicas e à oposição entre “bem e mal” e “luz e escuridão” para justificar a guerra.

Para Abraham e Szor, essa retórica convive com uma máquina militar que os próprios participantes descrevem em termos de produção em massa de alvos.

Sem alívio

Diferentemente de “No Other Land”, documentário anterior de Abraham, vencedor do Oscar e realizado com o palestino Basel Adra, “NAZA” não oferece momentos de alívio ou uma narrativa de esperança surgida em meio à destruição.

O filme termina com imagens feitas por palestinos depois dos bombardeios israelenses. São registros de dor, sofrimento e devastação deixados pela máquina de guerra descrita ao longo de toda a obra.

Um dos oficiais entrevistados resume a força militar israelense como formada pelos “melhores dos melhores”.

É justamente por isso que os depoimentos têm peso tão grande: não se trata de erros isolados cometidos por soldados descontrolados, mas de uma estrutura altamente organizada, tecnológica e profissional.

“NAZA” é um filme deliberadamente difícil de assistir. Seu objetivo é testemunhar e registrar o genocídio em Gaza a partir das vozes daqueles que estiveram dentro da estrutura responsável por conduzir as operações.

O documentário apresenta cerca de 73 mil mortos como resultado da campanha israelense retratada no filme. Mais do que produzir uma acusação abstrata, Abraham e Szor procuram reconstruir o mecanismo que permitiu que tamanha quantidade de pessoas fosse transformada em números, alvos e “danos colaterais”.

O filme também se insere em uma produção crescente de cineastas israelenses e judeus que desafiam as narrativas oficiais sobre a guerra. Além de Abraham e Szor, nomes como Dani Rosenberg, Nadav Lapid, Anat Even e Jonathan Glazer têm produzido obras que questionam a violência praticada pelo Estado de Israel e recusam que crimes cometidos em Gaza sejam realizados em seu nome.

“NAZA” transforma esse testemunho em documento histórico. É um filme sobre o genocídio em Gaza, mas também sobre os mecanismos utilizados para normalizar a morte de civis e transformar o assassinato em uma operação burocrática, tecnológica e cotidiana.

Fonte: DCM

Erika Hilton pedirá a Mendonça inclusão de Flávio Bolsonaro em inquérito do INSS

Matéria do ICL revelou que Flávio Bolsonaro e o ‘Careca do INSS’ usavam o mesmo endereço e o mesmo contador para suas empresas

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) anunciou uma iniciativa no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar incluir o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, nas investigações sobre o esquema de descontos indevidos aplicados a aposentadorias e pensões do INSS. O pedido será apresentado ao ministro André Mendonça, que conduz procedimentos relacionados à Operação Sem Desconto.

A medida tem como base uma reportagem do Núcleo Investigativo do ICL Notícias, assinada pela jornalista Alice Maciel. Segundo a publicação, a Bravo Grafeno, empresa do setor de capacetes que tem Flávio Bolsonaro entre seus sócios, possui registro em uma sala de Águas Claras, no Distrito Federal, que também foi utilizada como endereço cadastral por pelo menos 16 empresas associadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado como personagem central das investigações.

“Frente à revelação de que Flávio Bolsonaro e o ‘Careca do INSS’ usavam o mesmo endereço e o mesmo contador para suas empresas, estou acionando o ministro André Mendonça para que ele inclua Flávio Bolsonaro no Inquérito do INSS”, afirmou Erika Hilton. Em outra publicação, a deputada classificou a coincidência como grave e defendeu uma apuração sobre os vínculos empresariais identificados. “É absurdo que um senador e candidato à presidência da República tenha uma empresa sediada no mesmo lugar onde 16 empresas de alguém indiciado por operar um dos maiores esquemas criminosos da história recente do nosso país”, escreveu.

O endereço citado é a sala 2601, bloco D, do Edifício Connect Towers. Entre as empresas que tiveram registro no local está a Prospect Consultoria Empresarial, que, segundo dados do relatório final da CPMI do INSS divulgados pela imprensa, recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas. Os negócios relacionados a Antunes atuam em diferentes setores, incluindo consultoria, construção, incorporação, comércio, locação de veículos e call center.

Mesmo endereço e contador em Brasília

A reportagem esteve no local nesta sexta-feira (dia 11), por volta das 10h30. Logo na portaria do prédio, uma funcionária informou que a sala 2601 é ocupada pela Voga Serviços Contábeis, empresa que pertence ao sócio do Careca do INSS, Alexandre Caetano dos Reis, que também está preso.

Alexandre Caetano dos Reis é o primeiro elo conhecido entre Flávio Bolsonaro e o Careca do INSS. Ele é responsável também pela contabilidade do escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro.

A Voga ocupa quatro salas no 26º andar do prédio. A recepção da empresa fica na de número 2603, onde o ICL Notícias foi recebido pelo advogado Thalles Setúbal. Ele confirmou que a Voga presta serviços à empresa de Flávio Bolsonaro, mas negou que a sala 2601, onde estão registradas as empresas do senador e do Careca do INSS, pertencesse à contabilidade, apesar de os funcionários que circulavam pelo corredor, terem confirmado à reportagem que o local também é ocupado pela Voga.

Inclusive, em duas ocasiões, ao bater na 2601 que estava fechada, fui abordada por funcionários que me orientaram que me dirigisse à recepção da Voga, ou seja, a sala vizinha, 2603.

Thalles afirmou que na 2601 funcionava um coworking e pertencia à outra empresa, com donos diferentes da Voga. Questionado sobre a relação da empresa de contabilidade com o senador Flávio Bolsonaro e as investigações da PF, Thalles respondeu: “A gente se posiciona nos autos, não com imprensa”.

Fotos: Alice Maciel/ICL Notícias

Capacetes bolsonaristas

A Bravo Grafeno foi aberta pela família Bolsonaro em junho de 2024 e conta com capital social de R$ 100 mil. A loja online vende dois modelos de capacete por R$ 598,90 e viseiras branca e preta, por R$ 54.

“Com capacete Bravo de grafeno, você garante sua liberdade e segurança. Assim como eu, esse é 100% brasileiro”, anuncia o ex-presidente em vídeo divulgado no site da empresa. O domínio do site foi registrado em julho de 2024 em nome de Flávio Bolsonaro.

Jair Bolsonaro lançou o capacete para motos, no dia 11 de março de 2025, no Salão das Motopeças, realizado em São Paulo. O tricampeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet, também divulgou a marca durante uma live em 2025.

A escolha de Mendonça como destinatário do pedido está relacionada à atuação do ministro no caso. Em dezembro de 2025, a pedido da Polícia Federal e após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República, ele determinou a prisão preventiva de 16 investigados na PET 15041, além de outras medidas cautelares. Antunes continua preso e é apontado nas investigações como operador financeiro e um dos supostos líderes do esquema.

As fraudes investigadas pela Operação Sem Desconto envolvem cerca de R$ 6,3 bilhões em descontos associativos realizados entre 2019 e 2024. Erika Hilton afirmou que “foram ao menos 6 bilhões de reais retirados dos pagamentos de aposentados”. Sobre os ressarcimentos, dados oficiais indicam que R$ 3,2 bilhões já haviam sido devolvidos a aproximadamente 4,7 milhões de beneficiários até junho.

O governo também adotou medidas para impedir a continuidade das cobranças. Em janeiro de 2026, Lula sancionou a Lei 15.327, que proibiu descontos de mensalidades associativas nos benefícios do INSS e estabeleceu mecanismos para localizar beneficiários prejudicados e devolver valores cobrados indevidamente, nos casos previstos pela legislação. A Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União, tornou público o esquema e levou à investigação de possíveis irregularidades envolvendo milhões de benefícios previdenciários.

Fonte: ICL

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